Dalby – Um final feliz?

falesia
Aquele braço de mar, aquela cidade cintilante, aquele vestido curto que se ousou usar pela 1ª vez, aquele «romantic glance», aquela garota jovial que lhe lançou o olhar e o ‘killing smile’ mesmo tendo ele a idade já avançada, aquela promessa que eles fizeram na bela ilha, de madrugada, e que a água do mar levou ao invadir a areia, aquela corrida de cavalos no deserto, aquele sossegado final de tarde na montanha fresca e longe da cidade,…aquele esperado durante todo o ano, «I STILL LOVE YOU», SÃO TODOS JÁ memórias do ‘SUMMERTIME’s gone’, do vento quente e seco, ou do frio distante, ou mesmo sem vento algum, que fizeram das vossas férias (digo ‘vossas’ porque por milhões, biliões de motivos, este ano não fui, não tive e realmente , bem no fundo, NÂO QUIS férias no sentido de ausência do país!)….
Foi um verão desconsolado no tempo, cá, mas onde quer que vocês possam ter ido, foi sempre um momento de descompressão, de ilusão, de bem estar, de calma e de fragrâncias orais e visuais, de revisão da vida, e de anular o stress do momento louco que se vive no país, na Europa, no mundo, na SELVA…Somente quando estamos apaixonados e a coisa corre mal é que mesmo ausentados , não estamos bem em lugar algum..a mim aconteceu-me duas vezes na vida..no Norte de África, quando me zanguei lá com uma das minhas históricas cara-metades, e na minha tragédia-grega, quando em Madrid, ia para a cama às 21h e 22h (tinha partido para Madrid para esquecer ou tentar esquecer..funcionava sempre mas, nessa vez, NÃO!), era realmente a tragédia no pleno sentido da palavra e Madrid comparada com Atenas parecia-me algo como a «Bela adormecida (ATENAS) e a bruxa má (Madrid!)»!… Hard times that are gone, gone , gone blown with the wind…

As férias foram a mais recente e boa invenção da humanidade.. Na verdade os Ricos e os Nobres já viajavam há muitos séculos atrás e nem que fosse para ir matar em nome de Deus, como nas Cruzadas, ou numa febre de fugir-se aos seus próprios fantasmas e procurar alguém do seu próprio sexo, dando novos mundos ao mundo (Alexandre o Grande), a HUMANIDADE inventou as férias, pagas e merecidas e atribuídas legalmente…pouco a pouco… torna-se algo tão vital como os empréstimos para se poder viver e comprar… Biarritz e a costa francesa ali no noroeste foi o «DÉBUT»!!!

Para mim, férias ( conceito para o ano inteiro) é símbolo de reinventar a vida, com cor..temos de nos distanciarmos de nós mesmos e «dos nossos», para poder compreender o que se passa, ou o que queremos ou queríamos que se passasse.. Para mim, férias é combate, combater conhecendo outras dimensões psicológicas e geográficas ( e sexuais/sensuais também…para quem pode.)Para mim, há anos atrás, ‘Férias’ eram os quartos de hotel onde passava a CNN , era o 30º andar do ‘Brussels Sheraton Hotel’ ou o Berlim Penta Hotel, ou o Boston Ritz Carlton e os pecados bilionários, os riscos, e os banhos de espuma na banheira, e dizer, «ah assim chega-se mais depressa ao ideário de vida»… Férias era ouvir outras línguas…ou ver um noticiário e sentir que «aquilo não nos atingia» porque não era a nossa realidade de momento….era um faits-divers no nosso estádio de no-bad-feelings-at-all…Madrid e aquelas poltronas e camas eléctricas no Gran Via H. Hotel, e as fugidas das amizades domésticas, o thrill e a adrenalina de escapar-me da família no canto escuro da noite e ir pecar, pecar, pecar, amar, amar e ADORAR……Londres começava à hora que queríamos, Nova Iorque não tinha ‘TERROR Twiin Towers’, Boston era o barco para Province Town e Cape Cod, Madrid era uma fúria sexual de manhã à noite e continuamente sempre o restaurante, o museu, o ‘picar’, o banho turco sensual, o bar, o olhar dengoso, o toque corporal, os bares underground dirty heavy but so fucking erotical… o liquido pré-coitoral e a selva amazónico-sexual…Barcelona era um pouco mais do mesmo, mas com más fuerza e Sevilha um pouco mais discreta…Paris era um erguer de egos e de preços e Berlim, os exageros de couro…..Ibiza era fugaz mas quente e desvairada e por aí fora…

TODOS TROUXEMOS UM «CAFÉ-DEL-MAR» sonoro, para casa, um cheiro, uma visão e uma palavra, um olfacto e até uma marca física, de noites quentes, ou frias, mas fogosas…um oceano de emoções eternas até ao dia em que morrermos..um bálsamo para a tristeza do Inverno..casais que se recompuseram, ou mesmo uma mera mãe de família que levou a casa às costas para cozinhar numa qualquer alforreca de Caparica ou Praia da Rocha, traz um sonho, uma esperança, um desejo… ou mesmo um olhar de um homem outro que não o seu velho-mesmo de sempre marido, que a olhou de desejo para ela nos areais…TODOS TROUXERAM ESPERANÇA, SONHO, COR, APETITE, OU VONTADE DE VOLTAR..de repetir….E de pensar-se, nostalgicamente, que a vida voltará a ser melhor.» PARA TER FORÇA PARA O REPETIR DE UMA OUTRA FORMA NUM FUTURO.

