Fim do Estatuto à vista

O PCP vai iniciar o fim da mais tenebrosa medida educativa no pós-25 de Abril.

O PAÇOS DE FERREIRA PERDE NA MATA REAL

O PAÇOS PERDEU O JOGO

O Paços de Ferreira perdeu o jogo de hoje, na Mata Real, por três bolas a uma. Já perdia ao intervalo por três bolas de diferença. Na segunda parte o Paços não conseguiu dar a volta ao resultado, tendo o adversário limitado a sua acção a gerir a diferença. Por isso, porque o jogo abrandou, lá conseguiu o Paços, aos 68 minutos o seu golo de honra. A equipa de Paços de Ferreira perdeu bem, não merecendo sequer o empate. O adversário é o segundo classificado da liga, o SLBenfica.

Mário Soares no «Gato Fedorento»

Não sei se foi impressão minha, mas Ricardo Araújo Pereira pareceu-me nervoso no início. Aliás, durante toda a entrevista mostrou-se subserviente para com o «monstro sagrado» que tinha à frente e no fim até lhe agradeceu.
Passando ao lado do número de netos do ancião, que ficámos muito bem sem saber quantos são, notei que Mário Soares conseguiu dizer, sem se rir, que não é um home de intrigas. Disse também que não é forte em reformas e isso é verdade, como se verificou sempre que ocupou o lugar de primeiro-ministro.
Disse ainda que não gosta que lhe chamem Presidente, quando se sabe que continua a ter à sua volta uma «corte» que o trata como tal. Mais uma vez, conseguiu não se rir quando disse que o PS está numa fase socialista e que esta República está bastante boa.
No final, ficámos a saber que, para Soares, são todos uma tristeza: Blair, Bush, Berlusconi, ele próprio… Ah não, espera aí, dele não falou.

FUTAventar – O Glorioso voltou

Há sempre um benfiquista ao pé de si. Se alguem lhe oferecer flores pode ser uma namorada feliz. Se vir um jovem ajudar uma velhinha atravessar a rua pode ser um rapaz de bem com a vida. Se lhe oferecerem um copo num bar pode ser um homem que voltou para a esposa amantíssima.

Ter um S. L. e Benfica de volta às vitórias é tão importante como Cavaco e Sócrates trocarem juras de amor, ter Jaime Gama como putativo candidato a Presidente, ter Ana Gomes amansada e não falar mais nos aviões que passaram por aqui. Ter a Edite madrinha má  ( ou prima) do sr. prof que deu aprovação a Sócrates numa série de disciplinas e que ganhou o concurso da Cova da beira, sem aquele sorriso de quem está fartinha de gamelas.

Ter de volta o Glorioso é cada um de nós ser maior, amar como quem seja daqui e de além mar.

Vivó o clube mais português, mais vitorioso, mais universal de Portugal !

TODOS: Vivó!!!!!!!

Monty Pyton, 40 anos.

O dia 5 de Outubro tem inspirado a humanidade. Fez hoje 40 anos que pela primeira vez surgiram na TV. Eles, os pais de metade do humor que ainda hoje televemos, e ainda de uma boa parte da outra metade.

Duas amostras, legendadas em português.

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World Forum Communist Quiz

FUTaventar – S. L. Benfica #7

E o sonho continua.
A tragédia grega já lá vai e hoje o Benfica volta a fazer uma primeira parte fantástica. Tão fantástica que para mim o jogo termina ao intervalo.
O Glorioso entra em campo sem Aimar e Di Maria. Só isto, em tempos bem recentes, daria para pensar no pior. Nada disso. Vejamos:
No onze inicial temos o Carlos Martins e Fábio Coentrão que tiveram a capacidade de nos fazerem pensar que o lugar sempre foi deles.
Uma ENORME pressão do BENFICA que não permitiu ao Paços passar do meio-campo. Uma atitude absolutamente espantosa que só pode ser mérito do treinador. O Quim, o Rúben, o David, o Luisão, o Carlos Martins, o Fábio Coentrão e o Cardozo já eram jogadores do Benfica. Hoje, “novos” tivemos o Saviola – o ano passado tínhamos o Suazo, o Ramirez (Reyes) e o Javi Garcia (Katsouranis). Parece-me que as contas assim feitas só podem dar TOTAL mérito ao Jorge Jesus.
jj

Depois foi uma imensa MEGAPRODUÇÃO de uma equipa que jogou fora como joga em casa, com um público fantástico e uma enorme ALMA!
Não fazemos, BENFIQUISTAS, a mais pequena ideia do que vai acontecer ao longo da época. Sabemos, no entanto que estes dois meses nos fazem sonhar.
É com o direito ao Sonho que termino este post, sendo que me despeço com um especial agradecimento ao sr. Presidente do pequeno clube de Alvalade.

República

O povo diante da Camara Municipal, em 5 de outubro, acclamando enthusiasticamente a proclamação da republica e a abolição da monarchia feita pelo sr. Jose Relvas - Cliches de Benoliel

O povo diante da Camara Municipal, em 5 de outubro, acclamando enthusiasticamente a proclamação da republica e a abolição da monarchia feita pelo sr. José Relvas - Cliches de Benoliel

O facto de comemorarmos a fundação da I República em liberdade não nos deve fazer esquecer que mesmo ao nosso lado os republicanos continuam a ser reprimidos, apenas por exibirem a bandeira da República.

