Aristóteles, muito Chomsky, algum infinitivo e o Benfica-FC Porto

Global Imagens/DN (https://bit.ly/2GOVCht)

When I’m driving, I sometimes turn on the radio and I find very often that what I’m listening to is a discussion of sports. These are telephone conversations. People call in and have long and intricate discussions, and it’s plain that quite a high degree of thought and analysis is going into that. People know a tremendous amount. They know all sorts of complicated details and enter into far-reaching discussion about whether the coach made the right decision yesterday and so on. These are ordinary people, not professionals, who are applying their intelligence and analytic skills in these areas and accumulating quite a lot of knowledge and, for all I know, understanding.

Noam Chomsky

Professional sports are a way of building up jingoist fanaticism. You’re supposed to cheer for your home team. […] This idea of cheering for your home team, which you mentioned before, that’s a way of building into people irrational submissiveness to power. And it’s a very dangerous thing.

Noam Chomsky

Why do you care who wins? Why do you care who wins? Why do you have to associate yourself with a particular group of professionals, who you are told are your representatives, and they better win or else you’re going to commit suicide, when they’re perfectly interchangeable with the other group of professionals.

— Noam Chomsky

„Unter dem Entgegengesetzten aber hat der Widerspruch kein Mittleres; denn der Widerspruch ist ja eben eine Entgegensetzung, von deren beiden Gliedern eines jedem beliebigen Ding zukommt, ohne dass es zwischen ihnen ein Mittleres gibt.“

Aristóteles

Porque o árbitro se encontrava bem colocado e perto, cerca de 3/4 metros, e foi peremptório a assinalar a grande penalidade, aliado ao facto de não terem existido protestos de jogadores da equipa penalizada, que aceitaram pacificamente a decisão, com excepção do faltoso, único a esboçar contrariedade, damos-lhe o benefício da dúvida.

José Gonçalves

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Efectivamente, porque hoje é sábado.

Reparar (opção minha, i.e., intencional, para o caso em apreço, não vá andar por aí o Ciberdúvidas, de gramática normativa em riste e corrector em punho) nos infinitivos de Duarte Gomes, árbitro que tinha dificuldade na detecção de inofensivos saltos do Jardel (o Mário) na área do Benfica, confundindo-os com lances para grande penalidade.

Isso foi há muitos anos, mas o sempiterno tema da arbitragem no futebol voltou à ordem do dia cá de casa, aqui, aqui e aqui (toma e embrulha, JJC). 

Comecemos pelo mais importante, pelos infinitivos — os tempos indicados (m:s) dizem respeito ao vídeo que aparece lá em baixo, em (*):

recordar isso em casa’ (20:49); ‘dizer também’ (20:50); ‘e dizer-vos antes’ (21:58), ‘e convidar‘ (21:59), ‘e recordar‘ (22:44), ‘e dizer‘ (23:04), ‘fazer alguma pedagogia lá em casa’ (25:33); ‘recordar que estamos no âmbito das opiniões’ (26:02); ‘ver a imagem com o dinamismo’ (26:14) ou ‘Paulo, focar, focar no braço direito’ (26:30-2), ‘Paulo, perceber que isto está em dinâmica, OK?’ (26:43-5).

De facto, esta tendência sintáctica de infinitivo isolado em início de oração aparece aqui de forma abundante, através de um falante de português europeu. Pense-se neste caso em que escrevo pense-se neste caso, em vez de pensar neste caso. Convém de facto pensar neste caso, em que não dispenso o ‘convém’ (e o ‘de facto’), para não começar a frase com pensar neste caso. Pegando num dos exemplos de Duarte Gomes, em vez de recordar isso em casa, pense-se em recorde-se isso em casa e é importante também pensar em soluções como é importante recordar isso em casa. Mas este fenómeno é assunto que vou deixar para entretenimento e discussão em aulas e em clubes de sintaxe, isto é, fica para outra altura, depois do Benfica-FC Porto de amanhã. Para um benfiquista portuense como eu, dias de Benfica-FC Porto e de FC Porto-Benfica são dias mágicos: mais do que dias de Benfica-Sporting ou de Sporting-Benfica.

