FUTAventar – a malta gosta é disto

Campo cheio, hino (…contra os canhões…), um adversário que nunca ganhou, nem a nós nem a ninguém (…às armas …), metidos na área, onze jogadores a ver quanto tempo aguentavam, sem sofrer golos (..marchar…), o Bruno ficou de fora, o prof. é professor (tambem não quer ser avaliado? Ai, não são só os resultados?), ele é que sabe, entrou o Pepe e o “cú gordo” para defesa esquerdo, o Nani quis mostrar que ninguém precisa do Ronaldo, e a verdade é que se fartou de rematar e até marcou um golo (heróis do mar …), todos amigos, grande jogo, estamos no “Play off”, só é pena que não seja “out” (…imortais…)

Alguém me diz por que jogamos noventa minutos com quatro defesas? (…alcançai hoje de novo…)

A gravata

Eu sei que há coisas mais importantes para pensar – mas, isto não me sai da cabeça: porque é que os políticos que desfilam no carnaval fedorento orientado pelo FANTÁSTICO RAP não usam gravata?

gravata

Negociar objectivos na escola autónoma

Não tendo coragem em assumir que não querem ser avaliados, os professores agarram-se a argumentos que não primam, nem pela inteligência nem pelo bom senso. O mais rísivel de todos, é que não seria possível fixar objectivos porque o ambiente social e económico em que as escolas laboram, são muito diferentes e, como tal, há o pecado da desigualdade.

É, claro, que não sendo verdade (fica para mais tarde)esta visão é resultado da pirâmide organizacional do Ministério da Educação. A fixação de objectivos seria, pois, feita em cascata, de cima para baixo, tendo uma matriz única na avaliação. Nada de mais errado. Os objectivos são fixados escola a escola, levando em conta o ambiente socio-cultural e económico em que se inserem.

Vamos supor que estamos numa região que tem três escolas, uma delas frequentada por alunos de extracto social mais elevado e a outra escola, do mesmo nível da nossa. Por comparação ( espero que não me venham dizer que não podemos fazer reuniões de trabalho com os colegas das outras escolas, porque mesmo que assim seja o Ministério tem os números) sabemos a nossa posição.

A partir desta análise comparativa eu posso determinar quais são os meus “pontos fortes” e os meus “pontos fracos”. Em reuniões sucessivas com os orgãos sociais da escola e os professores eu fixo os meus objectivos gerais. Quero manter os meus “pontos fortes” e melhorar em 70% os meus “pontos fracos”. O que é que a escola necessita para atingir estes objectivos globais ? A seguir vou negociar com os orgãos escolares e com os professores os objectivos específicos.

Uma das cadeiras que é “ponto fraco” é, por exemplo, a matemática. O coordenador da cadeira, com os seus colegas, determina as necessidades financeiras, humanas, e de equipamento necessárias para atingir aquele objectivo, o qual é , no caso desta cadeira, ultrapassar a escola do mesmo nível e aproximar-me em 30% da escola com nível superior. (por exemplo)

De três em três meses fazemos reuniões de controlo. Dificuldades, quais são, como se tratam, o que é necessário fazer ? Reajustar metas, orçamentos, objectivos, num processo reactivo que junta forças no mesmo sentido.( em caso de necessidade podemos fazer outras reuniões). Avalio o mérito “pedagógico”( resultados e eficácia) no total da avaliação em 50%, o mérito profissional (envolvimento nos trabalhos, contribuição, disponibilidade…) em 30% e mérito auto-formativo (frequência de acções de formação, seminários…) em 20%. Se for necessário posso atribuir valorizações a acções concretas que pela sua importância o justifiquem.

Tudo isto se faz há muitos anos, em ambientes sócio-culturais e económicos muito dificeis e diversos. Não se faz quando há má vontade, quando as pessoas julgam que é possível receber o vencimento sem se empenharem. Dificil, muito dificil, é produzir , vender, receber e pagar vencimentos ao fim do mês, a famílias que não têm mais nenhum rendimento.

Isso, sim, é muito dificil!

Apagão no Aventar – coincidências e bruxarias…

Em duas semanas o Aventar “apagou-se” ou foi “apagado” várias horas em dois dias diferentes.

Hoje, cá estivemos mais umas cinco horas sem aceder ao Aventar ! Por coincidência, é sempre dois dias depois de grandes audiências em que arrasamos a concorrência. Mas a única coisa que conseguem é que regressamos ainda com mais vontade de aventar, faz-nos falta ver os postes caírem disciplinados, hora a hora, sem direcção e sem orientação, sem avenças, sem refúgios.

Aqui cada um, é “o Aventar”, só cá estamos pelo gozo que isto nos dá. Em seis meses, desmontamos a importância de uns tantos.

Não conseguem viver com isso?

Calinadas e calinadinhas de hoje

” A fim de obter” e não “Afim de obter” (Brrrrrr).

“Entretenimento” e não “Entretimento” (Brrr).

“Mesmo que ele pagasse” e não “Mesmo que ele paga-se” (Brrrrrr).

“Precariedade” e não “Precaridade” (Brr)

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Comentário ao Telelixo

Muito bem aventado Carlos Loures. O telelixo é, com efeito, um dos grandes cancros desta nossa “magnífica democracia”. Não faltará quem comente dizendo que a democracia não tem culpa! Uma verdadeira democracia não teria culpa, pois simplesmente, pelo facto de ser uma verdadeira democracia, nunca tal abandalhamento permitiria. Tem toda a culpa e mais alguma, esta merda e esta fossa, este nojo de sistema podre, corrupto, telelixo-dependente, a que têm o descaro de chamar democracia.

Artigo de Clara Ferreira Alves

CLARA FERREIRA ALVES, Artigo demolidor

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA – mas não de construção económica – aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a
“prostituir-se” na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER
mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita
e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o
que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma
coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de
notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica,
da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecidas antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu?

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de
crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Clara Ferreira Alves – “Expresso”

Casamentos do Hamas – pedido de desculpas

Há uma versão diferente do vídeo que postei, como bem me avisou o aventador João Cardoso. Assim, sendo, há que retirar o texto e o vídeo, pedir desculpas, mas não há forma de termos a certeza quanto à versão verdadeira.

