Bloco de Esquerda: Uma vitória amarga

O Bloco de Esquerda conseguiu no Domingo uma grande vitória e pode ser considerado, justamente, um dos grandes vencedores da noite. Duplicou o número de deputados, aumentou em centenas de milhares o número de votos e ultrapassou o Partido Comunista.
No entanto, acaba por ser uma vitória amarga. Porque os objectivos não foram cumpridos na totalidade – ficou abaixo dos 10% que tanto ambicionava; foi ultrapassado pelo CDS como terceira força política; e, mais importante do que tudo, a sua influência na governação vai ser muito relativa. Os seus deputados e os do PS, juntos, não alcançam a maioria absoluta. Passa a ser o CDS a ter o poder de condicionar o Governo. Claro que PS + BE + CDU, juntos, aprovam as leis. Mas os dois Partidos de esquerda, sendo coerentes, não poderão validar a maior parte das propostas de José Sócrates.
Por fim, não gostei do discurso de Francisco Louçã na noite de Domingo. Não deu os Parabéns ao PS pela vitória, proclamou de forma delirante a derrota da Direita (será que o CDS é de Esquerda) e pautou o seu discurso pela agressividade. Gostei da referência à derrota de Maria de Lurdes Rodrigues, isso gostei, mas isso já são coisas minhas.