World Press Photo – o arquivo

World press photo of the year 2003 A partir de hoje está disponível online um arquivo com cerca de dez mil imagens do World Press Photo. O melhor do fotojornalismo desde 1955, ano em que esta organização começou a atribuir prémios às melhores fotografias publicadas na imprensa de todo o mundo. Boa parte das fotos vencedoras de cada ano são, infelizmente, retratos do horror em distintas latitudes, testemunhos arrepiantes da história da humanidade ao longo das últimas décadas.  E este é também o valor, para além da qualidade técnica e artística, deste arquivo.

DOIS INOFENSIVOS COMENTÁRIOS, UM A BELINA MOURA E OUTRO A DANIELA MAJOR

Belina:
“Será que tenho um problema por estar constantemente a pensar em sexo?”
Não Belina, não há qualquer problema. Há estudos credíveis que dizem que os dois mais importantes factores que contribuem para uma boa saúde física e mental, bem como para uma  maior longevidade são a actividade mental e a actividade sexual. Claro que não é preciso estar constantemente a pensar no mesmo, mas sempre que possível é bom e eficaz. Nunca um problema.

Daniela Major.
Cara Daniela, a pontuação num texto, nomeadamente a colocação das vírgulas é imprescindível na literatura. Não se pode brincar com isso. Conhece, certamente, a seguinte história: “Um caçador tinha um cão, e a mãe do caçador era também o pai do cão”, bem diferente de “Um caçador tinha um cão e a mãe, do caçador era também o pai do cão”.

FUTAventar – cobras e lagartos

Foi tão mauzinho o jogo desta noite que em vez de leões só se viram lagartos. O Tonel lá entrou e a equipa tornou a não sofrer golos, esperemos que o Paulo Bento o tire da equipa rapidamente porque sem aqueles golos de cabeça dentro das balizas da lagartagem ninguem goza nada.

O Veloso ,que deve ser o único jogador do Sporting que está a jogar alguma coisa, foi desviado para defesa esquerdo, depois de o Paulo Bento ter queimado o Grimi no Dragão, pondo-o a jogar após 7 meses de lesão.

O Caicedo tem a grande arma de atropelar os adversários o que dá muita alma ao resto da equipa, vendo metade da equipa adversária de rastos.

A assistência ficou-se pelos vinte e tal mil cobras e lagartos que bem podiam ter ficado em casa a ver outros felinos, que são bem mais interessantes.

Acabou tudo com uma assobiadela monstruosa, o que é injusto, porque a equipa ganhou e espero, digo espero, que não esperem que a equipa além de ganhar ainda tenha que jogar bem!

