Do ódio a Mário Soares

José Luiz Sarmento Ferreira

Escreve Fernanda Câncio que se a alguém se deve a democracia portuguesa, é a Mário Soares. É uma opinião, naturalmente; e é, como todas as opiniões, uma opinião de que é possível discordar. Mas quem discordar desta opinião coloca-se na difícil situação de alvitrar um nome, ou vários, que constituam uma alternativa mais plausível. Poderão argumentar, e com razão, que o que temos em Portugal não é uma democracia perfeita. Mas que democracia o é? E, se é difícil encontrar um outro nome ao qual se possa atribuir igual responsabilidade pelo actual regime, não é difícil encontrar dúzias de nomes igualmente plausíveis que podem ser responsabilizados pelas suas imperfeições.

E contudo o ódio a Mário Soares está aí, ubíquo e tonitroante, e todos nos damos conta dele. Não sei se são muitos os que odeiam Mário Soares; sei que o odeiam com tal intensidade que parecem muitos, talvez mesmo a maioria dos portugueses.

Não será este o caso, certamente; a gratidão tem por hábito ser mais discreta que o ódio; mas talvez haja interesse em saber quem o odeia, e porquê.


Em primeiro lugar, os retornados de África. Muitos deles acreditarão até à morte, ou para além dela se deixarem escola, que Mário Soares foi um traidor à Pátria, ao serviço do comunismo internacional, que vendeu as colónias – que eram viáveis, de acordo com a lenda – e os expulsou do Paraíso. Estes nunca duvidarão, nem por um segundo, que Soares pisou a bandeira e fez todas as outras malfeitorias que lhe atribuem.

Não posso levar-lhes muito a mal: é duro ser expulso do Paraíso, e há algum consolo na ideia que a culpa foi da Serpente. Mas tiveram as suas próprias culpas: não souberam ler a História, não tiraram as lições que era forçoso tirar do Congo, da Argélia, do Vietname. Acreditaram que nas (cada vez menos povoadas) berças metropolitanas nunca faltariam pacóvios dispostos a ir para África para serem mortos ou mutilados em defesa da Pátria. Pátria esta que consistia, pelo que se via, naquela elite local que se julgava cosmopolita e bebia whisky, beberricava gin tónico e assistia ao pôr-do-sol em clubes em que não entravam os pacóvios do serviço militar obrigatório.

Um dia os pacóvios fartaram-se. Se a Pátria era aquela gente sobranceira e snob, que se lixasse a Pátria. Uns, a grande maioria, tinham familiares, amigos e conhecidos que tinham emigrado para as bidonvilles. Outros, uma minoria constituída pelos oficiais milicianos, tinham familiares e amigos que tinham “desertado” – só a palavra lhes daria vontade de rir, se não fosse caso para chorar – para as universidades em Paris, em Lovaina, em Uppsala, e estudado as razões por que o colonialismo directo não era viável nem para as grandes potências, quanto menos para o irrisório voluntarismo de um pequeno ditador de periferia.

Fartaram-se. Deixaram de estar dispostos a morrer por uma construção fantasmagórica a que se poderia chamar tudo, mas a que não se poderia chamar, dissessem o que dissessem as chefias militares, Pátria. E por fim já nem os oficiais dos quadros, apesar de serem (eles sim) bem recebidos nos clubes e nas boas famílias de Luanda e Lourenço Marques, acreditavam que a Pátria fosse aquilo, aquela gente, aqueles saraus, aqueles bailes, aquelas debutantes, aqueles paraísos artificiais.

Quando tudo desabou, teve que se encontrar um nome, um rosto para arcar com todas as culpas. A História é um conceito vago demais para quem tinha como horizontes culturais o nacional-cançonetismo e os arranha-céus de Johannesburgo; e Soares estava, como toda a gente sabia, ao serviço do comunismo internacional. Tinha pisado a bandeira e tudo. Toda a gente sabia.

Toda a gente? Não. Há outro grupo, ainda numeroso, que odeia Soares pela razão diametralmente oposta: quando a Revolução Comunista pareceu estar ali ao virar da esquina, ele travou-a. Com a cumplicidade de Carlucci. E de Kissinger. Não pisou a bandeira portuguesa, desfraldou a americana. Em nome da democracia? Da democracia burguesa, isso sim. E esta não conta como democracia, como sabe toda a gente que tenha consciência de classe.

Esteve quase, a Revolução Patriótica e Proletária: só Soares, esse traidor da Pátria ao serviço da CIA, se lhe atravessou no caminho.

Na realidade, e pesem embora as lendas opostas, nem traidor da Pátria ao serviço do comunismo, nem traidor da Pátria ao serviço da CIA. Apenas um homem a quem a História pôs na situação de ter que gerir múltiplos equilíbrios de política interna e externa, cada um mais instável e perigoso que os outros. E que esteve, melhor ou pior, à altura de os gerir – isto ao mesmo tempo que lutava por instituir na sua Pátria, que evidentemente amava, senão a Democracia, pelo menos uma democracia. Burguesa, pois claro: que o homem, além de não ser de maiúsculas, nunca quis ser outra coisa que não fosse burguês.

Mas o mais desolador é a existência de um terceiro grupo, não sei até que ponto numeroso, que não lhe perdoa exactamente isto. Sim, isto: a democracia. Não por ser burguesa, nem por ser imperfeita, mas só por ser democracia. Veremos em breve quantos são, somados aos outros. Se saírem à rua.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Valeu bem a pena, lê-lo. A lucidez, essa palavra mágica à qual nem todos têm acesso, porque o preconceito é mais difícil de quebrar do que o átomo.

  2. Paulo Marques says:

    Há também quem lhe tenha “desgosto”: é como o Pinto da Costa, não saiu quando devia e tornou-se um dos culpados do pântano.


  3. Um bom ano a todos

  4. Paulo Só says:

    Excelente. Como já lembrei em mensagem recente, esses bimbos das colónias deveriam ter ódio de quem para lá os mandou, em geral depois do começo das revoltas de libertação, como os Salazares e os Adrianos Moreiras e os Rebelos de Sousa, e não de quem os de lá tirou. Não esquecer também que Mário Soares e muitos outros, de esquerda e alguns poucos de direita, deram a vida como combatentes contra o salazarismo, por Portugal e pela democracia, e não como combatentes pelo seu umbigo e bailes de debutantes, nem na véspera e no dia seguinte ao 25 de abril.. Por isso temos de estar a agradecidos a essas mulheres e homens, sobretudo aos últimos vivos dessa geração.

    • Retornado says:

      Bimbo é o porco que te monta.

    • Português says:

      esses “bimbos das colónias” eram teus familiares, eram Portugueses. Pena dos que cá ficaram pois só conheceram a aldeia e não o mundo, e isso fechou-lhes os olhos.

      • Paulo Só says:

        Retiro “os bimbos”, com meus pedidos de desculpa. Só o calor da discussão o explica. Quanto ao resto, engana-se. Por caso agora estou em Portugal, mas vivi mais de 40 anos fora, e tenho uma família tricontinental.

        • Marília Soares Lomba Viana Fernandes says:

          Então adoram Portugal mas vivem fora dele e,.. dão-se ao luxo de mandar bocas ! Há acontecimentos que, para os compreender teria que os ter vivido ! A GLÓRIA dos Descobrimentos … Mataram tanta gente para ficar com aquilo !!! Tadinho do Gungunhana … O culpado foi o VASCO DA GAMA !!! Gostava de hoje ver África, se não tivesse havido nenhum País colonizador … Deixem de falar do que não sabem nem conhecem… Metam a viola no saco !!!!!!!!!!!!!!! CINJAM-SE À VOSSA IGNORÂNCIA !!!!!!!!!!!!!!!!!
          Marília (74 anos) ( Licenciada em Ciências Matemáticas pela Univ. de Coimbra )


          • Os que daqui nunca saíram são de facto uns mal agradecidos! Eu quando fui para a África comia-se aqui no rectângulo com senhas de racionamento isto é não havia dinheiro.Havia umas senhas amarelas que valiam X e outra cor de laranja que valiam outro X. Tinha cinco anos, essas senhas tinham também as quantidades de mercadoria por pessoa do agregado familiar expressas! Isto é comesses tudo, comias merda no resto do mês! E olha que as quantidades em gramas eram irrisórias. Raciocina comigo se eu me fui embora os comestíveis que a mim calhavam ficaram cá para vocês comerem Ingratos que nem isso agradeceram. Também aí acima há um artolas que diz que nos tiraram o paraíso. O ingénuo ainda acredita que existe o paraíso? pela mesma ordem também acredita na felicidade! e que existe o inferno, que o fascismo é uma ditadura a democracia o comunismo, capitalismo, não o é. Em 1974 1300 toneladas de ouro enchiam os cofres do Banco de Portugal. Devem de achar que foram os retornados que o roubaram e o depositaram no BP não serão tão ingénuos. admiro-me até de nunca o terem devolvido aos donos já que a origem dele foi do império Brasil, Angola e por fim Moçambique cujos trabalhadores negros como sempre eram contratados pelo estado português que pagava aos trabalhadores em escudos moçambicanos que não tinha cotação fora do território e recebia da África do Sul lingotes de ouro que via Banco Nacional Ultramarino aí vai para Lisboa. Esses trabalhadores moçambicanos ficaram conhecidos pelo de Magaíssos. Não digam tanto mal dos retornados que com a vinda deles Portugal avançou logo 20 anos de uma assentada. Vou voltar.


      • Os retornados deviam de se juntar! E em manifestação deviam ir a Bruxelas reclamar, do seu direito a serem ressarcidos! A Alemanha ainda hoje disponibiliza verbas para os judeus que lesou. Nunca é tarde.
        zapataxz@gmail.com

    • Luís Dinis says:

      Tudo bem. O que era dispensável era o “bimbo”! Por outro lado meter todos os portugueses que viviam nas colónias, incluindo os que lá nasceram e até os que se sentiam como tais, não sendo brancos, no mesmo saco dos que detendo poder económico, exploravam, de facto, uma força de trabalho barata, muitas vezes quase ao nível de escravatura, não me parece corresponder à verdade histórica da situação vivida nas mesmas. Na verdade, grande parte dos “colonos”, eram e foram tão manipulados pelo poder político vigente, da “velha senhora”, senão mais (pela crença de que as colónias eram Portugal) como os residentes na “metrópole” – lembremo-nos da total ausência de cultura política reinante no país -, transformando-os em instrumentos menores dos grandes interesses industriais e agrários do capitalismo nacional português, cujas sedes ninguém de boa-fé sustentará terem residido em territórios das colónias.

      • José Oliveira says:

        O ódio continua tão grande que para eles eramos todos colonos ( deviam perceber primeiro o que foi um colono), depois perceber a sociedade existente…
        Se bem que alguns de nós também temos culpas pela forma que falamos.
        Ainda assim, quero realçar o seu comentário por ser verdadeiro e por a maioria, pelo ódio, não ser capaz de reconhecer, que lá, como cá, também havia explorados… e não eram só os negros.
        Um abraço dum Angolano de coração.
        PS – As reservas de ouro que ainda restam e das quais ainda se vive, foram roubadas aos negros de África, aos Índios do Brasil e aos judeus vitimas da II guerra – Mas isso não0 interessa – os que lá estavam (a trabalhar para o país) é que roubaram


        • Sabemos muito bem que muitos não eram colonos. Não se esqueça que depois de eles virem partilhámos com eles lugares de trabalho – onde muitas vezes nos passaram à frente com base em declarações sob palavra de honra em substituição dos certificados de habilitações que não tinham – e como vizinhos no prédio, ou lojistas na esquina, em todas as ocasiões imagináveis de convívio social. Bem sabemos que muitos eram pequenos comerciantes, funcionários públicos, professores.

          E sabemos que mesmo os mais humildes tinham criados. Bem os ouvimos conversar uns com os outros, e às vezes connosco, sobre as vantagens de ter criados em vez de criadas. Os pretos eram mais submissos que as pretas, que estavam habituadas a mandar em contexto doméstico, pensavam que sabiam mais que as patroas, e eram respondonas.

          Para um português pobre, nos anos cinquenta, havia três hipóteses: continuar pobre, ser trabalhador-robot numa qualquer linha de montagem em França, ou subir à pequena burguesia nas colónias. Muitos escolheram esta última hipótese. E tornaram-se de uma arrogância insuportável, porque lá diz o ditado: “Não peças a quem pediu, não sirvas a quem serviu”.

          Tomaram a decisão errada quando foram, porque não sabiam História nem compreendiam o Mundo. Tomaram a decisão errada quando decidiram permanecer quando já era óbvio para quem tivesse um pouco de mundo que aquilo não era viável. E foram de uma ingratidão e de uma arrogância insuportáveis quando, alojados de graça nos melhores hotéis, preferidos na habitação social e nos empregos públicos, ainda se acharam vítimas e com o direito de falar de cima da burra para os que cá estavam e eram preteridos.