El 14 de mayo de 2006, Jaume, de 33 años, llegó de su viaje de novios y fue a una manifestación “contra la precariedad laboral y por una vivienda digna”. Allí escaló la fachada de los Juzgados del Contencioso Administrativo en la Gran Vía de Madrid y cambió la bandera española por la republicana. Esa noche la pasó en una celda. Ahora, la Fiscalía pide para él un año de cárcel y 4.000 euros por injurias a España y desorden público.

IU de Cantabria ha criticado este martes a los Cuerpos y Fuerzas de Seguridad del Estado por haber identificado en Reinosa a varios jóvenes que portaban banderas republicanas con motivo de la presencia de los Reyes de España y ha calificado su actuación de “arbitraria”.

Apenas dois exemplos. Infelizmente eles abundam desde que se iniciou um processo que reivindica um referendo para que os povos vizinhos escolham entre a república e a monarquia. Agora comparem com a tolerância, que louvo, com que em Portugal se enfrenta as manifestações monárquicas.

Quebra…

3-0 ao intervalo. Contra o Setúbal, a esta hora, já iam 4. O SLB está em quebra e estou a ficar preocupado.

Lengalonga

Estado da República: isto está disponível no myspace, não existe em disco.

Lengalonga

Self made coisa e tal
fabricante de bandeira
kit-kat do capital
luna parque de fronteira.
Falocrata à paisana
pico pico saranico
sanduiche americana quem te deu tamanho bico
CEE tem-te não caias
cala e come a tua mão
menino saia das saias
homem não se quer chorão.
Ai não queres adeus viola
quem pode não sai de cima,
da foda não reza a escola
muito perdoa quem rima.

Muita carne de terceira
com molho tudo se engole.
Pergunta à alternadeira
se a moral não anda mole.
Central talvez nuclear
guerra sempre preventiva
gasolina pró jantar
que a gente em nada se priva.
Era uma vez um país
à beira mar chamuscado
porque Deus assim o quis
de cinza e negro pintado.
Era uma vez uma terra do lá vem um
lá vão dois
onde a carroça se enterra
terão de passar os bois.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra
a gente ladra ao luar, mas à luz do sol não ferra.
Gira lá roda da sorte
gosto de ouvir-te chiar
pois do berço até à morte
me deixarei embalar.
Caluda bolinha baixa o
Salazar é que era o
povo a toque de caixa
nesses tempos quem me dera.
Futebol de canapé
nossa senhora da bola
tenho medo e tenho fé
cerveja com muita gola.
Ó Senhora dos parolos que fazes lá na azinheira
precisamos é de golos e missa futeboleira.
Se é pobre é porque tem culpa
se é preto tira-lhe a tosse
se é puta que pague a multa
e se é puto antes não fosse.
Se é bicha jaula com ela
se é bicho atira a matar
se é jovem não lhe dês trela
se é cota não tem lugar
se é doente já não presta
se é carente compre um cão
se é urgente não tem pressa
se caiu deixa-o no chão.
Rebéubéu
pardais ao ninho
Portugal engole sapos,
no sotão só macaquinhos
na cave gatos sapatos.

Nem tanto ao mar nem tanto à terra
a gente ladra ao luar mas à luz do sol não ferra.


Poema de Regina Guimarães (copiada daqui)

Voz de Ana Deus

Senhores Autarcas!

As comemorações do 5 de Outubro, estão quase a acabar. Os dias têm passado sem darmos por isso. Há os que escrevem, os que prepararam textos para  sua vida de estudo, os que fazem férias, os que ficam em casa a ver televisão. Os  programas entretêm as pessoas que não passam estes dias cinzentos a ler, porque não sabem. Não sabem por nunca terem ido à escola, ou porque não entendem os Dickens, os Zweig, os Lobo Antunes, autores interessantes que romancean a história ou  a psicanalisam.

O bom povo português não entende essa fantasia de Saramago e a sua Jangada de Pedra, história que materializa em palavras esse antigo desejo de Portugal: o pequeno canto ibérico se descole de Espanha e navegue para longe do Estado proprietário da nossa telefonia, das casas da Avenida da Liberdade em Lisboa, em breve do TAG,  uma fugida em jangada de pedra sem se afundar. As jangadas, esses paus  juntos uns aos outros, em forma de estrado, para flutuar na água. Se são de pedra, não podem navegar. Saramago deve estar a mentir, o livro não presta…. Mais interessante para o povo português é a obra Os Maias de Eça de Queirós, fala de amores…e de amores pecaminosos…. que interessante! Ou as dos amores  impossíveis,  bem descritos pelo também, pecaminoso, Camilo Castelo Branco nas suas  interminaveis histórias de amor, como essa da  Morgadinha dos Canavais e o seu impossivel amor pelo primo, quase um jornaleiro, um ser impossível para namorar… sem dinheiro, sem terra dele: será amor ou interesse  de cifrões? Os Maias, ainda se entendem: é um amor entre pessoas iguais… com um grande segredo que faz correr sangue… livro criminoso, melhor ainda! A culpa é dela por nunca revelar o segredo dos seus amores proibidos pela lei e pelos cristãos vizinhos….

