A melhor maneira de roubar um banco é geri-lo

Este é o melhor título do ano. É de Sandro Mendonça do Departamento de Economia, ISCTE.

Vamos segui-lo. Com esta crise já se aprendeu uma coisa: a maior falência do sistema financeiro português é a do Banco de Portugal (BdP). O governador encolhe os ombros e diz que é impossível descobrir todas as fraudes. O BdP está organizado num centro de de investigação académica e não para cumprir as tarefas que lhe estão atribuídas. Não só não controla as instituições financeiras (incluindo as predadoras entidades de empréstimos a pronto deixadas à solta durante anos a fio) como não tem estado ao lado dos consumidores. O BdP anda há anos a pregar a contenção salarial mas nunca estendeu o convite aos administradores bancários.

“Quando alguem tem o poder de fixar a própria remuneração variável surgem patologias sérias”, continua. Quando grandes instituições como a Merril Lynch. o Royal Bank of Scotland ou a seguradora AIG se revelam vulneráveis à pilhagem e à fraude,então quer dizer que o problema está no centro do sistema.

Portanto a actual crise não se pode atribuir a meros erros de investimento ou ao mau carácter de alguns. Os alicerces psicológicos foram removidos e num sistema de motivações complexas a falta do lastro estabilizador do Estado teve resultados devastadores.

“Por trás desta crise está um colapso geral de ética e responsabilidade.Esta desintegração não surgiu por meio de uma mão invisível.” Como hoje já se sabe há instituições que promoveram activamente a instabilidade. Os “off-shores” são disso exemplo. Paraísos fiscais associados à lavagem de dinheiro e à especulação gratuita”. E é,na velha Europa, que dois terços destas “lavandarias” se encontram, incluindo o da Madeira.
Falhas graves de supervisão têm custos sistémicos, sobretudo em pequenas economias abertas, como a nossa, conclui.

Público,27 de Março de 2009

Comments


  1. Enquanto os sinais de colapso do BPN eram já patentes desde 2000, e daí as sucessivas empresas de auditoria terem deixado de o auditar; enquanto o BPP entrava numa espiral delirante; e enquanto o BCP comprara e recomprava acções próprias e emprestava dinheiro a clientes e accionistas para continuarem o ciclo, inflacionando o seu valor bolsista de forma artificial, o BdP assobiava para o lado. Adormecido, descansado, inútil.

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