Terreiro do Paço – ajuste directo

Há aí uma grande controvérsia com o projecto para reabilitar a Praça mais bonita do mundo.
Quando as comadres se zangam ficamos a saber algumas coisas, bem interessantes.Para além das questões estéticas e arquitectónicas discute-se o processo de escolha do Arqtº Bruno Soares . Por ajuste directo!
Diz quem escolheu ( parece que a Empresa Frente Ribeirinha, embora a obra pertença à CML ) que os critérios foram:
-O Arquitecto é amigo do Vereador e tambem Arquitecto Salgado.
-Trabalha com a empresa.
-Foi assessor da Parque 98
Se fosse por concurso público, os critérios seriam:
-Melhor preço
-Mérito da proposta
Percebem porque o governo tem sempre tanta pressa em mudar a Lei para “facilitar”?
É este tipo de “palmadas” que os portugueses não perdoam. Parece que não percebem mas quando chega a altura…
E agora multipliquem pelo país inteiro e vejam o polvo que nos suga.
Ah! e não se sabe quais foram os honorários e não se sabe o que é feito de um concurso que teve lugar há dez anos e que teve um vencedor.
Tudo coisas com critério, rigorosas e “socialistas”.

A Batalha da Água

A Blogosfera de direita costuma referi-lo pelo seu segundo nome de baptismo, “Anacleto”, algo que me provoca um daqueles sorrisos parvos a que todos temos direito. Realmente, Anacleto não condiz com a pessoa.

Ninguém estranha que só raramente concorde com ele. Por vezes acontece. Foi o que aconteceu ao ler a sua mais recente entrevista ao i. A meio da entrevista, Francisco Louçã afirmou ser completamente contra a privatização da empresa “Águas de Portugal”. Ora aqui está um ponto comum entre nós, pessoas de campos políticos diametralmente opostos. A privatização da “Águas de Portugal” não serve a ninguém. Perdão, serve aos felizes contemplados com semelhante maná e aos comissionistas deste negócio cuja grandeza de valores transforma em “peanuts” os milhões que o Real vai dar pelo amigo da Paris Hilton.

Foi a afirmação mais importante da entrevista de Francisco Anacleto Louçã. Espero que tenham reparado e que se preparem para esta batalha do século: evitar a privatização da água.

Professores: entregar ou não a ficha de auto-avaliação?

Na Blogosfera educativa, ou antes, na blogosfera dos professores (que nem sempre é educativa heheh) a discussão do momento é a entrega ou não da ficha de auto-avaliação (FAA).
Em texto publicado no Público um conjunto de professores deu a conhecer a sua posição: não entregam a FAA.

Para que os menos seguidores nos entendem, a ficha de auto-avaliação é mais um passo na imensa trapalhada que se transformou a avaliação do “Sr. Inginheirú!” e da Srª Ministra “M. Lurdes”: para uns, os professores, trata-se do primeiro passo. Para outros, o Ministério, estamos a falar da segunda etapa, depois da entrega de objectivos.

Entregar objectivos e entregar a FAA

Recordam-se certamente da discussão que existiu no fim do primeiro período sobre a entrega ou não dos objectivos, fundamentalmente, em torno das consequências ou não desse acto: no Caviar e Bacalhau procurei, em Dezembro, apresentar argumentos. Para mim continua óbvio que não há qualquer penalização para os professores que não entregaram objectivos.

Mas, e a FAA?

Vamos por partes:

– a questão coloca-se numa perspectiva política. De luta contra um modelo de avaliação, se quisermos num contexto mais amplo de luta contra a política educativa deste governo.
– no entanto, a dimensão política tem que ter presente a vertente jurídica. Vejamos:

As etapas do processo de avaliação são estas:
Artigo 15.º

Fases do processo de avaliação

O processo de avaliação compreende as seguintes fases sequenciais: a) Preenchimento da ficha de auto -avaliação; b) Preenchimento das fichas de avaliação pelos avaliadores; c) Conferência e validação das propostas de avaliação com menção qualitativa de Excelente, Muito bom ou de Insuficiente, pela comissão de coordenação da avaliação; d) Realização da entrevista individual dos avaliadores com o respectivo avaliado; e) Realização da reunião conjunta dos avaliadores para atribuição da avaliação final.