          • O que mais me enerva, é reparar que como crianças grandes não conseguem discernir a realidade de Portugal. Portugal é um país pequenino desde a sua fundação! viu isso D. João I o de boa memória que, logo que deu início à dinastia de Avis se queixava aos cortesãos insistentemente dizendo que reino não gerava dinheiro para suster a Corte! Com esta premissa estavam criados todos os parâmetros para se iniciar o roubo generalizado de outros povos. E em 1415 ai vai a debandada armada que nos primeiros cem anos nunca mais parou.Tudo começou em Ceuta quando D. João I atravessou o mediterrâneo e depois de muita luta tomou de assalto a fortaleza mais bem guarnecida de todo o mediterrâneo Conseguiram mantê-la durante cerca de 300 anos mas a odisseia não mais parou e o roubo continuou pelas costas de África ocidental e oriental até chegarem à Índia e que por engano chegaram ao Brasil. Fizeram isto para Portugal sair da míngua em que vivia e a riqueza começou jorrar! e Portugal tornou-se uma nação rica que até fez a inveja às monarquias mais ricas. E foi assim que Portugal criou uma das maiores frotas mercantes do mundo! sabem porquê? Para abastecer Portugal de todas as matérias primas de que necessitava. Não sei se frequenta alguma Igreja Universal, mas eles para atrair crentes falam muito no Maná da terra prometida. Mas Portugal teve esse Maná sem a terra prometida porque era real e durante 500 anos.Podia ser diferente? Podia sim senhor. Mas as monarquias agarraram-se ao osso e não mais o largaram. Para poderem andar com botões de punho em madrepérola e jade etc. A implantação da República até ao 25 era um crime de alta traição a tentativa de sedição de qualquer parcela. desde a Fundação a e a titulo de estranheza a povo de Portugal sempre foi o mais miserável de toda a Europa monarquias, república, estado novo, e mesmo com uma democracia não saímos de ser os mais atrasados da UE. E povo português acusa-nos dessa tragédia. Tenham dó! E na vez de pugnarem contra eles lutem com eles para que Portugal os ressarça. E a Democracia enfim, tornar-se- há sublime porque será de todo o seu povo na totalidade! Sem descriminalizações. Porque eu como retornado como vocês lhe chamam? Sinto-me vitima de racismo social e sou prisioneiro na minha própria terra. Vou voltar! A luta continua e a vitória é certa.


          • Com setenta e cinco anos de idade, posso realmente comparar o tempo, que me foi dado viver neste mundo! Sempre no gume da navalha. Trinta e nove anos na ditadura e trinta e sete na democracia. Aquela, tinha tipo password, o lema produzir e poupar. Esta leviana e feroz para com os seus cidadãos oriundos das antigas colónias. Pondo-os a todos, ou pelo menos a uma grande percentagem, no limiar da miséria, fazendo disso grande alarido para gáudio das turbas. E desde essa altura uma espécie de maldição caiu sobre eles. A partir daí começou a desmontagem de Portugal e o lema deles foi gozar, gozar e esbanjar! E aí está esvaziaram Portugal do seu orgulho expondo-o a uma espécie de indigência intolerável e atroz. E o Galo português deixou de cantar! Ó povo clama pelo orgulho da Lusitânia, luta por ele. Vê na história o que disse Júlio César quando o imperador o demandou? Então César! Que fronteiras juntaste ao império? Resposta pronta! Parte da Germânia, toda a Gália e praticamente toda a Ibéria “excerto” um povo que habita na Lusitânia na zona dos montes Hermínios! Aguerridos, valentes e destemidos. Esse povo somos nós portugueses. Então porque vives numa espécie de medo crónico. Foram as monarquias? Não. Foi a inquisição? Não. A república, o estado novo, a PIDE. Quem seria então? …
            Incógnita! Que perdurará enquanto perdurar a sonolência em que te mergulharam.


          • Está de certeza a referir-se ao Relvas, ou ao Sócrates. e outros segundo fontes jornalísticas que o afirmaram. Ainda há pouco tempo secretários de estado do Governo de Costa tiveram que pedir a demissão por falcatruas nas habilitações literárias. Essa coisa de partilharem lugares de trabalho com eles, outra coisa não era de esperar. Pois muitos quando daqui saíram também deixaram lugares vagos que vocês ocuparam. O mesmo está a acontecer agora com milhares de portugueses que estão a imigrar. A maioria com cursos avançados se um dia regressarem só vem ocupar o que agora deixaram vago.


        • Vou comentar o seu PS. Eles são assim! Ingratos! Durante 500 anos o império enviou para o retângulo Um Maná sem a terra prometida de tudo! Mas de tudo mesmo, até incluiu ouro como você relata . Se nos atiram que se podemos comentar se deve à democracia que M S criou também nós podemos dizer que se Portugal chegou ao nosso tempo como eu tanto prezo foi graças a esse Maná. Disse-o João 1º de Portugal ao dizer que a Corte não tinha dinheiro para se suster e de seguida evadiu Ceuta. Chamam-nos ladrões? A riqueza vinda do Império era de tal ordem que D. Manuel e João V de Portugal se deram ao luxo da enviar embaixadas respectivamente ao papa Leão X, e João V ao imperador Leopoldo I Luiz XIV e ao papa Clemente XI a riqueza e o deslumbre eram de tal ordem que a Europa se roía de inveja de um país tão pequeno exibir tale esplendor. É por isto que nos odeiam.


        • Os retornados deviam de se juntar! E em manifestação deviam ir a Bruxelas reclamar, do seu direito a serem ressarcidos! A Alemanha ainda hoje disponibiliza verbas para os judeus que lesou. Nunca é tarde.
          zapataxz@gmail.com

    • lurdes ferreira says:

      Que pobreza o seu comentário …. quando os portugueses vieram das ex-colónias Portugal era um atraso de vida …talvez esteja a ver o seu próprio reflexo de bimbo número 1

      • Carlos Martins says:

        Aquando do regresso dos Portugueses das ex-colónias, Portugal era um atraso de vida completo – de norte a sul!!!


      • Então porque regressaram? Deveriam ter lá ficado!


        • Os portugueses retornados, após o desastre que os soterrou. Ficaram predestinados a abrir-vos a mente para outras realidades e conseguiram e com eles Portugal avançou de uma assetada 20 anos! sobre ressarcimento das percas já leva 42 anos mas eu como o MPLA vos digo a luta continua! E a vitória é certa.


      • Os retornados deviam de se juntar! E em manifestação deviam ir a Bruxelas reclamar, do seu direito a serem ressarcidos! A Alemanha ainda hoje disponibiliza verbas para os judeus que lesou. Nunca é tarde.
        zapataxz@gmail.com

    • Maria Sintra says:

      Bimbos são vocês. Nem sabem do que falam.


    • Não está a referir-se a todos os portugueses que lá trabalhavam e viviam pois não?

  5. José Silva says:

    Eu acho que na verdade quem passou a desconsiderar tal figura tão proeminente da política portuguesa não foi o facto de ter sido o pai (ou a mãe ou um dos pais, whatever) da democracia portuguesa, mas por este ter contribuído a certo e determinado momento para a origem de uma classe pouco transparente e corrupta com ligações promíscuas com a banca e outros grupos de pressão. A sua fundação (um verdadeiro “off-shore” em território nacional) que absorveu fundos públicos de forma inqualificável durante anos (nomeadamente no período em que José Sócrates comandou o país) entre outros donativos dúbios tendo como origem José Sócrates, Ricardo Salgado/o falecido BES, do BPI, da EDP, GALP, os diversos protocolos duvidosos e pouco claros com a CMLisboa na qual presidia o seu filho. Também a sua prepotência, talvez, quando usou e abusou de outros recursos públicos, como a utilização de dezenas de agentes da PSP para assegurar as suas propriedades privadas. O seu continuo desrespeito por tudo e todos, inclusivé no momento em que é multado por excesso de velocidade onde sem vergonha afirma que “o Estado” é que iria pagar aquela multa. E poderíamos continuar por aqui a fora. Talvez estas “pequenas coisas” tenham contribuído de alguma forma para que “poucos, alguns ou até mesmo muitos” não gostem de Mário Soares.

    • Fernando says:

      O seu texto é um esgoto, José Silva, e sugere um autor-cloaca.

      • lurdes ferreira says:

        E a sua observação é completamente patética ….um lixo autêntico ….somos livres para manifestar o que pensamos ….Não somos obrigadas a concordar


      • Os retornados deviam de se juntar! E em manifestação deviam ir a Bruxelas reclamar, do seu direito a serem ressarcidos! A Alemanha ainda hoje disponibiliza verbas para os judeus que lesou. Nunca é tarde.
        zapataxz@gmail.com


    • E o José Silva é um santo e um homem corajoso.
      Devia ver, como eu vi, Mário Soares a entrar no Estádio 1º de Maio em 1975.
      Nessa altura, os Josés Silvas (ou os seus pais) já estavam noos Brasis.

      • Português says:

        E o senhor havia de ter presenciado o pai do Mário Soares no colégio moderno, do qual era dono, a dizer “Deus livre o meu pais de ter o meu filho numa posição de destaque”….e pronto..o resto é história…by the way…”atirem os brancos aos tubarões”!

        • miguel says:

          by the way, não há qualquer registo de ele ter dito “atirem os brancos aos tubarões” mas é sempre bom acreditar no que se vê no facebook quando convém 😉

          • Trouble says:

          • Qual é a publicação e data?


          • Pesquisei esta imagem e o que encontrei foram, essencialmente, partilhas do PNR. O nome e data da publicação são essenciais para aferir a autencidade.

          • Pedro Soares says:

            “Estadão” de São Paulo (15/05/1977, “edição nacional”, pág. 15)


          • Pois. E no entanto, a questão mantém-se.

            Sobre a bandeira, tanto se lê que Soares cuspiu sobre o símbolo nacional, como que o pisou ou mesmo que o queimou. O incidente teria ocorrido durante uma manifestação em Londres, em Julho de 1973, organizada para contestar a visita de Marcello Caetano ao Reino Unido. Na manifestação, cujos registos são públicos, participaram socialistas e comunistas portugueses e uma miríade de movimentos britânicos de oposição à colonização lusa em África e também ao apartheid. Mas não há registos da suposta profanação do símbolo nacional e muito menos do envolvimento de Soares no acto. O próprio o nega em entrevista a Maria João Avillez (tornada em livro em Mário Soares: Ditadura e Revolução): “Um patriota e um republicano, como eu sou e sempre fui, nunca iria pisar a bandeira da República, que nunca foi a bandeira do salazarismo”. A história, dizia, era uma “imbecilidade”.

            A atribuição das supostas declarações sobre os portugueses em África também não sobrevive a uma verificação rigorosa. Lê-se nos comentários que, numa entrevista à alemã Der Spiegel, no ano de 1974, Soares teria sugerido abrir fogo sobre os colonos que não aceitassem o processo de independência dos territórios. A citação, no entanto, surge descontextualizada. Na entrevista à revista germânica, e questionado sobre se o exército português em Angola estaria preparado para suprimir uma eventual rebelião da população branca inspirada pelos acontecimentos na Rodésia, o que Soares responde é que o exército “não hesitará e não pode hesitar”. Na mesma conversa, porém, o socialista diz acreditar cada vez menos na eventualidade de uma “solução rodesiana” para Angola, minimizando o risco de uma acção armada por parte dos colonos. Em todo o caso, não existe uma citação directa a suportar a acusação que circula ainda hoje nas redes sociais.

            De verificação ainda mais difícil é o suposto episódio em que Soares terá dito que a solução para os portugueses brancos de África passaria por atirá-los aos tubarões. A história surge num panfleto com um artigo supostamente publicado em 1977 no jornal A Rua em que se lê que o correspondente do jornal brasileiro O Estado de São Paulo em Lisboa teria escrito que “Mário Soares afirmou publicamente haver uma só solução para o destino dos portugueses brancos ultramarinos – atirá-los aos tubarões”. Só que não se encontra o dito artigo de Santana Mota, o correspondente brasileiro em Lisboa, desconhecendo-se as circunstâncias em que a suposta declaração teria sido produzida ou sequer o seu teor: teria um sentido literal ou seria uma força de expressão? Mais uma vez, e para além de imagens e artigos sem fonte que circulam em publicações saudosistas e de extrema-direita, não existem registos de que a afirmação alguma vez tenha sido feita.

            https://www.publico.pt/2017/01/08/politica/noticia/nas-redes-sociais-odio-e-boatos-em-copypastei-1757560

          • joão lopes says:

            isto só significa que alguns retornados nunca sairam debaixo das saias do salazar


    • O artigo trata de ódio cego a acirrado, e não de um mero não gostar. A arrogância aristocrática foi um defeito de Mário Soares, e não, certamente, o único. Suficiente para explicar que alguns, ou muitos, não gostem dele. Mas não para explicar que o odeiem com um ódio tal que os faz apodrecer por dentro.


    • Também há uma classe de gajos q passa a vida de cú no sofá a debitar insultos nas redes sociais e a achar q a democracia são políticos corruptos, quando eles próprios são cidadãos medíocres, faltosos com os seus compromissos fiscais, miseráveis no comportamento cívico e incapazes de qualquer gesto solidario. E também há gente q a troco de pouco, subalterniza vida profissional e familiar para dedicar-se a defender na política os interesses e conforto dos canalhas q ficam nas redes sociais a insultá-los… A democracia e o progresso avançam graças ao trabalho, dedicação e esforço dos segundos, mesmo quando os primeiros apenas merecem um balde de merda, como é o seu caso…

    • Ferpin says:

      Que idiotice. Os que odeiam soares, já o odeiam as ainda o socras era do PSD.
      Responsabilizar soares pelo que wuercque seja que fez o socras é confessar que mais nada tem contra ele a não ser ter lutado contra Salazar, contra i perigo do PCP, a favorvda integração na CEE, etc. Soares é humano como todos, mas nascgrandes questões esteve sempre lá.
      E, ao contrário das casa das coelhas, vai para o Algarve para a mesma casa se há mais de 40 anos. (Para bom entendedor)

    • Hélder Casimiro says:

      Pois é, José Silva, cá temos nós mais do mesmo.
      Acusações sem serem devidamente fundamentadas.
      No mais, de facto, nas grandes questões que interessavam ao País e aos portugueses, esteve lá e lutou denodadamente.
      Terá cometido erros? talvez, mas apontem-nos com factos comprovados.
      Se acham que ele roubou, digam o quê e comprovem.
      Se querem criticar a sua Fundação, façam-no com factos, mas mencionando sempre o que ela tem trazido à nossa cultura.
      Ninguém é obrigado a gostar de Mário Soares, mas, sendo honesto, terá que reconhecer que pode escrever o que quer acerca dele, sem medo de uma PIDE ou de uma KGB a bater-lhe à porta, graças à luta a que ele dedicou a sua vida enquanto outros, quiçá o Sr. José Silva, estavam no bem bom.

