QUADRA DO DIA

Jardins de lá ou de cá
Cardos do mar ou da terra
Põe-te a pau ó S. João
Ou vais perder esta guerra.

NÃO VOTAR NO PS NEM NO PSD

NÃO VOTAR NO PS NEM NO PSD

Recebi do amigo Ricardo a proposta de algum apoio a esta ideia e achei piada. Por mim diria mais alguns em quem não votar, mas não digo. Digo apenas que esta nossa democracia dá uma amarga vontade de rir. Ela só serve para fazer tudo o que é anti-democrático. Ironia das ironias! O povo em geral, ou uma boa parte do povo, e não só o nosso, não faz ideia do que é cidadania, não tem estrutura mental nem cultura político-social suficientemente sólida e transparente para saber o que quer ou o que lhe serve, do ponto de vista da organização social e política. Este o grande aproveitamento e o grande trunfo dos que ganham. Desta forma, essa coisa de se dizer que “o povo é quem mais ordena”, há muito que desabitou a minha esperança, e não passa, a meu ver, de uma gasta falácia mais ou menos demagógica. O povo não manda em nada e nunca mais lá vai. Por este caminho nunca será senhor de si. É notório que a sociedade está dividida, do ponto de vista da formação cultural e sócio-política em duas fatias principais: aqueles que sabem o que querem, que gostariam de uma democracia autêntica, aqueles que por ela lutam de forma consciente e conhecem as formas de lá chegar, e aqueles que não sabem nada, nem sequer sabem o que não sabem, mas pensam que sabem tudo. Infelizmente, estes últimos são maioria. Uma maioria tão distraída que nem se dá conta de que os dois partidos acima mencionados são um e o mesmo. O “bi” de bi-polarização está a mais. Há três décadas no poder sempre fizeram o mesmo, isto é, pouco ou nada fizeram em favor do povo e muito fizeram para se governar, para encher os seus bolsos e os dos amigos. De cima abaixo, o poder está infiltrado de broncos, medíocres e corruptos. Postos lá pelo povo, dizem. E o tal povo não vê, ouve dizer mas nem cheira. De quatro em quatro anos continua a pôr a sua cruzinha no mesmo local que vai ajudar à eterna missa, ou seja, à prossecução da sua própria desgraça. E fá-lo com o mesmo desplante, a mesma irresponsabilidade e o mesmo critério de fé e de acaso que põe no boletim do totoloto. E vem de lá com o peito cheio de ar, ciente da sua crença e da “força” da sua alavanca para mudar o mundo! A cabeça só serve para manter a dormir o que nasceu dentro dela. Pensar não faz parte dos nossos hábitos, nem da vontade desses senhores, para quem a estupidez é o seu sólido alicerce. Por isso, mesmo que ainda cheirem a merda, as políticas anteriores desses partidos (ou partido) não têm vergonha de encher a cidade de canforados cartazes dizendo, desde há trinta anos: “agora sim, agora é que vocês vão ver o que a gente vale”. E do alto da sua cultura, comandada pela igreja e pelo futebol, o povo aguarda sorridente o fim da festa. Após a contagem dos votos, vai para a cama dormir tranquilamente mais um sono de quatro anos, embalado no cândido sonífero:
ITE, MISSA EST.

                  (adão cruz)

(adão cruz)

A vê-los voar

A maioria dos funcionários da TAP é bem paga. Têm vencimentos bem acima da média nacional. Têm ainda um conjunto de regalias importante. Algumas justas, outras resultam apenas dos famosos “direitos adquiridos”. Mesmo assim, durante muitos anos, os conflitos laborais foram o pão-nosso de cada dia na transportadora. Até que, durante alguns anos, a administração de Fernando Pinto conseguiu repor alguma paz social na empresa. As coisas mudaram, entretanto.

Há alguns dias, o Correio da Manhã dizia que o presidente do conselho de administração da TAP recebeu mais de 816 mil euros em 2008. O salário passou, de 2006 para 2008, para o dobro do estipulado pelo estatuto remuneratório. Foram pagos prémios em atraso, disse a TAP.

Hoje, os sindicatos do sector vieram denunciar, em comunicado, a compra de 42 novos automóveis para directores da TAP. Uma compra que ocorreu alguns dias depois da administração da companhia aérea ter informado que não estão reunidas as condições para fazer revisões salariais.

A TAP diz que foram compradas 30 viaturas, que vieram substituir automóveis que já tinham muitos anos”. A substituição foi feita com “ganhos para a empresa”.

Claro que aqui a bota não bate com a perdigota. Se não há meios para aumentar vencimentos, pelo menos até ao último trimestre, também não deveria haver mudanças na frota. O bom senso assim recomenda.

A TAP encerrou o primeiro semestre do ano com prejuízos de 72,4 milhões de euros. Convém lembrar que são os impostos de todos nós que pagam a TAP.

