O essencial

Vamos lá ver se desta vez percebem, porque a malta está fartinha de explicar:

– a carreira de professor tem um conteúdo funcional que é igual do primeiro ao último dia. OK?
Se querem gastar menos dinheiro com os profs, assumam, mas não continuem a colocar remendo atrás de remendo num estatuto que está mais que caduco!

O empobrecimento nos próximos dez anos

“…uma taxa de crescimento tendencial durante o próximo ciclo que não deverá ser superior aos valores situados entre 1,25 e 1,5 que se registaram no último ciclo!

Isto aponta para um crescimento gradual do desemprego que andará pelos 10% em 2010 e uma variação negativa do valor dos salários em termos nominais este ano.

Portugal segundo as projecções voltará a ter um comportamento e um desempenho inferior aos dos seus parceiros europeus. (MOODY’s, Público)

Este é o nosso futuro imediato pelas mãos de quem está no governo há 11 anos nos últimos 14 anos, o PS e o seu intervencionismo cada vez maior e mais prejudicial para a parte da economia que produz riqueza.

Anos e anos perdidos com uma visão centralizadora e estatista, de braço dado com as grandes empresas públicas e grandes grupos económicos, megainvestimentos, deixando no esquecimento o tecido empresarial que cria riqueza e emprego, produz bens transaccionáveis e para exportação.

Olhem para o Programa do PS e é isto que lá vão encontrar, mais do mesmo, uma máquina ávida pronta a abocanhar o seu (grande) pedaço.

Não podemos esquecer o ” contrato Liscont” o TGV, o aeroporto, as autoestradas em duplicado, as SCUTs, a Empresa Frente Ribeirinha e esse buraco negro que são as empresas públicas de transportes…

Há que mudar de modelo político e económico sem o que não há esperança para as gerações vindouras!

Frases e factos de hoje

1-Portugal vai sair da empresa que explora os diamantes em Angola. Não é um negócio decente onde um país possa estar sem problemas de consciência. Óptimo!

2 – Em dois anos os cidadãos que não têm médicos de família aumentaram em 250 000 .O governo criou as unidades de Saúde Familiar para trazer mais gente para dentro do sistema mas os resultados não são famosos. Em 2006 havia 1 146 635 pessoas sem médico de família , em 2008 tinhamos 1 416 277 nas mesmas condições!

3- O Sporting apurou-se com um golo já para além dos noventa minutos. Quem não se cansa de lembrar isto são os mesmos que se esquecem que tinha sofrido um golo no primeiro minuto, quando ainda ninguem tinha feito nada para merecer um golo! Estamos sempre contra os “nossos”.

4- “O primeiro ministro José Sócrates parece ter perdido as certezas que justificaram as acusações de arrogante e autoritário. O seu hiper-activismo nas actuais caracteristicas da luta política vira-se agora contra ele”( helena Garrido, Público )

5- Portugal resiste à crise mas não se prepara para a retoma, diz a agência Moody’s. É preciso saber se as autoridades de país têm a vontade política de tomar as medidas necessárias para enfrentar a falta de competitividade. (Público)

6- Petróleo volta a ameaçar a retoma económica, tendo ontem ultrapassado a fasquia dos 70 dólares/barril. Aos primeiros sinais de retoma económica aí estão os mesmos problemas. É preciso mudar de vida foi o que nos ensinou esta crise mas a lição não foi ouvida por quem manda!

Na Madeira o jornal O Diário de Notícias anuncia o despedimento de 13 pessoas, enquanto isso o jornal oficial do governo regional, decidiu tornar o título gratuíto e aumentar a tiragem para 15 000 exemplares. Tudo pago pelos “cubanos do contenente”. Viva o Jornal da Madeira ! Se disserem isto a Alberto João ele diz que a RTP custa muito mais. E não é que tem razão?

MONIZ

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A SAÍDA ANUNCIADA
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Quem se mete com quem se mete, leva!
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José Eduardo Moniz, por ventura o melhor dos directores da televisão Portuguesa, saiu da TVI.
Poder-se-ia dizer que estava já anunciada a sua saída há muitos meses, desde que a estação televisiva escolheu como principal alvo o ainda nosso Primeiro.
Poder-se-ia dizer, lá poder podia, mas ninguém dirá, pelo menos os que mandam na gente, e muito menos eu que destas coisas, percebo nada.
Moniz mexeu onde não deveria, e está-se mesmo a ver, o pau partiu pelo lado mais fraco.
É lamentável e deprimente que se viva desta maneira, neste nosso País, e, pior, com gentinha desta laia.
A vida é feita de ciclos, alguns são assim, e acabam desta maneira!

