Segredos de Estado?

Depois de uma semana a discutir, comentar, mentir, publicar, esconder, há uma questão que fica por fazer, neste assunto entre Cavaco e Sócrates.

Há segredos de Estado entre a Presidência da República Portuguesa e a Presidência do Conselho de Ministros?

E entre a Presidência do Conselho de Ministros e o Presidente da República?

Eu julgava que os dois orgãos trabalham para o bem do país e que, por isso, segredos de Estado não há, a não ser para terceiros!

Haverá segredos de vícios privados?

Afinal, sempre se espiam?

Ó Rui, ó Carlos Tê, actualizem: Voar como o Falcão entre os centrais

e agora olhem para ele aqui: Golo de Falcão Olhanense-Porto. E para a crónica do jogo, que foi agradável, mas onde por alguma estranha associação de ideias me recordei que o Jorge Costa (com tudo o que lhe devemos e não esqueço) também treinou o Braga. Pois.

FALCÃO UMA E OUTRA VEZ

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PORTO 3- OLHANENSE 0
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Uma vitória tranquila para o FCPorto e um resultado demasiadamente pesado para este Olhanense. Mereceria pelo menos um golo, até porque terá ficado um penalti sobre Rabiola por marcar. Não está de modo algum em dúvida a vitória do Porto, mas o Olhanense sabe atacar e joga bem e bonito. Hulk mereceria pelo menos um golo, pois que teve duas bolas à trave. Falcão não deixa de marcar em todos os jogos, bisando no de hoje. Maravilhoso investimento, este.
Augura-se um campeonato tranquilo para o clube de Jorge Costa. Estas três derrotas seguidas não traduzem o real valor da equipa. Uma nota positiva para Rabiola, que não descansou de tentar mostrar o que vale a Jesualdo Ferreira, a ver se o voltam a chamar o mais depressa possível (para o ano, provavelmente). As defesas da noite foram para Veríssimo, do Olhanense.
No fim do jogo, tudo muito nervoso, com Tomás Costa a ter o nariz partido. Estragou a festa, pá!

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JM
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FutAventar #9 – F.C. Porto: Cabeças Geniais

Foram duas cabeçadas de génio a abrir e mais um ensopado de peixe sem espinhas. Um Porto imperial.
Este jogo fez-me lembrar a velha máxima do nosso futebol: são onze contra onze e no fim ganham os de azul-e-branco.

No Dia do Animal – A Senhora das Peles


A Senhora das Peles anda feliz. Sempre com o seu sorriso desbragado, é vê-la, impante, orgulhosa, pelas «passerelles» do país e do estrangeiro. Pavoneando-se como uma estrela, como se de alguém realmente importante se tratasse.
Quando a acusam de usar peles verdadeiras para os seus vestidos, a Senhora das Peles zanga-se. E diz que não tem nada com isso. Ela nem sequer trata mal os animais. São mas é uns invejosos, que querem dar-lhe cabo da carreira e promover-se à sua custa. Afinal, quem a critica come bifes. Veja-se lá, come bifes…
Para a Senhora das Peles, tirar a pele a um animal para produzir um casaco de luxo é a mesma coisa que utilizá-lo para a sovrevivência alimentar da espécie humana. Provavelmente, comer um bife também será a mesma coisa que massacrar animais nas touradas, ou nos circos, ou nas lutas de cães e de galos. Ou até nas desumanas condições dos matadouros portugueses… É tudo a mesma coisa – e estou à vontade para falar, porque pratico um regime alimentar vegetariano sempre que possível.
Obviamente, a Senhora das Peles nunca leu a Declaração Universal dos Direitos dos Animais. Se souber ler, verá que as situações são bem distintas. E que, ao contrário do que defende, não é preciso ser vegetariano para ser defensor dos animais. Aquela Declaração admite o uso de animais para a alimentação humana desde que se proceda com o máximo respeito por aqueles que sacrificamos. Não admite mais nada. Não admite, por exemplo, sacrificar um animal para as futilidades da Senhora das Peles.
Diz a Senhora das Peles que usar peles verdadeiras para fazer roupa é uma tendência. A ser verdade, bem estariam aqueles que se recusassem a seguir essas tendências. Seja quem faz essas roupas, seja quem as usa. Criminosos são todos.
A Senhora das Peles envergonha-nos a nós, portugueses, e faz-nos lamentar a sua existência.
Não seria possível emigrar?

Nota: Já que se fala do uso de animais para o luxo e o lazer, por que não para o trabalho? Até porque nós também somos animais.
E não é que o escape da Senhora das Pees serviria na perfeição para uma bela vassoura ou até para uma resistente piaçaba?

Publicado em «O Primeiro de Janeiro» em SDetembro de 2005.

POEMAS DO SER E NÃO SER

O silêncio não é silêncio

apenas uma espécie de pausa

na vivência dos poemas azuis

que digo e redigo em silêncio

dentro de mim

todos os minutos do meu dia.

Poemas azuis

que em silêncio declamo ao vento

na esperança de que um dia os ouças

em silêncio

com os ouvidos que eles merecem.

Poemas azuis

que brotam em silêncio

da tua imagem sempre presente na estante

onde diariamente

recai o silêncio dos meus olhos.

 

                      (adão cruz)

(adão cruz)

Sporting: Quando cai Paulo Bento?

Não há volta a dar-lhe. É o quarto ano de Paulo Bento à frente do Sporting e, mais uma vez, começa a hipotecar as suas hipóteses desde cedo. Mais uma vez em casa e mais uma vez contra adversários inferiores.
A 11 pontos de um sensacional Braga, não admira que os adeptos se revoltem. A questão começa a ser quando é que Paulo Bento cai e se o Sporting fica em 4.º lugar ou ainda mais abaixo.

Cartazes das Autárquicas (Gondomar)

DSC05066

*DSC05331


Isabel Santos, PS.

