Visita papal ao Rodrigues de Freitas

Estive hoje na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, no Porto, por motivos relacionados com os concursos de colocação de professores que hoje terminam.
Ao que parece, a ministra da Educação vai estar na segunda-feira na escola, a inaugurar não sei o quê. Realmente, a azáfama era grande. Os funcionários não sabiam para onde se virar, porque havia muito para fazer e ao fm do dia tudo tinha de estar pronto. A grande preocuapação era a localização das plantas e das flores recém-chegadas.
– Quero isso tudo daqui para fora! – gritava uma superior, apontando para os vasos antigos. – Deitem fora, levem para casa, façam o que quiserem, mas isso não pode ficar nada à vista. Nenhum vaso pode ficar no parapeito das janelas. Nenhum! Já nos avisaram!
E outros funcionários chegavam para tratar do chão, dar os últimos retoques às paredes, «deixar tudo um brinco» na expressão da tal superiora.
– Parece uma visita papal! – aventei.
– Quase, quase! – respondeu-me outra funcionária. – Só em plantas e flores, gastaram-se aqui centenas de contos.
Sorri de forma desengraçada enquanto esperava que o problema que me levara ali estivesse resolvido.
– Mas na segunda-feira as escolas não estão fechadas? – lembrei-me de repente.
– A maior parte vai estar fechada, mas aqui vamos abrir para a ministra. Sabe o que é que ela mandou dizer? Que nas aldeias está tudo fechado mas que em Lisboa trabalha-se. Por isso tínhamos de abrir.
Educação esmerada, a da senhora ministra! Falta de chá em pequenina, é o que é! O que também não admira.
– Aldeias? Olha que p…! – confesso que foi o meu primeiro pensamento.
Voltei a exibir o meu sorriso amarelo. Aliás, todo este episódio só me deu mesmo para rir. Por ver que a Ministra da Educação vai a uma das principais escolas do Porto, convenientemente, num dia em que não há aulas – nem alunos, nem professores, nem ovos. E por ver tanto desvelo na recepção a um cadáver político. Noutra casa, já tive oportunidade de escrever que Maria de Jesus Rodrigues não passa hoje em dia de uma simbólica «carcaça». Inexistente, fantasmagórica, envergonhada, escondida. Uma ministra de nada, apenas à espera da estocada final.
Parece que não me enganei.

Comments

  1. Bué da Fixe says:

    A gaja chama-se Maria de Lourdes e não de Jesus, acho eu.

  2. Ricardo Santos Pinto says:

    😉


  3. Ora, a Idiotice parece-me que não é da Ministra, mas Desse Conselho Executivo … Ou não será???

  4. Ricardo Santos Pinto says:

    Não. Foi ela que escolheu ir num dia em que não há aulas.

  5. Luis Moreira says:

    E além disso vê uma escola sem problemas.Mas essa questão dos agrupamentos escolares está a avançar ou não? tenho lido nos jornais anúncios para os concursos para director.


  6. Sim, a senhora ministra é inepta a negociar com os sindicatos de professores; sim, a senhora ministra não teve tacto a comunicar as suas ideias; sim, a senhora ministra foi intransigente em muitos aspectos; sim, entrou na onda do facilitismo. Mas não estarão os sindicatos e muitos sêtores a constituírem-se numa ‘força de bloqueio’ sem apresentar sugestões alternativas dignas? Há anos e anos e anos que ouvimos falar da reforma da educação (lembram-se da reforma educativa do Roberto Carneiro? e da ‘geração rasca’ da Manuela Ferreira Leite?) e muito pouco se fez.


  7. A idiotice é da Comissão Executiva, a culpa é da Ministra.