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (8)

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (8)

Ao contrário do que o documento parece sugerir, a relação médico-doente não se põe em termos de educador e educando. A relação médico-doente é um fenómeno bem mais complexo e profundo, implicando a criação de uma confiança mútua, base indispensável do sucesso terapêutico. Perante um doente, o primeiro mandamento de um médico é não o prejudicar, seja de que forma for – “Primum non nocere”. O segundo mandamento impõe o empenho, a vontade e a sabedoria do médico na procura esclarecida de uma solução que satisfaça o doente e dignifique o acto médico. Qualquer doente tem o direito de saber pormenorizadamente os caminhos investigacionais e as decisões terapêuticas que sobre ele impendem. Todo o doente tem o direito de perguntar e saber o que tem. O médico não pode refugiar-se nas habituais frases: “Não lhe posso explicar porque você não percebe” , ou “ como quer que lhe diga se você não vai entender?”. Há pacientes que, embora não sabendo medicina, sabem mais do que nós de tudo o resto. Nunca o médico, pelo facto de ter na sua frente uma pessoa sofredora, fragilizada e, circunstancialmente, numa posição de dependência, pode ou deve usar argumentos prepotentes, imposições de cátedra, ou condutas redutoras da personalidade. A dor, seja ela física ou psíquica, esfarrapa o Homem, a dor despe até à nudez aquele que a sofre, dissolve a vaidade e coloca o Homem perante si mesmo. A dor é o detergente que embranquece o espírito e lava a memória. A dor é uma espécie de fronteira entre a vida e a morte, e perante ela ninguém tem vergonha de ser ignorante. (continua).

                     (adão cruz)

(adão cruz)

DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (11)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (11)

Vamos descer das planuras estrelíferas, vamos aproximando, aproximando a lupa, e vamos pousar nesta mão-cheia de terra habitada por uns bichinhos chamados homens. Vamos pensar à sua escala no Deus que eles criaram. Como pode esse Deus do amor e da justiça ter algum crédito quando permitiu que se cometessem, em seu nome, crimes e barbaridades como os da Inquisição, requintada de sanguinário espírito, a partir de altas decisões eclesiásticas como a Inconsutilem Tunicam, a bula Ad Extirpanda e mais tarde, o Santo Ofício, tudo, repito, em nome de Deus e para o serviço de Deus? Como pode aceitar-se um Deus que deixa os seus máximos representantes na terra fazerem alianças e concordatas com o nazismo e o fascismo, transformando-se em seus colaboradores e cúmplices, e elevando Hitler, Mussolini e Salazar, à categoria de confrades e profetas? Não é fácil aceitar-se um Deus justo quando não tem a coragem de aconselhar os seus ministros e servidores a pedir perdão pelo mal que fizeram aos povos do mundo inteiro, ao colocarem-se, nos momentos decisivos para a história da humanidade, ao lado dos ricos, dos poderosos e dos opressores. Permitirá um Deus omnividente que a sua imagem esteja a ser conspurcada e substituída, sempre com a cinzenta aceitação da Igreja, pela imagem do deus dinheiro, do deus da riqueza e da exploração implacável, com religião e liturgia próprias, simbolizando o progresso, a virtude e o bem, mas tornando impossível qualquer ponte entre o povo e os mercados financeiros, entre a justiça social e o sucesso do capital? Que raio de Deus autoriza, à cabeça da sua representação, Papas que perverteram o conteúdo humanista do cristianismo e ajudaram a matar a esperança dos povos numa sociedade sem exploradores nem explorados? (Continua).

                     (adão cruz)

(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Se a Irlanda é um calafrio
Ó meu rico S. João
Com tanta pedofilia
É uma dor de coração.

Linha de Leixões:

Ter razão!

No tempo devido (Junho, data do anúncio da introdução de passageiros na linha de Leixões – Ermesinde) a Câmara Municipal da Maia reclamou a necessidade de construção de um apeadeiro nas Arroteias/Pedrouços para ligar a linha de Leixões ao Metro no Hospital de S. João. É com alegria que vejo a CP atender essa reclamação justa que vai permitir ligar Pedrouços (Maia) e Ermesinde (Valongo) à linha do Metro e assim justificar o investimento que está a ser realizado:

«Linha de Leixões: comboios vão parar «à porta» do metro (fonte: ESTA)

Os comboios de passageiros da linha de Leixões vão efectuar paragens, a partir de 2010, junto ao hospital de São João, Porto, para facilitar a interligação com a rede de metro, revelou hoje o administrador da CP Ricardo Bexiga.

Um dos pressupostos que alicerçou a decisão politica de abrir a linha aos passageiros tem por base precisamente o objectivo de «potenciar a intermodalidade», sublinhou o gestor, em declarações à agência Lusa.

Além do apeadeiro nas imediações do Hospital de São João – que ficará ligado à estação de metro por uma via pedonal de cerca de 200 metros – será construído um outro junto à Efacec, em Leça do Balio. Otília Sousa, da CP/Porto, disse que estes apeadeiros estarão operacionais em 2010, «talvez em Maio».

A construção do apeadeiro junto ao Hospital de São João foi reivindicada em Junho pela Câmara Municipal da Maia, que defendia este e outros ajustamentos no projecto como forma de criar um transporte público alternativo «em zonas onde vivem largas dezenas de milhares de pessoas e onde o Metro não chega».

