Lettres de Paris #41

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De 7 à 77 ans…

Lembro-me bem de ser pequena e durante a maior parte da minha infância e juventude, do meu pai nos trazer quase todas as semanas a Revista Tintim, a revista dos jovens dos 7 aos 77 anos. Eu e a minha irmã devorávamos aquilo e ficávamos à espera da próxima. Creio que essas revistas já não existem lá em casa. Deveria tê-las guardado, muito provavelmente, mas não nos ocorre guardar muitas coisas quando somos muito novos, porque quando somos novos o tempo não acaba nunca, nem as revistas do Tintin. Quando cheguei à Gare du Midi em Bruxelas há uns dias, encontrei numa das saídas da estação dois paineis enormes com cenas do Tintin. Em algumas ruas voltei a encontrá-lo, assim como em algumas montras de lojas daquela cidade. Uma instituição, o Tintin, para quem o tempo não acaba nunca.

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Confabulatores nocturni

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Ainda que para muitos permaneça um mistério a devoção com que em Portugal milhões de pessoas, diariamente, assistem a telenovelas, não há dúvida de que essa fidelidade, esse fascínio, se relaciona com o carácter encantatório e de certa maneira hipnótico da estória e dos meios utilizados para a contar.

Jorge Luís Borges mencionou um dia os confabulatores nocturni de que se fazia acompanhar Alexandre da Macedónia na longas campanhas militares. Era um grupo de homens cuja função era contar fábulas e lendas ao discípulo de Aristóteles, pela noite dentro, estratagema que ele usava para enganar a insónia e alimentar os sonhos.

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Ganhar o jogo sem espinhas

Benfica ist ein großer Name im internationalen Fußball und die stärkste Mannschaft in Portugal.

– Hans-Joachim Watzke

Eu queria unir as pedras desavindas
escoras do meu mundo movediço

[…]

E ainda que nada à volta bata certo
eu juro ganhar o jogo sem espinhas

Carlos Tê / Rui Veloso

É o mais importante para mim: é que vocês brilhem, brilhem como as estrelas todas que há.

– Rodolfo Reis, 11/12/2016

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©Patrícia de Melo Moreira/AFP (http://bit.ly/2gPNRem)

Exactamente. Tudo como dantes. Hoje, no sítio do costume.

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Parabéns, Cristiano Ronaldo!

Exactamente.

O despudor, a indignidade e a falta de ética de Pedro Passos Coelho

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Já sabemos, mas nunca é demais recordar, que não podemos deixar os partidos de direita sozinhos com os bancos. Quando tal acontece temos BPN’s a explodir em corrupção, Banifs empurrados para o precipício por tacticismo eleitoral e Novos Bancos, recém-nascidos, onde nem os milhares de milhões de euros derretidos permitem camuflar a gestão ruinosa.  [Read more…]

Memórias submersas

Rita Matos Gomes
©Grete Stern

©Grete Stern

chegou-me à pouco a lembrança, e tomou-me de assalto.
foi talvez pela hora, final de dia, mas chegou pelo cheiro.
era um momento só meu, e de paz total.
tinha todo um ritual preliminar.
primeiro, era o abrir da janela. os adultos insistiam, era primordial.
a seguir, tirava-se de dentro da gaveta do armarinho a caixa dos fósforos.
previamente tinha de vir um dos primos mais velhos, eles só quem detinha o poder e a altura necessária.
então, riscava-se o fósforo, e numa operação demorada tentava-se convencer o velho esquentador teimoso e senil que tinha que acender. muitos fósforos eram necessários .
eu gostava de ficar com esse papel, na ousadia de ficar raspando o pauzinho na caixa, até que ele explodisse numa alegria de chama.
depois, punha-se a tampa metálica e pesada no fundo da banheira de esmalte, com pés de animal em cima de esfera. [Read more…]

Lettres de Paris #40

Collecting money for…

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travel around the world. Sigo o exemplo deste rapaz que encontrei na Grand Place, em Bruxelas, antes de ontem. Amanhã vou passear pelas ruas de Paris com um cartaz destes ao pescoço. Mas em vez de pedir dinheiro (money, portanto, e não mooney como ele escreveu) para um iphone 7, pedirei dinheiro para viajar à volta do mundo.
 
E além desta ideia que roubei a este moço, hoje não tenho grande coisa a dizer. Dormi que nem uma pedra. Acordei tarde. Fui trabalhar. Fui pelas ruas do costume, mas não atravessei a estrada para cumprimentar de perto Monsieur Montaigne. Acenei-lhe do outro lado da rua, espero que tenha visto. No regresso passei por ele e voltei a cumprimentá-lo, desta vez tocando o seu pé dourado, embora sem pedir nenhum desejo, nem sequer o dinheiro para a volta ao mundo.
 

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