METEOROLOGIA E NÃO METEREOLOGIA

METEOROLOGIA E NÃO METEREOLOGIA

Hoje ao fim da tarde, ouvi na Antena 2 uma conversa entre uma senhora locutora e um sujeito aparentemente ligado à meteorologia. Não é que uma e outro davam e insistiam na metereologia e no metereológico? INADMISSÍVEL!

Este erro mais que crónico nos nossos meios de comunicação já cheira mal, já dá vómitos. Não me venham dizer que a coisa acontece ao correr do cavalo. Não, é pura ignorância.

Apelo ao aventar para uma campanha ou uma vacina contra esta tortura diária. Estou farto de escrever para tudo quanto é sítio, nomeadamente para a Antena 2 e nada!!! Brrrrrrr…

PCP + BE = serão responsáveis ?

Cada um por si pouco valem. Os dois juntos podem ser uma força poderosa e a chave das políticas do próximo governo.

Chegou o momento que mais tarde ou mais cedo, todos temos que confrontar. Ou nos escondemos ou partimos para a luta, para a solução dos problemas. Não podemos aceitar que o PCP venha com a velha história do “abraço do urso” eufemismo para dizer que não quer contribuir para encontrar as soluções para o país, a não ser que sejam as suas.

Ou o BE com a “super visão” da Esquerda sem Sócrates, mas com Alegre e o seu milhão de votos, o que quer dizer que só após partir o PS.

Quem quer um governo de Esquerda, os que navegam nas águas do PCP ou do BE ,defendem essa solução como se fosse a única, o que obviamente não é, pois o PS faz maioria com o CDS. Mas disfarçam , clamando a solução como se Sócrates fosse o único responsável para se se concretizar.

É mau sinal porque aqui a responsabilidade é de todos. Se não o fizerem é porque têm outros interesses que não os nacionais e de esquerda, preferindo ficar pelas tamanquinhas de “aquele menino é que é mau”. A posição, à partida, é como se não houvesse necessidade de negociação, onde se ganha e se perde para que o país saia vencedor.

Não aceitamos essa ligeireza e essa irresponsabilidade. Se querem uma maioria de esquerda façam por isso!

Manipulação, outra vez

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Fotografia retocada com o fim de modificar a aparência corporal de uma pessoa.” Se tudo correr como previsto, e se a lei proposta for aprovada, é esta a frase que vai aparecer junto das imagens retocadas digitalmente.

Provavelmente, alguém no estrangeiro andou a ler umas coisas aqui no Aventar sobre a manipulação de imagem. Vai daí, querem estabelecer regras sobre o uso de imagens manipuladas. Não me admira nada que sejam deputadas europeias que queiram regulamentar estas imagens! Fico satisfeito por alguém reconhecer que há um efeito pernicioso latente quando alguém pega numa imagem e a altera completamente, mostrando algo que não é real.

Ainda assim, nem todos precisam de recorrer à manipulação digital. Munidos apenas com um pouco de imaginação há quem chegue a resultados igualmente surpreendentes.

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Mais uma sugestão livre de manipulações digitais.

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ELE HÁ MUITOS DESTE CALIBRE…

ELE HÁ MUITOS DESTE CALIBRE, MAS COMO ESTE!…

Corrupto da cabeça aos pés, vigarista cem por cento, pulha a dar com um pau, escroque abjecto, caciqueiro de gema, demagogo porco e trauliteiro…

Quem será? Quem será?

Só depois do dia 11 de Outubro…

Hoje decidi ser amigo dos aventadores e das aventadoras e de todos os leitores desta nossa tasca típica apresentando a todos um dos meus sites de preparação de férias e escapadas preferido (a falta de vírgulas é uma dedicatória à nossa mais recente aquisição eheheheh):

Notodo Hoteles (web) e o seu especial “Turismo Rural na Europa”.

A gozar apenas e só – no caso dos maiatos – após as eleições do dia 11 (e se forem votantes do nosso Alcaide, caso contrário aproveite para ir já este fim-de-semana eheheheh). O site em causa é uma primeira e mesmo para marcar poiso por cá sempre consegue um preço mais vantajoso que o nosso. Eu já estou a preparar as sapatilhas: a partir do dia 11 só cumpro serviços mínimos e em Novembro bute prá estrada que também sou filho de Deus e mereço umas longas “vacaciones“.

Siga música:

Contos Proibidos – Memórias de um PS desconhecido. O I Congresso do PS em democracia (1974) e a intervenção do PCP

