Salazar vive!

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Eu já não sou do tempo em que, no Minho, famílias inteiras sobreviviam única e exclusivamente daquilo que a terra dava.

Nos tempos do outro senhor, dizem-me, os caseiros habitavam umas casas rodeadas de muita terra arável. Tinham como posses algumas juntas de bois, algumas vacas leiteiras e muitos filhos – uma benção, porque alguém tinha que trabalhar as terras e os filhos não regateiam salário e outros luxos. Deixá-los ir para a escola era perder de amealhar umas arrobas de batata e milho, uns carros de pão. Dócil o gado e os filhos assim educados para o trabalho.
No final de cada temporada, o servo da gleba entregava ao senhor metade ou dois terços da produção da terra. Batata, cereal, vinho. Era dele para comerciar o restante.
Noutros contratos de sobrevivência, o caseiro comprometia-se entregar ao senhor dadas quantidades de produtos agrícolas. Havia anos maus, com uma produção abaixo do estipulado e havia senhores que não perdoavam os seus servos. A miséria perpetuava-se.
A miséria e a subserviência medievais duraram para lá de muito. No Minho, somos todos filhos ou já netos desse tempo.
No Minho isto é passado. No Alentejo, parece que ainda dura o regime do trabalho em troca da luz do dia seguinte.
Atente-se no anúncio da Associação de Defesa do Património de Mértola. [Read more…]

Temos contas para ajustar, senhores banqueiros

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Caros banqueiros deste nosso Portugal, temo apresentar-me perante vossas excelências como portador de más notícias. Tudo indica que os senhores andaram a viver acima das vossas possibilidades, apesar do péssimo trabalho que vêm desenvolvendo, o que levou a que fôssemos forçados a disponibilizar-vos uma considerável fatia das nossas parcas economias, pelas quais pagamos juros altíssimos, sem falar em todos os cortes e aumentos de impostos que vieram por arrasto.

Vai daí, e depois de tantos anos a sustentar os vossos Bentleys, Rolexs e Zegnas, as vossas “férias” nas Bahamas e no Panamá, as vossas viagens de “negócios” para o Luxemburgo e para a Suíça e os casamentos de luxo das vossas filhas, chegou a hora de fazermos contas e de pagarem o que nos devem. Como somos gente de bem, pacífica e sensata, seremos magnânimos e garantiremos, a todos vós, um salário mínimo e uma habitação social numa localização à vossa escolha. Se milhares de portugueses conseguem sobreviver, alguns com muito menos, vocês, habilidosos que são, também vão conseguir. Depois é uma questão de empreender e, num ápice, estão de volta à casa de férias na Comporta. O resto, pelo menos até que o vosso calote seja saldado, é nosso. E mesmo assim não deve chegar.

Hoje começa a retoma

A partir das 10h 44min será sempre a crescer.

Instruções para consultar as facturas e deduções para o IRS

lh Laura Haanpaa 18 fevereiro 2009 - reparticao de financas, direccao geral dos impostos - fisco

Imagem: Laura Haanpää

Até ao fim do ano, confirme que tem facturas suficientes em seu nome e do seu cônjuge, para que não pague mais IRS do que o que deve pagar.

Os endereços onde pode fazer esta verificação são

No caso de despesas gerais  familiares, cada cônjuge deverá ter facturas com NIF no valor de 715€ no ano inteiro para ter direito à dedução completa (250€ por cônjuge). O limite destas despesas, apesar de facilmente atingido, tem ficado abaixo do seu valor máximo em 39% dos contribuintes. Por isso, confirme que tem a dedução máxima e peça facturas com NIF se não for esse o caso.

Lista-se a seguir as diversas categorias de despesas em vigor em 2016.

