o Irão e as Ayatholas portuguesas da blogosfera

Não sei o que será pior nisto tudo: se as manifestações de mau perder dos candidatos que foram derrotados por Ahmadinejad; se as manifestações de mau perder das Ayatholas portuguesas da blogosfera. Tão democratas que, para elas, se Ahmadinejad ganhou, é porque fez batota. Como dizia (já não diz) o comentador político das segundas-feiras, o do vosso Partido, habituem-se!

As vivências da democracia e a vergonha da violência

Acompanhadas pela leitura do Corão, mulheres iranianas aguardam na fila pelo momento de votarem nas eleições presidenciais mais concorridas dos últimos anos.

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(AP Photo/Kamran Jebreili, via Boston Globe)

Acompanhadas pelas canções (e por um insinuante piercing), mulheres iranianas festejam nas eleições presidenciais mais concorridas dos últimos anos.

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(AP Photo/Ben Curtis)

Afinal, a democracia ainda pode ser uma festa. E festejada à maneira que cada um considera ser a mais adequada. Pena Ahmadinejad ter vencido. Pena os confrontos das últimas horas.

Irão: Resultados das presidenciais contestados

  

Oficialmente, Mahmoud Ahminejad foi declarado vencedor das eleições presidenciais no Irão, com 62,63% dos votos. No entanto, notícias e imagens difundidas de várias origens não demonstram manifestações de júbilo pela reeleição. Ao contrário, as ruas de Teerão encheram-se de gente a protestar contra uma alegada fraude eleitoral, reclamando a vitória de Hossein Mousavi, conforme pode confirmar-se pela reportagem da CNN, feita por Christiane Amanpour, ela própria de ascendência iraniana.
Mousavi, casado com uma professora universitária doutorada em Ciências Políticas, era um candidato de quem os jovens, e em particular a juventude feminina esperava reformas profundas no sentido de eliminar a discriminação e as tradições fundamentalistas islâmicas que ainda impendem sobre as mulheres do Irão.
Mousavi, com fraude ou sem ela, saiu derrotado. Lamento o desfecho, sobretudo pela causa de liberdade em que estão empenhadas muitos milhares, para não dizer milhões, de mulheres iranianas. Sinto-me bastante triste, ao contrário do “amigo Chavez” que já endereçou entusiásticas saudações a Ahminejad.

Aventar, o blogue totalmente público


Viemos para inovar. Para fazer igual aos outros, não valia a pena.
Durante a próxima semana, entre segunda-feira (15 de Junho) e Domingo (21 de Junho), o Aventar será um blogue totalmente público. Todos os nossos leitores poderão ser, por uma semana, autores do blogue. Todos os «posts» serão publicados desde que não enveredem pelo insulto ou pela difamação. Não temos tabús, por isso publicaremos tudo o que nos chegar. De comentadores do Aventar, de comentadores de outros blogues, de autores da concorrência, de amigos, inimigos e adversários ou de gente anónima. Até do Chico da Tasca!
Basta que nos enviem os vossos «posts» para o e-mail blogueaventar@gmail.com, acompanhados do nome com que pretendem ser identificados e, se for esse o caso, do nome do vosso blogue. Podem começar a enviar desde já.
Esperamos surpresas. Queremos ser surpreendidos. A frase que se segue é azeiteira mas verdadeira: «Liberta o Blogger que há em ti!»
Quem sabe se não chegamos ao fim da semana com novos autores para o Aventar…
O que acham?

Telemedicina (I)

O SUCESSO NO ALENTEJO

Com base em orientação da OMS, a telemedicina define-se como “a incorporação das tecnologias de telecomunicação na prestação remota de cuidados de saúde, assim como na comunicação à distância de apoio de especialistas a outros médicos, incluindo acções de formação estruturadas”.

A telemedicina é, portanto, um mundo. Infelizmente o Plano Tecnológico do actual governo tem marginalizado essa actividade, não obstante referências em documentos oficiais. Recordo, por exemplo, o documento do Alto Comissariado da Saúde que a invoca explicitamente como recurso para combater e controlar as patologias cardiovasculares, AVC e Enfarte. Constituem a primeira causa de morte nas sociedades ocidentais, em que Portugal se integra (no ano de 2003, salvo erro, a taxa de mortalidade devida a este tipo de doenças atingiu +/- 34% dos óbitos totais no País).

