Deixaste-nos, Laura

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Ana Barros

Relembro, agora, a primeira vez que nos encontrámos. já lá vão longínquos 30 anos.
as duas “velhotas” numa turma de garot@s, uma a aprender, outra a re_aprender, alemão.
tu a aprendê-lo porque, na altura, querias ler Nietzsche no original para as tuas provas na universidade; eras assistente estagiária. eu, porque, à falta do que fazer, queria ocupar algum do meu tempo a relembrar uma língua que sempre me cativou.
foi instantânea a empatia que se criou entre nós. assim foi durante este tempo todo. e eu sempre a admirar a mulher brilhante que eras.
fui às estantes procurar os teus livros. no meio do caos, encontrei o “Variações sobre o entre-dois” e o “Alteridades feridas”, os marcantes dois volumes do teu “Diário de uma mulher católica a caminho da descrença” e o “Ajudas-me a morrer?“. neste último, releio a tua dedicatória: “Para a Ana Paula, a amiga de todas as ocasiões”. tenho consciência que o não fui. poderia ter sido muito mais presente e nunca te pedi desculpa por isso.
sentia já a tua falta durante estes anos em que tanto sofreste; neste momento, sinto que foi a libertação que te chegou na forma que nos (os outros) dói mais.
descansa, agora, em paz e em liberdade total, minha amiga.

Patrick Jacquet – Mise Au Point


© Patrick Jacquet – Mise Au Point

Nem todos ganham como deputado, Sr. Deputado

Temos quase a certeza de que haverá uma nova crise, não sabemos quando, mas sabemos que haverá.

Disse Pedro Passos Coelho hoje, com um sorriso de esperança.

Nós gostaríamos de estar bem preparados quando ela acontecer e ainda não estamos,

Houve, realmente, quatro anos e meio que foram perdidos. Podíamos estar bem melhor, com efeito.

não se tem sentido devidamente a acuidade que este problema tem.

Cada um que fale por si, pois nem todos auferem o salário e benesses de Deputado da Nação.

Não há tréguas enquanto vivermos nas trevas

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Existe, neste país, um único jornal de esquerda, que não podendo ser considerado um jornal, mas antes um órgão de comunicação partidário, não entra nas contas da imprensa convencional. Qual é a diferença? A diferença é que o Avante! assume a sua parcialidade. Tal como qualquer publicação que emana de um partido político, com a excepção do blogue disfarçado de jornal que a extrema-direita do PSD e a ala anti-democrata-não-cristã do CDS criaram para manipular o país. [Read more…]

Palavra do ano em 2017

Plutocracia“.

Mais uma mentira descarada (e conjunta) do SOL e do I

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Ainda que se venham a retractar, este tipo de lixo jornalístico proliferará pela internet, transformando-se em verdade absoluta para uns quantos, os tais que condenam violentamente o Bloco por não aplaudir o monarca espanhol ao mesmo tempo que assobiam para o lado quando o PSD falta às comemorações da Restauração da Independência. Fica o comentário, objectivo e absolutamente claro, da Uma Página Numa Rede Social. Lembrem-se disto da próxima vez que os abutres vos bombardearem com o discurso imbecil da imprensa controlada pela esquerda. [Read more…]

A nossa moral

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Foi há pouco mais de três anos. Um alto responsável governamental afirmava publicamente que o turismo português estava a “aproveitar melhor a Primavera Árabe”.

Hoje, há um entusiasmo nacional festivo, celebrando o contributo que as receitas do turismo estão a dar às contas nacionais, de algumas cidades e de alguns empreendedores mais atentos. Chegam charters  de chineses, brasileiros, franceses, italianos, alemães, espanhóis. Gastam a Torre dos Clérigos de tanto a fotografar. Tiram selfies em Alfama sem sonharem com a origem da toponímia. Tudo isto ao som de discursos pungentes sobre as crianças de Aleppo, uma das cidades mais antigas do mundo.

É esta a nossa Moral.

Passos, o pândego

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Este Passos é um pândego.

Líder do PSD deixa recado ao partido: não faz oposição a “olhar para as sondagens”. Em vez do diabo, afinal espera que em Janeiro venham os reis magos.

A questão é que não faz oposição. E o país precisa dela, em vez da chicana política de Passos Coelho.

A sério que não olha para as sondagens? A sério mesmo?
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Lettres de Paris #44

Le pire poulet rôti au monde

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faz-se em Paris, no OComptoir, escrito assim mesmo, que fica na Rue Saint-Severin. Portanto, se vierem a Paris e vos apetecer de repente comer frango assado procurem outro sítio. Não sei porquê hoje apeteceu-me comer frango assado e lembrei-me que tinha passado num sítio onde o faziam. Até pensei trazer um para casa e comê-lo com uma saladinha. Por isso, quando saí do Ladyss, num dia sem grande história, dirigi-me para a Rue San Severin em busca do frango assado. Que não vendiam para fora. Resolvi então comer ali mesmo. O restaurante é um desses sítios que não se compreende bem o que é, ou seja, de que tipo é. Anunciava, no entanto, cozinha francesa. Sentei-me longe do piano e da rapariga que até nem cantava mal os ‘greatest hits’ da canção francesa. Aquilo devia ter-me dado algum sinal, mas lamentavelmente não deu. Lá pedi o frango assado e uma cerveja, apesar de tudo antecipando o bem que me iria saber o dito frango.
 
Quando o frango chegou fiquei logo preocupada. Mal assado e com umas batatas igualmente assadas que, visivelmente se tinham visto ‘negras’ para ali chegar. Era tudo. Nem uma saladinha, nem um arrozinho. Provei o frango e nem vos seis dizer como era horrível. Juro que havia partes que sabiam a mofo, ou a alguma coisa que parecia mofo e que não sei definir. Comi as batatas e um bocadinho de pão. Pensei refilar mas considerei que não valia a pena. Para me trazerem outro ainda pior? Nem bebi café nem nada e pus-me andar, depois de pagar uma quantia exagerada por umas batatas e pão afinal. Vinha furiosa pela Rue Saint-Severin fora, a pensar porque raio me haveria de ter apetecido frango assado e porque raio tinha eu trocado os únicos quatro restaurantes de Paris de que gosto genuinamente (bem, há um quinto, mas fica um bocadinho longe daqui, no Marais) por um totalmente novo. Não duvido que haja outros restaurantes bons em Paris, claro, sobretudo caros, sem dúvida. Mas aqui no bairro, gosto destes quatro e nunca fui mal servida em nenhum deles.
 

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