F.C. Porto – A Vencer desde 1893…

Enquanto o “Jacques” não foge, e agora que começou a época a sério, aqui fica mais um exemplar para a vitrina do F.C. Porto:


supertaça

Falando de democracia: A rebelião das massas

La rebelión de las masas, é a obra mais emblemática do grande pensador espanhol José Ortega y Gasset (1833-1955). Foi publicada pela primeira vez em 1930 na Revista de Occidente da qual Ortega y Gasset era fundador. É uma obra de uma extraordinária profundidade, onde surge o inovador conceito de «homem-massa». Sendo que este ser humano que recusa a originalidade, proclama a vulgaridade como valor, elevando-a mesmo a categoria suprema. Porém, não me vou embrenhar no labirinto da sua filosofia, pois corria o risco de, como costuma acontecer nos labirintos, nele entrando, não saber como sair. A não ser que, como Teseu, usasse um novelo de Ariadne, para encontrar a saída. Pelo sim, pelo não, faltando-me o tal novelo, fiquemo-nos pelo empréstimo do título.
Um dos pressupostos revolucionários que nos chegam, vindo do século XIX, é o do papel revolucionário das massas. Está por provar que essas massas proletárias, nomeadamente os operários e os camponeses, contenham implicitamente a carga revolucionária que, não digo os teóricos, mas os activistas políticos lhes atribuem. Não me lembro de nenhuma destas revoluções que se verificaram no século XX (para não irmos mais atrás) ser liderada por um proletário – Lenine nasceu numa família da classe alta, Estaline foi um seminarista, Mao um bibliotecário filho de camponeses abastados, Fidel um advogado proveniente de uma família importante de Havana, «Che» um médico… Não estou a lembrar-me de nenhuma revolução liderada por um camponês ou por um operário. As massas não produzem os seus líderes, eles vêm da aristocracia ou das instituições escolares da burguesia, onde recebem a formação e ganham, inclusive, a consciência de que é necessário extinguir a injustiça social que os beneficiou. Mas as massas são sempre invocadas – Não disse usadas –(ainda). É em seu nome que as revoluções se fazem.
A ideia não é nova.
Fernão Lopes descreve-nos, com a sua linguagem viva e colorida, a maneira subtil como, num dia de Dezembro de 1383, o Mestre de Avis e o seu partido (aliás liderado por Álvaro Pais, um burguês – «homem honrado e de boa fazenda») – após terem morto o Andeiro, tentaram manipular o povo de Lisboa: «Os outros quiseram-lhe dar mais feridas, e o Mestre disse que estivessem quedos e nenhum foi ousado de lhe mais dar. E mandou logo Fernando Álvares e Lourenço Martins que fizessem cerrar as portas que não entrasse nenhum, e disseram ao seu pajem que fosse à pressa pela cidade bradando que matavam o Mestre, e eles fizeram-no assim.» Como se vê, o papel distribuído aos mesteirais e arraia-miúda na conjura foi o de comparsas, o de figurantes. Sabia-se que a multidão, supondo o Mestre em perigo, acorreria ao paço, impedindo que sobre ele se exercessem represálias pela morte do conde de Andeiro. (Se fosse hoje, o Mestre esperaria pela hora dos jornais televisivos para fazer a comunicação). Assim aconteceu, o povo acorreu de todos os lados, ameaçou incendiar as portas e só se aquietou quando D. João surgiu a uma janela, agradecendo as delirantes aclamações da multidão e pedindo aos populares que regressassem a suas casas, pois «não havia deles mais mister», ou seja, cumprido o seu papel, podiam abandonar a cena. Foi a partir daqui que o plano tão bem urdido por Álvaro Pais falhou – a população amotinou-se, linchou o bispo de Lisboa que, recusando-se a mandar tocar a rebate os sinos da Sé, foi considerado implicado na suposta conspiração contra a vida do Mestre. A insurreição alastrou e dificilmente se conseguiu evitar o assalto às casas dos judeus e dos ricos da cidade. Como um grande incêndio começado por uma brincadeira com fósforos, a intriga palaciana deu lugar a uma Revolução difícil de controlar.
Mais próxima de nós, a Revolução Francesa mostra-nos igualmente como a burguesia ilustrada, impaciente por tomar o lugar da moribunda aristocracia, se serviu das massas populares, envolvendo-as numa trama onde esperavam ser protagonistas, reservando ao povo o habitual lugar de figurante. Sob o barrete frígio da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ocultavam-se interesses económicos e ambições políticas da emergente burguesia. Sabemos o que aconteceu. O animal tomou o freio nos dentes e muitos dos que esperavam tomar o poder, ficaram com a cabeça cortada. Só Napoleão conseguiu domar a fera enraivecida. Quando se envolve o povo, as massas, numa revolução e se diz que ele é o protagonista, existe sempre o perigo de que ele acredite.
Em Portugal em 25 de Abril, os feiticeiros das diversas tribos convocaram também o grande Manitu, o povo. Este acreditou que ia mesmo tomar o poder e durante 18 meses foi o que se viu – Manifes todos os dias, greves, saneamentos… Em 25 de Novembro, lá veio o Jaime Neves e as suas chaimites, «restabelecer a ordem» e repor a «normalidade». Contudo, o axioma de que a História se repete, tem que se lhe diga. É pouco ou mesmo nada científico. Porque quem defende esta tese, se refere aos pormenores e aí dificilmente terá razão. Mas este truque de invocar o povo não é um pormenor. E aí, sim, a história repete-se. Sempre que o povo acredita que estão a falar com ele e não apenas em seu nome, avança e derruba os tronozinhos dos santos que encontra pelo caminho. Como os actores que representam sem ter estudado o papel, é gente que, não tendo lido os manuais, os teóricos, os grandes filósofos, não sabe como comportar-se em cena e às vezes até dá cabo dos cenários. Ignora o que deve fazer nas revoluções, mesmo naquelas em que supostamente é protagonista – o papel destinado às massas tem sido o de seguir os grandes líderes, quer eles se chamem Bolívar ou Fidel, D. Pedro de Bragança ou Robespierre, Lenine, Mestre de Avis ou Hugo Chávez. E não há maneira de o povo aprender…
Querendo evitar-se a balbúrdia de verões quentes, a chamada «democracia representativa» foi criada para impedir que as massas intervenham na cousa pública, metendo o nariz onde não são chamadas. A democracia representativa é uma espécie de democracia asséptica – ama o povo, mas não lhe suporta o cheiro. Portanto, cidadãos, «metam lá o papelinho dobrado em quatro quando nós dissermos, mantenham os impostos em dia, e deixem o resto connosco. Deixem a política para os políticos», como dizia o outro.