    • António Rodrigues Anastácio says:

      Se não foste tu, foi o teu pai…Se não Há coisas grandes, usam-se as pequenas, se não há factos verídicos, forjam-se uns…

  6. José Silva says:

    Eu acho que, na verdade, quem passou a desconsiderar tal figura tão proeminente da política portuguesa não foi o facto de ter sido o pai (ou a mãe ou um dos pais, whatever) da democracia portuguesa, mas por este ter contribuído a certo e determinado momento para a origem de uma classe pouco transparente e corrupta com ligações promíscuas com a banca e outros grupos de pressão. A sua fundação (um verdadeiro “off-shore” em território nacional) que absorveu fundos públicos de forma inqualificável durante anos (nomeadamente no período em que José Sócrates comandou o país) entre outros donativos dúbios tendo como origem José Sócrates, Ricardo Salgado/o falecido BES, do BPI, da EDP, GALP, os diversos protocolos duvidosos e pouco claros com a CMLisboa na qual presidia o seu filho. Também a sua prepotência, talvez, quando usou e abusou de outros recursos públicos, como a utilização de dezenas de agentes da PSP para assegurar as suas propriedades privadas. O seu continuo desrespeito por tudo e todos, inclusivé no momento em que é multado por excesso de velocidade onde sem vergonha afirma que “o Estado” é que iria pagar aquela multa. E poderíamos continuar por aqui a fora. Talvez estas “pequenas coisas” tenham contribuído de alguma forma para que “poucos, alguns ou até mesmo muitos” não gostem de Mário Soares. Mas isto sou eu só a conjecturar. Não odeio Soares, não lhe desejo a morte (não desejo a morte a ninguém, por sinal), mas também reconheço que tudo o exposto lhe configure o estatuto de “persona non grata” por uma boa maioria do povo português que assistiu no pós 25 de abril uma certa classe política defensora da liberdade, da igualdade e da democracia a enriquecer descaradamente à custa dos dinheiros públicos e da própria pseudo-democracia da qual foram progenitores.

    #istosósoueuafalar

    • maria da luz reis says:

      gostaria de ver essa maioria, que no seu caso não é “silenciosa” … mas nas urnas que é onde se deve manifestar e não em informações “fundamentadas” em outras informação não datadas e sem autor …

  7. Khoisan says:

    É deprimente o que escreveu. Porque pretende afastar-se da verdade? Diz: “Não posso levar-lhes muito a mal: é duro ser expulso do Paraíso, e há algum consolo na ideia que a culpa foi da Serpente. Mas tiveram as suas próprias culpas: não souberam ler a História, não tiraram as lições que era forçoso tirar do Congo, da Argélia, do Vietname”. Não era o paraíso era a terra deles, era Portugal, e os que andavam a matar e a fazer emboscadas á população eram eles também portugueses vendidos a estrangeiros. Como bem sabe os nossos territórios nada tinham a ver com a Argélia ou o Congo, porque foram Portugal 400 anos. Leia um pouco sobre as migrações Bantu e sobre a Conferência de Berlim, e sobre os amigos Suecos do Marinho que também eram cúmplices dos ataques á nossa África. E reconheça que perdemos 60% do Território e 40% da população, para media dúzia de cobardes que fugiram ficarem ricos.

    • Paulo Só says:

      Foram Portugal? Leia um pouco sobre a colonização portuguesa em África, praticamente inexistente, até precisamente os anos 50 do século passado, quando começou essa brincadeira do Angola é nossa. Portugal, como diziam os ingleses com razão na época do ultimato, não fez qause nada em África. Há mais portugueses na França hoje do que havia em Angola em 1950. Era Portugal? Como explica então que não houvesse um negro em Portugal durante o salazarismo? Era Portugal? Bem se vê que o senhor não sabe o que é Portugal. Temos é de cuidar que Portugal seja efetivamente nosso.

      • Jerónimo Gama says:

        Como se poderia governar um país dez vezes maior que o território nacional e sem qualquer legitimidade democrática? A descolonização era tão necessária como inevitável. Infelizmente sim,Mário Soares, esse arauto da liberdade torna-se uma pessoa com menor reconhecimento porque de facto na sua administração radica o historial de corupção, de favoritismo, e de falsidade de um partido, até nos valores democráticos por ele tão defendidos, e que se perpetuou pelos vistos até ao governo do sócrates.

      • Khoisan says:

        Paulo se quer analisar pela cor da pele, então deve ter conhecimento que os “negros”, ao contrário do que afirma, não são os autóctones daqueles territórios, mas sim o povo Khoisan, que ainda hoje existe (em Angola no deserto do Namibe) embora cada vez em menor numero.

      • António Rodrigues Anastácio says:

        Faltou-lhe referir que já tinham estado uns militares portugueses a fazer umas expedições em África, aflitos e à pressa, para usar como argumento face às pressões britânicas. Até prenderam o Gungunhana…


    • As colónias nunca foram Portugal, foram sempre colónias. Por muito que a propaganda salazarista – eu também a ouvi – repetisse tamanho absurdo. Que ainda convence, pelos vistos, alguns.


      • José Sarmento Aqui tem toda a razão e na minha opinião Portugal nunca lá devia ter posto os pés. Mas quê, D João I o de boa memória queixava-se aos cortesãos que o reino não criava riqueza para suster a corte. Vê agora porque foram por aí abaixo sempre a roubar os povos por onde passavam. E tudo começou em Ceuta! foi aí que eles cheiraram pela primeira vez as especiarias. Dei-lhe um tópico! Agora é a sua vez de ler a história e ver porque tudo aconteceu, Não sejam ingénuos. E deixem de vez de chatear os retornados

    • F. José Angelo says:

      Completamente de acordo Khoisan. A dona Câncio devia ter vergonha da ignorância que demonstra ter sobre a África Portuguesa. O Paraíso de que fala foi inventado pela esquerda portuguesa para desmoralizar o povo português . Saiba senhorita que em 13 anos de guerra colonial despareceram 8.290 soldados portugueses dos quais 4027 em combate, os restantes morreram ingloriamente por causas diversas como acidentes com armas fe fogo, acidentes de viação etc. Curiosamente a maioria dos que morreram em combate eram africanos. Mas estas mortes não se deve a ferocidade dos grupos terroristas comunistas, foram devidas à incapacidade do comando, os tais srs capitães que mais tarde fizeram a revolução e governaram muito bem a sua vida . Os colonos portugueses em Africa passaram sacrifícios inimagináveis que só quem por lá andou conhece. Depois da descolonização vergonhosamente patrocinada pelos socialistas portugueses, que liberdade sobrou para as antigas colónias portuguesas? Se a senhora Câncio não conhece vá passar uns tempos às gloriosas democracias africanas para ver o fantástico logro em que aqueles pobres povos caíram. Milhões de mortes de cidadãos de mais de 40 etnias ………. por isso espero que o Sr. Mario Soares e outros que por aí andam não venham a cair no Panteão…..

      • otnipf says:

        Onde é que esteve entre 1961 e 1974?
        Quantos amigos ou familiares perdeu em Angola, Moçambique ou Guiné?
        Haja, pelo menos, respeito pelos descendentes dos que deram a vida numa guerra que não era deles!

        • Português says:

          Respeitar os familiares que lá faleceram não é apregoar que foi em vão. Isso sim é uma enorme falta de respeito por que morreu em nome da sua pátria e em defesa da sua cultura e familia. A recusa da glória na defesa da pátria a quem faleceu é vergonhoso! Pense nisso…


      • Que ignorante !!!!
        Se tivesse chegado a Angola depois de lá ter perdido um familiar,em defesa se “senhores ” exploradores, com negros como escravos, a vontade era acabar com todos eles…..

      • António Rodrigues Anastácio says:

        O Panteão vai ficar reservado para os heróicos,
        esforçados e sacrificados colonos…


      • A Dona Câncio tem muito que aprender! Os conhecimento dela cingem-se à nomenclatura. Você já os ouviu? Quando falam da lusofonia a ênfase com que falam põem aí entoações que não usam na sua vida do dia a dia. Agora eu pergunto? Quem foram os percursores da língua! Não foram os portugueses que falavam com eles por todos os recantos daquela terra imensa. Eu mesmo sinto-me orgulhoso quando vejo na TPA um Mucubal entender-se com um Muila ou um Quimbundo com um Kikongo e Todos os povos de Angola entenderem-se com os Cabimdas. Só por isto já merecia ser ajudado da pequena casa que lá deixei. E a modos de reçarssimento das minhas percas. O meu abrigo aquilo que até os animais inferiores procuram! répteis aracnídeos etc.

  8. Vladimir says:

    como herman diz … “opiniões são como as vaginas…cada um da se quiser.” Só 1 detalhe .. a sua é deturpada, feia e com muitas teias de aranha.

  9. Khoisan says:

    A realidade objetiva da história é algo que se pode ir escondendo a alguns, nomeadamente aos que se deixam manipular pela comunicação social e pela pseudocultura da moral vigente. Mas a verdade é esta: Os territórios portugueses de África foram entregues a quem e porquê? falamos como se aqueles que ficaram no poder, tivessem o direito natural a possuir os territórios, apenas por serem negros? escondemos que também eles foram e são colonizadores? se entendemos que eles eram outra coisa que não portugueses, então temos que nos lembrar que são Bantus. Os povos Bantu saíram da selva equatorial, região esta que é hoje ocupada pelos Camarões e pela Nigéria e dividiram-se em dois movimentos diferentes: para o Sul e para Este criando assim a maior migração jamais vista na áfrica. De causa desconhecida, esta migração continuou até ao século XIX. Caminhando sempre em direção ao Sul, venceram e fizeram escravos os indefesos pigmeus e os Koisan, a tal ponto que estes foram empurrados para outras regiões: os Pigmeus para zonas marginais da floresta e os Koisan para as chanas do leste e do sul de Angola. Após a chacina que os Bantus fizeram ao povo Khoisan, ficou de um lado o resto de uma população Khoi e de outro lado o grupo bantu composto por etnias diferentes, espalhadas em todo território. Por exemplo no caso de Angola a fundação do reino do Kongo está relacionada com as migrações bantu. Segundo as tradições orais recolhidas, esse reino descoberto por Diogo Cão em 1482 teria sido fundado entre os séculos XIV e XV por um migrante Nimi-a-Lukeni. Isto é, os bantus chegaram a Angola um pouco antes e em alguns casos ao mesmo tempo dos portugueses. A diferença é que chegaram a pé e os portugueses de barco. Sim os portugueses colonizaram, aquele território, e os Bantus não fizeram o mesmo com a população autóctone os Khoisans? o que significa que hoje são Bantus, os colonizadores? portanto deixem de enviesar a história, os povos conquistam os territórios desde sempre. Os territórios são de quem os conquista, hoje a áfrica é ocupada e colonizada dos Bantus, mas nem sempre assim foi. E qualquer dia nem com os territórios da Europa ficamos.

    • Paulo Só says:

      Os lisboetas foram conquistados em 1147 por “cristãos” que até mataram o bispo que aqui reinava. Os portugueses do Brasil, esse sim realmente colonizado, transformaram-se em brasileiros. A história não justifica nada. O que legitima o poder é a democracia que nunca existiu nem poderia existir em nenhuma colónia. Se não existe hoje ainda, o problema é deles.

      • F. José Angelo says:

        Tanta asneira Sr. Paulo. Leia e aprenda alguma coisa. Se a democracia não existe em Africa o problema é deles? Que sentido da vida tem o V.Exa.?……

        • Paulo Só says:

          Não me compreendeu. “O problema é deles” no sentido que cabe sobretudo a eles resolvê-lo. É claro que no mundo em que vivemos os interesses e meios de coação estão de tal modo interligados que nada é exclusivo de ninguém. Não sei se era isso a que se referia. Quanto à minha cultura geral não, se preocupe… e bom ano!


    • A realidade objectiva da História é que uma colónia é uma colónia é uma colónia. Portugal teve 50 anos para descolonizar. Sim, 50 anos: foi no que acordaram as potências coloniais, incluindo Portugal. Cinquenta anos para desenvolver, para industrializar, para criar classes médias locais e para construir as instituições necessárias aos estados democráticos: parlamentos democráticos, tribunais independentes, forças policiais isentas de corrupção e violência, escolas, universidades. E no fim sair, deixando obra feita. E eventualmente criar uma “Commonwealth” com as ex-colónias.

      Mas Salazar, como parolo que era, resolveu usar de uma esperteza parola para fugir com o cu à seringa: passou a chamar “províncias ultramarinas” às colónias, acreditando (acreditaria mesmo?) que Portugal seria assim dispensado dos compromissos assumidos.

      Mário Soares teve que fazer em poucas semanas o que era para ter sido feito em cinco décadas. Isto causou muito sofrimento a muita gente, pois claro. Gente que tinha nascido em Angola ou Moçambique, tal como outra gente tinha nascido na Argélia, na Índia ou no Congo. Gente que também sofreu, embora muito menos. Mas culpem deste excesso de sofrimento quem não fez a tempo o que devia, não quem fez à pressa o que pôde.

      • otnipf says:

        Até que enfim se consegue ler algo esclarecedor!

      • joaquim rodrigo says:

        Alguém com alguma lucidez e inteligência a de José Luís Sarmento.A descolonização tinha que ser feita e por ter sido feita tão à presa tem defeitos grosseiros.Se Soares tem que ser crucificado por isso? Claro que não .

      • António Rodrigues Anastácio says:

        Ainda o Kaulza de Arriaga ensinava que só se deviam ter indígenas cultural e socialmente mais evoluídos, à medida que a população originária da metrópole fosse aumentando. Províncias ultra quê?


    • Se me permitem intervir há falácia nos argumentos sobre “bantus”, uma narrativa dos “boers” da África do Sul.

