FUTAventar – nacional sportinguismo

Como eu tinha, superiormente, aqui aventado préfigurando o embate na pérola do Atlântico, o leão julgava que a crise tinha acabado e quando deu por ela (a bola) estava dentro da baliza.

Só se apercebeu que o árbitro apitava por tudo e por nada, quando aos vinte minutos de jogo foi pela primeira vez à baliza contrária. Aí ficou tudo esclarecido, o senhor do apito não deixava o sporting aproximar-se da área adversária. É pá, diziam os mais bem intencionados ou os mais nabos (normalmente são os mesmos)o gajo até apita a nosso favor! Pois apita, para travar as nossas investidas, assim passamos o jogo a marcar livres a 40 metros da área dos nacionais.

A perder por 1 a 0 a nossa equipa carregou olimpicamente o acelerador, remetendo toda a equipa adversária para a frente da baliza e só não marcou dois ou mesmo três golos porque o senhor do apito, fez vista grossa a um penaltie e a vários livres junto da área que sendo marcados pelos nossos especialistas “cantariam na gaiola” inapelavelmente!

As vítimas ( todas as equipas que se atravessam no caminho vitorioso do Leão) podem contar já no próximo jogo com o Caicedo e com o Matias que por razões tecnico-tacticas não jogaram hoje.

Parabéns, pois ao Nacional pelo empate, que é a todos os títulos um grande resultado, tendo em vista a evolução no gramado de ambas as equipas com prepoderância evidente em todos os vectores do campo pela equipa verde que ficou a dever a si própria um resultado muito mais dilatado e mais condizente com o que se passou no relvado bem tratado do Nacional, numa tarde amena a dar para o calor mas que permitiu um ritmo de jogo bastante competitivo, assim fosse o resto do país, mas não estraguemos tão bela ocasião a falar de coisas tristes e para já vamos na frente.

Luis (Roch em back)

Woodstock, o meu

Teatro-Circo do Príncipe Real, inaugurado em 1892, mais tarde Cine-Teatro Avenida, Coimbra

Teatro-Circo do Príncipe Real, inaugurado em 1892, mais tarde Cine-Teatro Avenida, Coimbra

O Woodstock só cá chegou em 1976/77, não me falhando a memória, ao defunto cine-teatro Avenida, sem chuva, sem lama, foi a primeira vez que vi um filme com projecção de odores: cheirava maningue a erva, coisa permitida pelo sistema de camarotes e frisas e pelo espírito da época (sim, pá, fumava-se no cinema nos anos pós 74).

Gosto da música de abertura, mas sou suspeito porque Canned Heat é muito cá de casa:

Canned Heat – Going Up The Country

“Some attendees to the festival even reported that yelling FUCK was the highlight of the festival for them. This of course is mind boggling to me as I always wanted to be known as a sensitive poet not a person who taught a generation to yell an obscene word.”

Country Joe McDonald, 2004

Country Joe McDonald’s “F-U-C-K Cheer” / “I Feel Like I’m Fixing To Die”

Lamento Joe, mas era um dos momentos mais aguardados do filme, e em disco o único exemplar que durante muito tempo conheci de um fuck gravado, foda-se o atraso mental mas ninguém reparava na tua sensibilidade poética.

Jimi Hendrix, Star Spangled Banner

Woodstock Movie PosterSensibilidade, e génio, é isto: Jimi Hendrix inventa a música de intervenção sem letra, só guitarra eléctrica. Ora aqui está um momento que vale o filme, o ter havido Woodstock, vale tudo.

Acho que vi o filme umas duas vezes, e tive uma k7 com o álbum, não sei se foi do aroma, mas saí dali com vontade de provar a tal erva. Gostei.

Sendo Woodstock, mais pelo filme que por qualquer outra coisa (festivais assim, à época, houve muitos), o pai da indústria dos festivais de música, não deixa de ser irónico que em Portugal, pelo menos desde o II Vilar de Mouros, sirvam de campo de treino para os binómios cinotécnicos das nossas polícias. É tão imbecil como toda a guerra da droga. Como diria o Joe McDonald, cheio de poesia e sensibilidade: dêem-me um F…

Bipublicado

A invenção de Scolari


Scolari inventou uma «coisa» chamada Ricardo. Diz que é guarda-redes. Diz que também sabe marcar grandes penalidades sem luvas!
Pois esse tal de Ricardo, que um dia sonhou ser melhor do que Vítor Baía, mesmo sem nunca ter ganho nada, acaba de ser dispensado por uma obscura equipa da II Liga de Espanha. Apenas um ano depois de o seu inventor, Scolari, ter desinfectado do nosso país.
E agora, quem lhe pega? O criador não quer dar uma mão à criatura?

