Em branco

164.789 pessoas votaram em branco. Saíram de casa, descobriram qual a mesa de voto que lhes correspondia, apresentaram os seus documentos, receberam o seu boletim de voto, dobraram-no sem mácula, depositaram-no na urna e saíram.
Em que pensavam estas pessoas no regresso a casa?

Um novo dia…

Para todos, amanhã começa uma nova etapa. Para o PS e Sócrates, que terá de recuperar de uma derrota pesada e de um cartão amarelo que deve ser entendido de forma séria. Para o PSD e Manuela Ferreira Leite, que têm de mostrar que há mais que uma penalização do Governo nesta votação e que merecem confiança para formar uma alternativa viável.

Para o Bloco de Esquerda, que tem de mostrar ter chegado ao ponto em que pode ser mais que o partido do contra. Para o PCP, que precisa de segurar o eleitoral, impedindo-o de fugir, porque parece que dali, para cima, já não saem. Para o CDS que tem de mostrar que este resultado não foi apenas de Nuno Melo e dos lampejos de Portas.

Da noite

Sem ser para fechar, muito menos para abrir, gostaria de partilhar algumas notas:
– Mário Lino saiu para comprar cigarros e não voltou. Eu vi a Ministra a entrar, a empurrar tudo e todos (cá para mim era o Mário Nogueira que estava à frente dela). Pergunto: será que o Mário Lino está com medo de ser empurrado, à entrada pela Ministra?
– Alguém viu o Pedro Passos Coelho hoje?
E meus caros, YES! We can!

No distrito do Porto foram estes os resultados:

PSD 200285 31.98%
PS 192234 30.70%
BE 65352 10.44%
CDU 51290 8.19%
CDS-PP 50022 7.99%
MEP 8942 1.43%
PCTP/MRPP 7084 1.13%
MMS 2968 0.47%
MPT 2882 0.46%
PH 2864 0.46%
PPM 2049 0.33%
PNR 1379 0.22%
POUS 817 0.13%

Uma reacção estranha…

Todos os outros candidatos já são estranhos o suficiente porque ganham sempre. São os campeões do positivismo. Desta vez o PS não pôde dizer isso. O PS perdeu e Vital Moreira falou… ou melhor dizendo puxaram-lhe os cordéis para ele se mexer um bocado… mas teve no mínimo uma reacção estranha. Além de mostrar preocupação, tal como todos, com esse monstro estranho que é a abstenção, ressalvou dois pormenores destas eleições. Um deles foi o facto de estas serem eleições europeias, o que de facto não se notou, e a importância das mesmas num contexto de crise global. O estranho é Vital Moreira dizer que Portugal precisa da União Europeia para sair da crise. Ou seja, Vital Moreira assume a total dependência de Portugal face à União Europeia para resolver crises. E a questão que fica é que se a UE não ajudar, Portugal sozinho não consegue ultrapassar dificuldades económicas. Isto já é suficientemente grave. Mas mais grave ainda, é referir que tanto o PS e o PSD perderam votos para uma multiplicidade de partidos e que esta fragmentação política põe em causa a governabilidade do País. Primeiro, contradiz-se porque estas eleições são para as Europeias e nada têm que ver com a governabilidade do País, segundo porque deveria saber que o lema da União Europeia é “Unidos na Diversidade” e por último porque denota uma preocupante e latente opinião absolutista face à política.

Muito provavelmente Vital Moreira virá a público desmentir estes comentários proferidos na conferência de imprensa em que José Sócrates também participou.

Uma última palavra para Mário Lino. Pergunta do jornalista à saída do hotel onde são feitas as declarações à imprensa: “É o primeiro a sair da sede de campanha… está a fugir perante estes resultados?” Resposta de Mário Lino: “Eu??! Eu só vim fumar, mais nada!”

Sócrates a derrapar

Há dias escrevi aqui um texto intitulado ‘António Vitorino aceita o voto em branco’, em que basicamente manifestei, ou pretendi manifestar, surpresa por, a pouquíssimos dias das eleições, António Vitorino aceitar publicamente o mal menor: ‘voto em branco’.

