Ainda sobre o dia da reflexão

Por causa de uma regra, que nem sequer está explícita na lei, apenas no costume, e que considera que os cidadãos portugueses, agora compulsivamente erguidos ao estatuto de eleitores recenseados, são ou burros ou completamente influenciáveis ou de raciocínio lento e que precisam de 24 horas para reflectir em silêncio sobre em quem querem votar, este texto não pode falar sobre a campanha eleitoral nem sobre nenhum assunto que nela tenha tido reflexos e implicações. Isto, é claro, porque escrevo num jornal de papel. Se escrevesse apenas num meio de comunicação on-line ou num blogue, podia continuar a falar sobre tudo sem limitações. É que a norma, por assim dizer consuetudinária, além de ser absurda está desfasada e regula um mundo comunicacional que já não existe.

São José Almeida, hoje no Público

Comments

  1. Belina Moura says:

    Então é melhor não escrevermos aqui sobre aquilo de que hoje não se pode falar, mas todos nós já sabemos o que é importante saber, e não é por não podermos escrever sobre o assunto que vamos deixar de o mencionar, o lembrar, o repetir até à exaustão! Para que ninguém se esqueça do que é realmente importante!Pode ser?

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.