Pandemias

Wolfgang Wodarg é um médico alemão, membro do SPD, e foi Presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa. Em Janeiro de 2010 fez declarações polémicas, afirmando que “a Gripe A (H1N1) foi uma falsa pandemia e um dos maiores escândalos médicos do século”.

Por essa altura, a comunicação social dava nota de que o fabrico das vacinas contra a Gripe A tinha proporcionado à indústria farmacêutica ganhos na ordem dos 5 mil milhões de euros. Portugal previu, na altura, a ocorrência de 75 mil mortes, entre 2 a 3 milhões de infectados, em consequência da pandemia, tendo gasto, segundo a comunicação social, cerca de 45 milhões de euros só em vacinas. Faleceram 122 pessoas.

Nem a OMS, nem a DGS, explicaram satisfatoriamente este assunto. Nem nenhum outro. Nomeadamente o motivo pelo qual a prevalência de Autismo nos EUA passou de 1/10.000 nos anos 80, para 1/68 na actualidade.

De como a gripe A não quis nada comigo, e do desassossego em que isto me deixa

Tenho passado o inverno na expectativa de que me chegue a gripe A. Não me vacinei, não tomei nenhuma medida preventiva especial, a não ser continuar a lavar as mãos quando chego da rua, se bem que isso é mais um resquício de uma fase vagamente obsessivo-compulsiva. Ora, tendo em conta que eu me constipo ou engripo 5 a 6 vezes por inverno, que, na verdade, é mais fácil assinalar os dias em que não estou constipada ou engripada, então seria certo que o insidioso H1N1 me apanharia a jeito.

E cá estou, desde ontem em casa com uma gripe, sim, mas uma gripe normalíssima (até há quem me diga que é só constipação, mas eu recuso essa hipótese), sem febre, sem dores de cabeça insuportáveis, sem prostração, sem nada que dignifique uma gripe. Bem espreito o termómetro a ver se o mostrador digital se altera, e nada. O mercúrio tinha, diga-se de passagem, um efeito muito mais dramático, vê-lo a subir era uma exaltação, uma vertigem na qual um hipocondríaco podia perder-se. Este de plástico, tão inócuo, tão infantil, retira gravidade até a uma febre de 40 graus. [Read more…]

Vergonha

Quando surgiu essa coisa do bicho chamado “Gripe A”, sossegaram que no calor não haveria grande perigo. O pior iria ser mesmo durante o frio. Pois bem, o frio veio em força e afinal não há modo do predito bicho atingir o pico. Se calhar é por causa da chuva. Se calhar o tal bicho não se dá nem com o calor nem com a chuva. Ou seja: virou vedeta e agora para atacar tem que se lhe dar condições especiais.

Assim vai ser difícil atingir os 3 milhões de infectados em Portugal que estavam previstos pela Direcção Geral da Saúde, com um pico calendarizado para meados de Novembro que não aconteceu.

Isto é uma vergonha: não se atinge os objectivos do controlo do défice, nem do controlo do desemprego, nem do crescimento económico, e agora nem do número de infectados com “Gripe A” cujo pico pandémico já deveria ter acontecido.

Uma vergonha!

Amor ao corpo

Diariamente, e em distintas circunstâncias, sou convidada a desinfectar as mãos com um gel alcoólico que não me atrevo a recusar. Afinal, quem sou eu para colocar em risco a saúde pública? Estendo obedientemente as mãos, recebo o líquido purificador, e espalho-o com escrúpulo, insistindo naqueles cantinhos propícios à acumulação de germes perniciosos.

Há dias, estava eu muito aplicada no exercício, ocorreu-me que havia algo de litúrgico neste gesto, e na verdade não sei explicar como é que logo a mim, anticlerical como sou, me havia de ocorrer semelhante coisa. Mas sim, pareceu-me ver algo de uma liturgia profana, um pouco mais ajustada aos nossos tempos, uma forma de ablução rebuscada, que pede pouco ao espírito porque se excede na limpeza da matéria.

Mas de tanto esfregar as mãos com álcool, e de ler cartazes de prevenção da gripe colocados, para meu bem, em locais onde é difícil não vê-los, dou por mim a pensar que isto da prevenção, do medo à pandemia, do zelo na desinfecção das mãos e das superfícies em que estas tocam, não parece capaz de dar um passo mais e traduzir-se em amor ao corpo. Não, parece-me que se fica tão só pelo horror à contaminação. [Read more…]

A máquina do tempo: vacinar ou não vacinar

A ex-ministra da saúde da Finlândia, Dra. Rauni Kilde, falou sobre a gripe A. Realmente foi muito esclarecedora, mas… a seguir foi despedida… Vejam porquê.

Hoje, a nossa máquina, não viaja nem até ao passado nem na direcção do futuro – fica-se pelos nossos dias. Instalada que está a polémica sobre a  bondade ou a nocividade de nos vacinarmos contra a gripe A, com alguns médicos, enfermeiros e outros técnicos de Saúde a recusarem essa medida preventiva, os leigos como eu, ficam confusos. Depois, para aumentar a confusão, circulam por aí e-mails, textos e vídeos que, pelo seu conteúdo sensacionalista, não podem deixar de alarmar e de causar preocupação. É o caso do vídeo que mostro acima.

