10% em Banco de Sementes

"Botânicos britânicos anunciaram ontem ter reunido sementes de 10% das plantas mais ameaçadas do planeta, naquela que é a primeira etapa de um "banco" destinado a preservar a biodiversidade mundial."

"Para Stephen Hopper, director dos Jardins Botânicos Reais, num momento em que aumenta a inquietação com as alterações climáticas e a perda da biodiversidade, o Banco de Sementes do Milénio é "uma verdadeira mensagem de esperança e um recurso vital num mundo de incerteza"."

Para mim, isto quer dizer: "Bem, parece que este planeta está mesmo marado, portanto mais vale começar a guardar "originais" antes que vão desta para melhor". Se calhar sou só eu a pensar assim, já que sou extremamente pessimista. Mas vai daí, estas alterações climáticas, que já se sentem bem, podem ser passageiras. Depois da tempestade, vem sempre a bonança, não é verdade? O que também não deixa de ser verdade, é que depois da bonança, também vem sempre a tempestade. Resta saber em que ponto estamos agora. Acho curioso é que se refira que "não existe outro banco de sementes deste tipo no mundo", quando no ano passado, o nosso Durão Barroso andou a inaugurar uma mega estrutura enterrada no Ártico (Svalbard International Seed Vault), precisamente para salvaguardar a biodiversidade das espécies de cultivo.

Motivo para alarme?! Não, nada disso! Afinal, são só cientistas e empreendedores a construírem bancos de sementes e mega-estruturas em regiões remotas, com o intuito de preservar a biodiversidade… só para o caso de algo correr mal.

Estou confiante. Vai correr tudo bem…

"Entre 60 mil e 100 mil espécies de plantas estão ameaçadas de extinção, ou seja, um quarto das espécies conhecidas, o que se deve sobretudo à desflorestação, segundo os responsáveis dos Jardins Botânicos reais."

Eanes põe em sentido os gatos

Quem teve oportunidade de privar com o Presidente Eanes sabe que tem um sentido de humor, que não se adivinha ao olhar para a pose hirta e séria.

 

Os gatos cometeram o erro de alicerçarem a conversa em militarismo, bombas e nuclear. Nada de mais diferente, do que poderemos considerar a matriz da personalidade de Eanes.É um homem escravo do dever e da honra, como o atesta os muitos anos de intervenção pública, e reconhecido por todos quantos o conhecem.

 

Esperar que Eanes aproveitasse para dizer o quer que fosse menos favorável em relação a Otelo é um registo perdido à partida. Melhor andaram quando falaram de Soares e das suas relações institucionais.

 

Parece óbvio que os gatos estão a perder gás. Hoje foi muito fraquinho.

 

 

Será que o conflito Leste-Oeste continua actual? Porque terão atribuído o Prémio Nobel da Paz a Barack Obama?

BLOGGER CONVIDADO  – JOÃO MACHADO

 

 

Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América desde Janeiro do corrente ano, foi agora galardoado com o Prémio Nobel da Paz. Muitos duvidam que ele o tenha merecido, tendo até em conta o pouco tempo decorrido desde o início do seu mandato. Mas entre nós, Mário Soares não hesita em classificar o prémio como corajoso e oportuno, até pela controvérsia que está a provocar[1]. Fidel Castro não condena, mas teria preferido Evo Morales[2]. Contudo outros comentadores divergem nesta opinião. Na própria América a atribuição do prémio recebe críticas de vários quadrantes. Howard Zinn, historiador e membro destacado do pensamento político da esquerda norte-americana, assinala num artigo publicado no The Guardian[3], que vários dirigentes dos EUA receberam o mesmo prémio, apesar de terem tido responsabilidades decisivas em conflitos de grande magnitude, como foi o caso de Henry Kissinger, ou do Presidente Theodore Roosevelt, e que a atribuição do prémio a Obama, vai na mesma linha dos anteriores, ao distinguir governantes que prometem a paz, mas promovem a guerra. Conclui pelo descrédito em que caiu a instituição Prémio Nobel da Paz. Mas por outro lado, este prémio também mereceu reacções negativas dos falcões norte-americanos, que chegam a acusar Obama de enfraquecer e limitar o poder dos EUA, ao abandonar as políticas seguidas pela administração de George W. Bush[4].


 

 

Vai continuar a discutir-se, sem dúvida, se a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Barack Obama foi justa ou não. Inclusive parece terem havido muitas dúvidas no próprio comité que o atribuiu. Quem deve estar mais próximo da razão, é o cartoonista do Diário de Notícias, Bandeira, que, com humor e siso, diz que o prémio talvez tenha sido preventivo.  

 

No meio destas críticas e discussões, Obama parece realmente em dificuldades para conseguir implementar as ideias que apresentou quando candidato à presidência dos EUA. Olhando apenas a política internacional verifica-se que a colocação dos presos de Guantánamo noutros países marca passo, que a retirada do Iraque vai demorar e que a guerra no Afeganistão está a aumentar de intensidade. Na América Latina, os problemas continuam. Num aspecto, contudo, parece ter havido algum progresso no caminho para a paz, que foi a suspensão da implantação do sistema anti-míssil na Europa de Leste.

 

Este sistema anti-míssil foi talvez a última grande jogada da administração Bush, para fortalecer o domínio dos EUA sobre o mundo. Apresentado como uma defesa contra o terrorismo, e para contrariar uma eventual ameaça do Irão, foi óbvio para toda a gente que estava apontado à Rússia. A acção de Obama contribuiu obviamente para um abrandamento da tensão internacional. Enfrenta contudo no seu país a oposição dos chamados falcões, e mesmo de alguns países do Leste europeu. A suspensão anunciada, embora não pareça ser definitiva, parece ter acalmado um pouco os governantes russos, e facilitado o caminho para entendimentos no sentido do desarmamento, ao abrigo dos tratados de não-proliferação nuclear, dos START, SORT e outros[5], ou segundo novos caminhos a encontrar.

 

Em 1991 deu-se a implosão da União Soviética. Desde então vários países tornaram-se independentes (países bálticos e asiáticos, Ucrânia, Geórgia) e outros aspiram a tornar-se independentes (como a Tchetchénia). Mas têm-se verificado violentas disputas em vários destes países, normalmente envolvendo o estatuto das comunidades russas nele residentes. O abastecimento de combustíveis ao Ocidente é igualmente fonte de tensão, devido à disputa pelo controle dos pipelines que lhe servem de suporte. A referida questão do sistema anti-míssil, a recente guerra na Geórgia, o problema do Nagorno-Karabakh, a base militar de Manas que os USA continuam a manter no Quirquizistão, apesar da oposição russa[6], a pretexto da guerra no Afeganistão, são indícios de que o anterior conflito Leste-Oeste continua, talvez com menos impacto no campo ideológico. Esta situação denota a manutenção de uma estratégia de cerco à Federação Rússia, orquestrada através da NATO, a qual já aderiram vários países que anteriormente fizeram parte do extinto Pacto de Varsóvia.

 

Mantém-se como possível o cenário de um confronto entre uma grande potência continental, como é o caso da Rússia, que continua a ter um grande potencial militar (incluindo um arsenal atómico de grande dimensão), embora mais reduzido do que no tempo da URSS, mas ainda capaz de fazer grande pressão sobre os seus vizinhos, e a superpotência mundial, os EUA, de uma força militar inalcançável pelos seus eventuais rivais, e com um controle pouco contestado sobre os circuitos económicos mundiais. O papel de outras potências, como a União Europeia, a China e o Japão, e mesmo de potências emergentes, como o Brasil e a Índia, poderá fazer com que luta política no futuro não se resuma ao confronto entre dois blocos, como no tempo da Guerra Fria. Será contudo desejável que a Organização das Nações Unidas aumente cada vez mais o seu papel, para defender os povos dos outros países, e as populações desfavorecidas, que são cada vez mais em várias zonas do globo e preservar a paz.

 

[1] Ver Diário de Notícias de 13 de Outubro de 2009.

 

[2] Ver Granma, 15 de Outubro de 2009.

 

[3] War and Peace Prizes, The Guardian, 10 de Outubro de 2009.

 

[4] Recentemente foi constituído um grupo, Keep América Safe, encabeçado pelo influente neoconservador William Kristol, e pela filha do ex-secretário de estado Dick Cheney, Elisabeth Cheney, da qual se diz estar prestes a fazer a sua entrada na política activa. Este grupo tem basicamente como objectivo apresentar Obama como um líder fraco, e defender as políticas mais agressivas de George W. Bush. Um texto de Jim Lobe, “Foreign Policy Hawks Launch New Campaign Against Obama”, publicado em 14 de Outubro de 2009 no site commondreams.org., apresenta  um sumário da acção deste e de outros grupos ideologicamente próximos.


