O "Centrão" foi à vida (se o BE quiser…)

As eleições servem para indicarem o que os eleitores querem e pensam que seja melhor para o país. Se os eleitores não querem uma maioria absoluta é porque perceberam que um tal cenário dá no que se vê. Prepotência, autismo, quero, posso e mando e com os resultados que estão à vista.

Contrariamente ao que nos querem fazer crer, normal é não haver maioria absoluta. A Democracia tem essa capacidade de permitir arranjos, cenários deferentes de governação, de incentivar a “cultura do consenso”.

Tudo aponta que seja essa a intenção de voto nas próximas eleições legislativas, e neste contexto, o mais natural é que o BE possa ter uma percentagem de votos que permita uma maioria com o PS. Mais, como a maioria parlamentar se obtem à volta dos 42% dos votos é até aritmeticamente possível que possa alcançar a maioria parlamentar tambem com o PSD.

O BE , como partido responsável, pode furtar-se a negociações para se alcançar um governo estável à volta de consensos sobre os grandes problemas da nação? Pode, porque partidariamente lhe é mais confortável, eximir-se às responsabilidades que o povo com o voto livre e democrático, lhe cometeu?

Não pode, porque isso seria a sua morte a prazo. Afinal para que serve o voto no BE?

Este raciocinio aplica-se da mesma forma quer ao PS quer ao PSD. E se estiverem reunidas as condições necessárias para se conseguir uma maioria parlamentar, os partidos têm que encontrar uma forma de estabelecer cenários para a governação do país. Ou uma fórmula de governo estável ou consensos parlamentares com vista à solução dos grandes problemas nacionais que duram há décadas , atrasando o país inexoravelmente, empobrecendo gerações de cidadãos.

Uma coisa é certa. O “centrão” foi à vida!