Mas, é 5 de Outubro. O dia está chuvoso. O melhor é passar a tarde com a tia Júlia e as queixas das senhoras por ela entrevistadas: essas bruxarias que me tiram o apetite, de certa maldição de um vizinho que me quer mal, ou a filha da Maria que gosta de bater no meu mais novo, porque é gorda e tem força e o meu menino não se sabe defender. Dia de férias que vai passando enquanto espero pelo jogo do Benfica, que anda sempre a perder. Pelos menos o Sporting ontem jogou bem e deu-nos o melhor jogador do mundo, O Cristiano que de fé, apenas o nome… tanta rapariga que anda trás dele e comigo…. apenas a tia Júlia e as suas bruxas. Espero que comece o jogo enquanto vou lendo a fragillidade do nosso Presidente e o silêncio que ele guarda das escutas telefónicas.

Férias com chuva, o mais detestavel no país do sol….andar a tremer na semana seguir de ainda andar na praia.

Senhores autarcas, não queiram sítios com carro e motorista nas melhores casas do Concelho enquanto o povo não sabe como se entreter. A herança de Portugal é pesada. Nem escolas havia até 1974. As que existiam, sempre foram mal geridas por governantes que pouco sabiam do que é a educação. Entrou para a autarquia como vereador para servir o povo, para ganhar apoio de cidadãos que nos pagam os favores que fazemos, para usar o saco azul e investir dinheiro do Concelho ou pelo ordenado? Será que os socialistas democratas são assim, ou apenas os descendentes do Estado Novo? Senhor Autarca, já falou com o Provedor da Televisão, José Manuel Paquete de Oliveira, para que as tias Júlias nunca mais apareçam na televisão, mas sim os programas como A Praça da Alegria, que nos conta Portugal,  ou os de História de José Hermano Saraiva, ou os de Paula Moura Pinheiro e as suas Câmaras Claras.

Vereadores, e os programas da infância para esclarecer à hora do lanche ideias de biologia, animais e outras ervas? Porquê, Senhor Vereador as crianças regressam  a casa pelas 18 horas, depois de um dia de aulas que começou às 9, e com trabalhos para realizar no lar? Não era mais conveniente das 9 às 15, com almoço na escola, que dinamiza a solidariedade, pagos pela Câmara e a seguir em casa juntas com a família, com os animais de estimação, com Avôs e Avós para tomarem conta delas ou licença, por turno, para os pais lerem com os mais novos os irmãos Grimm, livros de história romanceada e abandonar, na companhia dos seus adultos, os livros  escritos pelos doutores, esses resultados das sua pesquisas que aborrecem a criança e o adolescente, mas que devem ser estudados conforme manda  a Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação. Quem toma conta das escolas e do sistema educativo na Sede do seu Concelho? Há tanta história nas pedras da rua que as aulas, como tenho experimentado, podem-se realizar ao ar livre.

Autarcas, Portugal é o País das férias dos Europeus. As suas crianças aparecem com eles porque o ano está dividido em quatro trimesres, com três tempos de férias para filhos e pais. Portugal não pode ser as férias das nossas crianças: é o país que as prepara para entenderem, lembrarem e saberem optar. Como em toda a União Europeia, Autarcas, as Câmaras dos Concelhos são as que se ocupam da educação. Não desiludam a nossa soberania!

Raúl Iturra

lautaro@netcabo.pt

Place your bets

Entramos na emocionante recta final e Oz está na dianteira, com as apostas a 4/1. Na sua peugada está a argelina Assia Djebar, logo seguida da americana Joyce Carol Oates. Mas os fãs do velho Philip ainda não perderam a esperança de no dia 8 poderem dizer:  “Vá lá, desta vez os suecos esqueceram-se do politicamente correcto e escolheram um judeu americano e misógino, que sabe escrever”. As apostas estão a 7/1 mas acreditamos que o velho Philip ainda aguenta o estirão final. Mr. Roth

99 ANOS DEPOIS

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MUDARAM A BANDEIRA, MUDARAM TUDO. FOI PARA MELHOR OU PARA PIOR?
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Há noventa e nove anos, a Monarquia caiu.
Nesse dia, muitos dos nossos antepassados, alguns, muito poucos, ainda vivos, julgaram que os tempos maus tinham acabado. Julgaram que dias de prosperidade, de saúde, de beleza, de muitas coisas boas, aí viriam. Para trás tinha ficado a miséria, a corrupção e o atraso.
Meu avô, Republicano que andou metido nas lutas e atentados anteriores à implantação da República, disse, antes de morrer (1966), que dos ideais que tinha, poucos ou nenhuns tinham sido satisfeitos. Felizmente para ele, faleceu antes do 25 de Abril, ou, se lhe tivesse sobrevivido, alguns anos depois, teria tido mais uma grande desilusão.
A 5 de Outubro de 1910, a nossa bandeira deixou de ser azul e branca para passar a ser vermelha e verde. Na altura, felizmente, não tiveram coragem de mudar o centro da bandeira. No entanto, nessa altura, a maioria dos Portugueses quis, sem sombra de dúvida, o fim da Monarquia e a implantação da República. Há vinte anos que o ideal Republicano vinha crescendo, e a nova bandeira, feita artesanalmente andava, às escondidas ,a circular de mão em mão.
Todos os anos, por esta altura, o Presidente em exercício faz a sua alocução ao País. Hoje, não foi diferente e o sr dr Cavaco Silva, lá esteve, no jardim da cascata, a cerca de sete quilómetros do local onde foi implantada a República (para não interferir nas eleições autárquicas) exortando o povo para se unir em torno dos grandes ideais republicanos. Não sei bem para quê, já que parece que ninguém em Portugal acredita ainda nesses ideais. O discurso do Presidente, foi curto, directo e sem escutas (ou seria com pouca gente a escutá-lo?). O sr dr Cavaco Silva não esteve presente nas comemorações do 5 de Outubro.
Por seu lado, o nosso Primeiro, discursou na Câmara Municipal de Lisboa, porque gosta das coisas feitas no seu sítio tradicional.
No próximo ano será comemorado o centenário desta implantação. Será que nessa altura, já a nossa Constituição vai permitir que exista, se o povo o quiser, a Monarquia em Portugal, ou vai continuar a ser proibido?

