É a ecologia, estúpido!

O título foi roubado da Greenpeace. O resto das considerações são minhas. Mas partilho da mesma perspectiva face à ecologia. Parece que hoje em dia é quase preciso insultar alguém, para a chamar a atenção do eventual colapso ecológico a que assistimos. É que está tão pouco (!) divulgado que parece que não existe. Parece que uma área de gelo do tamanho de Nova Iorque não é preocupante e não terá efeitos devastadores no ambiente global. Parece que tratar – e muito pior que isso, manipular – os animais como se fossem somente comida não é preocupante e não terá efeitos devastadores no delicado equilíbrio ecológico.
Por isso é que me insurjo com a excessiva cobertura mediática da gripe suína, como já tinha acontecido com a das “aves” e afins. Não porque que não mereça cobertura, mas porque não é o ponto mais problemático da actualidade. E está hiper-inflamado. Não sei se a culpa é dos jornalistas e meios de informação, ávidos por encher mais páginas de jornal ou ocupar tempo de antena. Não sei se é culpa da própria sociedade que gosta de uma boa tragédia. Não sei se é aproveitamento económico e pressão dos grupos farmacêuticos para facturar mais umas coroas no mercado bolsista. O que eu sei, é que a cobertura mediática não é igual em situações semelhantes. O que eu sei é que se vê mais dinheiro envolvido na manutenção de uma empresa automóvel do que na manutenção natural. O que eu sei é que fala em urgência e meses quando se trata da economia, mas fala-se em calma e décadas quando se fala da ecologia.
Algo está errado nas prioridades. Mesmo depois de haver uma (finalmente) consciência que algo está a mudar, e ainda por cima, para pior, as prioridades centram-se na recuperação económica.
Eu vejo os governantes super preocupados com a retoma económica, mas e então a retoma ecológica? Se as duas têm impactos positivos no Homem e no Ambiente, não compreendo como apenas uma é tratada e apoiada convenientemente. O que será preciso para que quem tem as rédeas e a responsabilidade da governação, recentrar as suas prioridades neste que é verdadeiramente importante e o mais urgente dos assuntos? Ser envenenado em casa, apenas por comer arroz? Abrir a torneira e não sair água?

Pessoalmente tenho a ideia (espero que errada) que em certa parte, a economia é inimiga da ecologia. A economia diz-me para consumir, a ecologia diz-me para poupar. A economia diz-me para comprar novo, a ecologia diz-me para reaproveitar. No mundo actual, a ecologia é apenas um pretexto económico. Se não gerar capital, não há ecologia. Arrisco-me a aventar que se os governantes não conseguirem entender que existe um tipo de lucro que não é palpável, e que se estas duas políticas não se conseguirem conciliar – o que aparentemente não acontece – teremos em mãos, talvez, o maior e o pior problema de todos os tempos. E não é uma questão de décadas. É já amanhã.

A ecologia não é economicamente sustentável, assim como a economia não é ecologicamente sustentável.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    No outro dia estive na Patagónia, no sul da Argentina e comprovei a morte lenta mas inexorável de um monstro branco e gelado.Já perdeu mais de sete kms de dimensão devido ao aumento da temperatura da água.O que é extraordinário é que Puerto Moreno está a milhares de kms da civilização que o mata.

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