Propostas Socialistas : mais desprezo que críticas

O Presidente da CIP afirma que ainda não viu nada sobre propostas “PARA A PARTE DO PAÍS QUE PRODUZ RIQUEZA” !

Um resumo frio, realista e sem cedências de qualquer espécie sobre o Programa Socialista. Trata-se de mais do mesmo, não engana ninguem e o PS que anda de braço dado com o grande capital, com os negócios da Banca, das grandes empresas públicas e com os grandes grupos económicos, pia tarde quando vem agora falar das Pequenas e Médias Empresas. Todos os dias as pequenas e miseráveis empresas que empregam 70% dos trabalhadores, abrem falência lançando pessoas para o desemprego. Mas este PS não quiz ver, o mundo de Sócrates é o BPP, o BPN, o BCP…

Manhoso,, continuísta, secretista, propagandista, com uma aparente grandeza que não casa com os episódios pouco abanotórios que conhecemos.

Isabel Alçada: olhe que isso é mau para o negócio

Além de que são companhias um pouco impróprias, mas a senhora é que sabe… Cá para mim ainda se vai meter em aventuras.

Nota pós-publicação: a srª Ministra não se sente um bocadinho mal por ter sido substituída sem lhe terem dito nada?

13º Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa

Entre 18 e 26 de Setembro, o Cinema São Jorge anuncia como filme de abertura “Morrer como um homem” de João Pedro Rodrigues.

Vamos (salvo seja) ter um Espaço da Memória, que celebra sete efemérides da cultura queer (alguem me diz o que é isto?) através de concertos, leituras de poesia, sessões de cinema, conversas com várias personalidades ou desafios ao público.

Ainda acolherá uma exposição ” Shocking Pinks” com vários artistas plásticos portugueses.

Espero não dar a barraca que dei há uns dois anos quando calmamente fui ao São Jorge beber um café para ver a reabilitação do edifício e só me dei conta do resto do pessoal, quando já não podia recuar.

Portei-me à altura embora fosse a curiosidade comum. No vestir, na idade, no comportamento. Ninguém me tratou mal embora eu temesse que alguem podia olhar para a minha presença como provocação. Não, correu tudo bem, andei por ali a ver e a ouvir.

Afinal a rapaziada gay não faz mal a ninguem ! Mas não me converti, está bem?

Sem maioria absoluta, governar em Minoria é a opção

Nos últimos dias as sondagens (ainda existe disto?) têm mostrado que PS e PSD estão longe da maioria absoluta.
A direita sozinha, seja o PS ou o PSD, com o PSD não vão conseguir governar em maioria… a não ser que uma santa aliança entre parte da direita (PS, PSD) os una até que a fome de comer os separe.
Da esquerda, a resposta a Sócrates tem sido clara: não há coligação com o PS depois das eleições.
Creio, pois, que só há um caminho a seguir: um governo de apoio parlamentar minoritário.
Uma análise ao passado permite perceber que não há mal nenhum nisto… os primeiros governos de Cavaco e de Guterres não deixaram de governar apesar da situação no parlamento. Ao contrário, temos um de maioria que há quase cinco anos (des)governa e faz publicidade.

Two Lovers – entre o amor e a paixão

Fui ver o filme com o Joaquim Phoenix, a Gwyneth Paltrow, a Vinessa Shaw e a Isabella Rosselini, dirigidos por James Gray. Ali ao Londres.

É a história de um homem entre duas mulheres, uma oferece-lhe a vida que sempre teve, o seu lugar no mundo, a outra oferece-lhe a vida que nunca conheceu. Claro, apaixona-se por esta e ama a primeira embora não o perceba.

O rídiculo da paixão persegue-nos todo o filme, não só no personagem de Phoenix mas tambem no de Gwyneth, não no sentido do “estar apaixonado” mas no do “comportamento” de quem está apaixonado.

O filme desenrola-se à volta de um homem jovem sofrido, vagamente doente que toma uns comprimidos mal se levanta e sujeito à “impiedosa” protecção dos pais, à segurança de uma vida familiar que tem um negócio próprio e que por isso, “não pode ser despedido”.