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JM
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ALMA EM PENA QUE CONQUISTOU A SUA LIBERDADE

Se tivesse que falar em Aula, no dia de hoje, penso que diria: Meu Senhores, hoje, 5 de Outubro, é o aniversário da liberdade da opressão imposta ao país pela Monarquia governante, com o apoio de parte do seu Parlamento. Faz 99 anos que conquistámos a liberdade de opção que vivia sobre os nossos ombros desde 1139. As monarquias são uma forma de governo na que, para ter direitos, deve-se ser parte da corte ou ter posses suficientes para privar com o monarca, família e amigos. Se não privarmos com eles, não temos direitos. Por causa da falta desses direitos, é que um grupo largo de cidadãos de Portugal, rebelou-se, organizou-se em partido político e elegeu representantes para o Congresso, base do seu debate contra a tirania de pessoas de meios que se moviam na corte do monarca para obtenção de benefícios. Poucas eram as que tinham essa regalia real. Poucas, essas prebendas nascidas de louvar um monarca que se pensava absoluto e mandava como entendia, apesar da Constituição do Estado de 1820 e do Parlamento que tentava controlar e não conseguia. Cansados já de tanta tirania, um grupo de homens valentes, vários deles tímidos, organizaram um grupo político que intitularam Republicano para contrariar a vontade monárquica e a dos seus adeptos .
Seria isso o que eu diria na aula? Tenho definido ao detalhe em Aventares anteriores, o que representa o 5 de Outubro. A essas reflexões remeto as de hoje, mas sinto-me na obrigação de insistir na ideia central dos textos referidos sobre esses homens valentes que, como o povo, a populaça, não suportaram mais e procuraram o caminho da liberdade, que não se define com palavras, mas sim com formas de agir.
republica
Liberdade Guiando o povo, óleo de Éugene Delacoix, 1830, museu do Louvre, Paris

De momento não é minha intenção falar e explicar esta pintura de um francês que viveu dias de comoção no seu país, entre uma Revolução falida, uma Primeira República, um Primeiro Império, Monarquia Restaurada, Segunda República, Monarquia Implantada, Segunda República, Segundo Império, Terceira República. Uma premonição do que Portugal viria a ser a partir de 1910 até 1974.
Homens valentes e republicanos, que sofreram Regimes Transitórios,
revoltas, várias repúblicas, uma tentativa de restaurar a monarquia, uma guerra civil e uma ditadura. A liberdade não é grátis, paga-se com sangue. Não há palavras para a descrever. É assim:
goya
Três de Maio de 1814 em Madrid, óleo de Francisco de Goya y Lucientes

A seguir aos massacres na procura da liberdade, as almas ficaram em pena. Não há palavras para as consolar. Primeiro, a opressão da casa reinante, depois, a morte dos valentes, quer em França, quer em Portugal. A alma em pena é a dos vivos, pela tristeza causada na procura do seu direito à opção, e a dos mortos que não consegue lutar mais.
Mas em França o povo revoltou-se contra os usurpadores da sua soberania e em 1871, criou a Comuna de Paris, de curta duração, bem sabemos, mas que ensinou a lição de que o povo sabe-se governar. Karl e Jenny Marx e as suas filhas e genro Lafargue, ficam horrorizados. Os pais escrevem em 1871 o texto Guerra Civil em França enquanto Paul Lafargue luta em prol da comuna e mais tarde, já casado com Laura Jenny Marx, escreve as suas memórias sobre a comuna de Paris.
Em Portugal, o mais afamado republicano, Afonso Augusto da Costa é assassinado, uma guerra civil começa, para continuar por uma ditadura de 50 anos e comemorar, finalmente, a Liberdade definida por Delacroix, a 25 de Abril de 1974. Bem sabemos que são os soldados e os seus capitães que libertam as almas em pena que viviam a ditadura e as revoltas prévias, como está tão delicadamente definido entre nós por José Mattoso, Joel Serrão, Maria Alegria Fernandes Marques, António Matos Reis, João Silva de Sousa, Bernardo Vasconcellos e Sousa, Avelino de Jesus Costa e Oliveira Marques, entre outros.
A alma em pena do povo de Portugal começa a arrebitar com o 25 de Abril de 1974 e, especialmente, com a sua entrada na Comunidade Europeia.
É o que dá o direito a debates e disputas entre partidos, as suas convenções e coordenações. Uma santa revolução permanente que o 5 de Outubro conquistara para nós e afiançara em 1974, no dia 25 de Abril, sempre por baixo deste símbolo da Pátria:
bandeira
Foto de António Vale

E é assim que acaba a alma em pena, com essa alegria do debate são, aberto e directo. Portugal entra, por fim, a ocupar o seu lugar entre os países do Velho continente.

