POEMAS DO LUSCO-FUSCO

A ti e ao teu nome
dei um lugar no pensamento
uma casa feita de sonhos
um sol e um rio
o cantar de um rouxinol
e a força de um momento.
Foi esta a arte mais dura.
Os momentos não se fazem
nem se criam
nascem do próprio momento
que acontece algures
num lindo lugar do pensamento
onde há uma casa feita de sonhos
um sol e um rio
o canto de um rouxinol
e a força de um momento.

               (adao cruz)

(adao cruz)

Aos colegas aventadores – nos quatro meses do nosso blogue

aventar montagem
NÃO PERGUNTES O QUE O AVENTAR PODE FAZER POR TI. PERGUNTA O QUE PODES FAZER PELO AVENTAR!

DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (8)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (8)

Negando os limites da sua própria natureza e da sua imaginação, o Homem assume-se como centro do Universo e inventa um Deus, seu Pai, cuja ontológica preocupação máxima, permanente e eterna, é a salvação da alma deste ridículo micróbio, desprezando todos os outros seres cuja diferença está, apenas, num número inferior de neurónios! Admitindo absurdamente a pré-existência de tal Deus, a sua revelação exclusiva ao animal-homem, repito, apenas porque os neurónios deste são mais numerosos do que os do cão ou do macaco, faz rir. Consideram os cientistas, após as últimas fotografias das sondas que foram até Marte, que este planeta deve ter contido muita água e provavelmente vida, há milhares de milhões de anos. Se assim for…que vida? Animais com mais ou menos neurónios do que o Homem? Sem neurónios mas com outro substrato da razão que não imaginamos? Outros seres, estruturas materiais desconhecidas, mas, eventualmente, muito mais complexas do que o Homem? Sendo Deus sempre o mesmo – Deus é Uno e Universal – onde estará a alma dos marcianos? No céu? No inferno? Não a tinham? Coube-lhes a pouca sorte de lá não terem chegado os missionários e todos os bons pregadores da fé e do império a tempo de os salvar? Quando a terra ficar assim deserta como Marte – do que não duvido, a avaliar pelo grau de destruição presente nos nossos dias – e ao fim de milhões de anos chegarem aqui os habitantes de outra galáxia, adivinharão a existência de um punhado de almas bem-aventuradas chilreando eternamente na imensidão do paraíso, e de outro punhado gemendo nas profundezas do inferno? Nascido, revelado ou realizado em tão microscópico cérebro, tal Deus universalmente omnipotente, omnividente e omnisciente nunca poderia existir, pois ao primeiro sopro de vida geraria, de imediato, a sua auto-destruição, através de uma incompatível e absurda auto-subestimação divina decorrente de tão inglória e mesquinha concepção.
(Continua).

              (adão cruz)

(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Há vales e oliveiras
Há cardosos e afins
Ai meu rico S. João
Só nos faltavam jardins.

Primeira promessa ao charco…

A regionalização afinal vai precisar ainda de uns consensos antes de se avançar com o Referendo, diz o Secretário Geral um dia depois de apresentar o programa. do PS…..

São necessárias umas conversas prévias, apalpar sensibilidades ( não vá esta coisa ainda nos tirar votos…) e assim ficamos com um pé numa margem e o outro na outra que isto não há como cobrir tudo e todos, e ninguem dá por nada, assim como assim tambem ninguem lê o programa toda a gente já sabe que as promessas são tantas que mesmo nós vamos ter que fazer um esforço para saber o que afinal é para andar pra frentex e o que é que é apanhado pelo Simplex que é nunca mais ninguem ouvir falar nas coisas não vá a malta julgar que isto é mesmo pra levar a sério.

A regionalização tem o defeito de ser muito discutida há demasiada gente a pensar que isto pode ser mais uns tachos para o pessoal político e não podemos esquecer que o primeiro referendo foi à vida e isso não se esquece com essa facilidade toda o melhor mesmo é pôr aí uns rapazes da Jota a dizerem que sim e nós, mais astutos, vamos dizendo que é preciso umas conversas prévias que bem vistas as coisas ninguem dá por nada.

Bem vamos lá a ver se arranjamos uma promessa para hoje! Prof. Mambo já acabou a reflexão?

Ronaldo: jackpot

Agora que ronaldo virou unidade monetária, um spamcartoon mesmo a propósito.

Bobby Robson não me deixa saudades

O Fernando Moreira de Sá fez o elogio fúnebre do antigo treinador inglês do FC do Porto, Bobby Robson.
Lamento não partilhar dessa tristeza e, em relação ao agradecimento de todos os portistas, podes excluir-me pelo menos a mim.
Como treinador, nunca passou da mediania. Nunca ganhou nada de realmente importante. Como seleccionador inglês, foi um longo fiasco de 8 anos.
Como treinador do FC do Porto, retenho sobretudo a perseguição que moveu ao Domingos, o melhor jogador do plantel, durante uma época inteira. E retenho ainda mais a forma como, depois de o FC do Porto lhe ter dado a mão no pós-despedimento do Sporting e no cancro que o atormentou, moveu um processo em tribunal ao clube, mesmo sabendo que tinha sido libertado sem custos para ir treinar o Barcelona. Alegou depois que não tinha percebido os termos do acordo.
Dele, retenho ainda que, em quatro anos de Portugal, não se dignou a aprender uma única palavra portuguesa. Dir-me-ão que os ingleses não têm jeito para línguas. Depois de ter vivido este ano com um rapaz inglês que cá estava ao abrigo do Comenius, e que em meia dúzia de meses aprendeu a falar um português perfeito, esse argumento não me convence.
Bicampeão nacional? Até o Carlos Alberto Silva o foi…
Nunca tive jeito para elogios fúnebres. Respeito os mortos, mas as verdades são para se dizer.

P. S. – A propósito, morreu nos últimos dias alguém que também não me deixa saudades: Rui Cartaxana, um dos mais encarniçados anti-portistas que conheci. Que alcance agora a paz que não conseguiu ter nos últimos 30 anos de vitórias do FC do Porto.

sl benfica:

Aquilo que a nossa imprensa desportiva não diz e que os benfiquistas não querem que se diga:

“As four European clubs line up to take part in the Amsterdam Tournament from July 24 to 26, you will notice that it has lost the magic it once possessed. Big giants of European football (Manchester United, Arsenal, Internazionale, Liverpool, Porto) dreamt of playing in this prestigious tournament at the Amsterdam Arena in the Netherlands, one of the most celebrated stadiums in the world. They would use this famous tournament to fine tune their teams for the upcoming European and domestic season but not any more, especially if you look at this year’s line-up.

The line-up for the 2009 Amsterdam Tournament is Ajax Amsterdam, Atletico Madrid, Sunderland FC (Yep! That very same Sunderland that was fighting to stay in the Premier League last season) and Benfica. If you look at this line-up you will see that it’s lost its previous pulling power and really starting to fade as a prestigious tournament. The four teams contesting don’t have the attractiveness that has always boosted Amsterdam’s tourism business in July and August when the tournament is played”.

Ler o resto AQUI

O país não cresce com os governos PS

O PS tem duas atávicas verdades: O Estado comanda e intervem em tudo e a iniciativa privada é apenas tolerada.

Daqui resulta que o país não cresce, a economia não cria riqueza. A realidade está aí, o PIB sempre divergiu com os restantes países da UE pela mão do PS.

Não crescendo o PIB não cresce a riqueza, não havendo riqueza não há oportunidades para todos, não havendo oportunidades para todos o país torna-se mais injusto.

O PS presioneiro deste círculo vicioso tende a engrossar ainda mais o Estado, aumentando a despesa, o que origina o aumento dos impostos. Chegados a este limite, em que já não pode aumentar a despesa e os impostos, recorre ao crédito cada vez mais dificil e cada vez mais caro.