Ou seja, a não entrega da FAA corresponde ao não cumprimento de uma das fases da avaliação – não havendo auto-avaliação não há avaliação e sem esta não há tempo de serviço e progressão na carreira. No caso dos docentes contratados o que está em causa é a renovação de contratos ou o acesso a esses mesmo contratos – estamos, pois, a falar do acesso ou não ao emprego.

As posições

Da parte da FENPROF (nota breve para fazer uma declaração de interesses: sou membro do Conselho Nacional da FENPROF) a posição é a possível, sendo que muitos desejariam outra.
Alguém tem dúvidas que todos os membros do Secretariado Nacional desejariam muito que a classe, no seu todo, não tivesse entregue os objectivos? E que, agora, fizessem o mesmo com a FAA? Creio que não. Obviamente, o sentido de responsabilidade da representação de uma classe obriga a que as posições nem sempre sejam as desejadas. São sempre as possíveis: para ler no site da FENPROF. Estamos todos à vontade para sugerir tudo, mas quando dois terços dos professores trairam a luta colectiva e correram para os braços do seu director a entregar objectivos, quando alguns, demasiados, ainda se atreveram a pedir aulas assistidas… Quem é que ficaria agora para deixar de entregar a FAA? Dos 50 mil possíveis “não entregadores”, quantos estarão ainda disponíveis para esta etapa da luta?

Paulo Guinote é o rosto mais visível de um movimento que assume a não entrega da FAA. Depois do texto do Público o debate continua:
Mário Machaqueiro;
esclarecimentos adicionais;
Francisco Trindade;
Ramiro Marques

Feita a introdução, fica a faltar a minha opinião.
Mas, essa, fica para depois.

G8 economias estabilizam

Há sinais de estabilização nas economias dos G8. Mas há riscos que permanecem e que não devem ser desvalorizados. Quem o diz são os Ministros das Finanças dos G8 reunidos em Itália para preparar a próxima reunião dos chefes de Estado.
As bolsas estão a valorizar, as taxas de juro estabilizaram e os bancos estão a facilitar o crédito com spreads menos agressivos, e ao mesmo tempo a confiança dos consumidores está a regressar.
Mas há muito trabalho a fazer, como limpar os balanços dos bancos do “lixo tóxico” e ter muito cuidado com a enorme volatibilidade do mercado das matérias primas, com o petróleo à cabeça.
Os fundamentais económicos são agora menos sombrios.
Espreita a inflação derivada dos pacotes de incentivo que os estados têm injectado na economia.
Ainda é cedo para tirar o pé do travão.Lá para o fim do ano e, para nós, só lá para meio de 2010!

Da provocação à arte

Banksy-icecream-van

“Quando era criança costumava rezar todas as noites por uma bicicleta nova. Depois percebi que Deus não trabalha dessa forma, por isso roubei uma bicicleta e rezei, pedindo perdão”.

A frase é de Emo Philips, um comediante norte-americano, e é o actual “manifesto” de Bansky, um dos mais famosos graffiters do mundo. Graffiters não, artista. Bansky não é um marginal. É um artista, puro e duro, que faz arte e intervenção social através dela. E sem fazer discursos.

Bansky é tímido. Não gosta muito de se mostrar. Quando aparece, é com a indumentária normal de um graffiter que não se quer dar a conhecer, afinal pintar nas paredes ainda não é legal, utilizando um capuz e óculos escuros.

Noutras ocasiões, quando se exigia outra vestimenta, prefere uma gabardina, óculos, cabelo e bigode ou barba postiça. Uma dessas ocasiões aconteceu em Março de 2005, quando colocou, à socapa, obras suas em quatro museus de Nova Iorque. Entrou como visitante, um simples pensionista britânico, e instalou os seus quadros no Brooklyn Museum, no New York’s Metropolitan Museum of Art, no New York’s Museum of Natural History e no New York’s Museum of Modern Art. Em todos eles, ao lado do seu quadro, colocou uma placa identificativa e explicativa da obra. Nalguns casos, só dias depois deste “acrescento” à colecção, é que os museus retiraram as peças de exposição.

Com trabalho que circula entre a provocação, a intervenção social e política e manifestações anti-belicista. Tudo repleto de muita imaginação. Com arte por todo o lado e onde lhe apetece.