      É um argumento semelhante ao do Estado de Israel, em relação aos Árabes, que quando os judeus chegaram à terra que dão o nome de Israel não havia ninguém lá (e que Deus lhes deu aquela terra).

      Aliás, África do Sul de “apartheid” era um grande aliado de Israel, tendo feito pelo menos um teste nuclear de Israel.

      Sobre os “bantus” o seguinte link desmistifica muitas coisas que se dizem sobre os “bantus”

      http://www.sahistory.org.za/article/defining-term-bantu

  10. Henrique Costa says:

    Tanta ignorança junta! Tão pouca investigação sobre os Portugueses nascidos em África que mudaram o País Portugal!
    Tato desconhecimento sobre o valor destas pessoas que se habituaram a trabalhar desde muito novos, construindo riqueza para o País, depois desbaratada mais uma vez!
    Os “retornados” na sua maioria não retornaram a nada! Eles eram Portugueses, nascidos em África como tantos outros Portugueses nascidos fora do território nacional ( Portugal Continental).
    Quanto à questão dos brancos também aqui houve preocupação de esconder a verdade! Porque dos cerca de 500 mil Portugueses ( não refugiados), apenas Portugueses, a maioria não era branca! A maioria era mestiça! Brancos e pretos eram a minoria! Só que, eram Portugueees! E pasme-se: altamente qualificados, capazes de trabalhar e a querer trabalhar! O IARN foi um negócio para Portugal! Ninguém queria ir para hotéis, mas….importava recuperar a indústria hoteleira portuguesa, já de rastos há 3 anos! É claro, a grande arma política de comunas e esquerdistas que nunca trabalharam na vida: a desinformação! Dava jeito! Para continuar a culpar alguém das suas próprias insuficiências!
    Quanto aos militares mortos em combate ” para permitir que os brancos vivessem bem” isso é um enorme insulto aos próprios militares! Eles sim deviam revoltar-se! A ignorância é tanta, a incapacidade de investigar é tão grande, que nem sequer se dão ao cuidado de lera as estatísticas publicadas. Morderam mais soldados em acidentes de viação, bebedeiras e brigas, do que realmente em combate! Importa ainda dizer que desses bravos mortos em combate à maioria eram voluntários, e …..nascidos em Angola!
    Para terminar devo contar-vos a história da ” Teta da Vaca”: A história começa com Vasco da Gama que roubava as especiarias na India, vendia metade para ele e seus marinheiros, na costa oriental de Itália, e apresentava-se aí Rei e à corte com a outra metade que chegava e sobrava para devolver bem em Portugal! Acabaram as Índias e veio o Brasil! A mesma coisa, onde bravos marinheiros traziam apenas uma boa parte do que lá roubavam, negociando a outra parte com espanhóis e holandeses! Que bem se vivia em Portugal! Mas o Brasil acabou! Vieram então as colónias portuguesas em Africa! Que deleite! Diamantes, minério, café, sisal, açúcar, frutas e um sem fim de produtos para que no Portugalzinho, se comesse bem ( é também verdade que Salazar escondeu isto da população portuguesa)!
    Mas as colónias acabaram!!!! Veio então a última teta da vaca: A comunidade Europeia! Outro deleite! Trabalhar? Não!
    Gastar? Sim é muito!!!!
    A CE está no fim! E agora? Trabalhar? Pagar o que devo? Nem pensar!!!! So 131% do que ganho? Então o meu subsídio? E a minha reforma aos 55 anos? ( sabem que no conjunto dos retorbadis vinham pessoas de mais de 70 anos que ainda trabalhavam e depois continuaram a trabalhar?)
    Veio está conversa toda a propósito de Mário Soares! Um indivíduo que nunca trabalhou, viveu da política e quando chegou a Portugal o 24 de Abril já estava feito! Apanhou o comboio em andamento e utilizou- se dele! Mandou ” atirar aos tubarões” os retornados! Lembram-se ? Vivos! 700.000 pessoas!
    Pois agora meus senhores, nós, retornados somos melhores! Deixem-no morrer tranquilo! Mas depois ….atirem-no aos tubarões!!!
    Espero que entrem todos o ano de 2017, bem mais livres da família Soares!!!


    • «Tanta ignorança junta!» Já copiei e imprimi esta frase, em letras garrafais e numa fonte escolhida com cuidado. Só me falta emoldurá-la.

    • F. José Angelo says:

      Caro Henrique Costa.
      Finalmente vejo que neste País ainda há alguém esclarecido.

    • otnipf says:

      Porque não ficou o sr. Costa em África?

      • Henrique Costa says:

        Fiquei e cá continuo! Mas a pagar impostos em Portugal para continuar a dar de comer aos pobres que infelizmente não leram a história!


        • Henrique Costa Eles não suportam a verdade! Sentem-se inferiorizados Gostam mais da viverem com a injecção anestesiante que lhe deram no tempo do PREC. Ainda te lembras do conteúdo da mensagem? Que Portugal estava a empobrecer dada a sangria de dinheiro daqui para aguentar aquilo. Tudo bem mas quando chegados ressarcissem-nos Portugal seria de facto país sublime e elevar-se-ia no conceito internacional. Em Portugal sinto-me como os judeus se sentiram em 1938 na célebre Cristal Natch. roubados esbulhados dos bens e até da sua dignidade.

    • Português says:

      E muito mais haveria para dizer, mas para quê…deixem-no morrer e atirem aos tubarões….Parabéns pelo texto claro, mais claro que o “intelectual” do José Sarmento Ferreira, que por acaso fala imenso no seu currículo sobre estudos e pouco sobre trabalho. Enfim…mais uns bitaites de alguém que pretende rescrever a história de acordo com as suas conveniências.


      • Estudar não é trabalho? Olhe que é, e árduo. Experimente e verá. Se falo mais nos meus estudos do que nos meus empregos, não é porque me tenha dedicado menos a estes: é porque dou mais importância àqueles. Importância que você, como tantos tugas, não lhes dá; e é esta talvez a causa principal do nosso atraso.

  11. Paulo Só says:

    Ninguém diz mal dos retornados por serem retornados, nem do Passos Coelho, nem da Maria Luís, essas flores do progresso e bem-estar dos portugueses. Quase todos os portugueses têm retornados na família. Supomos que a maioria fosse gente honesta e trabalhadora, desfavorecida mesmo, senão não teria ido para África, ao contrário dos barões do regime salazarista que viviam da exploração das riquezas das colónias e não queriam colonos em Africa, só os aceitaram quando a coisa começou a ficar complicada. Que os retornados não venham com essa história que os portugueses da Europa não trabalham. Ou somos iguais ou então não somos todos portugueses. Gente que não trabalha há em qualquer lugar, incluindo em Àfrica. E essas ideias de que político não trabalha, de que os trabalhadores não têm o direito de ter exigências é típica de quem não sabe o que é democracia nem liberdade, de quem prefere ser explorado e viver de explorar os outros. Guardem o ódio para quem os mandou para África, não para de lá os tirou. Ou voltem para África, nada os impede. Quem emigrou para outros países não tem o ódio de Portugal que alguns dos retornados sentem.


  12. DO ÓDIO AOS RETORNADOS
    Os meus avós foram para África no tempo da 1ª república integrados nas missões laicas, fundadas por Afonso Costa, que Soares elogiou (as missões e o chefe de governo). Desde os tempos do duque de Viseu, a quem D. João II fez a folha, até às futilidades do Eça, que as elites portuguesas nunca perceberam, nem quiseram perceber, o que era África e quem lá estava, mas gozaram de África o que ela tinha para oferecer que os bimbos que lá estavam lhes traziam de bandeja. Vê-se por este texto de ódio. Os retornados terão muitos dos pecados que aqui lhes atribuem, mas o pecado do colonialismo é de toda a Pátria por inteiro, não deles. A guerra é culpa de Salazar, não tenho a mínima dúvida. A forma como acabou conduziu a desgraça e miséria e podia evitar-se. Mandela, com menores condições, consegui-o. Mas Mandela não era um bimbo, nem ignorante e em vez de insultar o bóer, estudou-o e compreendeu-o. Ao contrário das nossas elites que transpiram ignorância por quantos poros têm. Estude-se e leia-se o que são e o que foram e o que fizeram os retornados. Otelo, Almeida Santos e Lídia Jorge eram retornados, mas evitaram um epíteto com outro: exilados políticos. Eusébio e Craveirinha, como eu, eram filhos e netos de colonos. Um está no panteão, outro é um herói em Moçambique. Uma coisa sei, os retornados não mereciam o ódio de Soares nem do autor deste blog. Sou retornado e não nutro por Soares nenhum ódio. Só admiração. Apesar do insulto que me fez e aos meus avós! A si, autor convidado, um pouco de leitura é o que lhe recomendo para o Novo Ano, com o coração esvaziado de ódio.


    • Ódio aos retornados? Todas as Quartas-feiras almoço com um grupo de pessoas das quais quatro são “retornadas”. Uma delas já me escreveu para o Facebook, onde publiquei este texto antes de ser publicado aqui, a concordar comigo e a dar-me algumas achegas. Na próxima Quarta, se não for antes, saberei o que pensam as outras. Duas coisas são certas: nem eu as odeio, nem elas me odeiam.


      • Eu não conheço os seus ódios ou amores. Reagi a um texto cuja generalidade me pareceu tola e injusta, a transparecer ódio. E nem por isso recuso muito do que disse, mas generalizou.


      • Generalizou falando de uma minoria como se fosse a maioria. Eu, a minha família, os meus colegas, vizinhos e amigos, não bebíamos em “pôr de sóis”, nem frequentávamos clubes exclusivos. Tivesse falado de Almeida Santos, esse sim frequentava um dos mais exclusivos clubes de LM. As elites que governaram as colónias não se confundiam com os colonos. Estes eram a mais das vezes de 2ª e 3ª geração, aqueles eram acabadinhos de chegar julgando-se reis em terra conquistada. Uns foram retornados, outros intitularam-se exilados políticos e outros até se esqueceram que por lá passaram.
        Ponham-se no lugar de quem chegando aos cinquenta , sessenta e setenta anos, e se vê despojado de uma vida de trabalho a que nem reformas tiveram direito. O que devem sentir senão grande amargura por quem não soube defendê-los, a eles que eram também filhos da Pátria e não estiveram ao serviço da ditadura. Se não podiam defendê-los, escusavam de insultar.


        • Uns nem reformas tiveram, outros tiveram empregos na função pública, com prioridade sobre os que cá estavam, com base na mera alegação de qualificações que não tinham. Como vê, não generalizo: vejo muito bem que cada caso é um caso.

          O senhor poderia não frequentar os clubes mais exclusivos, mas os pategos do serviço militar obrigatório nem nas pastelarias chiques podiam entrar sem serem olhados de soslaio. É verdade ou não é?

          Eu ponho-me no lugar de quem fica sem nada aos cinquenta, sessenta ou setenta anos. É claro que é horrível. E compreendo a amargura. Mas que a sintam por quem “não soube defendê-los”?! Que queriam mais?! Que Mário Soares conseguisse fazer em dois anos, num qualquer passe de mágica, o que o Reino Unido mal conseguiu fazer em cinquenta, e a França e a Bélgica não conseguiram fazer no mesmo prazo?!

          O homem fez o que pôde. A mais não era obrigado. E duvido que outro qualquer conseguisse fazer metade.


          • Essa da pastelaria parece-me um mito urbano, talvez as fotos de algumas esplanadas possam esclarecer, mas adiante. Tive militares como vizinhos que não só frequentavam a nossa casa de 2ª e 3ª geração de colonos, como até namoraram primas e irmãs. Respondo como acabei anteriormente. Sei bem das dificuldades que Soares teve (já confessei a minha admiração pelo homem). Se nada podiam fazer escusavam de insultar e transferir o ónus do colonialismo para os retornados, porque esse foi um pecado da pátria. Era só isso: o reconhecimento de que fomos vítimas, necessárias talvez, no contexto histórico, mas nunca culpados. Bastava! Não sou dos que me queixo e reconheço um esforço de reintegração notável que foi feito, superior ao da França que ainda está por resolver a questão dos pied noir. E não nego a arrogância de alguns retornados, que não é diferente da de alguns emigrantes das décadas de 80 e 90 (trabalhei com muitos emigrantes, sei do que falo e trabalho na província e conheço bem a arrogância de quem chega de Lisboa). Mas Soares e Almeida Santos tiveram responsabilidades que não podemos comparar com retornados incultos e ignorantes. Se destes podemos compreender a amargura e a falta de discernimento, é mais difícil compreender o insulto dos outros. O gesto de compreensão faltou. 42 anos depois quer que eu engula a sua amargura dos cafés não reconhecendo a amargura de quem ficou sem uma vida de trabalho e viu-se insultado por cima.


          • Os retornados há 40 anos que dão pano para mangas! Ressarci-los está quedo. E discernir das diferenças, parece ser areia de mais para a camioneta deles. O problema deles(os que de cá nunca saíram) é querer que os retornados comam o roubo que lhes fizeram. Vamos ver as diferenças: Os alemães 70 anos depois ainda disponibilizam verbas para os judeus que lixaram. Os ingleses conseguiram com apoio da UE ainda não há muitos anos indemnizarem os fazendeiros expulsos do Zimbabwe. em Portugal para quem não sabe, há 42 anos que existem dois tipos de retornados! Vou começar pelos segundos e que são precisamente os que estão em luta desde essa altura. Trabalhadores de empresas particulares, lutam para serem ressarcidos das suas percas, resultado ZERO. depois há os outros! Então os que de cá nunca tiveram coragem de sair, não sabiam que territórios 14 X maiores que o rectângulo tinham que ter funcionários públicos para o gerir agentes da função pública, polícia directores de serviços chefes de repartição etc. Se Portugal tão pequeno tem cerca de 700.000. vejam de facto o que aí não chegou! Já vinham todos eles com o papel com os cálculos da aposentação. Muitos deles sem terem ainda a idade para a reforma! sabendo-se como se sabe que os portugueses são dos povos com mais inveja em relação aos seus compatriotas e semelhantes, isto é dor de cotovelo! Para essa dor 42 anos depois ainda doer deste jeito vejam o estrago que ela lhes fez à mente. Como a comunidade internacional nunca admitiria que não fossem integrados, viraram-se para os mais fracos precisamente os que precisavam de ajuda (isto é que é uma cobardia coletiva) aqueles que chegaram somente com a roupa que traziam vestida! Este foi o meu caso comigo veio também um canário do Quanza numa gaiola. Mas depois de o abrir todos os dias mas logo que a noite chegava a ela voltava. Tenho a informar-vos que apesar de como retornado ser visto em Portugal como um ser terrífico e mau tenho a informar-vos que lhe fiz um funeral condigno cantava que encantava. sobre hotéis falarei mais tarde. parece ser outra ferida que ainda larga puz. Vou voltar! A luta continua a vitória é certa.