É a situação actual, a situação em que estamos!

Sem o aumento da produtividade, sem o aumento da inovação, sem o desenvolvimento de mercados com regras mas competitivos, o nosso destino é manter-nos na cauda dos países.

E isto não se consegue com ciclos de Megaprojectos, com empresas “confortadas” com golden shares e em monopólio ou em Cartel, com a banca a ter tratamento de favor. Consegue-se com mais competitividade, com mais produção de bens e serviços transaccionáveis, com mais inovação.

O Programa do PS é mais do mesmo. O Estado em conluio com os grandes grupos económicos e com as empresas públicas toma conta de nós ! Por mim não, obrigado!

Atak…

_40016472_shearer
Morreu Boby Robson.

Todos os portugueses se lembram da sua passagem pelo Sporting e pelo Futebol Clube do Porto.

Lembro-me de ouvir muitas vezes que era preciso “atak”, “atak”…

Nos últimos anos, o seu ataque contra o cancro que acabaria por não conseguir vencer.

Paz à sua alma.

Até sempre Sir Boby Robson

Nos 80 anos do nascimento de José Afonso (VII)

(continuação daqui)
G. Catarina Eufémia


Em Dezembro de 1971 é lançado o álbum Cantigas do Maio, gravado em França, num estúdio situado numa quinta dos arredores de Paris. José Mário Branco, também ele grande cantautor da Resistência antifascista, que, como participante, estava presente na gravação, conta que, a certa altura, lhe disse: «`Vamos a isto Zeca´ `Não tens nada para ir metendo?´, respondeu. Não estava ainda pronto; a alma do Zeca, apercebi-me depois estava toda no Alentejo, nos olhos de Catarina Eufémia. Como tantas vezes lhe acontecia, andava pelo estúdio, de cá para lá, como um jovem leão na sua jaula. Até que, já ao fim da tarde, disse: `Vou lá fora ver as vacas´» (…) «Desapareceu durante uma ou duas horas. Quando voltou já era quase noite: `Vamos gravar a Catarina´. Zeca em metade do estúdio, só e às escuras cantou. Uma só vez. E é essa que está no disco. Nós, privilegiados espectadores, estávamos na central técnica todos a chorar, incluindo o técnico francês. `Acham melhor que cante isto outra vez?´ `Não, Zeca, não. Está muito bem assim».

Acrescente-se que Cantar Alentejano, dedicado à ceifeira do Baleizão, Catarina Eufémia, morta a tiro, em 1959, pelo tenente Carrajola (da GNR), é outra das composições de Zeca que rapidamente se difundem entre a população. Hoje, muitas mulheres portuguesas com mais de 30 anos têm o nome de Catarina e algumas delas talvez nem saibam que assim se chamam por que seus pais ou padrinhos quiseram homenagear Zeca e a ceifeira assassinada.

Neste ano de 1971 é, pela terceira vez consecutiva, distinguido com o prémio da Casa da Imprensa. Em 1972, no meio de grande polémica, é eleito por votação dos leitores do Diário de Lisboa, como «Rei da Rádio». Intelectualmente, o concurso estava mais do que desprestigiado, pois a eleição contemplara nos anos anteriores cantores ligados ao chamado «nacional-cançonetismo». Por isso, participa no Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro. Grava em Madrid, com a colaboração do cantor galego Benedicto e dos Aguaviva de Manolo Díaz, Eu Vou Ser Como a Toupeira. É publicado pela editora Paisagem o livro José Afonso. Em Abril de 1973 é detido pela PIDE/DGS: «Bateram à porta» (…) o meu filho Zé Manel foi abrir. O inspector apresentou-lhe o «crachat» da polícia e ele voltou-se displicentemente para a sala a dizer ‘oh pai é a prestimosa’. Fica 20 dias encarcerado na prisão de Caxias. Aproveita, na solidão da cela, para escrever Era Um Redondo Vocábulo. Em Dezembro sai o álbum Venham Mais Cinco, que grava em Paris, sempre com a colaboração de José Mário Branco.

Sir Bobby Robson:

Morreu Bobby Robson aos 76 anos.

O antigo treinador do Futebol Clube do Porto, Sir Bobby Robson, deixou-nos. Paz à sua Alma. Todos nós, Portistas, lhe estamos gratos.

Obrigado Mister Robson!

Cartazes das Autárquicas (Évora)

(iniciativa explicada aqui)
evora
José Ernesto d’Oliveira (actual Presidente), PS, Évora (enviado pela leitora Maria Monteiro).

Já não há milionários

ronaldos

há ronaldários

Hoje é o Dia Mundial do Orgasmo…

picante

Do grego orgasmós, movimento impetuoso dos humores, é o clímax do acto sexual. No homem é acompanhado da ejaculação. Na mulher, corresponde à excitação máxima durante a qual ocorrem contracções na vagina, a que se segue, em ambos os casos, o declínio da tensão.

O dia, claro, foi criado com intuitos comerciais por uma rede de sex-shops.

Agora que estão informados, se me dão licença, vou embora. Até amanhã.

Soares e "a marcha pela dignidade"

Soares e a “marcha pela dignidade”
O post de Ricardo Pinto sobre Mário Soares espevitou os meus anticorpos, e criou um pequeno processo inflamatóro, recidiva de um outro de há uns anos atrás, que fui tentado a repescar:

Por mais voltas que dê, Mário Soares não consegue desfazer o “S” no fim das curvas.
Hoje resolveu falar de Chiapas, para dizer que deve ter sido dos primeiros portugueses a chamar a atenção para Chiapas e para a originalidade da revolta dos índios, liderada pelo sub-comandante Marcos. Mesmo que seja verdade, no que não acredito, o que o Dr. Mário Soares escreveu em 1993 não passou de palavras.
Todos somos fingimento, para descanso dos nossos fantasmas, mas há limites.
Será que Marcos se inspirou em Mário Soares e na sua histórica relação com a reforma agrária no Alentejo?
Chiapas e Alentejo são muito semelhantes no essencial.
Mário Soares lembra-se, sem a simpatia que concede ao EZLN, dos “amanhãs que cantam” e de “a terra a quem a trabalha”, para ele esconjurados cânticos do diabo que procurou exorcisar de todas as formas e feitios. O resultado aí está, o Alentejo seco e morto, o Alentejo da fome, do abandono, do desepero, da solidão e das lágrimas. O Alentejo dos valorosos inimigos da Reforma Agrária, que Soares encabeçou quando ainda não pensava conceder a Marcos “a activa simpatia, para não dizer solidariedade, de personalidades progressistas do mundo inteiro”. O Alentejo das coutadas e de todos os que mentem o negro da fome com as cores da pompa. O Alentejo – Chiapas de todos os hipócritas.
Hoje já não se ergue no ar o alarido da Reforma Agrária, e fica bem a solidariedade com o mítico comandante.
O Alentejo ou o México dos 50 milhões de pobres são irmãos.
O holocausto do mundo de hoje, a que assistimos sentados nesta vergonhosa plateia, deve-se aos mesmos vampiros de sempre, que crucificaram a Africa, sugaram a América Latina, humilharam o Alentejo e escravizaram Chiapas, gerando fortunas absurdas, fabricando tiranos e armando poderosos exércitos. De uma forma ou de outra, não parece assim tão distante a compreensão ou o silêncio de Soares.
Os Alentejos e Chiapas da escravatura não nasceram da indolência nem da falta de empreendimento dos povos que trabalham, tantas vezes em troca de pão. Os Alentejos e Chiapas da opressão não foram criados por um povo que vive as leis da fraternidade e da justiça. Os Alentejos e Chiapas da fome não se devem à esperança de trigo para toda uma nação, água para todas as terras e pão para todas as bocas.
Soares ajudou a que o Alentejo de hoje já não caiba na letra dos amanhãs que cantam.
Se uma canção parece nascer lá para o Alentejo de Chiapas, não é Mário Soares quem tem voz para a cantar.