TRANSCREVO UM BELO TEXTO DE EVA CRUZ, PROFESSORA APOSENTADA

Reflexão sobre o Ensino-Aprendizagem

Foi publicada no jornal “O Labor” de 17 de Setembro parte de uma entrevista, a pedido deste jornal, sobre a minha opinião acerca do Ensino.
Considerando que a jornalista Anabela S. Carvalho retirou a essência das minhas palavras, devo, no entanto, explicar melhor, se é que aos leitores interessa, a minha maneira de ver o processo Ensino- Aprendizagem.
Leccionei 36 anos, aposentei-me há nove. Vivi intensamente todas as reformas, algumas revolucionárias, de todo este processo. Continuo a interessar-me por esta matéria, mas, confesso, sem o afinco e a devoção com que a acompanhei quando estava no activo.
Fui aluna no Velho Regime, passei pelos crivos apertados de um liceu Carolina Michaëlis, de uma Universidade de Coimbra, formatei-me no Estágio Clássico, fiz Exame de Estado, leccionei e tive cargos na organização direccional da Escola Velha, como a considero.
Apesar de reconhecer que foi essa Escola que me deu o saber, julgo que foi também ela que, com os seus defeitos, me abriu os olhos e a mente para desejar que nunca regresse. Digo isto, porque a atoarda de que” noutros tempos, sim”, de que “hoje não há respeito por nada, nem por ninguém”, traduz, em alguns casos, um saudosismo de uma Escola que já não serve. A Escola do Velho Regime tinha muitos defeitos. Potenciava e gerava desigualdades, desprotegia os mais fracos, calava as ideias e camuflava a verdade com a hipocrisia.
Surgiu a Revolução do 25 de Abril, que pôs fim a uma ditadura obsoleta e a uma guerra cruel que deixou marcas profundas na pele dos que com ela sofreram, como foi o meu caso. Brilhou então a luz, e o sol entrou na escola inóspita e bolorenta, transformando-a. A Escola Democrática foi assim sendo construída passo a passo por professores, sindicatos, ministérios, alunos e outros intervenientes no processo. Surgiu a Lei de Bases do Sistema Educativo, conquistou-se o Estatuto da Carreira Docente, criaram-se órgãos pedagógicos importantes e a gestão Democrática da Escola. Foram 35 anos de lutas e conquistas de grandes pedagogos, grandes pensadores e corações generosos, rumando à construção de uma Escola Nova, a Escola do Saber Ser, assente em projectos de cidadania e felicidade humana.
Sabem hoje todos os professores e alunos que apontaram o barco nesse rumo, avaliar o que a Escola actual vai perdendo. Digo isto porque, apesar de um pouco alheada do Ensino, vejo sucederem tantos atropelos e tanta conquista ir por água abaixo, sem saber a troco de quê. Só a título de mero exemplo, em que é que incomodava uma Gestão Democrática?! E porquê o Director? Saudades do velho Reitor?! O modelo da Gestão Democrática tinha algumas lacunas, mas este é pior, porque concentra o poder numa só pessoa. Um órgão colegial serve melhor a democracia, distribuindo e equilibrando poderes. Fora os outros perigos que daí hão-de resultar. Ao que parece, nem benefícios económicos tal alteração trouxe para o país.
Há sem dúvida uma visão tecnocrática da Escola. Hierarquiza-se, burocratiza-se, rotula-se em rankings, manipulando estatísticas, desenvolvendo competições com causas e consequências negativas para um Ensino sério. A Escola não é uma empresa. É uma organização com um estatuto muito próprio, onde os recursos materiais e humanos têm de ser orientados de forma singular no sentido de conseguir os seus nobres objectivos – formar pessoas, seres livres e pensantes.
Quanto à avaliação, há necessidade de saber distinguir entre avaliação e classificação. Sou pela primeira e contra a segunda. A avaliação teve sempre para mim uma carga valorativa e pedagógica, em detrimento da carga punitiva.
Avalie-se antes de mais o Sistema, incluindo os Ministérios e os Ministros da Educação. A arrogância não leva ao diálogo, nem ao esclarecimento. Ministros há que nem a sua própria língua usam com correcção. Erros de conjugação de verbos e de construção de frases não abonam a favor de ninguém, em campo nenhum e muito menos no da Educação.
Avalie-se a Escola. Avaliem-se os professores, exigindo na sua formação, não só a vertente científica mas também a humana.
Para além de saber a ciência que ensina, o professor tem de ser um bom pedagogo. Para além de outros atributos, o professor tem de saber exprimir-se bem por escrito e oralmente. O escrever e falar bem não deve ser apanágio só dos professores das Humanidades, mas de todos. Há profissionais tecnicamente competentes mas incapazes de passar o seu pensamento para um texto escrito ou discurso oral. Exprimir-se bem resulta de pensar bem. Aí se revela o espírito de análise, de síntese, de concatenação de ideias, de lógica, de ordem. E é preciso criar nos alunos essas competências de escrever e falar bem.
Aposte-se no perfil do professor. Exija-se na sua formação inicial e contínua, mas com seriedade. Valorize-se a profissão. Vale a pena o investimento. Melhorando a Educação, melhora a Saúde, a Justiça, melhora a Vida.
É preciso dar à Escola capacidade para ver mais longe, com outra amplitude, a fim de, analisando em profundidade e com verdade, apostar numa nova ética da Educação.

Eva Cruz

Pois não, pois não…

Não é todos os dias, é só dia sim, dia não….

Quem criou e para quê a Empresa Frente Tejo?

O que se discortina nos objectivos desta empresa é retirar à Camara Municipal de Lisboa a propriedade e a gestão dos terrenos da frente Tejo, que têm um valor incalculável e, com isso, retirar esses terrenos do âmbito do PDM da cidade.

Para alguem ficar com as mãos livres, portanto. O lugar de Presidente da empresa é tão apetecível que o governo convidou José Miguel Judice que aceitou, deixando o seu escritório de advogado, um dos tais três que, na sua opinião, deveriam ser sempre consultados pelo governo para as empreitadas de consultoria.