As doenças e outros desvarios da vida são implacáveis, a palavra metafórica ‘I.P.O’ é o horror, mas temos de combater a tristeza..e combater esse tal retorno, esquecer que o Almeida Santos ainda pronuncia as palavras com a sua sibilante beirã e que o Sócrates ainda tem o mesmo nariz ou que a Patrocínio ainda não morreu ou que a Jacques ainda insiste que só vale a pena viver até aos 50’s!:

FAZER COISAS QUE NUNCA FIZEMOS, TER ESPERANÇA QUE AS CONSEGUIREMOS FAZER, ALTERNAR, ALTERNATIVAS, OUSAR RUPTURAS, RECRIAR O QUE TEMOS, RELATIVIZAR A POBREZA E A MONOTONIA, REDESCOBRIR PAIXÕES E AMORES, FAZER GINÁSTICA E NATAÇÃO E ANDAR DE BICICLETA, coisas simples mas tão importantes para o amor..ver fotos actuais antigas e modernas e relativizar a máxima das Cláudias Jacques todas que pululam por aí, e para quem a máxima é manter-se ‘jovem e jovial’ toda a vida, senão não VALE A PENA! NÃO NÃO VÂO POR AÍ..A vida evolui, e se agora o MUST é ser e parecer jovem, há poucas dezenas de décadas os’ VELHOS’ detinham o poder de tudo…ambos estão errados..cada idade tem um imenso valor e as trocas e intercâmbios têm de voltar..A velhice não é para se deitar fora…E ironicamente, de que vale aos novos serem novos, se os velhos têm as regalias e o poder, e obrigam os principiantes no status quo do trabalho a levarem uma vida miserável, a suplicar tudo por um emprego, e a levarem um ordenado miserável para casa? ANDA TUDO TÃO ERRADO E ÀS AVESSAS..A SOCIEDADE E O EMPREGO PEDEM JUVENTUDE, MAS SIMULTANEAMENTE QUEREM «KNOW HOW E EXPERIÊNCIA» E ISSO NÃO SE COMPRA NA UNIVERSIDADE, OS GRANDES MANIPULADORES DE TODA ESTA MÁQUINA MOSTRUOSA ECONÓMICA NÃO SÃO JOVENS, SÃO VELHOS, E A MÁQUINA DIZ QUE «SER JOVEM É UM ESTATUTO E VELHO UM DESPERDÍCIO A VOMITAR», É ESTA A MENSAGEM..MAS HÁ ALGO SUJO E ERRADO NA MÁQUINA INCONGRUENTE….E incoerente…

POR ISSO, NESTE FINAL DE FÉRIAS, FAÇA-ME UM FAVOR, E A SI MESMO…SE FOR CASADO OU CASADA, DIGA AO SEU COMPANHEIRO/ESPOSA que quer estar só uma tarde, que quer passar uma tarde com o seu MP3 nos ouvidos e ler o sol e o vento e a chuva..ou o que lhe der mais prazer..( avance e ouse o impossível…deitar-se num prado e fazer amor com um desconhecido que lhe dê prazer…faça uma loucura…) ou voltando ao «normal»… com a sua música favorita, arranje-se bem e «jovialmente(sem anular a sua real idade)», ponha-se bonito e bonita, porque todos o são pelas leis das naturezas humanas, e vá dar esse passeio ‘all by yourself’, a um qualquer ‘Torrão do Lameiro’, EVITE OS PORTO BEACHES CLUBES OU AS ESPLANDAS DE VILA DO CONDE,EVITE PRAIA COM PATROCINIO OU MARCAS ESTAMPADAS NAS ESPLANADAS..FUJE AO ARTIFICIAL NA NATUREZA… EVITE TER MUITA GENTE À SUA VOLTA, e sinta-se único/única e especial e vá ter o seu «very moment», ‘ease your mind’ e cam
in
he pela areia, ou campo, ou horizonte fora, ou montanha ou sítio ermo, mas seguro , ouça música, deixe o seu vestido levantar-se ao vento, ou o seu cabelo, ou simplesmente levar com o vento e o sol, ou a chuva no rosto, E PENSE COMO VAI SER FELIZ E FAZER FELIZ ALGUMA COISA OU ALGUÉM..MESMO COM TODAS ESSAS AGRURAS DA REALIDADE QUE A ESPERA, OU A SI, HOMEM, E SEJA NESSE MOMENTO SEU INTENSO..SÓ VOCÊ! A REALIDADE VIRÁ BUSCÁ-LO, OU A SI MULHER, DEPOIS, A REALIDADE VIRÁ… FRIA, OBSCURA E CRUEL, MAS CRIE O SEU CUBO MÁGICO ÚNICO, INTOCÁVEL, POR ESSA REALIDADE DURA E CRUA…e crie um horizonte de sonho que o/a proteja….

