Desconexão ortográfica

conectividadeUma pessoa não pode e não quer estar sempre a pensar em ortografia, mas, muitas vezes, a realidade obriga-nos a pensar nela, não porque ela (a ortografia) esteja presente, mas apenas porque temos saudades dela, por não existir.

Numa passagem pela página da Worten, descubro que um aparelho em que poderei estar interessado tem conectividade e, como se isso não bastasse, ainda tem *conetividade. Olhai, que este é o tempo da multiplicação das duplas grafias, esse milagre proporcionado pelos apóstolos da religião do chamado acordo ortográfico! Assim como Jesus transformou a água em vinho, do mesmo modo os falsos profetas transformaram uma ortografia consistente em carrascão. [Read more…]

Está assim o Porto. Vivo.

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(Santa Catarina, Porto, hoje de tarde)

Já não me lembrava de ver o Porto assim. Tanta e tanta gente que nem se consegue estacionar o carro para passear pelo centro da cidade. Foi assim desde que regressei no início de dezembro e acreditei que depois do Natal já seria possível passear com mais calma. Não se consegue. É um incómodo? É. Antes assim. Prefiro o “meu” Porto vivo que aquele outro, do passado recente, moribundo, vazio, degradado e sem pessoas.

Que bom que é ver este Porto ainda mais pujante que aquele dos anos oitenta, antes dos grandes centros comerciais e dos “Continente”. Esse Porto que conheci com o meu pai e a minha mãe, ele com as suas constantes idas ao alfaiate na 31 de Janeiro ou comprar o “seu” Le Figaro na Bertrand. Ela naquele “seu” Porto das bolas de Berlim e das amêndoas de chocolate na Páscoa na Confeitaria Cunha, da estafa de deixar o carro estacionado no Silo-Auto e fazer todo o centro, toda a baixa a pé. Sem esquecer a fruta na “Bananeira”, o queijo da Serra na loja do senhor do gato à Trindade (e cujo nome não me recordo). Ou do terror de ter a minha mãe a entrar no Silo-Auto no seu peugeot 205 pela saída. Era um Porto vivo, com pessoas e poucos turistas. Hoje é mais que vivo, é pujante e a nós juntaram-se os turistas e a todos une um enorme encanto por esta cidade renascida.

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Os chineses a gozarem com Trump

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Um galo erigido frente a um shopping em Taiyuan, província de Shanxi, no norte de China. O designer disse que a escultura – anunciando o próximo Ano Chinês do Galo – foi inspirada no penteado e gestos de Donald Trump. Parece que Bush vai rapidamente perder o pódio da burrice.

A história do tacho da esposa do autarca que tirou o tacho ao marido da autora da história

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Não me vou alongar sobre os detalhes de mais um episódio siciliano a sul do Douro. O Bruno já aqui expôs o compadrio (lixos jornalísticos à parte, não façam de nós parvos) e o João Paulo acrescentou algumas informações sobre o jornalismo de sarjeta que impera no rectângulo e sobre a habitual manipulação da opinião pública que se faz sentir nesta fase de pré-pré-pré-pré-campanha. Sim, João, já começa a valer tudo.

Contudo, e porque sou um grande fã da cosa nostra gaiense, quero aproveitar a deixa para dar os meus cinco tostões para o peditório. Curtinho e grosso. Cá vai: a jornalista que faz manchete na capa do Público de há dois dias é ex-mulher de Rogério Gomes, que tinha um belo tacho de administrador na empresa municipal Águas de Gaia, que lhe havia sido dado por Luís Filipe Menezes, apesar da falta de qualificações para o cargo. Quantas vezes escreveu Margarida Gomes sobre o assunto? Zero, claro. [Read more…]