  13. Khoisan says:

    É confrangedor, ler comentários de gente que não faz a mais pequena ideia da realidade e factualidade da histórica e não deixa de repetir lugares comuns. Acordem não se deixem manipular, os territórios foram Portugal durante 400 anos, não eram habitados, não existiam fronteiras. Vários povos nómadas migravam na África, nomeadamente os Bantus oriundos dos Camarões, e iam chacinando os povos autóctones chamados khoisans esses sim os naturais daqueles territórios. Os portugueses chegaram de barco, mas os Bantus de pele escura chegaram a pé, é essa a diferença, a ideia de que a áfrica austral foi sempre negra é uma falácia, ambos os povos se miscinegaram, e eram todos portugueses embora de origens diferentes, não interessava a cor da pele. Só após a Conferência de Berlim devido á ganância de países europeus nas matérias primas, a África foi dividida pelos países europeus esses sim colonizadores na pior aceção da palavra, só nessa altura foram criadas fronteiras a régua e Esquadro, essa gente europeia, não tinha nenhuma afinidade com a áfrica, queria apenas escravizar e roubar, ao contrário dos portugueses que tinha várias gerações de naturais daqueles territórios. Foi então que para poderem saquear criaram e apoiaram pseudomovimentos de libertação, para uma descolonização que no caso de Portugal, era diferente dos outros casos, porque era uma população multiracial embora com desigualdades sociais. A essência dessa descolonização era a transferência de poder do homem branco, onde ele o detém, para o negro, que o reclama e se lhe arroga o direito meramente por força da superioridade numérica. Considerando que na independência dos povos estão contidas todas as virtualidades, pelo que não é necessário tomar em conta a dimensão do território nem o número e o valor das populações nem dos recursos à disposição dos governantes para atingir o bem comum. É aí nos anos 70 que aparece Mário Soares, com os seus amigos Olof Palm e Will Brant, com o apetite, pelo poder nos seus países e também no que a África lhes poderia proporcionar. A agenda de Mario Soares era ajuda económica para a criação do seu PS. Pode assumir-se que dada a dispersão geográfica que os territórios viessem a ser independentes, toda a gente concorda com isso, agora independências apenas pela cor da pele, saqueando e obrigando as pessoas a sair das suas terras e abandonado os seus bens, são inaceitáveis e Mário Soares não podia ter cometido esse erro. Primeiro tinha que estar o seu povo, só depois os seus amigos estrangeiros.

    • Maria Antònia de Melo says:

      Parabèns !!!
      Concordo com suas palavras.. pela ambição de alguns, entregaram nosso Moçambique, meus avis e meus pais não estavam là de passagem, era a nossa terra de nascimento… com o caos instalado, nos obrigaram a sair de là.. sem lenço nem documento!!!
      Não me vou alongar para não escrever mesmo com a simplicidade das minhas palavras o que gostaria de dizer a essa gente que não soube o que foi deixar África e ter que com as mãos vazias e coração triste ter que começar uma vida em outro Paìs..

  14. Paulo Só says:

    Pois é, havia também muitos funcionários públicos em África e pessoas de origens e em situações, que uma palavra só, “colonos”, não abrange. A história é madrasta, nada é preto e branco, é caso de dizê-lo. Alguns republicanos do final do seculo XIX, franceses como portugueses, acreditavam sinceramente na missão civilizatória do colonialismo. Noto no entanto que, em boa parte para proteger as colonias, a República convocou muitos civis portugueses para a Primeira Guerra, e lá morreram milhares na Flandres, para nada. Então nem todos os portugueses “lucraram com as colónias” e nem sò os colonos ou os militares morreram por elas.


    • Mas precisamente uma das consequências da Primeira Grande Guerra foi as potências coloniais – incluindo, na altura, Portugal – compreenderem que a colonização por si só não tinha nenhuma missão civilizatória, e acordarem am civilizar para descolonizar em vez de colonizar para civilizar.

      Estabeleceram, para isto, um prazo de 50 anos. Generoso, convenhamos: deu para chegar dos anos vinte aos anos setenta. Ninguém cumpriu o pacto com inteira lealdade nem inteira eficácia; mas o Reino Unido, por exemplo, saiu-se menos mal. No extremo oposto ficou Portugal: contrariamente ao que estava obrigado a fazer, não criou nas colónias instituições administrativas eficientes, nem universidades, nem classes médias locais.

      E o parolo que nos governava, quando o Mundo lhe pediu contas dos compromissos a que Portugal estava obrigado, recorreu à esperteza parola de chamar “províncias ultramarinas” às colónias. O truque funcionou como propaganda interna, e mesmo assim nem todos se deixaram enganar. Fora de fronteiras não convenceu ninguém, e muito menos quem lhe pedia as tais contas.

      E foi assim que foi preciso fazer num ano ou dois o que estava planeado para ser feito em meio século. A retirada, que era para ser feita em boa ordem, teve que ser feita em debandada. Odeiem quem quiserem por assim ter sido, se não conseguem passar sem bodes expiatórios, Mas não nos venham outra vez com a treta do «Portugal do Minho a Timor». Nem nos façam recordar de novo que o patritismo é o último refúgio dos patifes.

      • Khoisan says:

        Enfim bem podia, não ter escrito mais nada. Omitir tudo o que aconteceu antes da primeira guerra mundial, com Portugal e a posse de territórios, é a moral vigente. Misturar porque convém o fascismo do “botas” com o facto de Portugal ter mais território, do que torrão europeu. E entender que o fim do fascismo sanguinário teria que ser também a entrega, a portugueses traidores, vendidos a estrangeiros de 60% do território, só porque as potencias da época assim determinaram, não é intelectualmente honesto. Principalmente também porque passados 40 anos, a espuma do tempo dissipou algumas dúvidas. E se perguntar ás populações de áfrica sem um “pide” por perto, se deviam ser portugueses, eles respondem, “somos” portugueses, mas não estamos autorizados a sê-lo. Bem sabemos que há quem não possa concordar com este racional, porque é incómodo para aqueles que fugiram para França, Suiça etc, por terem medo de combater, e que se autodenominaram antifascistas, e anti.colonialistas, agora admitir que foram cobardes. “O patriotismo é o ultimo refugio dos patifes”? portanto, se algum dia aqui chegarem uns criminosos que andam por aí a matar e querem voltar a instalar aqui o Islão, já sabemos que os mesmo que fugiram, voltam a fazê-lo, porque patriotismo é só para patifes.


        • As potências da época assim o determinaram, é verdade. E entre as assinaturas dessa determinação lá estava a portuguesa.


        • De “o patriotismo é o último refúgio dos patifes” – aforismo brilhante que não é, infelizmente, da minha autoria, mas de um autor inglês do Século XVIII – para “o patriotismo é só para patifes” vai um abismo que não transpus nem poderia transpor, já que entre as duas proposições não há qualquer nexo lógico. Estou ciente, esteja descansado, de que há muitos patriotas que não são patifes. Mas não me julgue ingénuo ao ponto de nunca ter reparado que há, como sempre houve, muitos patifes que só são patriotas porque querem esconder que são patifes. E os “patriotas” do “Portugal do Minho a Timor” são bem a ilustração disto mesmo. O saudoso e perspicacíssimo Alberto Pimenta não lhes chamaria patifes, chamar-lhes-ia outra coisa, mas o significado seria quase o mesmo.

        • F. José Angelo says:

          Khoisan estou completamente de acordo. Não perca mais tempo a tentar esclarecer quem não quer ser esclarecido……

  15. Acácio Bernardo says:

    Há país da democracia que não tiveram o percurso de se aproveitar do poder. Salgueiro Maia, Spínola , Ramalho Eanes são apenas os nomes que me ocorrem assim de reprente. Mas há muitos mais.


    • Spínola podia ter uma ideia do que queria para Portugal, mas era ao mesmo tempo um autocrata e um romântico (combinação terrível). Salgueiro Maia não quis o poder e não sujou as mãos. Eanes teve uma ideia do que queria para Portugal, rudimentar talvez, mas por isso mesmo muito nítida: queria um país decente. E conseguiu fazer da Presidência da República uma instituição decente, criando assim um capital político que até Marcelo Rebelo de Sousa está a ter a lucidez de não desperdiçar.


  16. Eu do Mario Soares o que me ficou foi a sua recusa em ser informado da corrupção em Macau. Mostra a “moral” dum presidente da republica; eu pessoalmente gostava de ter tido um presidente que iniciaria uma investigação mal suspeitasse que podia haver corrupção fosse onde fosse. Mas eu não percebo nada de politica e nunca tive responsabilidade para alem de votar. E aí não finjo que não sei, voto mesmo contra.


  17. O autor do texto é um autêntico contador de “estórias”.
    Segundo ele, muitos dos Portugueses que não quiseram combater, terão fugido para vários países europeus “e estudado as razões por que o colonialismo directo não era viável nem para as grandes potências, …” ou seja, foram intelectualizar a cobardia, para não sentirem vergonha ao serem reconhecidos. Tiveram mesmo que adoptar as ideologias de esquerda, preferencialmente as de origem soviéticas, esse tão nobre ideal, que nunca colonizou ninguém (noutro continente), mas que rapidamente infestou o território com militares. Esta adopção ideológica foi tal que acedeu à eliminação de valores como história, coragem, bravura, decência, honra e patriotismo, ao qual até têm a insensatez de o considerar como “… o último refúgio dos patifes.”
    Fica assim explicado, porque Mário Soares, embebido destes ideais, de fortes interesses económicos pessoais, e sofrendo de um compulsivo complexo de Édipo, preferiu a descolonização exemplar que fez, em prol de uma autodeterminação serena, planeada, e da qual ainda hoje seria certamente aclamada de bem executada.. Se desconhecem, foi o pai de Mário Soares, “… o dr. João Soares foi dos melhores ministros das colónias da I República. Os seus três meses de governo, em 1919, ficaram marcados por medidas que perduraram e resolveram vários problemas pendentes. João Soares considerava as colónias parte integrante do território nacional. Como republicano histórico, defendeu-as com a alma e o coração. Foi por elas que Portugal se envolveu na I Grande Guerra. Por elas morreram muitos milhares de soldados portugueses nos Campos da Flandres e nas savanas africanas. Por elas se passou fome em Portugal, os portos e a pobre marinha mercante de então bloqueados pelos submarinos e corsários alemães.” como bem explica e relata Manuel Maria Múrias no texto “Um breve perfil psicanalítico do dr. Mário Soares”, do qual deixo o link, onde poderão apreciar o que se diz sobre a personagem Mário Soares, https://www.facebook.com/notes/raquel-guedes/um-breve-perfil-psicanal%C3%ADtico-do-dr-m%C3%A1rio-soares/1321479334591628
    Talvez todos estes argumentos e mais alguns não referidos neste comentário, (como o caso Émaudio, as malas de Macau, a defesa de Humberto Delgado, os negócios com a Unita e Savimbi, etc, etc, etc.), sejam o que motiva o ódio a Mário Soares.
    O que ainda não consegui entender, é o motivo que o autor do texto tem para a defesa que produz, de tão odiado personagem, o que me leva a questionar:
    – Tem alguma lavandaria, que faça branqueamentos?


    • A frase sobre o patriotismo como último refúgio dos patifes não é de minha autoria – antes fosse, porque é brilhante. É de um aforista inglês do Século XVIII, o Dr Johnson, que teve a perspicácia de observar que para muitos “patriotas” a Pátria são eles próprios e as benesses de que disfrutam. Como o ódio de alguns retornados a Soares, e ao Mundo, tão bem ilustra.

      Quanto ao resto do seu relambório, abstenho-me de responder. Para quê? Quem não aprendeu, quando podia e devia, como é o Mundo, também não vai aprender agora. Passe bem, se puder, ruminando os seus ressentimentos.

    • António Rodrigues Anastácio says:

      Manuel Maria Múrias essa mente independente…

  18. Paulo Só says:

    Pronto, já chegou a cavalaria pesada dos que se acham donos da portugalidade, os adeptos da mão estendida à la Múrias, os que acham sempre que a morte dos outros é necessária e nunca suficiente para justificar a sua mísera existência, os derrotados das urnas e da história. Bom ano, caro Senhor.

  19. Manuel branco says:

    Pelo que leio em 2017 ainda anda por aī quem acredite no Portugal pluricontinental. Såo de facto como os Bourbons, nem aprendem nem esquecem.

    Não me esqueço eu dos rapazes da minha terra que morreram numa guerra imbecil nem do medo das famīlias; mesmo com a liberdade do anterior regime a abafar tudo.

    Se aquela era a terra deles tivessem lä ficado. Eu preferia ser morto a sair da minha terra. Só que ë mesmo a minha terra.


    • Mas esses que diziam que aquela era a terra deles nunca pegaram em armas para a defender. Deixavam essa maçada para os pategos, digo, os mancebos do serviço militar obrigatório. Em nome do patriotismo, diziam. E alguns ainda hoje o dizem sem corar. Em nome, digo eu, de uma descomunal pulhice.