Continuação daqui

«Entretanto, o tempo se encarregaria de revelar novos episódios em matéria de financiamentos. Vinte anos após o 25 de Abril, ao ser preso por alegado desvio de fundos públicos, o ex-presidente da Venezuela, Carlos Andréz Perez, declararia que uma parte desses fundos teria sido entregue a Mário Soares. Foi a primeira vez que eu ouvi falar do assunto, que foi confirmado à Agência Lusa por uma fonte não identificada do Palácio de Belém («Público», 22/05/1004). (…)
Os trabalhos [do I Congresso do PS depois da Revolução] iniciaram-se com a leitura de um telegrama de saudações enviado por Mário Soares ao Presidente da República Costa Gomes. O mesmo, segundo os joranis da época, foi vibrantemente aplaudido de pé pelos congressistas. Logo no início foi aprovada uma moção subscrita por Manuel Serra e Maria Barroso em que se afirmava que «o PS defenderá o modelo constitucional democrático que melhor consolide a aliança do Povo e das forças democráticas com o MFA. Depois, tendo em conta que a ratoeira comunista passava por sensibilizar o seu conhecido egocentrismo, Mário Soares foi reconduzido na Secretaria-Geral sem qualquer oposição, o que já não aconteceria com a orientação do Partido. PAra a Comissão Nacional, Manuel Serra não preconizou tal unanimidade e, depois de uma autêntica guerra campal, a lista da direcção histórica do Partido sairia vencedora pela escassa margem de 94 votos, tendo a lista de Manuel Serra obtido quase 44% dos votos dos congressistas. O nome de Mário Soares aparecera nas duas listas concorrentes, por ordem alfabética na lista da direcção histórica e à cabeça da lista que o PCP promovera por meio de Serra. Aliás, só por milagre Mário Soares não sairia daquele Congresso como secretário-geral de dirigentes afectos a Manuel Serra e ao Partido Comunista. A confusão era tanta que ninguém se entendia e os organizadores do Congresso, predominantemente pró-Serra, que, vale a pena repetir, Soares encarregara da Segurança do Partido, utilizariam todos os meios de coacção e até força para impedir os «históricos» de exprimirem a sua voz e o seu voto. Eu próprio, que para além de fundador, fazia parte da Comissão Directiva vigente e era delegado em representação do núcleo de Malmoe na Suécia, fui inicialmente pura e simplesmente impedido de entrar no local do Congresso. Só depois de umas boas horas alguém conseguiu encontrar Manuel Tito de Morais no interior para vir à porta obrigar os «gorilas» a deixarem-me entrar.
As relações entre os «militantes» socialistas estavam longe de ser solidárias e nem sequer primavam pela boa educação. Era o resultado da invasão ocorrida no PS, após o 25 de Abril, de todo o tipo de novos militantes. Com isso mesmo tinha também contado o PCP. No final, ainda insconsciente do que ali se tinha passado, Soares afirmaria que não tinha havido «vencedores nem vencidos» mas apenas «socialistas e camaradas». . Provar-se-ia bem pouco depois, já em Janeiro de 1975, que assim não era. Aliás, Manuel Serra advertira já no seu discurso final, com a arrogância de quem quase conseguira o que se propusera, que saía do Congresso «com a fraternidade de militantes revolucionários, de militantes da classe trabalhadora». O primeiro Secretariado Nacional, eleito em 21 de Dezembro, ainda incluiu Manuel Serra que, contudo, abandonaria o Partido poucos dias depois, na esperança de levar consigo os «44% de militantes revolucionários, da classe trabalhadora». Se tal não aconteceu deveu-se, com grande grau de probabilidade, à visão de Francisco Salgado Zenha. Mas o Partido Socialista nunca recuperaria totalmente da psicose do golpismo que se iniciou log após o 25 de Abril e de que o I Congresso na legalidade seria um bom primeiro exemplo. Passaria a fazer parte da própria evolução e história do movimento socialista português.»

Amália, Barco Negro

Nunca fui muito dado, confesso, a malta de esquerda não está para reaças, e a educação (no caso nem por isso familiar) faz-nos, ai se faz.

Cantava bem mas o Fado era reaccionário,  ao nível da Fátima e do Futebol. Se quanto a peregrinações e outros ajoelhamentos  pouco mudei de ideias, os estereótipos de esquerda, pelo menos os mais cretinos, lá os fui ultrapassando a seu tempo, o tempo de atravessar desertos e pensar pela própria cabeça, que é para isso que a temos.

Com Amália Rodrigues tudo mudou quando escutei esta cantiga, no filme onde nasceu. Um vaipe, um flash, luz, porra: um gajo é sempre parvo quando se atrofia com preconceitos, e depois fica com a sensação de ter perdido durante anos alguns pequenos prazeres da vida. Barcos Negros. Fica bem com um tinto carrascão, daqueles que detesto e de quem ninguém se atreve a chamar nomes aos taninos, e um queijo de qualquer cabra, rançuda. E quem não solta pelo menos a ideia de uma lágrima ao escutar, é de direita, preconceitualizo agora e já.

Obrigado Amália, e desculpa lá qualquer coisinha.

Amália – Barco Negro

As eleições e os fantasmas

O Diário de domingo, em OPINIÃO, publica o artigo assinado por Nelson Veríssimo “Défice de participação”, alertando para os elevados níveis de abstenção verificados na eleição de há uma semana que, como refere, “deveria merecer análise cuidada por parte dos políticos”. Como salienta, a abstenção que no território nacional atingiu os 39,4%, foi de mais seis pontos percentuais, na RAM.

Também a propósito destas eleições, num propósito de entender-se o desencantamento generalizado do eleitorado, no meu artigo publicado no mesmo espaço em 2 de Outubro, servi-me de uma leitura simples que a exactidão dos números permite, deixando para os políticos as leituras mais ou menos habilidosas que são capazes de urdir.