[5] O tratado de não-proliferação nuclear foi assinado em 1968. Até ao momento foi ratificado por 189 países. A Coreia do Norte assinou o tratado, mas posteriormente retirou-se. Índia, Paquistão e Israel nunca o assinaram. As SALT (Strategic Arms Limitation Talks), que duram desde 1968, levaram aos START (Strategic Arms Reduction Treaty). O START1 expira em Dezembro do corrente ano.  O SORT (Strategic Offensive Reduction Treaty) assinado em 2002, está em vigor até 2012.

[6] Ver The Guardian, Kyrgyzstan agrees deal to keep crucial US airbase open, por Luke Harding, em 23 de Junho de 2009.

 

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Tomar ou não a Vacina da Gripe A

BLOGGER CONVIDADA – MÓNICA LALANDA*

 

Senhora Ministra da Saúde, escute-me:

9 de setembro de 2009 – Senhora Ministra, proponho-lhe que seja a primeira espanhola a vacinar-se contra a Gripe A. De facto, com este despropósito chamado autonomias, se V/ Excia se vacinar junto com toda a gente que nos governa em Espanha, o grupo de controle seria suficientemente grande para nos sentirmos todos mais seguros.

Verá V/ Excia, agradeço que me tenha colocado à cabeça dos grupos de risco e que tenha V/ Excia tanto interesse em que eu não apanhe a gripe.

Entendo que V/Excia me necessita para que o sistema de saúde não entre em colapso;

no entanto, é uma grande pena que, da mesma forma que se preocupa V/Excia pela minha

saúde e de repente me valorize como um bem nacional, não se preocupe com a minha

situação laboral. Convido-a a vir ver o meu contrato ou o do resto dos médicos neste país. Na grande maioria, trabalhamos com contratos que no resto da antiga Europa seria uma vergonha.

Senhora Ministra, eu não vou vacinar-me. O vírus não acabou de mutar e a partir da última mutação deverão passar seis o oito meses para elaborar a respectiva vacina. Ou seja, a vacina que nos propõem não pode ser efectiva. Quanto à sua segurança, já temos a experiência de vacinas para a gripe fabricadas à pressa; usam-se adjuvantes perigosos

para poder por menor quantidade de vírus. Francamente, eu prefiro ter muco durante três dias do que sofrer un Guillain-Barre.

 

Senhora Ministra, não gosto de ser um coelho-das-índias. O Centro de Prevenção e Controle de Doenças da UE "está à espera de saber quais são os efeitos da vacina nos adultos sãos para detectar possíveis consequências adversas". Olhe, prefiro que V/Excia a teste e depois me conte.

Senhora Ministra, o assunto está a fugir-lhe das mãos. Já está mais que claro que este vírus, embora muito contagioso, é muito pouco agressivo e mais de 95% dos casos evolui de forma leve. Espera-se um máximo de 500 mortes frente às 1.500 a 3.000 que provoca a gripe tradicional.

Enquanto isso, V/ Excia está a permitir um desperdício de recursos inaceitável. Muitos hospitais no país estão a ser objecto de alterações arquitectónicas absurdas e desnecessárias para se prepararem para uma hecatombe que já sabemos que não vai acontecer. V/ Excias gastaram 333 milhões de euros nesta pandémia de cor e fantasia. A mortalidade do vírus é de 0.018%, francamente irrisória.

Senhora Ministra, deixe que lhe recorde que a Gripe A matou até agora 23 pessoas e que tem uma taxa de incidência de 40-50 casos por semana em cada 100.000 habitantes. No entanto, o tabaco produz em Espanha 40.000 mortes por ano e 6.000 por tabagismo passivo. Isso sim é uma pandémia, mas V/ Excia prefere ignorá-la. é um tema menos atractivo e que lhe criaria uma multidão de inimigos. Dos 447 mortos nas estradas espanholas em 2008, nem falamos, porque não é do seu pelouro.

Senhora Ministra, explique-me por que motivo tem V/ Excia o Tamiflu sob custódia do exército. A eficácia dos antivirais nesta gripe é duvidosa e, de qualquer forma, o único efeito que têm é reduzir um pouco a duração dos sintomas e com efeitos secundários não desprezíveis. Qualquer um diria que V/ Excia guarda com 7 chaves a cura contra o cancro ou a peste bubónica. Ponha o fármaco nas farmácias que é onde deve estar e deixe-se de fantasias mais apropriadas a Hollywood. Em alternativa, faça algo sobre a patente do osetalmivir e permita que o fabriquem outras companhias farmacêuticas, assim não há encargos com restrições.

Senhora Ministra, as previsões da Organização Mundial de Saúde já se extrapolaram em ocasiões anteriores. Quando foi da gripe das aves, previram 150 milhões de mortos que afinal se ficaram pelas 262 mortes. Voltaram a enganar-se, não importa. O importante é parar esta loucura em que estamos lançados e essa, senhora Jiménez, é responsabilidade sua.

Senhora Ministra, isto é dum cinismo muito grande. Há demasiada gente a comer a sua garfada neste assunto. Não só os fabricantes das vacinas e dos antivírus mas também os que fazem as máscaras, os da vitamina C, os do bífidus activo, os fabricantes de ventiladores artificiais e pulsioxímetros, os dos lenços descartáveis, os produtos de

desinfecção das mãos, até os presos com doenças incuráveis que querem aproveitar para ir para casa. No entanto, não me negará tão pouco que a cortina de fumo lhes veio a calhar ao seu governo agora que a crise segue a sua marcha, o desemprego tem níveis históricos, sobem-nos os impostos, sobe o IRC e baixa o PIB. Uma coincidência, suponho.

Senhora Ministra, uma coisita mais. Se tiver que ver muitas mais fotos suas a meia página com olhar astuto, trajes sexys e poses de modelo… vai-me dar uma coisa !

* Mónica Lalanda passou os últimos 16 anos em Inglaterra, a maioria como médico de urgências em Leeds (West Yorkshire). Actualmente trabalha na unidade de urgências do Hospital General de Segóvia, participa em várias publicações inglesas e também produz ilustrações para revistas e livros  médicos.

 

Freeport – comissões houve. Quem as recebeu?

Novo fax (novo para a gentalha tuga, claro) há muito nas mãos da polícia Inglesa, vem não só confirmar que houve comissões, o seu montante, em libras (dá cerca de três milhões de euros) como a razão para serem pagas naquela altura.

 

O governo de Guterres estava de saída e  havia que pagar para que tudo  ficasse preto no branco. O não pagamento impedia o licenciamento do Freeport,  naquela altura e  perdiam-se mais uns anos, com o processo a voltar ao ínicio.

 

Diz a SIC que já estaria nas mãos da TVI (a tal que calou a voz à Manela e que foi comprada com a massa dos fundos de pensões da PT) mas que só agora veio a público, convenientemente.

 

Claro que tudo isto são coincidências e nada está provado.

 

Mas que este fax entre executivos da empresa proprietária do Freeport existe, existe! Para além de tudo o mais que já sabemos e que tambem não está provado.

 

Provado, provado está, que temos um empreendimento licenciado à pressa e com graves atropelos a uma zona protegida, vídeos a chamarem os bois pelos nomes, familiares envolvidos, reuniões com quem tinha capacidade de autorizar e agora o fax da polícia inglesa, a dizer o preço e as razões.

 

Só falta alguem confessar para termos caso!

 

 

Freeport: a TVI ataca outra vez

«Se estamos face a uma possível rejeição (chumbo) do estudo de impacto ambiental, é pouco provável ser possível inverter uma tal decisão seja em que circunstância for, a dois dias da sua rejeição (chumbo) formal por parte do Ministro do Ambiente».

 

Consta de um fax hoje divulgado pela TVI. Dois milhões de libras de suborno, assumido.

 

Freeport outra vez. Já não há eleições, pois não?

Mas lembrando o que aconteceu com outro fax, nada de relevante, excepto o pormenor de este fax estar na  posse da polícia britânica. Pode ser que o caso seja julgado por lá. Por cá, nem nisso acredito.

Dicionário de Parlamentares da III República (1974 – 2009). A – ABREU

 

 

 A

 

ABECASIS, Nuno Krus – Nasceu em 1929 em Faro, morreu em 1999. Engenheiro civil. Fez parte do II Governo Constitucional, em 1978, como Secretário de Estado das Indústrias Extractivas e Transformadoras. Foi Presidente da Câmara Municipal de Lisboa entre 1979 e 1989, um período correspondente a 3 mandatos. Na parte final do seu último mandato, entregou a Siza Vieira a reconstrução da zona do Chiado, alvo de um grande incêndio em 1988. A sua passagem pela edilidade ficou marcada por muitas críticas, relativas à especulação imobiliária que permitiu. Depois de abandonar a Presidência, integrou a Assembleia Municipal, ao mesmo tempo que presidia à Fundação Cidade de Lisboa. Foi Deputado à Assembleia da República, pelo CDS, nas 4 primeiras Legislaturas, entre 1976 e 1987, embora tenha ocupado poucas vezes o seu lugar devido às funções autárquicas que entretanto assumiu.