 

Dois dos meus melhores amigos são médicos e então, sempre que me surgem questões destas não hesito em lhes bater à porta e indagar sobre a credibilidade deste tipo de «informações» – quase sempre é preciso pôs aspas. Com a paciência que por certo lhes advém do exercício da profissão (e, claro, da amizade que há décadas nos une), nunca me deixam às escuras. E, mais uma vez, me iluminaram.

 

O que escrevo a seguir é o resultado das duas consultas que fiz aos Doutores Carlos Leça da Veiga e Rui de Oliveira. As suas palavras esclarecem-nos sobre a credibilidade da «ministra» finlandesa e sobre o momentoso problema das vacinas contra a gripe A. Peço a vossa atenção:

Ser a Sra. Rauni Kilde ministra, ou não, nada traduz que saiba do que está a falar. Para afirmar-se a causa real de qualquer doença infecciosa há critérios objectivos que nesta caso da vacina da gripe não estão confirmados. Os vírus utilizados nas vacinas da gripe são vírus inactivados e, desde há muitos anos, que a vacina da gripe é a vacina vírica indicada para todas – todas – as grávidas. Até agora a mortandade anunciada pelo uso da vacina não está à vista. Não se acredita que seja possível torná-la obrigatória nem mesmo, para tanto, invocando o precedente da vacinação anti-variólica que era obrigatória e, desse modo, conseguiu acabar com a doença no mundo.

Procurando nas mesmas fontes da Net onde se vão buscar estas intervenções “espectaculares”, o que se encontra não credencia especialmente a Sra. Rauni Kilde. Correndo o risco de fazer juízos errados (mas usando as mesmas fontes…), parece (nas palavras de um seu apoiante 1) que nunca foi ministra (logo nunca demitida) mas apenas responsável provincial (e nem sequer responsável – chefe). Em particular após o seu acidente de carro (causa do afastamento ?), afirma-se defensora da presença de extraterrestres entre nós (ver texto abaixo 2 ) e, entre outras campanhas de que é dinamizadora, destaca-se a tese de que há uma conspiração para o controlo da mente pelas microondas (telemóveis, implantes de micro-chips, etc). Encontram-se, por exemplo, tais congeminações no artigo “MICROWAVE MIND CONTROL: MODERN TORTURE AND CONTROL MECHANISMS ELIMINATING HUMAN RIGHTS AND PRIVACY by Dr. Rauni Leena Kilde, MD September 25, 1999” a que se pode (e deve) aceder pelo link http://www.raven1.net/kilde1.htm Diz-se deve porque o artigo é um pouco aflitivo pela sua argumentação paranóide.

Em suma, o discurso da Dra. Kilde nada acrescenta e não será por aí que devemos ir. Questionar o lucro e o peso de certa indústria farmacêutica é legítimo e defensável, achar que a vacina aconselhada a grávidas e crianças é para diminuir a espécie é transtorno mental.

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 1 Rauni-Leena Luukanen-Kilde (born 1939 in Värtsilä, now in the Republic of Karelia) was the provincial medical officer of the FinnishLapland Province with a doctorate in medicine from 1975 until a car accident in 1986, which took away her ability to continue her work and career. She likes to advertise her former title, but often she rather calls herself a former Chief Medical Officer of Finland.

 

2  “Finnish physician Rauni-Leena Kilde, MD spoke of the extraterrestrial experience among the Sammi (Laplander) people she was raised with above the Arctic Circle and in Scandinavia. Her first remembered contact was when she was in a severe car crash. As she laid there mortally injured, a small ET was at her side working on healing her injured liver. Later, the hospital staff could not understand how she survived the crash. Later she remembered ET contacts as a child living among the Sammi. She reported that there is a change of attitude in Scandinavia and the European Union about cosmic contacts. She hears positive reactions to ET encounters. …  Her country borders Russia, where cosmonauts were threatened with death if they talked openly about UFO encounters…”

 

 

 

Gripe A: À dose

Afinal a vacina é só para tomar uma dose, ao contrário do que se dizia e fazia há um mês atrás, em que eram precisas duas doses.

 

Isto não ajuda nada, a credibilidade e a confiança andam muito por baixo, e as pessoas vão começar a pensar que isto de cientifico nada tem, agora é só uma dose porque não há vacinas para todos.

 

Entretanto a febre tambem é à dose, de manhã em casa as crianças não têm febre, na escola passam a ter e no centro de saúde já não têm. Isto reforça a desconfiança.

 

Trezentos alunos no Distrito de Aveiro foram mandadas para casa, após as escolas constatarem que as crianças estavam febris, o que nuito preocupou os pais, que de imediato foram aos centros de saúde que verificaram não haver o quadro febril o que muito zangou os pais.

 

Se as crianças não fossem mandadas para casa, teríamos por aí acusações de desleixo, assim como as escolas jogaram pelo seguro, aqui del-rei que que as escolas querem é fechar as portas e ir de férias.

 

O pânico está a tomar conta das pessoas e não é à dose o que é a pior notícia.

 

Gripe A: não deveriam os alunos receber a vacina?

Que mal pergunte: mas, as crianças não deveriam ser vacinadas?

A resposta não é só económica?