              (adão cruz)

(adão cruz)

O retrato da pobreza após 11 anos de governos PS

“Estou satisfeito comigo mesmo” diz Sócrates. Parabéns!

1- Seis milhões de portugueses ( mais de metade da população) vivem abaixo do que a Europa considera o limiar da pobreza.

2 – Um terço não tem dinheiro para aquecer a casa no inverno

3 – A esmagadora maioria ganha muito menos do que o “ordenado de pobreza ” espanhol

4 – O cenário vai agravar-se ao longo dos próximos 8 anos.

5 -Mais de um milhão de pessoas não tem dinheiro para comprar os remédios que os médicos receitam

6- Há nove milhões e vinte mil portugueses que ganham menos que os antigos 300 contos. E meio milhão de desempregados.

7- Comparados com os países europeus que usam o Euro como moeda os portugueses estão abaixo de todos os seus vizinhos.

8- A taxa de esforço que é exigido ao cidadão comum para pagar os bens essenciais é a maior para os portugueses. Por exemplo um litro de leite em Portugal custa o mesmo que em Espanha, mas os espanhóis ganham muito mais.

9- O estudo do ISCTE que estou a seguir revela que 59% dos portugueses recebem menos de 900 Euros /mês.

10- Na habitação o esforço financeiro exigido aos portugueses é o dobro do exigido aos espanhóis.

E o pior é que tudo isto se vai agravar no futuro com as políticas que metem o dinheiro nos bancos e nos grandes grupos económicos, que não apoiam as PMEs, que enterram dinheiro em obras públicas desnecessárias , nos contratos tipo “contentores de Alcântara”, nos concursos públicos substituídos por ajustes directos aos amigos, no Estado cada vez maior e mais gastador.


Coisas do DIABO : Os 10 pecados de Sócrates

José Sócrates levou o PS a um limite aonde nunca tinha estado : uma votação inferior a um milhão de votos! E em Democracia há sempre boas razões para explicar a votação do povo soberano. Ei-las:

1 – 150 000 empregos prometidos e o que nos deixa é a mais alta taxa de desemprego de sempre.

2 – Obras públicas jamais. Nenhuma das grandes obras públicas se iniciou e têm contra si a maioria da opinião pública

3 – PME – Pequenas e Miseráveis Empresas. Mais miseráveis que nunca. Em desespero Sócrates promete todos os dias mais uma medida.

4 – Engasgos na Saúde: A demissão de Correia de Campos foi um erro tremendo, após a sua saída deixou de haver política de Saúde.

5 – O erro da Cultura – O próprio Sócrates admite que foi um erro a falta de atenção que devotou à cultura. O Património, algum dele Património Mundial, está ao abandono.

6 – Défices : “Está para nascer um Primeiro Ministro que faça melhor no déficit do que eu.” Mas a realidade é bem diferente. PIB a cair 4%, desemprego próximo dos 10%, endividamento externo equivalente a 110% do PIB, déficit externo de 8% a 9% e um déficit estrutural do Sector Público da ordem dos 5%. É uma situação muito séria. Não há paralelo na economia portuguesa.

7 – Justiça à beira do abismo – Magistrados do Ministério Público. “A Justiça está à beira do abismo”. Nesta área o governo não acertou uma só vez.

8 – Falhanço na Segurança : Há hoje mais crime em Portugal. Os agentes da segurança perderam o respeito por Sócrates, em manifestações várias, proferiram insultos e chegaram a atirar bonés à porta da residência oficial do Primeiro Ministro.

9 – Deseducação : Sócrates prometeu aliar-se aos professores, durante a campanha eleitoral de 2005.Acabou com os docentes contra o PS. Houve 150 000 pessoas na rua a pedir a cabeça da Ministra da Educação.

10 – Vida pessoal : A licenciatura de Sócrates, projectos urbanísticos, “esquecimentos” no caso Freeport quando afirmou desconhecer alguns dos actuais arguidos no processo.

É muito natural, depois da derrota nas eleições Europeias que Sócrates saia derrotado nas próximas legislativas. Que se pode esperar de alguem que deixa o país neste estado após quatro anos de maioria absoluta?

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE ( )

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (5)

Muitos de nós não passamos de meros prescritores de remédios, tratadores de números e não de pessoas, colesteróis, ácidos úricos e tensões arteriais, sem a mais pequena preocupação de avaliar a pessoa no seu todo e em toda a dimensão e profundidade do seu problema. A hipertensão arterial, por exemplo, fenómeno extremamente complexo, é frequentemente encarada com a mesma simplista filosofia com que se olha a pressão dos pneus. Muitos de nós não passamos de meros inventores de falsas doenças e executores de duvidosas intervenções, impostas de forma irreflectida pelos resultados dos abusivos exames subsidiários que se requisitam sem critério e sem critérios. Falsas doenças criadas pela má execução e interpretação dos exames ou pela nossa incapacidade em distinguir o essencial do secundário, valorizando achados que no contexto global não têm grande significado patológico e menosprezando, tantas vezes, situações graves.
Sem desvirtuar, repito, o grande papel da indústria na saúde, não nos restam dúvidas de que os dois principais agentes deste fracasso e deste lamentável desvio da correcta aplicação dos meios de diagnóstico e terapêutica são a ganância doentia do ultramonetarismo que também invadiu o humanitário campo da assistência, e a irresponsabilidade médica. Só a competência médica, a sua relativa mas digna independência e a consciência do poder que tem na criação da autêntica saúde social, podem fazer ver ao universo de uma boa parte de políticos e empresários que a sua grande vantagem está numa conjuntura sem expressão, num quadro sem cores, num mar sem ondas de moral e de escrúpulos, que anulam a dignidade, fundindo fins e princípios numa amálgama que não carece de percurso. Todos, de uma forma ou de outra, somos fautores e vítimas deste comportamento inglório, criadores de um desenvolvimento mal definido, mal identificado e mal planificado, mal conduzido pela mediocridade interpretativa e previsional do “homem de acção” que se sente, em qualquer campo, atraído pelo primeiro lugar. Estes pseudo-progressos e duvidosos desenvolvimentos que o dinheiro e o poder impõem como dogmáticos, são os principais factores de apagamento da suprema imagem que está no horizonte do nosso trabalho: o doente.
Nenhuma das indústrias vai deixar de cumprir o seu papel, com o viciado argumento, mais ou menos compreensível, de que são elas as construtoras da riqueza e da, praticamente única, investigação. Esse argumento não constitui nem pode constituir um meio de coacção no aliciamento dos médicos para a interpretação de papéis, nem sempre dignos, no duvidoso palco das encenações científicas. Médicos nem sempre fáceis pela sua menos elevada hierarquia, nem sempre difíceis pela sua cimeira postura. O valor moral e ético da profissão médica não pode confundir-se com nada disto. O médico tem uma posição privilegiada para ser exemplo, exemplo que até pode ajudar a fazer reflectir e a flectir para o lado mais justo os poderosos que sobre ele exercem pressões menos correctas. O valor moral e ético da profissão médica não se restringe, sequer, ao valor ético da saúde. O valor do médico e do seu acto ultrapassa o valor moral da própria vida. (Continua)

            (adão cruz)

(adão cruz)

Nos 80 anos do nascimento de José Afonso (VI)