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Ora nem mais…

Ler AQUI e não deixar de ler, igualmente, AQUI

O que é o Iberismo ?

Pela primeira vez foi feita uma sondagem em Portugal e em Espanha sobre uma eventual federação Ibérica.

Portugueses são 39,9% que dizem sim à ideia, Espanhóis são 30% os que acham boa ideia essa união política.

Em primeiro lugar não sei bem se aqueles conceitos se identificam, confesso. Federação Ibérica é o mesmo de “fusão” ibérica? E Iberismo tem como objectivo a Federação de todos os Estados que reivindicam autonomia ou trata-se de um só Estado, um só território, e vários povos?

E agora que estamos na UE porquê este súbito reacender do Iberismo?

O Miguel Gaspar no Público diz-nos que é a razão mais cínica que nos faz mover. Acabados “os fundos comunitários” os portugueses mandriões e pobretes voltam-se para Espanha para o novo “el dorado”. Porque por muito que não gostemos de Espanha a verdade é que o país vizinho vive muito melhor do que nós, tem condições para sair da pasmaceira, evoluiram muito melhor que nós na cultura, na sociedade, na economia.

Como não somos capazes de nos aproximar deles pela competência então juntamo-nos a eles. A muito portuguesa inveja, leva-nos sempre a procurar a solução mais cómoda.

Ora, o único iberismo possível é sermos capazes de dar o salto como eles deram, ficar ao nível deles e compreender onde falhamos e eles não!

Apontamentos & desapontamentos: As eleições autárquicas em Lisboa

Hoje é um mero apontamento, pois ao falar da classe política já não faz sentido manifestar qualquer espécie desapontamento. Sou lisboeta, filho, neto e bisneto de lisboetas. Nasci em plena Baixa, ali pelas mesmas paragens por onde o Pessoa, e o seu Bernardo Soares, remoíam o desassossego e às vezes o afogavam num copinho de aguardente ao balcão do Vale do Rio (aquele em que o Fernando foi fotografado «em flagrante delitro»). Porém, não moro na cidade e, por isso, não posso votar na eleição do presidente do município da «minha» Lisboa. De todos os candidatos em presença, tenho dificuldade em escolher um do qual o programa e as provas dadas me dêem garantias de que as coisas vão correr bem. O António Costa, apesar de pertencer a um partido de que não gosto (na verdade, não sendo anarquista, não gosto de nenhum dos partidos existentes), desiludiu-me. Por aquilo que dele sabia – fui muito amigo do pai, excelente escritor e cidadão de primeira água – pensei que fosse fazer melhor. Bem sei que herdou uma situação difícil, mas isso é um dado adquirido – todos os autarcas herdam situações complicadas. Porém, a maneira como lidou com essas dificuldades, definem-no como um autarca vulgar, com soluções de compromisso nem sempre, quase nunca, aceitáveis. Não me parece que devesse insistir neste cargo. Não lhe assenta bem. Mas ele é um político profissional e, na sua perspectiva, não tem alternativa. O candidato do Bloco, não sei, seria um voto em alguém que não vai ganhar, mas não seria por esse motivo que deixaria de votar nele. Dizem-me que, pese embora a sua «genealogia» estalinista, é pessoa séria. Talvez fosse a minha escolha. Talvez. Nos candidatos do PCP e do CDS, sejam quem forem e prometam o que prometerem, nunca votaria por uma questão de princípios. E Santana Lopes?
Não é candidato que se apresente. Comparando-o com outro autarca do mesmo partido, o Rui Rio, por exemplo, Santana fica a perder (Não digo em obra feita, mas, pelo menos, em imagem). Mas esse é o drama do PSD – não tem gente de qualidade – o PS tem-na bem arrumada no sótão e empacotada, mas tem-na. O PPD, ainda vá que não vá, tinha aqueles jovens da Ala Liberal da ANP, teve pessoas como a Natália Correia, enfim, sempre era outra coisa. Agora tem o Pacheco Pereira, que é um homem de cultura, mas esse teria de criar um partido só para ele. Tem o Marcelo Rebello de Sousa, uma espécie de «bruxa má» destilando, sempre com um sacaníssimo sorriso, veneno a torto e a direito, até entre os seus correligionários. Em suma, o PSD é um deserto de ideias e de pessoas apresentáveis. Veja-se a Manuela Ferreira Leite – hesitante, mentindo tanto como Sócrates, parecendo mais séria só porque, de facto, se ri menos. Mentindo porque tem a desvergonha de criticar até mesmo medidas económicas lançadas por ela quando fez parte do ministério de Durão Barroso. A Manuela Ferreira Leite não existe. É uma sombra de outra sombra – da inexistente personalidade de Cavaco Silva. Tenho dito por diversas vezes que nunca gostei de Francisco Sá Carneiro enquanto era vivo e não seria pelas condições trágicas em que morreu que iria passar a apreciá-lo. Era um político no mau sentido da palavra – oco de ideias, chicaneiro, manipulando a oratória, a sua e a dos adversários. Em todo o caso, era um político. Ponto final. Os que lhe têm sucedido são gente sem vergonha em busca de tachos para eles e para os amigos. Tachos e protagonismo. E Santana Lopes, não sendo propriamente um político, é um paradigma desse tipo de pessoas.
É um homem do jet set, das revistas cor-de-rosa, mas não é um político (embora considerando toda a carga pejorativa que o termo comporta, mesmo assim ele fica aquém). Lá habilidoso e desenrascado é ele – envia um postal ao Machado de Assis, o grande escritor brasileiro morto em 1908, confunde um anúncio do livro Cuidado com os Rapazes com uma ameaça e convoca uma conferência de imprensa para denunciar a conjura, mede o Co2 em magawatts e inventa concertos de violino ao pobre do Chopin… Era quando desta gaffe secretário de Estado da Cultura, veja-se.

