Sangue – Por Clara Ferreira Alves, Expresso

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Existem artigos que deviam estar públicos nos respectivos sites dos jornais. Para que possam ser partilhados por todos e para todos até à exaustão. Porque são de leitura obrigatória. Como este não está, tive de andar a fazer “truques” meios foleiros para o conseguir partilhar aqui no blogue e dessa forma os leitores deste nosso e vosso espaço terem a possibilidade de o lerem. Aqui fica:

Aquele raro momento em que a crise financeira serve de pretexto para alguém se safar

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Portugal foi assolado por uma violenta crise que, tendo tido a sua origem num cocktail de especulação financeira, terrorismo de mercado e décadas de governação criminosa, criou as condições perfeitas para um processo de sequestro democrático que o bloco central amavelmente aceitou, ou não fosse Portugal um protectorado pobre da burocratocracia de Bruxelas.

Tomados por um poderoso surto de síndrome de Estocolmo, os dirigentes do PS e, posteriormente, os de PSD e CDS-PP, comportaram-se como bons alunos, o equivalente moral, neste tipo de cenário, a dizer que se comportaram como um cão com um dono violento, que por muito que apanhe continua a abanar o rabo e a pedir festas. Seguiram-se meses de venda de património estatal ao desbarato, cortes salariais, em pensões e em prestações sociais, desinvestimento no Estado Social, desregulamentação laboral, brutais aumentos de impostos e milhares de portugueses em fuga para o estrangeiro. Os ricos ficaram mais ricos, os pobres ficaram mais pobres, a classe média entrou em vias de extinção e o fosso transformou-se num buraco negro. [Read more…]

Negligência inconsequente

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Christine Lagarde, a poderosa líder do FMI que tem nas mãos o poder de vergar nações, foi condenada pela justiça francesa por negligência, num processo que remonta ao tempo em que era ministra das Finanças de Nicolas Sarkozy, e que previa uma moldura penal correspondente a um ano de prisão e uma multa de 15 mil euros. Em tribunal ficou provado que a conduta negligente de Lagarde custou 404 milhões de euros aos cofres franceses, porém, como é previsível neste tipo de casos, o poder sobrepõe-se à justiça e a directora do FMI, apesar de condenada, não foi alvo de qualquer tipo de sanção. Como é belo, o admirável mundo da imunidade absoluta das elites. [Read more…]

Macau

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Às 00:00 do dia 20 de Dezembro de 1999, cumprem-se hoje 17 anos, nasceu a Região Administrativa Especial de Macau, da República Popular da China. Numa cerimónia realizada no Centro de Actividades Turísticas, Edmundo Ho Hau Wah foi empossado pelo primeiro ministro chinês, Zhu Rongji como o primeiro chefe do executivo da Região Administrativa Especial de Macau às 01:46.

 

O despacho lento

O governo do Partido Socialista, apoiado pelo Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e o Partido Ecologista “Os Verdes”, merece o estímulo e a confiança dos portugueses. Mas deve estar preparado para um escrutínio exigente e uma avaliação criteriosa da sua conduta ética e política.

O governo anterior dizimou animicamente o país, não só por intermédio das políticas postas em prática, mas por ter levado as instituições públicas e a respeitabilidade do Estado a um nível de degradação inédito. Tal cenário não pode repetir-se.

O jornal Público dá hoje nota de que os Hospitais passarão a ser obrigados a comprar plasma ao Instituto do Sangue, no seguimento de um Despacho do Governo que será publicado esta semana e que surge após a investigação jornalística que revelou um negócio sinistro e ilegal, envolvendo altos dirigentes públicos e empresas privadas.

A pergunta tem que ser feita: por que motivo este Despacho do Governo surge apenas depois da investigação jornalística?

Lettres de Paris #48

Une journée de merde

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pardon my french. O dia não começou mal. Levantei-me tarde, dormi bastante e acho que não muito mal. Mas acabou de uma forma muito desagradável e continua a ser desagradável. Até quando não sei, sendo certo que haverá coisas piores, mas há transtornos um bocado mauzinhos, sobretudo quando se paga uma pequena fortuna para se estar num sítio onde tudo parece estar caquético. Saí de casa por volta das 3 da tarde, deixei tudo impecável e bem. Entrei em casa quase às onze da noite e mal abri a porta ouvi água a correr. A casa de banho estava toda inundada, a sanita cheia de água de aspecto duvisdoso e eu fiquei perfeitamente azamboada com aquilo. Liguei para o o número ‘da noite’ aqui na Maison Suger. Nada. Desci outra vez ao átri de entrada e o homem lá apareceu. Contei-lhe. Veio ver. Fechou a água do autoclismo e preparava-se para ir à vida dele, quando eu lhe disse que nem pensar, que ligasse ao diretor ou a quem fosse.
 
Saiu. Passado um bocado regressou, que o não tinham atendido de um sítio, e que o colega que faz os arranjos na casa não podia vir, porque morava longe. Eu perguntei-lhe se ele achava que isto eram condições, que chamasse um canalizador. Que não estava autorizado. Bonito. Saiu outra vez e passado um bocado ouço alguém na porta ao lado. A vizinha – que descobri depois que é brasileira – exatamente com o mesmo problema. O faz tudo da Maison tinha ido de manhã arranjar-lhe a sanita e agora estava tudo inundado também. O senhor que fica aqui à noite saiu outra vez para ligar a não sei quem. Voltei a dizer que chamasse um canalizador. Que não. Regressou com uns tubos a casa da vizinha. Passou quase uma hora e eu sem saber de nada. Fui lá. Tudo na mesma. O problema é na casa ao lado e não aqui, mas a verdade é que isso me interessa pouco, visto que não posso usar a sanita. Digo-lhe isto. Ele diz que já vem cá. Passa mais um grande bocado e nada. Vou lá outra vez. Afinal parece que chamou alguém, um homem, que aparece dali a um bocado. Ficam os dois na casa ao lado e de vez em quando vêem ver o que se passa deste lado. A sanita acaba por se esvaziar e o chão por secar, mas cheira mal. Tenho vontade de ir à casa de banho e tenho de ir à cave, descer até ao átrio e depois descer umas escadas estreitas até lá. Rica solução.
 

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