Chamemos a isto jornalismo de qualidade!


Rui Naldinho

Para o fotógrafo, “uma imagem vale mais do que mil palavras”. Se isso é inteiramente verdade para Yann Arthus-Bertrand, como documentarista acrescentou-lhe a voz humana e os sons da natureza, para que tivéssemos uma percepção mais verdadeira da Humanidade.

Foi esse o contrato que o fotógrafo, jornalista e ambientalista francês fez com o espectador, ao produzir uma série  documental que foi estreada em 2015 na ONU, com o titulo “Humano”. Os representantes dos diversos países com assento nas Nações Unidas puderam vê-lo em estreia, numa versão para cinema, conforme desejo do autor.

Yann Arthus-Bertrand

Yann Arthus-Bertrand

A nossa televisão pública está a transmitir à segunda-feira esta série que recomendo vivamente. No caso dos leitores do AVENTAR terem perdido algum episódio da RTP 1, podem sempre revê-lo através da RTP Play. No “youtube” está também disponível uma versão com 3 episódios, cerca de hora e meia cada, ainda que o alinhamento seja ligeiramente diferente do apresentado na televisão. Mas isso pouco interessa. O importante é assimilarmos a mensagem que nos é transmitida, para que cada um depois tire as suas conclusões.

Em “HUMANO” há uma combinação simples mas eficaz de filmagens aéreas  de vários locais do nosso planeta, com os seus movimentos naturais e demográficos, associados a grandes planos de rostos humanos, com uma série de monólogos, os quais, não são mais do que depoimentos de pessoas entrevistadas. Os testemunhos de vida são a narrativa que conduzem o espectador a olhar sobre as gentes da nossa Terra. Isto na versão disponibilizada no “youtube”. Na versão para televisão, com um registo ligeiramente diferente, há também uma “voz off”, supostamente a do autor, que faz a ligação entre os dois elementos centrais das filmagens, a paisagem e o ser humano.

Abordando vários temas como a felicidade, o amor, o consumismo, a pobreza, o tribalismo, a violência, a homofobia, as guerras e a  imigração, o realizador assume uma posição política, mas não partidarizada, nas escolhas das suas entrevistas, cerca de 100, das 2000 efectuadas em mais de 65 países.

De forma subtil, mas intencional, Yann remete-nos  para a globalização e as suas contradições, para as desigualdades, as religiões, os nacionalismos, o tribalismo e as tradições. Cruza os depoimentos dos seus entrevistados com imagens de enorme beleza, sobre aldeias perdidas, cidades, agricultores nos campos, que ele trata com especial afecto,  pescadores nos rios e lagos, nómadas atravessando o deserto com as suas caravanas, as barracas, os mercados, tudo isto num “voo planado”, acabando por nos incutir aquela sensação de verdadeira liberdade que tanto desejamos, mas que se nos escapa no dia a dia.

“Os relatos contrapõem diferentes visões de mundo, mostrando como varia o entendimento que cada um pode ter daquilo que faz de nós seres humanos. “As entrevistas contam-nos sobre todos os assuntos, das dificuldades em crescer à busca por amor e felicidade”, diz Yann Arthur-Bertrand.

  1. Desde que Nuno Artur Silva e Daniel Deusdado passaram a comandar a programação do canal público, eu acho que houve melhorias significativas na RTP.
  2. Nas aldeias da Beira Baixa, nesta altura do ano é comum iniciar-se a apanha da azeitona pendurada nas oliveiras. Sejam elas do tipo: Galega, Cordovil, Carrasquenha ou outra qualquer.

Como filho da terra, Penamacor, neste caso por empréstimo, uma vez que nasci em África, não me furto às minhas obrigações familiares de manter essa tradição, pelo menos enquanto os meus ascendentes estiverem vivos, quanto mais não seja pelo respeito e carinho que eles me merecem.

Apesar das artroses nos joelhos e das cruzes que já vão dando conta da idade, eu e a minha “tribo” alcançaremos o objectivo de conseguir arrecadar a melhor azeitona, na máxima quantidade possível, do qual sairá aquele liquido amarelo esverdeado, ligeiramente viscoso, em especial no Inverno, com que temperamos e cozinhamos os nossos alimentos.

Até breve!

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