Relativamente à Eurosondagem e a Rui Oliveira e Costa, igualmente confessei, nesse texto, a minha falta de confiança, por razões objectivas que apontei; razões essas que hoje, de resto, se repetem. Com efeito, não é crível que aquela empresa, a tão poucos dias das eleições, tenha prognosticado uma vitória do PS, com 36% de votos e 9 deputados, e afinal é o PSD que, segundo as sondagens das televisões à boca das urnas, vence as eleições. Há ainda a registar a possibilidade do BE eleger 3 deputados – Parabéns ao pessoal do BE.

Bem sei que ainda estamos a falar de sondagens, mas os resultados efectivos não as vão contrariar. Aposto.

Para Sócrates, prevejo que seja o início da derrapagem e oxalá o PS aprenda e recupere o estatuto de partido livre e democrático que a tralha socrática (Maria de Lurdes Rodrigues, Augusto dos Santos Silva, Mário Lino, Vitalino Canas, e outros) destruiu.

A papa Mayzena fez crescer Paulo Rangel

(20h48) Os resultados finais ainda estão longe. Para já, são as estimativas das sondagens à boca das urnas que ainda ordenam. E, a confirmarem-se os dados disponíveis, ordenam o quê? A penalização do Governo do PS que surge como derrotado. Um castigo para José Sócrates, que lidera o PS e escolheu Vital Moreira para candidato. Uma vitória para Manuela Ferreira Leite que escolheu Paulo Rangel. Uma vitória para o Bloco de Esquerda e a dupla Louça / Portas. Uma semi-vitória para a CDU, que segura eleitorado mas perde o terceiro lugar para o BE. Uma vitória para o CDS-PP que segura eleitorado mesmo depois de uma campanha fraquinha.

Acima de tudo uma vitória para Paulo Rangel, a nova estrela em clara ascensão da política nacional. Deve ter comido muita papa Mayzena para crescer assim tão depressa.

20h00m (Portuguese Time, election day)

Eis o momento!

Com estes números:
– PSD é o vencedor, tal como o BE;
– CDS não se sai mal;
– PC, a ficar atrás do BE, perde.
– PS tem uma derrota que pode ser estrondosa

Quanto às pessoas:

– Perde Sócrates e Vital, e talvez Jerónimo.
– Ganham os 2 portas.

– Grande Noite para Rangel e M F Leite

As sondagens às 20h:

RTP:

PSD – 29 %/ 34 %
PS – 28 %/ 33 %
BE – 9 %/ 12 %
PCP – 9 %/ 12%
CDS – 7 %/ 10 %

SIC

PSD – 29,2 / 33%
PS – 27,7 a 31,5%
BE – 11,6 / 13,4
PCP – 9,5 / 11,3
CDS – 7,5 / 9,3

TVI:

PSD – 30 / 34
PS – 28 / 24
BE – 9 / 12
PCP – 9 /12
CDS – 6 / 9

A abstenção galopante desde 1975

Bem sei que estamos a falar de actos eleitorais com objectivos e enquadramentos políticos diferentes. Mas, a natureza das diferenças não justifica, só por si, o desinteresse e a drástica redução da participação popular, em eleições realizadas em Portugal, e na Europa em geral.

Esta tarde, corre na imprensa a notícia de que a Direcção Geral da Administração Interna registou ao meio-dia uma participação de 11,8% dos eleitores, comparáveis aos já baixíssimos 14,2% que tinham sido averbados, à mesma hora, nas eleições de 2004 para o Parlamento Europeu.

Recordo que em 25 de Abril de 1975, na votação para a Assembleia Constituinte, estive mais de uma hora numa fila que se alongava pela rua, desde a entrada de uma escola primária situada próximo da Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, para chegar à secção de voto. Nessas eleições, e num universo de 6.231.372 inscritos, abstiveram-se 8,34% dos eleitores, mais precisamente 519.534.

Hoje, votei com demasiada calma na Escola Secundária do Lumiar, no pavilhão 3. Apresentei-me à porta da sala onde funcionava a secção de voto que me competia. Os membros da mesa, apenas com um votante à vista, conversavam tranquilamente.

Repito: bem sei que estamos a falar de eleições diferentes, mas o fenómeno exponencial de crescimento da abstenção não pode, por outro lado, converter-se em responsabilidade inteira dos cidadãos. Os políticos, esses sim, é que não podem declinar a maior fatia da responsabilidade, e sobretudo os dirigentes dos chamados partidos do poder. Não venham eles, pois, queixar-se da degenerescência da participação democrática, um resultado natural das suas políticas ao longo de anos. As populações em geral estão, de facto, decepcionadas, e em Portugal e na Europa nem sequer há um ‘Obamazinho’ para acreditarem, de novo.

