Em defesa da democracia

Na sua forma actual de partido, o PS foi fundado em 1973, através da transformação da Acção Socialista Portuguesa, que havia sido criada em 1964. Nasceu e cresceu na luta contra o fascismo e pela instauração da democracia. A sua história identifica-se com a resistência à ditadura e a construção de uma democracia pluralista e socialmente avançada. Para o PS, a liberdade foi sempre o elemento essencial do combate por uma sociedade mais solidária, justa e fraterna, mais igualitária e coesa; e o pluralismo das ideias e das opiniões foi sempre a marca característica, não só do seu funcionamento e da sua acção como partido, como também do projecto que concebe para a organização política e social de Portugal e da União Europeia.

in Declaração de Princípios do Partido Socialista

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Tiques totalitários que não incomodam as pessoas de bem

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Enquanto o ministério da propaganda insiste na estratégia de colocar a extrema-direita violenta e racista no mesmo saco que o Syriza ou que o acordo parlamentar português, a realidade insiste em recordar-nos, a cada momento, o quão imbecil são a comparação e os sujeitos mesquinhos que a procuram transformar em verdade absoluta.

Corrijam-me se estiver errado, mas não tenho recordação de Tsipras ou Costa manifestarem interesse em legislar no sentido de controlar e manipular a imprensa nos seus países. Em sentido contrário, o regime polaco de extrema-direita, por cá amaciado como sendo “ultraconservador”, promulgou uma lei que permite hoje ao governo controlar a imprensa pública, apesar da condenação estéril da União Europeia, que não se ensaia muito para detonar as economias do sul mas que revela sempre alguma dificuldade em contrariar os ímpetos totalitários da extrema-direita europeia. [Read more…]

O Conselho de Segurança das Nações Unidas ficará na História da crueldade

 

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©Omar Sanadiki/Reuters

Ruanda. Srebrenica. E agora Alepo. Memorizemos o nome. Alepo. É o novo cemitério do mundo. E da comunidade mundial. Na lápide está inscrito: Vocês assistiram. Todos vocês sabiam. Todos vocês se indignaram. Vocês apontaram o dedo a este e àquele. Mas vocês deixaram que acontecesse.

E irá acontecer novamente
Mais tarde, quando os corpos tiverem sido enterrados, o entulho removido e as vítimas lentamente esquecidas pelo mundo, em algum momento, no próximo Alepo, este Conselho de Segurança da ONU – este fracasso conjugado da decência humana –, estará novamente reunido e dirá novamente: Naquela altura, em Alepo, jurámo-nos a nós próprios: nunca mais! E no entanto, irá acontecer de novo.
Talvez até muito em breve, em Idlib, a 50 quilómetros de Alepo. O enviado especial da ONU para a Síria – ou para o que dela resta -, esteve na terça-feira perante este Conselho de Segurança, segurando nas mãos uma imagem-satélite de Alepo bombardeada, e disse: Idlib poderá ser a próxima Alepo.

“Nós avisámos-vos!”
Mês após mês, membros do pessoal da ONU estiveram perante o Conselho de Segurança, implorando, pedindo, exigindo, avisando. Até ao Natal, a parte oriental de Alepo, cujo centro histórico aliás faz parte do património mundial, poderá ter sido extinta. Nem demorou até ao Natal. Ban Ki Moon, aquela triste figura trágica no topo das corajosas, impotentes, indignadas Nações Unidas, atestou na terça-feira falência moral ao Conselho de Segurança. Uma e outra vez os seus 15 membros tinham declarado publicamente: Para podermos intervir de forma preventiva, precisamos de avisos atempados. “Nós avisámos-vos”, disse Ban Ki Moon em voz baixa. Uma e outra e outra vez.

A comunidade mundial somos nós
Em 2005, a comunidade internacional estabeleceu o princípio da “responsabilidade de proteger”, a ser assumido por cada Estado. Cada estado tem a responsabilidade de proteger as suas populações contra genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade, é o que está lá escrito, de maneira tão maravilhosamente inequívoca. Se esta responsabilidade não for assumida, ela é transferida para a comunidade mundial. A comunidade mundial somos nós. Tanto a Rússia, como os EUA. O Irão, como a França. A China, como a Grã-Bretanha. A Turquia, como a Alemanha. A responsabilidade era nossa. Agora, temos de arcar com a culpa.
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Marco António Costa e o Tosão de Ouro

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O jornal Público dá hoje nota de um comunicado do líder da oposição em Vila Nova de Gaia sobre a Medalha de Mérito Municipal que o presidente da autarquia, Eduardo Vítor Rodrigues, entregou nas comemorações do Dia do Município a Marco António Costa, responsável, nos últimos anos, pela gestão financeira da Câmara de Gaia, uma das mais endividadas do país.