À escassa acção governativa, respondeu o voluntarismo louvável de um grupo de médicos no Alentejo, dos quais destaco: Dr. Luís Gonçalves do Hospital do Espírito Santo de Évora, Dr. Álvaro Pacheco ex-Director Clínico do Hospital de Santa Luzia de Elvas, Dr. José Ricardo da Unidade de Saúde Local do Norte Alentejano EPE, Dr. Horácio Feiteiro do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo EPE.

Sem querer alongar-me, por agora, no tema, refiro que, entre 2001 e 2008, se efectuaram no Alentejo mais de 71.000 tele-consultas, ou caso se prefira, consultas por videoconferência. Foram dadas por especialistas localizados em hospitais a doentes, acompanhados de médicos de família, presentes em centros de saúde ou em outros hospitais que não dispunham da respectiva valência médica.

De certo modo, este meu ‘post’ é um contributo para esclarecer ínfima parte das interrogações do texto de Vítor Silva, a propósito da instalação de infra-estruturas de fibra óptica no Porto. A medicina é uma actividade que recorre com frequência à comunicação multimédia – áudio, vídeo e imagem. E uma das queixas dos praticantes de telemedicina no Alentejo é justamente a falta de infra-estruturas, que garantam a realização de acções de telemedicina ou, noutros casos, a qualidade exigível em actos médicos das transmissões por telecomunicação electrónica.

Prometo voltar em breve a este tema, porque é interessante e tenho algo mais a dizer.

SNS – A liberdade dos médicos

Perante a decisão de se avançar para um esquema de carreira dos médicos no SNS que impõe a exclusividade, o Bastonário da Ordem questiona a pretensa redução da liberdade daqueles profissionais.
As nossas corporações lançam mão de todos os argumentos para manter privilégios, incluindo os que não aguentam a mais pequena análise crítica.
No caso, liberdade, é os médicos poderem escolher entre o público e o privado. Com exclusividade ou sem ela assim seja desejo das partes.
Liberdade, é o SNS poder exigir exclusividade se isso corresponder às suas necessidades. Tem que pagar melhor, obviamente, nas isso não é um custo como o Sr. Bastonário nos quer fazer crer. Custo é ter muitos milhões de contos em instalações e equipamentos subaproveitados, exactamente porque tem médicos em part time !
Há medidas tão óbvias que custa a perceber porque não se implementam apesar de se falar nelas há décadas. O Sr Bastonário argumenta sempre da mesma forma, agitando o espantalho financeiro, a de que o SNS não aguenta pagar ao nível dos privados. Não é verdade, bem pelo contrário, é a única forma de segurar os mais rentáveis, os que maior e melhor rentabilidade oferecem.
E rentabilizar o parque instalado é um passo de gigante para que o SNS deixe de pagar serviços aos privados, quando tem dentro de si os melhores e mais caros equipamentos!
E estes, quer se queira quer não, não trabalham sem pessoal e estão em exclusividade!

Nos 25 anos da morte de António Variações

Não entregar auto-avaliação

Uma tomada de posição… para pensar:

Artigo do Público

Artigo do Público

A imagem do artigo foi retirada do http://olhardomiguel.wordpress.com/

Porque a publicidade pode ser uma arte…

Não sei se já vos disse… Gosto de publicidade. Em televisão, em jornais e em rádio. Gosto da capacidade criativa de quem tem de transmitir uma ideia em poucos segundos, seja na rádio ou na televisão, ou num piscar de olhos, nos jornais. Numa imagem, numa frase ou num som.

Os autores de anúncios e spots publicitários têm uma missão complicada. Também para eles a vida é difícil e exigente. Há que ‘vender’ um objecto, um serviço, uma ideia em muito pouco tempo – ou espaço. É essencial atrair a atenção de quem vê ou ouve. É uma arte. Como em todas as artes, há os bons artistas, os ‘mais ou menos’, os fraquinhos e os outros. Mas é uma arte diferente daquela que encontramos nos museus. Para essa, se quisermos, há algum tempo para apreciar, para digerir. Na publicidade, por norma, não. É tudo muito rápido. Tem de ser rápido.