      • Khoisan says:

        Caro José Luiz, ainda que mal pareça, vou novamente lamentar mais uma afirmação que faz e está pouco fundamentada: Afirma “eles diziam que a terra era deles e nunca pegaram em armas”, Está enganado, porque os donos da terra pegaram em armas: Sabe quem foram os Flechas? Os membros dos Flechas eram recrutados entre determinados grupos, segregados pelos negros eram membros da etnia bosquímane (khoisan). Os bosquímanos que historicamente tinham sido invadidos pelos povos Bantu não tinham qualquer problema a aliar-se aos portugueses, porque não eram segregados por eles, e não os tinham como inimigos, dado que viam nos movimentos de libertação o Bantu invasor do seu território. Estes eram especialmente escolhidos pelas seus conhecimentos do inimigo, conhecimento do terreno, conhecimento das populações locais, etc. É de salientar que os bosquímanos eram um povo caçador-recolector, logo exímios intérpretes de rastos e pistas deixadas no terreno pelo inimigo dada a sua experiência em perseguição de caça. Não culpem agora os militares por tudo o que aconteceu, foram os pulhíticos como Salazar e companhia, mas também Mário Soares, que derrotaram e venderam Portugal, ao estrangeiro. Para os Khoisans e para os portugueses que o deixaram de ser – sem ser por sua opção – o resultado foi conjunto de desgraças inomináveis de que resultaram cerca de um milhão de mortos. Tudo isto foi responsabilidade (nunca apurada) de um conjunto de celerados políticos e militares e de uma vasta plêiade de ignorantes e ingénuos úteis, que foram ao ponto de assumir as (falsas) razões de quem nos emboscava as tropas e das mãos que os armavam, treinavam e incitavam. Não continuem a enviesar a história. Deixem Mário Soares descansar em paz, o ódio a ninguém adianta, mas ele e tantos outros destruiriam Portugal, seja qual for a ideia que da nossa terra tivermos.


        • Os Flechas? Ouvi falar. Entravam nas pastelarias finas? Dançavam nos bailes o cha-cha-cha com as meninas casadoiras? Iam aos saraus ouvir o João Maria Tudela e a Madalena Iglésias? Não iam, pois não?

          Ainda se ao menos os que faziam, iludidos, este tipo de vida pegassem eles próprios em armas para se defender… Mas não pegavam. Deixavam essa maçada para os bosquímanos, ou então para essa outra espécie de bosquímanos que eram os pategos aqui das “berças”, como por lá se dizia. Eram muitos, a vida deles era barata.

          • F. José Angelo says:

            Por favor Sr José Luiz deixe de dizer asneiras. Todos os ultramarinos estiveram nas frentes de combate. Eu e os meus irmãos lá andámos quase 4 anos. Um número enorme de amigos morreram pela Pátria . Todos estávamos conscientes que a guerra que se estava a travar era contra a rapinagem das grandes potências (USA, URSS e CHINA). Era obrigatório correr com os brancos de África para o Neocolonialismo se estabelecer, como veio a acontecer. O resto é uma história macaca de um povo sem lideres.

          • Paulo Só says:

            Possivelmente o neocolonialismo apresenta algumas vantagens em relação ao colonialismo. Não para os mesmos, claro. Agora gostaria que esclarecesse a expressão “história macaca”. Muito obrigado.


          • F. José Angelo, pare de dizer mentiras. Todos os ultramarinos estiveram nas frentes de combate? Todos mesmo? Ou o senhor e os seus irmãos foram uma minoria? E já agora diga-me uma coisa: combateu integrado em que forças? Nas forças armadas regulares do Estado português? E em que contingente? No do serviço militar obrigatório?

            Em milícias cívicas de auto-defesa não deve ter sido, porque se existiram foram tão poucas e tão insignificantes que ninguém as notou. Ou seria noutro tipo de forças, assim, digamos, mais “especializadas”? É que houve destas em todas as frentes, com efeito. Para não falar dos aventureiros que andam sempre por todas as guerras a tentar a sorte.

      • José Augusto Duarte Ferreira says:

        Caro Manuel Branco, não foram apenas os rapazes de Portugal continental, vulgo Metrópole, que combateram em Angola e Moçambique. Ao longo da guerra colonial houve recrutamento de mancebos nesses territórios coloniais, e neles também existiram centros de instrução militar (Cursos de oficiais, sargentos e praças, em tudo idênticos aos que na mesma altura por cá existiram com a mesma finalidade). Havia uma diferença entre os militares recrutados em Portugal e os que o eram em Angola e Moçambique: Os primeiros, descontado o período de instrução, cumpriam habitualmente dois anos e meio de comissão, podendo esse período de tempo ser dilatado em alguns meses devido a demora na rendição, enquanto os segundos cumpriam três anos, excluídos os seis meses de instrução. No meu caso, por dois meses não cumpri quatro anos, devido a espera de rendição. Filho de funcionários públicos destacados para Angola em 1947, nela nasci, cresci e, chegada a idade do cumprimento do serviço militar obrigatório, frequentei em 1969 o Curso de Sargentos Milicianos, que nesse ano albergou cerca de 600 instruendos. As recrutas do Contingente Geral eram muito mais numerosas, contando sempre com participação de brancos, negros e mestiços nascidos ou residentes no território, sem distinção. Os mancebos de S. Tomé recebiam instrução em Angola. Garanto que a angústia das famílias era igualzinha às da dita Metrópole… Tal como os oriundos de Portugal, muitos também foram vítimas da guerra. Vários meus amigos de infância e colegas de liceu morreram ou ficaram estropiados, como um meu familiar que, vítima da explosão duma granada, ficou cego e sem braços. Há que ser justo: não foram apenas os jovens metropolitanos e suas famílias os sacrificados pela teimosia e tacanhez de Salazar na defesa do tal Portugal do Minho a Timor e interesses das elites nacionais e estrangeiras. Abraço.

  20. anti pafioso Reis Magos . says:

    Presidente Soares ,dorme descansado e dorme com o orgulho de veres que a direita e a esquerda direita ,fascistas,pides ,colonos que apoiavam a escravidão não te perdoam o facto de teres lutado pela liberdade e pela democracia .que o lugar dos justos esteja guardado para ti . viva Soares ,25 de Abril sempre .

  21. Joaquim de Almeida says:

    Só dois reparos de quem antes do 25 de Abril também contribuiu na luta contra a situação (Nova Dimensão, Renascença, 1969/70).
    1 O erro de sempre de chamar “retornados” aos refugiados, já que mais de metade tinham nascido lá.
    2 Misturar Vietnam, quando se trata de uma situação completamente diferente.
    Só por isto, perdi o interesse em continuar a ler.
    Há que haver trabalho de rigor. Estou muito cansado de viver num “País de amadores”.


    • A situação do Vietnam era muito diferente (nada é “completamente diferente” de nada), mas a lição era a mesma: não há poder de fogo que permita vencer uma guerra de guerrilha sem o apoio, ao menos passivo, da população. E Portugal, ao contrário dos Estados Unidos, nem poder de fogo tinha.


  22. A parte que me impressiona é os haters da direita não terem um espelho para olharem para o seu partido.


  23. “Esteve quase, a Revolução Patriótica e Proletária: só Soares, esse traidor da Pátria ao serviço da CIA, se lhe atravessou no caminho.”

    Ramalho Eanes riu-se.


    • Ramalho Eanes ajudou, sem dúvida, mas não tinha ainda podser suficiente para que a sua ajuda fosse decisiva. Só tinha que lidar com os militares, Soares tinha que lidar com todos os poderes internos e todas as potências externas. A hora de Eanes veio mais tarde, quando fez da Presidência da República uma instituição, e um cargo, decente num país que queria decente. Ainda hoje o actual presidente vive dos rendimentos do capital político que Eanes criou. Nesta altura, sim, a sua acção pesou decisivamente. É um dos nossos heróis, mas não foi o herói do momento.


      • Não estou a comparar pesos de influência, apenas a discutir o “só Soares”. O 25 de Novembro teria sido muitíssimo diferente sem Eanes – e também Jaime Neves.


        • Então façamos a abordagem de outra maneira: com Soares, mas sem Eanes, poderíamos ter na mesma uma democracia. Mas com Eanes, ou qualquer outro dos outros participantes – com todo o mérito que não lhes nego – mas sem Soares não teríamos um regime democrático.


      • Nesta coisa de retornados o Eanes também tem algumas culpas? Senão vejamos! O Mário cozinhou o DC-Lei nº 80/77 o tal decreto referente às indemnizações. Mas vejam só a ato de magia? Indemnizou o Champalimond os Melos os expropriados da reforma agrária os gordos etc. Aqui é que começou o buzilis. Parece que os estou a ouvir, Ó Mário e os retornados? Não os jogaste aos tubarões E agora! Ó senhor general não há
        problema coloca-se mais um artigo no decreto e diz-se que quem nacionalizou é que tem de indemnizar. E assim foi! O decreto é o 80/77 e o artigo é o 40º assinado promulgado iº ministro e presidente da republica. e assim foi! Ditou-se a sorte de muitos retornados.

  24. Joaquim moreira says:

    Do nascimento à morte , somos responsáveis , por uma página da História . A História , não deve ser branqueada . Agrede-nos ou não , deve ser mantida , para memória futura . O povo português , tem direito à informação , faz parte do nosso patrimônio cultural . Não tenhamos o pretensão de destruír a História , como quem destrói gravações telefónicas , cujo conteúdo foi negado ao nosso patrimônio cultural , que em última instância seria arquivado Na Torre do Tombo .A História , e um Patrimônio da humanidade .

  25. David Estêvão Gouveia says:

    Wow o melhor que alguma vez li sobre o fim da ditadura e Mário Soares.

  26. Armando neves dos Inocentes says:

    Exm.º Sr. José Luiz Sarmento Ferreira:

    Quando não se tem conhecimento de causa escrevem-se barbaridades destas.
    Sem dúvida que parte da democracia portuguesa se deve a Mário Soares. Mas há um Mário Soares ante 25 de Abril e um Mário Soares pós 25 de Abril. Sobre isso nada argumentou…

    Quando disserta sobre a “elite local que se julgava cosmopolita e bebia whisky, beberricava gin tónico e assistia ao pôr-do-sol em clubes em que não entravam os pacóvios do serviço militar obrigatório” não refere os inúmeros portugueses que tinham pequenas e médias empresas, os que viviam do seu pequeno comércio ou os que eram funcionários do Estado. Como vê, é fácil generalizar… tal como é fácil escamotear os problemas locais levantados (quase todos os dias) pelos militares portugueses (os do serviço militar obrigatório e os milicianos e os oficiais em comissão de serviço)…

    Não sei se Mário Soares pisou ou não a bandeira portuguesa, não sei se Mário Soares mandou atirar alguém aos tubarões – ou não – mas dizer que “O homem fez o que pôde. A mais não era obrigado. E duvido que outro qualquer conseguisse fazer metade.” é POUCO! Porque é lindo (ou pelo menos politicamente correcto quando Mário Soares se encontra na situação em que está) enaltecer uma obra (mesmo que não o seja), difícil é, mesmo já a esta distância, reconhecer aquilo em que ele errou.

    Os meus cumprimentos.


    • Claro que nem todos os que lá viviam eram da elite. A elite é minoritária por definição. Muitos não frequentavam os clubes exclusivos, ficavam-se pelas pastelarias finas, e mesmo assim só nas ocasiões, por vezes raras, em que iam à cidade. Mas o que eu escrevi mantém-se, porque os pategos do serviço militar obrigatório nem nas pastelarias podiam entar sem serem olhados de soslaio. Talvez por serem rudes e das “berças”, como por lá se dizia. Ou por ainda trazerem colado ao corpo o cheiro da guerra.


    • Armando neves dos Inocentes – para mim um sacana não deixa de o ser pelo facto de estar morto ou moribundo!!!
      SACANA É SACANA, PONTO FINAL.


      • Os retornados deviam de se juntar! E em manifestação deviam ir a Bruxelas reclamar, do seu direito a serem ressarcidos! A Alemanha ainda hoje disponibiliza verbas para os judeus que lesou. Nunca é tarde.
        zapataxz@gmail.com

  27. Olímpia Fernandes says:

    Nada a acrescentar ao que está tão bem analisado e tão bem escrito. Apenas dar o meu inteiro apoio. M. Olímpia

  28. Nuno DDP says:

    Uau, andam aqui comentários, que colocam o Bochechas no Céu, ao lado direito de Jesus Cristo.
    Para mim será sempre um pulha de marca maior que vendeu o Ultramar aos comunas, cagando de bem alto para as pessoas naturais de lá (muitos brancos) em detrimento da escumalha tribal (MPLA, FNLA, UNITA) que tomou conta daquilo no dia 11/11/1975 – 2º dia da vergonha na História de Portugal.
    Mas claro, o apelo dos diamantes e do marfim falou mais alto.