Isabella é a mãe sempre demasiado presente, superprotectora mas que escolhe o filho mesmo quando vai fazer “asneira”. Basta-lhe que seja feliz.

Gwyneth é a “loira linda de morrer” sem nada na cabeça e que vive um tórrido romance com um homem rico e casado. É a sua solidão e insegurança que atrai Phoenix.

Vinessa, apesar de ter muitos rapazes interessados, aprecia a vida de família e vê em Phoenix alguem que pode proteger. A cena final entre ambos é portentosa, uma ilha de compreensão e amor no meio da “multidão” de uma festa familiar.

Não sei porquê mas estive todo o filme a “temer” que o frágil Phoenix desse barraca, a “desejar sexualmente” Gwyneth e a querer casar com Vinessa!

Já estou no padrão. Não há fuga para este vosso amigo!

Cartazes das Autárquicas (Lisboa)

(explicação da iniciativa aqui)
cdu lisboa
Ruben de Carvalho, CDU, Lisboa (enviado pela nossa leitora Maria Monteiro).

Mário Soares , Sócrates , Joana , Louçã

A Joana diz que foi convidada pelo PS para concorrer nas listas para deputada nas próximas eleições. E diz mais, diz que se aconselhou com Mário Soares antes de responder negativamente .

Louçã chama a Sócrates o que Maomé não chamou ao toucinho. Falta de ética, mentiroso, utilização do aparelho de Estado para oferecer lugares bem remunerados.

Sócrates jura que não, nem ele nem ninguem por ele convidou a Joana, que já não vê há três anos. É feio atacar com mentiras um adversário político.

Mário Soares perante a utilização do seu nome não reage .

É preciso um desenho para saber quem está a mentir?

PS: Entretanto, perante o evidente embaraço de Sócrates e do PS, uma terceira figura do partido veio a público colocar a cabeça no cepo.

A rapaziada do Simplex, ex-Jugular e futuros assessores é que não diz nada após se terem finamente indignado. Pudera, há certas reputações que são como um livro aberto na página certa!

Cartazes das Autárquicas (Marco de Canaveses)

(explicação da iniciativa aqui)
DSC05323
Artur Melo, PS, Marco de Canaveses

QUADRA DO DIA CORRIGIDA

Neste país de capados
Sem tomates nem justiça
Torres, jardins e machados
Comungam e vão à missa.

DEUS COMO PROBLEMA OU A COMPLEXA SIMPLICIDADE DA EVIDÊNCIA (9)

Deus como problema ou a complexa simplicidade da evidência (9)

Agora não é Saramago mas o meu amigo quem diz “que a segurança dos que não acreditam é invejável e que a intolerância se verifica mais em relação àqueles que crêem”. Plenamente de acordo. Tal facto deve-se a que a segurança dos que não crêem não existe, e antes constitui um exercício permanente de aprendizagem, interrogação, reflexão e descoberta ao longo do difícil caminho da razão.
“Se me tivessem provado que com a morte tudo termina, creio que já teria partido voluntariamente”, confessa o meu amigo. Penso que o Homem não tem, gratuitamente, provas de nada, e pode rejeitar todos os argumentos falaciosos ou extra-humanos que de nada lhe servem. Bastam-lhe as provas que nascem do desenrolar da sua razão. Por que motivo o meu amigo rejeita a força das hipóteses lógicas, racionais, a luz da ciência – pobre ciência humana, é certo – mas que o meu amigo aceita e utiliza numa elevadíssima percentagem dos actos da sua vida, e adere à fragilidade de teses fantasistas, ilógicas e mesmo irracionais, carecendo de todo e qualquer substrato que não seja a fé, fé essa – não pode negar – directamente proporcional à ignorância, à incultura e a toda a espécie de fundamentalismos mais ou menos acéfalos. Isto não significa que não haja pessoas crentes muito inteligentes e muito cultas – que é o caso do meu amigo -. Simplesmente, em meu entender, não foi a cultura mas outra razão qualquer que gerou e enraizou a crença. A verdadeira cultura é, habitualmente, um obstáculo e remete muito mais para o antagonismo do que para o agonismo da fé. (Continua).