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Daniel Oliveira coloca o dedo na ferida

Extrema-direita e terroristas são aliados

Fotomontagem de Geert Wilders, líder da extrema-direita holandesa. (via)

Mais salário mínimo e menos TSU, ou como não se deve agradar a gregos e a troianos

O desconto de 1% proposto pelo Governo para um eventual acordo cobre, no mínimo, 14,9% no acréscimo de custos das empresas com o novo salário mínimo. Se forem abrangidas todas as situações, como agora, o desconto pode chegar a superar o acréscimo de custos. (Jornal de Negócios)

Os patrões da competitividade graças a salários baixos, em vez de graças à qualidade e eficiência, estão a levar a água ao seu moinho. Na prática, está-se a baixar a sustentabilidade da Segurança Social em troca do aumento de uns euros num salário miseravelmente baixo.

Se isto não geringonçar, já que PCP e Bloco não estão a alinhar no esquema, falta saber se PSD e CDS vão apoiar o PS. A verificar-se esta situação, o PS parecerá um Dr. Jekyll e Mr. Hyde, que nuns dias é geringonça e noutros é caranguejola. Quanto à direita, nada de novo. Estão do lado do capital, como habitualmente.

Tu sabes quem eles são, não sabes?

neo

É claro que vai haver uma nova crise, Pedro. E não, não se tratam de “vulnerabilidades financeiras e económicas na Europa e na zona Euro“. Não te faças de parvo que tu sabes, ou pelo menos devias saber, que tudo se resume a um conjunto de porcos que, de quando em vez, decidem chafurdar mais do que devem e muito mais do que precisam.

Depois é vê-los desfazer a economia, até ao osso, sem dó nem piedade, e com aquele brilhozinho sádico nos olhos. Não estás a ver? O Brick Top explica. Os porcos limpam tudo, é uma questão de tempo.

Tu sabes quem eles são, não sabes?

Imagem: High Society@Bright Side

Lettres de Paris #49

L’amour gagne toujours

estava escrito ontem (hoje também deve lá estar e deverá continuar por muito tempo, presumo) numa parede da Rue Guy Môquet. Paris é uma cidade romântica ao que dizem, é natural que assim como ‘l’amour court les rues’, como escrevi numa carta anterior, se pense por aqui que ‘l’amour gagne toujours’. Mas ganha sempre sobre o quê, afinal? O que há a ganhar ou a perder, senão, neste caso, um pouco de romantismo. E falo de romantismo naquela acepção lamechas, ‘boy meets girl’ e por aí a fora. Sendo certo que, nesta acepção, o amor não ganha nunca. Porque não há nada a ganhar primeiro, outra vez e depois, porque o amor acaba, como é evidente e próprio das coisas, acabar. Mais tarde ou mais cedo, há-de acontecer. Antes tarde que cedo, é preciso que se acrescente. Na outra acepção mais abrangente do amor, também é verdade que ele não ganha sempre porque, mais tarde ou mais cedo, também, morreremos.
 
Não estou muito bem disposta como se notará. Estou mesmo rabugenta, como os que me conhecem melhor, repararão certamente. Adormeci às 5 da manhã, sonhei que a sanita começava a deitar cada vez mais água até acordar com a cama a boiar no quarto e com a Maison Suger alagada de água sanitária, mal cheirosa. Acordei com pessoas a baterem-me à porta ainda não eram 10 horas. Era o senhor da manutenção. O tal que ontem devia ter vindo, mas não veio porque morava longe. Estava o diretor da Maison e a secretária e entrou tudo pelo estúdio adentro, mais exatamente pela casa de banho adentro. Monsieur le directeur propôs-me mudar para um estúdio gigante, aqui no mesmo patamar. Fui ver o estúdio e só de pensar que tinha de lavar a louça toda outra vez antes de a usar se me revoltou o meu estomago ainda sem pequeno almoço. Disse-lhe que sim, bom, se não houver outra solução, claro. Não podia ficar num sítio onde não se pode usar a sanita, bem entendido. Resta dizer que tirando isso, o resto da casa de banho estava perfeitamente funcional.
 

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