E secretário de Estado de quem? De Cavaco Silva, claro – o tal primeiro-ministro de Portugal que não sabia quantos cantos têm Os Lusíadas. Que pronunciava pograma e supreza. Gaffes e atropelos da língua e da cultura que o actual presidente da República não comete, já se vê). Mas Santana não se prende com ninharias. Ah não são megawatts, são toneladas? E então, não faz tudo parte do sistema decimal? O Chopin não compôs concertos para violino? E não podia ter composto? No século qualquer coisa já se fabricavam violinos, ou rabecas… Então esse tal gajo, o Machado não sei quantos, morreu há cem anos? Qual é o mal de lhe mandar um postalinho? É o chamado «desenrascado», não se prende com pormenores. Passa adiante. Só que a política autárquica é feita de pormenores, pelo conhecimento de pequenas coisas que às vezes têm um grande significado para os munícipes, de amor pela cultura (que ele arrogantemente despreza, porque a ignorância é sempre arrogante). Desta vez chega prometendo mais um túnel, avisando em todo o caso que provavelmente não o fará. Enfim, a verdade é que o António Costa, menos ignorante, com menos gaffes, mais ponderado no discurso, pessoa mais séria, também não fez grande coisa e a cidade está num caos. Duma coisa podem os lisboetas estar seguros – os múltiplos problemas da sua cidade, incluindo a excessiva emissão de magawatts de Co2, não será Santana Lopes que os resolverá. É a escolha mais óbvia a não fazer. Mas, e a escolha certa? Há alguma? Parece-me que não. Em todo o caso, oxalá os meus conterrâneos façam outra escolha, seja ela qual for será provavelmente uma má escolha – só que com o Santana o «provavelmente» não faz sentido. O Santana outra vez, não. Dêem o benefício da dúvida a qualquer um dos outros. Porém, desde que vejo o mafioso Berlusconi a ser eleito pela quarta vez, na Itália da cultura, como posso acreditar que os alfacinhas, com o seu pendor fadista e fatalista, não sejam também eles seduzidos pelo charme indiscreto da fatal ignorância do playboy Santana?

O DIAGNÓSTICO

O DIAGNÓSTICO

(Mais um conto da Guiné. Espero que saboreiem como eu saboreei)