                (adão cruz)

(adão cruz)

A QUADRA DO DIA

Neste de capados
Sem tomates nem justiça
Torres, jardins e machados
Comungam e vão à missa.

Nos 80 anos do nascimento de José Afonso (VIII)

(continuação daqui)

GRÂNDOLA, SENHA DE ARRANQUE PARA A REVOLUÇÃO

Em 29 de Março de 1974, quase duas semanas após o «golpe das Caldas» e a menos de um mês da «Revolução dos Cravos», realiza-se no Coliseu dos Recreios um «Canto Livre» organizado pela Casa da Imprensa onde, além de Zeca, participam José Barata Moura, José Jorge Letria, Vitorino, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, entre outros. A censura avisa a organização de que algumas canções não devem ser interpretadas. Entre elas, algumas do Zeca – Menina dos Olhos Tristes, Venham Mais Cinco e A Morte Saiu à Rua, dedicada ao escultor e pintor José Dias Coelho, assassinado a tiro por um agente da PIDE, em 1961, numa rua de Alcântara, em Lisboa. Acabam o espectáculo cantando em coro Grândola, Vila Morena, que, estranhamente, não fora proibida pela Censura. Oficiais do MFA que assistem ao espectáculo, escolhem nesta altura a senha para o arranque do levantamento militar. Diz o Zeca: «Vivi o 25 de Abril numa espécie de deslumbramento» (…) «Fui para o Carmo, andei por ali… Estava tão entusiasmado com o fenómeno político que nem me apercebi bem, ou não dei importância a isso da Grândola. Só mais tarde (…) quando recomeçaram os ataques fascistas e a Grândola se cantava nos momentos de maior perigo ou entusiasmo, me apercebi de tudo o que significava e, naturalmente, senti uma certa satisfação». Ainda em 74, gravado em Londres, é editado o álbum Coro dos Tribunais. Após o 25 de Abril, Zeca entra numa fase frenética de intervenção em festivais, sessões de esclarecimento… Apoia o M.F.A. na operação Maio-Nordeste, um esforço de esclarecimento das populações isoladas do Nordeste transmontano. É indubitavelmente a voz da Revolução. O período agitado que se segue à Revolução de Abril, constitui uma época de grande envolvimento de Zeca na vida do País – canta em quartéis, em fábricas, em escolas em colectividades, em serões de solidariedade internacional; apoia o MFA na animação cultural junto da emigração e na recolha de fundos para a Reforma Agrária… Após os Acordos de Alvor, actua em diversas cidades de Angola. Em Itália, organizações políticas como a Lotta Continua, Il Manifesto e Avanguardia Operaia, editam o álbum República, gravado em Roma. A receita é destinada a apoiar os trabalhadores do vespertino República e uma cooperativa agrícola. Francisco Fanhais e músicos italianos colaboram na gravação. Em 1976, apoia a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho à presidência da República. Edita o álbum Com as Minhas Tamanquinhas. Pelo seu álbum Cantigas do Maio, é distinguido com o Prémio Alemão do Disco, outorgado pela Academia Fonográfica Alemã. Em 1978, com a colaboração de Fausto, grava e edita o álbum Enquanto Há Força. No ano seguinte sai o álbum Fura Fura, com a colaboração dos Trovante e de Júlio Pereira. Em Bruxelas, canta no Festival da Contra-Eurovisão. Em 1981 Grava Fados de Coimbra e Outras Canções. Realiza um espectáculo no Théatre de la Ville, em Paris.

Avaliação de Professores: eis o sr. Inginheirú

Uma pérola: Sócrates admite que há diferenças entre a Lei que simplifica a avaliação e o Estatuto, Lei de “estatuto” jurídico superior…

E tudo continua a rolar com a maior das calmas… e até se alarga a ilegalidade por mais dois anos!

A Pandemia do lucro Tamiflu

Se no e vero e biene trovato…

Recebido por mail:
Dá que pensar, na realidade!

Disto se fala na internet, e parece-me muito acertado, para reflectir.

PANDEMIA DE LUCRO

Que interesses económicos se movem por detrás da gripe A???

No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária que se
podia prevenir com um simples mosquiteiro.
Os noticiários, disto nada falam!