Nasceu em 1974, em Bristol, cidade cujo museu municipal lhe organiza a sua maior exposição de sempre no Reino Unido. Não deixa de ser curioso que a mesma autarquia que o perseguiu durante muitos anos pague agora para expor as suas obras. “Esta é a primeira exposição que alguma vez fiz em que o dinheiro dos contribuintes está a ser usado para pendurar as minhas imagens em vez de ser para as limpar”, comentou Banksy em declarações à BBC, citada pelo Público.

Imagens de alguns dos trabalhos expostos (via Telegraph)

O trailer da exposição:

Duas novidades da tecnologia

A Google criou um novo motor de buscar especialmente pensado para os mais pequenos. Numa primeira análise penso que poderá ser uma boa opção para quem tem em casa gente mais nova. O endereço é www.kidrex.com.

O novo motor de busca da Google para os mais pequenos

O novo motor de busca da Google para os mais pequenos

Uma outra novidade, menos interessante, mas igualmente noticiável: o Facebook permite desde sábado a criação de endereços personalizados do tipo www.facebook.com/jpaulo.

A Facebook permite personalizar o endereço.

A Facebook permite personalizar o endereço.

Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência

Imaginem um evento planetário, no qual participem, lado a lado, cidadãos anónimos e figuras públicas, representantes de quadrantes tão diversos como a arte, o desporto, a política, a ciência. Cada um deles movido pela mesma inquietação pela situação mundial actual, carregada de tensões explosivas e com a ameaça do armamento nuclear a crescer a cada dia. Todos nutridos pela mesma fé de que a humanidade está pronta para a mudança e este é o momento. Imaginem uma Marcha, um enorme caudal humano, que cubra todo o planeta, derrubando fronteiras, unindo países, idiomas, religiões, regimes políticos. Esta Marcha, feita de todos os seres humanos que pedem a paz, o fim da corrida armamentista, o desaparecimento das armas nucleares, a renúncia ao uso da guerra como forma de resolução de conflitos, a retirada dos territórios ocupados… esta Marcha sonhada por tantos, está agora a ponto de concretizar-se.

A 2 de Outubro de 2009 começará a Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência. O ponto de partida será a Nova Zelândia, no dia do aniversário de Gandhi, dia que a ONU consagrou como Dia Internacional da Não-Violência. Ao longo de 90 dias atravessará todos os continentes, passará por 90 países até chegar ao seu destino final, a 2 de Janeiro de 2010, na cordilheira dos Andes, aos pés do monte Aconcágua, na Argentina. A Portugal a Marcha chegará a 1 de Novembro, quando os portugueses receberem, em Tuy, o testemunho das mãos dos vizinhos galegos com quem partilham a Rota Galiza-Portugal, um dos afluentes da Marcha Mundial. A partir daí, a Marcha passará por doze cidades portuguesas, até concluir em Lisboa, a 12 de Novembro. O primeiro passo para quem em Portugal pretende associar-se à Marcha poderá ser a adesão virtual, aqui. Esta será a primeira Marcha a percorrer todo o planeta. Um momento histórico no qual se estima que participará mais de um milhão de pessoas. Um acontecimento que poderá marcar simbolicamente o início de uma nova etapa para a humanidade. A semente de uma força que irá transformar o mundo.

Falando de democracia: Sobre a homofobia (I)