Charles Manson matou há quarenta anos

charles manson

Foi há quarenta anos que a “família” de Charles Manson assassinou Sharon Tate e alguns convidados, na casa de Tate e do marido, o realizador Roman Polansky, que se encontrava a filmar em Londres.

Foi uma chacina brutal efectuada por quatro seguidores de Charles Manson, um psicopata que dizia ter encontra uma mensagem numa canção dos Beatles, abordando uma guerra racial, que pretendiam espoletar. No dia seguinte voltaram a matar. Foram presos e cumprem penas de prisão perpétua.

No auge do “flower power” e do “make love not war”, um grupo de loucos decidiu ficar para a história. E com sucesso. O caso continua, passadas quatro décadas, a merecer a atenção de muita gente em todo o mundo.

Hoje, o DN aborda o assunto, num texto breve mas bem construído. Quem pretender mais detalhes, pode encontra-los no Trutv.

Cartazes Autárquicas, Arcozelo, Gaia

(A explicação desta iniciativa.)

Arcozelo, Gaia

Arcozelo, Gaia

Domingos Salvador, Mia
Fernando Figueiredo, PS

Nuno Chaves, Arcozelo, Gaia na Frente

Nuno Chaves, Arcozelo, Gaia na Frente

F.C. Porto

fcp2009.10

Entram já hoje em acção as primeiras labaredas do Dragão para a época 2009/10!

E quem não é Dragão o melhor é começar já a fugir!!!

Um novo partido morto

Apareceu agora em forma de novo o “velho Pro vida” !

Está contra o aborto, contra o preservativo, contra os casamentos entre homossexuais, contra a eutanásia, não será este o tal “Partido do contra” de que ouvi aqui falar?

O que me chateia é que para eles serem “pro vida” eu terei que ser “pro morte” o que é uma coisa longe da verdade, eu não penso como eles porque estou convencido que o que defendo é a bem das pessoas e das suas vidas.

Ser pro vida é ser a favor das pessoas e da vida? Nem por sombras e não vale a pena relembrar os argumentos que já foram esgrimidos e que são maioritários na sociedade.

O nome que utilizam é discriminatório e injusto, porque coloca os seus mentores no lado da vida e, os que não pensam como eles no outro lado, que é um lado onde ninguem quer estar. O lado da morte!

Se um aborto não se faz em condições sanitárias e médicas e morre a mãe, é pro vida ?

A eutanásia que apenas apressa a vinda “da maldita” e evita tanto sofrimento, é pro morte?

Eu não gosto do nome destes senhores e senhoras, acho mesmo que é contra a constituição .Não podem catalogar-me pelas minhas ideias, atirando-me para o inferno.

Estas senhoras têm “papel passado” por Deus para decidirem o que é vida e o que é morte?

Cartazes das Autárquicas (Mafamude, Gaia)

Laura Santos, PS Mafamude

Laura Santos, PS Mafamude

Laura Santos, PS, Mafamude, Vila Nova de Gaia

Fernando Vieira, Gaia na Frente, Mafamude, Gaia

Fernando Vieira, Gaia na Frente, Mafamude, Gaia

Fernando Vieira, actual Presidente, Candidato Mafamude, Gaia na Frente

As listas

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Sempre que há eleições em Portugal, a polémica com as listas é sempre uma constante.

Temos visto, nos últimos dias, problemas nas escolhas dos candidatos.

Infelizmente costuma ser um hábito, os políticos mudaram-se do seu distrito de origem para outro mais conveniente e onde a sua eleição seja mais garantida.

Qual a consequência de tudo isto? Vamos ter políticos que deveriam defender o distrito por onde forem eleitos mas que nem sabem quais são os problemas reais.

No Porto, por exemplo, Miguel Frasquilho faz parte da lista do PSD, mas não se conhecem ligações ao distrito.

O mesmo se pode dizer de Ana Paula Vitorino do PS que sai da lista alfacinha para a do Porto.

O que dizer de Manuela de Melo que passou para a lista de Lisboa ou Francisco Assis que se mudou para o distrito de Leiria.

Depois há igualmente os filhos de políticos que também nas listas.

Luís Filipe Menezes (filho) ou Nuno Encarnação, filho do presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, são apenas alguns dos exemplos.

Bem sei que tudo isto é legítimo… mas não será tudo isto reprovável do ponto de vista moral.

SNS – O Serviço Nacional de Saúde de Obama

O Presidente OBAMA tenta o que muitos já tentaram e não conseguiram. Criar um SNS no país mais rico . Onde há 50 milhões de pessoas sem seguro de saúde,  todos os dias 14 mil perdem o seu seguro de saúde.