Um outro aspecto saltou-me entretanto à vista e a que Nelson Veríssimo também não fez menção, que foi o estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, a que toda a imprensa se referiu, nos últimos dias de Setembro e que vem acrescentar um novo elemento: os “eleitores-fantasma”, os mortos, desaparecidos, emigrantes que ainda constam dos cadernos eleitorais. Segundo o estudo, existem em Portugal 930 mil “eleitores-fantasma”, 10% dos inscritos, percentagem que na Madeira deverá ser bastante mais elevada. De qualquer modo, sem especular, tomando o valor base nacional e, mercê de um cálculo aritmético muito simples, abatendo ao número oficial de eleitores inscritos, os “fantasmas”, a abstenção em todo o território nacional, situar-se-ia a níveis mais aceitáveis: cerca de 35%. Tomados esses valores, refeitos os cálculos, tal como Nelson Veríssimo os apresentou, a abstenção, a nível nacional, equivaleria a 1,37 vezes os votos do partido que obteve o maior resultado – o PS – e a nível da RAM, equivaleria a 1,35 vezes os votos do partido que obteve o maior resultado – o PSD – em vez de 1,78 e 1,73, respectivamente. Tomando esses mesmos indicadores sem “eleitores fantasma”, não deixa de ser curioso constatar que, a nível nacional apenas votaram PS, 25 em cada 100 eleitores, enquanto na Madeira votaram PSD, mais de 30 em cada 100 eleitores.

Já faltam poucos dias para as eleições autárquicas e novas análises dos resultados surgirão, mas não será ainda desta vez que nos livramos dessa figura espectral que em parte desvirtua a sua inteira verdade. E, oxalá os poderes públicos responsáveis procedam, oportunamente, à expurgação de “fantasmas” dos cadernos eleitorais, para eleições mais realistas, em anos futuros.

Francisco Leite Monteiro, publicado no «Diário de Notícias» (Madeira)

Cartazes das Autárquicas (Caminha)

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Júlia Paula (actual Presidente), candidata independente.
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Jorge Miranda, PS

O Pachacha


Ainda a propósito de mais uma polémica que envolve a atleta sul-africana Caster Semenia – um clube de strip de Joanesburgo publicou o cartaz que se vê na imagem com objectivos óbvios. «No need for gender testing». Que é como quem diz, as nossas stripers são muito mulheres.

PORTUGAL DE COSTAS PARA O MAR

NÃO QUEREMOS SUBMARINOS

Olhando para terra, de costas para o mar imenso que em tempos idos muitas alegrias nos deu, o presidente do partido socialista, disse que não precisamos de submarinos para nada.
Ainda, digo eu, se tivéssemos muito mar, assim como umas centenas de quilómetros de costa, ainda vá, mas com o nosso, que quase ninguém sabe que existe a não ser para ir à praia, não se justifica. É assim “a modos como”  com os barcos de pesca, que até nem precisamos de ter uma frota em condições, pois que cada vez pescamos menos.
Precisamos é de armas, disse o sr presidente do partido socialista, pistolas e assim. Segundo o sr dr Almeida Santos, devemos, e depressinha, vender os submarinos que ainda nem chegaram e comprar armas para combater os traficantes de droga que vêm ter connosco pelo mar.
Nem precisamos, digo eu, de defender com eles, os submarinos, a nossa ZEE. Umas pistolinhas chegam e sobram. E até aproveitávamos para, com as pistolinhas, defender a ponte entre Lisboa e o deserto, que os terroristas andam por aí.
Talvez o negócio de armas seja mais proveitoso que o negócio de submarinos, não sei. Há por aí negócios proveitosos em tudo quanto é sítio.
Já uma vez partiram os óculos a este sr, quando foi em visita a uma ilha que hoje é da cor da rosa, será que mesmo com um par novo o sr dr não vê bem?
E depois ainda dizem que não nos deveria apetecer emigrar?

Cavaco seria capaz de ir aos Gatos?

Alguns amigos meus insistem para que eu, aqui no Aventar, avance com esta proposta. Uma espécie de leilão para saber se somos capazes de levar Cavaco aos Gatos Fedorentos. Uma onda de apoio à proposta e Cavaco teria dificuldade em dizer que não.

É, claro, que isto não tem pernas para andar. Desde logo porque Cavaco não tem razão nenhuma para aceitar. Não anda em campanha, é Presidente da Republica e não está à vontade num programa de humor. Mas que seria um furo, lá isso seria.

Parece que a prestação de Soares entusiasmou muitos dos seus apoiantes, mas a verdade é que Soares é capaz de dizer que “Deus não é Deus” com o mesmo à vontade com que depois vai ao Vaticano prestar juras de fidelidade eterna. Gostaria mais que se intranquilisasse com a situação do país que não lhe tira o sono, como já teve ocasião de dizer quando da crise de há vinte anos. Nada lhe tira o sono, e o pobre do Ministro das Finanças acordou-o às três da manhã, para lhe dizer que o país estava à beira da bancarrota e Soares mandou-o à vida, dizendo que na hora do expediente tratariam do assunto.

São duas pessoas completamente diferentes e o que sobra de à vontade em Soares falta a Cavaco numa grande dimensão.

Mas aqui fica, que aqui no Aventar não temos razões para ter medo de propostas tipo “Gato Fedorento”!