Há que contar uma história ‘num instante’. Não é coisa banal, acreditem.

Admito que, até ver, não sou grande apreciado da publicidade feita para o meio internet. Ainda não houve muitos anúncios capazes de me chamar a atenção. É um meio mais complexo para a riqueza criativa da publicidade, reconheço. Além de que as grandes empresas do sector não foram ainda suficientemente cativadas a trabalhar a componente publicitária para o online, com as suas potencialidades mas também limitações. Quando o fizerem, haverá, estou certo, melhores anúncios.

Serviu tudo isto para introduzir a campanha que a Sociedade Ponto Verde está a promover. Há diversos spots mas aquele que é apresentado nos cinemas acaba por ser o centro de todas as atenções, por reunir um pouco de todos os outros e, acima de tudo, por um final brilhante, que vale a pena apreciar.

Voto da OEA sobre Cuba revela fragilidade dos EUA na América Latina

A votação unânime realizada nesta quarta-feira na Organização dos Estados Americanos (OEA), revogando a suspensão de 1947 de Cuba da entidade, é uma clara indicação da fragilidade económica e política dos EUA por toda a região.
A decisão da Assembleia Geral da OEA, realizada em San Pedro Sula, Honduras, resultado de 36 horas de controversas discussões, revelou o isolamento diplomático de Washington – agora o único país no hemisfério que não mantém relações diplomáticas com Havana – em face do apoio unânime da América Latina ao fim da suspensão, que dura quase há meio século.
A suspensão de Cuba da OEA e o veto do seu reingresso à organização foram impostas segundo a exigência de Washington. Após a mal-sucedida invasão da CIA à Baía dos Porcos nove meses antes, a administração Kennedy optou por uma política de isolamento a Cuba, incluindo um embargo económico dos EUA que permanece até hoje. Em Janeiro de 1962, a OEA reuniu-se em Punta Del Este, Uruguai, e adotou a medida de suspensão de Cuba da organização, declarando que “a adesão… ao Marxismo-Leninismo é incompatível com o sistema interamericano”.
Washington resistiu em fazer de Cuba o assunto predominante no encontro da OEA, mas de nada adiantou. Na véspera da secção, a administração Obama anunciou que chegou a um acordo com Havana para iniciar o diálogo em alguns assuntos, incluindo terrorismo, tráfico de drogas e serviço de correio. Anteriormente, Obama anunciou uma flexibilização muito limitada das sanções económicas, tornando mais fácil a visita de cubano-americanos a Cuba e o envio de remessas à ilha.
Nas Honduras, a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, tentou evitar que a OEA aprovasse a resolução que oferecia a Cuba a reentrada na organização, sem impor condições definidas. Em particular, a delegação dos EUA tentou introduzir uma linguagem que amarrasse a proposta ao comprometimento de Cuba com a Carta Democrática Interamericana de 2001, que definiu “democracia” como um “sistema pluralista de partidos políticos”. Invocou documentos prévios da OEA defendendo a inviolabilidade da propriedade privada.
Os membros da OEA com vínculos mais próximos com Havana – Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador – categoricamente rejeitaram tais condições e, na terça-feira à noite, parecia que a organização se encontrava num impassse. Alguns ministros das relações exteriores latino-americanos advertiram que o fracasso em alcançar um acordo poderia implicar o fim da organização.
Um grupo menor de ministros das relações exteriores – incluindo Clinton – reuniu-se à porta fechada para trabalhar numa linguagem mutuamente aceitável. N final, um acordo foi alcançado, mas somente após a saída de Clinton. Os EUA concordaram com a linguagem um pouco mais ambígua, enquanto os governos de Hugo Chavez, Evo Morales, Daniel Ortega e Rafael Correa concordaram com a inclusão de uma cláusula que acalmaria Washington.
A decisão das duas partes anunciou a revogação da medida anterior que excluía Cuba da OEA, e acrescentou que a readmissão da ilha surgiria de um “processo de diálogo iniciado com a solicitação do governo de Cuba e em conformidade com as práticas, propósitos e princípios da OEA”.
A medida passou, sem oposição.
Os países que defenderam a oferta incondicional para readmitir Cuba interpretaram esta segunda cláusula como meramente processual, indicando que a readmissão de Cuba seria realizada sob as regras existentes da OEA.
A delegação dos EUA, contudo, tentou apresentá-la como uma justificativa a sua solicitação, para que Cuba primeiramente provasse seu compromisso com a democracia, conforme definido nos documentos anteriores da OEA. Clinton, que voou para o Cairo para juntar-se ao presidente Barack Obama, afirmou a vitória com a declaração: “Estou contente que todos tenham concordado que Cuba não pode simplesmente retomar o seu lugar na OEA.»
O Secretário de Estado para a América Latina, Thomas Shannon, um sobrevivente da Administração Bush, também tentou colocar a melhor face na resolução, dizendo à Assembleia que Washington “não estava interessada em travar velhas batalhas ou viver no passado”. Apelidou a medida de “um acto de estadistas”, enquanto insistia que ela defendia “o nosso profundo compromisso com a democracia e os direitos humanos fundamentais de nossos povos”.
Este discurso inflamado, de qualquer modo, não conseguiu esconder o significado essencial do voto da OEA. Ele representou uma contundente derrota para Washington, que vem tentando administrar cuidadosamente um descongelamento parcial de relações com Cuba, ao mesmo tempo em que continua sua campanha pela mudança no regime em Havana.