Razão para impugnar as eleições?

Quantas pessoas ficaram por votar por causa do novo cartão simplex?
Eu fui atrás das pessoas que, normalmente, votam comigo. Apanhamos táxi e fomos para a Escola Luis António Verneu, para a Madre de Deus. Houve quem votasse e quem não votasse. De volta para a Escola de sempre, a Duarte Pacheco, já com o novo número, porque os senhores do simplex, sabendo da balbúrdia , instruíram um gabinete de apoio, com um jovem e um PC a fazer perguntas on-line, lá votamos.
Enviei SMS para o 3838 e estou à espera de resposta há 4 horas !
Isto é mesmo assim? Quem fica a ganhar e quem fica a perder? Qual é o
número de eleitores que ficaram impedidos de votar?
Eu e a mãe do meu filho gastamos mais de 10 euros em táxi para votar!
Há muita gente que está para isso? E se o resultado for tão apertado que
a dúvida se coloque?
Como se sai disto? Vêm-nos dizer que A Comisão Eleitoral é muito independente?
A desconfiança e a falta de credibilidade rói a Democracia!

As dificuldades para votar hoje

Pela blogosfera e pelo twiiter há, hoje à tarde, um tema em cima da mesa: as dificuldades para votar hoje, nomeadamente para quem tinha cartão de cidadão ou para quem tinha alterado, por exemplo a sua freguesia, etc… O complicómetro do Blasfémias, ou o dia eleitoral no Avenida Central, por exemplo

Na parte que me toca, enviei um sms para o 3838, recebi um sms com a indicação do número de eleitor e da freguesia onde ia votar.

Simplesmente, dirigi-me à mesa e votei.

A minha primeira vez

Estava na fila, na escola aqui ao lado onde ainda hoje vou votar . Uma emoção, um momento que jamais esquecerei. Ía chegando a minha vez e o meu nervosismo crescia.
As pessoas movimentavam-se confusas, não sabiam qual era a sua mesa, o seu número, mas tudo ordeiro e com uma alegria bem patente no rosto. Para todos nós era a primeira vez.
Pensava que quando chamassem o meu nome devia gritar algo, “abaixo o fascismo ” ou “acima a liberdade”, qualquer coisa me empurrava para gritar alto aquele momento importante nas nossas vidas.
Porque chegar à eleição de uma Assembleia Constituinte era dobrar ” o cabo das tormentas”, a primeira pedra de uma democracia pluralista .Era o farol que faltava no meio da tempestade daqueles anos de brasa e de equívocos. Todos acreditavamos num mundo melhor, mais dignidade, menos pobreza, pertencer à assembleia dos países livres do mundo.
Não cheguei a gritar e, rapidamente, percebi que não tinha alcançado, não tinha chegado ao fim da viagem, tinha tão só iniciado o caminho. Mas, com todos os mas, é um caminho que vale a pena.
A minha primeira vez foi como todas as primeiras vezes. Não esqueço as “cócegas” no fundo da barriga, mas do que me lembro com emoção, é que foi naquele momento que me senti adulto.
E, no entanto, já era pai e já tinha passado por uma guerra!

