Análise aos Três Grandes: os treinadores (4)

Os treinadores dos três grandes são portugueses e profundamente conhecedores do nosso futebol.

Jesualdo Ferreira tem 63 anos (1946-05-24) e
treina desde sempre – começou em Rio Maior em 1981-82.

É um estudioso do futebol que só muito tarde, no Porto, conseguiu o reconhecimento que a sua qualidade já merecia há muito tempo. É profundamente metódico e apesar de ser benfiquista, consegue ser um treinador à porto com aquele ar de chateado que quase sempre transporta.
Jesualdo é a prova que, nos dias que correm, qualquer um se arrisca a ser campeão no Porto.
No Porto tem apostado num 4-3-3, sendo que em alguns momentos tem procurado moldar a equipa a um 4-4-2 que o torne mais sólido nos jogos europeus.

Não está tão condicionado pelos resultados como os seus adversários e isso, só por si, é uma das enormes vantagens que o Porto tem. É, à luz dos resultados, o melhor treinador aqui em análise.

O Paulo Bento vale pela forma como consegue lidar com um clube que se recusa a existir – não há dinheiro, não há vícios e não há jogadores. Mas, ele, convicto, continua para a quinta época à frente do Sporting. Como notas positivas os segundos lugares e a forma como organiza a equipa. Como notas menos positivas a cegueira conservadora à volta do 4-4-2 em losango e a recusa em ver que o Sporting tem que vender avançados… E para isso tem que os colocar a jogar – ninguém dá milhões por médios defensivos.
É o treinador certo no clube certo.

O Jorge Jesus é o treinador que os Benfiquistas queriam.

É adepto confesso do Belenenses, fez a formação enquanto jogador no Sporting e nos anos 90 começou por treinar o Amora e depois o Felgueiras, onde, vestido de preto, começou a aparecer aos olhos do grande público. São quase vinte anos de trabalho sempre ascendente, em termos de clubes, que culmina com a chegada ao Benfica.
Muito se diz e escreve sobre ele – que é fantástico na abordagem táctica dos jogos, que analisa os adversários como ninguém. Fala-se também das dificuldades oratórias, mas à beira do João Pinto (Broas) é um Doutor!
Parece que vai apostar num 4-4-2 em losango, com uma pressão alta muito forte e a pré-época parece mostrar que está no bom caminho.
O que falta saber é como vai reagir à adversidade – o que vai acontecer quando o benfica perder? Essa é uma vantagem do Jesualdo, que os resultados do Benfica não permitem ao Jesus.

A estabilidade do Porto pode ser o segredo do sucesso e por isso coloco o Jesualdo à frente do Jesus e muito atrás o Paulo Bento.

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