  29. Efectivamente!


  30. “A DEMOCRACIA PORTUGUESA DEVE-SE A MÁRIO SOARES”
    Mas que raio de presunção!!!
    Mário Soares foi o único português democrata de antes da revolução, todos os outros nasceram ou foram convertidos depois dela!!!
    “Mas quem discordar desta opinião coloca-se na difícil situação de alvitrar um nome, ou vários, que constituam uma alternativa mais plausível”.
    Lembro-me, assim de repente, de dois nomes, FRANCISCO SÁ CARNEIRO e RAMALHO EANES.
    Ficam atrás de Soares em quê???
    Com a vantagem de não serem acusados de absolutamente nada, ao contrário do que se passa com o personagem que este artigo tenta endeusar!!!
    O primeiro argumento, está refutado, apontei dois nomes que:
    “E, se é difícil encontrar um outro nome ao qual se possa atribuir igual responsabilidade pelo actual regime, não é difícil encontrar dúzias de nomes igualmente plausíveis que podem ser responsabilizados pelas suas imperfeições.”
    “Em primeiro lugar, os retornados de África. Muitos deles acreditarão até à morte, ou para além dela se deixarem escola, que Mário Soares foi um traidor à Pátria, ao serviço do comunismo internacional, que vendeu as colónias – que eram viáveis, de acordo com a lenda”
    José Luiz Sarmento Ferreira, a forma como apresenta o assunto não é séria, muito menos ética!!!
    Em primeiro lugar o título conferido aos BRANCOS (na sua maioria) que tiveram de abandonar os actuais PALOPS está errado… um grande número deles, quiçá a sua maioria NÃO RETORNOU, pois são naturais dos países de onde foram expulsos, eles, os pais deles e muitos até à 4ª e mais gerações… tão angolanos, moçambicanos, etc como os cidadãos de cor desses países!!!
    Em segundo lugar o que eles acreditavam que era viável não eram colónias, eram países DEMOCRÁTICOS, com governos eleitos pela MAIORIA das suas populações através de eleições livres e limpas!!! E não países entregues por fsdp como mário soares e seus muxaxos aos grupos armados marxistas, uma pequena minoria que teve de recorrer ao apoio dos exércitos dos países vizinhos da cor (política) deles, depois de terem desarmado todos os outros cidadãos que não pensavam como eles!!!
    SEJA ÉTICO E HONESTO XÔR josé luiz sarmento!!!
    Os “pacóvios” EM CUJO NÚMERO ME INCLUO (lutei em Moçambique de Dezembro de 1971 a Fevereiro de 1974), aguentaram 14 anos a situação e aguentariam outros tantos, e lembre-se de uma realidade irrefutável, numa guerra de guerrilha tem supremacia o lado que tiver o apoio das populações, e como disse muito bem, o nosso lado era o de um paiséco de 10 milhões de habitantes que aguentou uma guerra em três frentes durante 14 anos sustentada por PACÓVIOS QUE LUTAVAM CONTRARIADOS, COMANDADOS POR MILICIANOS CONTRARIADOS E MILITARES DO QUADRO FARTOS DE GUERRA… se mesmo assim, só com TRAIDORES como o escroque que o xôr está aqui a querer defender é que se fez a tal “EXEMPLAR” descolonização!!!
    ESTAMOS FALADOS!!!
    Tínhamos tido tempo para criar países democráticos devidamente estruturados com governos democraticamente eleitos e que não atravessassem guerras fratricidas de décadas no pós independência!!!
    NÃO ACHA XÔR josé luiz sarmento???
    E por fim à sua afirmação “o homem, além de não ser de maiúsculas, nunca quis ser outra coisa que não fosse burguês.”
    Eu acrescentaria RICO… BURGUÊS RICO!!!

  31. Carlos Veloso says:

    A verdade é subbjectiva.Esta jornnalista não passou aqueles meses anntes da independência das colónias a ter não só os naturais das mesmas como a tropa portuguesa contra nós portugueses, sim contra nós. Quem era o dono da verdade universal? Esse ladrão que agora espera vez para falar com o São Pedro. Essa sennhora e outros parolos que tem escrito sobre a descolonização que investiguem TODOS mas todos os factos e não apresentem apenas um dos muitos lados da história, ok?


  32. Coneci, como já disse, Soares dsede meus 18 anos, seu paisim,grande republicano e democrata, foi meu diretor, estive presente no seu funeral. Sem ódios nem rancores, não estarei no de Mário, junto-me á sua familia na dor pela perda de um ente querido.

  33. Filipe Roque says:

    Correcto

  34. Antonio Almeida says:

    SUBSCREVO !

  35. António says:

    Pronto…Cheguei ao fim de ler a maior parte dos comentários. Afinal o que é que ficou ou o que aprendi? Que há mais que uma verdade consoante o ponto de vista. Assim sendo há exageros. O certo é que a guerra de Africa atormentava a Nação, principalmente quem via partir os filhos e que não via qual o sentido já que passavam os anos e a guerra continuava. Poucos falaram nos milicianos, que eram os que morriam, cujos capitães foram os cabeças, fizeram a revolta para acabar com a guerra no ultramar. Ao forçarem Portugal a atirar a toalha ao chão, os cabecilhas dos movimentos incharam o peito e fizeram duas coisas: poder e vingança. Não haveria politica que se lhe opusesse. Acalmar os ânimos em Portugal e colocá-lo nos carris já era difícil quanto mais a descolonização! Mas qual descolonização? Os portuguese não estiveram 400 anos em África? Não foi tempo suficiente para constituírem países politica e socialmente bem estruturados? Fizeram-no? Claro que não fizeram! Depois rebentou a guerra em 1961 e aqui d’El-Rei que a culpa foi de Mário Soares, que nem sequer era conhecido naquela altura! Mário Soares é político e não guerrilheiro ou general e só voltou a Portugal depois do 25 de Abril. A guerra fratricida que se seguiu em Angola é que originou a fuga dos portugueses de Angola e não Mário Soares.

  36. Mario Babo e Silva says:

    Essa é a verdadeira história de um verdadeiro democrata, so os reacionários Retornados com interesses instalados à custa de Mario Soares sao protagonistas de tamanha ingratidão, so não sei o porquê de não voltarem para as tão saudosas ex colonias, gente dessa raça dispensando, obviamente.

    • jose costa says:

      Deves também beber da mesma fonte para apoiares esse senhor. The lord of Marfim😁 and diamonds. E fundações que vivem as custas dos contribuintes. A culpa é dos colonos agora. A culpa do nosso país de estar assim e de pessoas como tu. Ou es militante ou um grande burroooo…. Também deves acreditar na inocência do Socrates😁

  37. carlos says:

    O filho da “mãe” nunca mais chega ao inferno !

  38. Carlos Ferreira says:

    Que democracia ?A única coisa que se pode dizer que é democrático é a opinião das pessoas mas para quem tanto rouba a opinião das pessoas é mais uma voz de um bairro .FAxismo inteligente sim ,que a pessoa é o pai dos ladrões isso sim é pura verdade


    • É uma democracia imperfeita, mas é uma democracia. Basta compará-la com os regimes ditatoriais de todas as cores que não faltam por esse mundo. E até, para quem se lembra, com o que Portugal era antes de 25 de Abril de 1974. Ao menos agora podemos denunciar os ladrões. Se as pessoas continuam a votar neles é porque querem, não porque a censura lhes dificulta saber que são ladrões.

  39. antonio machado says:

    Por culpa deste animal e outros como ele, tive que fugir da terra onde nasci, sò por ser branco !! quem è racista ?!!

  40. Diamantino Fernandes says:

    Este artigo está quase na perfeição da realidade sobre o MARIO SOARES, todos nós em alguma vez não estivemos de acordo com ele, e por vezes a imprensa dá informação menos verdadeira.

  41. Sónia Matias says:

    Tendo nascido numa época de liberdade, não me sinto com legitimidade para opinar sobre alguém que lutou contra um governo fascista, agiu contar a censura e sofreu para instaurar a democracia.

  42. Christopher John Hooley says:

    Vamos lembrar umas coisas feito por nosso herói.
    1962, o tratado de Lusaka. Quem sentou na mesa com os terroristas e entregou território “ultramarino” á eles? Quando alguém perguntou sobre sobre a gente o que que fazer com este gente o que que foi a resposta de Sr.Mário Suares- “deitam eles aos tubarões!” Quantos milhares morreram por causa desse attitude? E o que que foi feito pelo estado para salaresgatar esse gente? Como foram recebida cá em Lisboa com as portas do Banco Ultramarino fechadas a sete chaves contra eles?
    Mais recentemente há capitólos com “os de dentes de marfim, a tentativa de vender teremos ao estado para o aeroporto novo ente muitos outros. Democracia para Sr.Mário Suares era como um raposo no meio das galinhas!


  43. Os insultos e os apupos nos estádios de futebol portugueses, quando se deu um minuto de silêncio em memória de Mário Soares são uma afronta inaceitável.

    Não compreenderei mesmo, se os incidentes não forem objeto de sanções às equipas e aos estádios.

    • Paulo Só says:

      Inaceitáveis talvez sejam, mas infelizmente não incompreensíveis se nos lembrarmos dos 3 Fs: Fado, Futebol e Fátima. A que eu acrescentaria um quarto. Não é por acaso que este país aguentou o salazarismo 45 anos. Muitos portugueses aceitaram as benesses da democracia e da Europa, mas não a democracia e a Europa. Mas nem nisso somos muito originais: basta ver o que se anda a votar pela Europa e EUA.


      • Incompreensível será se nada acontecer em relação às punições que devem incluir multas pesadas e jogos à porta fechada, pela falta de civismo demonstrada pelos fãs e pelas claques. Punições exemplares!

  44. António Anastácio says:

    Que inveja que tenho de não ter sido eu a escrever isto. Conheço todos os factos, até participei como of. Miliciano na guerra, mas faltam- me talento e perspectiva para em tão poucas palavras escrever tanta História…Honra a Mário Soares. Viva ele para sempre, bem vivo, nas nossas memórias.

  45. Luis Andre says:

    A questao nao e essa , porque nao houve mais tempo para se fazer a ponte e as pessoas tiveram de fugir a pressa numa desorganizacso monumental ? Quais os bens da Fundacao Mario Soares deveriam ter origem nos Socialistas? Andou anos a dizer que era adepto do socialismo democratico e as tercas e quintas era Olof Palm social democrata ! Troca tintas que dizia o que lhe apetecia conforme a situacao lhe dava mais jeito dai os seus correloginarios concorrerem contra ele em eleicoes. Quem disse recentenente que o Socrates era vitima da Justica ? Se era amigo dele nao se pronunciava mantinha o segredo daquilo que lhe ensinou . Tudo resto de avo da democracia e lutar contra o comunismo aceito como um bastiao da independencia do pais .


    • Que eu saiba, a social democracia de Olof Palm e o socialismo democrático de Soares eram uma e a mesma ideologia. Não percebo onde é que se trocam as tintas, mas não é aí de certeza.

  46. Manuel Fernando Santos says:

    Nem todos os portugueses que estavam nas ex colônias eram o exemplo que retratou. Haviam muitas famílias que optaram por viver no ultramar português , de origem muito humilde, de raízes portuguesas , ligadas à agricultura e ao serviço público, que simplesmente ficaram sem nada, e regressaram de mãos vazias, sem absolutamente nada…
    É desses portugueses, dessa gente que se soube reerguer que presto a minha homenagem. Se é certo que era urgente acabar com a guerra, teria sido sensato descolonizar sim , .mas precavendo os portugueses que já tinham nascido lá, e que não tinham culpa de serem portugueses e brancos.

    • António Rodrigues Anastácio says:

      Confirmo que havia muitos portugueses que, mesmo depois do início da guerra foram para África (Angola) como colonos, a quem foram distribuídas terras e meios para iniciar uma actividade agrícola. Muitos outros trabalhavam como funcionários públicos, como bancários, ou em funções similares, tal com se o fizessem em Portugal. A questão é a de que eles deveriam ter interpretado o sentido da história, se não por capacidade analítica própria, ao mesmo vendo os exemplos da descolonização prosseguida por todos os países com colónias em África. Não perceberam nem tiveram quem os alertasse.
      Em 1970 o trabalho quase escravo ainda era uma realidade em Angola. Chamavam-lhes contratados, eram na sua maioria de etnia bailunda e vinham às centenas para as fazendas do norte de Angola, trabalhar seis dias por semana, de sol a sol, a troco de um salário de miséria, do qual era descontada a pouca roupa que lhes davam (vendiam), a alimentação, invariavelmente mandioca com uns feijões cozinhados em óleo de palma, algumas vezes com um pouco de carne de pacaça, mais o alojamento em barracões. O dinheiro sobrante permanecia na posse dos fazendeiros e era entregue aos contratadores no fim dos dois anos de contrato, para ser usado para pagar dívidas aos comerciantes que os contratados haviam assumido e que os obrigavam a fazer essas comissões.
      No fim de cada mês de trabalho recebiam 20 escudos, que davam, no limite para adquirir 4 cervejas.
      Que esperavam destas pessoas os brancos que viviam nas colónias, ou províncias ultramarinas, se alguns assim preferirem…
      E depois ainda se sentem autorizados a enxovalhar uma figura como Soares, como se não soubessem que internacionalmente a posição de Portugal era inindefensável e sem apoios, excepto da África do Sul e, talvez, de Israel, Como sabem que após o 25 de Abril não mais houve moral nas forças armadas para dar continuidade àquela guerra estúpida e injusta. Estive lá como combatente e não me envergonho de ter participado na guerra. Mas também não me envergonho..


    • Era preciso que isso fosse possível. A França teve 50 anos para precaver os franceses que já tinham nascido nas suas colónias e não conseguiu. O Reino Unido teve os mesmos 50 anos e conseguiu à tangente. Soares teve apenas dois, devido à estúpida teimosia de Salazar, que não quis começar a fazer, enquanto havia tempo. o que tinha que ser feito. Soares fez o que era possível, e até muito mais do que muitos acreditariam ser possível. Isto ninguém lhe tira, por maior que seja a força do ódio.

      • joão lopes says:

        o que alguns retornados escrevem,só ofende os proprios retornados,ate porque nota-se saudades do Salazar,e mais:os retornados das função publica,foram todos absorvidos pelo estado em Portugal…

  47. António Gomes says:

    Estranho casamento pelo ódio. Juntaram-se fascistas, comunistas, retornados, PNR e outros oportunistas.


