Não podem entrar todos, mas sair já podiam?

Desde que o homem é homem e a mulher é mulher que se nasce num lugar e se morre noutro. Foge-se da miséria e da desgraça. Procuram-se vidas melhores. Muito antes de haver fronteiras, países, Estados, governos, leis. As migrações não são um fenómeno novo, nem velho. Fazem parte da condição humana: a da luta pela sobrevivência. As fronteiras vieram depois. Combater a imigração é como combater a chuva ou o sol. Sempre existiram, sempre existirão. E, talvez seja necessário dize-lo, ainda bem.

Daniel Oliveira escreve tudo o que eu gostaria de escrever sobre migrações. Leiam, sff.

A ARTE

A ARTE (7)

A descodificação de uma obra de Arte, ainda que parcial, pode ser um fenómeno redutor que empobrece a obra. Pode mesmo anular a sua própria hermenêutica, isto é, a força indutora das capacidades interpretativas. Qualquer explicação verbal terá de ser extremamente cautelosa pois pode substituir-se à obra, paralisar a sua essência ou cegar o espectador. Este deve enriquecer e iluminar a sua vida através do saber ver, do saber ouvir e sentir, e não se limitar à análise dos processos formais, simples elementos da construção desse mesmo sentir. O espectador deve deixar-se levar pelo que ecoa dentro dele, sem pretender colar-se ao que deve ser, ou àquilo que nos disseram que é ou que lá existe. A obra pode ser o que somos e muito pouco do que lá está. É por isso que não aceito de bom grado que se disseque uma obra de Arte em termos interpretativos, por vezes vincadamente objectivos, como fazem alguns críticos, historiadores e cicerones de museu. Que o façam em termos técnicos, históricos, museológicos vá que não vá, mas em termos sentimentais, em termos interpretativos, tantas vezes sob a forma de gastos e banais artificialismos de catálogo, massificando as formas de ver e de interpretar, em vez de tentarem estimular a individualização das formas de sentir, custa-me a aceitar. Ninguém vê com os nossos olhos, ninguém sente com o nosso íntimo, ninguém pensa com o nosso pensamento. (Continua).

                        (adão cruz)

(adão cruz)

CARTA ABERTA A BARACK OBAMA

CARTA ABERTA A BARACK OBAMA (7)
Ao sentir-me arrepiado, penso que uma boa parte dos povos do mundo e mesmo do povo americano e israelita, provavelmente se sentirá tão arrepiada como eu. Metade do mundo não é nem burra nem atrasada mental. Os criminosos sabem disso, mas têm nas mãos as armas que lhes permitem chafurdar em sangue e rir-se dos que se arrepiam, ainda que o façam do intocável alto da sua brutalidade, tão grande como a sua pequenez. Homens destes respiram fumo de pólvora, alimentam-se de sangue, corre-lhes petróleo nas veias e as circunvoluções cerebrais são armazéns de dólares. Longe de mim pensar que o Senhor poderia vir, um dia, a ser um desses!
Onde pára a comunidade internacional, aquela que se reclama de humana, equilibrada e defensora dos direitos humanos e do Direito internacional? Onde param os mandantes dos outros países que se dizem melhores? Onde se encontram esses melhores que nem coragem têm para ladrar quando a caravana passa? Ao tornarem clara a sua falta de coragem e dignidade para se imporem como contra-poder de humanidade e justiça, transformam-se em miseráveis cúmplices deste martírio universal.
Já repararam quantos milhares de bandeiras americanas e israelitas foram queimadas por esse mundo fora? Para qualquer ser humano deste planeta era motivo para parar e pensar. Para qualquer político humano, honesto e medianamente inteligente era razão para parar e pensar. Para qualquer cidadão americano que se considere pertencer a esta frágil espécie que, ao contrário dos outros animais, caminha na vertical, era motivo para parar e pensar. Para qualquer América que tivesse o mínimo de inteligência e respeito por si própria, era razão para parar e pensar. A esta América e a Israel, seu tentáculo direito, nenhuma razão os faz parar para pensar. Não tenho dúvidas de que há-de chegar o dia em que terão de pensar para parar. Mas nessa altura já não existem bandeiras para queimar.
Amigo Obama, não deixe que a lágrima de alegria que nos aflorou aos olhos no dia da sua eleição, se transforme em lágrima de sangue.
Um grande abraço amigo Obama. (Conclusão).