 

 

 

ABRANTES, Afonso Sequeira  – Nasceu em 1945 na Guarda. Professor do ensino básico, com licenciatura em Filologia Românica. Presidiu à Comissão Instaladora da Escola Preparatória de Mortágua em meados dos anos 80. Desde 1989, é Presidente da Câmara Municipal de Mortágua, tendo vencido, pelo PS, 6 eleições consecutivas, sempre com maioria absoluta. Nos anos anteriores, fora membro da Assembleia Municipal e Vereador da edilidade. Foi Deputado à Assembleia da República, pelo PS, círculo de Viseu, entre 1987 e 1990.

 

ABRANTES, Domingos – ver FERREIRA, Domingos Abrantes.

 

ABRANTES, João Carlos – Nasceu em 1945. Engenheiro técnico agrário. Trabalhou na Direcção Geral dos Recursos e Aproveitamentos Hidráulicos. Foi Deputado à Assembleia da República da II à IV Legislaturas, sempre em regime de substituição. Exerceu o cargo pelo PCP, círculo de Coimbra. Interveio de forma activa no Parlamento, sobretudo através de requerimentos a diversos ministérios. A nível autárquico, integrou a Assembleia Municipal de Montemor-o-Velho.

 

ABREU, Filipe Manuel da Silva – Nasceu em 1947 em Paços de Ferreira. Consultor jurídico. Anteriomente, trabalhou como comerciante de arte. Foi coordenador do Gabinete Autárquico Distrital de Faro, Vereador da Câmara Municipal de Portimão e membro da Assembleia Municipal do mesmo concelho. Foi Deputado à Assembleia da República, eleito pelo PSD, entre 1987 e 1998 na V, VI e VII Legislaturas, sendo que nesta esteve em regime de substituição. Revelou-se muito interventivo durante a V Legislatura, tomando frequentemente a palavra para debater os problemas do Algarve, região pela qual foi eleito.

 

ABREU, João Eduardo Coelho Ferraz de – Nasceu em 1917 em Sever do Vouga. Médico cirurgião. Trabalhou em vários estabelecimentos hospitalares antes e depois do 25 de Abril. Aderiu ao PS em 1976, tendo coordenado, durante muitos anos, o sector da Saúde no Partido. A nível autárquico, foi membro da Assembleia Municipal de Sever do Vouga. Eleito Deputado à Assembleia da República da III à VI Legislaturas, entre 1983 e 1995. Neste período, exerceu os cargos de Vice-Presidente da instituição, Presidente do Grupo Parlamentar e Presidente da Comissão de Saúde. Foi ainda Presidente do Partido. A maioria das intervenções que fez no Parlamento versaram o tema da Saúde. Foi Presidente do PS. Em 1997, passou a presidir à Comissão do Conselho Nacional para a Política da Terceira Idade. Mais recentemente, integrou o Conselho Geral da Fundação Portuguesa de Cardiologia.

 

(continua)

A dourada pirâmide de Caim

  

 

 

 

Eneida, A Odisseia, Os Doze CésaresGilgameshO Livro dos Mortos ou o Hino a Aton, são alguns daqueles textos que para sempre ligarão o Ocidente  a um passado que em termos civilizacionais não se encontra assim tão distante, nem no espaço – o cadinho do nosso ethos, o Mediterraneo e a Mesopotâmia – e muito menos ainda, no tempo.

 

A Bíblia consiste numa amálgama de textos, uns destinados a contar a experiência do povo de Israel, outros que foram assimilando aspectos considerados geralmente aceites, como absolutas verdades originárias da história oral dos povos que habitaram a vasta área marginada a oeste pelo Nilo e a este pelo Tigre e Eufrates.

 

 

O Dilúvio, o sonho da Terra Prometida – este nosso Shangri-la do Ocidente indo-europeu –  e toda uma série de relatos edificantes que estabeleceram um primado ou conceito de ordem moral,  procuravam uma identificação unificadora dos ainda relativamente escassos contingentes humanos, em alguns casos dispersos por um território que à época era infinitamente mais vasto e de difícil acesso para aqueles que quiseram criar raízes, sedentarizando-se. O Êxodo consistiu na lendária base fundamental que uns milénios mais tarde, justificaria a criação de um Estado que se formatou em torno dessa acreditada gesta. Pouco importa se Gilgamesh já tivesse experimentado a enxurrada que dos céus inundou aquele todo o mundo que os semitas, egípcios e até mais a norte os anatólios, consideravam como completo e único. Se o Pai Nosso é fruto da fervilhante criatividade e imaginação de Amenófis IV trasmutado em Akhenaton, a verdade é que hoje surge como a suprema oração, o fio condutor da conversa, ou melhor, do implorar do comum mortal de qualquer uma das religiões do Deus Único .

 

Vestes sagradas, cerimoniais complexos e carregados de fumos de incensos, chamas purificadoras, águas milagrosas e livros erguidos em direcção à luz solar – talvez aquele deus que ainda resiste no subconsciente da maior parte dos homens -, fazem parte de uma tradição que ininterruptamente se adaptou a novos espaços, realidades étnicas – adequando os ritos e a crença ao passado pagão – e geográficas. Loucos de Deus sempre existiram e sempre existirão, numa quase sempre solitária interpretação de um mundo ao qual, soberbamente se julgam destinados a servir como vingadores de um ente superior, basicamente austero e avesso ao negregado hedonismo. Grosso modo, as histórias edificantes focam contextos muito específicos, onde invariavelmente a fixação da hierarquia, a morigeração de costumes, ou a simples necessidade de zelar pela perfeita saúde física das comunidades, impunham as regras a acatar universalmente. Os cataclismos naturais  impuseram  algumas semelhanças entre textos de culturas tão distantes quão diversas em vários continentes. A própria necessidade e expressão artística – muitas vezes fortemente condicionada pelo engrandecimento do poder -, levou à adopção de soluções técnicas que os mais crédulos ainda hoje, pensam ser um elo muito longínquo de um passado comum, outrora ligado por um fabuloso continente perdido pleno de super-homens, afinal, a perdida ponte entre nós e o divino.

 

Bíblias foram queimadas em fogueiras, assim como homens também o foram apenas por acatarem uma versão errónea à luz do oficialismo imperante num certo espaço político e social. O que parece bastante anacrónico e causa perplexidade, é o constante acirrar de posições que de tão irredutíveis se tornam merecedoras da indiferença mais ou menos generalizada. Aqueles que não compreendem – ou fingem não entender – os contextos históricos em que os textos surgiram como uma necessidade para a conformação social, acabam por equivaler-se aqueles outros que à semelhança de autoproclamados filhos de uma das Tribos Perdidas de Israel, vociferam contra os "ímpios" de uma modernidade que não aceitam e querem ver destruída. No fundo, o fanatismo Saramago equivale-se ao de um Menino de Deus, de um Mormon ou de um Hamisch.

 

O caso deste escritor que nestes dias acaba por preconizar o fim da sua própria pátria de nascimento, parece intencional, decorrendo normalmente de um percurso de vida pautado pelo endurecimento da convicção  num destino de predestinado e ao encontro daquele que afinal foi o verdadeiro Mito do Século XX. Pouco lhe importam as histórias, os contos, as experiências e desejos individuais ou colectivos – estes stricto sensu, há que frisar – dos homens que fizeram a pequena e a grande História. O devir de uma supersticiosa certeza, numa constante e maniqueísta liquidação de "inimigos de classe" – descurando assumida e completamente as realidades da inter-permeabilidade entre algumas ou todas -, conduz ao dogma que impõe a destruição do outro. Um dos derrotados do século – e aqui já o alçamos a um muito contestável estatuto que pouco interessa reconhecer ou não -, Saramago finge não ter compreendido a vastidão imensurável de um legado que antes de tudo tenta impor regras onde o conceito de Bem pode ir-se adaptando aos novos tempos e realidades que a sucessão de gerações infalivelmente estabelece.

 

Para Saramago, a Bíblia parece ser um …manual de maus costumes, crueldade e do pior da natureza humana... Curiosa conclusão que não atende à realidade de outras épocas e á própria necessidade de afirmação da certeza de pertença a um determinado grupo. Apesar disto,  não existe vivalma sobre este planeta, que alguma vez tenha escutado uma só palavra do escritor, acerca dos manuais de brutalidades, das cartilhas que impõem pela mais iconoclasta violência,  a "construção científica" de um outro homem, tão desumano como Moloch ou tão escravizado a uma quimera como os ilotas.  Saramago nem sequer dá conta da clara cópia do preceituado necessário à construção  do seu Novo Templo, de uma religião tão tingida de vermelho como as escadarias sacrificais dos aztecas. Pouco lhe importam que as estórias – disso não passam – edificantes da sua religião versem a denúncia, a opressão do imaginado inimigo ou a acefal
ia
geral em benefício de um imposto dogma. A visão da certeza, do Bem estabelecido pelo Caim da sua Verdade, exclusivamente pertencerá aos eleitos, aos poucos que escolhidos inter-pares, decidem pela amorfa e anónima soma de números em que a humanidade obrigatoriamente se torna, anulando-se como motor da continuidade da própria História.