Hoje em dia, uma das preocupações de quem quer estar politicamente correcto (e de bem com a «democracia» que temos) é a de não ser considerado homofóbico. O termo é relativamente recente, datando de 1971 e terá sido inventado pelo psiquiatra norte-americano George Weinberg, aparecendo pela primeira vez na sua obra Society and the Helthy Homosexual (1972). O raciocínio para a construção do neologismo foi linear = homo+fobia, homo de homossexual e fobia, do grego phobos (aversão, receio, nevrose obsessiva contra algo). Porém trata-se de uma construção apressada, feita com uma impaciência tipicamente ianque. Senão vejamos.
A palavra homo tem duas acepções principais: pode ser um prefixo e um elemento de composição de palavras científicas, indicando semelhança, igualdade, identidade, como por exemplo, no campo da botânica, se diz que um capítulo é homogâmico. O adjectivo significa que as flores que constituem o capítulo são hermafroditas e semelhantes. Numa acepção mais corrente, homo é um substantivo masculino da área da Antropologia e significa o género da família Hominidae, género representado pelo homem actual, ou seja, a espécie humana. Portanto, à letra, teríamos homofobia = aversão à espécie humana. Não era, por certo, esta a ideia de Weinberg. O que se quer dizer com homofóbico é que se trata de alguém que tem aversão a gays e lésbicas. Disseram-me que o termo correcto seria um complicado palavrão: homofilofóbico, ou seja, aversão ao que gosta do igual – Homofóbico é um disparate, embora eu tema que, tal como outros que por aí circulam, tenha vindo para ficar. Mas não é um erro muito importante, desde que saibamos do que estamos a falar. Porque mais do que analisar o termo filologicamente, importa abordar o seu conteúdo conceptual – ser ou não ser contra os homossexuais, eis a questão – isso, sim, é importante.
*
Não sou contra (nem a favor) dos homossexuais enquanto tal. Desde cedo me habituei a não perguntar aos amigos ou às amigas qual a sua orientação sexual. Sempre me interessou o que as pessoas pensam, como pensam, como utilizam a sua inteligência e nunca a sua sexualidade serviu de base à avaliação que delas faço, isto embora tenha sido educado no pressuposto de que a homossexualidade é uma aberração, uma doença, uma perversão. Numa época em que os homossexuais viviam na clandestinidade, bati-me contra preconceitos estúpidos, nunca esperando viver até a um tempo em que, contra a muralha de betão erguida pelas convenções sociais, se erguesse uma outra, talvez feita de flores criptogâmicas, mas igualmente imbecil – aquela que os lobies da comunidade gay laboriosamente constroem, pretendendo criar novos preconceitos e instaurar uma nova ordem sexual dentro da qual é crime, ou pelo menos é censurável e démodé, ser hetero. Com a idade, deixei de ter paciência para fundamentalismos, venham eles de onde vierem.
Há mais vida para além do sexo, embora haja quem não aceite essa realidade – a orientação sexual não define totalmente a pessoa, sendo apenas uma pequena parcela do todo que ela constitui. Diz-se que Leonardo da Vinci era homossexual. Sandro Botticelli não o seria. Se eram uma coisa ou outra, o que tem mais importância, as suas opções sexuais ou a sua genialidade como artistas? O que nos ficou destes dois mestres florentinos do Quattrocento não foi o rasto da sua sexualidade, fosse ela homo ou hetero, mas sim as suas obras. Quando nos extasiamos ante A Virgem dos Rochedos, do Leonardo, ou perante A Primavera, do Sandro, o que nos interessa a sua orientação sexual?

Na realidade, existiu e ainda existe discriminação. É impossível negá-lo, sendo repugnante a boçalidade com que os homossexuais são muitas vezes tratados e igualmente odiosa a parafernália de termos, de anedotas, de ditos pretensamente espirituosos que lhes são dirigidos. Porém, alguns dos activistas e militantes dos movimentos de gays e lésbicas têm a sua quota de responsabilidade na discriminação de que são alvo ao construírem o negativo do molde em que tais boçalidades se vazam e forjam. Por exemplo, a «marcha de orgulho gay» é um espectáculo feito para incomodar e chocar o inimigo, a maioria hetero. O resultado., ao ser um espectáculo tão boçal e repugnante como as invectivas tradicionais, é justificar a continuação da injustificável discriminação. A mim incomoda-me não porque me choque, mas porque é, na minha opinião, uma exibição deprimente, um puro acto de provocação, vazio de conteúdo. Orgulho em quê? Ninguém deve ter orgulho em ser hetero ou homossexual – uma coisa ou outra são circunstâncias biológicas ou educacionais, não são privilégios ou estigmas e, muito menos, coisas com que as pessoas se devam orgulhar ou envergonhar. Movimentos de homossexuais? São tão necessários quanto movimentos de apreciadores de vinho tinto (e pensando bem, são ainda menos necessários). Falo por mim: adoro vinho tinto e limito-me a bebê-lo, sempre com moderação, por causa da idade, e se possível de boa qualidade – mas nunca perderia tempo a militar num movimento «pró-tintol» que pretendesse, por exemplo, que se pudesse conduzir sob o efeito do precioso néctar.
*
Nem só os activistas gay são responsáveis – a má consciência de quem herdou uma cultura de discriminação violenta (a «democrática preocupação do politicamente correcto») leva gente honesta e sabedora a bater-se por causas sem sentido como a do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O casamento é uma instituição que, fora os aspectos jurídicos, meramente contratuais, está em crise. Nunca houve tantos divórcios. Mas os homossexuais querem ter direito a casar e há quem gaste tempo e argumentação a discutir o tema. O casamento tem como objectivo primeiro a procriação. Essa é a fundamentação original, embora depois possam ter surgido outras razões, nomeadamente as de carácter afectivo1. Numa luta pela extinção do casamento alinho já, mas perder tempo a defender que um casal gay possa unir-se sob a bênção de um clérigo ou numa conservatória do registo civil, é coisa que nunca farei. Se querem que as fotografias da boda venham nas «revistas do coração», destinadas a débeis mentais (heteros e não), não precisam de nenhuma lei específica – o direito à idiotice está aí para ser «democraticamente» usufruído. O romantismo de uma união amorosa não pode ser reduzido a meia dúzia de clichés de gosto duvidoso, grinaldas, marchas nupciais, arroz… – ou é algo que vive nos corações de quem compartilha esse sentimento ou é mera e pirosa exibição. Para mim, isto é válido tanto para «heteros» como para «homos». Dou um exemplo pessoal: quando me casei, a minha mulher era ainda menor (tinha 20 anos) e a mãe exigiu que ela fosse «fardada» de noiva. Ou era assim ou só havia casamento quando a pequena atingisse a maioridade, disse ditatorialmente a senhora. Então (como bom democrata) coloquei duas hipóteses: ou eu vestia um pijama durante a cerimónia ou, em alternativa, não haveria fotografias. A minha sogra optou por que não houvesse fotografias. Recentemente, ao fazer investigação para escrever uma pequena biografia do grande filólogo Manuel Rodrigues Lapa, soube que, tendo casado cerca de quarenta anos antes, teve, em situação similar, uma atitude muito semelhante à minha.