Esta cidade morre a cada dia

Rua Formosa, ontem à noite No Porto ruiu mais uma casa. Desta vez foi um primeiro andar inteiro e só o facto de àquela hora, cerca das 23h00, não ir a passar ninguém, evitou que alguém ficasse ferido. É assim esta cidade, arruína-se aos poucos. Todos os dias caem pedaços de azulejos das fachadas, bocados de estuque, fragmentos de telhas. Não vai há muito, passava eu do outro lado da rua, vi cair umas enormes lâminas de vidro do prédio que ruiu ontem à noite. Mais uma vez por sorte, não passava ninguém nesse momento. Esta cidade desintegra-se minuto a minuto. Esvoaçam das fachadas arruinadas uns farrapos de cortina enegrecida pelo tempo e pelo pó. Vemos a cidade morrer a cada dia à nossa passagem, e as ruínas que ainda se aguentam de pé acabarão por desabar, em dia e hora incertas. Passam as caravanas partidárias, absurdamente ruidosas, e fica o silêncio de uma cidade envelhecida, empobrecida, desolada na sua solidão de granito que se vai esboroando.

PORTUGAL, UM PAÍS ADIADO

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2009, O ANO EM QUE TUDO SE ADIOU
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.Neste ano da graça de 2009, o meu País parou. Praticamente desde o início do ano que nada se faz, nada se pode fazer, e ai de quem faça.
Este é o ano de todas as eleições. É o ano em que todos jogam tudo para ter alguma coisa durante mais quatro anos.
Por isso ninguém quer que se faça seja o que for que ponha em risco o que eles, se forem eleitos, querem fazer depois.
Tivemos eleições para as Europeias, para as Legislativas e agora para as Autarquias.
Desde o princípio do ano que estamos em pré-campanha ou em campanha eleitoral.
Desde essa altura, o governo quase deixou de governar, e as autarquias quase deixaram de trabalhar.
Os mais altos representantes da Nação, como por exemplo o Presidente, e os líderes dos diversos partidos políticos, exceptuando como é evidente o do partido do governo, entenderam que, até às eleições para o novo governo no final de Setembro, qualquer decisão governamental, qualquer diploma a apresentar na Assembleia da República, ou mesmo qualquer acto “fracturante”, não deveriam nunca, empenhar os vindouros governos.
Nas autarquias, ninguém se atreveu a fazer seja o que for.
Mais de quarenta por cento dos orçamentos das Câmaras vem do Estado, e não se sabe se o próximo governo é da nossa cor ou de outra que nos vá retirar verbas, ou atrasá-las.
E como, dos 308 Municípios Portugueses, mais de 25%, se fossem empresas particulares, estariam em situação de falência técnica, devido a má gestão, o melhor é estar quietinho e esperar que se se for eleito de novo, se consiga colocar as contas no são, e se forem outros, que se amanhem.
Por tudo isto e mais algumas coisas, como por exemplo, os normais e costumeiros erros com que todos os mandantes do meu País nos costumam brindar, atrasando a evolução por causa de interesses privados, Portugal é este ano, mais do que em qualquer outro, um País adiado.
Vai haver novo governo da Nação. O anterior já lá vai. O novo ainda não existe porque não está sequer formado, o velho nada pode fazer entretanto. E por sorte ganharam os mesmos, pelo que não se irá perder tempo a “passar” dossiers, quando chegarem os elementos do novo governo.
Nas Câmaras e Juntas de Freguesia, tudo se passa e passará de igual forma.
Tudo parado. Com a agravante de tudo estar parado vai para muitos meses.
Portugal, o País profundo, o País das pessoas invisíveis que os governos só vêm em ano de eleições, também parou. Já ninguém se importa seja com o que for.
Nas duas últimas eleições, a abstenção foi enorme. Portugal cansou-se da depressão, dos disparates e da porcaria e, com o desemprego a continuar a subir, entendeu ir de férias. O maior problema é que parece que ainda não voltou. Costumava regressar em meados de Setembro, mas este ano também atrasou o regresso. Só por cá andam os políticos em contínua campanha eleitoral, e os jornalistas que precisam de coisas sobre que falar para sobreviver.
Só o futebol da liga vai animando a vida do dia-a-dia, com os seis milhões a exultarem cedo de mais, e os arsenalistas a ir mostrando como se faz, que o da selecção, está como todo o País, parado e desiludido.
No resto, o melhor é esperar para ver, já que nada mais resta para fazer.

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JM

(In O Primeiro de Janeiro, 07-10-2009).


Cartazes das Autárquicas (Sacavém)

Vota BE- Autárquicas 2009
Bloco de Esquerda, Sacavém.
(enviado por Maria Monteiro)

A máquina do tempo: o caminho faz-se caminhando

Muita gente que cita este verso «O caminho faz-se caminhando», ou na sua versão original «se hace camino al andar», não sabe que o seu autor foi um grande poeta castelhano – Antonio Machado. Trata-se de uma estrofe, a XXIX de «Proverbios y cantares» do seu livro «Campos de Castilla» cuja primeira edição data de 1910. Apesar de termos escutado estes versos integrados num trabalho do cantor e poeta catalão Joan Manuel Serrat, vejamos agora o poema sem adornos:

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

De notar, além da beleza do poema, o emprego do substantivo «mar» no feminino, sabendo-se que embora tendo os dois géneros em castelhano, é mais usual o emprego do masculino, «el mar». «La mar», feminino, é coisa de poetas, marinheiros e pescadores, de homens que amam o mar como se ama uma mulher. Há um poema de Federico García Lorca, muito famoso, o «Romance sonámbulo» (do «Romancero gitano») no qual «mar» passa também ao feminino.:

Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Etc.

