Não há dinheiro

Vinte e quatro comeram e beberam num jantar que custou um salário mínimo. Todos ganharam este pão com o suor do seu rosto. Nem sequer têm vergonha na cara. Não há dinheiro?

O Aventar já lá almoçou

O Rui Curado Silva foi “jantar a um estabelecimento da baixa coimbrã onde era proposto um menu a três euros e meio” e conta o repasto com uma visão cosmopolita (e o nosso menu foi outro).

Jantares

Eu que, de vez em quando, leio o que se vai escrevendo nos blogs, principalmente naquele que teve a má fortuna de me conceder a honra e o privilégio de ser residente, reparei que se fizeram promessas de resumos sobre repastos. Ora acontece que além de nenhum dos ilustres comensais presentes ter (ainda) escrito sobre o que se passou, também a minha índole amnésica não me permitirá um esclarecimento fotográfico do que se passou (destituído, como estava, do apoio de um gravadorzito porque infelizmente fiz o exame de “Teoria Geral da Posse”,  leccionada pelo cândido e virginal Rodrigues, por fax).

Assim, digo-vos que de muito se falou, em registo “cavaqueira ” em que deu para perceber que os Blogers têm,  na sua maioria, umbigos proeminentes. Para que melhor percebam, imaginem uma conferência de imprensa em que os tradicionais jornalistas eram substituídos por Bloggers. Na sua vez, o Blogger efectuava uma pergunta curta (nunca acima das duas horas e meia) e depois levantava-se e ia embora porque mais importante que a resposta, tinha sido a incisiva e genial análise que na questão se apreendia (os que podiam porque aquilo não estava ao alcance de todos).

No entanto, sempre direi que transversal e residual em toda a conversa foi a miserável situação económica em que este País se encontra. Uma condição que temporariamente (espera-se) quase tudo impede. Uma condição que nos faz ponderar a essencial distinção entre o que queremos e o que podemos.

Mas, e na ressaca de um bom jantar, fica uma indisfarçável sensação de esperança. Uma sensação que nasce do que se pôde intuir de cada resposta e de cada opinião dada por alguém que realmente tem uma ideia do e para o País. Uma ideia que não assenta na vulgar ambição de poder, mas numa convicção pessoal que Portugal e principalmente os Portugueses são capazes de travar e inverter a tradicional (pelo menos 100 anos) propensão para o mau governo. E assim se começa a perceber um Líder.

A noite em que o George Clooney jantou lá em casa

E contra todas as probabilidades, à hora marcada, a campainha soou. Tirei o avental, admito que possa ter dado uma última espreitadela ao espelho, e fui abrir a porta. Lá estava ele, com o sorriso estudado e o fato aprumadíssimo, mas no seu olhar pareceu-me entrever alguma desconfiança. É natural, pensei, não é todos os dias que uma estrela de Hollywood vem jantar à Rua do Bonjardim.

Dei-lhe as boas vindas, agradeci a previsível garrafa de vinho e conduzi-o à sala. Ele mostrou um interesse diplomático pela casa, apreciou à distância alguma das fotos dispersas pela sala, olhou mais de perto uma peça de cerâmica, sem contudo se atrever a tocar-lhe, ensaiou uma espreitadela à varanda, mas desanimou-se e acabou por ir sentar-se no sofá. Movia-se com à vontade, num exercício de informalidade muito trabalhada.

Eu sentei-me no outro extremo da sala e a conversa foi avançando aos tropeções, em grande parte graças à minha fraca habilidade para evocar filmes nos quais ele tivesse contracenado. Depois um arranque titubeante, comigo a falar-lhe de filmes protagonizados por outros actores, perdi a paciência e confessei-lhe que sempre o vira como um Cary Grant dos tempos modernos, com a mesma subtil combinação de charme ingénuo e de atrevimento pouco picante. Ele gostou da ideia e, aproveitando o momentâneo idílio, resolvi servir o jantar. [Read more…]