No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarreia que se poderia
evitar com um simples soro que custa 25 centimos.
Os noticiários disto nada falam!

Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a
morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários disto nada falam!

Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves…
…os noticiários mundiais inundaram-se de noticias…

Uma epidemia, a mais perigosa de todas…Uma Pandemia!
Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10
anos…25 mortos por ano.

A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão
contra 25.

Um momento, um momento. Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe
das aves?

Porque atrás desses frangos havia um “galo”, um galo de crista grande.
A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú vendeu milhões de doses aos países asiáticos.
Ainda que o Tamiflú seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.

Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.

-Antes com os frangos e agora com os porcos.

-Sim, agora começou a psicose da gripe suína. E todos os noticiários do
mundo só falam disso…

-E eu pergunto-me: se atrás dos frangos havia um “galo”… ¿ atrás dos porcos… não haverá um “grande porco”?

A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflú. O principal accionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretario da defesa de George Bush, artífice da guerra contra Iraque…

Os accionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflú.

A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.

Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países.

Mas se a gripe A é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios
de comunicação.
Se a Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la? Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.

AQUI ESTÁ RICKY, EM FÉRIAS, NAS TERRAS DE CERVARIA

AQUI ESTÁ RICKY EM MERECIDAS FÉRIAS DE VERÃO. INVEJEM-NO, INVEJEM-NO. E AGORA NÃO DIZ NADA, Ó MARIA MONTANA? E AGORA NÃO DIZ NADA, Ó MISS ROMUALDA? jOSÉ fREI, O MAROTEIRO QUE ANDA A ESCREVER SOBRE ORGASMOS. LUISINHO DO AREEIRO, SEU ARDIDO. Ó CARLITOS, E O SEU CÃO, JÁ ADOPTOU?

http://www.youtube.com/watch?v=Tgv_CQFYwiE

INVEJEM AGORA O ESBELTO RICKY, EM TERRAS DE CERVARIA COM AS SUAS DUAS EMPREGADAS. ESBELTO COMO NUNCA VIRAM NINGUÉM. RICKY EM POSES SENSUAIS E SEXUAIS, A FAZER NUDISMO NA SUA CASA DE BANHO COM DUAS MULHERES JEITOSAS, A NOÉMIA E A LEONOR. RICKY AMA CERVEIRA, RICKY AMA AS TERRAS DA CERVARIA. RICKY AMA CAMINHA E AMA A CAMINHA. SO ROMANTIC… SO COOL!

MAS NADA É PERFEITO E RICKY JÁ ESTÁ A FICAR ABORRECIDITO. NESTA PRAIA ONDE RICKY ESCREVE, UM TIPO BAIXITO E GORDITO, A BEBER VINHO VERDE, NÃO PÁRA DE OUVIR MÚSICA MUITO ALTO. O QUE É? ESPERA AÍ, DEPOIS DE OUVIR JANIS JOPLIN, ESTÁ A OUVIR CARLY SIMON, E AGORA, OH NÃO, AGORA VAI COMEÇAR A OUVIR SADE. E ESTÁ A LER DOUGLAS COPULANDO!!! HOoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo NÃO! RICKY QUE É MAUZINHO, RICKY QUE TEM A MANIA QUE É DITADOR, PÕE O SEU GRAVADOR NO MÁXIMO DO VOLUME E COMEÇA A OUVIR PEDRO ABRUNHOSA E A DIZER MAL DO MÁRIO SOARES!

RICKY É HOMEM BELO E NOBRE, RICKY É ALMA SUPERIOR, MAS ÀS VEZES IRRITA-SE. RICKY QUER TUDO DIREITINHO. DIZ QUE É DIREITiNHO, ELE! RICKY É CARINHOSO, DOCE E GENEROSO, MAS AQUELE TAL DO FUNDO É GROSSO E MAL EDUCADO. NÃO PÁRA DE OUVIR MÚSICAS DE QUE RICKY NÃO GOSTA E NÃO PÁRA DE BEBER VINHO VERDE.