Há 97 anos que os sucessivos presidentes tentam uma reforma do sistema nacional de saúde . Harry Truman, em 1945, foi o único que obteve uma proposta concreta.

Os USA gastam 16% do PIB em saúde enquanto Portugal gasta 10% e , no entanto, a Organização Mundial de Saúde diz que Portugal tem o 12º melhor resultado enquanto os USA estão em 37º. Os europeus vivem mais tempo e têm taxas mais baixas de mortalidade infantil.

Os interesses económicos ligados às seguradoras têm impedido esta reforma, e os altos valores dos seguros pagos pelas empresas americanas estão a minar a competitividade da economia.

Os republicanos opõem-se ferozmente a esta reforma porque sabem que se Obama a conseguir implantar assegura um trunfo político poderoso e que irá ter consequências profundas em outras reformas fundamentais.

43% das pessoas com doenças crónicas e com seguros de saúde não conseguiram ter acesso aos cuidados de saúde de que necessitam. Dois terços dos que abriram falência fizeram-no porque não conseguiram pagar os custos de saúde embora pagando seguros de saúde.

Se os Democratas conseguirem a reforma da saúde , irão gozar de uma popularidade que poderá ter repercussão na próxima geração, mantendo afastados do poder os Republicanos por muitos anos, tais são as consequências favoráveis na vida dos cidadãos americanos.

PS: Expresso, de 7/8

Cartazes das Autárquicas em Gaia

(iniciativa explicada aqui)

O Aventar tem mostrado à Blogosfera alguns cartazes relativos às eleições autárquicas, com especial destaque para a área do Grande Porto.
Hoje vinha apresentar uma forma especial de fazer política – o método LFM.
O método LFM é do tipo “Eu sou o maior e por isso nem sequer preciso de fazer campanha”.
A coligação Gaia na Frente (PSD + CDS) não tem qualquer cartaz relativo à Câmara Municipal – segundo a Presidência apenas haverá campanha depois das Legislativas.
Por enquanto, nas ruas podemos ver dois tipos de cartazes:

Cartaz Vazio

Cartaz Vazio

Campanha?

Campanha?

E estes últimos estão presentes em tudo quanto é lado.
Há obra? Há sim senhor!
Mas…

A minha conversa com a candidata à Junta de Freguesia de Fânzeres

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Ontem tive de vir ao Porto, e ficar todo o dia em casa, naquela que foi uma breve interrupção das minhas férias.
A meio da manhã, estava muito descansado a ler o jornal na esplanada de um café daqui da beira (sim, em Rio Tinto há esplanadas), quando se abeira de mim uma simpática senhora com um magote de folhetos amarelos. Era a candidata à Junta de Freguesia de Fânzeres pelo Partido Socialista, Fernanda Vieira. Abordou-me e apelou ao voto na sua candidatura.
Perante tanta simpatia, senti-me desconfortável por ter de lhe dar duas tristes notícias: em primeiro lugar, que não voto em Gondomar mas sim no Porto; e em segundo lugar, que no sítio onde estávamos a conversar era Rio Tinto e não Fânzeres.
Seguiu-se uma breve conversa sobre os principais problemas da freguesia. Pedi-lhe que, se fosse eleita, tivesse sentidas preocupações com os peões e com a vergonha do estacionamento em cima das passadeiras e em cima dos passeios. Concordou comigo, claro, nem se esperava outra coisa. Pedi-lhe ainda que, se fosse eleita, fizesse melhor trabalho do que o PS nacional que está no Governo. Omito a sua resposta por não lhe ter pedido autorização para publicá-la.
E lá foi embora a candidata do PS à Junta de Fânzeres. E lá continuei eu a ler tranquilamente o meu jornal.

Cartazes das autárquicas (St.ª Marinha, Gaia)

(A explicação desta iniciativa)

Fernanda Almeida (PS, St.ª Marinha, Gaia)

Fernanda Almeida (PS, St.ª Marinha, Gaia)

Candidata do PS, Fernanda Almeida

Joaquim Leite, "Gaia na Frente" (St.ª Marinha)

Candidato da Coligação “Gaia na frente” e actual Presidente da Junta, Joaquim Leite

Morreu Raul Solnado

Um dos maiores comediantes nacionais, Raul Solnado, morreu hoje às 10h50, aos 79 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Raul Solnado

Nasceu em Lisboa, a 19 de Outubro de 1929. Começou como actor amador, no Grupo Dramático da Sociedade de Instrução Guilherme Cossul, em 1947.
Profissionalizou-se em 1952 e lançou uma carreira como artista de variedades e teatral.

Em 1960 adapta para português "A Guerra de 1908", de Miguel Gila, e, em 1961, interpreta-o na revista "Bate o Pé", no Teatro Maria Vitória. A edição em disco, em conjunto com "A história da minha vida", bateu ecordes de vendas.
A sua passagem pela televisão ficou marcada pelos programas "Zip Zip", "A Visita da Cornélia" ou ainda "O Resto São Cantigas".

Raul Solnado fez-me rir com as suas histórias. Obrigado.

Cartazes das Autárquicas de tempos idos

(explicação da iniciativa aqui)
mafra
José Romano, PS, Mafra (Autárquicas 2005)
(via devaneios de gozões)

Amigos dos Correios

Edíficio que foi dos CTT - Coimbra

Deixo um conselho, gratuito, destas vez aos caros socratistas empenhados em pegar no processo CTT para tramarem o PSD: não se metam nisso. É um facto que a tendência é para o PSD sair queimado mas o PS é no mínimo chamuscado. Ou não seja o arguido Luís Vilar parte da actual Comissão Técnica Eleitoral Distrital de Coimbra do Partido Socialista.