E, não tendo a certeza, há que dar a mão à palmatória!

A Gestão por objectivos e pela Qualidade na escola

Uma das caraterísticas que definem uma qualquer organização (seja comercial, industrial, prestadora de serviços…) é a fixação de objectivos, mensuráveis, alcançáveis, e que sejam procurados. De nada serve ter uma organização se os objectivos que pretende atingir, não sejam necessários e por isso, não sejam procurados.

Os objectivos de uma organização existem sempre, podem é ser assumidos conscientemente, ou existirem informalmente. Se existirem informalmente, corre-se o risco de não serem compreendidos e a eficácia ser menor. Por exemplo, numa escola. Os professores quando iniciam o dia não sabem o que vão fazer ? Vão dar determinada matéria, durante x tempo, para uma determinada turma. E o que é que tentam atingir? Descarregar a matéria rapidamente e em força, nada lhes interessando se a matéria foi compreendida? Ou pelo contrário tentam que o objectivo seja que os alunos absorvam a matéria e a compreendam? Estamos perante objectivos informais que os professores tentam alcançar. Não são, por sistema, medidos, negociados, nem têm efeitos para a sua carreira, mas os objectivos estão lá.

Não servem é à escola que como organização tem como principal objectivo preparar os alunos para os exames futuros na Universidade e melhorar as suas capacidades para enfrentar a vida adulta.

Numa escola, como organização complexa que é, a fixação de objectivos, negociados e aceites por todos, é absolutamente fundamental. Desde logo, porque se assim não for, corremos o risco de cada um fazer o que gosta de fazer e não o que tem de fazer, para alcançar os objectivos. Por exemplo, um dos professor de Português dá a lírica de Camões e não os Lusíadas.

E assim sucessivamente. Vão-me dizer, mas isso da matéria a dar, ja é corrente nas escolas públicas. Pois é, e como vêm é um objectivo, mensurável e aceite por todos. O que não é, é negociado e avaliado, nem concorre para a evolução da carreira dos professores. O professor que não dá a matéria, fica à espera sentado que lhe digam alguma coisa. E chega ao topo, como os outros que dão a matéria .Ninguem diz nada para não ser mau colega, tem amigos e camaradas no Sindicato e ainda arranjo um problema, quero lá saber, vou fazendo o meu trabalho.

Mas se essa organização, no caso a escola, saber exactamente o que é que o Ministério espera ,os pais, as actividades económicas do local, a capacidade de aqueles alunos poderem seguir ou não os seus estudos superiores, atendendo ao ambiente social e económico, comparar com a “performance” de escolas inseridas no mesmo ambiente e com as mesmas dificuldades, é fácil estabelecer objectivos consensuais, mensuráveis e serem pagos segundo o mérito.

Afinal o que é uma organização senão, uma reunião de meios financeiros, humanos e tecnicos com o objectivo de alcançar metas?

Se não sabemos onde estão as metas corremos em que direcção?

Com quem vai jogar Portugal no «play-off»?

Se hoje à noite ganhar a Malta, Portugal apura-se para o «play-off» que, em caso de vitória, poderá dar acesso ao Mundial da África do Sul.
É provável que ganhemos, porque jogamos contra Malta e, sobretudo, porque, felizmente, Cristiano Ronaldo não joga. O passo seguinte será saber qual o adversário do «play-off». Ao que parece, Portugal será cabeça de série, o que significa que não terá de defrontar adversários como a França, a Grécia (o que seria um problema se fosse Scolari o treinador) ou a Rússia. Ao invés, poderemos ter como adversários a Ucrânia, a Bósnia, a República da Irlanda, a Eslovénia ou a Eslováquia. Ou seja, adversários todos acessíveis para a nossa Selecção. Aquela que, sobretudo nos últimos dois anos, é mesmo a Selecção de Todos Nós.
Força Portugal!

A máquina do tempo: «O telelixo é uma droga pesada!»

Todos temos horas, mais ou menos certas, para despejar o nosso lixo – a televisão também – chama-lhe prime-time ou horário nobre – vai desde as seis da tarde até às dez horas da noite. Hoje a nossa máquina fica pelo presente para mais uma vez falarmos do telelixo que a televisão generalista (e não só) nos despeja diariamente em casa. Para nós, a importação e a produção de lixo televisivo, de uma forma consciente e industrializada, começou há cerca de dez anos. Até então, já tínhamos lixo no pequeno ecrã, mas eram detritos domésticos, artesanais, ingénuos, se comparamos com o que hoje recebemos. Aliás, o conceito de telelixo aprofundou-se ao longo desta última década – há tratados, há filósofos (como Gustavo Bueno) que se especializaram na abordagem do tema. Na rede, circula alguma matéria interessante sobre o assunto.

Precisamente com este título – «O telelixo é uma droga pesada» – encontrei um magnífico texto de Ramiro Marques, do qual já havia lido algumas peças relacionadas com a questão dos professores. Começa por nos lembrar que a Holanda é o maior entreposto europeu de fabrico e distribuição de drogas sintéticas, para depois afirmar que o mesmo país é a sede do maior grupo europeu de produção de concursos, reality shows, novelas da vida real – ou seja o telelixo com que os canais generalistas preenchem os seus horários nobres. Refere-se à nossa bem conhecida Endemol.

Ramiro Marques enuncia depois a composição do telelixo – conteúdos que imbecilizam as pessoas, as tornam insensíveis à dor, à violência e à crueldade, lhes cria falsas necessidades, lhes transmite versões distorcidas da realidade e lhes inculca contravalores. Os próprios noticiários, começam a ser moldados por esta visão perversa do negócio televisivo, abrindo com notícias de crimes, explorando exaustivamente os delitos de natureza sexual, bem como assaltos à mão armada e homicídios.