Tudo isto na altura em que Santana Lopes era o presidente da câmara. Logo que substituído por Costa as coisas não andaram e Júdice acabou por recusar o lugar, não chegando a execer . Parece estarmos aqui perante um “by pass” à câmara que deixou de ser necessário quando alguem da mesma cor política foi para o lugar.

Por outro lado há a APL que tem como função gerir o porto de Lisboa (conforme indica o próprio nome) mas que não deixa de apresentar projectos megalómanos tambem para a frente do rio.

Não seria de bom tom sabermos exactamente o que se passa, quem é quem e quem faz o quê?

Aí está um bom tema de campanha!

aftermath: joão pinto 1 – municípios 0

woodstockufa. até que enfim. e eu a pensar que as eleições municipais são sempre uma seca. uma espécie de corridinha de caciques. ai não. ora vejam. o distrito de aveiro tem um concelho chamado murtosa. eu gosto muito da murtosa. fui muito bem tratado por toda a gente da câmara da murtosa e pelos seus habitantes que me interpelavam na rua a perguntar o que é que eu andaria por lá a fazer. os murtosianos são muito simpáticos, acreditem! nesta bela terra nasceu há 52 anos o cidadão joão pinto. 52 anos depois joão pinto vive no porto e é o candidato à câmara municipal do porto pelo PCTP-MRPP. é membro do partido desde 1974. é o responsável do partido pela zona norte. não é um candidato qualquer. tem ideias originais. contrariamente a rui rio, elisa ferreira, rui sá e joão teixeira lopes, joão pinto quer ser presidente da câmara para acabar com os presidentes e as câmaras. do programa revolucionário que diz apresentar, três ideias se destacam:

1. os autarcas deveriam ganhar o mesmo que o «rendimento médio dos cidadãos do respectivo círculo eleitoral.» (!) logo, o autarca de lisboa ganharia substancialmente mais que o autarca de miranda do douro. o quê ?

2. o Governo Civil deveria sair da cidade do porto porque seriam «mal-vindos … representantes dos governos que mantêm tropas de ocupação noutros países.» (!) logo, os perigosos governadores civis devem abandonar o país, bem como todos os outros representantes do governo e, por acréscimo, pensamos nós, os próprios governantes do governo. para onde ? não se diz.

3. o porto não deve ser governado pela câmara do porto mas sim por um «órgão supramunicipal, escolhido por eleição directa, e que englobe, no mínimo, os municípios da Área Metropolitana.» mais: «as câmaras desapareciam, assim como as juntas de freguesia, sendo substituídas por um órgão intermédio, para tratar dos problemas locais». muito bem. apenas uma pergunta fica no ar: esse tal órgão intermédio para tratar os problemas locais podería ser uma câmara não chamada câmara ou uma junta de freguesia não chamada junta de freguesia ? fica a questão.

vejamos as consequências de uma possível vitória de  joão pinto: se se extingue a câmara não há presidente e logo o problema do rendimento deixa de se pôr. aliás, não se percebe por que carga de água o próprio candidato o põe. enfim. adiante. o governador civil e todos os conjurados são convidados a dar uma volta ao bilhar grande e provavelmente não os deixam viver neste país que «mantêm tropas de ocupação noutros países». o quê ? não interessa. adiante. a cidade do porto será finalmente governada por um tão aspirado órgão regional que deve ir muito para além da área metropolitana e por um órgão intermédio que, por consequência, não deve ir para além da área metropolitana ou talvez para além da área municipal. percebem ? eu não.

no que me diz respeito, só peço uma coisita ao cidadão joão pinto no que respeita ao alargamento geo-político da coisa: deixe lá a murtosa continuar a ser município, por favor !

ass. anarquista do vale

ps: a fonte para este «post» foi a reportagem de patrícia carvalho, tal e qual vem publicada no jornal público de 1 de outobro de 2009. sobre a veracidade ou não das propostas, faço como pilatos …

imagem: woodstock 1969

Galamba, Galambinha, Galambeta

Galamba, o da Entidade de Contas, veio dizer que o PCTP/MRPP, apesar de ter conseguido mais de 50 mil votos, não iria ter direito a subvenção estatal, uma vez que não tinha eleito nenhum Deputado. Puro desconhecimento da lei, que diz claramente que «é também concedida aos partidos que, tendo concorrido à eleição para a Assembleia da República e não tendo conseguido representação parlamentar, obtenham um número de votos superior a 50000, desde que a requeiram ao Presidente da Assembleia da República».
É verdade que não interessa patavina aquilo que Galamba diz. Como dizia Daniel Oliveira há uns tempos, a propósito de outro assunto, «Galamba não interessa para a história». E lá teve Galamba de meter a viola ao saco.
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Declaração de interesses: Votei Garcia Pereira nas últimas Eleições Presidenciais.