Como se lê no JN sobre a TCN em cada operação, tinham o cuidado de estabelecer movimentos concertados junto da oposição (PS), proporcionando a todos, directa ou indirectamente envolvidos, remunerações…!”.

Além disto e como podem observar, a cor do edifício pode ser enganadora mas ao passar nas televisões é capaz de mexer no subconsciente do eleitorado.

Mais independentes nas listas do PS

Maria Rosário Carneiro

O Ricardo Alves localizou duas personagens que voltam a deputadas pelo partido de Sócrates: “duas senhoras que votam sistematicamente à direita, senão mesmo à extrema-direita, continuam por lá. A Rosário Carneiro é a número seis pelo Porto, e a Teresa Venda a terceira por Braga.”

Para os mais distraídos “o currículo destas duas damas, que começaram a ser eleitas pelo PS em 1995 (Guterres, lembram-se?), inclui votarem favoravelmente a homenagem parlamentar a um bombista de extrema direita, votarem contra a despenalização da IVG, tentarem punir quem «incentivasse o aborto através da publicidade», votarem contra a procriação medicamente assistida, moverem-se contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, contra o divórcio, enfim, contra tudo o que signifique a liberdade das pessoas decidirem sobre a sua própria vida.”

Não deixa de ser curioso que, após o afastamento de quem dentro do Grupo Parlamentar do PS votou por vezes à esquerda contra as ordens do Chefe, estas representantes da democracia-cristã no seu pior prossigam sorrateiramente a sua carreira parlamentar.  Sempre podem dar uma ajuda, servindo de ponte se o PS precisar dos votos do PP.  Já Miguel Vale de Almeida encontrará certamente  nestas suas novas colegas companhia para  trocar umas ideias sobre igualdade de género. Até porque o seu voto pode muito bem chegar para impedir uma lei sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

DESCANSA EM PAZ


O TEATRO ESTÁ MAIS POBRE.
ESTAMOS TODOS MAIS POBRES.
A minha juventude, e a de muitos como eu, foi marcada pelo teu humor.
Tornaste-nos a todos mais ricos, primeiro com os teus monólogos, depois com toda a tua carreira.
Que saudades vamos todos ter de ti.
O teu legado perdurará para sempre em todos nós.
Descansa em paz, Raúl Solnado.
(Neste blogue pode ver e ouvir muitas das maravilhas que Raúl Solnado nos deixou, na coluna da esquerda, em baixo em, PARA VER E PARA OUVIR)

«Posts» históricos da blogosfera

(rubrica sem carácter regular que se inicia hoje)
«UM ESCLARECIMENTO AO SR. DANIEL OLIVEIRA: O sr. Daniel Oliveira, que eu tenho o desprazer de conhecer, resolveu publicar um post no Blog de Esquerda onde me enfia caridosamente na extrema-direita. Não vou, obviamente, comentar o facto: o sr. Daniel Oliveira é radicalmente analfabeto e julga que todos aqueles que não partilham o seu mau-carácter estão necessariamente à direita dele e do atoleiro ideológico onde ele vive e sobrevive. Um atoleiro que, convém esclarecer, o sr. Daniel não gosta de alardear em público – e recordo, a própósito deste facto, a forma trémula como a criatura, na primeira sessão do afamado «É a Cultura, Estúpido!», me implorou para não fazer qualquer referência à sua embaraçosa militância no Bloco de Esquerda, esse belo grupelho cuja constituição heterogénea o Daniel manifestamente despreza. Respeitei o pedido porque acreditei que lidava com um cavalheiro leal. Puro engano. O cavalheiro não é leal e a sua manifesta personalidade de verme impede qualquer discurso civilizado. A partir de hoje, as minhas conversas com o sr. Daniel Oliveira terminaram. E agradeço que a organização do «É a Cultura, Estúpido!» tenha a caridade de enxotar a criatura da minha presença. Caso contrário, boa noite e até à próxima. JPC.»
João Pereira Coutinho, in «A Coluna Infame», 6 de Junho de 2003

Este «post» de João Pereira Coutinho ditou o fim do «Coluna Infame». Os outros dois autores do blogue, Pedro Mexia e Pedro Lomba, responderam com um outro «post» a defender Daniel Oliveira e João Pereira Coutinho saiu. Foi decidido, pelos outros dois, suspender ali mesmo a sua publicação.

Até um dia…

RaulSolnado

Raúl Solnado deixou, ao final de hoje, o mundo dos vivos.

Em minha opinião era um dos maiores humoristas que Portugal teve em toda a sua história.

Lembrar Raul Solnado é igualmente trazer à memória programas como o “Zip Zip” ou “A Visita da Cornélia” ou a participação em filmes sérios como “A Balada da Praia dos Cães”.

Mas quem é que nunca ouviu o disco em que ele retrata a sua ida à Guerra de 1914/18.

Até sempre Raúl!