E DEPOIS, BE WELLCOME BACK TO Reality..E DEPOIS SEJA BEM VINDA OU BEM VINDA À REALIDADE DO ‘PÓS-FÉRIAS’….UMA VEZ MAIS, DESTA EM 2009…TIME GOES ON…TEM DE APROVEITAR A VIDA QUE LHE DÃO..DEPOIS DE MORTO, PODE VIR AOUTRA COISA, MAS TEM DE VIVER ESTA PRIMEIRO….

LEMBRE-SE QUE NA SUA INFÃNCIA, A PUREZA E A INOCÊNCIA PROTEJEU-O/A DO QUE AGORA NÃO PODE…. MAS VOCÊ FOI FEITO/a PARA SER FELIZ…Lembre com nostalgia, seja generoso/a com a VIDA, lembrando-se dos mortos, pode ser o cão, o gato, o pai, a mãe, o irmão, o amigo, a ex esposa, lembre-se dos que partiram com dignidade e felicidade nostálgica, peça-lhes desculpa por não lhes ter dito o que queria ter dito e leve uma flor a uma praia deserta e atire ao mar, olhando sempre o céu azul e o vento falante, a flor para ele, para ela, para eles todos, e inclua sem pecado e sem falta de dignidade os animais que lhe foram também queridos….não são pessoas obviamente mas eram um pedaço da alegria de você também…

Pode não sentir-se feliz pelo regresso da monotonia,,,,mas….

TENTE!

Blue guitar,
Fortune of my ways
Making of my days.
New chord,
Counting up the ways
Happiness is lazy.

If you don’t know the song,
If you can’t put the words to the tune,
Tell the rhyme from the reason,
What should it matter
To the fool or the dreamer?

New hope,
Travellers in a storm,
Finding love is warm.
New day,
The world has just begun,
Our eyes have seen the sun.

If you don’t know the way,
If you can’t see the wood for the trees,
Taste the wine from the water,
Well, what should it matter,
To the fool or the dreamer?

Blue Guitar, 1975
Justin Hayword & John Lodge, ex-Moody Blues.

Comments

  1. maria monteiro says:

    Faça o que fizer nas férias, é muito bom regressar a casa, regressar à minha Lisboa. Eu também tenho o meu “Torrão do Lameiro”- regressada ontem, hoje lá fui até à Pastelaria Suíça e Castelo. Depois foi o entardecer na Costa da Caparica e regresso a casa.


  2. Pois ..compreendo mas na AMLisboa não consegui e não consigo e duvido que conseguirei encontrar seja que tipo de T do Lameiro metafórico ou real..isso aí não é vida, É O INFERNO!Se tivesse de trocar o Porto seria por Aveiro, Torres Novas ou Madrid..e mais nada no mundo…!dalby anti lisboa mas a 10000 mil por cento total

  3. Ricardo Santos Pinto says:

    Um texto bem bonito.


  4. Obrigado, quand même!!!


  5. Maria, apetece-me ser também granliquente: «OH DOCE MARIA, OBRIGADO POR SER TÃO AMIGA E CARINHOSA E GENEROSA», AQUI SIM EU SOU UM TIPO NOBRE DE SENTIMENTOS, PORQUE GOSTO DE DECLARAR UM ARRAIAL DE SENTIMENTOS FIDEDIGNOS A SI, NA ÉTICA DE PODER SER HUMILDEMENTE ACONSELHADO PARA QUE NUM FUTURO FRUTÍFERO, A NOSSA CHAMA POSSA ILUMINAR A TERRA DE UMA MANEIRA SINGELA MAS DETERMINADA..OBRIGADO POR ME OUVIR GRANDE MARIA, OBRIGADO POR SER TÃO ELEVADA E TAO MEIGA NO SISTEMÁTICO E ERRÁTICO DOM DE PERSEGUIR A VERDADE RARA….PENSO QUE DESTA MANEIRA TRANQUILA E ARGUTA CONSEGUI DIZER-LHE COMO A APRECIO! OBRIGADO POR EXISTIR E ME LER….Não consigo ser tão abrangente como R’ and his friends but, OH darling, God Knows how I tried to become kind of english army in my feelings towards you!!!dalby vestuto vetusto e vestido!http://www.youtube.com/watch?v=AiFYOn1AFms


  6. AH CARAGO QUE COM ESTE CALOR O TORRAO DO LAMEIRO VOLTOU A DAR..AINDA NÃO É POR CONSEGUINTE «ADEUS AO VERÃO« JEJEJEJE!!!