MNN – Movimento da Negação da Negação
http://www.transicao.org/

Falando de democracia: Um eléctrico chamado socialismo (II)

(primeira parte aqui)

Esta cadeia de acasos da vida apontada por José Ricardo Costa que, por certo, não é exaustiva e se queda pela superfície, pela nata dos nomes conhecidos, este sistema endogâmico, como muito bem diz, a política de casamentos como a nobreza feudal praticava, faz que a elite governante, seja quais forem os resultados eleitorais, nunca mude no que é essencial – mudam e trocam-se alguns nomes, mas a nova aristocracia vai cimentando o seu poder. O «bloco central» não é uma figura de estilo, ou uma «invenção de esquerdalhos ressabiados», como já ouvi dizer. Existe, funciona, faz complicadas operações de engenharia financeira (trafulhices, simplifica o nosso bom povo); por exemplo quando um membro da tribo administra um banco vende acções a baixos preços, sabendo que o seu valor vai subir no dia seguinte, fazendo-o ganhar legalmente centenas de milhares de euros de um dia para o outro (favor que o beneficiado não deixará de pagar na primeira ocasião que se apresente, pois uma das regras do jogo é a não haver almoços grátis); os membros da tribo arranjam cargos e bons empregos uns aos outros, na vida académica amparam-se mutuamente, e quando algum deles ou um familiar tem problemas com a Justiça, logo aparecem os amigos a dar uma mão. É gentinha medíocre, de ideais rasteiros e patrimónios elevados, mas está aí para ficar. Governa, sobe aos mais altos lugares do Estado e desce às mais baixas alfurjas das negociatas obscuras. Não se chamam Bourbons, Habsburgos ou Braganças, têm nomes vulgares, iguais aos de toda a gente, são filhos, não de condes ou de duques, mas de gente comum, com profissões ou negócios comuns, mas usam as mesmas artimanhas dos condes e dos duques, incluindo a política de casamentos. Tráfico de influências? Nepotismo? Não, que ideia, apenas boas relações entre familiares e amigos, mesmo que pertençam a partidos rivais. O fair play prevalece.
A endogamia, termo que na acepção mais próxima da tese de José Ricardo Costa, significa casamento dentro da própria família, tribo, classe ou entre habitantes dum povoado ou região, foi amplamente praticada entre as famílias nobres não só na Idade Média, como na Idade Moderna, chegando mesmo até aos nossos dias nas relativamente numerosas monarquias que subsistem em nações europeias. Sem cair no pormenor, pode dizer-se que em várias épocas e situações, famílias, irmãos, primos, filhos e pais, ocuparam tronos, guerrearam-se entre si, provocaram milhares de mortos, terríveis devastações entre os súbditos. Muitas vezes, depois destas hecatombes horrorosas, passando por cima dos cadáveres e das ruínas, selavam a paz com beijos e abraços, tratando-se por «querido irmão», «amado primo», «meu bondoso pai». Bem sei que aqui em Portugal não estamos a falar de Bourbons ou de Habsburgos, mas sim de gente com linhagens menos ilustres. O que importa salientar é a técnica e a táctica, tão semelhantes. Perguntarão? E só em Portugal é assim? Claro que não. Veja-se o caso de Itália, país com uma democracia com mais de seis décadas, com um nível cultural e económico mais elevado do que o nosso, onde um mafioso truão é, em 2008, democraticamente eleito primeiro-ministro pela quarta vez. De origens humildes, imagem típica do self-made man, é dono de uma das quinze maiores fortunas do mundo. Só há uma diferença – ele não diz que é socialista nem que quer transformar a sociedade…