Raul Solnado perdeu a última guerra

raulsoln

Era uma vez um país tão triste que ficávamos a olhar para um gira-discos de onde saía a voz do homem que nos contava a estória da sua vida e da sua mãe que tinha ido a Évora, as suas andanças por uma guerra onde se trocava armamento com o inimigo, era uma vez um país onde Raul Solnado foi um extraordinário actor de tudo, e sobretudo um humorista como só voltámos a ter outro chamado Herman José.

Hoje o nosso país tem razões para voltar a estar triste: morreu o Raul, e com ele a memória do tempo em que o humor se fabricava na rádio e no teatro de revista, furando entre os dedos da censura, um humor de areia para quebrar engrenagens.

Obrigado pelo que nos deste. Quem não conhece a obra que fica, pode ouvir aqui um bocadinho:

http://endrominus.wordpress.com/files/2009/08/endrominus063.mp3

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Falando de democracia: Da luta das sufragistas aos nossos dias


«Bem-vinda Christabel Pankhurst», dizem os cartazes que estas senhoras exibem num dia do frio Inverno londrino, no já distante ano de 1909, há cem anos, imaginem. Christabel é uma das senhoras da frente, a que tem um chapéu envolvido por uma écharpe branca. O que queriam estas mulheres, visivelmente das classes mais favorecidas, o que reivindicavam elas? Uma coisa tão simples como direito de voto.
A desigualdade entre homens e mulheres, sobrevivera à democracia grega (onde elas não tinham quaisquer direitos), não melhorara durante a Idade Média. Não se diluíra com o humanismo renascentista e o século das luzes apenas lhes deu algum protagonismo no palco da cultura. Na Revolução Francesa as «cidadãs» lutaram ao lado dos homens (e foram guilhotinadas em perfeita igualdade de circunstâncias), mas logo o Império as remeteu de novo para a cozinha ou, no caso das burguesas e aristocratas, para os salões, bordando, tocando piano, recitando poesia e cantando nos serões. Veio a Revolução Industrial e lá foram elas malhar com os ossos nas fábricas com salários ainda mais miseráveis do que o dos seus companheiros. A Revolução de Outubro, no plano prático, também não aplainou grandemente as desigualdades. Mas, já vou em 1917. Voltemos atrás, a 1905, quando Christabel e sua mãe Emmeline Pankhurst (1858-1928) interromperam um comício do partido Liberal, fazendo perguntas incómodas sobre os direitos das mulheres. Christabel(1880-1958) nasceu em Manchester, filha de Richard Pankhurst, um advogado, e da sufragista Emmeline.
As sufragistas eram frequentemente presas, acusadas de desacatos e de outros crimes – alcoolismo e prostituição, entre eles, calúnias com que as tentavam desacreditar. Em todo o caso, havia quem acreditasse e, não raro, quando desfilavam empunhando orgulhosamente os seus estandartes e dísticos, nos passeios, mulheres do povo, pelas quais elas principalmente lutavam, lhes gritavam o equivalente a: «Vão coser meias!». Não faltava quem fosse mais longe e lhes chamasse «putas» e «bêbedas». Nas prisões onde as condições de higiene eram mais do que precárias, faziam greve da fome. Eram hospitalizadas, alimentadas à força e voltavam para a prisão. Mãe e filha, dedicaram as suas vidas à causa do sufragismo. Emmeline, no ano em que morreu (1928) teve a alegria de ver consagrado na lei britânica o direito de as mulheres votarem em pé de igualdade com os homens.
E em Portugal?
Em Portugal, destaca-se um nome: Ana de Castro Osório (1872-1935) que terá ficado conhecida sobretudo por ser uma pioneira da literatura infanto-juvenil. Casada com um tribuno republicano, Paulino de Oliveira, publicou em 1905 «Ás Mulheres Portuguesas», obra considerada como um manifesto do movimento feminista. Fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, criada oficialmente em 1909, no mesmo ano em que Christabel surge na foto acima. A propósito, um ilustre republicano, um democrata, terá comentado – «Causa patrocinada por senhoras, é causa vencida!». Proclamada a República, Ana prosseguiu a sua luta, pois o novo regime foi tímido no reconhecimento da igualdade de géneros. Foi consultora de Afonso Costa, ministro da Justiça do Governo Provisório, aconselhando-o na elaboração da Lei do Divórcio, promulgada em 3 de Novembro de 1910, menos de um mês depois da Revolução. Esta lei, pela primeira vez no nosso País, concedia à mulher os direitos dados ao homem, no que se referia aos motivos do divórcio e à tutela dos filhos. E novas leis foram sendo aprovadas, baseando o casamento no princípio da igualdade, deixando a mulher de dever obediência ao marido e passando o crime de adultério a ser julgado de igual maneira, fosse cometido pela mulher ou pelo marido. Tudo isto hoje nos faz sorrir, pois parecem-nos questões ultrapassadas. Mas há cem anos estas medidas foram recebidas com sorrisos de outro género, com aqueles com que se acolhem as utopias. O machismo lusitano, mesmo entre os mais ferozes adeptos da República, recusava-se a aceitar esta igualdade legal que lhes parecia contra natura – ora uma mulher pode lá ter os mesmos direitos que um homem! E rematavam com um aforismo do género: «Onde há galos, não cantam galinhas!». Isto entre copadas de champanhe ou de tinto, e fumaças de Romeo y Julieta ou de tabaco de onça.
Indiferentes ao cepticismo, as heroínas prosseguiam a sua luta. Em 1911, as mulheres ganham o direito de trabalhar na Função Pública. Antecipando-se à lei, a médica Carolina Beatriz Ângelo, viúva e com filhos a seu cargo, vota para a Assembleia Constituinte. A Lei dizia que os chefes de família votavam e para o legislador era tão óbvio que o chefe de família teria de ser um homem que Carolina pôde votar, deixando o presidente da mesa de voto a coçar a cabeça, perplexo. Posteriormente, a lei foi «aperfeiçoada» – só podiam votar os chefes de família «do sexo masculino». Mas as coisas não paravam – nesse mesmo ano Carolina Michaëlis de Vasconcelos, mulher do grande filólogo Leite de Vasconcelos, é a primeira mulher a ser nomeada para uma cátedra universitária, neste caso a de Filologia na Universidade de Lisboa. Ainda em 1911 se assinala a criação da Associação de Propaganda Feminista. Para rapazes e raparigas, é estabelecida a escolaridade obrigatória entre os sete e os onze anos. E a caminhada prosseguiu. Em 1918, é autorizado o exercício da advocacia às mulheres, em 1926, são autorizadas a leccionar em liceus masculinos, em 1931 é concedido o direito de voto às mulheres diplomadas com cursos secundários ou superiores (aos homens basta fazer prova de que sabem ler e escrever). Em 1933 a Nova Constituição Política do Estado Novo, no seu artigo 5º, estabelece a igualdade dos cidadãos perante a lei, embora «salvas, quanto à mulher, as diferenças resultantes da sua natureza e do bem da família». Todo o edifício jurídico da igualdade laboriosamente construído, se desmoronava com esta frase singela que deixava as portas escancaradas à continuação da desigualdade. Num País moldado à medida das fantasias de um ditador tacanho, o lugar da mulher era em casa, junto dos filhos. Disse-o por diversas vezes. E sempre houve mulheres que concordaram com esta visão do seu papel na sociedade. Quando, em 1935, Ana de Castro Osório morre, outra grande defensora dos direitos femininos se destaca – Maria Lamas (1893-1983). Em 1948 publica o seu exaltante livro «As Mulheres do Meu País».
Só a Revolução de 25 de Abril começaria paulatinamente a acabar, a nível legal, com as todas as diferenças. Uma luta que em Portugal ainda não acabou. A guerra silenciosa da violência doméstica, por exemplo, não cessa de fazer vítimas. Não que a lei a consinta, mas talvez tenha que se criar uma moldura penal muito mais dura para quem a comete. E aqui deve fazer-se uma ressalva. Não incidir, claro, no erro do legislador de 1911 que partia do princípio que «chefe de família» só podia ser um homem. Parece que nem sempre são as mulheres espancadas. Embora numa percentagem pequena, há homens vítimas de violência doméstica. Serão uma minoria, mas existem. Há que protegê-los. Por outro lado, em algumas cabeças femininas, entontecidas com a recente libertação, ébrias de tanta liberdade, começa a despertar a ideia de que as «mulheres são superiores». Não passemos do oito para o oitenta. Não troquemos uma tirania por outra. Não cheguemos ao ponto de ter de formar uma Liga dos Homens Portugueses – que teria como divisa – Homens oprimidos, uni-vos!
Somos diferente biologicamente, mas iguais perante a lei. Era aqui que pretendíamos chegar. É preciso agora que as leis que consagram essa igualdade sejam escrupulosamente aplicadas. Porque Lei e realidade, têm andado desencontradas. Bem-vindas, companheiras.