Uma crise que já acabou aí umas cem vezes…

Ali na Jugular tem João Pinto que não acerta, não. O homem diz que o Sócrates já deu por terminada a crise, e assim sendo, terminou mesmo!

O João não diz nada quanto ao Teixeira das Finanças ter dito que não podemos dar por terminada a crise mas quem é o pior ministro das finanças para ser levado a sério? Para desmentir o patrão?

É que este João Pinto parece ser economista e é por isso, e só por isso, que fico um bocado atravessado, já que como Jugular/Simplex percebe-o muito bem. E agora sem crise, ó João, como vamos nós explicar o continuado aumento do desemprego ? Sim, claro, o anualizado foi -3,7 (negativo) mas isso não conta nada. Os últimos três meses é que …

E, agora, como vamos nós encarar a coisa, nós que andamos todos a dizer que o país não está preparado para enfrentar a crise e, afinal, somos os primeiros a sair dela? Os últimos a entrar e os primeiros a sair? Mas, então, não era necessário que a Alemanha e a Espanha recuperassem as economias e nós íamos atrás? Não foi assim que fomos para a crise? Ou foi mesmo porque a responsabilidade é nossa, muito nossa? Entramos a reboque e não saímos a reboque? Mas se saímos a reboque como é que somos os primeiros, ó João?

Ou é mesmo porque perdemos com Sócrates 200 000 empresas, o desemprego atingiu 9.3 % e vai chegar aos 10% em 2010 (apesar da crise ter terminado) e o déficit já anda, novamente ,pelos 6% ?

Como vamos nós, agora, explicar as falências, os desempregados sem subsídio ( que não param de aumentar) as famílias que deixam de pagar as prestações da casa…

Ó, João Pinto, ele há momentos…

Apontamentos & desapontamentos: o insustentável peso do futebol

É frequente em contextos de crítica social, económica ou política, surgir a alusão à síntese de Juvenal, panem et circenses, – locução latina que significa «pão e espectáculos de circo». Juvenal caracterizou com estas palavras a situação de decadência que o Império atravessava, substituindo-se uma política de medidas favoráveis ao povo, pela demagógica dádiva de pão e de divertimentos gratuitos. Juvenal – poeta latino nascido em Aquinum, Apúlia cerca do ano 60, foi o autor de «Sátiras», textos que opunham à Roma dissoluta da época a imagem da República, justa e íntegra, idealizada por Cícero e por Tito Lívio. Se substituirmos o pão pelas «medidas» sociais dos governos (as obras e reformas anunciadas antes dos períodos eleitorais) e se pusermos no lugar do circo o futebol, temos um quadro perfeito da situação sociopolítica portuguesa – Dois milénios depois, a receita denunciada por Juvenal continua a funcionar, em Portugal e não só.

O futebol é um dos meus desapontamentos. Gosto muito de ver jogar futebol, sobretudo quando é bem jogado, embora como conversa não seja dos meus assuntos preferidos. Por mais voltas que se dê, resulta sempre numa conversa tonta, na melhor das hipóteses sobre tácticas, na pior, trazendo à superfície facciosismos clubísticos, quando não mesmo frustrações de outra espécie – futebol é mesmo para jogar ou para ver jogar. No entanto, ganhou tal peso que se transformou num tema incontornável. É interessante ver políticos, economistas, cientistas, escritores, a recorrerem a metáforas futebolísticas para explicar pontos de vista das suas áreas. O que já não tem tanta graça é o que o futebol custa aos contribuintes. É um peso insustentável para os nossos fracos recursos.

Moro perto de uma pequena vila no litoral Oeste. Há umas semanas, no «meu café», havia um clima de excitação – o presidente do clube de futebol tinha entrado em greve da fome porque, sendo avalista da colectividade, ficara com uma dívida pessoal às costas – dois milhões de euros, correspondendo ao passivo acumulado do clube. A greve de fome era uma forma de protesto contra o presidente da autarquia que terá prometido apoios que não cumpriu. O homem está em vias de ver todos os seus bens penhorados, ficando, ele a mulher e os filhos sem nada. Ao cabo de nove dias, a greve foi interrompida com o grevista a entrar nas urgências de São José em perigo de vida. Espera que o Município, o Governo, seja quem for, encontrem maneira de ele, cujo crime foi gostar de futebol e ser crédulo, não ficar sem os seus bens. Senão, ameaça recomeçar a greve da fome. Mas dá que pensar, um pequeno clube e que, mesmo assim, acumula um passivo de dois milhões de euros. Ignoro que apoios o município terá prometido, o certo é que, pelos vistos, não os cumpriu.

