Telemedicina (I)

O SUCESSO NO ALENTEJO

Com base em orientação da OMS, a telemedicina define-se como “a incorporação das tecnologias de telecomunicação na prestação remota de cuidados de saúde, assim como na comunicação à distância de apoio de especialistas a outros médicos, incluindo acções de formação estruturadas”.

A telemedicina é, portanto, um mundo. Infelizmente o Plano Tecnológico do actual governo tem marginalizado essa actividade, não obstante referências em documentos oficiais. Recordo, por exemplo, o documento do Alto Comissariado da Saúde que a invoca explicitamente como recurso para combater e controlar as patologias cardiovasculares, AVC e Enfarte. Constituem a primeira causa de morte nas sociedades ocidentais, em que Portugal se integra (no ano de 2003, salvo erro, a taxa de mortalidade devida a este tipo de doenças atingiu +/- 34% dos óbitos totais no País).

À escassa acção governativa, respondeu o voluntarismo louvável de um grupo de médicos no Alentejo, dos quais destaco: Dr. Luís Gonçalves do Hospital do Espírito Santo de Évora, Dr. Álvaro Pacheco ex-Director Clínico do Hospital de Santa Luzia de Elvas, Dr. José Ricardo da Unidade de Saúde Local do Norte Alentejano EPE, Dr. Horácio Feiteiro do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo EPE.

Sem querer alongar-me, por agora, no tema, refiro que, entre 2001 e 2008, se efectuaram no Alentejo mais de 71.000 tele-consultas, ou caso se prefira, consultas por videoconferência. Foram dadas por especialistas localizados em hospitais a doentes, acompanhados de médicos de família, presentes em centros de saúde ou em outros hospitais que não dispunham da respectiva valência médica.

De certo modo, este meu ‘post’ é um contributo para esclarecer ínfima parte das interrogações do texto de Vítor Silva, a propósito da instalação de infra-estruturas de fibra óptica no Porto. A medicina é uma actividade que recorre com frequência à comunicação multimédia – áudio, vídeo e imagem. E uma das queixas dos praticantes de telemedicina no Alentejo é justamente a falta de infra-estruturas, que garantam a realização de acções de telemedicina ou, noutros casos, a qualidade exigível em actos médicos das transmissões por telecomunicação electrónica.

Prometo voltar em breve a este tema, porque é interessante e tenho algo mais a dizer.