AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (8)

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (8)

Ao contrário do que o documento parece sugerir, a relação médico-doente não se põe em termos de educador e educando. A relação médico-doente é um fenómeno bem mais complexo e profundo, implicando a criação de uma confiança mútua, base indispensável do sucesso terapêutico. Perante um doente, o primeiro mandamento de um médico é não o prejudicar, seja de que forma for – “Primum non nocere”. O segundo mandamento impõe o empenho, a vontade e a sabedoria do médico na procura esclarecida de uma solução que satisfaça o doente e dignifique o acto médico. Qualquer doente tem o direito de saber pormenorizadamente os caminhos investigacionais e as decisões terapêuticas que sobre ele impendem. Todo o doente tem o direito de perguntar e saber o que tem. O médico não pode refugiar-se nas habituais frases: “Não lhe posso explicar porque você não percebe” , ou “ como quer que lhe diga se você não vai entender?”. Há pacientes que, embora não sabendo medicina, sabem mais do que nós de tudo o resto. Nunca o médico, pelo facto de ter na sua frente uma pessoa sofredora, fragilizada e, circunstancialmente, numa posição de dependência, pode ou deve usar argumentos prepotentes, imposições de cátedra, ou condutas redutoras da personalidade. A dor, seja ela física ou psíquica, esfarrapa o Homem, a dor despe até à nudez aquele que a sofre, dissolve a vaidade e coloca o Homem perante si mesmo. A dor é o detergente que embranquece o espírito e lava a memória. A dor é uma espécie de fronteira entre a vida e a morte, e perante ela ninguém tem vergonha de ser ignorante. (continua).

                     (adão cruz)

(adão cruz)

Comments

  1. Luis Moreira says:

    Óptimos textos…

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