(continuação daqui)
F. Cantares

Ainda em 64, é editado o EP Cantares de José Afonso. Sai também a público o álbum Baladas e Canções (reeditado em CD em 1996). Neste ano parte para Lourenço Marques, dando aulas, primeiro nesta cidade e, depois, em 1966 e 1967, na Beira. Nesta cidade, compõe a música para a peça de Brecht A Excepção e a Regra. Trabalha também no Centro Associativo dos Negros, dirigido pelo Dr. Luís Arouca. Em 1965 nasce a sua filha Joana e em 1967 regressa a Portugal. É colocado como professor em Setúbal. Devido a uma grave crise de saúde, é internado numa clínica. Quando sai, 20 dias depois, fora expulso do ensino oficial. Estamos em 1968. Embora mais tarde venha a ser readmitido, opta por se dedicar exclusivamente à música. A Nova Realidade, uma pequena editora de Tomar, publica o livro Cantares de José Afonso, com um prefácio de Manuel Simões. O livro, que contém as letras das canções e notas do autor, esgota-se em poucos dias. Sai uma segunda edição que acaba por ser apreendida pela polícia política. Em 1992, com a chancela da Fora do Texto, uma cooperativa editorial de Coimbra, sairá a 3ª edição que, além do prefácio de Manuel Simões, terá também novos textos introdutórios deste e de Rui Mendes. Ainda em 1968 é editado o álbum Cantares do Andarilho. Zeca participa activamente na CDE de Setúbal durante a campanha para eleição de deputados à Assembleia Nacional que se segue à «queda da cadeira». Em 1969 saem o álbum Contos Velhos, Rumos Novos e o single Menina dos Olhos Tristes e Canta Camarada, canções em que é acompanhado à viola por Rui Pato. É distinguido com o prémio da Casa da Imprensa para o melhor disco. Nasce o seu filho Pedro. Em 1970, a Nova Realidade lança o livro Cantar de Novo, com uma introdução do poeta António Cabral (1931-2007). É editado o álbum Traz Outro Amigo Também, gravado num estúdio de Londres. Desta vez, Rui Pato não o poderá acompanhar, pois a polícia política não autoriza a sua saída do País. Ganha novamente o prémio da Casa da Imprensa. Vai a Cuba participar num Festival Internacional de Música Popular.

E se o Miguel Vale e Almeida quiser dar sangue, será que deixam?

http://www.ionline.pt/conteudo/15804-gays-que-nao-se-assumam-devem-ser-processados

“O filho de Rambow”: para maiores de 30

son_of_rambow

Ao primeiro impacto, a ideia é deixar de lado. Um filme chamado “O filho de Rambow” não pronuncia nada de bom. Resistamos, pois, a essa tentação. Quantos não mereceram o mesmo rótulo e depois se revelaram belas películas?

O primeiro impacto parece querer solidificar a impressão ou talvez seja ainda algum preconceito a reinar. Vai o filme nos seus cerca de 10 dos 96 minutos que o compõem e ainda não se vislumbra uma saída. O pior cenário parece ganhar força. Regressa a tentação: o melhor é desistir. Nunca fui de deixar filmes a meio ou a caminho de meio mas o tempo ajudou a perceber que o tempo é demasiado precioso para nos colocarmos com pruridos deste género.

De repente, duas portas abrem-se. Literalmente e para o corredor de uma escola. “O filho de Rambow” ganhou nova vida. Sabem como era, quando ganhávamos créditos nas velhas máquinas que jogávamos nas romarias ou num café? Aqui foi o mesmo. Uma cena, uma trintena de segundos e o filme ganhou uma série de créditos. Uma mão cheia de ‘vidas’ que hão-de chegar ao fim.

Por não poder ver televisão, proibida pela religião que a família professa, Will Proudfoot tem de sair da sala, enquanto os colegas vêm um documentário. Por se comportar mal nas aulas, Lee Carter é expulso da sala. Ambas são situações recorrentes. Mas daquela vez os dois alunos encontram-se.

Diferentes como da água para o vinho. Lee Carter é livre, rebelde e quer fazer um filme para participar num concurso. Will é tímido e sonhador, desenhando super-heróis na Bíblia. Um e outro acabam por unir esforços numa tentativa de realizar um filme inspirado em Rambo.

Estamos em 1982 e o mundo vê chegar às salas de cinema “First Blood”, o primeiro Rambo. Bastaram umas cenas de Stallone, gravadas à socapa e vislumbradas sem querer numa televisão – que não poderia ver -, para Will fantasiar em ser o filho de John Rambo e querer salvá-lo do lar da terceira idade. Estava encontrada a raiz do filme para o concurso de curtas-metragens.

O resto é uma história de improvável amizade de dois rapazes que se sentem sós no mundo e o sonho de querer fazer aquilo que viam nos filmes.

Quem foi adolescente nos idos de 80 sabe do que falo. Este é um filme adequado para quem tem mais de 30. Para quem passou por aquelas fases, hoje estranhas, ontem tão naturais, de querer copiar Rambo, de matar todos os ‘maus’ e salvar os ‘bons’, de desejar fazer, na práticas, os milhões de filmes que construíamos – fantasiávamos – na cabeça, com banda sonora e tudo. Passando pelos vilões, até ao restante elenco e nós, sempre os heróis, que iríamos salvar o mundo das piores atrocidades.

O filho de Rambow” é uma película cheia de alma, de interpretações cheias de querer de um grupo de jovens inexperientes. Sem ter uma história brilhante, apresenta-se fresco, com um humor mordaz e uma acentuada componente nostálgica para quem viveu nos oitentas a transição da meninice para a adolescência.

A mentira em directo do Cordeiro das farmácias

Além de ter chamado mentiroso e traidor ao Primeiro Ministro e este ainda não ter ameaçado com uma acção em Tribunal (vá lá perceber-se porquê ) o Dr. Cordeiro brindou-nos com uma mentira em directo.

Diz ele que apenas quatro meses após a concessão da farmácia do Hospital Santa Maria, já temos um incidente de manipulação de produtos muito grave. O que o Dr. Cordeiro se esqueceu de nos dizer é que quem manipula os produtos para os doentes hospitalizados é a Farmácia Hospitalar.

Ora uma e outra são bem distintas. A primeira é uma farmácia de venda ao público e que está anexa ao hospital, a quem o concessionário paga uma renda. A Farmácia do Hospital é uma farmácia da inteira responsabilidade e propriedade do Santa Maria e que fornece os serviços médicos hospitalares. A haver responsabilidade só podia ser desta e nunca da primeira que não fornece os doentes do hospital que estão internados. O Dr. Cordeiro, mauzinho e mentiroso quiz aproveitar a ocasião para descarregar a bílis por a sua gente ter perdido o concurso de exploração da farmácia anexa .

Isto mostra bem o caracter desta gente e mostra tambem como se sentem impunes para dizerem o que querem e lhes apetece. É por se conhecerem bem e não se poderem “zangar as comadres” não vá saber-se as verdades?

UM CRAVO VERMELHO

Colhi um cravo vermelho
Quando Abril era criança
Reguei-o com água benta
E o sol da minha esperança.
Colhi um cravo vermelho
Tudo fiz p’ra que vivesse
Toda a vida lhe dei vida
P´ra que Abril não morresse.
Sempre viveu no meu peito
E no coração de muitos mil
Não murcha nos ventos de Outono
Não perde a cor em Novembro
E sempre renasce em Abril.
Ao mundo eu quero pedir
Que o não deixe secar
Nesta vida estiolada.
Sem cravo vermelho de Abril
A vida não vale nada.

