Violar! MATAR! E Esconder o corpo

de uma idosa, não seria coisa para pena máxima? Pergunta de um ignorante em direito criminal.

Mundo civilizado?

O Público chama a atenção para um “cantinho” da agenda noticiosa.

Vamos continuar a fazer de conta?

O sol quando nasce…

   (adão cruz)

Primeiro 
Único
Verdadeiro
Maio acordado
Penoso
Duro [Read more…]

Mas a Senhora quem é?

adão cruz

Passei frente à loja onde se deu o crime e lembrei-me…

Mataram o meu filho, Sr. dr., e ele está aí.

Isto dizia a voz rouca do outro lado da linha.

Pousei o telefone e desci imediatamente à urgência que ficava no rés-do-chão. A primeira maca que vi no corredor tinha um corpo coberto com um lençol. Levantei a ponta do lençol e vi logo que era ele, o filho do Sr. José. Tinha um botão de sangue coalhado acima da clavícula, na parte esquerda da base do pescoço. [Read more…]

A dor vestiu-se de mulher

adão cruz

A dor vestiu-se de mulher.
A dor vestiu-se de mulher de terra e flores e voou para lá das nuvens onde mora o vento.
A vida é um lugar muito longe lá para as bandas do sonho nas margens do silêncio na arte do encontro – desencontro na alegria de ser triste.

Nesta Galiza de poetas e água e céu e solidão onde um mar de rias baixas desagua dentro de nós pinta Jordi um rosto de mulher a ocre terra-siena e carmim.
…Que os cabelos e os jardins querem-se soltos e naturais como as aves e as manhãs.

Um homem nu toca Mussorgsky ao vivo como se Jordi pintasse Quadros de Uma Exposição.
Bem perto daqui há muito foi sonhada Nostalgia mas ninguém viu a luz vermelha fendendo as águas verdes e a dor já se vestia de terra e flores e a dor já fugia para lá dos montes onde moram mulheres de vento.

Um filme sem Sol

Este AntiCrist é um filme que coloca o realizador perante os seus fantasmas. Só podia ser realizado por alguem que vive na penumbra, em regiões onde a luz é sempre escassa, vidas vividas para dentro de si mesmas, não há ponta de esperança e muito menos de alegria.

É uma dor que se compraz a si mesma, sem justificação, sem utilidade, sem refúgio. De degrau em degrau, a culpa leva-o ao inferno, à insanidade.

Afinal pode-se viver sem sermos responsáveis pelos nossos actos ? A memória é o drama do ser humano , mas é tambem o que lhe permite ser mais digno e melhor. . O limite é não sermos capazes de viver com o nosso passado!

Este filme mostra essa verdade, a que não podemos fugir, de uma forma muito dolorosa…

A felicidade

Meus amigos:
Os meus amigos e a nossa Carla em particular põem-me cada questão que eu fico sempre naquela…que o mesmo é dizer: é melhor ficar calado. E é, é melhor ficar calado, porque há assuntos em que nos perdemos sempre que neles nos aventuramos a entrar. A felicidade…sei lá eu o que é a felicidade! Sabe lá a Carla o que é a felicidade! sabemos lá nós o que  é a felicidade! A felicidade do meu organismo, ou seja do meu ser global, porque eu não aceito qualquer dualidade corpo-espírito, é aquilo a que chamamos a homeostasia, isto é, a sintonia de todos os fenómenos que em mim se processam. Se há um desequilíbrio, grande ou pequeno,  em toda a constelação de vivências da minha harmonia, há um grito de alarme, mais estridente ou menos estridente. Se eu tenho dor, dita física ou dita psíquica, essa dor é um sinal ou um alarme acusando que a sintonia está perturbada. E a felicidade é a sintonia do meu ser. A felicidade é a ausência do sentimento da dor, dor como sentimento de desequilíbrio, seja ele qual for. Portanto, no seio de tão complexa textura, dizer que a felicidade está no dinheiro ou na carteira vazia, no carro topo de gama ou no andar a pé, no poder ou no desprendimento, no hotel cinco estrelas ou na casa de campo em que a Carla foi passar o fim de semana com lobos à mistura, na vivência da nossa razão ou na esperança das crenças sobrenaturais é puro disparate. A felicidade possível pode estar ou não estar em qualquer destas circusntâncias, porque ela só está na nossa homeostasia, na ausência de dor, como sentimento de alarme. E a dor tem uma escala incomensurável que abrange, felizmente, todos os seres humanos do mais rico ao mais pobre, do mais pensante ao mais irracional. Graduar a felicidade é, no fundo, mas bem no fundo, como pretender guiar o nosso fluxo neuronal através de três biliões de neurónios.