 

Agarrado ao encharcado lenço de uma derrota que jamais esperou ver chegar, pouco mais resta ao escritor premiado com o Nobel, senão aferrar-se à sua grande certeza: a metálica matéria. No seu caso, o ouro, não em forma de bezerro, mas da vaidade que lhe garante um final confortável e feliz.

 

 

 

 

 

 

Liberta-me: Movimento de libertação dos cães

 

 Liberta-me é um movimento aque apela à libertação dos cães que vivem acorrentados, num curto espaço, durante uma vida inteira. É seu o texto que se segue.

Em Portugal, são milhares e milhares os cães condenados a prisão perpétua, sem que tenham cometido nenhum crime. São mantidos acorrentados uma vida inteira: um castigo pior do que a morte para estes animais.

Por todo o país, são demasiados os cães que sofrem em silêncio. Sofrem em silêncio, porque muitas pessoas desconhecem o sofrimento dos animais acorrentados, outras pessoas não se importam e outras simplesmente não se querem “intrometer”.

Muitos animais não têm sequer um abrigo, outros dormem dentro de um bidão ou de uma casota que mal os protege da chuva e das temperaturas extremas. Sentam-se sobre a lama ou sobre o cimento gelado, muitas vezes não têm sequer água fresca à disposição e raramente têm atenção.

Quase nenhum destes cães conhece outra vida que não estar amarrado a uma corrente. Quase nenhum destes cães sabe o que é passear, o que é correr atrás de uma bola, nem muito menos o que é ser acarinhado.

Acorrentados pelo pescoço, estes animais não vivem, limitam-se a existir. Existem sem respeito, sem carinho, sem exercício, sem interacção social e, muitas vezes, sem os cuidados alimentares e higiénicos mais básicos. À medida que os dias se vão transformando em semanas, as semanas em meses e os meses em anos, a maioria destes cães deita-se, senta-se, dorme, come, bebe, urina e defeca dentro do mesmo raio de dois metros..

 

 

ANIMAIS PARA ADOPÇÃO VIVANIMAL (Rio Tinto) – Contacto: 220938380

Ninhada de gatos com cerca de 3 meses. A mais crescida, a Flor, está esterilizada, vacinada e desparasitada. A opacidade da cornea é uma consequência de infecção virica quando era bebé, porque não foi tratada atempadamente.

BICHANOS DO PORTO (Porto). Contacto: 917512323

Paris, 5 meses. Daniela,cadela arraçada de Labrador. Magali, 4 meses, vacinada e desparasitada.

 

Guiné -Irkutsk

Guiné – IrkutsK

 

(mais um conto, verdadeiro, da Guiné)

 

Não chovia, mas o céu ameaçava desfazer-se em água. Era plúmbeo, presumivelmente a oeste, e carregado de negro do lado oposto. Uma faixa mais clara nascia por cima de Irkutsk e desfibrava-se ao longo do rio Angorá. Mais parecia um quadro de Fiódor Vasiliev ou de Ivan Aivasovsky.

 

Como a vida tem tantas formas de circularidade, sentei-me num banco de jardim à beira do rio, e dei ordens à memória para me buscar aquele rapaz soviético que, há muitos anos, num ardente dia de sol, as nossas tropas aprisionaram no norte da Guiné. Era de Kiev, mas tinha nascido em Irkutsk, na Sibéria.

 

Técnico de máquinas automáticas, oferecera-se, como voluntário e internacionalista, para ajudar os guerrilheiros do PAIGC a combater as tropas colonialistas.

 

 

Na pequena sala onde funcionava a secretaria do nosso aquartelamento, estava o prisioneiro como que pregado a uma cadeira. Tinha na sua frente o capitão da nossa Companhia, o capitão da Companhia de intervenção que o capturou, dois ou três sargentos e outros tantos alferes, e eu.

 

Os lábios do jovem soviético nascido em Irkutsk estavam gretados de sede e de sol. Um sorriso feito de água, terra, fogo e ar, iluminado por um sol negro de melancolia, denunciava um grande medo dos homens que tinha na sua frente.

 

O capitão foi buscar um copo de água e entornou-a lentamente a uma mão travessa da boca do rapaz. Os olhos quase saltaram das órbitas. Pedi ao capitão que me desse o copo, enchi-o de água e raiva e dei-o a beber ao prisioneiro. Valeu-me a firmeza com que o fiz e o facto de ser médico.

 

Se algum dia a minha vida pudesse ser música!…

Desconfiado, levou o copo à boca…

Ainda hoje eu não sei falar de tudo o que treme nas mãos de uma criança!

 

O céu arrependeu-se de chover. Seguimos para o lago Baikal, a maior reserva de água doce do mundo. Segundo os cálculos, daria para matar a sede à humanidade durante oitocentos anos. Quando senti nas mãos a água fria das margens lembrei-me de um copo de água lá nos confins da Guiné.

 

Eu não sou capaz de crescer para as palavras, mas dava tudo para cruzar os tempos que ainda são tempo, e mostrar ao mundo a dimensão que o homem  é, e a pequenez que usa por força da fraqueza.

 

 

O desperdício e a solidariedade

Esta ideia de aproveitar o que a sociedade do desperdício deita fora, para ajudar muita gente necessitada, é uma ideia maravilhosa.

 

Estas grandes  ideias nascem porque há pessoas que se preocupam com os desafortunados,pensam neles todos os dias, procuram soluções. Não é com os chás dançantes nem com a caridadesinha que se resolvem estes problemas. Ter a ideia e estruturá-la, arregimentar boas vontades, coordenar acções, dá muito trabalho. É preciso amor ao próximo, determinação, passar a ter disponibilidade  total, para todos os dias se aproximarem de quem vive nas ruas.

 

As multidões que dia a dia, afanosamente, enchem sacos e carrinhos , perdem tempo nas filas das caixas dos hipermercados,  deixam para trás o que será  aproveitado, pela solidariedade, para ocorrer  à miséria que a sociedade  da abundância, paradoxalmente, cria.

 

A esperança no ser humano dá novas razões para acreditar!

Cinema – O Solista

A genialidade paga-se! Como tudo, oscila entre a grandeza e o fundo. O génio musical de alguem que tem dificuldade em acomodar-se à vida do dia a dia.

 

A solidariedade de alguem que acredita que vale a pena preocupar-se com quem vive na rua e, ao mesmo tempo, mergulhado num mundo cuja  beleza  compreende como ninguem.

 

A história real de dois homens que ainda hoje vivem em LA.

 

A não perder num cinema perto de si!

As imagens do silêncio das palavras

TEXTO DE ARREBENTA

 

Num tempo que já não é o nosso, defrontaram-se duas sensibilidades de uma Revolução: uma venceu, encostou-se à Opus Dei, e acabou por enfiar, em Belém, um cavaco que nem para lareira reles servia. A outra dissolveu-se nas memórias. A História podia ter sido outra, mas não foi. Das águas mais presentes, vem um gajo, a quem 64% dos Portugueses disse que não queria voltar a ver como Primeiro Ministro, mas que, como é habitual, na Cauda da Europa, lá teve o direito a bisar. Pelo meio, decidiu que os militares, mesmo na reserva, estavam inibidos de emitir opiniões (!).

 

Ele lá sabe do que tem medo.

 

Como militar na reserva, "O Cacimbo" silenciou, mas foi substituído por um Fotoblogue.

 

Força, Álvaro: suponho que sejam as imagens do silêncio das palavras.

 

 

A democracia interna do PS. E Manuel Alegre?

Os militantes do PS que concorreram às eleições autárquicas através de movimentos independentes, obviamente porque não foram escolhidos pelo próprio Partido, parece que vão ser expulsos pela Comissão de Jurisdição.

É o caso de Narciso Miranda, que concorreu em Matosinhos contra Guilherme Pinto. É ainda o caso de Maria José Azevedo, que concorreu em Valongo contra Afonso Lobão. É ainda o caso de outras figuras menos mediáticas. Ou como a democracia interna do PS, à boa maneira estalinista, não admite desvios à linha oficial ditada pelo líder.

Dois pesos, duas medidas. Por que razão é que ninguém se lembrou de expulsar Manuel Alegre quando ele se candidatou à Presidência da República contra o candidato do PS Mário Soares?

A máquina do tempo: o episódio da Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921

Faz hoje 88 anos. Elementos republicanos radicais da Marinha e da G.N.R. desencadearam uma tentativa de golpe revolucionário. Gerou-se uma situação confusa e descontrolada em Lisboa no decurso da qual foram barbaramente assassinados o chefe do Governo, António Granjo, Carlos da Maia, Freitas da Silva e Machado Santos, o herói da Rotunda em 5 de Outubro de 1910.