Petição Salgueiro Maia


O Aventar acaba de lançar uma petição para salvar a casa onde nasceu o capitão Salgueiro Maia, em Castelo de Vide. Uma casa que se encontra em estado de degradação evidente e em perigo de ruína. Para assinar a petição, que será enviada à Assembleia da República, basta carregar na foto da barra lateral e preencher os dados pessoais. Esta petição estará ao dispor dos interessados no Aventar e em mais nenhum local. Se não pretender que o nome seja publicado no blogue, bastará assinalá-lo. Salvar a memória de Salgueiro Maia é salvar a nossa memória comum. Façamos alguma coisa por todos nós. Um agradecimento final à Maria Monteiro, a autora da foto e a primeira a alertar para o estado de destruição da casa.</p>

No Dia do Animal – Os animais de circo

A propósito dos temas de hoje: Brasil e animais (sendo que nesta história só há animais de plástico)

Acho que foi em 2003 ou 2004 que fui para S. Paulo colaborar num projecto social, dinamizado por voluntários humanistas. O projecto estava em curso, não era a primeira viagem que se fazia e eu fui encontrar uma equipa de jovens promotores brasileiros que tinha já actividades em marcha na cidade. Pouco antes da minha partida, tinha-se juntado à equipa paulistana (“paulista” usa-se, aprendi na altura, para os que são do estado de S. Paulo) um jovem filho de imigrantes japoneses com muita experiência de colaboração com organizações não governamentais (que os brasileiros pronunciam “ongue”). Aliás, fazia disso profissão, a prestação de serviços às ONG. De certa forma, ele tinha-se colocado como orientador desse grupo de voluntários uma vez que era o mais experiente. Como as reuniões de trabalho eram animadas, toda a gente queria falar e opinar e sugerir, e nem sempre se conseguia gerir os tempos de maneira a que todos pudessem intervir, este nosso amigo decidira aplicar uma ideia que ele usava nas suas ongues. Certo dia levara para a reunião um porquinho mealheiro, que tinha sido um brinde publicitário de um banco que todos os brasileiros conhecem, e fizera-o circular pela sala.

Durante um período de tempo controlado pelo moderador (adivinhem quem), cada um ficaria com o porquinho nas mãos e apenas o guardião do porquinho poderia falar. Quem não tivesse o porquinho tinha de estar calado e esperar que o animal lhe chegasse. Claro que esta ideia, aceite no plano teórico, logo começou a revelar-se difícil de implementar. Quem não tinha o porco falava na mesma e, quando advertida, pedia o porco só por um instante para não cortar o raciocínio. Quem tinha o porco e era interrompido insurgia-se contra o desrespeito das regras e levantava o porco no ar para mostrar quem era o dono da palavra. No meio de tudo isto, o moderador passava um mau bocado até conseguir tirar o porco das mãos de quem não o queria soltar e pôr um pouco de ordem na casa. O porco também devia passar um mau bocado, disputado por todos, agarrado com demasiado ímpeto e soltado a custo. Talvez tenha sido uma imposição neo-colonialista mas lá conseguimos convencê-los a abdicar do porco nas reuniões e acabamos por trazê-lo connosco de volta para Portugal. Não sei qual o paradeiro do bicho mas creio que estará esquecido na gaveta de alguém. Essa viagem a S. Paulo e a que se lhe seguiu tiveram todos os lugares-comuns das viagens dos portugueses ao Brasil. Simpatia desarmante dos brasileiros, padarias de portugueses que nos perguntam se conhecemos o seu irmão que vive em Chaves, algumas quezílias a propósito do papel dos tugas nos problemas actuais do Brasil, feijão preto delicioso e péssimo café açucarado, chuva tropical, favelas encostadas aos arranha-céus em cujos topos pousam os helicópteros que transportam os ricaços da cidade. E no que a mim me respeita, o fascínio provinciano com aquela avenida paulista transbordante de uma energia que o velho mundo já não tem. O nosso amigo que tivera a ideia do porquinho não ficou muito mais tempo por ali, e suspeito que a retirada do porco deve ter tido a sua influência nesse afastamento. Depois de muito procurar, lá acabei por descobrir uma foto do bicho. Apresento-vos o porquinho da discórdia:

As vantagens da Integração Europeia – O exemplo da contratação pública

Alguns dos grandes dramas da saga dos dinheiros públicos nacionais são a corrupção e o tráfico de influências presentes numa percentagem inacreditável de procedimentos pré-contratuais públicos. Tratam-se de situações que minam o erário público, porquanto estes fenómenos nunca visam atingir um “descontozinho” para o Estado, que minam a economia de mercado ao acrescentar-lhe traços de comunismidade, pela existência de pujantes empresas que, não sendo do Estado, são do “regime” (quer a nível local, quer a nível nacional), e conseguem, por esse motivo, uma importante vantagem sobre a concorrência, mormente na sua capacidade de investimento e de remuneração de recursos humanos mais qualificados, que as ajuda a crescer e a suplantar os competidores, e que minam igualmente a qualidade da democracia, pois tratam-se de fenómenos que, ao desvirtuarem a autonomia intencional do Estado, sobrepoem-se ao principio da igualdade, “legitimando” o aparecimento de classes que, não sendo aristocráticas perante a lei, são-no em termos sociológicos.

Estes motivos fazem do combate a este tipo de criminalidade uma prioridade em qualquer Estado que pretenda fazer parte do clube da democracia. No entanto, Portugal nada tem feito (voluntáriamente) nesta matéria. Todos os avanços positivos que foram feitos em Portugal nesta matéria, quer ao nível do procedimento, quer ao nível do contencioso, derivam directamente de imposições comunitárias, sem as quais a “selva” dos contratos públicos ainda não teria os escassos traços de civilização que hoje vai tendo.

Para melhor se perceber o quanto Portugal vai resistindo às imposições comunitárias, basta atentarmos, entre outros incumprimentos (como no tristemente célebre caso das medidas excepcionais que permitem, em certas circunstâncias, ajustes directos de vários milhões de euros) no incumprimento sistemático do prazo de tansposição de directivas. E o argumento das dificuldades práticas utilizado pelas autoridades vai tendo, cada vez mais, perna curta. Hoje, trago o exemplo do Código dos Contratos Públicos e da sua relação com a directiva 2007/66/CE.

Esta directiva data de 11 de Dezembro de 2007 e consagra, entre outras, uma solução que pode vir a revelar-se importante em alguns processos de impugnação de decisões adjudicatórias: a criação de um hiato temporal obrigatório entre o momento da adjudicação e o da assinatura do contrato, para permitir que o recurso das decisões adjudicatórias não seja desprovido de efeito útil, por o contrato se encontrar já celebrado e executado. O prazo de transposição termina a 20 de Dezembro de 2009, e Portugal ainda não transpôs a directiva.

Ora, a 29 de Janeiro de 2008, data posterior à da publicação da directiva, Portugal publica o Código dos Contratos Públicos. Depois dessa data, Portugal altera o regime, em 6 de Fevereiro de 2009, estabelecendo as já mencionadas medidas excepcionais (Decreto-Lei 34/2009).  Depois disso, o regime foi ainda revisto em 11 de Setembro (DL 223/2009), adiando a “morte” do papel até 31 de Outubro de 2009, e outra vez no pretérito dia 2 de Outubro de 2009 (DL 278/2009), para garantir a flexibilidade da sua aplicação às actividades de investigação e desenvolvimento em instituições científicas e de ensino superior.