  48. A “traição” de Soares e outros mitos sobre a descolonização portuguesa

    http://cei.iscte-iul.pt/blog/a-traicao-de-soares-e-outros-mitos-sobre-a-descolonizacao-portuguesa

  49. Carlos Martins says:

    A História de facto é um conto de fadas, onde cada um enaltece e dá cor aos personagens de acordo com a sua simpatia, ou fundamentado num desconhecimento total e profundo dos factos.
    Mário Soares nem estava em Portugal aquando da revolução dos cravos: residia em França com a família e chegou a Lisboa, APÓS o 25 de Abril, de comboio. Recordam-se??? Portanto, este senhor aliou-se a uma revolução, mas não foi um revolucionário propriamente dito. O mesmo não poderemos afirmar de Álvaro Cunhal.
    A descolonização de facto tinha que ser feita, mas não a todo o custo. Quando alguém se diz defensor da Liberdade e da Democracia, deve agir de acordo com esses valores.A sua ação primou por uma independência das ex-colónias sem qualquer tipo de salvaguarda dos Portugueses que aí residiam. Se até então os Portugueses aí residentes serviam para pagar impostos e serem portadores de um passaporte Português, então onde ficou o respeito pelos direitos liberdades e garantias desses Portugueses? Quem salvaguardou os seus bens, os seus direitos? Ninguém!
    As ex-colónias foram entregues sem qualquer tipo de salvaguarda e respeito por quem lá residia – tão Portugueses como os que habitavam na dita Metrópole. A Liberdade e Democracia ficou no caixote …. esquecida, renegada e ignorada. Afinal parece que os Portugueses que residiam nas ex-colónicas eram Portugueses de segunda categoria – tal como Salazar defendia. Afinal …. Salazar estava certo? Parece-me que sim, pois assim ditaram as ações desse e outros senhores.
    Estranho que Salazar seja tão condenado em muitos aspectos e depois …. afiguram-se ações de alguns indivíduos que tanto condenam o Salazarismo, com ações idênticas ou mesmo mais escabrosas.
    Hoje condena-se a ditadura de Angola. Condena-se a miséria em que o povo sobrevive. Condena-se e questiona-se de onde provém a fortuna de Isabel dos Santos. Façam-me rir!!! Isabel dos Santos existe porque houve um Mário Soares. A ditadura de Angola existe porque houve um Mário Soares. Sim! Se todo este processo tivesse sido conduzido de outra forma, certamente todos estaríamos numa outra situação.
    Volvidos 40 anos, após a independência das ex-colónicas, qual é a situação económico-social desses países no presente? Vivem melhor? Há liberdade e democracia? Direitos e deveres? Certamente que a resposta a estas questões se resume, em todas, a um “Não”.
    As ex-colónias estavam sob o domínio Português há 500 anos, certo? Bem …. o sul de Portugal foi território conquistado aos Mouros, certo? O Norte conquistado aos Espanhóis, certo? Devolvam igualmente esses territórios.
    Liberdade e Democracia! Palavras fortes e com elevado significado. Onde estava a Liberdade e Democracia quando questionam Mário Soares “O que se há-de fazer a esses brancos?” e ele responde “Atirá-los ao tubarões”? Pretendia-se um extermínio dessa raça? Um genocídio?
    De facto a memória é curta e a História é uma farsa construída, onde pululam falsos heróis mascarados por Liberdade e Democracia (da boca para fora). A História deveria saber distinguir Revolucionários de auto-proclamados revolucionários – o verdadeiro adjectivo seria infiltrado ou atrelado da Revolução dos Cravos.
    Há quem defina a mentira como uma verdade que se esqueceu de acontecer. Aqui a verdade aconteceu! Mas o tempo (apenas 40 anos) parece fazer esquecer a mentira. E assim se constrói História e os Heróis da Pátria. Tudo em prol da Liberdade e Democracia – da boca para fora!

    • joão lopes says:

      primeiro é mentira,Soares nunca afirmou isso(ou você acredita em tudo o que vem em jornais/facebook?),segundo,muitos retornados foram absorvidos pela função publica,terceiro,quem estimulou a guerra e a descolonização á pressa,foi o Salazar.Embrulha,ó PNR da treta…

      • Carlos Martins says:

        Aprenda a escrever, sem erros. Escreva Português de forma correcta. Depois fale comigo!

        • joão lopes says:

          quem não tem argumentos,fica mesquinho…já agora,o jornal o Diabo,é de pessima leitura,e pior portugues escrito…


    • A História faz-se pelos vencedores e não pela verdade. 😉


  50. Então e os recibos verdes, os contratos a prazo, o socialismo na gaveta, trazer de volta os que se piraram com o dinheiro, o fax de macau, a sua fundação com o dinheiro de todos nós…? Além de que a democracia se deve aos capitães de Abril e não a esse aproveitador de oportunidades… a sua única qualidade. Também a entrada impreparada na CEE foi um fiasco, como estamos agora a ver, mas a vaidade desse sr. era muito grande…


  51. Acho muito engraçado os que batem na Fundação Mário Soares como forma de ilustrar a má rês que ele foi. Entre estes, há diversas vozes de direita e do PSD em particular. Seria de esperar que estes se escandalizassem com outros gasto sumptuários semelhantes. Assim é? Claro que não. O objectivo aqui não é questionar o dinheiro mas sim fazer um ataque ad hominem.

    A longa e polémica história da Fundação do PSD-Madeira que o Governo não extinguiu
    26.09.2012 – 21:24 Por Tolentino de Nóbrega
    Fonte: Jornal Público
    Sede do PSD no Funchal ()
    O Governo não extinguiu a Fundação Social Democrata da Madeira, que está a ser investigada pelo Ministério Público (MP).
    O processo foi desencadeado por queixa do PND contra o presidente da instituição e líder regional do PSD, Alberto João Jardim, por suspeita de prática de crime de peculato, corrupção passiva e abuso de poder.
    O inquérito está parado há dois anos, pelo facto da Assembleia Legislativa da Madeira não ter autorizado, como tem solicitado o Tribunal Judicial do Funchal desde 2008, o levantamento da imunidade a Jardim. Uma prerrogativa específica dos deputados mas que o PSD alargou aos membros do governo regional na única revisão do Estatuto da Madeira, efectuada em 1991.
    Na denúncia ao MP, o PND afirma que a fundação, criada por Jardim com outros governantes e deputados do PSD, não cumpre as condições gerais da declaração de utilidade pública atribuída pelo governo, chefiado pelo líder do PSD-M. E alega ainda que, apesar de ter fins não lucrativos, tem, fazendo uso desse estatuto e dos respectivos benefícios fiscais, adquirido ao longo dos anos um vastíssimo património, obedecendo a sua gestão a estritos critérios de interesse partidário.
    Avaliada pelo Ministério de Finanças com nota positiva de 62,9%, a fundação comunicou, no âmbito do censo realizado por imposição da troika, que não recebeu qualquer apoio financeiro público directo entre 2008 e 2010.
    Segundos tais dados, a fundação tem um valor patrimonial tributário isento no valor de 3,825 milhões, correspondente a cerca de 30% do total da riqueza declarada. Criada em 1992 com um capital de 50 mil euros, o seu património passou a mais de 12 milhões em 2010, de acordo com o referido relatório, ou seja, registou um crescimento patrimonial de 25.325% nesses19 anos.
    Vasto património e um Rolls Royce
    O património da fundação integra 32 prédios, a herdade onde realiza a festa anual e uma vasta frota automóvel que inclui um Rolls Royce.
    Esses prédios estão arrendados ao PSD-M, que neles instalou mais de metade das suas 54 sedes locais. Mas o Tribunal de Contas não confirma o pagamento de rendas pelo partido para cuja conta bancária a assembleia regional transfere anualmente 2,9 milhões, proveniente da subvenção parlamentar.
    Tecnicamente falido, com o capital negativo em 3,4 milhões, o PSD-Madeira tinha em 2008 uma dívida de 4,5 milhões à fundação, a bancos e a fornecedores, apurou a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) na última apreciação das contas deste partido.
    “Sendo o PSD nacional o titular da personalidade jurídica, dada a norma constitucional que proíbe “partidos regionais”, todo e qualquer património do PSD/Madeira pertence àquele, podendo de tudo dispor a seu belo prazer. E como não se pode adivinhar o futuro, susceptível de qualquer comprometimento que não fosse do interesse dos autonomistas sociais-democratas desta Região Autónoma, foi entendido criar uma Fundação madeirense, para que um património criteriosamente construído na Região não viesse a ser lesado por razões exteriores à Madeira”. É assim que Jardim justifica a fundação, em recente edição do jornal do PSD-M, “Madeira Livre”.
    Há quase duas décadas colocada sob suspeita pela oposição regional, a FSDM, acusada de “burla fiscal e legal”, tinha sido antes objecto de uma acção judicial (inconclusiva) requerida ao Ministério Público pelo CDS/PP em 1992.
    Três anos depois também a UDP apresentou idêntica queixa, mas o processo acabou por ser arquivado. Uma investigação à fundação presidida pelo Jardim voltou a ser pedida pelo PS à Procuradoria-Geral da República, no dossier sobre corrupção na Madeira entregue a Pinto Monteiro em 2007.
    Negócios polémicos
    Entre outros negócios polémicos, está a venda da herdade do Chão da Lagoa, onde no domingo se realizou a festa anual do PSD-Madeira, no final da década de 90 à Fundação Social-Democrata pela Fundação Berardo.
    Na compra por esta efectuada em 1992 o conjunto de quatro parcelas, com um total de 726 mil metros quadrados, tinha ficado registado pelo valor patrimonial de 4.933 euros, ou seja, de 0,6 cêntimos por cada metro quadrado. Antes designada por herdade da Achada Grande, e situada entre a ribeira das Cales e o Poiso, na zona limítrofe a norte do concelho do Funchal, pertencia aos herdeiros de Gomes Loja, tendo, por dificuldades financeiras deste grupo empresarial, sido transacionada para a extinta Caixa Económica do Funchal e posteriormente para o sucessor BANIF. Adquirida pela Fundação do empresário José Berardo, accionista daquele banco, desenvolveu um projecto de reflorestação, financiado pelo Plano de Acção Florestal. O Ministério Público junto do Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal, por denúncia particular feita em 2007 contra o depósito de terras e alteração morfológica do prédio, está a investigar se houve violações ao licenciamento nas terraplanagens executadas para acolher as amplas zonas de comício e estacionamento na festa do PSD.
    Também não foi pacífico o processo de aquisição de alguns prédios pela FSDM, como a construção da sede na rua dos Netos. Foi o caso dos terrenos em Santo Amaro, no Funchal, onde foi construído o Centro de Conferências e Exposições da Madeira (CEMA), também propriedade da FSDM avaliada em 1,5 milhões de euros e local dos congressos e reuniões magnas do PSD-M.
    O prédio anexo ao Madeira Shopping, com 4,5 mil metros quadrados, custou 15 mil euros (75 mil euros), considerado muito abaixo ao preço de mercado. Segundo o Diário de Notícias funchalense, o negócio envolveu isenção de sisa, decidido por Paulo Fontes, então secretário das Finanças e simultaneamente membro do conselho fiscal da fundação, e implicou o realojamento pelo governo regional em bairros social de famílias que habitavam esta propriedade.
    Controvérsia também motivou o negócio imobiliário feito numa zona nobre de Santa Cruz. Segundo o referido diário, aquela a fundação de utilidade pública, sem fins lucrativos, comprou em finais de 2002 a Quinta Escuna por 448 mil euros (valor escriturado) e vendeu a propriedade com seis mil metros quadrados a um empresário ligado ao PSD pelo triplo (1,25 milhão de euros), numa operação isenta de impostos ao fisco para ambas as partes. Foi ventilada a hipótese de a câmara municipal instalar serviços no projectado empreendimento.
    Uma das últimas aquisições da FSDM foi a casa onde Jardim residiu durante 30 anos, no Quebra-Costas, para aí instalar um museu dedicado ao líder madeirense, com exposição das placas, medalhas e outros objectos oferecidos ao governante. A transacção por 140 mil euros ficou igualmente isenta de IMI e outros impostos.

    https://www.publico.pt/2012/09/26/politica/noticia/a-longa-e-polemica-historia-da-fundacao-do-psdmadeira-que-o-governo-nao-extinguiu-1564712


  52. Para acabar com mentiras e ódios cegos.

    Um pouco de História, da com H maiúsculo

    http://cei.iscte-iul.pt/blog/a-traicao-de-soares-e-outros-mitos-sobre-a-descolonizacao-portuguesa/

  53. Português says:

    Só tenho uma coisa a dizer: Esse porco já foi tarde. Pelos comentários que li aqui, ainda há muitos retardados que não conhecem a história. E a parte em que o artigo refere que não há registo de esse senhor ter dito a tão célebre frase que disse, está errado. Informe-se melhor antes de escrever certas afirmações.

  54. Horacio Moreira says:

    Sr. Sarmento Ferreira:
    Muito se poderá dizer sobre a vida de M. Soares: Quando se deu o 25 de abril, “este traidor”, desembarcou na Rússia, vestido à rigor de kezar! Que iria este criminoso fazer à Russia? só ele o sabia certamente,… (disputar o lugar de A. Cunhal)? À entrado do escritório que tinha em França, tinha um tapete com a bandeira nacional, onde limpava os sapatos diariamente. Morreu deixando uma grande fortuna aos herdeiros, … “ele” que dizia, lutar pela igualdade.
    Para se falar nas colónias portuguesas, é imperioso falar-se de Mousinho de Albuquerque e Gugunhana! Pernoitei na aldeia do “Bene”; homem de idade avançada, com cabelos brancos, rodeado das suas mulheres, disse-me orgulhosamente, ter sido macheleiro (carregador) de Mousinho de Albuquerque.

  55. Vitor de Carvalho says:

    Esse criminoso arrogante e malcriado arde neste momento no inferno.Fogo eterno para esta serpente!

  56. Paulo Marques says:

    Excelente forma de colocar a realidade. Sempre lutou pela democracia, primeiro contra o fascismo instalado e depois contra a tentativa de instalação de 1 ditadura comunista.
    Apesar de ministro dos negócios estrangeiros foi o Otelo e o MFA quem entregou as colônias aos soviéticos.
    Foi 1 herói português, provavelmente o maior do século XX.

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