Qual será este concelho?*

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* Um prémio (livro) para o primeiro leitor que adivinhar qual é o concelho a que se refere o cartaz, qual é o seu autor e em que contexto é que aparece o mesmo. Concurso interdito a aventadores e válido até à meia-noite de hoje.

Um Prenúncio de Morte

Estas eleições (?) no Irão marcam o princípio do fim do actual regime iraniano. Não tendo tido hipótese de perguntar à Maya a data, ao certo, para a queda do dito, terei de me socorrer de casos históricos similares. Porém, como estamos no século da velocidade da luz, quero crer que mais dia menos dia, mais ano menos ano, assim será.

Uma sociedade onde a maioria da população é jovem e, entre estes, grande parte estuda na universidade, tendo acesso à cultura e ao saber, só pode levar a um outro tipo de regime. Mais livre, respeitador dos Direitos do Homem, onde a mulher é vista como igual e a Liberdade de Expressão um dos seus principais pilares. Alguns dirão: “do tipo Ocidental”. Não, não cometam o erro de colar rótulos arcaicos. Quando o actual mundo ocidental mergulhava nas trevas, na chamada Idade Média, os bisavôs destes jovens que hoje se manifestam em Teerão antecipavam o Renascimento.

Por isso, o problema não está em saber se Ahmadinejad ganhou ou não as eleições, se estas foram livres ou uma valente fraude ou não estivesse o Diabo nos detalhes. A única dúvida é saber se é já amanhã ou apenas depois de amanhã que a onda verde iraniana, encabeçada pelos jovens universitários e pelas mulheres iranianas, se transforma em tsunami e varre de vez a actual república islâmica.