Em nenhuma destas circunstâncias se aproveitou a ocasião para transpor a directiva 2007/66/CE. Assim, parece evidente que esta transposição, quando ocorrer, não será feita com convicção. Será feita porque… tem que ser! E, muito provavelmente, depois do prazo.

Trata-se de uma circunstância lamentável e profundamente lesiva dos interesses nacionais. As soluções que estão na directiva 2007/66/CE não deveriam ser transpostas tão tardiamente. Quase que apetece dizer que deveriam lá estar desde sempre. Nesta matéria da contratação pública, temos Estados cujas soluções inspiram o teor das directivas, e temos Estados que adoptam uma posição de resistência face ao teor das mesmas. Uma espécie de guerra Norte/Sul à europeia, guerra essa na qual Portugal, qual Alabama, está situado bem a Sul. No entanto, esta resistência ilustra de forma inequívoca a cumplicidade dos mais elevados cargos do Estado no perpetuar da cultura da cunha, do favor e do favorecimento no dominio da contratação pública, fortalecendo a crescente dívida de gratidão que o povo português tem (ou deve ter) para com a classe política estrangeira. É que é só graças à classe política do norte da Europa que, aqui e ali, vamos vendo alguns sinais de transparência na contratação pública nacional.

Apresentação

A convite do meu querido amigo Mohammed Al-Sahaf, refugiado iraquiano em Portugal que, numa tentativa de se integrar no melting pot, insiste em que lhe chamem Fernando Moreira de Sá, cá estou eu de volta às andanças da Blogosfera.

Mais velho, mais paciente, mais experiente, com uma idade que, se tivesse decimais, arredondava para 30. Em menos de 3 anos junto-me ao FMS no clube dos velhos.

Como tal, é largamente exagerado o boato de que venho reforçar a sinistra. Como comentador de um blogue da dimensão do Aventar, devo ter sempre o interesse nacional em mente, resistindo às pressões que surjam dos diversos quadrantes político-partidários.

Como comentador, devo manter-me acima dessa luta e assegurar a inviolabilidade do meu login.

A minha perspectiva é a da que temos uma classe política que reflecte fielmente os piores defeitos do país não reflectindo, contudo, as virtudes, pois à volta do Estado aglutinam-se tendencialmente os estereotipos máximos de uma certa pequenez lusitana, sendo que as nossas melhores mentes fogem, justificadamente, da vida pública a sete pés. Há décadas que a má moeda conseguiu fácilmente expulsar a boa e temos a vida pública praticamente entregue a professores universitários que nunca saíram dos gabinetes, a advogados que nunca advogaram, a engenheiros que nunca “engenharam”, e a um enorme contingente de pessoas que fogem de um sector privado no qual não se conseguem afirmar.

Assim sendo, dificilmente entrarei em guerras politico-partidárias que, hoje, considero enfadonhas e desprovidas de sentido (não considero que sejam enfadonhas e desprovidas de sentido em absoluto, apenas considero que, com estes protagonistas, o são). Escreverei sobretudo sobre questões concretas que, de alguma forma, afectam a nossa vida, sem qualquer orientação partidária subjacente.

No entanto, como declaração de interesses, o meu posicionamento político favorece um combate activo à pobreza e suas consequências, uma promoção activa da igualdade de oportunidades, e também é pouco avesso a ver o Estado intrometer-se em questões de religião e moral, que considero sectores que devem ser apolíticos.

Até já!

O 5 DE OUTUBRO ACONTECEU NO 25 DE ABRIL

O 5 DE OUTUBRO ACONTECEU NO 25 DE ABRIL

Duas datas diferentes na mesma bainha para os mesmos objectivos do nosso país. Datas que parecem espadas, eis porque falo da mesma bainha. São, metaforicamente duas espadas de datas dentro da mesma bainha. Tudo o que o país queria era liberdade. Nunca tinha tido espaço para si próprio, o povo de Portugal. Desde 1139 com o nosso primeiro rei proclamado pelos populares por ganhar imensas batalhas contra os, denominados pelo povo portucalense do condado desses tempos, invasores, o povo português nunca mais teve paz. Afonso Henriques foi rei a partir de 1143, data em que o Papa ditou uma bula .
Afonso Henriques comprou a coroa por 100 sacas de moedas de ouro de cem quilos cada saca. Entre batalha e batalha, não apenas o povo português nunca mais teve paz, bem como foi expandindo os seus territórios até à fronteira com África. História que todos conhecemos e, para os que a não saibam, é suficiente ler os historiadores citados em nota de rodapé, e ficamos quites: Afonso El-rei, a sua mãe desterrada, os marroquinos nas suas terras de origem e nós….com santa liberdade e muita terra para partilhar com os de Guimarães, Castela e Leão. Faltava, sim, a Liberdade.