RICKY, QUE COSTUMA SER TÍMIDO E BEM EDUCADO, SÓ TEM VONTADE DE CHEGAR PERTO DELE E DIZER: ó filho da puta, vai levar no olho do cú, vai adoptar um cão. MAS RICKY É ALMA NOBRE E SUPERIOR E POR ISSO CONTÉM-SE! CONTINUARÁ A CURTIR AS SUAS FÉRIAS NAS TERRAS DE CERVARIA E EM CAMINHA E IRÁ PARA A PRAIA DE MOLEDO, ONDE HÁ GENTE FINA, GENTE COOL.

P. S. – Este «post» é dedicado, com muita amizade virtual, ao nosso querido Adalberto.

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (4ª PARTE. CONCLUSÃO) – III

O novo aeroporto internacional de Lisboa, em Alcochete

Acerca da localização e acessos ao NAL, muito se tem especulado; contudo, é escassa a argumentação aduzida e esta, por vezes, distorcida senão escamoteada.

Face à insuficiência das informações prestadas – uma vez que muitos projectos estão ainda em estudo – proponho-me resumir e comentar alguns dados colhidos no relatório do LNEC o qual, como é sabido, foi o organismo escolhido pelo MOPTC para a realização da análise técnica comparada nas alternativas de localização do NAL, na zona da Ota e, também, no Campo de Tiro de Alcochete (CTA).

Antes de mais, esclareço que este Relatório teve como origem uma iniciativa da CIP que apresentou ao Governo um estudo preliminar sobre a localização do Novo Aeroporto, em Alcochete; o seu a seu dono.

E, a partir daí, resultou o mandato do MOPTC dirigido ao LNEC.

Pede-se a atenção para:

  • O novo aeroporto deverá articular-se com as infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias existentes ou a criar, com os portos e, ainda, com a rede de plataformas logísticas. A área ocupada rondará os 1800 ha.
  • Na sua proximidade, de forma mais ou menos concentrada, será implantada uma cidade aeroportuária, isto é, uma cidade compreendendo os mais variados serviços e múltiplas actividades.

A área deste empreendimento andará à volta dos 3.500 ha.

Este conjunto implicará a ocupação de áreas consideráveis de terrenos e a sua movimentação, com objectivo de implantar as infra-estruturas e outras obras de construção necessárias.

O que torna necessário o estudo aturado do novo ordenamento do território e protecção da natureza, tendo em linha de conta que se trata de uma zona de aquíferos generalizados, com níveis freáticos por vezes elevados.

  • As reservas hídricas subterrâneas – é bom não esquecer – constituem importantes recursos de água doce no nosso país e são de crucial importância para o abastecimento da agricultura e da indústria, permitindo servir cerca de 44% da população do continente.
  • Constituem, assim, importantes recursos de água doce, além de contribuírem para o escoamento de base dos rios ao longo de todo o ano, bem como alimentar algumas zonas húmidas.

No dizer do bem elaborado, embora incompleto, Relatório do LNEC (em consequência das condicionantes impostas e a premência para a sua entrega, mesmo na ausência de alguns estudos), a natureza do processo de recarga de águas subterrâneas implica a existência de uma passagem de água da superfície, através do solo, motivo pelo qual o controlo da sua quantidade e qualidade está intimamente ligado ao uso e ocupação do mesmo. E, de igual modo, sucede com todas as actividades e pressões existentes à superfície, para além das características naturais do meio.

É, pois, a altura de sublinhar que a localização do CTA se insere no maior sistema aquífero nacional. Por outro lado, a existência de camadas superficiais pouco permeáveis mas, também, pouco espessas e, por vezes, descontínuas, torna-as mais sujeitas à ruptura (seja o caso de fundações directas ou indirectas, estacas-prancha, escavações, furos, etc.) o que, penso eu, não assegura uma protecção suficiente da qualidade das águas subterrâneas. Por muitos cuidados que se tenham.

A monitorização prevista pelo LNEC, tanto no período da construção como no da exploração do NAL irá ser, pelo que foi dito, importante e indispensável, ao longo do tempo.

  • No que se refere aos riscos sísmicos, a implantação do NAL e restantes infra-estruturas auxiliares poderá ser fortemente condicionada pelo ambiente onde se inserem, segundo o LNEC, motivo pelo qual a quantificação das acções sísmicas constitui um aspecto de análise relevante.