Terminaram as férias…

O declínio da influência dos Estados Unidos na América Latina

A entrada de Cuba na OEA é uma reveladora indicação do declínio do poder dos EUA em toda a região. Limitada por duas guerras prolongadas e enfrentando crescentes concorrências tanto da Europa como da China, assim como do Brasil, para o comércio e investimentos na América Latina, Washington já não está em posição de ditar regras para os governos que representam os interesses das elites dominantes ao sul de sua fronteira.
O significado desta decisão não passou em branco entre os cubanos anti-Castro nos EUA, que protestaram intensamente contra a decisão da OEA. Congressistas cubano-americanos, incluindo o Senador Democrata Robert Menendez de New Jersey e Mario e Lincoln Diaz-Balart, solicitaram cortes na legislação dos EUA para o financiamento da OEA. Numa declaração conjunta, os irmãos Diaz-Balart chamaram à OEA de “uma deteriorada perturbação”, enquanto Menendez chamou à resolução “absurdamente vaga”, e disse que o Congresso debateria “o quanto nós estamos dispostos a apoiar a OEA enquanto instituição”.
Os chefes de estado latino-americanos celebraram a decisão. O presidente da Venezuela, Chavez, disse que a decisão significou que “nós já não somos o quintal dos Estados Unidos, nós já não somos uma colónia”.
O presidente hondurenho Manuel Zelaya proclamou que com a aprovação da resolução, “a Guerra Fria terminou neste dia em San Pedro Sula”. Em referência à famosa passagem de um discurso feito por Fidel Castro durante seu julgamento pelo fracassado assalto ao quartel do exército cubano em 1953 na cidade de Moncada, Zelaya acrescentou, “Eu disse ao comandante Fidel Castro: ‘Hoje a história absolveu-o’”.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva considerou a decisão da OEA de “uma vitória para o povo latino-americano”. Lula fez esta observação ao final de uma viagem por três nações da América Central na qual promoveu alianças comerciais e investimentos de capital para corporações e bancos brasileiros. Entre os acordos concluídos estava a criação de uma planta de produção de etanol na Costa Rica para exportação para o mercado dos EUA.
“Eu nem sei se eles querem voltar para a OEA, mas, em todo caso, eles não estarão tão marginalizados”, disse o presidente brasileiro sobre os cubanos.
Na realidade, Lula não falou pelo “povo latino-americano”, mas sim, pelos capitalistas brasileiros, que vêem em Cuba uma fonte potencial de superlucro e querem o fim do embargo económico dos EUA e das significantes dificuldades que isso apresenta para a exploração do trabalho e dos recursos da ilha.
Não foi a história que absolveu Castro em San Pedro Sula, mas, sobretudo, a burguesia latino-americana. Este tem sido um demorado processo no qual seus governos restauraram relações diplomáticas normais e viram a tentativa dos EUA de colocar Cuba de quarentena como cada vez mais e mais irracional.
Desde o início, a tentativa do imperialismo dos EUA de isolar Cuba em nome do “sistema interamericano” baseado na “democracia e livre mercado” foi mergulhada em hipocrisia. No meio desta votação em 1962, para rejeitar Cuba na OEA, estavam as ditaduras de Trujillo na República Dominicana, Somoza em Nicarágua e Stroessner no Paraguai.
Da sua parte, Fidel Castro rejeitou a possibilidade do retorno de Cuba à OEA, referindo-se à mesma como “Ministério de Colónias dos Estados Unidos”, e “infame e repugnante antro de corrupção”.
No interior da própria OEA, o afastamento de Cuba ocorreu sob crescentes desafios para os governos burgueses latino americanos, que, nos anos 70, viam Cuba como uma ameaça à sua estabilidade. O regime nacionalista em Havana abandonou suas pretensões revolucionárias dos anos 60. Castro desistiu das políticas de promoção de guerras de guerrilha, aceitou o estado existente instalado na América Latina e subordinou seu regime à política de “coexistência pacífica”, defendida pela burocracia stalinista de Moscovo, que subsidiava pesadamente a economia cubana.
Existia um movimento significativo para revogar a suspensão de Cuba da OEA em 1973, depois de a organização adoptar a doutrina do “pluralismo ideológico”, principalmente para acomodar o crescente número de ditaduras militares apoiadas pelos EUA, que claramente falharam em encontrar pretensões democráticas para o tão falado sistema interamericano. Em Julho de 1975, a OEA votou pela liberdade dos membros em determinar seu próprio relacionamento com Cuba. Não obstante, Washington conseguiu invalidar todas as tentativas de readmitir Havana na organização.
Enquanto aclamavam a votação em Honduras como uma “defesa histórica”, o regime cubano reiterou que não tinha interesse em regressar à OEA. Nas vésperas da votação, o doente ex-presidente Fidel Castro, escrevendo numa de suas regulares colunas de “reflexões”, denunciou a OEA como uma “cúmplice em todos os crimes cometidos contra Cuba” e declarou ser “ingénuo acreditar que as boas intenções de um presidente dos Estados Unidos justifiquem a existência desta instituição”, que ele descreveu como um “cavalo de Tróia”.
Enquanto o regime Castro tem bebeficiado de uma aliança de vitórias diplomáticas, a situação da economia interna de Cuba parece estar crescendo de forma cada vez mais violenta. Começando em 1 de Junho, o governante Raul Castro anunciou “medidas excepcionais” para lidar com a crise crescente. Várias restrições têm sido impostas no uso da eletricidade, forçando os escritórios do Governo e o sector varejista a manter luzes e ar condicionados desligados na maioria dos dias e existe a ameaça de apagão para províncias inteiras caso elas usem mais do que sua quota de energia.
O Ministro da Economia e Planejamento Marino Murillo revelou que as projecções anteriores de crescimento de 6% para a economia foram abandonadas, e agora apenas 2,5% de crescimento foram previstos, na medida em que a economia cubana foi abalada pela crise económica e ainda está cambaleando pela perda de 10 biliões de dólares, sofrida devido a três furacões no último ano. Os preços das importações aumentaram, enquanto o preço do níquel, a principal exportação do país, afundou.
Dentre outras medidas austeras que têm sido implementadas, estão as drásticas reduções nos serviços de transportes e um corte de 50% em gastos para almoços fornecidos para funcionários de empresas estatais.
As medidas são as mais severas vistas desde o tão falado Período Especial que se seguiu ao colapso da União Soviética em 1991, quando os subsídios de Moscovo acabaram e o PIB caiu 35%.
Enquanto Raul Castro prometeu aumentar o nível de vida quando assumiu, de seu irmão Fidel Castro, o controle da ilha no ano passado, as políticas do governo e a pressão da crise global capitalista produziram exactamente o oposto, resultando no aumento das tensões sociais.
Durante décadas, o regime Castro clamou por legitimidade política baseada em sua resistência as agressões dos EUA e apelou aos sentimentos nacionalistas do povo cubano, pela manutenção – pelo menos até ao período recente – de um determinado nível de igualdade social, mesmo que seja no nível empobrecido da maioria dos trabalhadores. Cabe perguntar então: o que será do regime cubano agora, quando as relações não são mais conflituantes?
O levantamento do embargo económico dos EUA contra Cuba, trazendo consigo um influxo de capital estrangeiro – uma medida apoiada por secções predominantes da corporação dos EUA e do capital financeiro, assim como pelas elites dominantes na América Latina – causaria uma forte intensificação da crise económica e política na ilha.