Eva Cruz

Mário Soares, o pai de todos nós

Mário Soares é intocável, faça o que fizer, diga o que disser. Já fez mais do que o suficiente para prestar contas à Justiça, mas esta nunca sequer lhe tocou. Se fosse um de nós, há muito que estava preso.
Porquê? Porque tornou-se normal dizer ou pensar que Mário Soares é o Pai da Nação, é o pai de todos nós. E fez tanto por nós que lhe devemos tudo. E que, por mais atropelos à lei que ele cometa, o seu passado justifica, por si só, que se passe uma borracha sobre todos os atropelos cometidos.
Já escrevi muito sobre Mário Soares. Muitos antes de mim já o escreveram, como Rui Mateus, cujo livro proibido ainda hoje está longe, muito longe das bancas.
No entanto, o que ouvi sobre Mário Soares em 1994, quando estava em Madrid, no âmbito da inauguração de uma Exposição Ibérica de Fotojornalismo, inaugurada pelo rei, e que em Portugal fora coordenada por Luis Filipe Madeira e inaugurada, no Palácio Foz, pelo Presidente da República Mário Soares, é demasiado grave para ser dito sem provas. Quem o disse, em público e para todos ouvirem, foi um diplomata que, num jantar, já tinha bebido um bom bocado.
O que ouvi nesse dia é tão grave que nunca o disse a ninguém. Mas agora que entramos num período de férias, vou aproveitar para investigar a fundo esse assunto. E se for verdade, podem crer que vou publicar.
Não sei se estou a medir os riscos, mas sei que publicarei se tiver a certeza do que estou a dizer. Se não tiver, não publico.
Seja como for, a minha investigação começa aqui. Com este aviso, feito sobretudo para minha salvaguarda. Até lá, sobre isto não digo mais nada.

DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (7)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (7)

Saramago não contou, mas pela mais comum das evidências científicas reconhece que no “Universo há mais de 400 mil milhões de galáxias e que cada uma delas contém mais de 400 mil milhões de estrelas”. O Universo está, com efeito, infinitamente pejado de misteriosas estruturações materiais das quais conhecemos um minúsculo infinitésimo. São provavelmente aos biliões, por exemplo, as estruturas materiais irradiantes cuja essência e complexidade ultrapassam todos os limites da imaginação humana. Ao descobrirmos os raios X, os raios Gama, os raios Laser, tão reais como os meus dedos, não desvendamos mais do que uma ínfima molécula deste Universo espalhado por milhões de anos-luz. As estrelas são, provavelmente, aos triliões, e cada uma delas constitui, certamente, o centro de um sistema solar imensamente maior do que o nosso, o qual, sendo dos mais pequenos, faz da terra uma pedrinha nas mãos duma criança. A terra é muito menos do que um pequeníssimo grão de poeira no seio do Universo, e o Homem, essa infinitesimal partícula considera-se, numa ridícula e paranóica postura, o ser mais perfeito, a obra-prima, a criação por excelência, como se tal fosse racionalmente compreensível e aceitável.
“Postos aqui sem saber porquê nem para quê”, diz Saramago, “tivemos de inventar tudo. Também inventámos Deus, mas esse não saiu das nossas cabeças, permaneceu lá dentro, como factor de vida algumas vezes, como instrumento de morte quase sempre. A esse Deus não podemos arrancá-lo dentro das nossas cabeças, não o podem fazer nem mesmo os próprios ateus, mas ao menos discutamo-lo”. É isso que sempre tenho procurado fazer, e faço-o neste momento, dizendo a Saramago que Ele entrou na minha cabeça à força da destruição da razão e do entendimento, perpetrada por mentes ignorantes e retrógradas que assaltaram a minha infância e adolescência, mas nesta altura, à custa de muita luta e sofrimento, já não existe dentro da minha cabeça. (Continua).

               (Adão Cruz)

(Adão Cruz)

O Sporting não joga nada

Ontem lá fui com os meus amigos a Alvalade ver o jogo com os Holandeses de nome impronunciável . À minha volta a mesma gente com ânimo redobrado vá lá saber-se porquê, pois há pouco mais de um mês já estavamos todos de acordo que o Leão não joga nada.

A teimosia pode ser uma virtude se estiver ao serviço da ponderação e da inteligência, mas se estiver ao serviço da mediocridade é insuportável. É como bater contra uma parede.

A táctica (seja lá o que isso for) é aqui no Sporting uma organização que coloca os jogadores a passarem a bola de uns para os outros sem saberem o que lhes fazer. Quando tentam invadir o meio campo adversário já toda a gante percebeu para onde vai a bola. Centros para dentro da área onde os defesas estão de frente e têm vantagem.

Em noventa minutos o Sporting teve uma oportunidade de golo, uma grande penalidade e falhou. Jogou setenta minutos contra dez jogadores do adversário e não conseguiu rematar uma vez à baliza.

O Paulo Bento não muda o quer que seja. Diz ele que a equipa está na corrida. Pois está, para segundo. Mas o pior de tudo é que já há nas bancadas quem ache natural jogar para segundo.

A mediocridade pega-se!

O sr. Pynchon não gosta de aparecer

Nos dias que correm é difícil distinguir os escaparates das livrarias das páginas da TV Guia. Jornalistas, apresentadores de tv, actores, VIPs elevados à categoria de VIPs por motivos obscuros, todos a assinarem livros invariavelmente maus, com os seus sorrisos branqueados em todas as capas e os olhares de carneiro mal morto a seguirem-nos por todos os recantos da livraria, raios os partam. Alguma ficção mal amanhada e muita exposição de "histórias reais”: cancros vencidos, divórcios tumultuosos, filhos problemáticos, histórias de vida tão branqueadas quanto as dentaduras. As suas mediáticas imagens tomaram conta das livrarias e empurraram os grandes autores para as estantes dos desvãos. Sabem a história do Thomas Pynchon, o romancista? É um dos mistérios dos EUA.

Escreveu alguns dos melhores romances americanos dos últimos 50 anos, como o “V” ou “O Leilão do Lote 49”, mas sempre se recusou a dar entrevistas ou a aparecer em qualquer tipo de acto público. As únicas fotos que conhecemos dele são da juventude, quando ainda estava na Marinha dos EUA. Há uns anos, a CNN pôs um repórter atrás dele e conseguiu filmá-lo. Pynchon pediu que não emitissem as imagens, oferecendo em troca uma entrevista única ao canal. A CNN aceitou. Quando o jornalista lhe perguntou porque vivia uma vida de reclusão, Pynchon respondeu “acredito que recluso é uma palavra de código gerada pelos jornalistas., que significa ‘não gosta de falar com repórteres’”. Ao longo dos anos, muito se especulou sobre as actividades ocultas do autor e até correu o absurdo rumor de que ele seria o Unabomber (lembram-se, o das bombas por correio e dos manifestos publicados nos jornais de referência?). Que faria esse homem no seu dia-a-dia- para querer mantê-lo tão privado? A jornalista Nancy Sales, da New York Magazine, que o investigou durante meses, descobriu: “Ele faz compras nas lojas da vizinhança. Almoça com outros escritores. Passa fins-de-semana no campo com a sua família”. Um subversivo, portanto. Pynchon divertir-se-á muito, seguramente, com todas as especulações à sua volta. Há uns anos aceitou participar num episódio dos Simpsons, no qual a sua personagem aparecia com um saco de papel na cabeça e dava conselhos a Marge, que decidira escrever um romance. A obstinação de Pynchon em manter privado o que é privado só pode ser considerada suspeita à luz da psicose voyeurista-exibicionista dos nossos dias. Nunca se defendeu tanto o direito à privacidade, à protecção da imagem, à reserva da vida privada, e nunca se vendeu tão barata a sua exposição.

Ainda o Janeiro

Primeiro de Janeiro21Jornalistas e trabalhadores despedidos de «O Primeiro de Janeiro»
continuam a aguardar que os seus direitos sejam respeitados

Os 32 jornalistas e outros trabalhadores do jornal «O Primeiro de Janeiro», ilegalmente despedidos há um ano, continuam a aguardar que as entidades judiciais e estatais façam valer os seus direitos.