… naquele belo dia de caça

450px-Carlos_I_de_PortugalJaz el-rei entrevado e moribundo
Na fortaleza lôbrega e silente…
Corta a mudez sinistra o mar profundo …
Chora a rainha desgrenhadamente …

Papagaio real, diz-me quem passa?
— É o príncipe Simão que vai à caça.

Os sinos dobram pelo rei finado …
Morte tremenda, pavoroso horror!…
Sai das almas atónitas um brado,
Um brado imenso d’amargura e dor …

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

Cospe o estrangeiro afrontas assassinas
Sobre o rosto da pátria a agonizar …
Rugem nos corações fúrias leoninas,
Erguem-se as mãos crispadas para o ar!…

Papagaio real, diz-me quem passa?
–É el-rei D. Simão que vai à caça.

A Pátria é morta! A Liberdade é morta!
Noite negra sem astros, sem faróis!
Ri o estrangeiro odioso à nossa porta,
Guarda a Infâmia os sepulcros dos Heróis!

Papagaio real, diz-me, quem passa?
–É el-rei D. Simão que vai à caça.

Tiros ao longe numa luta acesa!
Rola indomitamente a multidão …
Tocam clarins de guerra a Marselheza …
Desaba um trono em súbita explosão!…

Papagaio real, diz-me, quem passa?
–É alguém, é alguém que foi à caça
Do caçador Simão!…

Guerra Junqueiro
8 de Abril de 1890

(parágrafo)

VIVA  A REPÚBLICA COSMOPOLITA, DECADENTE E CORRUPTA …

MAS NOSSA !

Que chova sempre neste belo dia e que o céu nunca seja azul e branco!

(parágrafo)

ass. anarquista «afonsino», carbonário, anti-debutante e anti-cerúleo.

(parágrafo)

adeus, adeus … e até sempre !

As arruadas dão votos?

No seguimento do Post anterior do José Freitas, avanço com uma dúvida (certeza?) que tenho há muito tempo:
As arruadas dão votos?

Os brasileiros não têm melhor?


Não?

Foi para isto que se fez a República?


Foi?

Trintas? Sessentas!

A Carla tem inquietações. É culta e delicada não podia deixar de as ter. Mas está a partir de um principio errado, que os vintes são a melhor fase da vida. Não são, ou podem não ser.

Nós, os que levamos com vinte e cinco anos de fascismo, percebemos isso muito bem. Até aos dezasseis/dezassete era igual, com as percebidas diferenças, mas que não contam para quem está dentro desse processo. A partir daí era um inferno!

Queres estudar? Não podes. A maioria porque os pais não tinham possibilidades financeiras e porque, fascimo nunca mais, tudo era feito para que os jovens das classes trabalhadoras não acedessem ao ensino. Desde logo porque não havia escolas e muito menos universidades. Saída? Abandonar a casa dos pais e arribar a Lisboa, Porto ou Coimbra. Como não havia dinheiro, trabalhar de dia e estudar à noite.

Mal se despertava no ambiente mais despoeirado da universidade, e sempre com o cutelo da guerra sobre o pescoço, aí estava a vida militar. Perder quatro anos num ambiente inenarrável, de despotismo, injustiça e pobreza. Quando davamos por ela, estavamos aos vinte e cinco anos, a tirar cadeiras umas atrás das outras, sentados à mesa do Palladium até às duas da manhã. Namoradas, nem pensar .Cinema, sábados e era quando era. Livros, depois de quatro/cinco horas de estudo não havia vontade, desporto, subir e descer o Chiado para ir para as aulas.

Trinta anos ou perto disso, com o curso acabado, choviam os convites para emprego. Com sorte, teríamos alguem a dizer-nos ,é pá, vai para o estrangeiro, conhece outro mundo, diverte-te. Mas o que tínhamos era pais, que toda a vida tinham vivido mal a quererem, para descansar um bocadinho, no fim da vida, ver-nos na Função pública ou num banco. Para toda a vida!

Entrados na trituradora do ganhar dinheiro, ter o primeiro carro, a casa, a televisão, o frigorífico, as férias…e metade dos amigos já casavam, fartos de quartos de estudante em que só se dormia, aparecia a menina que tinha como objectivo casar, sair de casa dos pais, enfim, a vida se calhar ainda era mais dificil para elas.

Filhos, a escola, cheirar os lápis todos os anos no ínicio do ano lectivo, e estamos nos quarenta. Os putos já estão crescidinhos, vamos agora namorar, passear, conhecer mundo que só conhecemos em infinitas reuniões de trabalho. É o passaporte para o divórcio, para as namoradas em fila, dormir com uma diferente dia sim dia não. Acordamos aos cincoenta, uns com as primeira doenças outros, porque têm a lucidez de perceber que nunca serão milionários e o melhor é começar a ter tempo. Tempo!

Agora, aos sessenta, começo a sentir uma vaga sensação que o caminho se vai estreitando, olho em volta e vejo amigos a morrer ou muito doentes, a comerem desalmadamente e a beberem outro tanto, mulheres, arreda que só chateiam e o viagra é caro, e eis-me aqui devotado ao Aventar!