MNN – Movimento da Negação da Negação
http://www.transicao.org/

Paulo Rangel e a coligação com o CDS

Em entrevista à TSF, a que o «Público» dá eco,
Paulo Rangel admite que, no caso de o PSD não conseguir vencer com maioria absoluta as próximas Legislativas, o caminho mais provável será uma coligação com o CDS.
No caso de o PSD não conseguir vencer com maioria absoluta, repare-se. Ainda há pouco tempo, a questão que se punha era por quanto ia ganhar o PS. Agora, o PSD já se dá luxo de aventar também essa possibilidade. Sendo mais do que certo que nenhum dos Partidos a conseguriá em Setembro próximo.
Inteligente, como se tem revelado, Paulo Rangel desafia também o PS a revelar com que Partido fará coligação – se com o PCP, se com o Bloco de Esquerda. A bola, agora, está do outro lado.

E se fosse em Portugal?


Primeiro-ministro checo enerva-se e dá uma estalada ao Ministro da Saúde pelos maus resultados obtidos.

O declínio do império romano

As tardes de veraneio de Berlusconi em Villa Certosa, na Sardenha, vieram dar o picante burlesco de que as notícias da actualidade, sempre tão carregadas de negrume, necessitavam. Mulheres bonitas saindo da mansão do Cavaliere, beldades semi-nuas à beira da piscina, e até um hóspede masculino, apanhado como veio ao mundo sob o sol da Sardenha – o suficiente para sugerir dias de luxúria na mansão de um primeiro-ministro europeu, a pouco menos de dois meses das eleições para o Parlamento Europeu.

Confesso que tenho um particular interesse por Silvio Berlusconi. Não por razões afectivas, ou políticas, mas porque creio ver em Berlusconi, com as suas já entediantes historietas de relações extra-conjugais, com os seus ademanes de clown, besuntado de “fond de teint”, o cabelo pintado de negro, a pele retocada por liftings e botox, um símbolo da decadência do poder político na Europa.

O poder infinitamente corrompido, a escolha da mentira e do discurso hipócrita como registo quotidiano, o compadrio, a desonestidade intelectual, o desprezo pela ideia da política como uma busca do bem comum, de serviço à comunidade. Há uma classe política europeia que partilha estes mesmos males com Berlusconi, mas a máscara de burocrata cinzento continua a ser, no ocidente, um sinónimo de seriedade e competência, e é sob essa máscara que dissimulam o seu clandestino, mas nem por isso menos arraigado, berlusconismo.