Passa agora um ano desde que os funcionários do jornal centenário foram enviados para o desemprego, sem que a administração da empresa tivesse assegurado os seus direitos ou emitisse sequer uma justificação para os despedimentos. Alguns jornalistas asseguravam diariamente o título há mais de dez anos. Ficaram por liquidar as indemnizações por despedimento colectivo, salários em atraso, subsídios de férias e Natal.

A única solução foi recorrer à Justiça. No entanto, um ano depois do despedimento considerado ilegal pela Autoridade paras as Condições do Trabalho, o Tribunal de Trabalho do Porto ainda não marcou julgamento. Tendo os trabalhadores recorrido ao Fundo de Garantia Salarial, a Segurança Social não despachou qualquer pedido. A Procuradoria-Geral da República, onde se fez uma queixa por «lock out», crime punido pela Constituição, também não deu qualquer seguimento ao pedido. A situação de «lock out» impediu os jornalistas de recolherem ou apagarem os seus ficheiros ou informações confidenciais que se encontravam nos discos duros dos computadores, incluindo contactos, moradas e documentos.

Consideram os jornalistas e restantes trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» que a inoperância das entidades judiciais e estatais face ao evidente recurso a um despedimento ilegal é um convite a que todos os empresários sem escrúpulos se livrem dos trabalhadores sem assegurarem os seus direitos.

Os despedimentos ilegais vieram pôr a descoberto as relações pouco claras de Eduardo Costa com «O Primeiro de Janeiro», através das empresas que gravitam em torno do jornal centenário. O mais recente exemplo é o facto do título estar agora registado numa empresa com sede em Ovar, a Caderno Digital, apesar do nome do empresário de Oliveira de Azeméis figurar na ficha técnica do jornal. A situação que ocorre com os jornalistas que asseguram desde 1 de Agosto do ano passado a publicação do «Janeiro», com vários meses de salários em atraso, é mais um episódio revelador da falta de respeito por todos os preceitos legais.

Os cerca de 30 jornalistas e demais trabalhadores ilegalmente despedidos assinalam na quinta-feira, dia 30, um momento marcante nas suas vidas, com um jantar de confraternização no restaurante Mar do Norte (à Rua Mousinho da Silveira, no Porto). Esta é igualmente uma forma de chamarem a atenção para a inoperância das entidades judiciais e estatais face a um acto ilegal e unilateral que mudou radicalmente as suas vidas.

Os trabalhadores ilegalmente despedidos agradecem as manifestações de solidariedade de todos aqueles que acompanharam os dias terríveis de há um ano e lançam um apelo às entidades competentes para que não permitam que situações como esta se repitam.

Porto, 30 de Julho de 2009, Trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» ilegalmente despedidos há um ano

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (4ª PARTE – CONCLUSÃO)

Constatei, no último texto aqui publicado, a existência de alguns erros e, também, a omissão de um advérbio, o que prejudica a leitura e compreensão da frase final. Dos primeiros destaco (erro imperdoável) a palavra Conselho de Administração da APL, escrito com um c em vez de um s e, quanto à omissão do advérbio não, daí resultou uma frase confusa que deveria figurar assim:

Concordo com o Sr. Primeiro-ministro quando diz que há imenso que fazer em Portugal, o que significa despesas muito elevadas, a pagar com o nosso dinheiro; pelo que se exige ponderação e perseverança.

Estas são características apreciáveis desde que isso não signifique teimosia ou inflexibilidade; o que poderia ser encarado como reflexo de surdez psíquica, deficiência esta grave, congénita e sem cura”.

Cabendo-me a responsabilidade da revisão definitiva do texto, peço desculpa por estas gralhas que procurarei evitar, de futuro.

Com este trabalho finalizo, agora, a série intitulada “As Falácias do MOPTC”, muito embora esteja persuadido que estas ainda não terminaram, dada a natureza dos seus responsáveis e o sentimento de imunidade (e impunidade) que os caracteriza.

E sendo assim, proponho-me prosseguir com as críticas construtivas que vou apresentando e que, julgo eu, poderão ser uma achega para a defesa dos interesses de todos nós.

Admitindo que nem sempre tenha razão – errar é próprio do homem – o facto é que esta é uma voz não comprometida e por vezes incómoda, convenho, mas sem qualquer outra dependência que não seja a dos ditames da minha consciência e, naturalmente, as limitações dos meus conhecimentos.

Tendo vindo a receber alguns e-mails pedindo um melhor esclarecimento acerca de conceitos já anteriormente apresentados neste sítio, desde 2003, admito que nem todos os leitores têm o tempo e a pachorra de ler os textos com atenção – são muitas centenas de páginas – motivo pelo qual julgo vantajoso resumir as matérias que mais os preocupam; assim:

I

O nó…cego de Alcântara

O MOPTC decidiu ligar directamente a linha de caminho de ferro Lisboa/Cascais com a de Cintura, por túnel, e a construção de uma nova estação subterrânea em Alcântara-terra; projecto este pensado há muitos anos, mas nunca concretizado. Direi que os propósitos são correctos, porém o modus faciendi parece-nos profundamente errado.

Com efeito, nele está previsto:

Enterrar a linha de cf. Lisboa/Cascais, em Alcântara, o que significa construir um túnel com cerca de 1,5 km de extensão (compreendo as rampas de acesso e a plataforma), ao longo da margem direita do rio Tejo e a uma profundidade que ronda os 15 m;

Uma nova estação ferroviária para mercadorias, abaixo do nível do solo, fazendo ligação com o futuro nó ferroviário de Alcântara;

Uma outra estação ferroviária, também construída abaixo do nível do solo, em Alcântara-terra.

Tudo isto significa que vai criar-se uma barreira subterrânea muito extensa e variada (edifícios e vias ferroviárias), interrompendo as linhas naturais de escoamento para o rio Tejo das chamadas “mães de água”. Com efeito, no vale de Alcântara desaguam águas provenientes de áreas como o Calhariz, Laranjeiras e Sete Rios, e uma boa parte das que tem origem no Parque Florestal de Monsanto (com as cotas aproximadas de 100 e 200 m), Campo de Ourique e Prazeres.

Com a agravante de se tratar de uma zona de níveis freáticos elevados, solos com características geológicas difíceis, fortes riscos sísmicos e, além disso, situada entre vias urbanas muito solicitadas; o que torna complicados e morosos os trabalhos a efectuar.

E sendo assim,

  • Ignora-se como será possível compatibilizar a nova linha subterrânea de cf. Lisboa/Cascais com o importantíssimo – e já aí existente há muitos anos – caneiro de Alcântara, obra de engenharia hidráulica que irá ser atravessada (como?) por esta linha, numa zona particularmente delicada, sujeita a inundações periódicas.

Será que o Ministério do Ambiente acredita que a Mãe-Natureza irá pactuar com tanta distracção?

Será que a C.M. Lisboa não terá uma palavra a dizer?

  • A ligação subterrânea em Alcântara-terra, ao sistema atrás descrito irá dificultar, ainda mais, a concretização deste projecto tecnicamente absurdo; o abaixamento das cotas nas linhas ferroviárias, nomeadamente em Alcântara-terra, não irá permitir a sua ligação com a estação de Campolide, em condições aceitáveis (gradiente 12 por mil, no máximo), num troço com cerca de 3 km de extensão.