Recorda que as crianças portuguesas vêem, em média, três horas diárias de televisão, cinco nos fins-de-semana, ficando expostas, com a vulnerabilidade própria da sua inexperiência, a toxicidade do telelixo. A esta exposição, acrescente-se o tempo que crianças e adolescentes dedicam à navegação em websites e salas de chat (também distribuidores de lixo ou de veneno para a mente). Como diz, os efeitos devastadores da absorção e dependência do telelixo, não são menores que os do consumo de drogas pesadas, atingindo um universo muito maior. E, continua, do mesmo modo que os pais lutam por afastar os filhos do ice ou do ecstasy, da cocaína ou da heroína, o mesmo devem fazer contra o viciante consumo do telelixo.

E, conclui dizendo que, infelizmente, ao contrário do que acontece com os narcotraficantes e com os passadores, os proprietários, editores e directores de programas dos canais de televisão que promovem a subida das audiências à custa do telelixo, não são nem punidos, nem sequer alvo da censura social, transformando-se em celebridades e empresários de sucesso. Contudo, os efeitos do telelixo na mente, no carácter e na vida dos jovens podem ser devastadores, tal como o consumo de drogas pesadas – o telelixo, veneno da mente, é uma droga pesada. Belo texto, que deve, o mais possível, ser divulgado.

Em Espanha corre um manifesto ou abaixo-assinado contra o telelixo – tvbasura@arrakis.es – definindo primeiro o que é telelixo e pontualizando depois os seus efeitos nefastos, comparando-o a um vírus informático ou a um cancro, cujas metástases têm tendência para tudo invadir e destruir. Exigem os signatários que os Poderes Públicos responsabilizem os canais de televisão, os anunciantes, os programadores e os profissionais, sem descartar a responsabilidade dos cidadãos que se deixam enganar pela falácia do «espectador soberano» que, segundo os «dealers» televisivos, é quem exige cada vez mais lixo. O que até é verdade, pois os tóxico-dependentes, induzidos ao vício, ficam totalmente dependentes do consumo das drogas que os destroem. Também eles exigem a sua dose diária, facto que não inocenta os traficantes. Penso que deveríamos pensar num amplo movimento semelhante ao dos nossos vizinhos.

O silêncio é cúmplice do crime. Penso, por isso, que seria útil desencadearmos uma iniciativa semelhante.

Maité, não abras a boca

A menina veio agora dizer que afinal se trata de humor, que lá no Brazil até gozam com o Lula e com gente importante. Coitada da rapariga está convencida que nós cá não chamamos mentiroso ao primeiro ministro, Pinóquio e o mais que for preciso, à Lurdinhas, à Manela…

A menina não percebeu que nós não lhe perdoamos porque ela brincou com o Mosteiro dos Jerónimos e com Sintra. No primeiro, cuspiu, mostrando aliás uma bela técnica que me faz adivinhar que tem tido muito treino em actuações bem mais recatadas…

Em Sintra, chamou a atenção para um três que, segundo ela, está ao contrário. A pobrecita, nem sequer tem imaginação, que na terra que Lord Byron amou aquela silhueta faz mais lembrar uma mulher de costas a oferecer-se ao seu amante. Lá está a cabeça, levemente inclinada sobre o peito no abandono do amor, as costas arqueadas em leve arfar, a cintura de vespa, e a seguir, voluptuosas, as ancas que recebem o seu homem.

Mas, realmente, não lhe podemos pedir o que não tem. E ainda não há lipoaspirações aos neuróneos!

Não faz ideia nenhuma sobre a história daqueles lugares, julga mesmo que tudo se resume a praia e a caipirinha, entremeada com “rapidinhas” no areal. Quando está de mal de massas vem a Portugal vender literatura de cordel e novelas de mau gosto.

Te amo, Portugau…

O pseudo caso Portugal-Brasil visto por Ferreira Fernandes

O Pingo Doce contratou um famoso publicitário brasileiro para a campanha que começou nas televisões na semana passada. Vai daí, começou outra campanha no Twitter, esta semana: abaixo–assinados de portugueses (já vão em 1600) contra o anúncio do supermercado. (…) Porquê os 1600 e o frenesim, que já apela até a um encontro de indignados? Eu explico: cherchez la femme. O que, traduzido para a circunstância, é: alguém ficou sem a conta choruda que o supermercado tinha para publicidade e que foi parar ao brasileiro. A dor de corno na bolsa é das que mais doem. Espero que sem relação, mas também esta semana, alguém ressuscitou um vídeo da actriz brasileira Maitê Proença, onde ela é grosseira sobre os portugueses.

Para mim a relação entre um estória e outra existe. Chama-se marketing viral, a técnica que passa precisamente por criar um caso sem paternidade aparente, e deixá-lo espalhar-se pelas redes sociais (dantes chamava-se boato, e já foi uma arma da reacção).

Existe porque sou devoto da lei das coincidências significativas, o profissionalismo da causa no Facebook é evidente (e apanhou vários incautos desprevenidos), e profissionais não brincam em serviço.

Condições favoráveis a uma campanha de chauvinismo contra o Brasil, infelizmente estamos cheios delas. E o que já se leu e ouviu por aí em questões desportivas, Rio 2016b e Liedson, por exemplo, demonstra que o  terreno social é favorável.

Hoje quero uma grande abada aos pobres malteses. Golos de Pepe, Deco e do levezinho, claro. Os outros podem fazer assistências que não me importo.



eh pá, vamos lá manter o nível !

… e não percam tempo com minudências: uma cervejinha europeia e fica logo tudo mais calmo !

As outras crises

O meu agrupamento escolar é aquilo a que antigamente se chamava humanidades e agora chama-se outra coisa qualquer, cujo o nome eu não me recordo, e não me apetece levantar para ir ver. É muito curiosa, esta área. Não venho para aqui fazer a apologia de uma área em relação ás outras, mas o engraçado é que aqueles que vão para humanidades porque querem algo mais que fugir à Matemática acabam por ganhar um “estigma” engraçado. Ora, porque vão para o desemprego, ora porque não têm nenhuma das disciplinas difíceis, ora porque é só decorar.