Garrido, espalhafatoso, desbocado, com tiques de imperador romano em inexorável declínio, Silvio Berlusconi personifica a decadência final de uma classe política que há muito pôs as ideologias ao serviço da conquista e perpetuação do poder. Com os meios de comunicação social convenientemente domesticados, e uma classe política que, independentemente da ideologia, persegue o mesmo fim, debitam sound-bytes testados pelos mais reputados fazedores de opinião, e alimentam os vícios privados que renegarão, com enfática repulsa, na praça pública.

Não à Barragem de Fridão!

Já tive a oportunidade de chamar a atenção para o escândalo que é a construção da Barragem do Tua, que vai destruir um vale único e uma das mais belas linhas férreas do mundo.
No dia em que a TSF, no seu «Terra a Terra«, dedica mais uma emissão a branquear a acção e a hipocrisia da EDP na destruição do património ambiental português, é hora de dar voz a mais uma luta, neste caso a da população de Amarante contra a Barragem do Fridão. Por toda a cidade, pude confirmá-lo pessoalmente, abundam as referências à Barragem e aos apelos à continuidade da luta.
Com a construção da Barragem de Fridão, projectada para o limite das freguesias de Fridão e Codeçoso, a 6 km de Amarante, é a existência da própria cidade que está em causa. Planeada para atingir 110 metros de altura, irá interceptar o leito do Tâmega, desviar o leito do rio Olo e pôr em causa, de forma irreversível, o caudal ecológico do Tâmega em período de estiagem. Irá pôr em causa, ainda, a integridade e eficiência do sistema de abastecimento público de águas, em consequência da libertação das águas quimicamente alteradas depois de acumuladas na albufeira. Recursos endógenos únicos serão transformados num somatório de albufeiras articuladas entre si em cascata de águas mortas. O vale do rio Tâmega será definitivamente perdido para as albufeiras.
Amarante é o resultado único do percurso do rio Tâmega. Actualmente, já tem a jusante a Barragem do Torrão – Rio de Moinhos(Marco – Penafiel), e agora passará a ter a montante a Barragem de Fridão. Ou seja, ficará completamente à mercê da imprevisibilidade geodinâmica – «uma guilhotina colectiva suspensa sobre Amarante, exposta à imprevisibilidade comportamental da geodinâmica interna geradora de algum fenómeno ocasional de causas naturais, considerado à priori de ocorrência impossível ou de considerada escassa probabilidade estatística.»
Enquanto isso, a EDP evita a discussão pública e monta gigantescas campanhas publicitárias. Como se a cidade de Amarante não existisse e como se tudo fosse apenas radicalismos ambientalistas. Deve ser essa a imagem a transmitir pelo «Terra a Terra» de hoje: só maravilhas!

(elementos técnicos recolhidos aqui)

Cá vai Lisboa


Ontem, como há muitos anos, estive na Avenida a ver as marchas. Cor e alegria, juventude e bairrismo, sardinha assada e manjericos. Depois foi a parte de que mais gosto. Alfama, e os seus pátios, as suas gentes, as escadinhas e os seus becos.
Alfama é único porque é onde menos a especulação e os patos bravos podem estragar.
As suas ruas estreitas, com os prédios quase a tocarem-se, não dão para as recuperações extravagantes. É isto que explica que tudo esteja como há séculos, com pequenos bocados de terra ajardinados pelos habitantes. Um cheiro de terra e flores que nos persegue, e que nos obriga a alargar o passo para espraiar no pequeno largo, logo ali ao virar da esquina.
As pessoas indicam bem os seus ascendentes, morenas, cabelo negro e olhos escuros. Andou e viveu por ali a moirama, tal como na Mouraria logo ali, no outro lado do monte que divide os dois bairros.
Num recente estudo (julgo que no âmbito da Comissão para os Descobrimentos em má hora extinta), estudaram-se as tripulações dos navios que demandaram a India e o Brasil. Há famílias, desses homens de coragem sem par que ainda hoje vivem na mesma rua e na mesma casa! Os homens que deram mundos ao Mundo, continuam representados por aquelas crianças que brincam e vendem manjericos!