Enfim

Fala-se tanto na defesa da língua portuguesa como sendo uma das dez mais faladas em todo o mundo, na importância de valorizar a CPLP, na alma lusa, em Camões e Pessoa, usam-se cachecóis com as cores nacionais, canta-se o hino, grita-se “Portugal” e apregoa-se o fado e a saudade.

Mas, no fim de contas, lá temos o Primeiro-ministro português a falar em castelhano numa entrevista a um jornal espanhol.

Não fosse ser tão triste, seria de rir.

Ode à alegoria

Faço parte de um grupo de amigos que se senta há vários anos na mesma mesa. Os nossos objectivos são nobres: beber uns copos, dizer umas larachas e resolver os problemas do mundo e da humanidade no meio de debates e discussões que, por vezes, fazem com que nos zanguemos e em que, muitas vezes, dizemos coisas surpreendentemente profundas, tendo em conta a nossa reduzida ambição.

No café que frequentamos, há outros clientes que acabam por ouvir o que dizemos, porque, confesso, falamos um bocado alto. De outras mesas chegam-nos, com relativa frequência, vozes simpáticas e, de vez em quando, há um ou outro provocador que passamos a ignorar, porque, já se sabe, pode acontecer que, num estabelecimento como este, haja sempre quem tenha mau vinho ou maus fígados.

Não pertenço a este grupo desde o princípio. Trouxe-me um amigo. Aqui encontrei outros amigos e, desde então, rio-me, zango-me, discuto, provoco, sou provocado e aprendo muito. Sinto-me bem aqui. Foi, aliás, nesta mesma mesa, que atingi vários momentos de realização pessoal, o que diz muito do poder de uma mesa de café ou de um grupo de amigos. [Read more…]

“Porque os bois têm cornos e há coisas que temos de chamar pelos nomes!”

Este post “caiu” na minha caixa de comentários. Vem do blogue agoradigoeu e merece a vossa total atenção. Obrigado por teres escrito este texto assim, sem mais nem menos! Mesmo!

Fica então o post “Porque os bois têm cornos e há coisas que temos de chamar pelos nomes“:

“As pessoas mais próximas perguntam-me o que tenho. Porque estou assim. Mas eu não sei o que significa o assim. Sei que não me apetece falar. Sei que o meu coração bate com mais força. Sei que não estou triste, mas também não me sinto feliz. Ansiosa. Sim, sinto-me ansiosa.

Desistir da minha carreira de professora foi sentir a perda do que nunca foi meu. Não sei se o mais difícil foi desistir ou se foi sentir a desilusão. A desilusão de ter percebido que uma pessoa pode fazer tudo, mas o tudo não foi(é) suficiente. E eu tenho aquele génio difícil! Aquele que se desilude aos bocadinhos… aos bocadinhos e em silêncio! E a desilusão não foi com os meus alunos, nem com os meus colegas ou com meus superiores hierárquicos. Desses sempre recebi o reconhecimento e a motivação para continuar. A desilusão foi mais profunda. A desilusão, essa senhora que me tolda os dias, essa foi com o meu país.

Deixei de me sentir uma cidadã portuguesa que é considerada válida e útil, a um país que investiu na minha educação. Esta merda de sucessivos governos (não encontrei uma expressão mais nobre, porque os bois têm cornos e há coisas que temos de chamar pelos nomes) deram-me 11 contratos de trabalho para assinar, com inicio a 1 de Setembro e término a 31 de Agosto, do ano seguinte. Em determinado artigo do contrato podia ler-se “necessidades residuais”. À medida que os anos foram passando eu abreviava a leitura do contrato, para não vomitar em cima do dito. E o ano lectivo começava. E a magia de ter à minha frente uma plateia de adolescentes que sente poder ser tudo, é trabalhar, todos os dias, com a vontade (possibilidade) de tornar o mundo um espaço melhor para se viver. E os anos foram passando. E eu continuei a assinar os malditos contratos. Fogueira com eles! Desculpem-me aqueles que, de boca cheia, dizem que os que saem para o estrangeiro, estão a abandonar o seu país. A esses digo, apenas, que deixei de querer pertencer à classe dos resíduos. A antecâmara em que se vislumbra a possibilidade de reutilização ou de reciclagem, é aquela onde eu não quero estar! O estado não pode dar emprego a todos os professores, dizem os que não têm nada de inteligente para dizer, emprenham pelos ouvidos, as bestas! Eu admitia que passados 10 anos me dissessem que o meu posto de trabalho foi extinto. Por cortes orçamentais, por redução de alunos, porque se deixou de considerar o ensino das ciências importante, o que seja. Mas não esqueço que o meu país não me tratou com a dignidade que merecia, nos 10 anos em que desempenhei (com classificação excelente) as minhas funções. E só me ocorre cuspir (acaso soubesse) nesses pulhas sem rosto e raras vezes com nome. [Read more…]

Poema inteiro

   (adão cruz)

 

Foi a noite mais triste a mais negra noite mais triste do que todas as sombras mais triste do que a noite de Orfeu mais triste do que a sombra dos coqueiros sem lua mais negra do que o mergulho do tarrafe nas águas fundas do Cacheu

[Read more…]

Suicídios famosos…

No Estrolabio, uma série de artigos  sobre suícidios de gente famosa neste país de “gente triste” !

“Manuel Laranjeira haveria de se suicidar passados menos de quatro anos sobre esta carta a Unamuno. Seria o último de uma lista aterradora de suicidas que começa em 1876 com José Fontana e que continua com o médico Francisco da Cruz Sobral, em 1888, com o escultor Soares dos Reis, em 1889, Camilo Castelo Branco, Júlio César Machado e o sertanejo Silva Porto em 1890, Antero de Quental, em 1891, o militante operário Luís de Carvalho, em 1893, o escritor operário Henrique Verdial, em 1900, Mouzinho de Albuquerque, em 1902, o escritor e jurista Trindade Coelho e o jornalista Alberto Costa, o «PadZé», em 1908, o almirante Cândido dos Reis, membro da Carbonária Portuguesa, em 1910, Guedes Quinhones, velho militante socialista e jornalista operário, em 1911. E, depois de Manuel Laranjeira, em 1912, suicida-se o poeta Mário de Sá-Carneiro, em 1916, e Florbela Espanca, em 1930.”