Quem tenha lido algumas das minhas crónicas anteriores, poderá pensar que sofro de uma doença julgada extinta, o «ódio ao castelhano» (odio al castellano), enfermidade também conhecida como «a síndrome de Aljubarrota» . Nada disso. Adoro a Castela, sempre disse que os castelhanos são das pessoas mais simpáticas e afáveis da Península, sem o calculismo mercantil que inquina as mentalidades catalãs, o revestimento bisonho e fatalista das atitudes portuguesas, ou a prudência que faz que se encontramos um galego numa escada não consigamos saber se vem a descer ou se vai a subir. Aos bascos não consigo atribuir qualquer dos apêndices idiossincráticos, meros chavões, chistes sem qualquer valor antropológico (e, diga-se a verdade, todos eles criados pelos simpáticos castelhanos, que chamam a uma fanfarronada «una portuguesada» – pagando-lhes nós com a «espanholada» com o mesmo significado de bravata). Gosto muito deles, mas não quereria tê-los como opressores ou invasores. Como irmãos e amigos, «tudo bem» no brasileiro dizer. Como donos, nem pensar.

Uma das coisas de que gosto em Castela é do seu idioma, da sua cultura, da sua literatura, sobretudo da sua poesia. E a de Antonio Machado é uma das âncoras que me prende ao castelhano e ao prazer de o escutar. Trabalhando mais de 20 anos numa empresa que, não sendo castelhana, usava o castelhano como língua de trabalho, fui forçado a aperfeiçoar os estudos escolares que já tinha feito do idioma e, sobretudo se me ativer ao léxico profissional, falo-o com desembaraço, principalmente se estiver a tratar de assuntos da minha área. Mas evito falá-lo porque sei bem o espectáculo que grande maioria dos meus compatriotas dá a seguir a ter afirmado que «habla español» – ridículas línguas de trapos, competindo com os palhaços, cuja trapalhice é profissional e fingida. Para falar castelhano, sobretudo para nós que temos uma língua muito semelhante, é preciso estudá-lo a fundo, porque aquilo que em linguística se chama «os falsos amigos», palavras iguais com significados diferentes, são mais do que muitos entre o português e o castelhano.

Um dia destes hei-de ganhar coragem para falar de outro grande poeta, um dos maiores, o andaluz Federico García Lorca. Nesta máquina iremos, em 12 de Outubro, visitar o austero don Miguel de Unamuno, um basco de cultura castelhana, e estou, como podem ver, a tentar aterrar junto de Machado, outro andaluz. Mas o universo da literatura castelhana é inesgotável, porque se conseguíssemos referir todos os grandes escritores peninsulares que usam o idioma (e seria tarefa enciclopédica), teríamos depois de olhar a Ocidente, respirar fundo o ar do Atlântico, e recomeçar desde Juana Inés de la Cruz ( a que aconselhava: «não vos queixeis, homens tolos…») até Carlos Fuentes, García Márquez, Vargas Llosa, Isabel Allende… O universo do português é também rico, é um caudal que não nos envergonha face ao dos nossos vizinhos. Vamos lá fazer-nos à pista.

Antonio Machado nasceu em Sevilha em 1875. Foi uma das grandes figuras da chamada «Geração de 98», referindo-se este número á data de 1898, quando a Espanha foi derrotada na guerra que manteve com os Estados Unidos pela posse de Porto Rico, Cuba e Filipinas. A derrota significou uma tomada de consciência de jovens intelectuais da decadência do país e foi como que um ponto de viragem, caracterizando-se a escrita desses jovens pelo seu carácter revolucionário, em termos literários e em termos políticos. Foi rodeada de polémica, pois havia intelectuais, como Pío Baroja, que negavam lógica à designação. Esta classificação geracional refere-se a escritores que nasceram entre 1864 e 1875 – Miguel de Unamuno, Valle-Inclán, Blasco-Ibañez, Jacinto Benavente e Antonio Machado, são das principais figuras ligadas a esta geração.

Morreu em 1939, refugiado num quarto de hotel, fugindo dos assassinos da polícia política franquista, ele que era tudo menos um político. Sabendo que a morte se aproximava, escreveu num papel as suas últimas palavras – «Estos días azules y este sol de infancia», sinal de que antes morrer viajou até ao passado. Um grande poeta – se hace camino al andar – que grande verdade contem este verso que quase se transformou em lugar-comum.

Petição para salvar a casa de Salgueiro Maia


O Aventar acaba de lançar uma petição para salvar a casa onde nasceu o capitão Salgueiro Maia, em Castelo de Vide. Uma casa que se encontra em estado de degradação evidente e em perigo de ruína. Para assinar a petição, que será enviada à Assembleia da República, basta carregar na foto da barra lateral e preencher os dados pessoais. Esta petição estará ao dispor dos interessados no Aventar e em mais nenhum local. Se não pretender que o nome seja publicado no blogue, bastará assinalãr a respectiva opção.
Salvar a memória de Salgueiro Maia é salvar a nossa memória comum. Façamos alguma coisa por todos nós.
Um agradecimento final à Maria Monteiro, a autora da foto e a primeira a alertar para o estado de destruição da casa.

A retrete de Santana Lopes

Casa de Banho pública na Figueira da Foz – Aluguer custa cerca de 300 mil euros

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Autarquia paga 19 euros por cada pessoa que utiliza o equipamento

Munícipes já pagaram perto de 200 mil euros por um serviço que é utilizado por menos de quatro pessoas por dia.