Cônscio destas dificuldades, praticamente insuperáveis a custos razoáveis, o signatário apresentou como alternativa uma solução muito mais modesta (ver 3ª Parte destes trabalhos) mas que permitirá alcançar todos os objectivos propostos, com gastos infinitamente mais baixos e, de igual modo, minimizar os tempos de execução. Nomeadamente no que se refere ao cruzamento das linhas ferroviárias com as vias urbanas, estações e gare de triagem para os contentores; e, não menos importante, evitando-se o agravamento das inundações periódicas.

Sem que tenha tido qualquer reacção dos poderes constituídos, até á data; muito embora estejam em jogo muitas centenas de milhar de euros.

E dado que este projecto está intimamente ligado com a polémica renovação de contrato de concessão da Liscont (contentores), contrato este que inicialmente previa o seu termo em 2015, isso leva-me a tecer alguns comentários:

a) O MOPTC e a SET afirmam, a pés juntos, que a capacidade do actual terminal de contentores concessionado à Liscont deverá esgotar antes do final da concessão, donde a necessidade urgente em se investir na expansão do porto de Lisboa. Deste modo, os responsáveis deste ministério promulgaram o prolongamento do prazo da concessão para fins de 2042, mediante a assinatura de um Memorando de Entendimento. O que permitirá triplicar a capacidade deste terminal portuário, de 350.000 para 1.000.000 TEU’s/ano e reclassificá-lo para águas profundas permitindo, assim, o acesso a navios porta contentores com o calado máximo de 15,50 m e 400 m de comprimento.

b) Antes de mais, declaro publicamente que não aprovo o argumento dos chamados “estudos económico-financeiros e jurídicos” que permitiram à APL “oferecer” à Liscont (leia-se Mota-Engil) um contrato de concessão válido por mais três dezenas de anos.

Quanto mais não seja pelo facto de ainda não haver projectos, ante-projectos ou mesmo estudos que permitam concluir a não existência de outras alternativas possíveis e, muito menos, estimar – e já não digo orçamentar – os trabalhos muito complexos e difíceis relativos ao projecto Nova Alcântara e ao reforço e alargamento do actual cais de contentores.

E, sendo assim, é muito provável – direi mesmo inevitável – que os números apresentados pelo MOPTC, relativos ao custo desses trabalhos estejam muito abaixo da realidade e, em consequência, a compensação adiantada pela Mota-Engil não chegará para
ta
par a cova de um dente
. Com a agravante desta empresa ficar isenta do pagamento da taxa anual dos contentores, e deste modo, numa situação de nítido favor relativamente aos outros terminais.

Acresce, ainda, que um terminal alargado, com fundos muito superiores aos actuais e maior comprimento do cais, irá permitir um aumento substancial da capacidade de movimentação e, o que é mais importante para o feliz contemplado, uma rentabilidade fortemente aumentada; não é por acaso que os navios porta contentores são cada vez maiores (a título de ex. O Emma Maersk tem 400 m de comprido, 61 m de altura e transporta 11.000 contentores); o problema é encontrar portos com os fundos adequados.

O prolongamento desta concessão – em condições técnico-económicas diferentes e muito mais favoráveis para a empresa – irá criar, repito, uma situação de favor que não se justifica e quanto a mim, deveria ser averiguada por quem de direito.

A cereja no cimo deste bolo resulta de uma maior facilidade nas ligações deste terminal com as plataformas logísticas da região de Lisboa (Bobadela, Castanheira do Ribatejo e Poceirão), como consequência de melhores comunicações ferroviárias e, também, por via fluvial.

Nota: a Mota-Engil detém uma forte participação (30%) no capital da Sociedade que gere a plataforma do Poceirão, com uma localização ímpar em relação ao Novo Aeroporto e privilegiada no que diz respeito às ligações ferroviárias com o porto de Sines.

Francamente, são favores a mais baseados em meros palpites. Faço votos para que a actual Autoridade da Concorrência estude melhor este caso, único no porto de Lisboa, permitindo que outros eventuais interessados se pronunciem. Caso contrário, irão perdurar as dúvidas e, também, as suspeitas.

c) Este “projecto inadiável”, no dizer do MOPTC, nem sequer consta das “Orientações Estratégicas Para o Sector Marítimo Portuário”, datado de Dezembro de 2006. Nem, tão pouco, de “Plano de Estratégica e Exploração do Porto de Lisboa”, com o horizonte temporal de 2008; suponho eu, a ser lançado na sequência do “Plano Nacional Marítimo Portuário” previsto nesse documento para 2007.

Este acordar repentino é, possivelmente, mais uma coincidência providencial e oportuna para a Mota-Engil.

Tanto mais que a APL prevê para o Porto de Lisboa, em 2015, uma taxa de ocupação de 67% para a carga geral; mesmo assim, a AGEPOR – Associação dos Agentes de Navegação de Portugal – considera esta meta demasiado optimista. Donde concluímos que há folga mais do que suficiente para se encontrar uma solução adequada – e bem pensada – antes do final da concessão outorgada à Liscont.

O que faz correr o MOPTC?

A propósito, lembro que Sines, na sua Fase 1, dispõe unicamente de um cais com 550 m de comprimento para uma capacidade de movimentação de 600.000 TEU’s; na sua Fase 2 terá 750 m para 950.000 TEU’s.

Lembro, ainda, que o IPTM – Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, organismo regulador – ainda não se pronunciou (como era sua obrigação) acerca da renovação deste contrato, agora em condições muitíssimo mais vantajosas: um cais com áreas de armazenamento, fundos de acostagem e comprimento muito superiores aos actuais do que resultará, certamente, uma capacidade e uma competitividade acrescidas. E sem que se tenha aberto um novo concurso.

Escolher a Liscont (Mota-Engil) como parceiro privilegiado para esta concessão, cria uma situação de injustiça e parcialidade perante outros eventuais interessados que também trabalham neste porto, em actividades afins.

Considero esta situação de favor simplesmente escandalosa.

Porquê esta pressa do MOPTC na ampliação do terminal de contentores quando ainda há muito que possa ser feito para aumentar a sua rentabilidade, conforme pude escrever, com mais pormenor, na 2ª Parte deste trabalho?

De acordo com o que então propus, porque não “aguentar” um pouco mais o terminal de Alcântara (com algumas correcções permitindo o aumento da sua capacidade) e faze-lo parte integrante do Plano de Expansão do Porto de Lisboa, logo que este esteja aprovado?

d) Como compensação de ter sido “corrido” para Sta. Apolónia e terminal de cruzeiros sito em Alcântara (para dar lugar a mais contentores), o MOPTC comprometeu-se a reabilitar o primeiro, entre Sta. Apolónia e a Doca da Marinha, numa extensão de 676 m. Obra esta, segundo diz, que irá concentrar todo o movimento de navios de cruzeiro”.

Conforme escrevi, esta situação é demasiado modesta em termos do presente e do futuro, dado o forte incremento do número de navios de cruzeiro no Tejo, ultrapassando os 407 mil passageiros em 2008 (mais 34% do que no ano anterior), transportados em barcos cujo comprimento excede largamente os 300 m e com tendência para aumentar.

Aliás, assim pensava o Sr. Presidente da APL quando afirmava, há menos de dois anos, “prever a construção de um terminal de cruzeiros na margem sul do Tejo, no concelho de Almada”. E acrescentou, na altura, que “o estuário do Tejo passará a dispor de dois terminais de cruzeiros, já que está prevista a instalação de um outro na zona de Sta. Apolónia”.

Opinião esta corroborada pelo Presidente da Comunidade Portuária de Lisboa ao dizer que a “expansão do Porto de Lisboa deverá passar pelo futuro terminal de contentores da Trafaria, junto à Silopor…”.

Será que, entretanto, algum deles mudou de opinião? Em tão pouco tempo, de mais a mais baseados (espera-se) em estudos aturados e num planeamento rigoroso?