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(adão cruz)

POEMAS DO LUSCO-FUSCO

Não sei o que nasce e renasce em mim.
Sei que na ilha deserta onde há muito naufraguei
por teimar na rota certa
não entra sol que acenda as ruas do meu intento.
Sei apenas que sendo meu barco de sonho e loucura
teu rosto reaparece
e diz-me
que a vida sabe a fel
e não vale a gota de mel
que deixas na minha boca.

                           (adão cruz)

(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Dizem que está do seu lado
Até a justiça divina!
Lá no céu ó S. João
Olha bem quem é que assina!

Santarém, Capital do Gótico (VI)

(primeira parte e expicação do «bodo aos pobres» aqui)

OS SÉCULOS DE OURO

Depois de definitivamente integrada em Portugal, Santarém continuou a ser alvo de grandes privilégios e atenções. Foi escolhida diversas vezes para morada da família real; aqui decorreram muitas das cortes que nessa época se realizaram; foi terra preferida de nobres, poetas e trovadores, e por isso mesmo importante foco cultural. A «princesa das nossas vilas», expressão que acompanhava os actos públicos, era também designada como a «mui nobre e sempre leal vila de Santarém» (e invicta quase sempre, já agora). No fundo, para os primeiros reis, Santarém era muito mais do que uma vila. Até no brasão essa realidade era evidente. Mesmo que a promoção administrativa tenha chegado apenas no século XIX, Santarém foi cidade muito antes de o ser.
«Na Idade Média, o critério que distinguia as cidades das vilas não era demográfico, socioeconómico, cultural nem urbanístico. Mas histórico-eclesiástico ou político. As povoações-sede de bispado eram incondicionalmente cidades. Mesmo minúsculas, como a Guarda ou destituídas de muros como Viseu. Bragança é um exemplo de promoção por razões políticas – o único exemplo medieval. D. Afonso V, com efeito, deu-lhe o título e a carta para agradar ao duque. Santarém, rival de Évora e até, veladamente, de Lisboa, com corregedor privativo às vezes, residência régia amiúde, sede frequente de altos órgãos da monarquia, titular de assento no primeiro banco das cortes, nunca deixou de ser vila. Costumamos dizer que só lhe faltou para cidade sé e bispo titular.» (Armindo de Sousa)
Os cristãos, depois de tomarem Santarém – já poderemos chamar-lhes portugueses – aproveitaram grande parte das estruturas urbanísticas muçulmanas e visigóticas. Por esse tempo, já a herança romana fora deixada para trás em definitivo.
Mas houve algumas adaptações aos novos tempos que se viviam. A defesa militar foi uma preocupação constante, daí a entrega dessas funções às ordens militares: aos Templários, mesmo depois de saírem para Tomar, aos Hospitalários e aos da ordem de S. João do Pereiro.
Quanto à relação com os vencidos, a maior parte dos pró-islâmicos foi embora, mas alguns ficaram. Isolados em locais próprios da cidade, mais tarde vedados por muros próprios e completamente segregados, surgiram assim as mourarias de Santarém. O mesmo se dirá em relação à judiaria.