Por isso, vou meter a minha colherada na celeuma futebolística da semana, aqui no Aventar — quem não gostar nem de futebol, nem de discussões sobre futebol ou sobre o árbitro, o ovo e a galinha pode ficar por aqui, em vez de ler mais.

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O Passos e os barões assinalados

Foto: André Kosters/Lusa

Com o final do ciclo passista à vista, queimam-se os últimos cartuchos de propaganda de uma oleada máquina que, nos seus tempos áureos, triturou Manuela Ferreira Leite sem dó nem piedade, a quem se seguiu Aguiar-Branco e Paulo Rangel, recorrendo a práticas tão respeitáveis como a manipulação do Fórum TSF ou a concepção de apoiantes alternativos nas redes sociais, como o célebre caso Maria Luz, magistralmente desmontado e exposto neste blogue pelo J. Manuel Cordeiro.

A máquina, porém, foi esmorecendo, e nem o advento dos observadores foi suficiente para manter o passismo vivo, apesar do forte investimento e de uma mobilização de recursos considerável, na imprensa escrita como nas redes sociais. À governação de péssima memória, guiada pelo radicalismo ideológico e pela quase ausência de resultados, cuja cereja em cima do bolo é a famosa saída limpa com Banif debaixo do tapete, seguiram-se dois anos de puro fanatismo, durante os quais todas as desgraças foram profetizadas, todas as crises aventadas e até a vinda de demónios era dada como certa. [Read more…]

A palhaçada já atingiu um patamar tal

que até Ângelo Correia dá gozo ao aldrabão

Ângelo caído

passoscoelho-angelocorreia58227b65_537x302O facto de haver gente, em Portugal, que tem uma subvenção vitalícia por ter desempenhado cargos políticos durante oito anos seria igualmente criminoso, mesmo que fôssemos um país rico. Se fôssemos um país a sério, essas subvenções nunca existiriam. Se quiséssemos ser um país sério, já teriam sido eliminadas. Se quisermos ser um país justo, a solução é óbvia.

É claro que Ângelo Correia não concorda, embora condescenda que haja cortes, tal como acontece com os outros cidadãos, os que não têm direito a subvenções vitalícias e que contribuem, empobrecendo, para essas mesmas subvenções vitalícias, entre outros roubos que uma classe política corrupta vai perpetrando, graças ao domínio que tem exercido sobre os poderes legislativo e executivo.

É o mesmo Ângelo Correia que condenou o uso da expressão “direitos adquiridos”, mas que não teve pejo em usá-la, quando chamado a comentar a hipotética perda dos seus. Na verdade, há direitos que são mais adquiridos do que outros.

Talvez seja um caso de inimputabilidade, coitado do senhor, pois tudo indica que sofre de uma patologia que afecta muitos outros políticos: a falta de vergonha. Na fotografia, pode ver-se o discípulo a afiançar que saberá seguir as lições do mestre.

Pare, veja e…leia

MC

http://bit.ly/18rJ75t

Este título não é original: surge no Público de 25 de Julho de 2000 e é um dos vários exemplos de que Dinis Manuel Alves se mune no capítulo 8 (E pontos!…) do livro Foi Você que Pediu um Bom Título? (Coimbra: Quarteto Editora, 2003, p. 160) . É também um dos conselhos a dar àqueles que lêem títulos como O Expresso deixou de adoptar o acordo ortográfico… ou  O Jogo e o Expresso abandonam o acordo ortográfico… e por aí se ficamNão se fiquem pelas reticências do título. Há sempre a probabilidade de, a seguir às reticências, outras reticências surgirem e, depois delas, finalmente, uma explicação. Assim, evitam-se alguns comentários em redes sociais como “boa!”, “Grandes Jornais!“, “Parabéns aos dois jornais”, “Um exemplo a seguir”, etc.

