Braga, o Medo e o Respeitinho


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A AUTO-CENSURA é mais tenebrosa que o MEDO?*
(o tema é mesmo supermercados)

Um grupo de cidadãos reúne-se em Braga (“a terceira cidade de Portugal“) para discutir a implementação em curso de (mais) um supermercado numa zona consolidada da cidade.
A dar eco deste debate sobre urbanismo e qualidade de vida na cidade está presente a Rádio Universitária do Minhowww.rum.pt

Na cidade, publicam-se os dois únicos jornais diários de todo o Minho, o Diário do Minho – de assumida inspiração católica, – e o Correio do Minho – assumidamente inspirado por quem quer que queira pagar.
Na terceira cidade de Portugal, nenhum dos dois jornais diários aqui publicados optou por dedicar um único parágrafo a um debate sobre urbanismo (mau urbanismo, na minha opinião).
Será porque a autarquia, convidada, declinou o convite para se fazer representar?
Ora, (e isto para quem acredita) nunca me foi ensinado que Jesus Cristo alguma vez se tenha acobardado ou, na presença dos poderosos, alguma vez se tenha curvado. Não sei se ser cristão ou católico é, por esta via, sinónimo de ser obrigatoriamente submisso ou cobarde.
Certo é, rezam os Evangelhos, que Jesus Cristo nunca deixou de falar nem nunca ninguém sequer ousou mandá-lo estar caladinho. As multidões não respeitem os sem voz.
Nem tampouco Jesus Cristo se auto-censurou – a pior forma de tortura a que o poderiam sujeitar, porventura.
Quando à postura do Correio do Minho, lá diz o povo (sempre sábio e soberano) “Na Terra, acima de Cristo, i$to”.
É compreensível e não há reparos a fazer, quaisquer.

Pena é. Os tempos são outros. Será possível tapar o sol com a peneira… quanto mais tempo?
Ah, já agora, parabéns à Rádio Universitária do Minho.

* publicado originalmente no Fórum Cidadania Braga, o mais amplo espaço de debate sobre Braga com quase 15.000 inscritos.

 

Comments

  1. Paulo Só says:

    Os tempos são outros? Os tempos são sempre os mesmos. É a mesma subserviência interesseira, de porta de igreja, de sempre. De vez em quando lá tem um 25 de abril, que anos depois dá com os burros na água. A questão do urbanismo em Portugal é uma vergonha que só vai acentuar-se com a autonomia municipal. Veja-se Sintra e Cascais, dois dos municípios mais ricos do país: afaste-se 200 metros do centro, onde vivem os turistas e os ricos, e é o caos. Por todo o lado o comércio local desaparece, as ruas se esvaziam, a insegurança cresce, a circulação de carros aumenta e assim por diante, e os nossos grandes gestores municipais, só têm olhos para as contas no banco. Quem se candidata a gestor municipal deveria ser obrigado a fazer um curso no estrangeiro. porque não é preciso inventar a roda, é só seguir os bons exemplos. A gestão municipal, com o país urbanizado que temos, é certamente uma das atividades mais importantes para o futuro do país, mas está nas mãos de uma maioria de patos-bravos e de toda a espécie de sujeitos que só têm uma lei: a do seu interesse imediato,

  2. Pedro says:

    Porque é que Braga é a terceira cidade do país? Acho que este tb é um debate interessante.

  3. Luís Teixeira Neves says:

    Só uma pergunta. O Miguel Bandeira ainda é vereador na CMB?

  4. Danimister says:

    Pergunta: A que horas se realizou tal debate?
    Pode parecer uma justificação descabida ou uma desculpa esfarrapada, mas caso tal iniciativa se tenha realizado pela noite dentro (acredito que terá sido o caso…), a ausência de um repórter em representação do DM explica-se facilmente: a opção Editorial existe, mas tal não se pode descontextualizar do facto de naquela redacção haver claramente falta de recursos humanos, designadamente para serviço após as 19:00 (excepções feitas aos jogos de futebol e às Assembleias Municipais), bem como falta de disponibilidade da gerência para pagar horas extraordinárias a quem preste tal serviço nocturno. O jornalismo é uma profissão nobre, mas os seus profissionais ao serviço do DM são, regra geral, pobres.

  5. Se a imprensa nacional definha e faz da auto-censura, a pior das censuras, o seu sustento, não podemos exigir da imprensa local, muito mais sujeita enquanto​ negócio à censura, pressões e ademais, aquilo que a própria profissão define como deontologia e mediação da realidade. Claro que depois, admiram-se… Eu próprio não consigo comprar um jornal para ler, o que era das minhas rotinas preferidas apesar de poder ler de borla online.
    Em Viseu, o presidente, esperto, pelo menos teve coragem e avançou e enfrentou, esclareceu, desmistificou, ouviu e tb calou.
    Sou insuspeito pq sou BE mas vale mais assim que fugir como no vosso caso.
    http://noticiasdeviseu.com/estacionamento-pago-no-centro-historico-agita-moradores-e-comerciantes/

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