Foi há pouco mais de um ano que resolvi contrariar tudo aquilo que me era aconselhado, e decidi que vou para História. (pausa para que os caríssimos leitores possam pensar: “coitadinha vai para o desemprego”. Ou, “Estes gente deve pensar que sonhar leva a comida à mesa”, ou mesmo “daqui a 8 anos já a estou a ver num emprego precário, num call center ou pior, tipo ir dar aulas”.) Não que eu ache que os leitores sejam preconceituosos, mas são apenas algumas das impressões que quase sempre passam pela cabeça das pessoas em geral. Vou para História, é verdade. A Inglaterra e o Thomas More ajudaram à decisão bem como o Churchill, a Revolução francesa e o próprio Salazar. Esta mania de querer perceber as coisas, sempre soube que me havia de meter em problemas. Quero História desde os 7 anos desde que a minha professora da primária teve a infeliz ideia de distribuir uns livrinhos sobre a História de Portugal até ao D. Fernando e eu, em vez de passar o que estava no quadro, passava as aulas a ler aquilo.

Foi já há um ano que escrevi um texto para o meu jornal da escola, que se intitulava “a crise endémica”. Era, mais ou menos, sobre isto. Em Portugal há um estigma enorme sobre as pessoas que escolhem as ditas Humanidades. Não, não. Nós queremos é médicos, e advogados, e engenheiros. O resultado é praticamente este: “Então Daniela já sabes para que curso vais? Não, ainda não, ainda estou a pensar”. Sim, porque se eu disser que vou para a História, a cara das pessoas congela durante cinco segundos e depois ainda me dizem que não arranjo lugar como professora, o que nem sequer está, pelo menos directamente, nos meus objectivos.

Este estigma pode ser explicado de muitas maneiras. A “despromoção”, quiçá até o desprezo pelas artes e humanidades está, para mim, relacionado com a relação que temos, enquanto povo, com a cultura. Em Portugal não temos a “cultura da cultura”. O próprio Ministério da cultura em Portugal é uma anedota, como já várias vezes foi dito. E é assim porque o próprio Governo sabe que os próprios cidadãos, excepto uma pequena elite, não se interessam. Não querem saber. E por isso talvez não valorizemos as pessoas que seguem um curso mais intelectual ou teórico e menos prático, ou com menos aplicação prática.

Sim, são áreas de grande desemprego. E isso é assim em todo o lado. É evidente que alguém com um curso de economia arranja emprego mais facilmente do que as pessoas de História ou Literatura. Contudo, o que as pessoas de História ou Literatura querem da vida não será, certamente, aquilo que as de Economia ou Informática querem. Nem toda a gente quer fazer um site na net para depois vender à Microsoft.

É um risco, e estou ciente disso. Se falhar e as coisas não saírem como eu quero, espalho-me ao comprido. É verdade. Mas prefiro arriscar a não o fazer. Ao menos, tentei. E isso, na minha ingénua juventude, é melhor que nada.

ERC: olha para o que eu digo não olhes para o que eu faço

A ERC deu por ilegal o fim do Jornal da Sexta da TVI. E depois sai-se com esta:

Mas o documento vai mais longe e considera ainda “lamentável” o timing da decisão de cancelamento do dito jornal no dia 3 de Setembro, “em pleno período eleitoral e na véspera da data do reinício do ‘Jornal Nacional de Sexta’”, que entretanto estava para regressar de um interregno de férias logo no dia 4.

Não tivessem esperado pelo fim das campanhas eleitorais para tomarem uma posição, e até tinham autoridade moral para isso…

Entretanto Manuela Moura Guedes diz que espera que a TVI volta atrás. Espero que esteja confortavelmente sentada.

Uma esposa na volta do correio

“Histórias Verdadeiras de Noivas por Correspondência na Fronteira” (“Hearts West: True Stores of Mail-Order Brides on the Frontier”) é o título de um livro lançado em 2005, nos Estados  Unidos, da autoria de Chris Enss. Não o li, nem sequer estive com ele nas mãos, mas descobri-o por acaso na internet e fiquei com vontade de encomendá-lo.  Acontece que estou numa cura de desintoxicação da compra compulsiva de livros, pelo que terei de limitar-me a imaginá-lo. A resenha que li interessou-me: histórias reais de casamentos acordados por correspondência no velho Oeste americano. E, ao que parece, há lá de tudo: casamentos felizes que duraram décadas e desilusões que levaram a moça a regressar ao fim de uma hora com o seu prometido. Imaginem-se, caros leitores masculinos, algures no selvagem Oeste, garimpeiros sujos e solitários, à espera do golpe de sorte que vos vai fazer descobrir o Eldorado. Quando regressam para o vosso pardieiro, já noite escura, encontram quatro paredes frias e manchadas pelo fumo do tabaco, uma caçarola suja, ainda com a crosta da refeição anterior, uma cama gelada na qual nem as ceroulas de lã vos impedirão de tiritar.  E para quê tanto esforço árduo se, ainda que venham a fazer fortuna, não terão com quem partilhá-la? Que fariam, amigos leitores, num cenário destes?