Como é sabido, um porto não se esgota na sua função de simples plataforma intermodal, motivo pelo qual necessita de áreas circundantes que permitam a sua fácil expansão.

Será que foram feitas todas as reservas dos terrenos necessários e indispensáveis para a implantação dessas infra-estruturas? Isso passa, inevitavelmente, por convencer os autarcas ribeirinhos da excelência de um projecto que deverá ser encarado como um imperativo nacional. De que estão á espera?

Será que o actual Presidente da C.M. Lisboa não terá uma palavra a dizer? Ou será que continua na disposição de “engolir” todos os disparates dos seus ex-colegas do Governo, com forte prejuízo para a cidade de que é o primeiro responsável?

Triplicar a capacidade do terminal de contentores de Alcântara irá gerar um tráfego muito intenso e o caminho-de-ferro não poderá ajudar muito, na medida em que a sua função principal, na linha de Cintura, será a distribuição dos utentes pela cidade de Lisboa, mediante as suas ligações com o metro.

E, sendo assim, dificilmente será possível dispor de canal horário disponível durante todo o dia, para o transporte dos contentores.

Não, não há qualquer exagero no que afirmo.

Segundo o MOPTC, com as obras de requalificação e ampliação do cais de contentores de Alcântara, “o objectivo passa por alargar para um milhão de contentores (TEU) por ano face aos 350 mil que actualmente movimenta”.

No impresso publicado e a que faço referência na 3ª Parte deste trabalho – impresso este, aliás com uma boa apresentação gráfica, colorida – diz-se que a circulação fluvial será incrementada em 13%; a circulaçã

o rodoviária será reduzida em 35% e o transporte ferroviário duplica a sua capacidade. Não esclarece, porém, os números que servem de base para definir estas percentagens, o que é lamentável.

Torna-se assim possível, acrescenta, retirar 1.000 camiões por dia (365 mil por ano) das ruas da capital, um forte ganho ambiental e urbano.

Sem uma referência inicial, direi que tudo isto não passa de palavreado oco que procuraremos decifrar. Assim:

A APL indica, após a ampliação do cais, uma nova repartição do escoamento dos contentores e, no modo rodoviário, a Av. de Brasília continuará a ser a principal via de trânsito.

40% por via rodoviária

APL 30% por comboio

30% por via fluvial

De acordo com números actualizados, e contrariando o folheto, a movimentação hoje é de 250.000 TEU’s/ano, dos quais 78% são escoados por via rodoviária. Ou seja, aproximadamente, 250.000 camiões dos quais 195.000 (78%) são escoados por este meio; admitindo 280 dias úteis, por ano, teremos 195.000/280=697 camiões por dia.

Algo como 697/10 horas = 70 camiões/hora, 1,2 camiões por minuto.

Após a ampliação que nos querem impor, teremos:

APL 350.000 TEU/ano 1.000.000 Camiões / Dia 40% Camiões / hora Camiões / minuto
=1.250 500 50 0,83
=3.572 1.429 143 2,38

No primeiro caso o tráfego será muito intenso e, no segundo, arrasador. Mas, atenção! A realidade irá ultrapassar muito estes números, dado que o modo ferroviário não poderá atingir os 30% previstos pela APL pois, caso contrário, teria de abdicar da sua função principal que é fazer a distribuição de passageiros em Lisboa, mediante a linha de Cintura.

Face a estas afirmações, que mantenho, mais uma vez se constata a publicidade enganadora do MOPTC.

Contudo espero, ainda, que o Sr. Presidente da C.M. Lisboa se esclareça melhor e não receie enfrentar este Governo, em defesa dos cidadãos da cidade.

Por último, resta a via fluvial – admitindo que não queiram lançar mais alguns milhares de camiões nas ruas – muito embora este transporte também necessite de canais disponíveis para não atrapalhar as carreiras dos barcos que fazem a travessia do rio; o que obrigará ao seu contínuo desassoreamento para obstar às más consequências que resultarão da implantação das muitas centenas de pilares dos viadutos Chelas-Barreiro e Vasco da Gama (mais adiante irei referir-me a este assunto).

Pelo que atrás se disse, qualquer solução para um melhor aproveitamento do actual cais de contentores de Alcântara (e eu indiquei algumas), deverá ser de carácter provisório e com tempo limite, para que esta zona ribeirinha possa ser devolvida à cidade de Lisboa, com a finalidade de o aproveitar como terminal de cruzeiros, promovendo o turismo numa zona nobre da cidade: nada menos de 7 museus, um Planetário, o Centro Cultural de Belém, o mosteiro dos Jerónimos, palácios, jardins, docas de recreio, etc..

Tanto mais que, recordo, se aguarda para breve a aprovação dos Planos Estratégicos e de Exploração do porto, já em elaboração. E, mais tarde ou mais cedo, deverá ser implementada a sua expansão para a margem Sul do Tejo, uma vez que aí, as águas muito mais profundas permitirão o acesso aos navios de grande calado, sem dificuldade.

Caso contrário, haverá que desistir do porto de Lisboa, um dos melhores portos naturais da Europa, com uma localização impar relativamente ao tráfego de navios intercontinentais.

E as gerações vindouras, podem estar certos, não perdoarão a mesquinhez e a falta de visão dos responsáveis se, desde já não foram salvaguardados os solos indispensáveis para a implantação dessas infra-estruturas.

Abrindo um parêntesis lembro, a propósito, o que está a ser feito no cais norte do porto Funchal, em que esta zona está a ser convertida numa área de animação e lazer em virtude da deslocalização do tráfego de mercadorias para o porto de Caniçal, num local com mais espaço e melhores acessibilidades.

Como já dissemos, Lisboa é francamente privilegiada relativamente a outros portos europeus bem conhecidos que tiveram de fazer dragagens gigantescas e grandes obras nas suas zonas costeiras e estuários de alguns rios para poderem dar acesso – por vezes mediante eclusas e ancoradouros – a navios de grande calado; estou a pensar, entre outros, nos portos de Bordéus, Havre, Antuérpia, Roterdão, Hamburgo ou, mais próximo de nós, Barcelona.

Neste último, há poucos anos, para alargamento da sua zona portuária tiveram de canalizar o curso do rio Llobregat (um riozito em comparação com o Tejo), desviando-o cerca de 2 km para sul da sua embocadura.

Fizeram, ainda, outras intervenções, nomeadamente a construção de novas vias rodo e ferroviárias, mais dragagens para se obterem os fundos necessários e, ainda, a construção de 30 km de cais permitindo a atracação de grandes navios.

Deste modo, o número de contentores manuseados irá passar de 2 para 6 milhões anuais, ou seja, um volume anual de 90 milhões de toneladas.

De salientar que todos estes trabalhos de ampliação do porto foram efectuados no mais completo respeito pelo ambiente, criando-se um vasto espaço natural protegido; e assim, foi salvaguardada uma zona húmida de 10 ha. no antigo leito do rio, com o propósito de preservar a fauna que aí residia.

Pude visitar recentemente este empreendimento e fiquei maravilhado. Em flagrante contraste com o secretismo e o “mistério” que perdura no estuário do Tejo (há muitas dezenas de anos), ainda sem que se saiba o que pensa o MOPTC, a APL, ou as Câmaras envolvidas.

Cada qual avançando com as suas ideias e projectos, qual deles o mais estapafúrdio. Como balões soltos das mãos de uma criança sobem, sobem e depois rebentam deixando-nos mais tristes e desiludidos.

Entretanto, o porto natural de Lisboa encontra-se fortemente condicionado por pressões urbanísticas que invadem, cada vez mais, a sua zona de influência e, cada vez mais, paira a ameaça da sua extinção. Esta parece, infelizmente, concretizar-se com a construção do viaduto Chelas-Barreiro, como adiante veremos.