 

 

  

Na foto acima, pode ver-se o governo de Granjo. Ele está ao centro de chapéu e barba. Onze anos após a proclamação da República os republicanos davam largas ao sectarismo e matavam-se entre si. As sementes do pronunciamento militar de 28 de Maio de 1926 estavam lançadas. O fim da I República aproximava-se. Porquê tanto ódio? A nossa máquina do tempo vai levar-nos até esse dia negro.

 

 

 

A I Grande Guerra deixara a Europa devastada e desmoralizada. As democracias liberais estavam desacreditadas e os regimes autoritários, capitalizando o fracasso dos governos democráticos, iam ganhando peso. Em Itália, Benito Mussolini e os seus camisas negras estavam a um passo do poder. Na Alemanha, digeria-se com dificuldade a humilhação imposta pelo Tratado de Versalhes e o nazismo ia nascendo nesse caldo de incontida raiva. Em Portugal, ultrapassados os episódios do consulado sidonista e da Monarquia do Norte, atravessava-se um período de particular instabilidade – os golpes revolucionários, sucediam-se e os governos eram derrubados uns atrás dos outros.

 

O escritor Raul Brandão caracterizava a situação como «uma marcha heróica para um cano de esgoto». Segundo Carlos Ferrão vivia-se «uma agonia colectiva e declínio nacional». Os grandes vultos da república estavam afastados – Afonso Costa exilara-se em Paris, Brito Camacho fora para Moçambique… António José de Almeida era o presidente da República. O chefe do Governo, desde 30 de Agosto, era António Granjo (1881-1921). Activo militante republicano, foi deputado, director do jornal República, ministro da Justiça e da Agricultura e quatro vezes presidente do Ministério. Poeta e combatente da Grande Guerra era um homem de grande coragem e vivacidade. Quer o presidente da República, quer Granjo, líder do Partido Liberal, tinham derrotado nas urnas o Partido Democrático.

 

Eram os militares apoiantes deste que agora se revoltavam. Naquele dia 19 de Outubro de 1921. Lisboa acordou com os tiros de mais uma revolução. Eram sete e dez e desde as cinco e quarenta e cinco que tropas da GNR haviam começado a ocupar pontos estratégicos da capital. Na Rotunda a Guarda, que à época era a força militar mais bem apetrechada, instalou artilharia pesada e obuses, com os quais começou a flagelar alvos hostis. Só na Rotunda, a GNR concentrou 7000 homens. Granjo foi com alguns dos seus ministros para o campo de aviação da Amadora. Apresentou a demissão do seu cargo ao presidente António José de Almeida que a aceitou.

 

Cerca das cinco da tarde regressou a Lisboa. A cidade estava em poder dos revoltosos e Granjo refugiou-se em casa de Cunha Leal, seu amigo e vizinho e seu ministro das Finanças. A casa do ministro estava vigiada e os revoltosos depressa souberam que Granjo ali estava. A situação política estava perdida. A revolta triunfara, com as tropas insurrectas ocupando todos os pontos-chave da cidade. Os ministros andavam fugidos. Manuel Maria Coelho, um nome mítico, o lendário tenente Coelho da revolução de 31 de Janeiro de 1891, agora no posto de coronel, comandava os revoltosos. Embora os acontecimentos trágicos daquela noite tivessem escapado ao seu controlo. Aliás, ninguém, nenhum partido ou organização reivindicou o horror que foi aquela noite em Lisboa; quase todos o condenaram.

 

A «camioneta fantasma» (da qual hei-de falar mais em pormenor) começava a sua sinistra tarefa dessa noite, transportando António Granjo e Cunha Leal para o Arsenal, junto ao Terreiro do Paço. José Brandão, o autor de «A Noite Sangrenta», um dos livros que melhor narra o que se passou e porque se passou, descreve de maneira viva e veraz o assassínio de Granjo: «O chefe do Governo, vencido, mantém até ao fim a coragem que o abatimento não excluiu. Salta os três degraus e, então, lança as suas últimas palavras, em que há ódio e resignação: – Já sei o que vocês querem! Matem-me, que matam um bom republicano!

 

Soou uma descarga; debaixo, corresponderam. António Granjo caiu ao comprido, vertendo sangue por inúmeros ferimentos. Estava ainda nas últimas convulsões quando um dos assassinos, que, no dizer da testemunha ocular, é um clarim da GNR, de desmedida estatura, sacou da espada e a cravou no estômago com violência tal que, atravessando o corpo, ficou presa no sobrado. Depois, friamente, o facínora, pondo o pé sobre o peito de António Granjo, sacou a arma e gritou triunfalmente, mostrando-a aos companheiros: – Venham ver de que cor é o sangue do porco!».

 

Como houve diversas testemunhas oculares dos crimes, sabe-se como tudo aconteceu. O que até hoje permanece um mistério, são as razões que conduziram a actos tão horrorosos. Vitoriosa a revolta, tendo Granjo pedido a demissão, por que motivo teve de ser eliminado fisicamente? Depois de ler muito sobre o tema, a minha explicação é a de que não há explicação – um atávico ódio de classe? Os assassinos eram gente do povo, soldados rasos ou de baixa patente, com leituras apressadas de escritos revolucionários; as vítimas eram senhores, bacharéis, oficiais.

 

Talvez fosse apenas isso (a luta de classes tem as costas largas). O livro de que já falei – «A Noite Sangrenta», do historiador José Brandão, vai tão longe quanto é possível na explicação. Sendo uma edição de 1991, creio que está esgotada. Talvez o possam encontrar em bibliotecas.

Ainda Ermelo (Mondim de Basto)

Imaginem um cenário, tipo Chicago, anos 30.

 

Chicago, "Inimigos Públicos", Johnny Depp

 

 Temos uma  Terra que é governada com mão de ferro por um poder institucional, mas que gere tudo com base na força, atemorizando a população. As situações semelhantes aos pagamentos que na Sicília são exigidos pela Máfia, repetem-se: pagar em milho, em batatas ou até através da força de braços.

Quando alguém refila tem dois caminhos: o físico ou o tribunal. Por isso, nessa Chicago imaginária haveria mais processos que eleitores.

Continuando neste cenário de BD, imagine ca@ leitor@, que há alguém que mesmo vivendo com medo, se aventura e se chega à frente – diz, alto e bom som, não tenham medo!

Ermelo, Mondim de Basto

 

Como em qualquer bom livro de BD, os quadradinhos e as tiras fazem a realidade parecer ficção e por isso no final o mordomo não é o culpado, mas os maus morrem.

Será que continua a haver medo?

Será que há ainda muito para saber relativamente a Chicago?

Será que o partido que dirige Chicago, o tal do Mr. Walk Rabbit, era capaz de nos dizer alguma coisa sobre este filme?

Eu por mim, continuo a ler livros e Ermelo só à distância!

Porque, car@s leitor@s, quem tem filhos precisa de saber que mais vale um cobarde vivo que um herói morto! Mesmo que seja na BD.

O estado da Justiça em Portugal

Hoje de manhã, faltei às aulas para ir a Tribunal. Um processo de dívida, que interpus contra uma editora de Paços de Ferreira para a qual trabalhei até 2007.

A audiência, que estava marcada há meio ano, não se realizou por dois motivos:

 

– porque não havia sala disponível para se fazer o julgamento.

 

– porque as testemunhas só foram notificados na última sexta-feira e, por isso, só vão receber a notificação depois da data.

 

O julgamento ficou agora marcado para Abril de 2010.

 

Depois disto, só apetece dar os Parabéns ao eng. Sócrates e ao dr. Alberto Costa pelo excelente estado da Justiça em Portugal.

O telefone não toca

Apesar de me ter preperado intensamente para a chamada, o telefone não toca. Aqui no Aventar, chamei repetidamente a atenção de Sócrates para os erros que estava a cometer. Falei-lhe nas PMEs, onde está o emprego e as exportações. Na dívida que não pára de crescer, no último lugar que já ocupamos novamente, na lista dos países mais pobres da UE.

 

Ao contrário, os seus amigos de estimação, empurraram-no para a política que o levou a perder as eleições Europeias, a perder 500 000 votos nas legislativas e a ser o segundo partido nas autárquicas. A alguns desses amigos "da fazenda" logo lhes arranjou um lugar de deputado (um deles já anda aí a ameaçá-lo ) a outros mantêm-os nas administrações das empresas (onde lhe arranjam grandes dores de cabeça) e agora liga-lhes para os convidar para o governo.

 

Que espera Sócrates, de tais amigos? Que lhe digam que o TGV é um desastre? Nunca dirão. Que o aeroporto pode ser construído por módulos? Que os contentores de Alcantara, por ajuste directo, é mais uma machada na credibilidade, já exangue, da sua pessoa? Nunca. Todos eles tentam adivinhar-lhe as ideias, as intenções, estar um passo à frente, ser mais "sócrista" que Sócrates!

 

E o país? Ou as ideias de Sócrates são sempres as melhores para o país? O que é bom para Sócrates é bom para o país? E as empresas que mamam sem cessar, tambem querem o bem para o país?