O sol baixava a sua fogueira comendo a sombra à medida que a luz crescia. Como sempre, meti o corpo dentro de uma velha bata branca e dirigi-me ao posto de socorros, onde me aguardavam soldados e nativos para a consulta matinal. Hora respeitada. Ritual.
Logo que cheguei, os olhos caíram-me na figura de uma velha cuja idade mirrara na secura das carnes. A pele parecia colada aos ossos e a silhueta nem sombra dava. Os sorrisos esqueceram-se para lá da boca, e dois ninhos de rugas guardavam os olhitos faiscantes.
O “Manjaco”, nome da etnia de que era originário, um dos meus ajudantes nestas tarefas clínicas, alto e desengonçado, sempre feliz e afável, surgia acima de todas as cabeças.
– Manjaco, vamos ao trabalho.
-Dotô, manga pessoal, manga chatice!
Quando chegou a vez da velha, o Manjaco torceu o nariz, dando a perceber que era de língua difícil e de terra sem lugar, lá onde acabam bolanhas e começam mangueiros e coqueiros. Por universal defeito de raças e linguagens as nossas falas não se cruzaram. O Manjaco olhou em volta procurando intérpretes para aquele resto de corpo. Bateu o pé no chão para espantar a pequenada, debruçada na curiosidade.
-Maldita canalha, maldita velha qui só vem no chateanço. Tu, vem cá, e tu.
Os dois rapazes entreolharam-se como se mutuamente se desconfiassem. Um deles era mandinga e o outro não me lembro.
Puseram a velha a queixar-se. Ela sacudiu os ossos em imitação de tosse, ao mesmo tempo que apertava entre os dedos a pele seca da garganta. Numa espécie de dança, mexia o corpo para a frente e para trás baloiçando a magreza. Agitava-se em tremuras fingidas, emitindo uma espécie de grunhidos salpicados de baba, enquanto as mãos apanhavam o baixo-ventre ou se espalmavam nas hipotéticas ancas. O Manjaco ia observando toda aquela mímica com ar enfastiado:
-Ché! A velha é maluca!
Olhou de maneira inquisidora os dois moços, apontou para a velha, e já com a paciência a apagar-se, exclamou:
-Fala pá, fala maleita di velha.
Os dois esquinaram o olhar, torceram a boca, e a aflição somou as duas caras. O primeiro virou-se para o segundo e disse numa lenga-lenga:
-“blá, blá, blá.
O segundo voltou-se para o Manjaco e traduziu:
-blé, blé, blé.
O manjaco encolheu os ombros, esboçou o gesto de quem nada percebeu, olhou-me de soslaio e exclamou:
-Dotô, isto estar grande merda!
De novo solicitada, a velha repetiu a cena escorrendo as palmas das mãos pelas pernas abaixo, esboçou um espasmo figurativo de dor, enroscou-se num ar felino e cravou os olhos desafiadores na cara do Manjaco. Disso é que ele não gostou. Com ar zangado, agarrou os dois rapazes pelos ombros, e numa última tentativa interpelou de novo:
-Tu ca sabi pá, tu ca sabi puto língua di velha, puxa por mimória, pá. O primeiro virou-se para o segundo e disse:
-Blá, blá, blá.
O segundo voltou-se para o Manjaco e traduziu:
-Blé, blé, blé.
O Manjaco não atingiu e enraivou o anterior desabafo, espaçando as palavras:
-Dotô,…isto…estar…grande…merda!
Caracoleou então por entre queixas e deixas, desmontou os arrebiques da velha, denunciou a incapacidade dos intérpretes, e bufou de furor e impaciência. Tomou ele a iniciativa. Ensaiou uma cantoria zombeteira e atirou à cara da velha uma autêntica algaraviada. Furiosa, a mulher fez assomar ao nariz uma lágrima de ranho, fincou no chão os pés calçados de lama seca, olhou os dois intérpretes, fulminou o Manjaco, calou uns segundos de silêncio e voltou aos mesmos gestos e grunhidos, com força redobrada e descrição veloz, como cena de filme a correr em acelerado. Parou de repente, fitou de maneira desafiadora os circunstantes e cravou pela primeira vez os olhos em mim, como que a dizer:
-Então, já percebeste?
O Manjaco estava desorientado. Começou a dar uns passos curtos e outros compridos, rodopiou sobre si mesmo, volveu os olhos ao céu, e a despeito da vontade de estrangular a velha, voltou-se calmamente para mim e disse:
Olha Dotô, corpo de ela tá todo fodido.

                (manel cruz)

(manel cruz)

José Sócrates conseguiu

Não foi de uma maneira, foi de outra…

Cartazes para as Autárquicas (Valongo)

(iniciativa explicada aqui)
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Maria José Azevedo, Candidata independente, Valongo.

POEMAS DO LUSCO-FUSCO

Não sei fazer uma rosa
nem me interessa
não sei descer à cidade
cantando
nem é grande a pena minha
não sei comer do prato dos outros
nem quero
não sei parar o fluir dos dias e das noites
nem isso me apoquenta
não sei cativar o brilho
do poema azul…
…e isso dá-me vontade de morrer.

