Sampaio e Alegre desta vez

Na primeira vez tivemos Mário Soares e Alegre, agora prepara-se Jorge Sampaio para se opor a Manuel Alegre. De um lado o PS carreirista, das estruturas do Partido, do outro o PS de esquerda que se sente marginalizado por Sócrates.

O PS que organiza petições de independentes de esquerda a pugnar por um governo de coligação com o PCP e o BE, e o outro, que hesita com o CDS de Portas. Dois partidos dentro do mesmo partido que se mantem unido no essencial, enquanto permanecer e gozar as prebendas do poder.

Alegre sabe que se o PS fizer governo de coligação com o CDS o apoio não está garantido, Cavaco espreita, mas o pleno na esquerda em coligação garante-lhe a presidência. Daí que Sampaio apareça como alternativa que o CDS poderá encarar sem perder a face.

A outra questão é saber que acordo têm Alegre e Sócrates. Alegre saiu das listas de deputados para erguer uma voz mais independente que alargue a sua influência para além do PS, mas isso não o impediu de se juntar a Sócrates na campanha nas legislativas. Saiu sem qualquer garantia?

Os dados estão a ser lançados em frente aos nossos olhos mas os trunfos não estão confirmados, antes de tudo é preciso saber que governo vamos ter. Coligações pontuais a nível parlamentar caso a caso com todos e cada um dos partidos que dão maioria ou coligação de governo ? Com o CDS ou com o PCP e BE ?

Esta última está a ser fortemente atacada por quem avança com o nome de Sampaio. Alegre ,por sua vez, avisa, e com razão que um governo com o CDS esfrangalha o partido! Levar o PCP para o governo é ultrapassar uma das últimas barreiras que ficaram de 25 de Novembro de 1974.

É a vossa vez, meus senhores!

Comments


  1. Meu caro Luís: sou um dos signatários da petição de independentes e não me serve a carapuça que me tentas colocar. Conheço algumas das pessoas que estão na origem do documento e sei que nunca agiriam a mando das cúpulas do actual PS. A convergência de esforços para que PS, BE e PCP se unam contra a direita é, obviamente na perspectiva da esquerda, um objectivo compreensível e respeitável. Sinceramente, não creio que este documento produza grandes efeitos – há muito sectarismo e, é quase certo, que ele se irá sobrepor aos superiores interesses de um eleitorado que tem demonstrado à saciedade não querer ser govevrnado pela direita. Além desse sectarismo que virá das direcções do PCP e do Bloco, não há dúvidas de que a direita tomou conta de uma boa parte do Partido Socialista, onde os generosos pressupostos fundacionais foram submersos por «incontornáveis» interesses que nada têm a ver com o Socialismo. No entanto, as generalizações são sempre perigosas e abusivas e parece-me que o teu texto está eivado delas. Um abraço.