Sentavam-se à luz de um coto de vela e garatujavam um anúncio. “Mineiro solitário e honesto, com boas perspectivas, procura esposa para partilhar fortuna”. E depois era esperar pelas respostas e concertar os encontros que poderiam mudar a vossa vida para sempre. E com a chegada das noivas por correspondência, as cidades enlameadas do Oeste começaram, pouco a pouco, a mudar. Para além dos bares e dos bordéis que já existiam (ninguém disse que não havia mulheres por lá, apenas faltavam “esposas”), construíram-se casas familiares, escolas, teatros, bibliotecas, lojas, igrejas. A civilização, tal como a conhecemos. Para a maioria, o El Dorado nunca apareceu mas a vida dos garimpeiros adoçou-se bastante. Tal método de casamento parece irracional à luz dos nossos valores actuais? Desumano? Um acordo comercial despojado de romantismo? Meus amigos, se dizem isso é porque não assistiram a um divórcio feio. Aposto que nenhum dos casamentos feitos naquelas circunstâncias e que tenha acabado mal teve um final tão feio como os casamentos em que a paixão deu lugar ao ódio. Aqueles em que as pessoas sabem demasiado bem o que fazer e dizer para magoar o outro e não se inibem de fazê-lo até à saciedade. Leio regularmente e com o maior dos interesses a secção dos classificados de jornal normalmente designada como “Outros” e na qual cabem coisas tão díspares como a venda de uma autogrua de lança telescópica ou o anúncio do homem de ciência que procura um sócio capitalista para desenvolver uma tecnologia de leitura das auras que permitirá saber o que aconteceu naquela fatídica noite na Praia da Luz e para onde foi parar a caixa negra do avião da Air France (isto é autêntico, foi publicado no JN há umas duas semanas). É nessas páginas que normalmente se publicam os anúncios que levam por título “Cavalheiro”, e nos quais os ditos cavalheiros, habitualmente maiores de 60 anos e quase invariavelmente “com situação económica estável” procuram senhoras de idade semelhante, sem vícios nem compromissos, para relação séria. São os nossos garimpeiros de hoje, estes a quem talvez as paixões já tenham oferecido uns quantos fracassos amorosos, e que se  resignaram a confiar no acaso,  e a esperar a esposa que lhes toque na rifa e venha, com mão suave e decidida, bater-lhes à porta de solitários empedernidos.

Os nossos queridos irmãos brasileiros (a propósito de Maitê Proença)


Há um livro do Mario Vargas Llosa, «A Tia Júlia e o Escrevedor», que deu lugar a um magnífico filme americano, realizado por Jon Amiel e interpretado pelo Peter Falk, o velho Columbo, pelo Keanu Reeves e pela Barbara Hershey – Tune in Tomorrow (1990). O livro é delicioso e o filme uma pérola. Falk representa o papel de «criador» de folhetins radiofónicos que não perde uma oportunidade para dar alfinetadas nos albaneses (no livro, passado no Peru, o alvo são os argentinos). As referências maldosas vêm sempre embrulhadas em elogios como, «os nossos queridos imigrantes albaneses que, como se sabe, têm a antiga tradição de urinar na sopa antes de a começar a comer»… Não sei se esta frase concreta existe, apenas quis dar um exemplo dos maldosos elogios a albaneses (argentinos) que a personagem central vai debitando ao longo da história. Ora bem, quando digo, os «nossos queridos irmãos brasileiros» não é com a intenção de em seguida os denegrir. Apraz-me que haja em Portugal um fluxo de imigração brasileira. Acho que, tanto quanto possível e cada um de per si o mereça, os devemos tratar tão bem como tratamos os nossos compatriotas. Nunca esquecendo os milhões de luso-descendentes que vivem no Brasil.

Aprecio muito a cultura brasileira, as obras de Machado de Assis, Graciliano Ramosl, João Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais, alguns dos livros de Jorge Amado, Ruben Fonseca, a pintura de Cândido Portinari, a arquitectura de Óscar Niemeyer, a obra musical de Heitor Vila-Lobos, de Tom Jobim, de Caetano Veloso, de Chico Buarque, os programas televisivos de Jô Soares, a mestria dramática de Paulo Autran… Poderia encher todo o espaço que vou dedicar a esta crónica com nomes de brasileiros que admiro. E muitos ficariam por referir. Para não falar nos muitos amigos. Contudo, custa-me compreender a razão por que gastamos dinheiro a importar lixo televisivo brasileiro, tão competentes que nós somos a produzi-lo. Ruy de Carvalho disse há tempos numa entrevista que se sentia ofendido de cada vez que ouvia dizer que «No Brasil é que há bons actores». Não que não os haja – os maus, porém, são em muito maior quantidade (como cá, aliás).

Os portugueses dos níveis culturais mais «desfavorecidos» adoram «falar brasileiro». Sempre é mais fácil do que ter o trabalho de aprender inglês, francês, alemão ou castelhano – basta falar abrindo vogais, usando expressões como «vou pégá um cineminha!» ou o meu filho anda na «escólinha», em vez de «vou ao cinema» ou «o meu filho anda no infantário». Já aqui disse – gosto muito de ouvir os brasileiros falar – portugueses a macaqueá-los é um espectáculo degradante. Até porque não conseguem. Uma amiga brasileira com quem estava a ver um programa do Herman, afirmou-me que o «sotaque brasileiro» dele é deplorável.

A nossa diplomacia e os mecanismos culturais de que dispomos, deveriam, no entanto, esforçar-se por esclarecer os brasileiros (os do Brasil e os de cá) que as chamadas «piadas de português» são uma grosseria que não merecemos. É conhecido o episódio de Collor de Mello quando em 1990 fez uma visita a Portugal, em pleno jantar no Palácio das Necessidades, resolveu contar uma «piada de português». É curioso que qualquer brasileiro, mesmo os das camadas culturais mais baixas, entendem que «português é burro». Uma arquitecta brasileira que trabalha num gabinete de projectos em Lisboa, ao concluir uma pós-graduação em que obteve uma excelente classificação final, felicíssima, telefonou aos pais dando-lhes a boa nova. Resposta do pai: «Ó minha filha, isso não tem valor, não. Você não sabe que português é burro? O que vale um pós-graduado feito aí?» Dos brasileiros que dizem estas coisas, não gosto mesmo e não preciso de embrulhar em papel de seda – burrice não usa passaporte nem respeita oceanos ou fronteiras! E este tema da burrice dos portugueses já viaja pela blogosfera a todo o gás.

Para falarmos com a franqueza que entre irmãos deve ser usada e, sempre generalizando, claro, a maioria de nós gosta dos brasileiros, acha graça à maneira como falam, às suas expressões. Em contrapartida, a maioria dos brasileiros não gosta de nós. Às vezes são sinceros e reconhecem que assim é – «É uma recordação do período colonial», dizem. Mas de qual período colonial? Os angolanos, os moçambicanos, sim, tiveram de lutar para conquistar a independência. Os brasileiros não – a independência foi-lhes dada. Porque, nas tropicais cabeças, se gerou a lenda de que os portugueses escravizaram os brasileiros, os quais em 1822, num arroubo de valentia, se libertaram. Disparate. Os portugueses escravizaram negros importados de África, tratados como gado. Mataram índios. Fizeram tudo isso e muito mais. Porém, os «brasileiros» que proclamaram a independência (começando pelo imperador), não eram escravos africanos, nem índios – a independência foi proclamada por portugueses que, rendidos às delícias do Rio de Janeiro, não estavam pelos ajustes de voltar a uma Lisboa bisonha e onde muitos deles perderiam o estatuto que ali, naquela corte de circunstância, tinham alcançado.