Ilustração 1ª Liberdade guiando ao Povo, de Eugène Delacroix, 1833

Não é por acaso que coloquei esta imagem do pintor Delacroix dentro destas curtas ideias. Portugal tinha tudo, excepto Liberdade. Soldados, servos da gleba, súbditos de um monarca absoluto, entre 1143 e 1820, ou vassalos dos Espanhóis, que entravam no país quando queriam e em épocas diferentes e por sítios e motivos diversos. A pintura de Delacroix, muito embora com a bandeira francesa, é o símbolo dessa liberdade jamais obtida, até ao dia de hoje. Os franceses souberem trazer para Portugal, na invasão de 1818, ideias liberais. As pinturas de Delacroix falam e contam a história do povo oprimido, como o Massacre de Chios , essa matança de milhares de gregos na ilha de Chios, pelos turcos otomanos em 1822 .
Matanças em Portugal, ao longo de todos os Séculos da sua existência, até ser proclamada a República a 5 de Outubro de 1910. Mas as guerras não pararam, apesar dos esforços do Partido Republicano, com a liderança de Afonso Augusto da Costa, como narro no meu Aventar anterior. Há a Revolução de 1911, a reinstalação da República e, a seguir, em 1918, a rebeldia de Sidónio Pais , que todo o mundo conhece, como sabe que o primeiro período da república foi tudo menos sereno: as convulsões sociais sucediam-se às políticas e económicas. Em 1910, instala-se a I República, até 1926, que abre o cenário da Ditadura Militar (dando início à II República) que vigorou até 1974, contudo, alguns historiadores consideram que entre 1926 e 1974 há duas fases diferentes, 1ª – de 1926 a 1933 (data da nova Constituição que aboliu a de 1911); 2ª 1934 a 1974. As fontes, datas e nomes, são bem conhecidas, até por tratar delas nos meus Aventares anteriores, e o Estado Novo que todos sabemos, entre 1933-1974.
A partir de 1974 a ditadura é derrubada pelo Movimento das Forças Armadas e começam os alinhamentos e realinhamentos de partidos e grupos, como o que era pretendido a 5 de Outubro de 1910. Há movimentos que se dissolvem para entrar nos Partidos organizados, facilitando a entrada de Portugal na Comunidade Europeia, hoje, União Europeia.
No entanto, no entanto, as eleições legislativas de Setembro último apresentam-nos um país em que parece que nada é levado a sério. O partido que nos governava perdeu a maioria absoluta, o PS, e o seu rival PSD não atingiu assentos na Assembleia para poder Governar. O CDS-PP e a CDU são alargados pela eleição de Deputados que não esperavam, o Bloco de Esquerda diz que dois Deputados lhe foram roubados, apesar de ter redobrado a sua representação parlamentar, mas, como já não é a terceira força politica, passou para o lugar imediatamente abaixo do poder político para nos governa, ainda reclama desse latrocínio.
Não há mouros para lutar e afastar do país, não há a Infanta Teresa de Leão para lutar. Ficamos sós, a pactuar entre as melhores conveniências, para as nossas próximas eleições. Vejo esse meu antigo estudante, Presidente (PSD) do concelho de Cascais, coordenar-se com o CDS-PP, do qual, dizia, nunca ter gostado.
Quem será chamado pelo fragilizado Presidente da República para governar este fragilizado país para nos governar?
O 25 de Abril restaurou a lei e a constituição, os partidos desenvolveram-nas, mas, para benefício de quem?
Até me apetece repetir, como Karl e Jenny Marx, proletários do mudo, uni-vos….. Salvemos este símbolo (na minha frase final) para defender essa ideia de que o 5 de Outubro começou a nascer em 1974, e que anda sempre para trás e para a frente. Falta-nos Zeca Afonso outra vez para cantar Grândola, Vila Morena, e recomeçarmos…..
Mas, quem é nos dias de hoje proletário? Serão os habitantes dos bairros de lata, que em esmolas ganham centenas de euros….? Será o electricista, que cobra 20€ por uma deslocação, exceptuando-se o trabalho? Será a senhora que trabalha em casa, cozinha e lava a roupa e anda de carro? Serão os técnicos de informática, tão necessários para nós, porque deles dependemos até para comunicar com alguém, que cobram tal como os outros sempre que os chamamos? Ou a rapaziada que nos leva as compras a casa?

A minha frase final: defendamos a Liberdade, incrustada neste pendão:

Ilustração 3: Bandeira de Portugal (créditos fotográficos: António Vale).

Raúl Iturra, 4 de Outubro de 2009.
lautaro@netcabo.pt

JORGE SAMPAIO???

Li há dias que o PS vai tentar reciclar Jorge Sampaio para as presidenciais. Será possível?

Fiz parte de uma comissão de apoio à candidatura de Jorge Sampaio, aquando da eleição para o primeiro mandato. Lamento profundamente ter tomado essa decisão e envergonho-me de o ter feito.

De surpresa em surpresa, de espanto em espanto, de frustração em frustração, ele conseguiu levar-me à desilusão total. Mas desilusão é uma coisa e agressão é outra.

A presidência de Jorge Sampaio, a seguir à de Cavaco, foi, no meu entender, a pior de todas. Já não falo na sua notória incapacidade para ultrapassar a fronteira para além da qual o homem se prefigura como exemplo de inteligência e saber, capaz de levar à admiração. Já não falo da sua aparente “modéstia”, pois não é difícil perceber, pelo que diz e pela forma como pretende insinuar-se e publicitar-se, que é vaidoso e um tanto cabotino. Aparentemente muito simpático, não deixa dúvidas, quanto a mim, que se trata de uma simpatia translúcida, muito pouco genuína. Mas tudo isto não seria grave se não fossem as coisas que fez.

Lembro apenas, entre muitas que configuram alguma cobardia política, as duas seguintes:

1 – O seu veto, em toda aquela questão referente ao Acto Médico. Mostrou, para além de motivos que desconheço, uma total incapacidade de entender o que é a verdadeira medicina, a seriedade do autêntico exercício da medicina séria, a sua dignidade como tarefa humana ímpar, não miscível com toda e qualquer das conspurcações que, infelizmente, a envolvem. Perdeu-se com ele uma oportunidade única de iniciar, com seriedade e responsabilidade, uma barrela na pouca vergonha que alastra como um tsunami sobre a nossa sociedade.

2- A condecoração de Frank Carlucci. Condecorar Frank Carlucci, seja com que condecoração for, é uma agressão à humanidade, uma agressão a Portugal e uma agressão pessoal a este cidadão que em tal presidente confiou. Sei que a perda de confiança em alguém que em nós fez renascer muitas esperanças constitui uma das mais amargas experiências de vida. Se algum dia for re-reeleito e vier a condecorar Augusto Pinochet, este cidadão que nele confiou, já sem forças para tremer, terá ainda algum resquício de forças para vomitar.

«O Tony Carreira é um pedaço de mau caminho» (a propósito das Autárquicas em Gondomar)

Parece que anda tudo maluco, em Gondomar, por causa das Eleições Autárquicas. O Major Valentão já ganhou, isso sabemos todos, mas nem por isso a animação é menor.
O menos animado ainda parece o PSD. Quanto ao PS, apresenta cartazes atrás de cartazes e, em cada um deles, a candidata, Isabel Santos aparece transfigurada. Valha a verdade que, em cada um que aparece, está mais jeitosa do que no anterior. Os Presidentes da Junta do PS, por seu lado, parece que se multiplicam e que andam por todo o lado. Ainda ontem o de Rio Tinto passou à minha porta a acenar vigorosamente à multidão, que era constituída por mim próprio (que voto no Porto) e pela minha filha, que tal como a Daniela Major, ainda não tem idade para votar.
Até a D. Sãozinha, a simpática funcionária do café daqui da zona. Passou-se! Sempre circunspecta, muito calma, falando muito baixinho, sempre muito educada, de repente põe-se aos gritos, no Sábado, no meio do café: «Ai, o Tony é um pedaço de mau caminho. Ele é todo bom, ele!»
Depois percebi que o Tony era o Tony Carreira e que na véspera fora o concerto oferecido à cidade pela Câmara de Gondomar. A D. Sãozinha estava encantada.
E assim vai correndo a campanha autárquica de Gondomar. E na vossa terra, como tem corrido?