“É um contrato desastroso para a autarquia”, qualifica o vereador José Elísio, em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS. O sanitário instalado na Praça 8 de Maio (também conhecida como “Praça dos Táxis”) está a ser utilizado, em média, por 3,6 pessoa por dia. Assim, cada vez que alguém o utiliza, os munícipes pagam cerca de 19 euros. Por seu turno, os utilizadores desembolsam 20 cêntimos.
O equipamento foi ali colocado em regime de aluguer no mandato de Santana Lopes. Decorridos 10 anos, a câmara já pagou cerca de 200 mil euros. Mas o contrato só termina em 2013, o que representa uma despesa de 110 mil euros. “Teria ficado muito mais barato construir lavabos públicos na Praça da Europa, como venho defendendo desde antes de ser vereador”, advoga José Elísio.
Aquele membro do executivo municipal adianta que está a equacionar uma eventual rescisão unilateral do contrato. “Poderemos vir a optar por denunciar o contrato, já que foi um péssimo negócio para a câmara”. Além da “verba elevada” que os figueirenses pagam pelo aluguer, “o equipamento é pouco procurado”, destaca José Elísio. Até ao início da semana passada, o sanitário tinha sido utilizado 1.132 pessoas.

Exemplo “ruinoso”

Se o vereador do Ambiente avançar para a rescisão do contrato, a edilidade tem de pagar uma indemnização de 20 mil euros. Contudo, como os referidos números indicam, a câmara sai a ganhar, ao poupar 90 mil euros. A inauguração teve honras de uma cerimónia, com a presença de autarcas do executivo municipal da altura. O contrato inclui limpeza e manutenção.
António Tavares, vereador da oposição, foi mais longe nas críticas à solução encontrada pela equipa liderada pelo antigo primeiro-ministro. “À devida escala e na devida dimensão, este é o exemplo do que foi a gestão financeiramente ruinosa do dr. Santana Lopes”, acusa. O sanitário, preconiza, “faz mais sentido no “Parque das Gaivotas”, pela procura, dado tratar-se de uma zona de paragem de excursões”. E remata: “com todos esses gastos, também não percebo como é que a actual gestão camarária não fez nada para resolver esta situação”. Aquela que deverá ser a “casa de banho” pública mais cara da cidade foi instalada num zona de passagem, na Baixa figueirense.

Diário As Beiras, 6 de Julho 2009

Imagem roubada na Outra Margem

Viva as armas, compradas aos amigos americanos do PS

Quando li no «Público» que Almeida Santos disse que Portugal não precisa de submarinos para nada, fiquei contente e aplaudi de pé.
Atitude sensata de aguém que não é militarista. Mas logo a seguir estragou tudo: «Precisamos urgentemente de vender os submarinos para comprar armas».
Armas, Dr. Almeida Santos??? Armas? Com tanta pobreza, com tanta miséria, com tanta falta de produtividade e de competitividade das nossas empresas, o senhor acha que é de armas que precisamos? E vendidas por quem, já agora? Pelos amigos americanos do Partido Socialista?

Um agradecimento ao «5 Dias»

Iniciei a minha aventura na blogosfera há 9 meses atrás. Convidado pelo Nuno Ramos de Almeida e pelo Luis Rainha, dava por mim, de repente, no «5 Dias», um dos históricos blogues portugueses.
Como diz o outro, fui muito feliz no «5 Dias». Não foram mais de 3 meses, mas foram os suficientes para aprender muito do que sei hoje, para decidir que queria continuar pelo mundo da blogosfera e para saber aquilo que se deve e aquilo que não se deve fazer num blogue colectivo. Porque ninguém é perfeito – nem o «5 Dias».
Ao fim de 3 meses, saí e decidi lançar o Aventar. Convidei o Luis Moreira, que deu o nome ao blogue, logo a seguir o José Freitas e depois todos os outros. Na altura, o meu sonho era que um dia o Aventar pudesse chegar aos calcanhares do «5 Dias» no que diz respeito à qualidade. Audiências? Não, foi algo que nunca me interessou.
Seis meses depois de termos começado, parece-me que estamos no bom caminho. Nomes como Carlos Loures, Raul Iturra ou Carla Romualdo, sem desmerecer todos os outros aventadores, comprovam que estamos na presença de um projecto de qualidade e com futuro. Temos um blogue com gente de todas as tendências partidárias e muito diferentes entre si. Temos leitores fiéis.
É por isso que hoje, no dia em que o Aventar ultrapassa o «5 Dias» no número de páginas visitadas (ver Blogómetro), não posso deixar de agradecer ao blogue que me possibilitou o início desta aventura que tanto tem enriquecido a minha vida.

Dez anos depois…

AMLIA_~4

Completam-se hoje 10 anos sobre o desaparecimento físico de Amália Rodrigues.

Amália era sem dúvida a maior representante da música nacional, ou seja o Fado.

As suas canções e os seus fados permanecem, quase de certeza, na memória de todos os portugueses.

Como diria Amália Rodrigues “Obrigada… Obrigada”

Memórias do Reviralho (I)


Emídio Guerreiro, em pé, em primeiro plano, envergando o uniforme de um dos regimentos de Guimarães, junto à “trincheira da morte”, que foi erguida na confluência das Ruas 31 de Janeiro, e Santa Catarina, junto à Livraria Latina, no Porto.

Nota prévia: A memória histórica do povo português esquece este importante acontecimento: por um lado, a historiografia do Estado Novo apagou-a por completo, passando a ideia de que a implantação do novo regime decorreu com tranquilidade e com pleno apoio dos militares e mesmo do povo, e por outro lado a que surge no pós 25 de Abril mostra-se profundamente marcada pela ideia de que só o Partido Comunista Português constituiu resistência activa à Ditadura Militar e ao Estado Novo que se lhe seguiu.

