Braga às escuras

cidade-braga-iluminacao
António Ferreira

Braga, centro da cidade, 17h30m de sábado, 3 de Dezembro.

Já não é só a periferia que está votada ao abandono.
O centro da cidade, dita cidade do comércio, está como se (não) vê. As grandes superfícies comerciais continuam a proliferar enquanto o comércio tradicional definha na escuridão.
Acresce a isto a não existência de uma comunicação social independente na cidade. Os casos, os acasos, as situações avolumam-se e a vergonhosa classe de jornalistas dos dois diários da cidade olham para o lado enquanto assobiam e fotografam todas as inúmeras aparições do fotogénico Ricardo Rio, seu putativo patrão.
Foram precisos apenas 3 anos para a Câmara Municipal de Braga transformar a cidade numa amostra triste, gélida e escura daquilo que já foi.
Foto © Ana Silva

O que dizer deste livro?

angustia-para-o-jantar

Sttau Monteiro escreve-o em 1961 mas podia perfeitamente escrevê-lo em 71 ou 81 ou 91. O livro começa quase sem época. Isto é, a expressão Estado Novo nunca é referida e a primeira referência a um tempo é uma menção à guerra colonial. Assim se percebe, juntamente com a introdução de Pedro, o período em que as personagens vivem. Isto não é de menos pois a indefinição revela já algo do carácter generalista da história. Pessoas como o Gonçalo, a Teresa, o António e, graças aos céus, o Pedro, vão sempre existir. Não precisam de uma ditadura. A ditadura ajuda, mas não é estritamente necessária.

O livro é profético. Sttau Monteiro via claramente o fim do Regime apesar de ele só vir a cair 14 anos mais tarde num belo dia de Abril. Contudo, o que está em causa não é “apenas” o fim do regime em Portugal mas algo muito mais transversal. Aquilo a que Sttau Monteiro chama a “lógica de classe”, ou seja, a injustiça que é conscientemente perpetuada por uma classe privilegiada que despreza os que não nasceram com tais privilégios. Parafraseando o Gonçalo, as classes altas arranjam sempre mecanismos para se protegerem, superando inclusivamente os próprios regimes que as suportam e que elas suportam. Este livro não é mais do que a velha história dos  mais fortes a baterem nos mais fracos e a conseguirem safar-se com isso. Ou quase.

[Read more…]

Adelino Maltez será o próximo Grão Mestre do GOL

Notícias de hoje dão conta de que o Grande Oriente Lusitano será liderado pela pessoa certa.

maltez

Não esquecer…

image

Porto, 2016, © jmc

Imprensa portuguesa? Tudo comunistas.

p

Andam por aí uns tipos engraçados, fanáticos quando baste, que se entretêm a tentar transformar propaganda barata em factos, para consumo de indivíduos que estejam na disposição de ser aldrabados. Dizem eles, que para além de engraçados e fanáticos ainda são desonestos, que a comunicação social portuguesa é controlada pela esquerda. Não sei se se referem ao grupo Impresa (SIC, Expresso e Visão), desse histórico comunista que é Pinto Balsemão, se aos marxistas do SOL, I, Correio da Manhã e Observador, sempre na vanguarda da luta esquerdalha. Será o Público, essa referência vermelha, liderada pelo camarada David Dinis? Talvez sejam o JN e o DN, esses pasquins de extrema-esquerda, propriedade de perigosos estalinistas como António Mosquito, Joaquim Oliveira e Luis Montez. São comunas a mais, não são? [Read more…]

O PCP e a Geringonça

Há quem pense que o PCP está a “correr riscos” com a Geringonça. Engana-se.
A solidez estrutural do Partido Comunista só tem paralelo, em Portugal, na Igreja Católica. E o PCP tem a vantagem de não conhecer o conceito de Pecado.

Gato Fedorento explica o caso das declarações da Caixa

O meu país por um papel.

O Partido Sobre as Declarações

O PSD está transformado no partido da entrega das declarações de rendimento dos administradores da Caixa. Sem largar o osso, a ver se abre uma ferida no governo, nem que deixe o país com uma fractura exposta.

Não se lhes vislumbra um programa político de oposição que não seja isto. Passos Coelho, fazendo uso da expressão que arremessava repetidamente à oposição quando era primeiro-ministro, é um líder sem ideias para o país.

A ver vamos se o calculismo não lhes sai ao contrário e ainda caem mais nas sondagens. Portugal à Frente, uma porra.

A demência

A líder do CDS Assunção Cristas estava na tribuna, mas da direção social-democrata nem sombra. E assim o puxão de orelhas do Presidente da República só terá chegado a Passos Coelho pelas notícias do dia.

Na evocação da Restauração da Independência, data que ontem se assinalou, Marcelo Rebelo de Sousa foi assertivo ao sublinhar que o 1.º de Dezembro é um “feriado que nunca devia ter sido suspenso”, por ser a data que em que se celebra e se celebrará “sempre” a “nossa pátria e a nossa independência”.

Palavras que ninguém do PSD ouviu no local, porque, segundo referiu fonte do partido ao DN, a cerimónia de Lisboa não era oficial. Tendo chegado ao partido – que “esteve representado em várias iniciativas que ocorreram pelo país, com deputados, autarcas e dirigentes do partido” – um convite da Sociedade Histórica da Independência de Portugal que “no mínimo, não passava de uma provocação”, justifica a mesma fonte. [DN]

Isto é no gozo ou é para levar a sério? Uma cerimónia com o Presidente, Governo e demais representantes do Estado não é oficial? Ou é uma nova variação da tese da usurpação?

[Read more…]

Lettres de Paris #35

Paris is a moveable feast

Este slideshow necessita de JavaScript.

escreveu Ernest Hemingway no seu quase diário dos tempos em que viveu nesta cidade. O romance só foi publicado depois da sua morte, em 1964, simultaneamente nos Estados Unidos e em França. Em França, tal como em Portugal, o título escolhido foi Paris est une Fête (Paris é uma Festa, no nosso país, editado pela Livros do Brasil, pelo menos é a edição que tenho há décadas, mas creio que foi recentemente reeditado). Na verdade, a moveable feast não é o mesmo que ser apenas uma festa, quer dizer, é uma festa sim, mas que nos acompanha onde quer que vamos desde que, claro, estejamos em Paris. Disse outro dia que ia comprar o livro na versão original ali na Shakespeare and Company. Ainda não o fiz, porém. Mas lembrei-me disto hoje, já de noite aqui em casa. Tinha, como tenho agora, a janela entreaberta. Apesar do frio que faz na rua, aqui dentro está muitas vezes um calor de ananases. Ouvi barulho de vozes na rua. Estou no primeiro andar e a rua é muito estreita, como também já contei.

[Read more…]