Cartazes das Autárquicas (Castelo Branco)

morão
Joaquim Morão (actual Presidente), PS. (enviado pela nossa leitora Margarida Salavessa)

Até tu, ó Brutus?

Vi o jogo por alto, entretido que estava a escrever umas coisas mais importantes para o Aventar. Já a seguir o aventador João Paulo, benfiquista eufórico, se encarregará de dar a visão benfiquista da coisa.
Quanto a mim, só posso dizer que o Benfica está sem dúvida melhor do que na época passada. Em 2008/2009, levou 5 na Grécia. Desta vez, perdeu apenas por um. Desta vez, nem Jesus lhe valeu. E consta que, no fim, Júlio César virou-se para Majstorovic, o autor do golo, e disse: «Até tu, ó Brutus?»
Era uma graça. Não se amofinem, amigos benfiquistas, não passa de um jogo de futebol.

Sampaio e Alegre desta vez

Na primeira vez tivemos Mário Soares e Alegre, agora prepara-se Jorge Sampaio para se opor a Manuel Alegre. De um lado o PS carreirista, das estruturas do Partido, do outro o PS de esquerda que se sente marginalizado por Sócrates.

O PS que organiza petições de independentes de esquerda a pugnar por um governo de coligação com o PCP e o BE, e o outro, que hesita com o CDS de Portas. Dois partidos dentro do mesmo partido que se mantem unido no essencial, enquanto permanecer e gozar as prebendas do poder.

Alegre sabe que se o PS fizer governo de coligação com o CDS o apoio não está garantido, Cavaco espreita, mas o pleno na esquerda em coligação garante-lhe a presidência. Daí que Sampaio apareça como alternativa que o CDS poderá encarar sem perder a face.

A outra questão é saber que acordo têm Alegre e Sócrates. Alegre saiu das listas de deputados para erguer uma voz mais independente que alargue a sua influência para além do PS, mas isso não o impediu de se juntar a Sócrates na campanha nas legislativas. Saiu sem qualquer garantia?

Os dados estão a ser lançados em frente aos nossos olhos mas os trunfos não estão confirmados, antes de tudo é preciso saber que governo vamos ter. Coligações pontuais a nível parlamentar caso a caso com todos e cada um dos partidos que dão maioria ou coligação de governo ? Com o CDS ou com o PCP e BE ?

Esta última está a ser fortemente atacada por quem avança com o nome de Sampaio. Alegre ,por sua vez, avisa, e com razão que um governo com o CDS esfrangalha o partido! Levar o PCP para o governo é ultrapassar uma das últimas barreiras que ficaram de 25 de Novembro de 1974.

É a vossa vez, meus senhores!

Amarante a cheirar a merda

Filme bem elucidativo: ver aqui

“Hoje que é domingo (27/09) e dia de eleições legislativas de 2009, em pleno centro histórico de Amarante, exactamente em frente à porta do Santo, o esgoto cumpriu mais uma vez, pronta e plenamente, o serviço de evacuação emergente no rio Tâmega. Tanto monta que a m-e-r-d-a siga o percurso na insuficiente e debilitada rede de saneamento ou seja aliviada sob o olhar incrédulo de quem passa e visita a cidade, seja qual for o dia da semana ou o mês do ano, se o destino do eflúvio em trânsito seria sempre o mesmo, quando na passagem só sobrecarregaria a ‘nova’ e já esgotada ETAR de Amarante.
Eram pelas 16H00. Enquanto a descarga eleitoral se mostrava nas urnas pouco concorrida o esgoto no centro urbano de Amarante fazia o seu abundante escrutínio. Com o superior enquadramento de dois monumentos nacionais (Ponte e Convento), no Largo de São Gonçalo (Praça da República), saído em jorro do alto da parede granítica a espelhar no rio Tâmega, o cenário do esgoto não podia registar melhor (pior) sinal da sua republicana existência. O som da descarga caída livremente sobre o metálico passeio pedonal e batida na pedraria granítica das rochas que fixam a margem sobranceira à Igreja do convento, conjugando os odores pestilentos que contaminavam a sombra onde se vendia o pão e o doce e apertavam a respiração dos transeuntes desde a Alameda Teixeira de Pascoaes, não enganava quanto à origem da fonte.
Não!… Aquele caudal lamacento e churro não provinha do endereço sombrio que acolhe a Câmara Municipal de Amarante nas costas de Pascoaes. Mas, logo ali, desde a Alameda ao Largo, se confronta a demagogia e o gongorismo da política local que fecha os olhos e o nariz a tanta imundice, nessa ‘bica’ nojenta de m-e-r-d-a urbana onde se reflecte o resultado da «seriedade» e do «rigor» que a autarquia de Amarante não consegue esconder aos olhos e nariz da cidade.”