Minha caríssima Carla, bons, bons são os que aí vêm!

Os trintas

Os primeiros anos dos 30 são uma época complicada. Ensanduichados entre os quarentões e os jovens, estrebuchamos ante quem nos tenta fazer sentir velhos mas sabemos que por, mais que nos disfarcemos, os jovens já nos tratam por você. Eu disfarço-me, confesso. Sou a mais pelintra das mães que vão levar os meninos ao colégio, a única que se passeia de ténis e parece não ter nenhum par de calças que não sejam de ganga, a única que não sai de casa sem o mp3. Mas tudo isto não passa de uma vã tentativa de escapar ao inescapável. Eu já dobrei o cabo dos 30, já me instalei burguesmente na vida, por muito precária que seja essa acomodação, já faço análises ao colesterol e, se é certo que ainda resisto a rever os episódios do Verão Azul, mais cedo ou mais tarde hei-de soçobrar.

E  os trintões que me são próximos estão quase todos na mesma. Há uma inquietação que ainda estremece, uma luzinha trémula que os prende ao alvoroço da juventude, mas começa também a instalar-se a estranheza que faz olhar os códigos dos mais novos como algo que já não lhes pertence. Quando essa consciência surge, irrompe também com frequência o revivalismo. “O Dartacão é a melhor série de desenhos animados de sempre”. “Na nossa infância não havia cadeirinhas nos carros, brincávamos nas ruas, não sabíamos o que era a pedofilia e sobrevivemos”.  “Nunca mais se fez música como a dos anos 80/90!” “Os miúdos agora não sabem o que é bom!” O tom comum destes desabafos melancólicos parece ser o de que fomos muito menos privilegiados do que a geração seguinte, com menos gadgets, menos preocupações parentais, sem internet nem telemóvel, mas nesses alvores da década de 1980 ou 1990 vivemos um idílio dourado, pleno de uma inocência que entretanto se escureceu e que embalou os nossos sonhos de futuro.  Não tínhamos internet nem telemóvel, é certo, mas crescemos com a Perestroika, a libertação de Mandela, a queda do Muro, o Live Aid, e o MacGyver. Todos eles sinais de uma mudança positiva. A desadaptação que antes via nos mais velhos, e que sempre me parecia comovedora, está agora nas palavras das gentes da minha idade e isso já me parece alarmante. Porque atrás dos elogios fervorosos aos desenhos animados ou aos programas de videoclips do Álvaro Costa poderá vir futuramente um sentimento de não pertença ao mundo de hoje, de estranheza, de afastamento voluntário. Eu não quero ser como o senhor que sempre encontro no supermercado, que fica longos minutos a olhar para a montra da charcutaria e repete invariavelmente que no tempo dele só havia fiambre nobre e era bem bom, e que agora há não sei quantas marcas e até fiambre de peru. Peru! E essa multiplicidade de escolhas cansa-lhe os olhos e a cabeça, e fá-lo desejar o conforto do velho e fiável fiambre único. O revivalismo, uma armadilha da memória, tende a abrir a porta ao conservadorismo. Começa-se a romantizar o que passou e acaba-se a desejar que tudo fique na mesma, para todo o sempre, e assim também nós e a nossa juventude perdida, e aqueles que vimos partir e de quem não queríamos separar-nos. Amigos nos trinta, parece que estamos agora ante o portal que separa esses dois mundos. Esses dois tempos. Não temos muito mais a fazer senão avançar, claro, mas eu digo que deve ser possível lançar um olhar ternurento ao passado sem deixar de abraçar o que aí vem, não será?

As caravanas dão votos?

Por acaso, alguma força política acredita que obtém votos por fazer caravanas de apoiantes? Os iluminados que em muitos concelhos promovem essas paradas antiquadas parecem achar que sim. Pode ser defeito meu, mas eu acho que não.

Não estou a ver um eleitor, mesmo que indeciso, fazer uma opção de voto pelo carro alegórico melhor decorado, pelo hino eleitoral com sonoridade mais agradável ou, apenas, pelo número de carros que compõem o cortejo.

Além de poluição sonora deveras desagradável, o que por si só deveria implicar um ‘cartão amarelo’ gigante nas urnas, as procissões políticas transformam-se numa perda de tempo para que tem de amargar atrás dos carros e motos que apoiam e transportam o andor, isto é, o candidato, que vai acenando ao povo à espera de benesses eleitorais na hora de colocar a cruzinha.

Mas lá regressa a questão: será que uma caravana deste tipo equivale a um só voto ganho? As forças políticas acham que por fazer este tipo de acção de campanha convencem alguém? Terão assim tão fraca conta do povo? Acharão que são os eleitores tão estúpidos que vão decidir o voto por uma alegada demonstração de força ao percorrer diversas ruas fazendo barulho? É a isto que chamam o debate de ideias?

Tudo pelo Brasil. Nada contra os Jogos.

O meu texto aqui no Aventar sobre os Jogos Olímpicos, atribuídos ao Brasil, teve repercussões no pais irmão. Não ficava de bem comigo mesmo se não deixasse uma palavra de profunda solidariedade com os nossos leitores Brasileiros, e não “esmiúçasse” melhor o que queria transmitir.