Apesar de tudo, esta é uma autarquia sem escândalos assinaláveis (o que já em si é assinalável). O caso mais marcante sobre o «sentido de justiça» deste autarca, no poder há vários mandatos, foi o de, certamente por motivos políticos, se ter recusado a dar o nome de José Saramago à escola secundária. Porém, deu (modestamente) o seu próprio nome à maior estrutura do concelho, o parque polidesportivo, onde não falta um estádio com relvado sintético e pista de tartan, pavilhões, piscinas, courts de ténis… Referira-se que, após a pressão de alunos e professores, foi forçado a dar o nome do Nobel à escola. Adiante.

Os pequenos clubes, como o da minha vila, não têm geralmente equipas que se destaquem. Mas isso seria mais do que secundário se promovessem o desporto, particularmente entre os jovens. Não conheço a situação particular do grupo de futebol cujo presidente entrou em greve da fome, embora me pareça que a dívida tem a ver com obras que se fizeram nas instalações e com os juros do empréstimo bancário que a colectividade contraiu. Não é o caso típico de endividamento para contratar jogadores profissionais ou semi-profissionais em geral estrangeiros ou portugueses em fim de carreira. Do mal, o menos.

No debate «Democracia e Corrupção», realizado em Constância há cerca de dois anos, falou-se do papel do futebol na criação de climas favoráveis à corrupção. Maria José Morgado comparou o combate que no nosso País se trava contra a corrupção com a luta que a justiça italiana move à Máfia. Defendeu a adopção de reformas institucionais que garantam o exercício de cargos políticos com transparência. É óbvio, até para os leigos como eu, que a Justiça não dispõe de instrumentos que lhe permitam lutar com eficácia contra o crime e a corrupção, dotados de tudo o que necessitam para ser eficazes. Que dizer da situação anómala das escutas telefónicas. Ouve-se pessoas responsáveis a combinar resultados de futebol, o crime está ali mais do que provado e documentado, mas pelo pormenor processual de que as escutas não foram previamente autorizadas, a prova é considerada nula e os criminosos ficam a rir da Justiça, de quem os acusa, de quem os critica. Também nos diz muito sobre a natureza humana a massa apoiante que estes autarcas corruptos têm. Tal como acontece com a corrupção no futebol – os corruptos são defendidos pelos adeptos com unhas e dentes. Sobretudo se a corrupção deu frutos, ou seja campeonatos. Voltamos atrás: a corrupção nas autarquias se for acompanhada de apoio aos clubes de futebol, tem o apoio da população. A corrupção encontra no futebol um bom local para nidificar. Se a Justiça funcionasse com maior celeridade e eficiência, talvez se pudesse começar a erradicar os males que o futebol enquistou na sociedade portuguesa – as pequenas e grande máfias que giram em torno dos clubes, a escumalha das claques, alfobres de marginalidade onde a droga e o neo-nazismo, por exemplo, se encontram e acasalam, gerando híbridos monstruosos – tráfico de droga e de pessoas, redes de pedofilia… Os negócios ínvios que, autarcas e presidentes dos clubes fazem, são um caldo mafioso e sinistro que vive sob os tapetes relvados onde, ainda por cima, se joga cada vez pior.

Pão e circo? – Mas que pão, mas que circo!

Cartazes das Autárquicas (Lisboa)


Luis Fazenda, Bloco de Esquerda, Lisboa (via 5 Dias)

PSD sem Flores

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Já várias vezes ouvimos falar em problemas com as listas do PSD às eleições à próxima Assembleia da República do próximo dia 27 de Setembro.

Mas agora somos surpreendidos com a atitude do actual presidente da Câmara Municipal de Santarém.

Moita Flores, durante muitos anos conhecido por ser Inspector da PJ, afirmou que não irá votar no PSD, partido pelo qual foi eleito para a presidência da autarquia scalabitana ainda que como independente, por não concordar com os nomes escolhidos para lista de Santarém.

É pena que outras pessoas não sigam o mesmo exemplo.

A esperança da liderança do partido, nomeadamente a do vice-presidente José Pedro Aguiar Branco, é que Moita Flores mude de opinião.

A ver vamos.