A Volta – Idanha-a-Nova – Guarda

Aquela subida para a Guarda nunca mais acaba mesmo de carro, de bicicleta até faz doer. Mas obrigaram os ciclistas a subirem-na duas vezes.

Todos conhecem a Guarda, lá no alto, a sua Sé maravilhosa e as suas casa de granito. Dizem que é farta, formosa (ou feia)e fria. E no inverno é mesmo muito fria.

Tudo começou em Idanha-a-Nova porque há a Idanha-a-Velha uma terra cheia de achados arqueológicos. A visitar, tem restos de monumentos que têm sido descobertos muito interessantes.

No meu tempo para se ir à Idanha era uma aventura, maus caminhos e muito calor tornavam a viagem um tormento. Agora temos belas estradas, faz-se num salto. No outro dia, em viagem para Termas de Monfortinho fui lá multado por mau estacionamento, eu que nunca saí de dentro do carro. O desenvolvimento tambem trás destes figurões.

A corrida foi movimentada, com um grupo de ciclistas fugidos e apanhados já a subir a serra, mesmo em cima da meta. Ganhou o Cândido que recuperou a amarela, já que o Manuel Cardoso, o anterior amarela, caiu a subir.

Ninguem cai a subir, cheira-me que o rapaz, sendo sprinter, não se deu bem com a estrada a empinar!

Jornal da TVI é o mais favorável ao Governo PS

Pelos vistos, o Jornal Nacional da TVI é aquele que, entre os espaços de informação dos canais generalistas que vão para o ar às 20h, apresenta uma maior incidência de notícias favoráveis para o Governo, sendo também a informação com um maior peso de notícias desfavoráveis sobre o PSD. As conclusões são do relatório de regulação de 2008 da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). É o que diz o ionline.

Quem diria?

Com certeza que nos números em causa já foi retirado o jornal das sextas de Manuela Moura Guedes, porque nesse até a melhor proposta do Governo Sócrates passa a ser encarada como a pior malfeitoria.