Isto mesmo disse, por palavras mais elaboradas, Eduardo Lourenço num colóquio que há anos se fez no Centro Nacional de Cultura e em que um brasileiro fez uma intervenção na base do «nós, oprimidos/vocês, opressores». Eduardo Lourenço, muito delicadamente, perguntou-lhe o nome. Por sorte, tinha um apelido português. E o professor desfechou-lhe esta: «Sabe? Foram os seus antepassados quem escravizou e quem oprimiu. Os meus, nunca saíram de Portugal e, portanto, não podem ser culpados disso».

A política cultural do nosso país é deficiente (aí está uma inegável burrice dos sucessivos governantes). Até no seio das colónias de emigrantes, no Brasil, em França, na Alemanha, existe a ideia de que Portugal é um país que parou no tempo. Com todas as deficiências que temos, com todos os atrasos endémicos, somos tão burros como os outros, que o mesmo é dizer, tão inteligentes como os outros. Claro, que não depende só de nós o haver no exterior uma avaliação correcta do que somos como povo – isso depende também da inteligência e do nível cultural de quem avalia. Porém, os nossos queridos irmãos brasileiros já deviam ter sido informados de que os emigrantes que daqui foram, sobretudo no princípio do século XX, eram gente muito pobre, completamente iletrada, muitos deles desembarcavam no Rio ou em São Paulo e era a primeira cidade que viam, pois de Lisboa ou do Porto só tinham visto o cais de embarque. Decorrido um século, as coisas mudaram; não tanto como gostaríamos que tivessem mudado, mas mudaram. Falando há tempos com imigrantes portugueses em França, pareceu-me (afirmar seria generalizar) que aquelas pessoas, vivendo em grandes cidades, mas em comunidades fechadas, mal falando a língua de acolhimento e nunca tendo verdadeiramente aprendido a sua, estão mais atrasadas do que os habitantes de qualquer aldeia do interior do País. Atrasadas no sentido cultural de compreensão das novas realidades. Os jovens, ajuizando Portugal pela pobreza cultural dos avós e dos pais, desprezam profundamente tudo o que é português.

De quem será a culpa desta incompreensão?

Enquanto pensam na resposta, ouçam um dos verdadeiramente grandes actores brasileiros, Paulo Autran (1922-2007) declamando Ricardo Reis. – «Vem sentar-te comigo, Lídia; à beira do rio» – Que maravilha quando nem nós nem eles
s
omos burros e trabalhamos em conjunto.

Video humoristíco português escandaliza o Brasil

Um vídeo  datado de 2007 mas que circula na net, está a escandalizar o Brasil, por alegadamente demonstrar a incapacidade da actriz Maitê Proença em falar português europeu e dissecar as telenovelas brasileiras, candidatas a património imaterial da humanidade.

Num abaixo-assinado é exigido um pedido de desculpas. Sectores mais radicais pressionam Lula para que corte relações diplomáticas. Maitê pediu protecção policial depois de sofrer ameaças de morte, e admite pedir o estatuto de refugiada à ONU.

Gato Fedorento – Telenovela Brasileiramaite-proenca

Agora a sério: não há pachorra. A Maitê como escritora é uma desgraça, como humorista uma anedota, como actriz capaz do melhor e do pior, mas nunca precisou de photoshop para posar nua.

O que só demonstra a qualidade e empenho dos portugueses na reprodução da espécie e no espalhar dos genes lusitanos – sim, acabo de piscar o olho ao macho nacionalista luso, porque é tão burro que nem percebe quando está a ser gozado. Os mesmos que ainda há umas semanas e perante a ameaça de uma subida eleitoral da esquerda já se preparavam para voltar a fugir para o Brasil, e que logo  à noite não vão comemorar os golos do levezinho. Emigrem canalha, emigrem.

Parece que a coisinha pediu desculpas

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A máquina do tempo: a «Monarquia do Norte» (ou o «Reino da Traulitânia»)

Vamos fazer mais uma curta viagem no tempo, recuando até 1919. Porque 90 anos à escala da História não é quase nada, é como irmos de passeio até aos arrabaldes da cidade em que habitamos. Vamos lá. Como se sabe, no dia 14 de Dezembro de 1918, quando entrou na Estação do Rossio, em Lisboa, para fazer uma viagem de Estado ao Porto, o presidente Sidónio Pais foi assassinado. Com os sidonistas divididos em monárquicos e republicanos e digladiando-se entre si, as duas Câmaras, Parlamento e Senado, no dia 16 desse mês, elegeram o almirante Canto e Castro como presidente da República, seguindo a Constituição de 1911. No dia 23, este convocou Tamagnini Barbosa para formar Governo.

O objectivo era desenvolver uma política prudente, de compromisso entre a direita e a esquerda, tentando evitar-se o perigo iminente de uma guerra civil. Por direita entendia-se os defensores sidonistas da «República Nova», por esquerda os que eram pela «República Velha», ou seja, pelo regresso aos princípios de 1910. No dia 3 de Janeiro de 1919, no Porto, constituiu-se uma Junta Governativa Militar, que se reivindicava da herança do sidonismo. Em consonância, em Lisboa, o coronel João de Almeida concentrou algumas unidades militares em Monsanto.

O fantasma da guerra civil ensombrava o País.

No dia 8 de Janeiro de 1919, Tamagnini Barbosa apresentou perante as Câmaras a formação do novo gabinete. Logo no Parlamento, Cunha Leal verberou violentamente a cedência que o novo chefe do Governo fizera às Juntas Militares de Lisboa e Porto. No Senado, Machado Santos, o herói da Rotunda, reagiu de forma similar.