Já sabemos que os fundamentalistas do contexto nunca prestam muita atenção aos títulos. Já discuti esse tema, a propósito do AO90 (lamento o aspecto, mas não tenho culpa). Recentemente, em fugaz ida a Portugal, no regresso de uma visita ao  Castro de Vila Nova de São Pedro, entrei num café e o dono, depois de me entregar o troco, pediu a um cliente embasbacado, como ele, a olhar para o Cyrus ‘The Vyrus no televisor, que lhe desse o Correio da Manhã, “para ler ‘as gordas’”. Não recomendo. Lembrei-me imediatamente do Empson e de Ângelo Correia, que não dispensa a leitura dos jornais ao chegar de manhã ao escritório, contudo, «não os leio completamente, mas fico a conhecer pelo menos os títulos». A ambiguidade é, efectivamente, terrível.

Pronto. Agora, regresso ao P.H. Matthews.

O romance do Raposo

raposa

Henrique Raposo irá, decerto, propor, numa próxima revisão constitucional que a realidade, a crise e a bancarrota passem a ser consideradas extremamente constitucionais e que as pensões e os direitos adquiridos, devido ao seu “peso brutal”, sejam declarados inconstitucionalíssimos. Enquanto tal não acontecer, o mesmo cronista não hesitará em declarar inconstitucional a própria Constituição, o que, a ser confirmado pelo Tribunal Constitucional, será facto inédito num Estado de Direito.

No fundo, Henrique Raposo acaba por repensar o aforismo “A lei é dura, mas é lei”. Para ele, a lei não é suficientemente dura, inferindo-se, portanto, que não pode ser lei. Para o corajoso cronista, a Constituição é, portanto, mole. Ergo, a Constituição é inconstitucional.

Para Raposo, só quando for possível limpar a Constituição das molezas que a afectam será possível resolver a crise, a bancarrota e a realidade, porque todas as três são consequências dos “tais “direitos adquiridos” de partes da população”, direitos esses tornados intocáveis por uma lei praticamente ilegal. [Read more…]

O dedo de Ângelo Correia

Respondo eu ao

até entrar no nosso quarto para vigiar para que lado da cama é que nos deitamos

Quanto ganha um estivador?

Ângelo Correia, o homem que na primeira greve geral portuguesa inventou uma revolução armada com pregos, com a lata que lhe é peculiar, garantiu que enquanto administrador de um porto assinava vencimentos de estivadores da ordem dos 5000 euros  por mês.

A realidade complica um bocado as coisas:

Por exemplo, um trabalhador da mais alta categoria da carreira – superintendente – poderia trabalhar 16 horas por dia, durante 22 dias seguidos, e mais 8 horas por dia todos os Sábados e Domingos do mês. Com esse horário, ele pode chegar a ganhar até aproximadamente 5.685.02€ (incluindo o subsídio de alimentação).

É ler este estudo de Alan Stoleroff, que desmonta a mentira. E quanto ganhava Ângelo Correia como administrador portuário, e  já agora, quantas horas trabalhava por mês?

O criminoso volta sempre ao local do crime

Ângelo Correia no Prós & Prós discutindo as nossas secretas. Para a semana Vale Azevedo e Duarte Lima falam sobre os problemas da justiça.

Vejamos como estes gajos funcionam

Quando rebentam escândalos como o de Relvas/Silva Carvalho o melhor são os detalhes. Conta o Expresso:

“(…) um dos SMS mais significativos é o que o ex-espião enviou no dia a seguir à vitória do PSD nas eleições. Nessa mensagem o espião contou que Ângelo Correia pediu ao Millennium BCP para contratar o diretor operacional do SIS (seu adversário) e estava a promover a ascensão da mulher desse diretor a líder da secreta interna, terminando o SMS com um tratamento informal na segunda pessoa. “Já viste?” [Read more…]

A FINERTEC explicada às crianças

Angola, Miguel Relvas, Ângelo Correia e… Marcos Perestrello. O desenho no artigo 58.

