Medo, preconceito, superstição e fantasia

com a chancela do Abominável César das Neves. Vale sempre a pena ver até onde pode ir uma mente retorcida. Nem o Natal lhe escapa…

Brazil

brazil-poster-art-1

Brazil – pesadelo surreal num universo orweliano. Filme de Terry Gilliam. Página IMDB.

Legendado em português usando o sistema do Youtube (tem de activar as legendas).

afinal estamos num filme da Disney!

Presidenciais: Cavaco é um fantasista, Nobre oferece a cabeça às balas

Diante do título da edição impressa do JN (“Fantasia convenceu Cavaco a permutar vivendas“), há perguntas que é necessário fazer. Em primeiro lugar, será que Portugal pode correr o risco de ter como Presidente da República um homem que se deixa convencer por uma entidade tão etérea? O que mais poderá Cavaco Silva fazer por fantasia? Terá sido assim que se convenceu que tem coisas inteligentes para dizer?

Entretanto, Fernando Nobre teve o seu momento Ramalho Eanes, com a vantagem de não correr verdadeiramente o risco de ser baleado: afirmou que a única maneira de não ir para Belém é levar um tiro na cabeça. Se for atingido num braço ou numa perna, por exemplo, não irá para onde, então? Perguntas, sempre tantas perguntas.

Mais um dilema: entre um candidato que se deixa levar por fantasias e outro que só será derrotado por um tiro, o que fazer?

aniversário de um filho

loiro+natural.jpg

aniversátio do Luís

Nasceu, sem os seus pais darem por isso, a 13 de Junho de 1977. Sem darem por isso, porque no rastro da sexualidade caminha o amor. Amor havia, e muito. O bebé nasceu numa segunda-feira, em tempos em que não se sabia se as crianças seriam rapazes ou raparigas. Rapariga já havia em casa, faltava o rapaz. Todo o progenitor adora ter um casalinho. E foi este o caso. Os irmãos adoravam-se. A irmã era como uma mãe para o irmão, como acontecia comigo e a minha irmã, com uma pequena diferença: eu dava-lhe banho por ser o mais velho vários anos. Até ao dia de hoje, essa minha irmã, toma conta de mim, como a irmã do rapaz. Era Luís Miguel, era Patrícia, sem segundo nome. Os dois gostavam um do outro, assim como os pais adoravam os dois. Eram os Pimentel Correia, desde muito novos inteligentes, sábios, companheiros. Não apenas brincavam juntos, também a irmã lhe ensinava as letras. Como a sua mãe Odete e o pai José Miguel. O tempo não passou em vão. Não eram apenas brincadeiras ou estudos antecipados em casa, eram também uma rainha com o seu rei a viverem juntos em casa dos pais, até cada um encontrar o seu par: a Patrícia, o seu Paulo, o Luís o amor da sua vida. Amor difícil para ele, que tanto adorava a sua irmã. Não havia rapariga que não tivesse ciúmes, não havia rapaz que estivesse contente: eram um casal…Apenas o Paulo foi capaz de seduzir essa rainha e raptá-la, a seguir aos seus estudos, completando todos as sua licenciaturas em Engenharia, como o pai.

O Luís era amigo dos seus amigos e, com a Patrícia já fora de casa, dedicava os seus verões a viajar, ou  a ir à praia ao pé da casa que os pais tinham comprado para eles em São João da Caparica, com os seus amigos ou com os primos que iam nascendo. A especialidade do Luís, de volta das suas viagens de férias, pelo Oriente, na casa da sua irmã, era ser o cavalo das suas primas mais novas. Tão novas, que não podia menos que ser o cavalo que todas elas montavam e ele, forte, musculado e loiro, as levava às cavalitas, especialmente a sua prima Marta, quase da sua idade. Uma irmã para ele, como a mãe de Marta, a sua tia Graça, a sua amiga, a sua confidente, a que sabia dos seus amores, a mulher livre que entendia os amores do Luís, como Patrícia e Paulo o seu marido e davam ideias, como Odete, a sua mãe.

[Read more…]

Poemas do ser e não ser

(adão cruz)

Já poeta não sou

já não sou quem era

não sinto as noites de prata

nem mexe comigo a ventania

que varre as faldas da serra

não me doem as videiras

espetadas no céu

nem os castelos de fantasia

caídos por terra.

Cada erva

cada semente

é resto de uma canção

que já não sei cantar.

Fugiu do peito o coração

foi-se embora o luar

e o rio que eu era

nem sequer chegou ao mar.

Sou pirilampo das sombras

voando pelos regatos secos

não sei se vou longe se vou perto

se ao cimo se ao fundo

não sei se giro por dentro

ou por fora do mundo.