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«Sistema daqueles que querem transformar a sociedade pela incorporação dos meios de produção na comunidade» (…) «pela repartição, entre todos, do trabalho comum e dos objectos de consumo». O meu querido e saudoso amigo José Pedro Machado enganou-se rotundamente na sua definição ou então estava a falar de outro socialismo. O filólogo brasileiro, sendo menos ambicioso, aproximou-se mais da realidade «conjunto de doutrinas de fundo humanitário que visam reformar a sociedade capitalista para diminuir um pouco das suas desigualdades». Está mais próximo, embora a redução das desigualdades diminua muito pouco, tão pouco que às vezes nem se nota que haja alguma redução. As doutrinas de fundo humanitário são, de facto, um péssimo motor para o socialismo.
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Continuando a usar a metáfora inspirada na bela peça de Tennessee Williams, aonde nos levará este eléctrico chamado socialismo? Não há muitas dúvidas – o eléctrico cor-de-rosa do socialismo transportar-nos-á ao mesmo lugar onde nos levaria o machimbombo cor-de-laranja do PSD (levaria, não, levará, porque a viagem será feita por troços – eléctrico, machimbombo, eléctrico…) até à estação terminus – a entrega total da soberania, do direito de gerirmos os nossos recursos, a centros de poder e decisão «comunitários», localizados, por mero acaso, em Berlim e Francoforte, em Paris, Bruxelas ou Estrasburgo… A aristocracia indígena embolsará o produto da venda e os felás e felaínas (nós) mal nos aperceberemos do que se passou. Perda da independência? Não, que ideia. Eles abrirão e fecharão fábricas quando e como quiserem, dirão como devemos organizar a nossa economia, as nossas vidas, o que devemos comprar, quanto devemos pescar, o que poderemos semear… Mas a selecção nacional de futebol, a bandeira e o hino, símbolos maiores da independência nacional, talvez não nos estejam vedados.
Nem sei porque me preocupo.

E se na bola a bolha rebenta?

Tal como a bolha do imobiliário? Os negócios que se concretizam no futebol não são sustentáveis, a prazo isto tudo vai dar “bolha” e, como todas as bolhas, mais tarde ou mais cedo rebenta.
Os bancos retraiem o crédito, os adeptos vivem uma crise que não dá para aventuras, há milhões de desempregados em Espanha e em todo o mundo que são adeptos. De onde vem o dinheiro? (de onde vem e para onde vai é uma das minhas obsessões)
Barcelona rebola-se e diz que por 300 milhões (tanto quanto o presidente do Real diz que tem para gastar) vende-lhe a equipa que ganhou tudo! Com o “merchandise” não recupera a massa, é preciso vender 30 milhões de camisolas.
O Presidente do Real é o dono da maior empresa de construção civil de Espanha, há muita especulação, dinheiro que corre por fora, que precisa de entrar no circuito.
Este dinheiro, em montantes formidáveis com origem na especulação de terrenos e em esquemas de fuga ao Fisco, mesmo que obtenha uma margem mais baixa de rentabilidade, já vale a pena.
O porta voz do Barcelona é desta opinião. Pode estar a falar o despeito, mas não se vem para os jornais dizer isto se não houver alguma segurança.
E se na bola a “bolha” rebenta?