Por razões que ignoro, não vi qualquer referência à falha sísmica existente entre Santarém e a Península de Setúbal, passando por Benavente onde teve origem, há alguns séculos atrás, um dos maiores sismos sofridos em Portugal.

O Laboratório também acrescenta que deverão ser efectuados estudos de casualidade sísmica específicos, complementados com um cabal conhecimento dos terrenos e com a avaliação da susceptibilidade dos solos existentes à liquefacção ou à mobilidade cíclica.

Resumidamente, apresentam como medidas de minimização:

  • Realização de estudos de casualidade sísmica
  •         “         “         “        “   caracterização geotécnica
  •         “         “         “        “   avaliação da susceptibilidade á liquefacção
  • Estimativa de assentamento de origem sísmica

Outros assuntos que considero muito importantes foram, por mim, respigados no citado Relatório; porém,

Não vi uma referência concreta à cidade aeroportuária, numa visão global, faseada. Contudo, a sua existência, dimensão, localização e a mancha adoptada é fundamental para que possa haver uma ideia mais aproximada do tipo de ocupação do solo, gastos de água previsíveis e características da poluição: doméstica, agrícola, industrial, etc..

Nesta ordem de ideias, os números que foram indicados para os gastos de água destinada ao abastecimento das infra-estruturas aeroportuárias são, nitidamente, baixos se considerarmos todas as necessidades da zona abrangida.

Também não vi devidamente fundamentadas, a inclinação longitudinal das pistas que foi fixada em 0,1 no CTA; talvez que 0,2 fosse mais acertado, para uma melhor defesa dos níveis de água suspensos, os riscos de “aquaplaning”, etc.

Não ignoro, porém, que isso iria acentuar, ainda mais, o diferencial entre o volume das escavações e o dos aterros e, assim, obrigaria à busca de novas câmaras de empréstimo ou, quem sabe, recorrer a materiais de empréstimo não convencionais, o que sai caro. E deste modo, para não assustarem os financiadores optou-se por 0,1, até ver; além do que, é sempre possível contar-se com uma lei permissiva e pouco clara sobre os trabalhos a mais…

Os riscos, numa perspectiva de conservação da natureza e da biodiversidade, são muitos e o LNEC alertou para o impacto negativo causado pelo eventual atravessamento da ZPE/SIC do estuário do Tejo por novas vias ferroviárias e rodoviárias, implicando a perda e fragmentação de áreas naturais importantes.

E, também, a perda progressiva e a fragmentação de montados na envolvente do NAL, devido à implantação das infra-estruturas, ao crescimento da cidade aeroportuária e ao desenvolvimento urbano.

Não esquecendo, por fim, a interferência com os movimentos das aves aquáticas.

Ficamos ainda, mais preocupados pelo facto destes impactos negativos serem muito incertos, devido à inexistência de estudos prévios, aliás como também sucede com as lacunas de informação biológica que, espera-se, deverão ser colmatadas de forma a que seja possível definir com maior rigor, as medidas de minimização e compensação dos impactos.

Em todas estas situações foram estabelecidas, e bem, directrizes capazes de os minimizar.

As principais acessibilidades ao NAL, por estrada ou por cf., podem resumir-se: 48 km por cf. da Gare do Oriente ao aeroporto e outros tantos km de estrada do Campo Pequeno ao mesmo local. No primeiro caso, um “shuttle” poderá fazer esse trajecto em 22 m e
,
uma viatura, necessitará de cerca de 35 m, caso não encontre grandes engarrafamentos.

Quer isto dizer que, para se tomar o avião para o Porto, a viagem irá começar com um percurso terrestre de cerca de 48 km, em sentido contrário, rumo ao Algarve. Numa viagem de ida e volta teremos, grosso modo, 100 km a que corresponde um gasto de gasolina de 17 euros, nesta data, isto sem falar nas despesas de conservação, manutenção e amortização dos veículos e, certamente, o pagamento das portagens no viaduto Chelas-Barreiro.

Numa outra perspectiva, diremos que a Portela tem 20% de passageiros domésticos, os restantes são provenientes da Europa e outros destinos.