               (adão cruz)

(adão cruz)

QUADRA DO DIA

Comem tanto que dá nojo
Tem mão neles ó S. João
Se não lhes dás cacetada
Ficamos sem um tostão.

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE (7)

AS QUESTÕES ÉTICAS NOS CUIDADOS DE SAUDE (7)

Os projectos humanos vivem do ancoramento temporal do passado, em luta contra o estreito espelho do nosso vazio presente, com os olhos no poderoso estímulo projectivo do futuro. A educação, toda a educação, neste caso a educação médica, está acima de tudo, acima da própria saúde de que vai ser o suporte, acima do pão e da paz. Da mesma forma que com a educação em geral, dentro de uma correcta educação e formação médicas tudo é possível em termos de saúde. O gene saudável ou a mutação patológica do exercício da medicina e de toda a ética que a envolve podem coexistir no útero da Faculdade e no seu leite natural. Claro que esta educação não se limita à transmissão, pura e simples, dos conhecimentos científicos. Não é preciso ser muito esperto para compreender que a formação global e estrutural do homem é bem mais complexa.
Eu costumo dizer que a cultura é a capacidade que o Homem tem de entender os fenómenos que o rodeiam. Parecendo demasiado simplista, esta definição encerra um profundo conteúdo. A cultura, empilhamento de conhecimentos, suporte de medíocres serventuários e de incriativos plagiadores, simples potencial quantitativo, não produz o saber vital, o saber estar na vida. Nenhum médico pode ser bom médico se não for culto, se não for uma pessoa bem formada. Não vou aqui estabelecer os critérios que definem uma pessoa culta, uma pessoa bem formada. Mas posso dizer que uma pessoa que não entenda o mundo, que não compreenda a razão das razões, que não agarre a essência e a substância dos complicados fenómenos com que tem de lidar, que não saiba o valor da humildade, que não reconheça o mal da presunção e da arrogância, que não aceite a indispensabilidade do bom-senso, que não seja capaz da linguagem falada, escrita, gestual e psicológica exigida pela sua missão, não veicula, nem de longe nem de perto, os elementos indispensáveis à criação da tal “relação privilegiada com uma pessoa muito especial, o doente.”(Continua).

                 (adão cruz)

(adão cruz)

Os políticos que "estão" arguidos

Estar arguido é uma situação que pode acontecer a um qualquer de nós. Ser arguido num determinado processo requer que haja fundadas razões e dá um conjunto de condições de defesa que só são usufruíveis se se estiver nessa condição.

É, pois, o Estado de Direito a funcionar. Não há mal nenhum ser arguido e até prova em contrário todos são inocentes.

Outra coisa muito diferente é um arguido concorrer a um cargo público seja de nomeação seja por eleição. Porque estas funções requerem antes de tudo, credibilidade. Se uma pessoa está sujeita à suspeição desde logo fica fragilizada no que, para ela, é a característica mais importante.

Isto é indesmentível, e não se percebe porque a Lei não acolhe este argumento. Poderá dizer-se que se assim fosse não haveria governo ou Assembleia ou Executivo camarário que chegasse ao fim do mandato. É certo, pois então gradue-se as circunstâncias. Se estiver a exercer só sairá se for considerado culpado, se for para concorrer basta estar arguido.

Há uma terceira questão talvez a mais importante. O eleitor não pode exercer o seu direito de escrutínio e “individualizar” os nomes que não quer ver eleitos. Se há quem eleja “isaltinos” e “felgueiras” só podemos lamentar o baixo nível de exigência desses eleitores, mas que os eleitores conscientes e exigentes não possam impedir a eleição de quem , a coberto de uma lista partidária, passa sem o seu apoio é profundamente lamentável.

Aqui está uma medida que muito contribuiria para a limpeza do balneário!

O Grande Irmão engordou

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“Data e hora das chamadas ou da ligação à Internet, endereço de IP, nome e endereço do utilizador ou subscritor do serviço, localização de aparelhos móveis – são alguns dos dados que, a partir de amanhã (hoje, quarta-feira), os operadores de telecomunicações passam a ter de guardar durante um ano, para o caso de um juiz requerer a informação. De fora desta medida fica todo o conteúdo das comunicações, cuja retenção continua a ser proibida”, relata o Público.

Quase nada de novo. Continuamos a ser controlados. Cada vez mais. Continuamos à disposição dos senhores juízes e dos senhores das operadoras de comunicação. O que nos vale é que é tudo boa gente e de confiança. Tenho a certeza disso. Você não tem?