As eleições da minha infância

Quando eu era pequenino, a minha mãe fazia sempre um bolo para acompanhar a longa noite eleitoral. Era nesse dia e no dia do Festival da Eurovisão. Os acontecimentos televisivos do ano.
Na altura, não havia sondagens à boca das urnas, nem contagem dos votos em menos de meia dúzia de horas. Por volta das 9 da noite, lá ia eu para a Escola Primária da Vilarinha, onde estudei da 1.ª à 4.ª classe, para saber como é que tinha sido a votação lá na escola, porque eles afixavam o edital com os resultados. Apontava num caderninho e lá ia eu para casa contar a toda a gente – em geral, os resultados no país eram muito semelhantes aos daquela escola.
No dia seguinte, não havia escola, porque as funcionárias – a Teresinha, a Luisinha, a Sãozinha e outra de que nunca gostei, por isso não me lembro do nome – atarefavam-se a pôr no sítio as mesas e as cadeiras das salas.
Terá sido mais ou menos nessa época que morreu Sá Carneiro. Lembro-me perfeitamente. Estava a dar a telenovela quando, de repente, interrompem a emissão e aparece no ecran um pesaroso Raul Durão com a notícia fatal e sem rodeios: «Morreu o primeiro-ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro». «Ei, a Teresa!», lamentou-se a minha irmã, aludindo à sua amiga Teresa, filha do governante.
Entretanto, os anos passaram. Na adolescência, confesso-o, fui um bocado facho. Andava com bandeirinhas do PSD nos comícios do Cavaco, apoiei Freitas do Amaral e chorei com a sua declaração de derrota quando ele disse «Prá frente, Portugal», frequentei a sede do PSD do Pinheiro Manso, ali ao lado do Lar dos velhinhos. Coisas de puto com pais do PSD e sem consciência política.
Foi só uma fase. Ainda cheguei a ir ver comícios do PSD ao Molhe, mas foi só para ver os GNR. Também vi, na mesma altura, os Mler Ife Dada num comício da CDU, penso que no Mercado Ferreira Borges.
Entretanto, vi como é que era a vida, ganhei consciência política e guinei à Esquerda. Estou na área do PCP / BE, mas penso que ainda não parei a minha viagem.

Soares e Freitas, o bem e o mal e a vitória de "Buterres"

Em dia de eleições trago à memória dois episódios que à luz de hoje, me fazem sorrir.
Em 1986, então com 12 anos, participei no comício de Mário Soares na Avenida dos Aliados. Nessa altura, a “pequena” avenida encheu até deitar por fora: para mim a coisa era simples: o Soares era bom e o Freitas era mau. O Soares era fixe e o Freitas não. Quem diria que hoje, 23 anos depois, estarão os dois de telemóvel na mão a dar os parabéns ao “inginheiru”!

Em 1995 eu e um grupo de amigos, todos de Rio Tinto, fomos literalmente, os primeiros a chegar à Avenida para festejar a vitória de Guterres (durante uns tempos pensei que o homem se chamava Buterres, mas era excesso de água da piscina nos ouvidos), depois dos anos do Prof. Cavaco. Em fotografia do JN (prometo mostrar aqui quando a reencontrar) para a posteridade mostrava mais uma vez a simplicidade da análise. O bem e o mal.

Para o melhor e para o pior, hoje é tudo mais complicado e mais confuso… Do Guterres, nem sinal. Soares e Freitas partilham as mesmas pantufas e, quiça, até a botijinha da água quente. Cavaco parece de esquerda…

Será isto a memória? Olhar para trás e parecer tudo tão estranho?

Nota: desde os meus 18 anos, votei sempre! Para todas as eleições. Perdi sempre.

Outras eleições, outros tempos

Carolina Beatriz Ângelo

Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher portuguesa a votar. Em 1911, para a Assembleia Nacional Constituinte. Tinha o cartão de eleitor número 2513 e exerceu o seu direito na Assembleia Eleitoral de Arroios.

Médica, republicana, sabe-se que o seu voto recaiu em Afonso Costa, Bernardino Machado e Magalhães Lima, candidatos do Partido Republicano Português pelo Círculo Oriental.

Palpites

Agora que já fiz o que tinha a fazer, deixo um palpite para hoje:

PS:34,5%
PSD: 32%
CDU:9,8%
BE: 8,9%
CDS-PP: 4,5%

Para a urgente eliminação dos Paraísos Fiscais, assina

A CGTP tem disponível para subscrição uma petição para a urgente eliminação dos Paraísos fiscais!

Carvalho da Silva, Secretário-geral da CGTP

Carvalho da Silva, Secretário-geral da CGTP


Alguns dos acontecimentos da crise actual, como a falência de bancos, as fraudes em larga escala, como a de Madoff, têm como palco os paraísos fiscais (PF).

Muitas organizações nacionais e internacionais, incluindo a OIT e os sindicatos, diversos especialistas económicos e académicos chamaram a atenção para os perigos eminentes da “economia de casino” a qual é inseparável do agravamento das desigualdades sociais, da pobreza e da insustentabilidade do modelo económico e social seguido.