José Emanuel Queirós, in Plena Cidadania, via Anabela Magalhães

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Amarante é um concelho liderado por Armindo Abreu, eleito pelo PS e que concorre a novo mandato. O seu principal adversário é José Luís Gaspar, candidato do PSD. Jerónimo Ferreira (CDU), Hugo Silva (Bloco) e Moura e Silva (CDS) são os restantes candidatos.

A VERDADE A SEU DONO

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A REPRIMENDA DO SR DR GARCIA PEREIRA
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A propósito do meu postMais um que perdeu o tino“, recebi do sr. dr. Garcia Pereira (himself), uma simpática reprimenda.
Segundo este prestigiado advogado, dirigente máximo do MRPP, não deveria eu, acreditar em tudo o que os jornais trazem a público.
Pobre de mim, ingénuo nestas coisas da política e outras. Então os jornais não deveriam ser uma fonte de conhecimento, e como tal, terem um especial cuidado com as notícias que trazem a lume?
Aos poucos se nota que está bem de ver que não.
Por esse motivo, devo, embora a culpa se me não possa ser assacada por inteiro, pedir desculpa ao sr. dr. G Pereira, pela minha imprecisão.
De facto, o mesmo jornal que me deu a primeira notícia, dá agora uma outra que a desmente.
Para além disso, também este dirigente do MRPP, no seu blogue, a contradiz categoricamente, explicando tudo, num post intitulado “Galamba.S.A.“. O MRPP, tem direito a 290 000 euros de subvenção para campanhas eleitorais, acrescidos de 175 000 euros anuais, o que lhe poderá permitir voos mais altos. Se assim, sem nada, só com os parcos recursos que têm tido, conseguem mais de 50 000 votos, espera-se que muitos mais consigam daqui para a frente.
Devo dizer que simpatizo imenso com o sr. dr. Garcia Pereira. Por mais de uma vez tive o privilégio de estar, aqui no Porto, na mesma sala em que ele estava, e onde fez intervenções.
Tenho a imagem de um homem sério que está num partido muito pequeno e sem grande notoriedade.
Porém, o facto de simpatizar com ele, não faz com que concorde com as suas ideias. Estão nas antípodas das minhas.
Por essa razão, faz todo o sentido que o meu post, no que se referia à ideia peregrina da imediata demissão do sr. dr. Cavaco Silva, se mantenha inalterável.
Ainda, quanto ao meu tom respeitador, que muito bem me fica, devo dizer que faz parte de uma educação cuidada e não deveria merecer reparo especial.

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JM
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Freeport 1 – Submarinos 2

As visitas aos escritórios de advogados envolvidos foi na segunda-feira e, já hoje, o Ministério Público decidiu acusar dez pessoas por burla e falsificação no caso dos submarinos. Isto é que é rapidez!
Parece que se fizeram inúmeras diligências, em Portugal e na Alemanha, mas todas essas diligências não foram suficientes para acusar Paulo Portas, afinal aquele que assinou o contrato enquanto Ministro da Defesa. Tal como no caso do Freeport, parece que culpados são todos menos aquele que assume a responsabilidade política do negócio e que assina o que há para assinar. Os políticos nunca são acusados de nada e o juiz que, um dia, se atreve a acusar um deles, nunca mais progride na carreira.
Diz-se agora que há um segundo processo relacionado com este e que, aí sim, irá ser apurado o destino do dinheiro. Irá ser apurado o destinado de quê? Vai nada, home!

Próxima polémica: de onde vai partir a fuga de informação

Amanhã, se não for hoje, vamos saber tudo o que se passou naquela sala durante 45 minutos. A polémica vai estalar outra vez sobre quem foi o autor da fuga de informação. Estiveram os dois sozinhos lá dentro? É que se estiveram, quem contar cá para fora estará mesmo a «esticar a corda».
Para já, Sócrates chegou com 2o minutos de atraso. Que é para verem quem manda aqui.