Ganhar a corrida para efectuar os Jogos Olímpicos é uma enorme vitória! Mostra a capacidade das autoridades Brasileiras em apresentar um projecto digno e ganhador. Mostra que o Mundo reconhece ao Brasil a capacidade de executar e organizar um evento que envolverá milhões de reais, milhões de adeptos, milhares de atletas e receber as autoridades da maioria das nações.

Isto exige capacidade de organização, sentido de Estado, uma sociedade irmanada no mesmo objectivo, segurança de alto nível e meios financeiros, humanos e estruturais superiores. Por aqui temos as razões de estarmos todos orgulhosos pelo Brasil!

O que não podemos deixar passar é a ideia que o Brasil é samba e cachaça, futebol e praia. Que é o carnaval em Fevereiro, e o Mundial em 2014, e agora os Jogos Olímpicos em 2016. Essa ideia de pão e circo, não pode fazer caminho entre os políticos (que bem a vendem se os deixarem) e muito menos entre o povo.

Porque as favelas existem! Porque a pobreza existe! Porque as diferenças existem! E existem num país abençoado por Deus, que tudo lhe deu. Desde um povo bom e amigo, até riquezas incalculáveis, que farão do Brasil, em futuro próximo, uma das potências mundiais, por muitos anos e bons.

Os cientistas, os médicos, os engenheiros, os arquitectos, os artistas, os desportistas Brasileiros, mostram que o povo Brasileiro guarda dentro de si o talento que ilumina e orienta.

Só é preciso que a distribuição de riqueza seja mais justa, e que os jogos não nos ceguem para a realidade de milhões de pessoas que vivem mal.

Nós, cá em Portugal, já tivemos o Europeu de 2004 e sabemos que levantada a feira tudo ficou como estava antes.

ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (5)

ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (5)

Educação dos problemas ligados à pobreza e à prosperidade

 

A educação é também o regulador da prosperidade. Antigamente denominava-se a tuberculose e outras doenças como a epidemia da fome. Hoje denominam-se as doenças cardiovasculares e outras doenças degenerativas como a epidemia da fartura.

 

A lucidez torna-se muitas vezes um exercício de crueldade. Mas a lucidez é fundamental para se usufruir do privilégio da prosperidade. Manter a actividade intelectual, a actividade física, o descanso, a redução do stress, a moderação e a contenção alimentar são meios preventivos da doença e do envelhecimento.

 

Em termos de alimentação, por exemplo, o que hoje se vê sai fora de todas as normas higieno-dietéticas, mesmo em pessoas cultas. A superalimentação é uma das maiores doenças das sociedades abastadas. Ou come-se dez vezes mais do que aquilo que é preciso ou come-se da forma mais errada e desequilibrada. Vários estudos sérios têm comprovado que a má alimentação é factor fundamental na génese de inúmeras doenças, desde as doenças oncológicas às doenças degenerativas, incluindo as doenças cardiovasculares. O que se vê é um crescimento constante da obesidade nos jovens, mercê de uma proliferação imparável dessa alimentação que está a transformar os Estados Unidos num país de obesos, com todo o cortejo de nefastas consequências nomeadamente mentais.

 

A arteriosclerose não existe só no idoso. Ela começa na infância e talvez na vida intra-uterina. Qualquer mãe ou avó que encha permanentemente o filho ou o neto de comida e guloseimas está inexoravelmente a semear o seu sofrimento futuro. Sabemos quão difícil é lutar contra isto, por causa da fome das transnacionais da alimentação de plástico, que tudo invadem em termos reais e mediáticos. Daqui a enorme importância da reflexão, da mentalização e do combate em todos os níveis escolares e pedagógicos.

 

Na realidade, é tremendamente cruel que dois terços do mundo morram de fome para que um terço morra de fartura! Quantos tratados de ética e de educação serão necessários para corrigir este desastre da humanidade? (Continua)

 

                            (manel cruz)

(manel cruz)

5 de Outubro: Dia Mundial do Professor

Construir o futuro, investindo nos professores agora!

5 de Outubro de 2009, Dia Mundial do Professor

5 de Outubro de 2009, Dia Mundial do Professor

A máquina do tempo: a bandeira nacional

Faz agora exactamente 99 anos, às 9 da manhã de 5 de Outubro de 1910, a bandeira da República foi içada na varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. José Relvas fez a proclamação do regime e a nova insígnia nacional, que andava em milhares de mãos, feita artesanalmente, muitas vezes com as cores ao contrário, lá subiu no mastro perante uma multidão que enchia o Largo do Pelourinho (ou do Município). Estas mudanças são sempre traumáticas para quem as sofre com elas não concordando. As duas principais cidades do País eram maioritariamente republicanas e esse factor foi decisivo. Num país com 80% de analfabetos, as elites culturais eram também maioritariamente pelo fim da Monarquia. Mas, naturalmente, havia um número elevado de monárquicos mesmo entre os que contestavam a situação existente. Desde 1890, com a cedência perante o ultimato britânico, a instituição monárquica sofrera um rude golpe. Não sei onde foram os actuais monárquicos buscar a ideia de que a República foi implantada contra a vontade dos Portugueses, conforme dizem. Desde as comemorações camonianas de 1880, o ideal republicano vinha-se impondo entre grande parte da população – mas, além do ideal político subsidiário da Revolução Francesa de 1789,os dislates, na política e na vida pessoal, de D. Carlos foram uma das alavancas para o triunfo da República.

