O Polvo


Hoje em dia, José Sócrates é um verdadeiro Polvo, cujos tentáculos alcançam, para além dos poderes que lhe foram conferidos pelos portugueses, o poder judicial e o chamado «quarto poder» – o da imprensa e comunicação social.
Assim, em alguns meses, José Sócrates consegue não ser investigado ou sequer inquirido no âmbito do caso Freeport, consegue a saída de José Eduardo Moniz da TVI e, na sequência disto, a «cereja no topo do bolo», consegue o afastamento de Manuela Moura Guedes e do seu incómodo Jornal Nacional.
Quanto ao poder judicial, está nitidamente ao serviço do primeiro-ministro. Lopes da Mota encarregou-se do trabalho sujo mas, no fundo, desnecessário. A nomeação de Cândida Almeida, amiga de abraço de Almeida Santos e mandatária da candidatura presidencial de Mário Soares, ditou o desfecho do Freeport: arquivamento de tudo o que diz respeito a José Sócrates, ignorando-se ostensivamente todos os indícios e provas recolhidas pela Polícia inglesa.
Quanto à comunicação social, dominado que está o serviço público e acalmados todos os outros através da «cenoura» do quinto canal, José Sócrates tratou de anular os únicos que ousavam fazer-lhe frente, José Eduardo Moniz, Manuela Moura Guedes e o seu Jornal Nacional. Primeiro, foi a tentativa de compra da estação pela PT, que não deu resultado. Depois, conseguiu mesmo que Moniz abandonasse o canal. Agora, confrontado com novas revelações sobre o Freeport a três semanas das eleições, consegue o afastamento de Moura Guedes. Um escândalo!
A democracia em Portugal, hoje em dia, não passa de uma palavra sem sentido. O poder judicial é corrompido através de jogos de bastidores e a comunicação social é amordaçada através de uma intrincada malha de relações políticas internacionais que chega mesmo a Espanha e ao primeiro-ministro Zapatero (vidé as ligações da Prisa ao PSOE).
Irene Pimentel diz que é historiadora, mas não distingue um democrata de um ditador nem que lho metam à frente do nariz. Acredita em homens providenciais e acredita que não vivemos num período de asfixia e de claustrofobia democrática. Acredita em José Sócrates, o que é grave, muito grave, numa historiadora.
Seria bom que os portugueses soubessem dar a resposta correcta ao compadrio, à corrupção e à vigarice que pulula hoje em dia no país e que tem José Sócrates como a principal força motriz. O Polvo José Sócrates, cujos tentáculos apanham, imobilizam e destroem tudo o que foge ou poderia fugir à normal ordem das coisas. Que é a do homem providencial, do salvador, daquele que tirou o país do caos. Daquele que, custe o que custar, dê por onde der, tem de manter no poder. É que, sem poder, é a sua própria sobrevivência à frente das grades que estará em perigo.

Comments

  1. Snail says:

    Bom, mas como ele ontem disse no debate na televisão, não é teimoso. Só determinado. E como seria então se o homem fosse “teimoso”?Até ao dia 27, nada mais nos resta se não esperar. E ainda faltam 24 dias…

  2. dalby-o-calmo says:

    ESTOU TOTALMENTE DE ACORDO COM O RICARDO EM TUDO PELA PRIMEIRA VEZ..ISTO JA METE MEDO! MESMO!dalby

  3. dalby-o-calmo says:

    Oh Ricardo…já agora não me podes dar este polvinho qu eme dava muito jeitinho para amanhã o fazer à Lagareiro??!!