Ainda que as causas da crise sejam complexas e tenham várias nuances, não é menos verdade que um dos mecanismos essenciais utilizados, em especial empresas do sector bancário e financeiro e multinacionais, tem sido o recurso a paraísos fiscais. A actual crise financeira aí está para comprovar a viscosidade e a completa falta de transparência de muitos activos de instituições bancárias, e a própria impossibilidade de os auditar adequadamente pelas ligações existentes com os paraísos fiscais que constituem uma autêntica muralha para o apuramento das situações patrimoniais reais de muitas organizações bancárias, financeiras, seguradoras, bem como de outras actividades económicas

Estimativas de especialistas apontam para uma concentração de 26% da riqueza mundial – 31% dos lucros das empresas multinacionais americanas – nesses PF (com apenas 1,2% da população mundial), cujas actividades estão reconhecidamente associadas à economia clandestina, à evasão e fraude fiscais, ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e a muitas outras práticas ameaçadoras da estabilidade mundial, como os negócios da droga e do armamento.

As regras e recomendações de organizações como a OCDE ou a União Europeia – no essencial quanto à partilha de informação por parte dos Estados – têm tido resultados muito mitigados e muito pouco se tem avançado para a eliminação dos PF.

A CGTP-IN, e outros sectores da sociedade, ao longo dos últimos anos, têm posto em evidência a necessidade do combate à fraude e evasão fiscais e da eliminação dos PF, em particular a zona franca da Madeira, que no essencial tem servido para proteger os interesses do sector financeiro, viabilizando taxas efectivas de IRC para os bancos muito abaixo das taxas legais que seriam obrigadas a pagar. Embora se reconheça que foi percorrido algum caminho no combate à fraude e evasão fiscais, a verdade é que existe ainda muito a fazer para trazer mais equilíbrio e justiça ao nosso sistema fiscal, em que reconhecidamente, são apenas os rendimentos do trabalho que contribuem para o grosso das receitas fiscais.

Os escândalos do BCP, e mais recentemente do BPP e do BPN, evidenciaram práticas relacionadas com empresas sediadas em PF e a existência de diversos crimes – muitos deles ainda em investigação -, que lesaram muitos clientes e accionistas e penalizaram a generalidade dos cidadãos na sequência de muitas centenas de milhões de euros colocados pelo Estado em algumas dessas instituições e pagos por todos nós.

Neste contexto, faz todo o sentido, na defesa do interesse geral, dos interesses dos trabalhadores e do desenvolvimento do país, que se coloque aos decisores políticos e à sociedade portuguesa em geral a urgência da eliminação dos PF no território nacional. Não basta defender esta medida a nível europeu quando, simultaneamente, nada a faz no plano nacional. A persistência da crise e o debate acerca da urgência de uma eficaz regulação do sistema financeiro exige-o.

Os subscritores desta petição consideram que é altura das forças políticas e sociais apresentarem compromissos e propostas para a urgente eliminação dos paraísos fiscais.

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Battle For The Sun

placebo
Passavam cinco minutos da meia-noite e na minha caixa de e-mail recebia uma mensagem do iTunes: “Já pode fazer o download da sua encomenda número tal”.
Confesso, andava ansioso por receber esta encomenda. Até já tinha os bilhetes para o concerto deles no OptimusAlive 09. Há uns anitos atrás, ainda não havia Mafalda, assisti a um dos mais memoráveis concertos que o Coliseu do Porto recebeu. Sala completamente cheia. Na rua chovia a cântaros e lá dentro reinava um calor vulcânico. Um intenso cheiro a tabaco misturado com erva invadia a galeria, a tribuna e o galinheiro, o único lugar para onde tinha conseguido uns míseros dois bilhetes. O Brian Molko estava possuído ou pelo Demónio ou por Zeus, nunca cheguei a uma conclusão óbvia. O povo estava em delírio. Eu estava extasiado de todo, não sei se pela excelência do concerto se pelo intenso odor a erva que invadia as minhas narinas e me subia direitinho ao cérebro. Nessa altura, o Coliseu era uma casa de Liberdade sem igreja universal e sem proibição de fumar. A primeira nunca o conseguiu adquirir, a segunda tomou-o de assalto e os concertos, com excepção do último dos Portishead (onde, confesso, violei reiteradamente a lei, cigarro atrás de cigarro), nunca mais tiveram o mesmo sabor.
Neste dia que inicio férias, numa autêntica batalha pelo sol, escrevo estas linhas ao som do novo trabalho dos Placebo, “Battle For The Sun”. Absoluto. Puro. Rock.