ETICA E EDUCAÇÃO (14)

ETICA E EDUCAÇÃO (14)
Considerações sobre Ética e Educação para além da Escola

Educar para o desenvolvimento e para a mudança obriga à aprendizagem da comunicação, da arte de se fazer ouvir e entender. Muitas pessoas com grandes responsabilidades pedagógicas não sabem falar, não sabem escrever, não sabem sentir nem comunicar correctamente e acham que isso é de somenos importância. Creio que já disse isto no Aventar, mas aquando de uma reunião médica na Corunha, foi-me oferecido um livro intitulado “El artículo científico en Biomedicina” da autoria do Dr. Hernandez Vaquero, professor de ortopedia e traumatologia em Oviedo, grande investigador, galardoado com vários prémios. Ao iniciar a leitura do livro, deparei com um capítulo intitulado “Los errores e horrores del lenguage”. Aí ele diz que a linguagem é de fundamental importância e que o conhecimento das suas regras é dever do médico, do investigador e do professor. Reconhecendo que a clareza deve tomar o lugar da retórica e do hermetismo, denuncia o pouco valor dado pelos autores, editores, investigadores, médicos e professores à correcção na comunicação oral e escrita. E conclui dizendo que a exigência de qualidade não é uma questão parcelar. Quem não é rigoroso na forma de comunicar não pode ser rigoroso na forma de investigar, na forma de sentir e na forma de ensinar. A corrupção da língua e do pensamento, a negação da expressão e do arranjo linguístico como factor importante da nossa própria estrutura, são parte integrante da mediocridade. São de bradar aos céus, como todos sabem, as constantes calinadas de locutores, apresentadores e jornalistas, para quem a linguagem é o seu instrumento de trabalho. É muito grave esta espécie de desatenção à palavra que invadiu e domina o nosso tempo, esta total falta de desejo de elevação com que a usamos. O culto da palavra é, de facto, um indispensável caminho educativo. (Continua)

                          (manel cruz)

(manel cruz)

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