Autárquicas – Maia – Uma estrondosa vitória

Análise mais demorada merece a Maia. Sim, porque esta cidade é minha!

As eleições de 2009 tiveram uma diferença muito importante em relação a 2001 e 2005. Ao contrário destas, o povo não saiu de casa com vontade de castigar o PS. As contas com o Governo já se encontravam saldadas. Isto fez-se notar particularmente na onda “rosa” que varreu o país. Em termos nacionais, é evidente que o PSD sofreu perdas muito importantes de votos, o que se traduziu em reduções de mandatos e de presidências de câmara.

Foi um PSD ferido o que se apresentou nestas eleições, e as urnas confirmaram algo que é evidente: O PSD está doente.

No entanto, em munícipios onde o PSD tem gerido com competência reconhecida, a “setinha” aguentou-se bem. Na Área Metropolitana do Porto são disso exemplos Porto, Gaia e também a Maia.

A Maia é um municipio com uma população sociológicamente de esquerda, onde, nas eleições autárquicas, ganha sistemáticamente a direita. No entanto, é óbvio que em termos autárquicos a diferença esquerda/direita é inexistente, sendo a Maia igualmente um bom exemplo disso.

Parece cada vez mais claro que em municipios em que o povo se identifica com as pessoas, o partido é indiferente. Note-se que até a capital portuguesa do rodeo elege uma presidente do único partido assumidamente anti-rodeos (o BE mantém Salvaterra de Magos, com maioria absoluta). E são esses os municípios mais independentes da popularidade dos seus respectivos partidos.

Posto isto, tenho que reconhecer que na Maia há um fenómeno “Salvaterra”. O PSD é fortemente minoritário em eleições legislativas. No entanto, nas autárquicas, esmaga. Em 27 de Setembro, o PSD tem 29%. Em 12 de Outubro, o PSD fica com 58. As pessoas da Maia gostam dos protagonistas do PSD.

É evidente que também há o reverso da medalha, que facilita. As pessoas da Maia não gostam dos protagonistas do PS. Veja-se que Mário Gouveia, candidato pelo PS à câmara que era presidente da junta de Milheirós, conseguiu, em Milheirós, a “proeza” de ter uma votação para a câmara inferior à alcançada nas autárquicas de 2005 pelo PS liderado por Jorge Catarino, resultado ao qual não será certamente alheio um mandato na junta globalmente fraco e com episódios demonstradores de uma total falta de carácter, como no caso da propaganda que financiou com o orçamento da junta (que fica a anos-luz de poder ser considerada publicidade institucional). Isto quando Jorge Catarino enfrentou umas eleições marcadas por um acentuado voto de castigo ao PS. No entanto, esta incapacidade do PS seduzir o eleitorado está intimamente ligada à absoluta inexistência na sua militância de quadros à altura do desafio de tomar as rédeas do municipio. Por vezes até penso que quando Cavaco Silva se estava a referir à boa moeda expulsa pela má, fenómeno palpável nos aparelhos partidários, se estava a referir ao PS da Maia. Especialmente no que tange ao candidato, a fraqueza do PS foi embaraçosa e, sinceramente, durmo melhor de noite por saber que a câmara não é presidida por Mário Gouveia.

Olhando para a Maia, para o PSD, para os candidatos e para os resultados, torna-se evidente que o PSD de Bragança Fernandes é muito mais do que o mero PSD da direita conservadora que a oposição tenta retratar. Aliás, em bom rigor, não se nota que o PSD Maia tenha alguma ideologia senão o interesse dos maiatos. Existe claramente uma coligação do PSD com os maiatos, e vice-versa. Esta estrutura que abrange o universo dos militantes do PSD Maia bem que se podia apresentar a eleições com a sigla PPV, PCTP-MRPP, PTP, PND, PPM ou até POUS, que teria exactamente o mesmo resultado. O povo da Maia quer estas pessoas à frente dos seus destinos, o que é revelado pela enorme penetração deste PSD na sociedade civil e nas elites maiatas. Chego ao ponto de desconfiar que o PSD Maia tem imensos militantes que não são fieis ao PSD nacional quando é este que entra na disputa e que apenas lá militam porque é a única forma de poderem influenciar a vida pública maiata.

Alegar que estes resultados só são possíveis graças a maquinações propagandísticas, por muito que possa fazer corar o FMS e que este não desdenhe os louros, é uma interpretação fantasiosa do voto expresso pelo eleitorado, digna de quem continua a recusar-se aprender com os seus próprios erros. Se há situação que ficou demonstrada mais uma vez nestas autárquicas é  que o poder da “propaganda” vinda do “poder” é limitado quando confrontado com gestões incompetentes ou protagonistas pouco dignos de confiança. Para além dos exemplos nacionais óbvios, Mário Gouveia e Susana Pinheiro que o digam.

Ora, quando assim é, está tudo dito. Os maiatos votaram, e votaram bem. Ganharam os melhores.

Uma última nota para dizer que Bragança Fernandes melhorou o “score” de Vieira de Carvalho em 2001, o que poderá ajudar este executivo a libertar-se de alguns fantasmas que pudessem subsistir. No reverso da medalha, Mário Gouveia conseguiu piorar em quase 5% o “score” de Jorge Catarino contra Vieira de Carvalho em 2001. Parece pouco,  mas dava para eleger o quarto vereador.

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