PAUS MANDADOS

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FAZEM O CHAMADO TRABALHO SUJO


. .Ele há gentinha capaz de tudo, mas há-o em todo o lado, em todos os empregos, em todos os partido, em tudo por onde a vida anda.
Desta vez, uns paus mandados do partido ainda no governo, chamados de homens fortes, vêm a terreiro vociferar contra o Presidente. Pelos vistos corre por aí que há assessores do dr Cavaco Silva que se atarefam na elaboração do programa do PSD.
Se isto se verificar, dizem, há interferência da Presidência da República na campanha eleitoral.
Claro que isto deveria ter sido dito pelo ainda nosso Primeiro, na qualidade de presidente do partido, mas, atirando a pedra e escondendo a mão, como é seu hábito, mandou outros fazê-lo.
Não acredito em interferências da Presidência da República neste caso, mas, caso isso se verificasse, mais não era que a repetição de outros casos que em tempos passados existiram no nosso País. Não vejo por aí, que agora se possa entender que vem mal ao mundo.
No fundo, bem lá no fundo, o medo socialista, vem mais uma vez ao de cima. Está muito próxima uma previsível derrota estrondosa nas eleições que aí vêm. E por isso, ée porque são capazes de tudo e de mais alguma coisinha, é preciso atacar tudo e todos, fazendo um chamado trabalho sujo, de modo a poder colocar a dúvida nos cidadãos sobre a seriedade de quem se ataca.
Desta vez coube a sorte ao Presidente. Mas não vão ter sorte.

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Coligação à esquerda -Sócrates é o problema

O PCP já veio dizer o que em boa verdade já todos adivinhavamos. Não há coligação com o PS! Com este PS, com qualquer PS? E com um PS sem Sócrates?

E quanto ao Bloco? Tambem não aceita coligações com este PS. E sem Sócrates poderá dizer não?

A questão está na ordem do dia, pois desde que o Manuel Alegre se apresentou a votos e arrebanhou um milhão de votos, contra o candidato oficial do partido, que a questão estará sempre em cima da mesa, embora Sócrates faça tudo para a esquecer. E com a não aceitação de Alegre integrar a lista a deputados, mais a questão se acentuou, embora todos assobiem para o ar.

O que poderá estar em jogo?

Aquele milhão de votos volta ao PS se este for aceite à esquerda numa coligação, seja de pendor governativo os parlamentar? Grande parte volta se isso for garantia de maioria absoluta no Parlamento. Não quer dizer que volte ao PS mas pode “regressar” à esquerda, reforçando o PCP e o BE.

A primeira consequência seria a maioria parlamentar e um governo com um programa bem diferente do actual programa apresentado pelo PS. Privatizações nem pensar o que aumentaria a dificuldade de ” equilibrar as contas públicas”, os Megainvestimentos seriam empurrados para a frente e subsídios sociais reforçados. A “escola pública” a “Justiça” e a reforma da “Administração Pública” esperariam por melhores dias. Grande parte do esforço fiscal seria dirigido aos ganhos e mais-valias de capital. Com que consequências? Fuga de capitais!

E quanto ao tecido empresarial das PMEs que criam emprego e produzem bens transaccionáveis e alimentam as exportações? Sem um tecido empresarial sólido, que capte investimento privado, nacional e estrangeiro, Portugal está destinado a empobrecer. O PCP e o BE estão pelos ajustes?

Não, se à custa do recuo do intervencionismo do Estado, o que inviabiliza em boa medida as políticas necessárias.

E se o PS com Sócrates se junta ao CDS e fazem maioria parlamentar? Os Megainvestimentos avançam desde já, os apoios sociais recuam e o tecido empresarial poderá fortalecer. Mas para se chegar às PMEs é preciso, dar a volta à Justiça, à Administração Pública e ao Fisco. E aqui vamos ter uma revolta generalizada de sindicatos e corporações.

E se o PSD fizer maioria parlamentar com o CDS? O governo recua no intervencionismo na economia, avançam privatizações que vão aligeirar as contas públicas, abranda a fiscalidade nas empresas. Mas tudo isso obriga a recuar nos apoios sociais e nos investimentos públicos. O risco de implosão social é muito elevado.

Como há muito se sabe só se sai desta “quadratura” criando riqueza que substitua importações e que se dirija à exportação. Para isso é necessário uma Justiça célere, uma administração eficaz e uma Fiscalidade competitiva. Que atraia investimento duradouro, inovador e tecnológico, a par do empenho nos “clusteres” tradicionais onde somos competitivos.

A única coisa que nós eleitores podemos fazer é deixar estas questões muito bem explicadas aos nossos políticos com o nosso voto. Já demos uma ideia com a abstenção nas Europeias podemos continuar com votos nulos agora em Setembro.

E aqui no Aventar há uma petição para assinar.

Woodstock: 40 anos

woodstock1508

Bill Eppridge; Life / Google