J.O. Rio de Janeiro:

Pode ser. Até pode ser que me convençam a ir ver os J.O. do Rio de Janeiro e, dessa forma, conhecer o imenso Brasil.

Mas a referência aos jogos deve-se a ESTE post sobre o Aventar em terras de Vera Cruz. Parabéns ao Luís Moreira e ao JJCardoso pela primeira internacionalização do Aventar. Um marco. Ao qual se junta a referência no Delito de Opinião e já estamos todos babados.

Eu é mais “ranho” pois tou com uma gripe que nem posso!!!

Ora, para comemorar os JO do Rio aqui vai música:

Li há dias que o PS vai tentar reciclar Jorge Sampaio para as presidenciais. Será possível?

Fiz parte de uma comissão de apoio à candidatura de Jorge Sampaio, aquando da eleição para o primeiro mandato. Lamento profundamente ter tomado essa decisão e envergonho-me de o ter feito.

De surpresa em surpresa, de espanto em espanto, de frustração em frustração, ele conseguiu levar-me à desilusão total. Mas desilusão é uma coisa e agressão é outra.

A presidência de Jorge Sampaio, a seguir à de Cavaco, foi, no meu entender, a pior de todas. Já não falo na sua notória incapacidade para ultrapassar a fronteira para além da qual o homem se prefigura como exemplo de inteligência e saber, capaz de levar à admiração. Já não falo da sua aparente “modéstia”, pois não é difícil perceber, pelo que diz e pela forma como pretende insinuar-se e publicitar-se, que é vaidoso e um tanto cabotino. Aparentemente muito simpático, não deixa dúvidas, quanto a mim, que se trata de uma simpatia translúcida, muito pouco genuína. Mas tudo isto não seria grave se não fossem as coisas que fez.

Lembro apenas, entre muitas que configuram alguma cobardia política, as duas seguintes:

1 – O seu veto, em toda aquela questão referente ao Acto Médico. Mostrou, para além de motivos que desconheço, uma total incapacidade de entender o que é a verdadeira medicina, a seriedade do autêntico exercício da medicina séria, a sua dignidade como tarefa humana ímpar, não miscível com toda e qualquer das conspurcações que, infelizmente, a envolvem. Perdeu-se com ele uma oportunidade única de iniciar, com seriedade e responsabilidade, uma barrela na pouca vergonha que alastra como um tsunami sobre a nossa sociedade.

2- A condecoração de Frank Carlucci. Condecorar Frank Carlucci, seja com que condecoração for, é uma agressão à humanidade, uma agressão a Portugal e uma agressão pessoal a este cidadão que em tal presidente confiou. Sei que a perda de confiança em alguém que em nós fez renascer muitas esperanças constitui uma das mais amargas experiências de vida. Se algum dia for re-reeleito e vier a condecorar Augusto Pinochet, este cidadão que nele confiou, já sem forças para tremer, terá ainda algum resquício de forças para vomitar.

https://aventar.eu/2009/10/04/63324/

A língua portuguesa é mesmo muito traiçoeira

Anda um português muito contente pela designação do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Senta-se o português e escreve no momento em que se sabe que o Rio ganhou a Madrid: “Entre os nossos irmãos ou nuestros hermanos, preferência clara pelos primeiros. A minha, e a dos votantes.”

Entretanto começa a polémica lusa habitual. Que o Brasil é um país pobre e não se devia meter nesses luxos. Que é um país de ladrões e criminosos incapaz de garantir a segurança dos Jogos (não hiperligo, mas é fácil de encontrar).

Senta-se novamente o português e escreve um título irónico: Os jogos olímpicos no país dos pobres presidido por um apedeuta, onde bate nos que chamam apedeuta ao Presidente Lula, defende o investimento nos Jogos Olímpicos, e termina com uma boca ao reaccionário Pelé, como bom adepto do Maradona que sempre foi.

E cai-lhe isto em cima: “Favelas são enfatizadas em comentários sobre as olimpíadas do Rio” subtítulo para uma prosa onde Pepe Chaves treslê tudo o que leu, cita fora do sítio, resumindo e concluindo: não pescou um chavelho, não viu o elefante olhou para a formiga que o cavalgava, entrou no Dia Mundial do Animal como uma alimária.

Agora levanta-se o português e berra: eu já não quero só um acordo ortográfico, quero um acordo gramatical completo. Ou uma declaração solene de ambos os países: português e brasileiro são línguas distintas com vagas raízes em comum.

A minha pátria ainda é a língua portuguesa, mas acabou de encolher nuns milhões de falantes. É triste.

No Dia do Animal – Os toureiros, esses valentões


São uns valentões, os nossos toureiros. Do alto do seu cavalo, entretêm-se a espetar com afiadas bandarilhas o lombo dos touros. Tonitruante, a multidão aplaude tal acto de coragem e de bravura. Entusiasmado, o toureiro leva mais longe o seu heroísmo e por vezes até chega a cortar orelhas.

É um valentão, o toureiro. É verdade que, antes de entrar na arena, o touro foi transportado sem condições durante dezenas ou centenas de quilómetros; é verdade que foi mantido na escuridão durante horas seguidas e que, ao entrar em cena, a luz fere-lhe o olhar; é verdade que os seus cornos foram cerrados; é verdade que os seus cascos foram limados; é verdade que os seus olhos foram esfregados com vaselina; é verdade que recebeu tranquilizantes.
É verdade que o touro já entra na carnificina meio morto e que só reage devido à dor e sofrimento que lhe foi infligido antes. Mas isso não diminui em nada a coragem do nosso valentão. Do nosso toureiro. Que, teatral, com o seu fato de bailarino, vai empolgando a multidão e agradecendo-lhe os aplausos. Ninguém se apercebe de que o touro já foi massacrado antes. Ninguém compreende que aquela guerra é desleal – é como «bater em mortos», é Estados Unidos contra Iraque, é adulto contra criança, é Golias contra David.
Ninguém não! Quem fez o trabalho sujo dos bastidores sabe-o muito bem! Mas, complacente, aplaude o nosso toureiro como se ele fosse realmente um herói. E o toureiro agradece, fingindo que não sabe o que o outro sabe. Quanto ao touro, é aquele que sabe melhor, mas, por razões óbvias, não o pode dizer.