Os lesados do BES e os lesados do ME

Santana Castilho*

Sem direito a perguntas, logo sem a maçada de dizer quem paga, quem assume as garantias e se o milagre agrava ou não as contas públicas, António Costa anunciou, em conferência de imprensa, a solução do decantado problema dos lesados do BES. Perito que é em dar boas novas e virar páginas, quando o vi numa escolinha, pronto para a mensagem de Natal, admiti, por momentos, que ia anunciar a solução para os lesados do ME. Qual quê!
Em 30 de Novembro último, o Ministério da Educação tornou pública a intenção de abrir um concurso para integrar nos quadros os docentes com um mínimo de vinte anos de serviço e cinco ou mais contratos a termo resolutivo, celebrados nos últimos seis anos. São estes e muitos outros, precários de uma vida, os lesados do ME, um ministério que vive há anos fora da lei, explorando miseravelmente quem o serve e concebendo maliciosamente soluções que iludem, sem resolver. É disto que trata a proposta, glosada com as coreografias governamentais e sindicais habituais e o pesadelo de sempre.
São duros os meus qualificativos? Que é, senão déspota, quem exige aos outros um contrato estável ao cabo de três anos de serviço, mas permite vinte para si e, ainda assim, os armadilha com requisitos desprezíveis? Que é, senão desprezível, a subtileza de persistir em considerar que os contratos anuais e sucessivos tenham que ser no mesmo grupo de recrutamento? Que é, senão iníquo, ardiloso e inconstitucional, deixar para trás docentes com maior antiguidade, só porque já foram vítimas de injustiças anteriores? Que é, senão inaceitável, a utilização abusiva de milhares de contratos de serviço de duração temporária, ano após ano, que violam o Direito da União Europeia (Diretiva 1999/70/CE), como, aliás, foi reconhecido pelo respectivo Tribunal de Justiça?
Desde há muito que os concursos de professores geram injustiças e criam castas, por via de sucessivas mudanças de regras, donde a ponderação da iniquidade desapareceu. Tudo indica que assim será, uma vez mais, com alguma coisa a mudar para que tudo continue na mesma, tónica aliás dominante da actual aposta na Educação. [Read more…]

Jornalismo precário e dependente

O Primeiro-Ministro António Costa, na comunicação de Natal destacou duas dimensões da nossa vida comum: a precariedade laboral e a educação. Ontem a Comunicação Social fez o favor de mostrar a importância de ambas – o não-caso de Vila Nova de Gaia e a escuta a Santos Silva mostram como o jornalismo português está demasiado dependente de interesses, eventualmente diversos e onde a boa-educação está, há muito, à margem da profissão.

Em Gaia, à falta de melhor, uma jornalista resolveu escrever um conjunto de falsidades e, sabendo eu, que a jornalista teve acesso documental à informação verdadeira, pergunto:

-em que momento a senhora se esqueceu da sua carteira profissional? No momento em que talvez se fosse vingar de algum acontecimento passado? Ou no momento em que talvez estivesse a ajudar alguém?

Aliás, também Os truques da imprensa questiona a jornalista:

“1. Ou Margarida Gomes não sabia do arquivamento, o que é pouco verosímil, tendo em conta que a jornalista terá contactado o DIAP para confirmar a existência da queixa e, se sabia da queixa, sabia necessariamente também do seu arquivamento.

2. Ou Margarida Gomes preferiu nunca mencionar de forma explícita o arquivamento da queixa, optando por deixar no ar uma eventual investigação em curso, favorecendo a sua narrativa e o enviesamento do caso e utilizando para isso uma redacção ardilosa ou mesmo manhosa (o que significa uma queixa “estar” no DIAP? Pode incluir “estar” (arquivada) no DIAP? Num caixote do lixo? Numa gaveta? Ou em fase de inquérito?”

Uma coisa dou como certa, Jornalismo, não é de certeza e a ética não se faz assim.

Percebo a banhada autárquica que se aproxima do PSD e até imagino como gostariam de recuperar Gaia, mas não creio que seja a sul do Porto que a cavalgada de Rui Rio para a liderança laranja vai ser questionada. A derrota do PSD e de Passos Coelho vai mesmo acontecer e Rui Rio vai chegar lá, mas não creio que esse seja um problema de Gaia. Logo, não creio que este tipo de notícias tenha uma génese partidária. Nacional, claro. [Read more…]

Estimada TVI: o programa já é mau demais. Menos abuso, sim?

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A TVI tem um daqueles programas de Domingo à tarde, foleiro que dói, que as autarquias portuguesas pagam couro e cabelo – com o alto patrocínio dos nossos impostos, claro – para ser transmitido a partir das suas localidades. Quando a coisa está no ar, dá a impressão que a estação, genuinamente interessada em promover os mais recônditos cantinhos do nosso país, decidiu rumar a São Jorge da Morrunhanha e partir à descoberta dos bolos da Dona Raquel, das laranjas do Sr. Fernando ou do artesanato da avó Odete, mas não, não é nada disso. Pagam-lhes e eles vão lá, carregados de Marias Leais e de outros talentos maiores da música portuguesa, e a localidade pouco ou nada ganha com isso. Despesismo inútil para quem paga, um belo negócio para quem comercializa. [Read more…]