A REVOLTA DE 3 DE FEVEREIRO DE 1927: A PRIMEIRA GRANDE AMEAÇA DO REVIRALHO

I – A lenta agonia da 1ª República – de 1925 até ao 28 de Maio de 1926.

No processo dinâmico que antecede o evento ora em análise, imprescindível nos parece que, ainda que de forma perfunctória, se analise o último ano da 1ª República, para lhe adivinhar as fragilidades, as convulsões e instabilidade provocadas pela tensão dialéctica entre os vários grupos, tendências e personalidades marcantes que posteriormente nos surgem no apoio e na contestação à Ditadura Militar.
Entre a implantação da República e o golpe militar de 28 de Maio de 1926, o país conheceu:
a) 7 eleições legislativas gerais (1911, 1915, 1918, 1919, 1921, 1922 e 1925);
b) 8 eleições presidenciais (1911, duas em 1915, duas em 1918, 1919, 1923 e 1925), em que só António José de Almeida conseguiu cumprir o mandato completo;
c) 5 eleições municipais (1913, 1917, 1919, 1922 e 1925);
d) 45 ministérios.

Olhando-se, tão só, para o último ano de vida da primeira experiência republicana, vários são os golpes militares que, testando a sua solidez, lhe prenunciam a morte, e lhe vão cavando a sepultura, abrindo caminho para que os sectores mais conservadores da sociedade lhe desfiram o golpe de misericórdia:

A – em primeiro lugar, as do grupo sidonista monárquico de Sinel de Cordes (1), em 5 de Março e 18 de Abril de 1925.
No primeiro, três oficiais monárquicos (capitão Cal, tenente Mendes de Carvalho e alferes Martins Lima, todos afastados do exército por causa da revolta de Monsanto (2)) tentam apossar-se do quartel-general da guarnição militar de Lisboa.
Analisando de forma mais pormenorizada a última, até pelo simples facto de ter sido uma revolta de grande magnitude, envolvendo, pela primeira vez desde 1870, oficiais generais no activo, este movimento insurreccional é tido como o primeiro ensaio do golpe de 28 de Maio de 1926 e surgiu depois de boatos de uma tentativa de revolta monárquica publicados na imprensa a 5 de Março.
A revolta teve o apoio da Cruzada Nun’Álvares (3), era de carácter nacionalista e assumiu claras semelhanças com o golpe de Primo de Rivera em Espanha.
Envolveu pelo menos 61 oficiais, tendo, entre os líderes militares Sinel de Cordes, Gomes da Costa, Raul Augusto Esteves, Alfredo Augusto Freire de Andrade, e Filomeno da Câmara Melo Cabral (4) e, entre os conspiradores civis, Antero de Figueiredo, Carlos Malheiro Dias, José Adriano Pequito Rebelo e Martinho Nobre de Melo.
Os jornais O Século e o Diário de Notícias são suspensos. Sinel de Cordes chegou a sugerir a Teixeira Gomes, presidente da República, que nomeasse Filomeno chefe do governo. Para o jugular do golpe teve especial destaque o ministro da marinha (Pereira da Silva), dado que o ministro da guerra (Vieira da Rocha) defendia que se parlamentasse com os revoltosos.

B – Depois a do grupo republicano conservador de Mendes Cabeçadas (5) e Jaime Baptista, em 19 de Julho.
É decretado o estado de sítio, mas Jaime Baptista, que estava detido no Forte de São Julião da Barra, consegue evadir-se e assalta o Forte do Bom Sucesso, enquanto Mendes Cabeçadas revoltava o cruzador Vasco da Gama. A muito custo a revolta é dominada por forças fiéis ao governo, comandadas por Agatão Lança, resultando um único ferido em combate (o capitão Armando Pinto Correia), sendo os implicados presos e julgados, mas rapidamente libertados e reintegrados, tal era a falta de autoridade das instituições da República.

C – e, por fim em 2 de Fevereiro de 1926, foi a vez do grupo radical de José Augusto da Silva Martins Júnior.
A chamada revolução de Almada. O governo, chefiado por António Maria da Silva e o presidente da república (Bernardino Machado), estavam no Porto a comemorar o 31 de Janeiro. A revolta era chefiada pelo construtor civil Martins Júnior, reunindo outubristas (6), sidonistas, ex-democráticos, formigas pretas (7) e radicais. Depois de tomada a Escola Prática de Artilharia, em Vendas Novas, e presos os oficiais, o regimento comandado pelos sargentos dirigiu-se para o Seixal tendo ocupado o forte de Almada, donde dispararam contra Lisboa.

1) General. Chefe do Estado-Maior do Exército de 1926 a 1928. Juntamente com o Marechal Carmona e com Alves Roçadas, um dos organizadores do golpe de Estado de 28 de Maio. Foi ministro das Finanças por três vezes (nomeado em 9 de Julho de 1926, em 19 de Dezembro de 1927 e em 7 de Abril de 1928. Negociou com a Sociedade das Nações, um empréstimo a Portugal, no valor de 12 milhões de libras esterlinas, para evitar a bancarrota. Deixou as Finanças públicas da Ditadura Militar num estado deplorável, situação com que teve de se defrontar o ministro que lhe sucedeu em 1928, Salazar.