Como era de esperar, o PSD aponta a contradição insanável, e ainda por explicar, do autarca socialista, capitalizando em seu favor esse paradoxo político que foi o de medalhar o “autor” da dívida que tanto se criticou e que serviu de argumento central à campanha das últimas autárquicas,  assim como para a justificação das dificuldades subsequentes na gestão da câmara.

Não é possível ao PS manter o silêncio sobre esta matéria, que já deu origem a saneamentos políticos por delito de opinião, continuando a fazer de conta que nada se passou e tratando os eleitores de Gaia sem o respeito que lhes é devido.

Qual foi a parte que os anti-imperialistas de ocasião não perceberam?

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Por estes dias, fui alvo de uma série de acusações, todas elas horríveis e nenhuma delas acompanhada por uma justificação, havendo mesmo um leitor que me acusou de gostar de Passos Coelho, algo que, para quem me conhece ou lê o que escrevo, terá sido motivo de forte gargalhada. E tudo isto porquê? Porque ousei relacionar a escolha de Donald Trump para a diplomacia, do CEO da Exxon, Rex Tillerson, com uma tendência clara da nova administração norte-americana para fazer cedências a Moscovo.

Os críticos mais ferozes do imperialismo norte-americano não gostaram. Porque criticar o absolutismo do Tio Sam é sempre muito popular, mas, pelos vistos, apontar o dedo ao tirano Putin ainda leva aos arames alguns leitores mais à esquerda, eventualmente convencidos de que ainda ali mora algum tipo de socialismo, imune a reprimendas. [Read more…]

A mentira dos rankings das escolas

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Fiz há uns anos o meu próprio ranking das escolas. Com critérios geográficos e sócio-económicos, coloquei em primeiro lugar uma escola pública do distrito de Viseu.
Um outro ranking, promovido pela Universidade do Porto, chegava à conclusão de que os melhores alunos da instituição tinham vindo maioritariamente de escolas públicas. Dois exemplos na cidade do Porto separados por menos de um quilómetro: do Colégio do Rosário, transitaram 56 alunos para a Universidade do Porto, mas 3 anos depois, apenas 4 alunos estavam entre os melhores 10% da instituição. Da Escola Secundária Garcia de Orta, mesmo ao lado, entraram na Universidade 114 alunos e, desses, 14 faziam parte dos melhores 10% ao fim de 3 anos.
Mais recentemente, o Ministério da Educação introduziu nos dados indicadores estatísticos, como o perfil sócio-económico, que, mais uma vez, colocavam as escolas públicas nos primeiros lugares.
Comparar escolas públicas e privadas é simplesmente ridículo, porque são realidades completamente diferentes. Da mesma forma que comparar escolas públicas entre si é igualmente ridículo. Porque são também realidades muitas distintas.
É apenas um exemplo. Uma das melhores escolas públicas, a Infanta D. Maria, de Coimbra, está em 35.º lugar no ranking. A escolaridade média dos pais dos seus alunos é de cerca de 15 anos, ou seja, ensino superior. A percentagem de alunos que não precisam de apoios do Estado (Acção Social Escolar) é superior a 90%.
Agora vamos à Escola Secundária de Resende, no distrito de Viseu. [Read more…]

Susceptibilidades idiossincráticas reactivas

img_5014José Luís Carneiro terá criticado a opção tomada pela distrital do Porto do Partido Socialista de não ir a votos, em 2017, na segunda maior Câmara do país e, em vez disso, dar o seu apoio ao actual presidente, o independente Rui Moreira. A reacção do líder distrital do PS Porto, Manuel Pizarro, foi muito contundente e fértil em adjectivos que talvez a evidência apontada por José Luís Carneiro não justificasse. Chamou-lhe “redutora” e “sectária”.

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