A Reconquista Cristã

O ano de 1093 pode ser considerado decisivo para a história de Santarém. A 30 de Setembro, o rei de Leão Afonso VI conquista todas as terras até à foz do Tejo e forma um condado, com capital em Santarém, cujo primeiro responsável vai ser Soeiro Mendes. «Era MCXXI secundo cal. Maii sabatho hora nona Rex donnus Aldephonsus cepit civitatem Santarém».
Data sensivelmente desta altura o primeiro foral de Sancta Herena, de 13 de Novembro de 1095, uma prova da grande importância que Santarém já adquirira. A despeito de alguns autores defenderem que foi o conde D. Henrique a atribuir o foral, não há dúvidas de que foi Afonso VI de Leão o seu autor. O objectivo era encorajar os cavaleiros da cidade a defenderem-na vigorosamente, visto que a sua localização, próxima de Lisboa, era propícia a um ataque dos almorávidas.
Um documento fundamental e que, mesmo no futuro, iria servir de modelo e de fio condutor para outros documentos do género, até porque foi um dos primeiros em todo o território nacional. Da mesma época, só S. João da Pesqueira (1055-1065) e Coimbra (1095). Mais de sessenta anos depois, em 1159, o articulado desse foral ainda serviu para ser aplicado ao território de Ceras (Tomar), dado aos Templários por D. Afonso Henriques.
Sob a tutela de Leão, Santarém passa a ser comandado, a nível militar, por D. Raimundo, e por Soeiro Mendes da Maia a nível administrativo, como alcaide. No entanto, a cidade não deixava de ser «uma ilha leonesa num autêntico mar islâmico até à linha do Mondego» (Jorge Custódio). Ou seja, se alguns territórios tinham já sido conquistados aos mouros, a maior parte continuava na sua posse.
Assim, em 25 ou 26 de Maio de 1111, Santarém voltaria a cair em poder dos muçulmanos sem que o conde D. Henrique pudesse fazer algo para o evitar. Consciente da importância estratégica da cidade, Sir Ben Abu Bakr adverte o seu califa Yusuf de que o destino de terras como Lisboa ou Sintra está completamente dependente do sucesso que se conseguir na manutenção de Santarém.
Andava bem avisado, o preocupado governante. Na manhã de 15 de Março de 1147, D. Afonso Henriques conquistou definitivamente a cidade e Mem Ramires hasteou no castelo o pendão de Santiago. Para o êxito da iniciativa contribuiu a comunidade moçárabe da cidade, que em muito apoiou a invasão e que, após a conquista, ocupou cargos importantes no campo das letras e da administração local.
Como não tinha forças suficientes para atacar Santarém, D. Afonso Henriques decidiu surpreender os ocupantes, atacando-os pelo lado nascente, de forma a que as suas forças não fossem detectadas.
Nos dias anteriores, o já referido Mem Ramires fora enviado para estudar as condições de defesa do castelo e a melhor forma de o atacar. Poucos sabiam dos preparativos, a não ser Lourenço Viegas, Pero Pais, Gonçalo de Sousa, D. Teotónio e alguns outros.
As tropas portuguesas saíram de Coimbra a 10 de Março de 1147, acompanhado por 250 homens de armas e por um número indeterminado de cavaleiros. No dia 13 estavam na serra de Albardos e no dia seguinte no alto de Pernes. À noite, desencadeou-se o ataque. «Concertadas todas as cousas necessárias para o assalto, e tomada a conclusão no modo dele, deixou el-rei a bagagem, e gente de serviço embrenhados na mata de Pernes.» (Crónica de Cister)
Mem Ramires atacou por Atamarma, D. Afonso Henriques pelo castelo principal. A vitória foi fulminante. Quando o sol nasceu, os cristãos já tinham conquistado Santarém.
A definitiva conquista da vila contribuiu decisivamente para a formação de Portugal, dada a sua importância estratégica e a forma como, assente lá no alto, dominava visualmente o vale do Tejo, servindo de sentinela à futura capital do reino.
«O cruzado franco Afonso Henriques conquistou a cidade inexpugnável. A tomada de Santarém de 15 de Março de 1147 (num assalto rápido, aproveitando por um lado a quebra das tréguas e por outro a surpresa da cilada táctica não prevista nos códigos habituais de guerra e que passou doravante a ser utilizada nas iniciativas guerreiras dos cristãos, acabando por se impor na estratégia medieval dos cavaleiros portucalenses), constituiu uma referência fundamental que distinguiu a actividade dos fundadores do Estado português antes e depois desse acontecimento. O seu significado reafirmou-se em sucessivos momentos da história de Portugal como acontecimento original e fundador da nova realidade política.» (Luís Mata)
Se até aí Santarém funcionara como cidade de fronteira, tanto para cristãos como para muçulmanos, a partir daí vai continuar a ser. Os limites do Condado Portucalense iam caminhando para sul e a linha do Tejo cada vez mais defendida.
Em Maio de 1179, D. Afonso Henriques concede foral a Santarém. Da leitura do mesmo se percebe a importância da cidade. Quanto ao texto, compreende-se bem a alteração de muito do que fora escrito no foral de 1095, até porque a realidade administrativa era totalmente diferente. O novo documento integrava as instituições concelhias entretanto criadas e em que desempenhava papel de destaque o grupo dos homens-bons da cidade. Estes tinham a seu cargo as principais funções governativas e administrativas e era a partir deles que se constituía o Senado.
Concedido ao mesmo tempo que às cidades de Lisboa e Évora, o foral de Santarém esteve na base daqueles e é c
on
siderado o mais minucioso foral português, com privilégios maiores e mais apropriados a zonas urbanizadas como já eram as cidades referidas. Para além da organização da vida económica, a administração da cidade era definida de forma mais clara do que acontecera até então. Um dos principais objectivos era a fixação populacional num sítio que estava a ser constantemente atacado pelo inimigo.
Em Julho de 1184, Yussuf-Abul-Iucube, emir marroquino, ataca o castelo, mas a defesa aguerrida do príncipe D. Sancho, futuro D. Sancho I, afasta o invasor. Há quem diga que foi ainda D. Afonso Henriques, que morreu em Dezembro do ano seguinte, a defender o castelo.
Quanto ao califa, viria a morrer na sequência desse ataque. O seu exército até era um dos maiores que algum dia se tinha formado na Península Ibérica. Mas, para além do reforço das muralhas na Alcáçova e na medina, a fortificação cristã começava logo em baixo, no arrabalde de Seiserigo. Aí se construíram várias fortificações em madeira e se estabeleceu um palanque que dava acesso à Alcáçova. Ou melhor, que cortava o acesso à Alcáçova.
A derrota mourisca ficou na história, pela dimensão de que se revestiu, e prolongou-se pelo tempo. Foi aqui que a recessão do Islão começou de forma definitiva.
O motivo daquele ataque prendeu-se com os fossados de D. Sancho sobre as terras da Andaluzia. Na Idade Média, os fossados tratavam-se de expedições militares cristãs nos territórios vizinhos, ocupados pelos mouros, para saber das novidades, apreender gado e destruir. Geralmente, eram feitas quando os campos agrícolas estavam na fase da ceifa e as searas quase maduras. O nome fossados vem do facto de os exércitos, que atacavam de surpresa, se entricheirarem em fossos, cavados para proteger aqueles que tratavam de se apossar de colheita alheia.