 

Então não era de bom senso ter alguem a chamar-lhe a atenção, a levantar a dúvida metódica, a travar-lhe o "animal feroz " que há em si?  Não há ninguem na oposição que

queira partilhar consigo o fardo pesado da governação?

 

Ou Sócrates prefere estar acompanhado para mandar sòzinho? Afinal nunca tem culpa de nada apesar de estar no governo desde 1995!

 

Se calhar tem razão!

Os militares portugueses vao à bola

Hoje de manhã, ouvi na TSF uma alta patente do Exército português, destacado na Bósnia, a dizer que gostava muito que Portugal jogasse contra a Bósnia no «play-off» de acesso ao Mundial da África do Sul e que fazia questão de receber os jogadores no seu quartel-general.

Nem de propósito, a Bósnia vai ser mesmo o adversário de Portugal. Presumivelmente, porque nestas coisas nunca se sabe, era o melhor adversário que a nossa Selecção podia encontrar, juntamente com a Eslovénia.

Estamos a uma distância muito curta de chegar ao Mundial. Acredito que vamos estar lá, por mais que Scolari peça à Senhora do Caravaggio para que tal não aconteça.

Um é sabido e o outro é anjinho?

Costuma dizer-se que "ou há democracia ou comem todos" o que parece (parece, já não sei bem) querer dizer que estamos todos em igualdade  perante a lei e os costumes. Não podemos exigir a um o que não exigimos a outro.

 

Vem isto a propósito do que aí vai entre os meus amigos PS quanto à questão da trapalhada com as palavras e os silêncios de Cavaco Silva, Presidente da República.

É óbvio, para todos, que há aqui uma questão mal explicada, acusações deturpadas, fontes interessadas, tentativa de intromissão nos resultados das eleições, tudo o que não deveria ter acontecido e muito menos com o envolvimento da Presidência da República.

 

Mas estes meus amigos, são os mesmos que defendem José Sócrates, Primeiro Ministro, de todas e quaisquer suspeitas nos diversos casos em que o Primeiro Ministro está envolvido.

 

Foi acusado? O tribunal já se pronunciou?

 

 

 

No Freeport aparecem envolvidos, tios e primos do Primeiro Ministro? Tudo natural.

 

Na Cova da Beira, o professor que passou o Primeiro Ministro a doze disciplinas ao domingo, é um dos acusados em tribunal por ter existido batota no concurso em que José Sócrates era o secretário de Estado de quem dependia a adjudicação? Normalíssimo!

 

José Sócrates falsificou as fichas na Assembleia da República? Normal!

 

Comprou uma casa a metade do preço e através de uma off shore? Normal!

 

Não há nada provado em tribunal, até lá todos são inocentes. Mas então isso não se aplica ao Presidente da República? Os índicios que nem tudo correu bem no caso das escutas, é razão bastante para transformar Cavaco no sr. silva e, no caso de Sócrates, não chega para lhe fazer crescer o nariz?

 

Há Democracia ou comem todos?

Sem ver passar os comboios

A história recente dos comboios em Portugal conta-se em duas linhas: o PSD tinha deixado tudo prontinho para privatizar, o PS prometeu investir mas nem sequer desmantelou o desmantelamento da empresa.

Hoje ficamos a saber que 232 km de linhas, das ferroviárias, vão ficar em obras (algumas ainda nem projectadas) e sem comboios, quando "a modernização da rede sempre se fez sem interrupção da circulação".

A Refer não investe, os lóbis das camionagens agradecem.

Num país onde se discute a alta velocidade, vulgo TGV, e se pára a baixa velocidade é a lógica do negócio que prevalece.

Esquecendo que além de menos poluente o comboio é um meio de transporte que só não tem futuro se o quiserem remeter para o passado.

Não sei porquê mas desconfio que se Motas & Lenas encontrassem aqui, e não nas estradas, uns concursos à mão de ganhar as coisas seriam diferentes. Quando todas as aldeias tiverem uma auto-estrada talvez as coisas mudem.

 

A máquina do tempo: lixo televisivo e lixo político?

 

Definamos telelixo, palavra que tenho utilizado, mas que (ainda) não vem nos dicionários. Diria talvez assim:

 

«Telelixo, s. m. – Forma de fazer televisão que se caracteriza por explorar a morbidez, o escândalo, os crimes, os aspectos mais sórdidos da natureza humana, tais como o sensacionalismo e outras aberrações, utilizando-as como instrumentos do aumento de audiências. O telelixo caracteriza-se ainda pelos temas que aborda, pelas personagens que coloca em primeiro plano, pela visão distorcida a que recorre para tratar esses temas e personagens.»

 

Um recente caso ocorrido num canal privado de televisão traz, quanto a mim, ao primeiro plano da actualidade nacional a questão do telelixo, pois reúne tudo o que de nocivo existe naquele conceito tabloidizado de informação e, a ser verdade o que consta sobre a causa próxima subjacente, põe a nu a fragilidade moral das estruturas do poder no nosso País. Lixo televisivo, eventualmente misturado com lixo político. Uma mistura explosiva.

*

  Todos estão ao corrente – uma jornalista foi suspensa das suas funções, facto que provocou indignação e mobilizou a solidariedade de alguns colegas de profissão e de consideráveis sectores de opinião. Diz-se que essa suspensão teria sido motivada pelo facto de se preparar para denunciar ilegalidades cometidas por uma alta figura da política. Se foi esse o motivo é de facto intolerável em regime democrático, pois configura uma acção censória ao mais puro estilo salazarento.

 

Porém, a tal senhora foi, ao longo da carreira, uma activa promotora de telelixo, realizando entrevistas sob o figurino de julgamento sumário, em que as perguntas continham já a resposta condenatória. O que se diz na definição do conceito de telelixo, acrescentando-lhe um desprezo absoluto pelo respeito devido às pessoas, pela veracidade e pela presunção de inocência, se aplica à dita senhora que, além da capa da «liberdade de expressão» se defende também com um falso conceito de «saudável agressividade».

 

Esta prática continuada de um jornalismo prostituído, ainda mais agrava a suspeitada intervenção política – fazendo há anos a senhora este tipo de jornalismo marginal a qualquer código deontológico, só foram tomadas medidas quando uma pessoa politicamente importante foi atingida. Enfim, repito, se foi despedida por lesar interesses obscuros de uma alta personalidade, isso é condenável. No entanto, deveria há muito ter sido despedida em nome do código deontológico da carreira jornalística. Em suma, estamos aqui perante três casos não miscíveis:

 

1 – Por um lado deveria averiguar-se se existiram pressões políticas sobre a administração da empresa para a despedir. Se as houve, deveria ir-se até às últimas consequências – a demissão do político em causa. Não podemos aceitar que, 35 anos depois de Abril, se silencie quem, com razão ou sem ela, incomoda o poder.

 

2 – Por outro, há muito que a senhora deveria ter sido sancionada, irradiada, pela sua organização de classe. É uma má jornalista, que envergonha os profissionais dignos desse nome.

 

3 – Finalmente, a estação em questão há muito também que deveria ter sido proibida pelo organismo competente, a ERC, de exibir conteúdos que configuram todas as formas possíveis de telelixo do mais tóxico. Por pressões factuais ou tentando evitá-las, tomou tardiamente e pelas piores razões uma medida que há muito se impunha. Umas coisas não desculpam as outras. A eventual pressão política, sendo extremamente condenável, não pode servir para branquear a recorrente desonestidade da jornalista e o tardio despedimento desta não iliba a administração da empresa das suas responsabilidades na contínua emissão de programas lesivos da saúde cultural e social do País.

 

Lixo cultural, lixo empresarial, lixo político – há aqui muita sujidade a limpar. Não continuemos a esconder este lixo sob o tapete do nosso comodismo e da abdicação dos nossos mais elementares direitos de cidadania.

 

*

 

Em Espanha onde, pelos vistos, as coisas não vão melhor, circula um manifesto exigindo a aplicação de medidas contra a emissão de telelixo. Assumindo-se como uma «Plataforma para uma televisão de qualidade», é apoiada pela Associação de Utentes da Comunicação, pela União Geral de Trabalhadores, pelas «Comisiones Obreras», pela Confederação Espanhola de Mães e Pais de Alunos, pela União dos Consumidores de Espanha e pela Confederação das Associações de Moradores de Espanha.

 

Muito do que aqui digo a seguir, não sendo uma tradução literal, foi inspirado naquele manifesto. E não seria mau que fôssemos pensando numa iniciativa semelhante, concitando o apoio de associações de pais, organizações de defesa dos consumidores e dos ecologistas, porque o telelixo é extremamente poluente. Enfim, teria de ser uma amplo movimento de opinião dirigido, sobretudo, aos cidadãos em geral, porque, antes de mais, o telelixo e sua proliferação coloca um sério problema de cidadania, minando e pondo em perigo os próprios alicerces da Democracia.

