10.45 – Salgueiro Maia enfrenta os canhões


Quando Salgueiro Maia e o posto de comando ainda estão a suspirar de alívio por ter passado a ameaça da Gago Coutinho, surgem cinco carros de combate M/47 de Cavalaria 7 seguidos de atiradores do Regimento de Infantaria 1, da Amadora, e alguns soldados da PM de Lanceiros 2. Um brigadeiro comanda a coluna. Salgueiro Maia, de braços erguidos, agitando um lenço branco, tenta o diálogo, mas o brigadeiro não aceita encontrar-se com ele a meio caminho. Dá ordem a um alferes que abra fogo. O jovem não obedece. Irado, o brigadeiro, repete a ordem directamente aos apontadores dos carros e aos atiradores de infantaria. Salgueiro Maia está a descoberto debaixo da mira das torres dos blindados e das espingardas dos atiradores. Nem as tripulações dos carros nem os outros soldados obedecem. Dando vozes de prisão a torto e a direito, disparando para o ar, o brigadeiro salta do carro e desaparece. Toda a coluna fica sob as ordens do capitão Maia.
in http://www.vidaslusofonas.pt/salgueiro_maia.htm

Comments

  1. Miguel Dias says:

    Sempre achei este o momento decisivo do 25 de Abril. E o tal alferes um dos heróis esquecidos da história, um grande português. Aquele que no momento decisivo e num gesto solitário, diz não, desobedece, afirma eu isto não faço. E com o seu gesto contagia todos os seus camaradas de armas. É dos momentos da História portuguesa de que mais me orgulho, que me fazem acreditar que este povo ainda vai cumprir seu ideal (para citar Chico Buarque, esse outro grande português).

  2. Carla Romualdo says:

    Não podia estar mais de acordo, Miguel. A coragem altruísta de Salgueiro Maia e a desobediência do alferes a uma ordem iníqua são para mim o mais belo símbolo da nossa revolução não-violenta.