Expresso meu, Expresso meu! Há alguém mais SPIN do que eu?

Rui Naldinho

terminalO inefável Spin do Dr. Passos Coelho na estação televisiva SIC descobriu há dias; vejam lá, só agora se lembrou deste assunto; que o novo Terminal Ferroviário do Barreiro será mais uma daquelas obras sem qualquer interesse para a economia nacional. Apenas servirá os interesses de alguns privados! Eu sempre apreciei a verdade e a coerência das pessoas, mesmo as que não partilham das mesmas ideias cá do rapaz. Mas fico sempre intrigado com certos silêncios e tempos de espera, e logo quando são assuntos de Estado que atravessam várias legislaturas.


Fui vasculhar o que ele já tinha escrito e dito sobre este assunto, no período em que governava Passos Coelho, e a tutela dos Transportes e Comunicações pertencia a Sérgio Monteiro, quando este era Secretário de Estado e anunciava que o “Terminal Ferroviário do Barreiro tinha a concordância da Comissão Europeia.”

Ao ler o artigo assinado por ele, até pensei que o senhor estivesse hipnotizado por António Costa, uma vez que não é costume ele ser tão lisonjeiro e apelativo.

Depois de fazer umas buscas na net fiquei-me apenas com o artigo a que me refiro, e escrito na pretérita quarta feira no Expresso.

Ocorre-me no entanto uma pergunta:

Onde andava o Spin(ório) Gomes Ferreira quando este assunto foi abordado pelo anterior governo de Passos Coelho? O patrão não o deixava escrever sobre esta matéria tão polémica?

À esquerda: caricatura de Alex Gozblau.
À direita: foto de Alberto Frias/Expresso, entrevista à SIC 15/04/2014.

Eu até sou de concordar que a obra em causa poderá ser mais um daqueles negócios ruinosos, pois, todos nós sabemos que com excepção do investimento estrangeiro, e não todo, a maioria do “grande” investimento privado português é só arranjinhos. No final beneficiam os do costume, e quem paga somos todos nós.

Só que na época de Passos Coelho e Paulo Portas, o investimento era visto como uma forma de por fim aos intermináveis conflitos laborais entre a Administração do Porto de Lisboa e os estivadores. Portanto, mesmo sendo ruinoso, o contribuinte que pagasse se aquilo corresse mal. O importante era “linchar” os sindicatos da CGTP, tentando levar a que o porto da capital fosse de uma irrelevância total. Aliás, nos transportes urbanos da Grande Lisboa o caminho era idêntico. Só em transferências financeiras para as entidades privadas a que o Estado ficaria obrigado durante vários anos, ficando na mesma com as dívidas anteriores, era uma renda estilo PPP.

O engraçado nisto tudo, ao que parece o único jornalista do EXPRESSO a colocar dúvidas ao investimento no Terminal do Barreiro no tempo de Passos Coelho foi o “liberal” Nicolau Santos, o economista Keynesiano lá da casa. Até mesmo o jornalista Abílio Ferreira parece ter-se esquecido do assunto no tempo do anterior Secretário de Estado. Mas, vá lá, lembrou-se agora. Coincidências!

Como faço semanalmente, vi e ouvi nesta quinta feira, a Quadratura do Círculo.

Jorge Coelho, tal como Pacheco Pereira já o tinha dito no passado, e ontem reafirmou-o, ambos puseram em dúvida que o PS conseguisse capitalizar votos suficientes no eleitorado, conseguindo com isso obter a breve prazo uma maioria absoluta. Eles são de opinião que a atual solução governativa, seja com os quatro partidos políticos proponentes, seja com três, ou mesmo dois, e neste último caso estamos a falar como é óbvio do BE e do PS, ela está para durar, mesmo para além desta legislatura. Até porque as hipóteses de uma maioria parlamentar que deixassem o PS só por sua conta são remotas. Acresce que se o PSD não mudar de estratégia e de liderança, as hipóteses de se prorrogar a atual “coligação” aumentam.

Contudo, a redação do Expresso conseguiu amputar a parte da intervenção de Jorge Coelho que lhe interessava, para afirmar no curto vídeo de 50 segundos, na sua página “online”, que o ex ministro defende um PS a lutar por uma Maioria Absoluta. Ou seja, de uma intervenção sobre este assunto que demora quase três minutos, o Expresso fica-se por aqueles deliciosos 50 segundos, completamente fora do contexto.

Grande notícia!

Mas há alguma dúvida de que um político per si, ou um partido com o apetite de Poder como PS ou o PSD, queiram ganhar uma eleição por muitos votos, e, quanto maior for esse número e a diferença para os restantes, melhor será para eles e para a sua “boyada”?

Ou este é um daqueles “truques” a que o Expresso nos tem habituado ultimamente, para contentar uma parte dos seus leitores que andam frustrados com a Geringonça?

Comments

  1. Atento says:

    Não posso de deixar de estar em consonância, com este ponto de vista do autor convidado, apesar de não ter votado nos partidos referenciados, e se um dia o fizer só morto!

    • Rui Naldinho says:

      Desejo que viva muitos anos e com saúde, votando onde quiser.
      Espero é que os mortos não votem.

  2. Paulo Só says:

    Parágrafo 8 “à época” e não há época. Eu gostaria de uma boa investigação sobre o porto de Lisboa. Não sei quem comanda esses interesses. Assim como a Associação de Turismo. São entidades fantasmagóricas mas com grande poder sobre a zona ribeirinha, que concentra a essência da nossa cidade. De resto, sendo idoso, eu apenas verifico a evolução da mediocridade salazarista na imprensa, e não só, para a mediocridade democrática. Não saímos da cepa torta. Não percebo como um sujeito como o Jorge Coelho tem cadeira cativa na dita media. Quem é? O que ele fez na vida? Tal como esse Vitorino, o Barroso das esquerdas, e outros Morais Sarmentos? O que eles pensam de original? Ou em que se engajam? Tudo isso me dá apenas ânsia de vómito.

    • Rui Naldinho says:

      Obrigado pela correção. Já foi feita.
      Jorge Coelho é mais um dos políticos que beneficiou do tráfico de influências.
      Só que, a redação do EXPRESSO pegou em parte do seu depoimento, e deu-lhe o tratamento que quis. Ora, isto não é sério.

  3. Nightwish says:

    Que dure enquanto virar à esquerda, que o único voto útil é o voto para a mudança.

  4. anti pafioso diabrete says:

    Tio Balsemão ,Pegue no Expresso outra vez antes que acabe . Já bate o cm aos pontos .

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