 

*

O objectivo dos promotores do telelixo é encontrar um mínimo denominador comum que permita atrair um grande número de espectadores. Para tal, utilizam qualquer tema de interesse humano, seja um acontecimento político ou social, como mero pretexto para desencadear aquilo que consideram ser os elementos básicos para a atracção da audiência – sexo, violência, sentimentalismo, humor grosseiro, superstição, muitas vezes de forma sucessiva e recorrente dentro do mesmo programa. Sob uma hipócrita aparência de preocupação e denúncia, os programas de telelixo deleitam-se com o sofrimento, com as demonstrações mais sórdidas da condição humana, com a exibição gratuita de sentimentos e de comportamentos íntimos.

 

O telelixo, conta também, com uma série de ingredientes básicos que o transformam num factor de aculturação e de desinformação, bem como um obstáculo para o desenvolvimento de uma opinião pública livre e devidamente fundamentada. Segue-se uma lista desses ingredientes.

 

O reducionismo, com explicações simplistas dos assuntos mais complexos, facilmente compreensíveis, mas parciais ou contendo orientações determinadas. Uma variante deste reducionismo consiste no gosto das teorias da conspiração de não se sabe bem que poderes ocultos, que muitas vezes servem de álibis a determinadas personalidades e grupos de pressão no seu trabalho de intoxicação.

 

A demagogia, que consiste em apresentar todas as opiniões como equivalentes, independentemente dos conhecimentos ou dos fundamentos éticos sobre os quais se apoiam. Para tal, contribuem a realização de supostos debates, entrevistas e inquéritos, que mais não são do que simulacros de verdadeiros debates, entrevistas e inquéritos, e que longe de lançarem luz sobre os problemas apenas contribuem para consolidar a ideia do «vale tudo».

 

A demagogia tem uma variante: o desenvolvimento de mensagens esotéricas, milagreiras e paranormais, apresentadas de forma acrítica e num mesmo plano de realidade que os argumentos científicos. O desprezo pelos dir
ei
tos fundamentais, tais como a honra, a intimidade, o respeito, a veracidade ou a presunção de inocência, cuja infracção não pode em nenhum caso ser defendida sob a capa da «liberdade de expressão». Este desprezo desemboca na realização de «juízos paralelos», no abuso do sensacionalismo e do escândalo; na apresentação de testemunhos supostamente verdadeiros, mas que na realidade provêm de «convidados profissionais».

 

E, claro, na apoteose de uma televisão de trivialidade, baseada no protagonismo das personagens do mundo cor-de-rosa, cujas insignificâncias e conflitos sentimentais, tratados descaradamente de forma sensacionalista, são outro dos ingredientes deste molho infecto. O problema é ainda mais pungente quando este tipo de conteúdos são difundidos através do canal de serviço público, cuja obrigação moral e legal é o de fornecer produtos, ética e culturalmente, solventes. O telelixo nada inventou: a lisonja fácil ao espectador, o gosto pelo sensacionalismo, vêm muito de trás. Porém, na actualidade, a enorme influência social dos meios de comunicação de massas, aumenta de forma exponencial os efeitos negativos deste tipo de mensagens.

 

O telelixo encontra-se num momento ascendente do seu ciclo vital, como um cancro cujas metástases invadem todo o tecido social, impedindo que grelhas de outros modelos de informação mais respeitadores da verdade e do interesse colectivo surjam e se expandam.

 

*

Tudo o que no referido manifesto se alega para mobilizar esforços que combatam este tipo de negócio e todos os seus agentes é válido no nosso País. Num próximo texto esboçarei um manifesto para cujo aperfeiçoamento solicito a ajuda de quantos estejam de acordo em que é preciso fazer alguma coisa para que a televisão, factor tão importante de informação, cultura, entretenimento, mude em Portugal.

 

A máquina do tempo: a «Noite Sangrenta»

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Faz hoje 88 anos. Elementos republicanos radicais da Marinha e da G.N.R. desencadearam uma tentativa de golpe revolucionário. Gerou-se uma situação confusa e descontrolada em Lisboa no decurso da qual foram barbaramente assassinados o chefe do Governo, António Granjo, Carlos da Maia, Freitas da Silva e Machado Santos, o herói da Rotunda em 5 de Outubro de 1910. Na foto acima, pode ver-se o governo de Granjo. Ele está ao centro de chapéu e barba.

Onze anos após a proclamação da República os republicanos davam largas ao sectarismo e matavam-se entre si. As sementes do pronunciamento militar de 28 de Maio de 1926 estavam lançadas. O fim da I República aproximava-se. Porquê tanto ódio? A nossa máquina do tempo vai levar-nos até esse dia negro.

A I Grande Guerra deixara a Europa devastada e desmoralizada. As democracias liberais estavam desacreditadas e os regimes autoritários, capitalizando o fracasso dos governos democráticos, iam ganhando peso. Em Itália, Benito Mussolini e os seus camisas negras estavam a um passo do poder. Na Alemanha, digeria-se com dificuldade a humilhação imposta pelo Tratado de Versalhes e o nazismo ia nascendo nesse caldo de incontida raiva.

Em Portugal, ultrapassados os episódios do consulado sidonista e da Monarquia do Norte, atravessava-se um período de particular instabilidade – os golpes revolucionários, sucediam-se e os governos eram derrubados uns atrás dos outros. O escritor Raul Brandão caracterizava a situação como «uma marcha heróica para um cano de esgoto». Segundo Carlos Ferrão vivia-se «uma agonia colectiva e declínio nacional».
Os grandes vultos da república estavam afastados – Afonso Costa exilara-se em Paris, Brito Camacho fora para Moçambique… António José de Almeida era o presidente da República. O chefe do Governo, desde 30 de Agosto, era António Granjo (1881-1921). Activo militante republicano, foi deputado, director do jornal República, ministro da Justiça e da Agricultura e quatro vezes presidente do Ministério. Poeta e combatente da Grande Guerra era um homem de grande coragem e vivacidade. Quer o presidente da República, quer Granjo, líder do Partido Liberal, tinham derrotado nas urnas o Partido Democrático. Eram os militares apoiantes deste que agora se revoltavam.

Naquele dia 19 de Outubro de 1921. Lisboa acordou com os tiros de mais uma revolução. Eram sete e dez e desde as cinco e quarenta e cinco que tropas da GNR haviam começado a ocupar pontos estratégicos da capital. Na Rotunda a Guarda, que à época era a força militar mais bem apetrechada, instalou artilharia pesada e obuses, com os quais começou a flagelar alvos hostis. Só na Rotunda, a GNR concentrou 7000 homens.

Granjo foi com alguns dos seus ministros para o campo de aviação da Amadora. Apresentou a demissão do seu cargo ao presidente António José de Almeida que a aceitou. Cerca das cinco da tarde regressou a Lisboa. A cidade estava em poder dos revoltosos e Granjo refugiou-se em casa de Cunha Leal, seu amigo e vizinho e seu ministro das Finanças. A casa do ministro estava vigiada e os revoltosos depressa souberam que Granjo ali estava.

A situação política estava perdida. A revolta triunfara, com as tropas insurrectas ocupando todos os pontos-chave da cidade. Os ministros andavam fugidos. Manuel Maria Coelho, um nome mítico, o lendário tenente Coelho da revolução de 31 de Janeiro de 1891, agora no posto de coronel, comandava os revoltosos. Embora os acontecimentos trágicos daquela noite tivessem escapado ao seu controlo. Aliás, ninguém, nenhum partido ou organização reivindicou o horror que foi aquela noite em Lisboa; quase todos o condenaram.
A «camioneta fantasma» (da qual hei-de falar mais em pormenor) começava a sua sinistra tarefa dessa noite, transportando António Granjo e Cunha Leal para o Arsenal, junto ao Terreiro do Paço.

José Brandão, o autor de «A Noite Sangrenta», um dos livros que melhor narra o que se passou e porque se passou, descreve de maneira viva e veraz o assassínio de Granjo: «O chefe do Governo, vencido, mantém até ao fim a coragem que o abatimento não excluiu. Salta os três degraus e, então, lança as suas últimas palavras, em que há ódio e resignação: – Já sei o que vocês querem! Matem-me, que matam um bom republicano! Soou uma descarga; debaixo, corresponderam. António Granjo caiu ao comprido, vertendo sangue por inúmeros ferimentos. Estava ainda nas últimas convulsões quando um dos assassinos, que, no dizer da testemunha ocular, é um clarim da GNR, de desmedida estatura, sacou da espada e a cravou no estômago com violência tal que, atravessando o corpo, ficou presa no sobrado. Depois, friamente, o facínora, pondo o pé sobre o peito de António Granjo, sacou a arma e gritou triunfalmente, mostrando-a aos companheiros: – Venham ver de que cor é o sangue do porco!»