O Zé faz falta

José Manuel Fernandes vai deixar o «Público», da mesma forma que José Eduardo Moniz deixou a TVI. As vozes incómodas devem ser caladas, por ajuste directo ou por negociação, e é assim que deve ser. José Sócrates «dixit».
E tal como na TVI o jornalismo de investigação morreu, também no «Público» jornalistas como José António Cerejo devem ter os dias contados.
Engraçado, são sempre Zés. São sempre Zés mas atenção, não os ponham a todos dentro do mesmo saco. José António Cerejo é um profissional muito sério, tem feito investigação de grande qualidade. Os outros dois Zés são estrategas do jornalismo. Vogam ao sabor dos interesses políticos e, neste momento, eram vozes incómodas para o poder. O outro Zé, bem, o outro Zé é o primeiro-ministro.

Falcao do Magrebe

Chavez conseguiu! A Colômbia já não é um problema na América do Sul. Talvez o seja para Madrilistas ou para marroquinos, segundo o meu amigo FS.

Cartazes das Autárquicas (Marco de Canaveses)

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Manuel Moreira (actual Presidente), PSD.

Compromisso à esquerda é problema apenas

… para a Direita e por isso entendo as preocupações do José Magalhães.

Os números são claros: o PS teve 36,56%, o BE 9,85% e a CDU 7,88%. Todos juntos têm 54,29%. Uma esmagadora maioria.
Mas… (e há sempre um mas) se consigo colocar o BE e a CDU na dimensão esquerda da política, tenho mais dificuldade em colocar o PS TODO do lado esquerdo. Tal como o PSD, partidos claramente da área da social-democracia, o PS é constituído por gente que pensa o mundo de formas muito diversas. Estou por isso convicto que Sócrates seria um excelente líder do PSD. Penso, aliás, que o Marcelo poderia também ser líder do PS, por exemplo.
Nesta confusão que é o PS acredito que os que lá andam APENAS pelo tacho estão muito mais interessados em aliar forças com o PP, que, sabemos todos, procura a salvação financeira para os seus problemas de tesouraria.
Mas, o que vão fazer as pessoas de ESQUERDA do PS?
Estas têm que ser pressionadas e apoiadas, tal como os dirigentes do BE e da CDU para conseguir criar condições para uma governação de esquerda. Não sei se com ou sem Sócrates, sem ou com este ou outro Jose Sócrates – sei é que Portugal votou para ter um governo de esquerda não pode ter um governo formado pelos tachistas do PS com os conservadores do PP.
Por tudo isto faz sentido o Compromisso à Esquerda!

A sério

Já tudo se disse sobre Cavaco. Já se disse bem e mal. Já se dramatizou e desdramatizou. Já se exigiu a sua demissão. Ele é ao mesmo tempo louco e são. Já se disse que o Presidente é a única esperança contra Sócrates. Já se falou sobre o futuro da Republica em tom profético. Isto é precisamente o tipo de “previsão” que os comentadores gostam de fazer. Vende, as pessoas gostam, é como as profecias do Nostradamus. Eu desdramatizo. E porquê? Porque durante os últimos 4 ou 5 anos de política em Portugal coisas extraordinárias aconteceram. Coisas que mereciam a demissão não de um, mas de vários membros do Governo. E eu diria até que nos últimos 35 anos de Democracia houve acontecimentos que superam em larga escala as declarações de um PR cuja a maior exigência foi: Não me arrastem para as vossas guerrinhas. Não dramatizem.

Os portugueses não são grandes adeptos de revoluções e mudanças. E devo dizer-vos que a maior parte dos portugueses está-se a borrifar para os “conflitos constitucionais” entre o Presidente da Republica e o Primeiro-Ministro. A sério.