Claro que, por vezes, o Golias distrai-se, por se julgar invencível; e o David, num último estertor, excede-se. Nessas alturas, é o toureiro a ser espetado, a ser corneado, por vezes em locais do corpo que devem ser bem dolorosos! E o fato de bailarino que protege tão pouco…
Nessas alturas, os touros sentem-se vingados. Estão a sofrer, vão morrer, mas por um momento foram os vencedores. Verdadeiros heróis que devemos aplaudir com todas as nossas forças. Pessoalmente, reconheço-o sem hipocrisias, fico contente quando os toureiros são corneados por trás, violados e feridos no seu orgulho de machos! E ainda por cima no sítio em que o macho nunca admite vir a ser ferido…

A penetração é dolorosa, esse tal de Pedrito que o diga, mas tem uma vantagem: o toureiro, já não tão valentão, fica a saber o que sente o pobre touro de cada vez que é atingido. Nada que o preocupe, como é óbvio. Da próxima vez, há que rectificar os prévios procedimentos: os cascos deverão ser melhor limados, a quantidade de vaselina nos olhos será substancialmente reforçada, o mesmo se fará com os tranquilizantes.

Se todos souberem cumprir o seu papel com profissionalismo, não haverá problemas. E tudo voltará a ser como dantes. Os toureiros serão de novo os nossos valentões. Os nossos heróis. E a ululante multidão, gente sem alma nem coração, irá aplaudir freneticamente. Porque não sabe, nem quer saber, que acabou de assistir a uma luta de Golias contra David; de adulto contra criança; de Estados Unidos contra Iraque. Afinal, «bater em mortos» é tão bom: é vitória assegurada.
Todos são culpados: os algozes que perpetram o crime, as empresas que os patrocinam, os aficionados que lhes pagam e os políticos que nada fazem quando tudo podiam fazer.

Publicado em «O Primeiro de Janeiro» em 9 de Novembro de 2005

Poemas com História: Ode a Jean de La Fontaine, podendo também passar por uma autocrítica

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A história deste poema (que nunca foi publicado) é curta. Foi escrito durante o PREC (acho que se nota) e era cantado pelo meu amigo Aristides. Nele me penitenciava por, muitas vezes e particularmente nesse período atribulado, utilizar nomes de animais no sentido pejorativo. O meu amigo, Professor Germano Sacarrão, grande zoólogo e ecologista, bem me dizia que os animais não são bons nem maus, limitando-se a lutar pela sobrevivência. Mas quem, naqueles dias de brasa, resistia à tentação de chamar «chacal», «tubarão», «abutre» aos que exploravam (e exploram) quem trabalha? O Aristides, também conhecido por «Passarinho», nas cooperativas, fábricas, escolas, onde cantava punha a assistência a gritar repetidamente os últimos versos – era um sucesso. Dizia assim:

Os abutres, as hienas,
os tubarões, os chacais
são apenas animais
que lutam para viver.
Chamar abutre ou hiena,
tubarão, lobo ou chacal
a um grande industrial
ou importante banqueiro,
é abuso de linguagem
e ainda para mais
é o erro cometer
de insultar animais
cujo crime é a coragem
de querer sobreviver.

Mister multinacional
não é abutre, nem hiena,
nem tubarão, nem chacal –
não há nada que não venda,
que não importe ou exporte,
come com os dentes da fome
que devora milhões de homens,
vive com as garras da morte
que ceifa vidas à toa.

Mister multinacional
não é abutre, nem hiena,
nem tubarão, nem chacal.
A quem come carne humana
e converte a morte em ouro,
a vida em mercadoria
de reduzido valor,
é errar a pontaria
chamar abutre ou chacal:
– capitalista é canibal!
– capitalista é canibal!

No Dia do Animal – Pintainhos ainda vivos atirados para uma trituradora


A Mercy for Animals, organização norte-americana dedicada à defesa dos animais, revelou, num vídeo feito com uma câmara oculta, que a maior produtora de ovos do Mundo atira pintainhos ainda vivos para uma trituradora. Todos os dias morrem assim 150 mil aves.

O vídeo mostra a linha de montagem da Hy-Line International, em Spencer (Iowa), onde trabalhadores analisam os pintainhos que acabam de sair dos ovos, arremessando todos os machos para uma passadeira que os conduz à trituradora.

Segundo a Mercy for Animals, a eliminação dos machos é prática corrente no sector e deve-se ao facto de estes não produzirem ovos e serem mais difíceis de aproveitar para alimentação.

Já as futuras galinhas sofrem outros abusos na linha de montagem, existindo uma máquina que retira parte dos seus bicos, o que lhes causa dores crónicas.

O vídeo da Mercy for Animals mostra pintainhos moribundos no chão das instalações da Hy-Line International e deixa um apelo para que as pessoas deixem de consumir ovos.

A empresa reagiu através de um comunicado, garantindo que irá investigar o caso, visto que o vídeo “parece mostrar violações das normas internas quanto ao tratamento dos animais”. No entanto, realçou que a prática daquilo a que se chama “eutanásia instantânea” dos pintainhos machos é defendida pelas autoridades veterinárias.

“Infelizmente ainda não existe nenhuma forma de fazer ovos que só tenham galinhas dentro. Se alguém precisar de 200 milhões de pintainhos machos teremos todo o gosto em fornecê-los. Mas não encontramos mercado para eles”, disse à Associated Press o porta-voz da associação sectorial United Egg Producers.

Cartazes das Autárquicas (Portela)

Teixeira_Machado_CDU_J.F._Portela
Teixeira Machado, CDU, Junta de Freguesia de Portela.

A Frente Tejo S.A. – nas costas de Lisboa

Uma sociedade anónima para tratar a frente ribeirinha de Lisboa, constituída pelo governo e pela Parque Expo, e a que a CML não se associou.

Na Parque Expo está lá como presidente um amigo pessoal de Sócrates, e o arquitecto a quem foi adjudicado, por ajuste directo, a intervenção do centro da Praça do Comércio, trabalha há longo tempo com a Expo. Hoje, é-nos revelado pelo Publico, que há um trabalho de uma empresa consultora sobre a intervenção nas arcadas da praça.

Dezenas de lojas e restaurantes no rés do chão, o que exige rasgar montras nas paredes com praça e que o andar imediatamente acima, seja aborvido pelo rés do chão, para assim dar funcionalidade e espaço ás lojas.

“Panela de interesses” é assim que lhe chama Santana e “os Lisboetas nem sonham com o que se vai passando nas suas costas”, “montada entre o governo socialista e a câmara governada pelo PS”.

Costa, terá já contactado algumas multinacionais para se instalarem no “novo centro cosmopolita de Lisboa” e mesmo os torreões já terão destino. O estudo chama-se “Estratégia de Urbanização do Terreiro do Paço” e foi concluido em Abril.

Mas este é só um dos projectos com que se ameaça a frente Tejo, entre vários. Voltarei a este assunto.