Como houve diversas testemunhas oculares dos crimes, sabe-se como tudo aconteceu. O que até hoje permanece um mistério, são as razões que conduziram a actos tão horrorosos. Vitoriosa a revolta, tendo Granjo pedido a demissão, por que motivo teve de ser eliminado fisicamente? Depois de ler muito sobre o tema, a minha explicação é a de que não há explicação – um atávico ódio de classe? Os assassinos eram gente do povo, soldados rasos ou de baixa patente, com leituras apressadas de escritos revolucionários; as vítimas eram senhores, bacharéis, oficiais. Talvez fosse apenas isso (a luta de classes tem as costas largas).
O livro de que já falei – «A Noite Sangrenta», do historiador José Brandão, vai tão longe quanto é possível na clarificação. Sendo uma edição de 1991, creio que está esgotada. Talvez o possam encontrar em bibliotecas.

Como Se Fora Um Conto – Uma Língua Falada… Uma Nação com… Um País Subdesenvolvido

UMA LÍNGUA FALADA POR DUZENTOS MILHÕES DE PESSOAS.

UMA NAÇÃO COM QUINZE MILHÕES DE GENTE AMBICIOSA E TRABALHADORA.

UM PAÍS SUBDESENVOLVIDO

Estão na moda os jogos de computadores. Há-os de todos os géneros.

Em alguns, é até possível construir uma vila, uma cidade, um país ou uma vida, virtuais e paralelos aos existentes.

Assim, comecei a imaginar, sem jogo nem computador, o meu país de sonho, com as minhas cidades de sonho, e que vida aí poderia ter.

Comecei devagar, delineando a situação geográfica e climática. Poderia ficar situado no hemisfério norte e com um clima temperado. Isto do clima é importante porque ninguém gosta de extremos e eu muito menos. Temperaturas nem altas de mais, nem baixas de mais, nem muita chuva nem chuva a menos. Temperaturas negativas só mesmo nas terras mais altas, que eu queria que tivesse, onde a neve caísse e eu pudesse brincar com ela. Temperaturas altas também, mas sem passar os trinta e poucos no pico do verão para poder ir a banhos, à praia ou à piscina. Para isso seria preciso, ter montanha, uma serra pelo menos, ou duas, razoavelmente altas para ter neve, e outras mais baixas para fazer montanhismo que é coisa que gosto muito, e mar, muito mar com praias de areia. Não queria ter a temperatura da água do mar muito baixa, mínimo de quinze ou dezasseis graus, nem muito alta, aí até aos vinte e dois, que tomar banho em sopa não gosto muito. Já agora colocava de onde a onde, rios, riachos, ribeiros, lagoas, albufeiras, rias, e mais que fosse com água, nas mais diversas situações de terreno, desde planícies até gargantas fundas entre montanhas. Colocava serras e montes das mais variadas configurações, com vertentes viradas para todos os pontos cardeais, grandes planícies e planaltos diversos. Fazia com que o meu país, fosse diminuindo de altitude até acabar à altura do mar, com alguns pontos altos, promontórios, com o mar a bater lá em baixo para que a costa fosse menos monótona e ganhasse encanto. Não queria um país muito grande, aí uma coisa com cerca de cem mil metros quadrados e com menos de dois mil quilómetros de costa marítima. Aproveitava também para colocar umas quantas ilhas, de diversos tamanhos e características, onde as pessoas pudessem viver de forma diferente umas das outras, e até melhor, se assim o entendessem.

Acabado de construir a parte física do meu país, colocava-lhe gente afável, acolhedora, algo ambiciosa, com um bom ambiente social, com um nível de segurança elevado, não esqueçamos que seja onde for a criminalidade aparece, por todo o lado gente inteligente, trabalhadora e competente. Para aí uns quinze milhões de pessoas, sendo que um terço delas trabalharia e viveria fora do país, para que de uma maneira ou de outra, ajudassem os que aqui ficam, com dinheiro, conhecimentos externos, novas vivências etc.. Para completar, fazia-os falar uma língua que mais uns duzentos milhões de pessoas também falassem no mundo inteiro, para que pudessem estar bem acompanhados nas relações internacionais.

Como o país tem um clima maravilhoso de contrastes temperados, a agricultura seria pujante. Seríamos auto-suficientes na carne, nos legumes, no vinho, na água, no leite, no azeite, e em todos os outros arigos necessários à sobrevivência. Com uma costa tão grande seria impensável que não tivéssemos uma frota pesqueira à altura, pelo que também de peixe e seus derivados, estaríamos bem servidos.

A nossa economia seria florescente, pois que com esta capacidade produtiva o comércio e a industria estariam em alta, com uma estrutura productiva de primeira água. As exportações para outros países seriam uma constante. Como temos uma costa marítima tão grande, a nossa frota mercantil seria uma das maiores, sendo os nossos portos centros nevrálgicos de saída e entrada de mercadorias de e para todo o mundo. Por via disso, os transportes e comunicações ferroviários e terrestres, seriam rápidos, seguros, modernos e eficazes.

Já agora que estou nesta construção virtual, dava ao meu país uma história cultural com muitos séculos, e um património em conformidade com esse tempo todo.

As cidades, as vilas e as aldeias, seriam bonitas, arejadas, com um nível de qualidade de vida superior, e governadas por pessoas dedicadas à coisa pública. A vontade de bem servir seria apanágio de todos os dirigentes e governantes. A seriedade nas relações, a educação esmerada, e as poucas diferenças sociais, fariam com que a corrupção não existisse. O governo geral, trabalharia para o bem do país, no seu todo, e não para só para o bem de alguns.

As pessoas viveriam felizes …

Aqui parei. Afinal estava a falar do meu País, já construído, já feito, já existente.

A grande diferença para o que eu construí, estava só nas pessoas que dirigem e governam, o resto era tudo igual.

As pessoas do meu País real, são da mesma forma trabalhadeiras, acolhedoras, inteligentes, ambiciosas e pacíficas. Mas as pessoas que nos governam e nos dirigem, e mandam, são incultas, incapazes e com características autistas, asfixiam a economia, destruíram a agricultura salvando-se por pouco a vitivinicultura, acabaram com as pescas o que é uma vergonha para um País que com a costa que tem deveria estar virado para o mar, não têm objectivos estratégicos, deixaram que a estrutura productiva ficasse velha e caduca, permitiram que o turismo, continuasse sazonal e fraco apesar das enormes potencialidades do nosso território. As pessoas que nos governam e nos dirigem tentam transformar-nos em cidadãos quase medíocres, e nós vamos deixando.

Poderíamos ser um dos países mais ricos do mundo, aproveitar a força trabalhadora dos quinze milhões da nossa nação, e a classe dirigente transformou-nos em subsídio dependentes e nos coitadinhos da Europa. Somos um País sub-desenvolvido, onde os interesses, a corrupção e o compadrio fazem parte do dia-a-dia. Os nossos emigrantes, um terço da nação, quase esqueceram o seu país de origem, e são altamente produtivos e bem considerados nos seus países de acolhimento, e as segundas gerações quase não sabem quem nós somos. O País abandonou-os.

Podíamos ser um dos países mais ricos e evoluídos do mundo, como no meu sonho virtual, mas não somos, e a culpa é só nossa, que nos deixamos levar e governar assim.

A míuda deve estar mais crescida, já se vê lá de cima

Imagens de satélite poderão ajudar a descobrir Maddie

Piada à parte, o Grande Irmão já fotografa com uma resolução tão elevada que não tem piada nenhuma. E sempre a olhar para nós, o sacana, será que olha por nós?

Diário da Assembleia – 2.ª Sessão

José Manuel Pureza quis mostrar ao que vinha logo de início. O novo líder do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda apresentou uma série de diplomas, entre os quais a regulação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Vai ser engraçado ver qual vai ser o sentido de voto do Partido Socialista. E vai ser interessante ver quem é realmentre de Esquerda no Parlamento… 

Quem é o Xepa?

O Xepa é hoje um dirigente muito conhecido de um grande do futebol português.

Não sei por que razão lhe começaram a chamar Xepa. Provavelmente porque na altura dava uma telenovela brasileira, a D. Xepa.

Ele detestava que lhe chamassem Xepa. Para chateá-lo, os rapazes gritavam sempre que ele passava, «Ó Xepa!», e ele corria atrás deles furioso.

Entretanto, os anos passaram e voltei a ver o Xepa a televisão a jogar futebol. Agora, como dirigente, vejo-o menos.

Quem é o Xepa? 

FutAventar – Pena o Liedson ser fiel ao golo

Se Liedson não fosse tão fiel à função para que lhe pagam, o drama que se desenvolve em Alvalade tinha terminado hoje. A diferença entre as equipas foi aquele golo, a aproveitar um erro infantil de um defesa Penafidelense.

Uma equipa que joga um futebol íncrivelmente mau, tão mau que leva a pensar que há mais qualquer coisa para além do que está à vista.

Estiveram no estádio 9 000 pessoas tantas quantas em Monsanto, na véspera, o que diz tudo sobre o que pensam os sportinguistas. Bem podem fazer assembleias, pois se querem saber o que pensam os sportinguistas basta contá-los nos jogos.

Mau, muito mau!