Os Fins e os Meios Democráticos

Os meus companheiros João J. Cardoso e Adão Cruz não deverão ler este poste, se lhes passar pela cabeça a mais pequena sombra de que eu estou a fazer comparações ou a nivelar pelos exemplos que vou dar, o que pensam sobre a governação dos povos. Se assim for não escrevi este poste!

No Chile de Pinochet foi ensaiada uma das políticas económicas mais eficazes que se conhecem. O liberalismo de Friedman e seus “muchachos”. Consiste em aplicar à economia as equações matemáticas e os princípios de mercado como se não houvesse pessoas atingidas por essas políticas.

Há alguem disposto a receber menos que o salário mínimo? há? Então baixa-se o salário mínimo até ao ponto em que nenhum desgraçado esteja disposto a sair de casa para viver na miséria, trabalhando. A fábrica não tem o nível de encomendas para manter o nível de trabalho? Não? então o trabalhador vai para casa sem trabalho e sem remuneração. São retirados dos mercados os produtos essenciais e o preço sobe a níveis incomportáveis? É a lei da oferta e da procura!

O mercado rege-se por si mesmo, a sua “mão invisivel” trata da justiça nos mercados.

Mas as pessoas estão a morrer à fome, numa primeira fase, revoltam-se e vêm para a rua a seguir ? Manda-se a polícia manter “a turba ululante” e matar os seus líderes!

E, no entanto, esta política defendida por quem manda neste mundo, tendo milhões de seguidores, só pode executar-se com e em ditadura!

Mas o Chile cresceu e desenvolveu-se como nunca na sua história, tem hoje uma economia forte, das mais fortes da América do Sul, mas tem tambem milhares de vítimas.

Dizer que a Venezuela vive melhor com alguem que manda calar a comunicação social, que nacionaliza tudo e todos, que se refugia nos braços de países terroristas como o Irão não, muito obrigado!

Nas Honduras não é um crimezinho sem importância que está em causa, é saber se foi ou não cumprida a Constituição. Porque se não foi cumprida a Constituição então, os militares só cumpriram o seu dever. Não vale a pena falar aqui noutros exemplos, pretensamente à esquerda, onde o Estado de Direito foi espezinhado e de que resultaram milhões de vítimas!

Este tipo de aventuras pagam-se muito caro, especialmente em países como as Honduras!

Eu acredito na Democracia, no Estado de Direito, no sistema social de mercado!

Comments

  1. Carlos Loures says:

    O teu texto está muito bem articulado. Faço apenas um reparo quanto ao seu conteúdo, para os que, na Venezuela – para aproveitar o teu exemplo – passam a viver melhor devido às arbitrariedades do Chávez, que silencia órgãos de comunicação social, dirão: – sim, muito obrigado.Talvez que o «sistema social de mercado» seja incompatível com a Democracia e com o Estado de Direito. Talvez.

  2. isac says:

    Luís, já lhe tinha dito que até concordava com a sua aproximação. No entanto queria só fazer uns reparos: Friedman e “sus muchachos” (melhor será dizer, os “seus chicago boys”) não ensaiaram nada! FORÇARAM uma experiência em grande escala o que é bem diferente. uma total ingerência; E o “sistema social de mercado”? É talvez a forma mais anti-democrática que pode existir.


  3. A Constituição das Honduras, aprovada em ditadura, note-se, está blindada quanto a alterações. Tem tanto sentido perguntar se ela foi respeitada como discutir o 25 de Abril à luz da Constituição portuguesa de 1933. Com a diferença que se tentou um processo democrático de revisão, e não um golpe de estado, com o Abril começou por ser.Já agora, e quanto ao Chile, há uma parte da sua história económica recente que me encanta, pelo seu valor experimental: a segurança social completamente privatizada, entretanto falida, e as reformas que actualmente são cobertas pelo orçamento de estado. Brilhante.

  4. Luis Moreira says:

    Claro, que o Chile vai pagar o desenvolvimento apressado que teve, para se poder aproximar-se das sociais democracias da Europa. Isto tem fases e quem queima fazes ,não ganha tempo. Mas se nas Honduras o presidente tem tanto apoio popular porque não avança com eleições que lhe dê as condições para rever a constituição? O mesmo se diga com Chavez com os seus 80% de apoiantes?

  5. Belina Moura says:

    Lá estás tu, Luís, a fazer raciocínios elaborados após a meia-noite… Mas desta vez eu estou cheiiiiinha de sono, acho que vou nanar… Boa noite.

  6. Luis Moreira says:

    Isac, a economia social de mercado é a que deixa a produção para a iniciativa privada e as políticas de distribuição para os Estados.É o sistema que mais pessoas manteve e por mais tempo em paz e em bem estar. João, se a Constitução não harmoniza com o actual quadro social e político do país só tem que se avançar com eleições marcadas com esse fim. Afinal, com o apoio largamente maioritário que tem será fácil ganhar, quer nas Honduras quer na venezuela. E no Chile o exemplo é bem ilustrativo que o actual sistema “estrebucha” para prolongar a agonia. À esquerda e à direita aproximam-se da Democracia,do estado de Direito e da economia social de mercado!

  7. isac says:

    A economia social de mercado teria imensas vantagens se fosse assim como o Luís diz; o problema é que eu vejo que a iniciativa privada neste momento domina, ou condiciona pelos menos, “as políticas de distribuição” que deveriam ser competência dos Estados. Para mim isto é grave. Isto é pôr o cão a guardar-se a si próprio. Se calhar não vemos as coisas da mesma maneira.

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