Tempo de minhocas e de filhos de meretriz

“O dia deu em chuvoso”, escreveu Álvaro de Campos. Num tempo soturno, melancólico, deprimente. “Tempo de solidão e de incerteza / Tempo de medo e tempo de traição / Tempo de injustiça e de vileza / Tempo de negação”, diria Sophia de Mello Breyner. Tempo de minhocas e de filhos da puta, digo eu. Entendendo-se a expressão como uma metáfora grosseira utilizada no sentido de maldizer alguém ou alguma coisa, acepção veiculada pelo Dicionário da Academia e assente na jurisprudência emanada dos meritíssimos juízes desembargadores do Supremo Tribunal da Justiça. Um reino de filhos da puta é assim uma excelente metáfora de um país chamado Portugal. Que remunera vitaliciamente uma “sinistra matilha” de ex-políticos, quando tudo ou quase tudo à nossa volta se desagrega a caminho de uma miséria colectiva irreversível.

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Outro Hipócrita

Ângelo Correia sobre os “Direitos Adquiridos”, os dele, sagrados, os dos outros, nem tanto.

Pode ler a biografia deste grade estadista aqui. Infelizmente não nos faltam homens desta estatura na vida política nacional.

Regresso à normalidade, o PSD a caminho do governo

Factos que atestam estar o PSD a caminho do governo:

Há muitos anos, no tempo em que os animais nem sequer falavam, o engenheiro Ângelo Correia foi ministro do Interior. A dada altura, lembrou-se que estaria em curso uma conspiração qualquer e foi à televisão, a única da época, falar em pregos espalhados na rua como sintoma da dita conspiração. Posto a bom recato, longe da política, aquele que era o quase eterno cabeça de lista do PPD/PSD em Aveiro, dedicou-se aos negócios. “Virou” sumidade do regime, opina com vigor e frequência na SIC Notícias e, consta, é entendido no mundo árabe. Agora volta para dizer ao PPD/PSD que Mendes não serve e que o autarca de Gaia é que é bom. Ângelo nunca foi pessoa para ser levada excessivamente a sério. Infelizmente Sá Carneiro e Mário Soares levaram-no, e estamos a pagar a factura. No fundo, no fundo, politicamente Ângelo nunca deixou de ser aquele homem que imaginou um golpe de estado assente naquela meia dúzia de pregos nas ruas de Lisboa. Bem haja por nos ter prevenido.

Para os mais novos, a inventona ocorreu na sequência da primeira greve geral, que se bem me recordo nem sequer foi tão geral como isso. No centro de Lisboa a polícia detectou um veículo em cuja mala se exibiam poderosas armas:  matracas (na década de 70 um objecto pessoal de porte quase obrigatório) e armadilhas para pneus de carros. O então ministro proclamou imediatamente uma tentativa de golpe revolucionário, ou de estado. Em abono da verdade por esses tempo acreditar em golpes e contra-golpes fazia parte do ar que se respirava, ou seja, a tolice tem um desconto. Mas o homem dessa vez expôs-se de tal forma ao ridículo, que lá voltou para as margens do Vouga, aparecendo episodicamente como especialista em defesa nacional (tenho ideia de que tem alguma experiência nos negócios de armamento), nos paineleirismos do costume.

E lá foi criando no seu seio um Coelho destinado a sair da cartola (também já comecei com trocadilhos fáceis, este governo deve estar mesmo a cair).

PS  que é mesmo PS: Ó Fernando Moreira de Sá: então aquela reportagem toda do congresso feita pelos corporativos… e não contas nada dos colegas que blogam para a corporação rosa?