2) De 22 a 24 de Janeiro de 1919 ocorreu uma revolta monárquica em Lisboa, de apoio à restauração da monarquia no Porto.

3) A Cruzada Nacional D. Nuno Álvares Pereira, mais conhecida por Cruzada Nun’Álvares, foi um movimento político português de extrema-direita, fundado com o objectivo de contribuir para uma solução ordeira de direita para os problemas de instabilidade crónica e de elevada conflituosidade social que afligiam a Primeira República Portuguesa. Das suas fileiras saíram alguns dos principais apoiantes das soluções fascizantes que dominaram a transição da Ditadura Nacional para o Estado Novo.

4) Filomeno da Câmara Melo Cabral, oficial da armada. Governador de Timor em 1910-1913 e 1914-1917. Militante de dirigente da Cruzada Nun’Álvares e deputado nacionalista em 1925. Ministro das finanças em 1926, no governo de Gomes da Costa. Ministro das finanças de 19 de Junho a 9 de Julho de 1927. Tenta, depois do 28 de Maio, um golpe contra Óscar Carmona, a chamada revolta dos fifis, onde conta com o apoio do então director da Biblioteca Nacional, Fidelino de Figueiredo, bem como de António Ferro.

5) Oficial de Marinha (Almirante) e maçon. Participa activamente na implantação da República.
Primeiro-ministro, por indicação de Bernardino Machado, torna-se quase plenipotenciário, ao acumular as pastas ministeriais mais relevantes. Por renúncia do Presidente da República, assume, em concomitância a chefia das Forças Armadas (31 de Maio de 1926). É afastado do poder, após uma reunião dos revoltosos no seu quartel-general em Sacavém, em 17 de Junho de 1926, e forçado a renunciar às funções de Presidente da República e de Primeiro-Ministro a favor de Gomes da Costa.
Feroz opositor da autocracia de Carmona e Salazar, conspira em, pelo menos, duas tentativas insurreccionistas em 1946 e 1947.

6) Uma brevíssima nota para recordar um dos mais hediondos dias da República Portuguesa: a noite sangrenta. Em 19 de Outubro de 1921, a Noite Sangrenta, são assassinados o presidente do ministério, António Granjo e o fundador da República, Machado Santos, juntamente com J. Carlos da Maia, o coronel Botelho de Vasconcelos o secretário
do
ministro da marinha, comandante Freitas da Silva. Triunfava a revolta falhada em 30 de Setembro, agora apoiada por forças da marinha. Uma camioneta-fantasma com o cabo Abel Olímpio, chamado O Dente de Ouro, circula por Lisboa recolhendo aqueles que serão assassinados. As culpas foram entretanto atribuídas à esquerda republicana, mas a viúva de Carlos da Maia, Berta Maia, decidiu investigar junto do marinheiro que chefiava a camioneta, o “Dente de Ouro”, e concluiu que tudo tinha sido uma conspiração monárquica destinada a eliminar os autores do 5 de Outubro de 1910.

7) Surge por oposição à Formiga Branca – nome pejorativo com que foi baptizada pelos inimigos a milícia semiclandestina do Partido Democrático destinada a apoiar pelas armas as instituições da I República.
A Formiga Branca começou por combater as incursões monárquicas de 1911-12, mas rapidamente se dedicou à repressão de todos os opositores de Afonso Costa, o político mais influente do regime – desde os sindicalistas e os operários em geral até aos republicanos de outras tendências. O massacre da ‘Noite Sangrenta’, foi atribuído a elementos da Formiga Branca. Uma milícia formada sobretudo por carbonários. Teve um papel fundamental no derrube da ditadura de Pimenta de Castro (1915).
A formiga preta foi o nome pelo qual ficaram conhecidos os apoiantes de Machado dos Santos. Estas milícias defendem o ataque dos primeiros a O Intransigente, jornal diário de Machado Santos, dito diário republicano radical. Começa por proclamar-se órgão dos verdadeiros carbonários. Combatia os provisórios e os adesivos.

Blasfémias: A Morte Anunciada…

Primeiro foi o Mata-mouros, depois foi o Blasfémias, as minhas referências em termos de blogosfera.

O Blasfémias, com mérito e inteligência chegou a blogue nacional de política mais lido em Portugal e, julgo eu, assim continua. Porém, está muito diferente.

O actual blasfémias é uma sombra daquele que eu me habituei a ler diariamente. Nos últimos meses está fraco, muito fraco. As caixas de comentários estão um verdadeiro nojo com uma imensa multidão a despejar ódio e ressentimento, em especial contra o CAA, a alma do Blasfémias. Eu tenho um grande respeito pelo Gabriel Silva, pela Helena Matos, pelo JCD, pelo Pedro F., entre outros blasfemos e uma profunda amizade pelo CAA mas o actual blasfémias é uma sombra daquele que foi o meu blogue preferido. Hoje prefiro ler o Delito de Opinião, por exemplo.

Sinceramente, com semelhante mau ambiente naquelas caixas de comentários e com a nítida redução de postas diárias, é preferível fechar e partir para outra, por muito que custe. Se o Pedro Arroja foi um erro de casting e o João Miranda um imenso bocejo, a actual situação das caixas de comentários do Blasfémias é a antecipação de algo que já se tornou nítido para todos excepto, talvez, para os blasfemos: o Blasfémias, o nosso Blasfémias, morreu. RIP.