De facto, o rei D. Carlos, que era um homem culto e inteligente, portou-se de uma forma imponderada quer no plano político, quer mesmo na sua vida privada. No plano político, o seu reinado começou praticamente com um desaire – a vergonha do Ultimato – e continuou, com erros que só não eram evidentes para o próprio D. Carlos. Muitos monárquicos condenavam a vida de dissipação que o rei levava – amantes, prostitutas, filhos bastardos, gastos ostensivos e sumptuários. Mas tudo isso lhe seria perdoado se a sua conduta como chefe de Estado fosse aceitável. Todos sabemos como as coisas acabaram – com um Regicídio (em que morreu também o príncipe herdeiro) e com a subida ao trono de um jovem que não fora preparado para reinar. Há um livro muito interessante, o de Joaquim Leitão, «Diário dos Vencidos» que nos proporciona, a nós que quase só conhecemos a perspectiva republicana, uma visão da proclamação da República a partir do campo monárquico.

Porém, este meu texto de hoje tem apenas um objectivo – falar da bandeira nacional, a tal que, faz 99 anos, foi içada na varanda do Município. As cores verde e vermelha que, do ponto de vista da heráldica e da vexilologia, são incompatíveis, desde a revolta de 31 de Janeiro de 1891, estavam associadas ao Partido Republicano Português. Durante quase vinte anos, com diversas combinações – umas vezes era o verde que ficava junto da tralha outras o vermelho – foram sendo usadas pelos republicanos. Assim, quando após a implantação da República, abolida a bandeira da Monarquia Constitucional, foi aberto um concurso para a aprovação de uma nova insígnia nacional. Mas foi dado um prazo muito curto para apresentação das propostas. Houve diversos projectos, uma das quais do grande poeta republicano Guerra Junqueiro, que defendia que as cores da bandeira deviam ser mantidas substituindo-se apenas o brasão de armas. Fazia todo o sentido, porém, o apego ao verde e o vermelho prevaleceu.

Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas e Abel Botelho foram nomeados para a comissão que especificaria os pormenores e vigiaria o trabalho da Cordoaria Nacional encarregada de executar a encomenda. Columbano, o grande pintor, fez estudos de cor, escolheu criteriosamente os tons de verde e de vermelho (de forma a que a incompatibilidade se esbatesse), evitando o verde garrafa e o vermelho vivo. Com surpresa sua, quando as bandeiras foram entregues, as cores eram garridas – tal e qual como a comissão nomeada pelo Governo Provisório dissera que não deviam ser. Justificação: «para a quantidade encomendada, só tínhamos em armazém tecidos destas cores».

É uma discussão recorrente – se devemos ou não voltar à bandeira azul e branca. É mais bonita e o azul e o branco são compatíveis entre si, como a vexilologia quer. Mas, passados todo este tempo, não teria justificação. Durante a Monarquia, da Fundação a 1910, em 770 anos houve talvez mais de 20 bandeiras. A bandeira azul e branca vigorava desde 1830, tendo durado, com pequenas alterações, 80 anos. A verde-rubra vai fazer 100 anos – nenhuma bandeira monárquica durou tanto. Talvez não seja muito bonita, mas já nos habituámos a ela. E onde é que está escrito que as bandeiras têm de obedecer às regras da vexilologia e da heráldica?

As sapatilhas espalhadas ao acaso, aliás chuteiras, aliás publicidade ilegal e imoral

marca bolaParece que nikepagaram duas primeiras páginas, não meto aqui o outro pasquim: só nos dias seguintes às vitórias do Porto em competições internacionais ou a  medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos me lembro que existe.

Mas podem vê-la que a Maria João Pires também a publíca.

QUADRA DO DIA

Anda em tudo a reacção

De mão dada com a igreja

Mal o galo tem tesão

Já a galinha cacareja.

A República vista pelas pessoas

Saio e sou atacado pela República. Para cima, uma caravana eleitoral; para baixo, outra. Pelo meio, uma canção tipicamente portuguesa como são todas as canções brasileiras. A letra é extraordinária: “Você não vale nada, mas eu gosto de você.” num refrão que ocupa mais de metade da duração da música.

Fernando Nabais, Política à portuguesa ou “Você não vale nada, mas eu gosto de você”


No dia do animal – Homenagem aos voluntários das associações

Ao longo de todo o dia, milhares de voluntários sairam das suas casas para trabalhar, gratuitamente, em prol dos animais. Fazem-no diariamente, mas hoje, por maioria de razão, sairam por um motivo muito especial: era o Dia do Animal e havia que organizar campanhas de adopção e de vacinação de cães e gatos. Já participei em muitas ao longo dos anos e sei bem o trabalho que dá, o esforço que exige de nós próprios.
No final do dia, exaustos, vemos ainda assim que valeu a pena. Deram-se animais, ganhou-se dinheiro para comprar comida para os nossos animais, sensibilizou-se a população para o flagelo que continua a ser o abandono de cães e gatos e a sua proliferação a níveis preocupantes.
Foram todos esses voluntários e todas as suas associações que o Aventar quis homenagear ao longo do dia de hoje com vários «posts» a alertar para alguns dos maiores problemas dos animais em Portugal e no mundo. Doravante, vós tereis aqui o vosso espaço, sempre ao fim-de-semana, para divulgação dos animais disponíveis para doação. Basta enviar-nos as fotos e uma pequena descrição de cada caso.