Andamos a pagar impostos para esta merda?

“A viagem sozinho a Fátima corria bem até que, de noite, ‘António’ decidiu parar só para tentar comer qualquer coisa. Voltou com um hamburguer ao carro e, sentado ao volante, mal se distraiu já tinha uma pistola e facas apontadas à cabeça. Acabou sequestrado hora e meia pelos quatro homens que, enquanto roubaram o que puderam do seu multibanco, ainda o espancaram e fecharam-no dentro da mala do carro. A Polícia Judiciária já apanhou três, mas uma juíza libertou-os. E continuam a viver do Rendimento Social de Inserção. De resto, há muito que conciliam os enormes rendimentos no mundo do crime com uma vida recheada de subsídios à custa do Estado – que vai pagando sempre, apesar dos longos registos criminais por roubo, furto e tráfico de droga. Um deles até já cumpriu duas penas de prisão por vários crimes violentos”.

Notícia do Correio da Manhã de hoje.

À pergunta inicial, ficam outras: As milhares de leis que os nossos dedicados parlamentares e governantes aprovam todos os anos (é verdade, temos uma produção legislativa de fazer inveja aos escandinavos) resultam nisto? E ainda querem a nossa confiança?

Os partidos da ala esquerda ainda defendem que estes pobres desinseridos e que nunca tiveram uma real oportunidade na vida devem continuar a ser subsidiados?

O trabalho infantil do Miguel Abrantes

O funcionário governamental que se esconde sob o nome de guerra de Miguel Abrantes conseguiu, num simplex muito aflito onde tenta amortecer os textos do Paulo Guinote desmontando a recente manipulação estatística sobre sucesso escolar, escrever uma frase que subscrevo integralmente:

Manter os alunos na escola com aproveitamento em formações mais longas é muito mais útil e importante para eles e para a sociedade do que deixá-los sair precocemente para o mercado de trabalho.

Deve ter sido pela mesma causa que o Partido Socratista fez aprovar na AR o regime jurídico que regula o trabalho no domícilio que permite a menores de 16 anos executarem “trabalho doméstico“, desde que tenham completado a escolaridade obrigatória, o que na versão governamental está cada vez mais fácil, e é mesmo uma grande vitória da socióloga Rodrigues.

É que não estão bem no mercado de trabalho, estão em casa, embora talvez precisassem de uma formação mais longa. Não sei se entendem: cosem botas para a Zara, mas é em casa, não é no mercado. Não entenderam? Eu também não.