O Rodeo em Salvaterra de Magos

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O João Cardoso já se referiu ao assunto: um rodeo realizado ontem em Salvaterra de Magos por iniciativa da Câmara Municipal liderada pelo Bloco de Esquerda. Um Partido que, no seu programa eleitoral, defende a abolição dos rodeos.
Felizmente, tudo correu mal. Pelo que diz Antão no Twitter, «Grande barrete que esta malta levou hoje no Rodeo em Salvaterra de Magos, 10€ para verem cabrestos e os cavalos nao chegaram a vir.» Às vezes, escreve-se direito por linhas tortas.

Mercedes Sosa (1935-2009)

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A República de Portugal nasceu como um país classista

bairros de lata
Bairro da Grande Lisboa, com prédios novos no fundo e bairros de lata ao pé para se sustentar dos trabalhos que resultam das construções dos prédios.

Queiram desculpar, mas sinto-me perdido. Por acaso moro num sítio de Portugal com imensas e evidentes desigualdades. Por acaso. Não encontrei outra casa no dia em que apareci em Portugal, tantos anos já, que até fui feito português, o que agradeço.
O que não agradeço nada, são as diferenças sociais, esses desencontros entre as pessoas: diferente classe social, diferentes saberes, hábitos de bisbilhotice, outros de solidariedade. Pobreza e riqueza juntos. Trabalho e falta de postos de trabalhos. Elegância e pobreza impossível de disfarçar. A arquitectura tem uma linguagem que explica que Portugal é um país classista. Há os que podem ter folga monetária, e há os que nada têm; há os que têm a esperança de um dia ter e os que sabem que esse dia nunca pode aparecer.
Há também os que moram em bairros de lata e os que possuem tantas casas, que têm que inventar sítios para se entreter além das contabilidades que estão obrigados a calcular entradas e gastos, para um melhor gerir da sua riqueza, saber onde ir cobrar rendas e melhorar as suas poses.
Poses das que carecem os liberados pela Carbonária primeiro, e pelo Movimento das forças Armadas a seguir.

paço real
Antigo Paço da família real portuguesa, confiscada pela República, como todas as outras propriedades que possuíam. Hoje, Biblioteca e Sede do Governo do Concelho, ladeado de casas construídas a seguir o 25 de Abril de 1974, quando havia necessidade de mão-de-obra. Efígie do Rei Dom Dinis, que reinara em Portugal, 6.º Monarca de Portugal Cognome (s): o Lavrador, o Rei-Agricultor, o Rei-Poeta, o Rei-Trovador. Início do Reinado: 16 de Fevereiro de 1279 Término do Reinado: 7 de Fevereiro de 1325. É o exemplo de como os poderosos tinham que inventar tempo.

Devo estar certo se digo que Afonso Costa e os outros membros do Partido Republicano, com assento no Parlamento, não eram este tipo de República que procurava. O seu neto, Secretário de Estado para a Educação do Ensino Secundário, disse-me um dia que o seu avô tinha uma casa na Serra da Estrela, para reunir aos que queriam derrubar a Monarquia e instaurar uma República na que todos foram iguais, esse sonho de Babeuf, que para ele era República e Laicidade, separando a Igreja do Estado e expulsando as ordens religiosas por terem abusado da pobreza do povo para o lucro da ordem. Um Afonso Augusto da Costa não ia permitir uma sociedade classista, como foi o seu caso ao propor leis como a Lei da Família, a Lei do Registo Civil, a Lei do Divórcio, a Lei da Separação do Estado e das Igrejas (1911), a Lei do Inquilinato, a Lei da Reorganização Judiciária, a Lei da Reforma Monetária, a Lei da Expulsão das Ordens Religiosas, sendo o primeiro a preparar um Orçamento de Estado. É sabido que o Parlamento durante a Monarquia estava mais interessado nas suas próprias contas, nos empréstimos ao Rei, aos membros da família Bragança e a eles próprios. Uma história melhor conhecida pelos seus biógrafos, que são muitos, e pelos próprios portugueses.
Afonso Augusto da Costa nunca ia permitir imagens como esta: operariado a serem obrigados a trabalhar pela polícia ou em greve para pedir melhores salários. Ou o operariado de uma indústria de fibra sintética, a se manifestar contra a empresa que deseja vender as máquinas que usam para trabalhar e pagar as suas dívidas. Os letreiros manifestam o paro dos leilões para pagar dívidas, a culpa não é de eles, eles não contraiam dívidas, era a empresa.

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Outro tipo de actividade que não seria permitido pelos republicanos, era a falta de estudos dos mais novos. Como tenho especificado em outros textos meus, a criançada rural, não tinha escolas. O Partido Republicano foi o promotor das escolas primárias e Afonso Costa, ainda como Deputado da Monarquia, experimentou a obrigatoriedade do ensino primário. No entanto, ele não foi o promotor do ensino em Portugal . Já na época liberal de Mouzinho da Silveira, começa a preocupação pelos estudos, pela aprendizagem a ler, escrever e cálculo aritmético e noções de geografia e história. As Escolas Normais eram mais para a burguesia e aristocracia, que para o povo. Apenas em 1910 começam a ser obrigatórios os estudos primários para os descendentes do operariado urbano e rural, deviam durar seis anos e era obrigatório assistir. No entanto a lei era uma e a realidade, virtual. Após ter estudado o ensino em Portugal em várias aldeias de vários distritos, desde Alfândega da Fé até o Algarve, com uma equipa de candidatos a Doutores e financiados pela antiga JNICT, hoje FCT– candidatos que hoje em dia especialistas em Antropologia da Educação -, reparamos que, de facto, os mais novos iam a escola apenas quando não eram precisados para o trabalho rural doméstico. Por lei, o pai tinha a obrigação de retirar aos seus filhos varões no tempo de semear produtos agrícolas e na época da colheita. As raparigas tinham a obrigação de estudar apenas o primeiro ano da escola primária. Mal aprendiam a ler e escrever, deviam tornar a casa para ajudar a mãe a tratar da vida doméstica e do cuidado da horta
As senhoras com mais pose não sabiam ler e escrever, deviam casar com um homem que teve-se meios para as sustentar e alimentar a descendência. A escolaridade era baixa e, ao começo do denominado Estado Novo, referido por mim no Aventar anterior, uma lei de 1927 rebaixou a obrigação de estudar até apenas o 3º ano da primária.
Facto que a República nunca sonhara poderem acontecer. Mas, foi assim.
Como essa relação de patrão a empregado com que eram tratados os trabalhadores.
É evidente que a República não foi instaurada nem proclamada a 5 de Outubro de 1910, para obter estes tristes resultados. Já haviam servos com a Monarquia, escravos trazidos da África, jornaleiros mal pagos. Mas, ao começo da República, as revoltas, o desejar tornar à Monarquia, ou, pior ainda, substituir a aristocracia por hábitos burgueses que faziam pouco do povo, foi o pior castigo que o país sofreu ao se definir claramente as classes sociais por médio da falta de meios de produção.
No meu ver, a República começou, como devia ser, apenas a 25 de Abril de 1974, com ideologias não muito bem estabelecidas. As Forças Armadas que libertaram Portugal, foram enviadas de volta para os quartéis, o Concelho da Revolução, composto pelos Generais, Almirantes e Capitães de Abril, foi extinto em 1986 e, desde esse dia é que Portugal procura uma saída.
Para as eleições da Assembleia Legislativa de este ano, cada Partido pensou em ganhar só. O resultado foi um pequeno desastre para vários que, a correr, estão a forjar alianças para ganhar o poder. Que o povo pense, saiba, opine, nada importa: Portugal é uma República classista que não pergunta, apenas procura o melhor caminho para não perder, neste caso, vereadores. As mais estranhas alianças andam a acontecer. A Soberania Popular, está, como diz um jornal de hoje sobre o Presidente da República, fragilizada. A Constituição nem parece ser a lei básica que nos governa, está guardada no
s
bolsos das hierarquias partidárias e a Assembleia da República parece ser os sucessivos convénios de forças que, entre sim, mal se entendem, mas que a necessidade de conquistar o poder, envia ao esquecimento. A Soberania do povo não parece ser para o povo, mas sim para a sua autoridade. A luta de classes e a violência constitucional, parecem ser a virtualidade que nos governa.
lixo
Operariado sem trabalho, em procura de serviços pagos e comida de lixo, referido por mim em outros textos, como esse com Ana Paula Vieira da Silva, 2007: Comida de lixo, A Página da Educação, Nº 164, página 42, pode-se ler em: http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=5210

ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (4)

ETICA E EDUCAÇÃO – 2ª PARTE (4)

Educação dos problemas éticos ligados à pobreza e à prosperidade.

 

Não aceito facilmente que se dê às mudanças contemporâneas o nome de revolução da incerteza, embora compreenda que a pós-modernidade é o lugar, por excelência, do efémero e do fugaz. Esta pseudo-incerteza, resultado de bruscas mudanças da modernidade e de um coro de vozes neo-liberais, claro que acarreta muito de imprevisível.

 

Para quem tem da vida um sentido solidário, não hedonista e não individualista, esta sociedade fascina e apavora, exactamente por haver muitas certezas. Fascina pelo desafio de uma globalização de cariz humano que poderia ser profundamente enriquecedora, apavora porque, conhecendo nós as práticas anteriores do capitalismo, vemo-las reforçadas e requintadas na sociedade capitalista globalizada.

 

A ética na educação obriga a pensar e a reflectir na descoberta de alternativas humanas e humanizantes. Esta democracia de faz-de-conta, individualista e oligopolista, tem de dar lugar a uma democracia enraizada na diversidade e na complementaridade de todos os seus intervenientes. O desenvolvimento só é desenvolvimento no sentido positivo se decorrer dos potenciais contidos em cada pessoa, em cada comunidade, em cada região, em cada nação.

 

Não nos iludamos, só reconhecendo o valor de todos os seres humanos, fomentando a complementaridade, a sociabilidade e a irmandade entre as pessoas, as comunidades e as empresas, se consegue progredir no verdadeiro e global caminho da evolução que merece o nome de desenvolvimento, a grande mais-valia dos homens para quem o dinheiro não é nem pode ser um fim em si mesmo.

 

Se os grandes e poderosos fossem sensíveis e humanos, o que é um contra-senso, entenderiam que a esta ameaçadora globalização acima das liberdades e das consciências, deveria contrapor-se uma inserção internacional, caracterizada pela interdependência sem dependência, procurando explorar as sinergias entre mercado interno e externo. A abertura internacional, mais do que um meio de agigantar a eficiência económica, grande catalisador da exclusão social e da destruição ambiental, deveria ser um objectivo em si mesma, estimulando a cooperação e a circulação de experiências técnicas e sócio-culturais.

 

O desenvolvimento descentralizado, a auto-suficiência regional num espaço global, a consciencialização das enriquecedoras diferenças entre as dinâmicas regionais, nacionais e globais, a participação democrática e a socialização da partilha política são formas de desenvolvimento que levariam à participação da sociedade civil nas tais cimeiras de discussão das decisões de interesse público, aprofundando o enraizamento social dos processos políticos. (Continua)

 

                          (manel cruz)

(manel cruz)

No Dia do Animal – Os animais esfolados vivos e o mercado das peles

Porque hoje é Dia do Animal – eis a gata «Aventar»

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Gata «Aventar», encontrada por mim em Cinfães em Abril deste ano, ainda muito bebé, e trazida para o Porto para ser adoptada. Até hoje, continua em minha casa (e daqui já não sai)

O Dia Mundial do Animal foi lançado em 1931, numa convenção de ecologistas em Florença, como um meio de dar visibilidade ao problema das espécies em risco. Desde então, tem assumido outros contornos e, actualmente, abrange todo e qualquer animal, sendo comemorado em países tão diversos como a Austrália, Malta, Singapura e Lituânia. (via Blog dos Bichos)
Em 27 de Janeiro de 1978, foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, assinada por Portugal. Como mostrarei ao longo do dia de hoje com recurso a textos, imagens e vídeos, muito pouco dessa Declaração está hoje em dia a ser cumprida.

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS

Preâmbulo

Considerando que todo o animal possui direitos,
Considerando que o desconhecimento e o desprezo destes direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza,
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo,
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros,
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante,
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais,
PROCLAMA-SE O SEGUINTE:

Artigo 1º

Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Artigo 2º

1 – Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2 – O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
3 – Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à protecção do homem.

Artigo 3º

1 – Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a actos cruéis.
2 – Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.

Artigo 4º

Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
1 – Toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.

Artigo 5º

Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
1 – Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.

Artigo 6º

Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.
1 – O abandono de um animal é um acto cruel e degradante.

Artigo 7º

Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.

Artigo 8º

A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação.
1 – As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.

Artigo 9º

Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.

Artigo 10º

Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
1 – As exibições de animais e os espectáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.

Artigo 11º

Todo o acto que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.

Artigo 12º

Todo o acto que implique a morte de um grande número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
1 – A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.

Artigo 13º

O animal morto deve de ser tratado com respeito.
1 – As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.

Artigo 14º

Os organismos de protecção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
1 – Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.