No noite de 10, em consonância com esta indignação, eclodem revoltas militares, quase simultaneamente em Lisboa – a guarnição do castelo de S. Jorge e o Arsenal de Marinha, na Covilhã e em Santarém. A sedição é rapidamente dominada em Lisboa e na Covilhã. Em Santarém os militares resistem e exigem que o presidente constitua um «Governo de Concentração Republicano», com representação dos partidos democráticos da chamada «República Velha».

Os pronunciamentos que visavam o regresso à normalidade constitucional republicana e que, aqui e ali, se iam verificando, foram todos eles neutralizados pelas forças leais ao Governo. Mas essas forças «leais» não estavam coesas., pois o quadro da direita sidonista apresentava-se diverso no Norte e no Sul: a Sul predominavam os republicanos enquanto que no Norte, os monárquicos eram amplamente maioritários. As duas facções, inspiradas pelo Integralismo Lusitano de António Sardinha, estavam unidas no desejo de impedir o regresso dos políticos de 1910, mas divididas quanto ao regime a instaurar após o seu eventual triunfo.

Até que no dia 19 de Janeiro, sob a liderança de Paiva Couceiro, novo golpe militar no Porto proclamou a restauração do regime monárquico. Foi constituída uma Junta Governativa do Reino. Em Lisboa, o Governo da República apressou-se a decretar, para todo o território continental, o estado de sítio. Por toda a cidade surgiram manifestações de apoio à República e começaram a constituir-se batalhões de voluntários.

O Batalhão Académico, formado por estudantes do ensino superior foi muito falado. José Gomes Ferreira, que esteve integrado na coluna comandada pelo general Abel Hipólito, com quartel-general em Viseu, faz uma colorida descrição da sua intervenção militar em «A Memória das Palavras-I». O Governo lançou um dramático apelo aos militares do CEP, recém desmobilizados da frente de batalha, para que lutassem em defesa da República.

No dia 23 foi a vez de rebentar em Lisboa um golpe monárquico. Chefiado por Aires de Ornelas, concentrou novamente na serra de Monsanto importantes efectivos. O Governo tomou medidas de excepção, libertando os presos políticos – anarquistas, republicanos e socialistas, para que engrossassem as fileiras de defensores do regime. No dia 24, cercados e flagelados pela artilharia, os monárquicos de Monsanto renderam-se. No rescaldo, contaram-se trinta e nove mortos e aproximadamente trezentos feridos. Navios de guerra de países estrangeiros foram fundeando no Tejo, prontos a intervir.

Em 27 de Janeiro tomou posse um governo de «concentração republicana» encabeçado por José Relvas. Por todo o País, sobretudo no Norte e no Centro, iam-se verificando confrontos entre forças monárquicas e republicanas. O perigo de uma guerra civil generalizada é potencialmente grande. E a situação instável manteve-se até que em 13 de Fevereiro as tropas monárquicas comandadas por Paiva Couceiro, se renderam. As unidades leais à República afluíam de todos os lados e avançavam para o Porto sem encontrar grande resistência pelo caminho. No interior da cidade, o capitão Sarmento Pimentel comandou a revolta da «Guarda Real», como fora crismada a GNR, apoiado por civis armados e ajudou a derrotar as forças de Paiva Couceiro.

Embora ainda subsistissem focos insurreccionais pelo Norte, que foram sendo jugulados, a revolta monárquica foi dominada. O Estado deu começo aos julgamentos dos cidadãos envolvidos na tentativa de restaurar a Monarquia. As liberdades, direitos e outros mecanismos constitucionais suspensos pelo golpe de Sidónio Pais em Dezembro de 1917, foram postos novamente em vigor. Chegara ao fim a Monarquia do Norte – a que também se chamou o «Reino da Traulitânia», devido aos maus tratos e sevícias infligidos aos prisioneiros republicanos caídos nas mãos dos couceiristas.

Foi, nos quase cem anos de República, a mais forte tentativa verificada no sentido de restaurar o regime abolido em 5 de Outubro de 1910.

Anedota de portugueses: A cremação do Manel

Manel, português, desde criança era amigo de Fernando, brasileiro. Em uma viagem de Manel à sua terra natal, sofreu um infarte e morreu. Fernando fica sabendo e decide ir ao funeral de seu amigo. Ao chegar ao lugar onde estavam velando o corpo, Fernando nota que ao lado do caixão se encontrava uma bacia enorme, cheia de creme facial e hidratante, e o mais curioso é que os amigos, que iam dar os pêsames à viúva, que se encontrava sentada ao lado da bacia de cremes, introduziam a mão dentro da bacia e massajavam o corpo de Manel. Fernando, por respeito, decide fazer o mesmo, mas foi tanta sua curiosidade que se aproximou cuidadosamente da viúva e em voz baixa lhe perguntou:
– Por que todos estão passando creme em Manuel? Foi por algum pedido dele em vida? Ou é uma tradição?
A viúva, dirigindo-lhe o olhar cheio de tristeza, lhe respondeu:
– Mas ora pois, pois! Então tu não sabes que o Manel pediu para ser cremado?

via http://br.answers.yahoo.com

«Eu gosto é de caminha», agora no Benfica


Pois é, o grande Marco Fortes acaba de se transferir do Sporting para o Benfica. Bem se pode dizer que é a transferência do ano. Passando o atletismo do Benfica a ser mais forte, sobretudo no lançamento do peso, só quero resgistar a injustiça constante que se tem cometido em relação a este grande atleta. Associar a sua carreira à fraca prestação nos Jogos Olímpicos e à frase de que, de manhã, só na cama, é realmente muito injusto.
Ainda por cima, serve para os sportinguistas vingare-mse, agora, de tudo o que os benfiquistas andaram a dizer.

Comité de violação de Maitê Proença

O Aventar acaba de constituir um comité que terá como objectivo violar Maitê Proença, com requintes de malvadez, nos próximos dias. Esse comité será constituído por 6 negros bem dotados. Todos eles irão oferecer os seus serviços, já que, como me disseram pessoalmente, «este trabalho será um prazer».
Assim o Aventar vingará a honra de Portugal e a afronta que a actriz brasileira fez aos portugueses.
Ó pessoal, tenham juizo, não acham que estão a exagerar?