A máquina do tempo: ZIP-ZIP e «Big Brother», dois programas que mudaram a televisão

Talvez que o mais evidente sinal de abertura dado pela chamada «primavera marcelista» de 1969 tenha sido o programa Zip-Zip transmitido pela RTP. A censura de Salazar não o teria autorizado e Marcelo que se converteu também em estrela de televisão com as suas «Conversas em família», quis dar um sinal de que os tempos tinham mudado. Como não me canso de repetir, mudou alguma coisa para que tudo ficasse na mesma. O Zip foi uma das pequenas mudanças – a Guerra Colonial, as prisões, a tortura, a repressão, a miséria, continuaram. Isto a par de uma crise económica que nada ficou a dever à actual. Como Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia disseram depois, a ideia foi mesmo essa – ajudar Caetano a democratizar, comprometê-lo com a democratização que prometera. Chegaram mesmo a convidá-lo para ir ao programa, convite que Marcelo Caetano declinou, embora agradecendo.

Não irei pormenorizar como nasceu o programa, pois tudo isso está suficientemente documentado e historiado. Direi apenas que naquelas 32 semanas que o Zip durou, passaram pelo palco do Teatro Villaret, onde o programa era gravado, escritores, actores, cantores, artistas plásticos, personalidades que o grande público conhecia mal ou que mesmo desconhecia – um taxista referindo-se a Almada Negreiros, que foi o convidado do primeiro programa, comentava »Não sabia que havia pessoas tão importantes em Portugal.» Essa revelação de uma face do seu país que a maioria dos portugueses ignorava, foi uma das chaves do sucesso. Ás segundas-feiras à noite, quando o programa era transmitido, parava tudo – «Que surpresa haverá hoje?» – perguntava-se. Como disse Adelino Gomes em «Zip-Zip: Os sete meses que marcaram a televisão em Portugal» (Público, de 25 de Setembro de 2009): «As ruas ficavam vazias. As casas de espectáculos sem público. Pela primeira vez, um programa de televisão marcava a agenda das conversas dos portugueses. Aconteceu durante o segundo semestre de 1969. Em plena “primavera marcelista”». Esta é uma pequena amostra do que era o Zip-Zip, inserida numa homenagem a Raul Solnado quando da sua morte. Acrescente-se que constou que um Conselho de ministros convocado por Marcelo para uma segunda-feira, teve de ser adiado porque a maioria dos ministros não abdicava de ver o Zip:

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Já vos contei como, vindo para casa, com o rádio do carro sintonizado na TSF, pois o presidente Sampaio ia fazer uma comunicação ao País, o programa que estava a ser transmitido, foi interrompido e o locutor anunciou que o Marco tinha dado um pontapé na Sónia. E aconselhava a ligarmos para a TVI. Intrigado, pois não fazia ideia de quem seriam tais pessoas, logo que cheguei a casa, foi a primeira coisa que fiz e passados momentos lá passaram a gravação do pontapé. Nunca tinha visto o «Big Brother» e, atónito, assisti durante uns minutos ao que agora vos mostro:

Este tipo de cenas foi ocorrendo quase diariamente, desde que entre 3 de Setembro e 31 de Dezembro de 2000 a TVI lançou o «Big Brother. Tal como mais de trinta anos antes perante o Zip, as pessoas interrogavam-se – «O que acontecerá hoje?» Judite de Sousa refere-se num depoimento que acompanhava esse meu texto anterior, ao facto de a tabloidização da televisão corresponder a um gosto do público que «quer sobretudo mais emoção», preferindo conteúdos «que façam apelo à emoção», insistiu. Disse também que «a vida vai estar cada vez mais presente na televisão». Talvez se referisse ao facto de pessoas comuns, como o Zé Maria, a Susana, a Célia ou o Marco, se transformarem personalidades públicas. Mas será que a amostragem reflectia o conceito de «pessoas comuns» – os portugueses são de facto assim? Será que a vida no nosso país tem muito a ver com o que se passava na «casa»?
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Porque comparo estes dois programas tão diferentes? Parece-me óbvio – porque ambos mudaram a televisão. Tal como acontecera com o Zip, depois do «Big Brother» a televisão mudou também, impondo em três dos canais generalistas a moda dos reality shows. Zip-Zip e «Big Brother» deram lugar a debates sociológicos, a estudos académicos. De notar que, de série para série, o concurso foi perdendo popularidade até que, à 4ª, a TVI suspendeu o programa (embora anuncie uma 5ª série para breve). A única semelhança entre os dois programas é no nível de impacto produzido.
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Olhando estes dois fragmentos e não levando em conta questões acessórias, circunstanciais, epocais, como o facto de a emissão ser a cores ou a preto e branco, as roupas, a linguagem, o que terá mudado na sociedade portuguesa para que em 31 anos o gosto do público tenha mudado de tal forma. Em 1969 o índice de analfabetismo era elevado. Hoje será residual. Nessa altura tínhamos cerca de 30 mil estudantes nas universidades – hoje, esse número mais do que decuplicou. O poder de compra subiu e o acesso aos bens culturais é mais fácil. E no entanto um programa como o Zip-Zip fazia parar o país, tal como trinta e um anos depois aconteceu com o «Big-Brother». É evidente que o poder da televisão era grande e que actualmente também o é. As circunstâncias históricas são diferentes, mas, apesar de tudo, são melhores, mais favoráveis, menos constrangedoras.

