A propósito do PCP

Sempre que alguem ( ou quase sempre) sai do PCP vem com um chorrilho de acusações e críticas acerca do partido onde militou por dezenas de anos, como se durante todos esses anos nada soubesse, não tivesse falado com pessoas, lido jornais, visto TV, internet…

A bem da verdade, isto é quase tão estranho, como o PCP continuar a defender coisas indefensáveis, como a invasão da Checolosváquia e o vómito desse regime ditatorial familiar que perdura na Coreia do Norte.

As visitas de comunistas a “países amigos” dá sempre em comentários entusiastas mesmo que toda a gente saiba a miséria e o despotismo que grassam sobre as populações. Tenho para mim que estas opiniões são mais contra o capitalismo, a UE e os EU, num execício de autoconvencimento do que projectar o que realmente experimentam nessas visitas.

Mas sempre que um militante sai do PCP é mais uma machadada na credibilidade do partido, há ali uma ligação de amor-ódio que alimenta recalcamentos e sentimentos muito pouco recomendáveis.

É altura do PCP abrir as janelas e arejar, afinal o melhor que tem é a sua doutrina, a sua prática, a sua história, não precisa de louvar gente que não está ao seu nível. Com grandes prejuízos na sua credibilidade externa e na sua coesão interna.

Comments

  1. maria monteiro says:

    A magia do “meu” PCP está nas pessoas, no seu trabalho, no seu empenho, na sua entrega,… costumo dizer que não é por acaso que no Avante a crónica Religiões é feita por Jorge Messias

  2. Adão Cruz says:

    Estou contigo Maria Monteiro. Embora o PCP não seja “meu”, porque eu não lhe pertenço nem ele a mim, leio muito do que dele parte e tenho muita informação do que nele se passa. Por puro interesse meu, não que alguém ou alguma coisa mo imponha. E do ponto de vista político, sobretudo internacional, é com ele que eu aprendo o pouco que sei. Com mais ninguém. Quando se fala do PCP, muito pouco se conhece do PCP e de muita gente maravilhosa, sabedora e inteligente que há por lá. Há, de facto, um preconceito indelével. Ao contrário do que as pessoas pensam, que eles têm a cabeça “feita”, eu penso que eles têm uma liberdade e lucidez de pensamento que não existe em qualquer outro partido, o que constitui, precisamente, o mais eficaz antídoto contra o fazer de cabeças. Ao contrário do que acontece com outros partidos, em que muita gente lá se encontra por interesse, nunca vislumbrei onde estará o “interesse” que faz alguém pertencer ao PCP.

  3. Luis Moreira says:

    O que eu digo ali no texto é que o PCP tem uma história rica não precisa de fechar os olhos a ditaduras e louvá-las. E quem sai, sai profundamente ferido, o que é uma evidência.

  4. Adão Cruz says:

    Amigo Luis Moreira, não sei se é assim tão grande a evidência. É fácil dizê-lo e é fácil denegrir o colectivo, quando se trata de dissidentes do PCP. Não estou lá dentro, sei que o militante em questão já estava mais ou menos afastado, vejo as coisas de fora e não posso pronunciar-me. Para me pronunciar teria de ter um conhecimento detalhado dos factos e das pessoas. Pela lógica e pelo que conheço da minha experiência de vida e de profissional da medicina, com milhares de seres humanos em diária intimidade comigo, penso que os falsos juízos, as escorregadelas para juízos fáceis, e a grande dificuldade em penetrar dentro da verdade das pessoas e das coisas é muito grande. Só para dizer que essa tal evidência pode não o ser.

  5. Luis Moreira says:

    Meus caros Adão e Maria, o que digo ali é que as pessoas saem do PCP muito feridas.Como se sai de um grande amor. É uma evidência. Quanto à Coreia do Norte e outras é uma vizinhança que só empobrece o partido. Ainda hoje estive com um amigo de infância, comunista desde a juventude, trouxe-me a casa, querem crer que não me fala da saída do camarada de quem ele tanto gostava? Como se tivesse vergonha. Eu, por mim tambem nada lhe digo. mas enfim resta-nos o respeito que devemos uns aos outros.Abraços

  6. Belina Moura says:

    “…com milhares de seres humanos em diária intimidade…” consigo?????Pois, isso é que é prepotência. mesmo para um profissional da medicina, caro Adão!

  7. Adão Cruz says:

    Cara Belina, expressei-me mal. Mas mesmo expressando-me mal, ninguém suporia que a minha pesporrância e mentira chegariam a esse ponto. Claro que o que quero dizer é que milhares de pessoas, em toda a minha vida, foram passando diariamente na intimidade do meu consultório.

  8. Belina Moura says:

    Sabes, Adão, eu percebi logo (como mulher inteligente que me considero, e não só) que te expressáste mal.No entanto, a palavra INTIMIDADE é usada tão Indiscriminadamente e é tão mais do que isso, que me deixa fora de mim!