Um lobo em pele de cordeiro

CORAÇÃO LIMPO

O sr José Pinto de Sousa, mandou limpar profundamente, por ajuste directo, o coração. Não quereria por certo, aparecer na nova legislatura, que arranca na próxima quinta feira, 14 de Outubro, com o órgão conspurcado. Aproveitou a presença da empresa de limpeza e mandou abrir o espírito, para que qualquer um o possa ver como ele é, de uma transparência imaculada. E, não querendo colocar seja o que for de lado, mandou vir vários contentores de diálogo, esperando-se que de boa qualidade.
Após isso, apresentou-se em casa do Sr Presidente da República e foi por ele indigitado Primeiro Ministro.
À saída, falou aos jornalistas, sabendo que as suas palavras iriam ser retransmitidas por eles para todo o mundo Português, e arredores. Anunciou reuniões, durante a semana que atravessamos, com os partidos da oposição, com vista à formação do novo governo, e prometeu diálogo, diálogo e ainda mais diálogo. Coisa a que, aliás, “sempre” nos habituou. Chegou ao ponto de dizer que não iria pensar na composição do governo, antes das conversações com os restantes líderes partidários.
O, agora e de novo, nosso Primeiro, Sócrates II (o dialogante), sucessor de Sócrates I (o arrogante), depois da derrocada das eleições legislativas, terá ido aconselhar-se com amigos, antigos alfaiates e outros, e mudou de roupa e de estilo. Mas não é convincente no seu novo papel. A arrogância que sempre lhe vimos, a determinação obsessiva que lhe conhecemos, não é compatível com o diálogo que agora quer implementar. Mais cedo ou mais tarde, a sua verdadeira natureza virá ao de cima.
Por agora, vai engolir sapos, esconder reacções, retrair emoções, simular sorrisos e condescendências, reservando os seus verdadeiros sentimentos para a intimidade da família, dos amigos chegados, ou tão somente para os momentos de solidão.
Depois… logo se verá.

(Citado no “Público”, caderno 2, 14-10-2009)

Comentário a «Dou comigo a não ligar a ponta de um corno às eleições!»

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A bicharada devora os nossos votos e consome a Democracia

Até de aqui a um ano!

ACABOU O TORMENTO

 

O País vai regressar à normalidade de sempre. Vamos regressar à nossa miséria, à nossa fome, à nossa corrupção.

Os fazedores de promessas vão de novo desiludir-nos e não as irão cumprir.

Os problemas da educação, da justiça e da segurança vão voltar em força, embora não seja certo que se vá falar deles para os resolver.

Os noticiários irão mais uma vez, e diariamente, falar de mortes, de guerras, de fome e de doença, entrando sem cerimónia e com toda essa violência em nossas casas, às horas das refeições, não se importando com o facto de crianças de todas as idades estarem normalmente a assistir, e esquecendo nos próximos tempos (não mais de doze meses, já que teremos mais do mesmo para a Presidência da República antes do fim de 2010), a refeição de eleitoralismo que durante meses nos serviram.

Durante o período que se aproxima, irão desaparecer as sondagens para todos os gostos e feitios, e regressarão em força os resultados do futebol, o frio e a chuva e as cores com que coloriram os alertas da Protecção Civil. Deixaremos de ver líderes partidários a abraçarem e a beijarem tudo e todos, e regressarão, pelas mãos dos mesmos, os actos sóbrios, sem música de feira em altos berros. O novo governo vai gozar de um período de sossego, até que seja preciso fazer alguma aliança. Deixaremos de ouvir falar dos pobrezinhos, dos desempregados, dos desamparados, bem assim como de terras e terrinhas que voltarão ao seu costumeiro anonimato. Vão parar ou mesmo desaparecer as obras ainda em curso, que foram feitas à pressa para as eleições, assim como desaparecerá o fingimento de alguns, que se mostraram durante meses cuidadosamente preocupados com as inquietações dos outros.

Acabaram as eleições. Foram três. Vamos ter novo Governo, novos Deputados, novos Presidentes de Câmara, novas Assembleias e mais coisas novas de todos os géneros, e daqui para a frente, e por causa de tudo isto, o nosso País, que até aqui estava muito mal, vai ficar rigorosamente na mesma

Vamos voltar a ter uma paz podre, e a esquecer os males do nosso País, até às campanhas para as próximas eleições, no princípio de 2011. Nessa altura tudo voltará a ser o que foi durante mais de um semestre deste ano.

Durante os próximos doze meses, o tormento em que vivemos os últimos seis, vai acabar.

(Enorme suspiro!)

(In O Primeiro de Janeiro, 14-10-2009)

Pedro Passos Coelho – PSD:

Pode ser, pode ser mas…o que pensa PPC sobre a Regionalização? O que pretende fazer na Justiça? O que defende na Saúde? Que Educação/Sistema Educativo pretende? Que políticas de criação de riqueza pretende implementar?

Que Manuela Ferreira Leite deve demitir-se, isso já eu defendo há muito. Desde o “Preto”. Agora, preciso de saber que alternativa é esta? De silêncios estamos todos fartos.

Eu quero acreditar que PPC pode ser a alternativa a este PS e ao futuro PS de António Costa mas já não vou em cantigas. Só com certezas através de respostas claras às perguntas que formulei. Mesmo que não concorde com tudo mas que possa ver, em boa parte, uma luz ao fundo do túnel. Dessa forma, PPC terá o meu apoio, o meu voto e todo o meu empenho numa vitória. Mudar o PSD para Mudar Portugal.

Poemas do ser e do não ser

Voam em bando mil sonhos
e ao longe morre o cantar
por cima das areias verdes
farei meus versos despertar.

Não beijei o céu nem o mar…

Ao longe morre o cristal
do amor estilhaçado
perdida a boca ferida
por um beijo que não foi dado.
Sílabas claras e sonoras
hão-de ter os versos que eu disser
firmes de pedra
não os leve o vento
que o vento é uma mulher.