Sabe-se, também, que a AML gera à volta de 73% dos passageiros com destino ao aeroporto e que, destes, à volta de 88% residem na parte Norte dessa área. Do que resulta que, para apanhar o avião em Alcochete, centenas de milhar de pessoas iniciam a viagem rumo ao Sul, congestionando as vias urbanas, o viaduto Chelas-Barreiro e as estradas.

Como, porém, a maioria dos utentes é proveniente das zonas de Cascais-Estoril-Sintra-Oeiras (as estatísticas assim o confirmam), os números acima indicados, relativos aos km terrestres efectuados irão ser, ainda, muito mais agravados.

Concluímos, assim, que terminarão os voos internos Lisboa/Porto dado que as pessoas irão optar pelo comboio, seja ele o Alfa Pendular ou o seu sucedâneo.

E se estivermos a pensar num aeroporto com funções predominantemente “hub” – aeroporto principal que concentra as partidas e chegadas de aviões com capacidades e destinos diferentes e, assim, fazem corresponder os voos curtos e médios com os de longa duração – então, parece-me que tanto faz escolher Alcochete, como Coimbra ou, porque não, o Porto.

Já agora, em maré de palpites – na parte que me toca pouco fundamentados, à míngua de dados credíveis, indispensáveis – porque não ensaiar a localização em Sta. Cruz, cerca de 45 km a Norte de Lisboa? Com boas áreas disponíveis entre A-dos-Cunhados/Bombardeira/Sta. Cruz/Ponte do Rol e muito perto de Torres Vedras? Quem sabe? Talvez que esta escolha permitisse, finalmente, a modernização tão desejada da linha do Oeste, muito fácil de melhorar no seu traçado, dadas as características do terreno e, assim, aliviar um pouco mais a linha Norte/Sul.

Para o que bastava fazer uma ligação ferroviária com perto de 22 Km de extensão, entre as duas linhas, na zona de Leiria/Pombal, conforme tenho vindo a sugerir desde Maio de 2003.

Para terminar este capítulo, permito-me focar alguns pontos que considero particularmente importantes:

  • A ANA é uma empresa sustentável que visa facilitar a competitividade das empresas de aviação portuguesas e aplicar taxas aeroportuárias, em conformidade.
  • Antes de concretizar a privatização da ANA, a 51% – um erro grave que pode ter sérias consequências para o país. – o Governo deveria mandar elaborar um Plano Estratégico Para o Desenvolvimento dos Aeroportos nacionais, fixando de forma clara e inequívoca aquilo que mais nos interessa, numa visão global compreendendo os diferentes modos de transporte.

Uma eventual mudança de mãos dos centros de decisão pode ser extremamente prejudicial, na medida em que retira ao Estado margem de manobra estratégica relativamente aos vários aeroportos do país e, assim, poderá ser determinante para alguns sectores, com o turismo à cabeça.

A situação ficaria, ainda, mais delicada se a ANA fosse parar às mãos dos espanhóis, detentores de uma estratégia própria, amadurecida e em franca implementação.

  • O ordenamento do território e o desenvolvimento regional não se esgotam, unicamente, em função das oportunidades abertas pelo NAL e pela vontade mais ou menos efémera de um Governo; a importância deste projecto exige, em meu entender, um acordo alargado das várias forças políticas, ouvidos atentamente os cidadãos através das autarquias.
  • Os critérios e os indicadores, a situação existente e a avaliação de tendências deverão ser revistos em função das novas realidades que muito se alteraram, nos últimos meses; nomeadamente, no que se refere ao desenvolvimento económico-social.
  • Com consequência, de igual modo, haverá que rever a avaliação financeira do projecto e a análise custos/benefícios; e consequentemente, a avaliação estratégica integrada.

Tudo isto parece-me do mais elementar bom senso; motivo pelo qual faço votos para que o LNEC – com um passado altamente meritório – não se deixe instrumentalizar e saiba impor os seus prazos, de modo a que possa apresentar um novo Relatório baseado em estudos mais completos, indispensáveis, mesmo que isso possa vir alterar os factores críticos servindo de base para uma decisão.