Contudo, verifica-se que o gosto dos telespectadores, embora estatisticamente o índice de literacia seja muito mais elevado, se deteriorou. Não acreditando que as pessoas sejam piores do que eram os seus pais e avós, o que é que aconteceu? Já ouvi diversas explicações. Numa delas, dizem-me que as pessoas pareciam mais educadas, porque eram obrigadas a ser mais contidas e que adoraram o Zip porque era diferente da programação-tipo dos dois canais então existentes – «uma pedrada no charco», como Mário Castrim, o mais conhecido dos críticos de televisão da altura, o classificou. Talvez, de algum modo, todo isto seja verdade. E talvez mesmo que aquilo que eu mostro com a intenção de acentuar o abismo cultural entre duas maneiras de fazer televisão, se vire contra o meu argumento – o preto e branco face à cor, o ar formal dos apresentadores, a linguagem correcta em comparação com o paleio vulgar, ordinário, podem levar quem vê, a optar pela segunda amostra, achando-a mais «realista». Agora que se anuncia uma quinta série do «Big-Brother» é altura de reflectir – pedradas no charco ou o regresso do charco?. Que televisão queremos?

Primeiro Lisboa – não às obras do governo

A soma dos votos em Lisboa do PSD e do CDS ultrapassam os do PS. Como é de prever, grande parte dos votos de Roseta e Fernandes fugiram ( votaram neles por serem independentes, eu próprio o fiz) quer dizer que António Costa está em maus lençóis, e não estou a ver que quer o PCP quer o BE façam o sacríficio último de não se apresentarem a eleições e assim acumularem o voto útil no PS.

Há um factor extremamente pertubador nestas eleições e que joga contra Costa. A existência da Empresa Frente Ribeirinha, braço armado do governo para os apetites dirigidos aos terrenos da frente Tejo, aos contentores de Alcântara, à megalomania das obras no terminal de Santa Apolónia, ao aeroporto que desaparece, à terceira ponte sobre o Tejo destruindo de vez um dos mais belos estuários do mundo, ao novo museu dos Coches e tudo o que já foi feito, como o Hotel do sr. Arquitecto Salgado, junto da marina de Belém , a Fundação Champallimoud a crescer junto da marina de Pedrouços e o mais que não sabemos.

A cidade precisa que a Câmara seja uma defensora dos seus interesses e ofereça resistência ao fartar vilanagem que o governo está a preparar e não, de alguem, que por ser da mesma côr do partido do governo, seja um compincha “amansado”.

Embora simpatize com António Costa, a verdade é que gosto mais de Lisboa e, por isso, Costa não leva o meu voto.

AFLIÇÃO CANHOTA

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MOVIMENTO DE CIDADÃOS
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Aflitos com o facto do BE não ter conseguido os seus intentos (ter votos suficientes para fazer maioria com o PS), um grupinho de cidadãos entende que as esquerdas se têm de unir seja de que maneira for. Vai daí, põem-se a tentar juntar o BE com a CDU, para que em conjunto com o PS, formem uma maioria, e assim possam governar.
Não sei o que seria se, por absurdo, os três partidos aceitassem fazer tal mixórdia. Sei é que Portugal iria passar pelo período mais negro da sua história, se eles, mesmo fazendo maioria, se entendessem.
Felizmente, se uma coisa horrorosa dessas se viesse a verificar, a velha arrogância do sr Pinto de Sousa, e a nova arrogância do sr Louçã, em confronto, dariam rapidamente uma cisão irreversível no governo. Depois, a CDU, não se iria ficar e … seria o descalabro.
O Presidente iria rir-se de contente se tal acontecesse, pois que não iriam chegar à Primavera, e o sr dr Cavaco Silva, ainda ia a tempo de os demitir, e convocar novas eleições.
Enfim, mais uma tontisse de final de silly season.

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JM
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