Enfim

Fala-se tanto na defesa da língua portuguesa como sendo uma das dez mais faladas em todo o mundo, na importância de valorizar a CPLP, na alma lusa, em Camões e Pessoa, usam-se cachecóis com as cores nacionais, canta-se o hino, grita-se “Portugal” e apregoa-se o fado e a saudade.

Mas, no fim de contas, lá temos o Primeiro-ministro português a falar em castelhano numa entrevista a um jornal espanhol.

Não fosse ser tão triste, seria de rir.

Foi há um ano

Foi precisamente há um ano que finalmente soltaste amarras e, libertando-te do teu corpo terreno já gasto e das doenças e sofrimento que ele te trouxera, partiste.
Finalmente despojado do que em ti havia de material, ficaste tu, as memórias de quem eras e, mais do que isso, as memórias de quem tinhas sido.
Por incrível que pareça, pelo menos a mim parece incrível, quase todos os dias me lembro de ti, penso em ti de alguma forma. [Read more…]

E agora uma cantiga facista

De que muito gosto. É duns gajos a quem chamávamos Heróis ao Mar.

Como Se Fora Um Conto – Na Páscoa, o Compasso Já Não Vem a Minha Casa

Ao contrário de muitos que fazem questão de dizer que são tudo menos católicos, e que, em todas as manifestações religiosas, cá nos vêm informar da sua não religiosidade, como se isso fosse de algum interesse, não tenho por hábito falar das minhas convicções.

Desta vez, no entanto, resolvi vir falar da minha tristeza por já não ter o Compasso em minha casa, e da minha saudade dos tempos em que, em casa de meu avô paterno, toda a família se reunia para o receber.

O dia amanhecia muito cedo para toda a gente, excepto para nós, crianças. Éramos nove primos, e seis de nós dormíamos naquela casa. Era como se fosse Natal, mas não havia prendas. Quando nos levantávamos, ao som de fundo dos foguetes, já nossas mães e tias se atarefavam nas lides de tudo deixar a postos para «receber o Senhor», e a senhora Margarida e uma ajudante labutavam na cozinha para que o almoço fosse como sempre, sublime.

[Read more…]

nÃO sEJAS dURO dE oUVIDO – Março 2010 #1

Foram geniais e nós, todos nós, devíamos exigir o seu regresso. Rápido e em força. Que saudade…

[Read more…]

Lhasa: Saudade…

[Read more…]

Poemas do ser e não ser

A saudade vai de barco

leva na frente a luz vermelha

que fende as águas verdes.

Atrás uma palmeira

menina do deserto

aprisionada no sonho.

Balançam copos de vinho

à flor do mar incerto

e a música desce ao fundo do mar.

O peito estremece

e entrelaça os remos

nas mãos da água

que já não abraça

o ventre do casco verde.

                (adao cruz)

(adao cruz)

No Teu Deserto

“Na verdade, o deserto não existe: se tudo à sua volta deixa de existir e de ter sentido, só resta o nada. E o nada é o nada: conforme se olha, é a ausência de tudo, ou, pelo contrário, o absoluto. Não há cidades, não há mar, não há rios, não há sequer árvores ou animais. Não há música, nem ruído, nem som algum, excepto o do vento de areia quando se vai levantando aos poucos – e esse é assustador. Será assim a morte, também, Cláudia?”

no teu deserto

No Teu Deserto, o quase romance de Miguel Sousa Tavares.

Já passava da meia-noite quando, hoje, o comecei a ler. Foi sem parar, até ao último paragrafo, derradeira linha, definitiva palavra. Nem sei que horas eram quando desliguei a luz e comecei a dormir. O deserto do Miguel e da Cláudia prenderam-me com toda a força, colaram-se como uma lapa da praia das Caxinas às minhas mãos e ao meu cérebro. Só quem conhece o Sahara (ou julga conhecê-lo pois nem mesmo os senhores do deserto, os Tuaregues, o conhecem) pode compreender o fascínio desta obra. O Sahara entrou na minha vida no ano 2000 e ainda hoje suspiro por a ele regressar. Está prometido para 2010. Ainda falta tanto, tanto tempo…

Na capa escreveram que “No Teu Deserto” é um “quase romance”. Não discuto. Pois que seja. Para mim é um livro belo, com uma história fabulosa e um hino ao “nosso” deserto. Procurando fugir aos habituais clichés sobre o deserto, o amor e a sociedade moderna, Miguel Sousa Tavares escreveu uma obra magnífica e que retrata, não sei se intencionalmente, a forma como hoje vivemos, à velocidade da viagem entre Algeciras e Alicante, sempre nos limites e sem olhar para trás. Sempre no fio da navalha.

Claro que eu sou suspeito, eu gosto do Miguel Sousa Tavares, mesmo quando não concordo com ele. O seu “Sul” é um dos meus livros preferidos, a sua “Grande Reportagem” é uma eterna saudade, o seu “Equador” um marco. Mas, “No Teu Deserto”, é uma obra de uma beleza comovente e que nos faz voar. Dei por mim a recordar Abril de 2000 e como fiquei aprisionado ao Deserto, como suspiro pelo meu “cimbalino berbere” de menta que tanto tento replicar em casa sem o conseguir – faltam-me as folhas de menta mal lavadas e as mãos sujas com unhas indescritivelmente pretas daquele estranho no meio do nada.

“Hoje já ninguém vai ao nosso deserto, Cláudia (…) A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo ´nada`, eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram”.

Eu vou, antes, irei novamente, meu caro Miguel e espero conseguir ver a estrela de Cláudia, lá bem no cimo, ao lado de outras estrelas da saudade.

%d bloggers like this: